quinta-feira, julho 19, 2007

A ordem é morrer calado e ficar de luto em silêncio

Reinaldo Azevedo

O que vocês esperam? Que alguém venha a público dizer que o agora maior acidente aéreo brasileiro (o nosso último “maior” tinha apenas 10 meses) foi causado, entre outros fatores, pela pista inadequada, sem as devidas ranhuras? Isso não vai acontecer. Até hoje, na tragédia dos 154 mortos da Gol, não se deu o devido peso à coisa mais óbvia do mundo: o Boeing tinha comunicação com a torre, e sabia-se que o Legacy poderia estar na contramão. Bastava ordenar então ao avião da empresa brasileira: “Suba, desça ou vá para o lado”. E aquelas pessoas estariam vivas. Em vez disso, as responsabilidades se diluem nas repisadas "múltiplas causas" que provocam um acidente aéreo. O estado sempre livra a própria cara.

Reitero o que escrevi ontem em muitos posts: ainda que se venha a provar — é o que está para acontecer — que o piloto praticou uma barbeiragem, a Infraero demorou 50 minutos para divulgar o nº do vôo. Não! Não se tratava de uma informação que estava presa em algum filtro, em algum mecanismo de controle. Era desconhecimento mesmo. Tanto é assim, que se chegou a divulgar que o vôo era o de nº 5018. Em seguida, outra informação: seria uma pequena aeronave, não um avião grande. E, finalmente, quase uma hora depois, a informação correta do vôo ao menos.

Ora, isso é indício de um estado de coisas, não fosse suficiente a balbúrdia que se verifica diariamente nos aeroportos em razão da falta de comando, da infra-estrutura precária, de um controle aéreo completamente rendido à militância sindical. Lula tem alguma coisa com isso? Ele também deve achar que sim, não é? Ou não teria reunido o tal “Gabinete da Crise”. Reunião para quê?

Julio Redecker
Evidentemente, estou consternado com a tragédia. A imagem da mulher desfalecendo no aeroporto ao saber que dois filhos seus estavam no avião é dessas coisas sem par. Como pai, pressinto a extensão dessa dor. Ademais, conhecia o deputado Julio Redecker (PSDB-RS), líder da minoria na Câmara, com quem tinha um relacionamento cordial, amigo. Era um político dedicado, trabalhador, de caráter — um excelente quadro do tucanato, pessoa hoje rara no Brasil, que tinha mais futuro político do que passado.

É o aspecto sempre apavorante das tragédias: vidas interrompidas que, por sua vez, interrompem outras vidas. Os familiares colhidos por esses acontecimentos, não raro, sentem-se roubados, traídos, abandonados. Minha solidariedade às famílias de todos os mortos, em particular à mulher e aos filhos de Redecker. Os que perdem entes queridos em situações como essa têm dificuldades até mesmo para viver o luto, que está presente em todas as culturas e que é uma necessidade.

Soma-se a essa consternação pelo conjunto e à tristeza em particular por Redecker um outro e enorme desconforto: eu detesto aviões. Todas as certezas muitos racionais e muito científicas sobre “o mais seguro meio de transporte” podem até me convencer, mas não me pacificam. Não consigo deixar de considerar que se trata de um “tudo ou nada”. Sei que o número de acidentes é ínfimo se levarmos em conta os pousos e decolagens no mundo. E só se chegou a esse desempenho, entendo, justamente em razão daquele “tudo ou nada”. Todas as áreas envolvidas com o vôo passaram por revoluções tecnológicas consideráveis. O medo, quando é virtuoso, pode gerar ciência e prudência. O meu medo de voar não tem nada de virtuoso. Só me causa contratempos e sensações desagradáveis. E é pior quando viajo com a família. Gosto é de ficar aqui, quieto, no meu canto. A rotina me basta.
Civilização
Por mais experiente que seja o viajante, noto sempre, há em todo passageiro um quê de desafio no olhar. Por algumas horas, dezenas de pessoas partilham de um destino. Com raras exceções, o clima nos aviões é de certa camaradagem complacente; as pessoas fazem algum esforço para ter uma risonha confiança — desconfiada, acho eu — no futuro. Temos a noção de que aquilo é mesmo um atrevimento e tanto. Confiamos nosso destino à expertise dos pilotos, das empresas aéreas, das torres de comando. Entregamos, enfim, nossa vida ao conhecimento acumulado que faz com que voemos, que nos mantém no ar, que nos devolve à terra, à nossa rotina, ao nosso destino: seres feitos para caminhar sobre duas pernas.

A tragédia com o avião da TAM, dez meses depois do acidente da Gol, provocou um estranho misto de incredulidade misturada a frieza até mesmo nos jornalistas que estavam de cara para as chamas. Durante alguns minutos, via-se a cauda de um avião enterrado no depósito — sim, era, inequivocamente, a cauda de um avião —, e os repórteres falavam no "incêndio do prédio". No máximo, mesmo com aquele rabo da tragédia exposto, especulava-se sobre um “possível” acidente. Um avião derretia numa impressionante bola de fogo, e ninguém queria acreditar.

Mas não era daquelas resistências sofridas diante da tragédia. Talvez fosse outra coisa. Talvez fosse a manifestação de uma descrença generalizada na lógica. Ora, dados nove meses de caos, quanto tempo demoraria para que um novo acidente nos assombrasse? A perplexidade fria, creio, tinha a ver justamente com isto: a gente se dava conta de que, vejam só, é mesmo verdade; se fizermos as coisas erradas, colheremos desastres. Na aviação ou em qualquer lugar.

Morrer calados
Os petistas logo ficaram assanhados. Aqueles mesmos que estão certos de que César Maia organizou a vaia contra Lula logo correram para decretar: “Lula não tem nada com isso”. Mais: resolveram me botar na sua rede de demonização, afirmando que eu estava explorando politicamente a tragédia. Explorando politicamente?

São os tempos petistas. Chegou a hora de morrer calado. Chegou a hora de sofrer em silêncio. O curioso é que o próprio Lula, a despeito do que dizem os seus puxa-sacos, sentiu à distância o calor das chamas e se apressou em reunir o tal gabinete de crise. É claro que ele sabe ter tudo a ver com isso. Com isso o quê? Com a tragédia? Em certa medida, sim. Os brasileiros passaram a voar com muito menos segurança no seu governo. E as respostas ficaram todas entre a inércia e o cinismo.

Não, eu não inventei que a pista estava insegura. É o que pilotos estão dizendo ao se comunicar com a torre. Sem as tais ranhuras para escoar a água — e estava chovendo em São Paulo —, as aterrissagens são muito mais perigosas. Anteontem, um avião já havia rodado na pista.

Mas os petistas não querem que falemos nada. Afinal, eles não querem saber, como é mesmo?, da classe média que vaia Lula em estádio e protesta contra o governo nos aeroportos. Se depender da ministra do Turismo, devemos “relaxar e gozar”. Se depender do ministro da Fazenda, devemos é lhe ser gratos: ele acha que é o preço que se paga pela pujança da economia. Se depender de José de Alencar, devemos ter não mais do que paciência.

Cobram de nós que morramos calados; que vivamos nosso luto em silêncio. Sugiro a vocês que leiam os comentários dos colunistas petralhas quando o garoto João Hélio foi barbaramente assassinado. A síntese era esta: “Só estão fazendo esse barulho porque era um menino de classe média”. No Brasil de Lula, a classe média não tem direito nem de chorar os seus mortos. Nas ruas ou nos aviões. Nos estádios, é para aplaudir.

Atenção!
É puro raciocínio místico a suposição de que, havida esta tragédia, outra não pode acontecer. Pode, sim. Em primeiro lugar porque o fato de o governo Lula ser tão incompetente não quer dizer que o imponderável, que está em todos os lugares, tenha nos abandonado. Esse imponderável é sempre menor quanto maior é a capacidade de resposta técnica, é fato. Essa nossa capacidade de resposta, no setor aéreo, nunca foi tão precária. Tudo o mais constante — incluindo o silêncio dos inocentes —, mais acidentes virão. É matemático.

ENQUANTO ISSO...

Pista molhada não causou acidente, diz engenheiro
Marcos Roberto, Redação Terra

O superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse, no início da noite desta quarta-feira, que a pista molhada não foi responsável pelo acidente envolvendo o Airbus A320 da companhia aérea TAM, ocorrido na terça-feira. "A pista estava molhada, mas ela não tinha empoçamento. Não havia risco de aquaplanagem porque não havia lâmina de água", afirmou.

O Airbus, que fazia o vôo JJ 3054 e partiu de Porto Alegre no final da tarde de terça-feira, não conseguiu parar ao aterrissar no início da noite no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passando por cima da avenida Washington Luís antes de se chocar com um posto de gasolina e um prédio da TAM Express, onde havia funcionários trabalhando.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que pelo menos 173 corpos foram retirados dos escombros do avião até as 15h45 desta quarta-feira. Estima-se que passe de 200 o número de vítimas da tragédia, sendo que 186 estariam no avião e as demais estariam nos arredores e no prédio atingido pela aeronave.

ENQUANTO ISSO...

Laudo do IPT sobre nova pista ainda não estava pronto
Agência Brasil

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), autarquia ligada ao governo paulista, divulgou comunicado hoje (18) esclarecendo que seu laudo sobre as reformas na pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas ainda não está pronta. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) havia anunciado que o IPT realizou auditoria sobre as obras nas pistas de Congonhas.

No comunicado, o IPT esclarece que concluiu apenas a auditoria técnica das obras da pista auxiliar. A análise das obras da pista principal, na qual ocorreu o acidente ontem (17) com o Airbus da TAM, não foi concluída. "Até o momento, nenhum relatório foi entregue à Infraero", afirma a nota.

O IPT é o órgão também contratado pelo governo do estado de São Paulo, através da Companhia do Metropolitano de São Paulo, para fazer um laudo técnico das obras da futura estação Pinheiros do metrô, que desabou em janeiro. No comunicado, o instituto detalha cada item a ser auditado, como o "binder (camada de ligação da estrutura da base com o revestimento do pavimento); características das misturas que compõem o revestimento asfáltico; características de superfície: irregularidade, declividade, planicidade, atrito (microtextura) e textura (macrotextura)."

De acordo com a assessoria de imprensa, trata-se de um laudo exclusivamente da esfera da engenharia civil. Os relatórios finais sobre as reformas realizadas na pista principal do Aeroporto de Congonhas "deverão ser encaminhados nos próximos dias 27 de julho, 07 e 17 de agosto", segundo o IPT.

A falta de aderência da pista é a causa mais provável do acidente, na opinião é do presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia. "Esse aeroporto, como todos sabem, tem uma certa limitação, tanto no tamanho quanto na qualidade da pista", afirma.

A pista em que ocorreu o acidente havia sido liberada após reforma há pouco mais de duas semanas. A liberação ocorreu antes que estivessem prontas as obras para aumentar a aderência do asfalto com os pneus de aviões. Essa parte da reforma estava sendo feita durante a madrugada e só ficaria pronta em setembro. O especialista em aviação civil e comercial Valtécio Alencar considera "crítica" a liberação da pista antes da conclusão da obra.

Anderson Correia defende que Congonhas seja fechado para aviões de grande porte. Segundo ele, o aeroporto não tem condições mínimas de segurança para esse tipo de vôo. A redução das linhas que passam por Congonhas estava em estudo pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A Aeronáutica praticamente descarta a possibilidade de derrapagem. "Aquaplanagem é pouco provável que tenha ocorrido, mas isso saberemos em poucos dias", afirmou o o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho.

No dia do acidente (17), a pista chegou a ser testada a pedido da Torre de Comando. "E foi reportado que não havia lâmina de água, que pudesse gerar aquaplanagem", afirmou o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, em entrevista coletiva à imprensa esta tarde, na capital paulista. Teria sido informado apenas que "pista estava molhada".

COMENTANDO A NOTICIA: Hoje, a própria INFRAERO comunicou que o laudo das investigações demandará em torno de 10 meses para ser concluído. Mas, claro, seu Superintendente de Engenharia já saiu declarando sua conclusão por conta própria, pois existe um movimento dentro do órgãos do governo de evitar que o acidente com o avião da TAM respingue na popularidade do impoluto Lula. Afinal, para este cidadão, o que importa é a sua imagem, o resto que se dane.

Porém, (menos mal que exista um “porém” nesta história), o laudo sobre as condições da pista principal sequer foi divulgado, portanto, sem que se conhecesse se as obras de reformas estavam dentro dos padrões técnicos exigidos, jamais deveria ter sido liberada para pouso e decolagem. Assim, independente de qualquer outra investigação, fica claro que a INFRAERO, ao liberar a pista, assumiu o risco, e portanto, a responsabilidade pelo que pudesse ocorrer. Como o que ocorreu foi uma tragédia, a INFRAERO deve ser responsabilizada por sua ação irresponsável. Deste modo, a declaração precipitada do Superintendente de Engenharia da INFRAERO demonstra bem, de um lado, as razões para a crise aérea em que o país se acha mergulhado há mais de dez meses.

E a tal ponto isto é um descalabro que a área técnica da Infraero está convencida de que um erro do comandante do Airbus da TAM, que se acidentou no aeroporto de Congonhas, provocou a tragédia que matou 186 pessoas que estavam a bordo. A Infraero não culpa o comandante publicamente, até porque prefere esperar a conclusão das investigações, mas considera que o avião tocou na pista muito além do ponto máximo permitido, tentou arremeter e não conseguiu. Contudo, os próprios controladores desmentem esta versão delinqüente. Aliás, o que não falta tanto na INFRAERO quanto na ANAC é pura delinqüência. E uma delinqüência assassina: já são mais de 300 vítimas mortas pelas molecagens irresponsáveis desta gente. Precisarão mais outras tantas para o presidente Lula tomar providências, sendo uma a de afastar quem não competência para atuar em setor tão estratégico, e que por isso mesmo não pode ser tomado por amadores ?

O morto e a crítica do Apagão Aéreo

Tales Faria, Informe JB

Júlio Redecker (PSDB-RS), o deputado morto no acidente com o avião da TAM no Aeroporto de Congonhas, foi um dos principais arautos da CPI do Apagão Aéreo na Câmara. No dia 21 de março, fez um discurso sobre a CPI, sem saber que ele próprio seria vítima do caos aéreo. Tratava do problema dos controladores de vôos, uma encrenca que, na verdade, ainda não está solucionada. Mas denunciou, sobretudo, que o governo cortou ("contigenciou") recursos para o setor aéreo no Orçamento da União e que isso está na base da explicação do caos. Eis alguns trechos:

"A queda do Boeing 737-800 da Gol, que vitimou 154 pessoas, não aconteceu naquele 29 de setembro do ano passado. Essa data, de fato, marca o dia em que o vôo 1907 entre Manaus e Rio de Janeiro, com escala em Brasília, partiu na direção de uma tragédia que poderia ter sido evitada. A queda do Boeing inicia em 28 de julho de 2005, na reunião dos secretários executivos e membros do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) e da Casa Civil da Presidência da República".

"Naquele encontro, a Casa Civil sugeriu que o Ministério da Defesa buscasse nos ministérios da Fazenda e do Planejamento a solução para a liberação dos recursos do seu orçamento. Mas a Casa Civil antecipou que 'a política de contingenciamento não prevê exceção' e que essa 'era uma posição definitiva do governo'".

"A eventual insuficiência em 2005 gerará efeitos danosos ao progressivo aperfeiçoamento dos meios e das atividades inerentes ao controle do espaço aéreo brasileiro, situação contrastante, inclusive, com as expressivas taxas de crescimento de tráfego aéreo no país, que nos últimos anos vêm apresentando um valor médio de cerca de 8%. Sem dúvida, sensíveis prejuízos para o país serão gerados para as atividades aéreas, civis e militares, desenvolvidas no espaço aéreo sob a jurisdição do Brasil".

"Eu diria, senhoras e senhores, que estas autoridades só olharam os números e não consideraram que vidas humanas estavam em risco. Passados seis meses daquela tragédia, a sociedade ainda aguarda por respostas do governo"
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Pois é, aguardamos as respostas até hoje!

Viajariam juntos
Notícia que esteve postada no site da Câmara dos Deputados: o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, o líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ), e o líder da Minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), participam, nesta quarta-feira (18) a sexta-feira (20), de uma visita oficial a Washington, capital dos Estados Unidos, onde terão uma série de reuniões com parlamentares norte-americanos. Ontem, Chinaglia cancelou a viagem.

Novo Chiarelli
Deputado federal por dois mandatos e senador por um, Carlos Chiarelli desapareceu do Congresso depois de ter sido ministro do governo Collor. Nunca mais se elegeu, nem em eleições municipais. Seu filho Matteo chega agora à Câmara dos Deputados, na vaga do tucano Júlio Redecker. O novo deputado gaúcho teve 36 mil votos. É, na verdade, o segundo suplente e só exerce o mandato porque o primeiro, Cláudio Diaz, substitui Nelson Proença, hoje secretário da governadora Yedda Crusius.

Pezão gordo
Vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão está de mal com a balança. Teve de voltar a um spa na região serrana do Rio. Na última incursão, no feriado de Corpus Christi, Pezão tinha perdido 10 quilos. Mas de lá para cá não conseguiu mais segurar a boca.

Só ponte aérea
A Fundação Cacique Cobra Coral afirma que a médium Adelaide Scritori foi acionada pelo prefeito Gilberto Kassab para amenizar as chuvas. A médium diz que o acidente foi um aviso e que as autoridades precisam agir rápido e deixar em Congonhas só a ponte aérea Rio-SP.

Roriz não volta
Caso o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) seja condenado à anulação de seus votos na eleição de 2006, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deverá, necessariamente, convocar novas eleições. Em processo semelhante, em que a eleição do senador Expedito Filho (PR-RO) foi anulada, a Justiça Eleitoral mandou chamar o candidato derrotado, Acir Gurgacz, do PDT. Já foi até diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral, embora condenado pelo Tribunal de Contas local por irregularidades quando prefeito de Ji-Paraná.

Roriz não volta 2
Poderia haver novas eleições com a chapa de Roriz - incluindo o suplente que assumiu, Gim Argello - condenada por "captação irregular de votos". Ou, se Gim renunciar e o segundo suplente, Marcos de Almeida Castro, não assumir. Mas este é irmão de um dos advogados do ex-deputado José Dirceu, Antônio Carlos de Almeida Castro. E o PT do Distrito Federal já o convenceu a não renunciar.

Desgoverno que pune inocentes

Editorial do Jornal do Brasil

Assumir a responsabilidade pelas conseqüências dos próprios atos e omissões e pedir desculpas aos cidadãos pelas falhas trágicas provocadas no desempenho das funções é a primeira atitude que se espera de um governante em uma democracia. Ainda mais no caso de tragédia anunciada pela repetida incompetência e imprevisão administrativas federais como as que massacraram centenas de pessoas mortas no acidente com o vôo 3054 da TAM, em São Paulo.

Só a perícia determinará as causas próximas da maior tragédia aeronáutica brasileira, mas é clara a imprudência das autoridades federais ao ignorarem os riscos do explosivo crescimento no tráfego aéreo sobre a precária infra-estrutura aeroportuária nacional. Tal imprevisão se tornou incompetência dolosa, pois o governo não aprendeu nada com as trágicas lições da colisão do Boeing da Gol com um jato Legacy, que deixou 154 mortos apenas 11 meses atrás. A incompetência parece expressar uma inaptidão administrativa, já que no período se multiplicaram os incidentes com aviões de diversos tipos, suficientes para despertar o mais desatento dirigente.

Agora, não basta assumir a responsabilidade e pedir desculpas. Na crise, é preciso governar diretamente e intervir na administração da infra-estrutura aeroportuária e de navegação aérea do país. A começar pelo ministro da Defesa, que finge gerenciar o espaço aéreo do país ignorando as recomendações técnicas da Aeronáutica. Afinal, para que exatamente serve alguém que nada faz num ministério criado apenas para coordenar três forças militares, já que não tem efetivos poderes e nem orçamento minimamente adequado? Não há mais tempo e paciência para homenagear brasileiros pelo passado de privações e pelo presente de omissões.

No âmbito da Defesa é necessário enfrentar a ficção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão regulador que submergiu aos interesses das empresas aéreas.

É o seu ocupante também um inapetente? Por que as outras agências reguladoras federais ao menos conseguem funcionar apesar dos desafios encontrados?

Ainda no mesmo desgovernado ministério, é necessário intervir diretamente na incrível Infraero, empresa estatal que conseguiu a proeza de piorar a infra-estrutura aeroportuária do país, invertendo as prioridades de investimento, cuidando mais de terminais de passageiros em vez de pistas dos aeroportos. A rigor, ninguém sabe o que fez a Infraero, caso contrário a Polícia Federal não seria chamada pela Presidência da República para investigar se a reforma da pista de Congonhas foi concluída com a qualidade exigida. Sem falar do esforço do Congresso, que tenta conhecer pelas Comissões Parlamentares de Inquérito a extensão dos danos causados pela empresa aos aeroportos e aos cofres públicos.

Há um flagrante desmando na supervisão da aviação civil, que não consegue nem repetir os acertos que involuntariamente comete, como a transferência do tráfego aéreo do precário aeroporto da Pampulha para Confins, em Belo Horizonte. Por que não se limitou as operações em Congonhas com a transferência gradual dos vôos para Cumbica? Por que não se concluíram os outros três terminais de passageiros previstos para este aeroporto internacional? Só agora lembram que não há transporte eficaz entre São Paulo e Guarulhos?

O sangue de centenas de inocentes pesa sobre os dirigentes federais. Cabe ao presidente da República chamar a responsabilidade a si e afastar os incompetentes do Ministério da Defesa, da Anac, da Infraero e de onde mais for necessário. É o mínimo que deve fazer.

Investigação de acidente pode durar dez meses

da Folha Online

O brigadeiro Jorge Kersul Filho, comandante do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Aeronáutica, afirmou nesta quarta-feira em entrevista coletiva que as investigações sobre o acidente envolvendo o vôo 3054 da TAM que ocorreu ontem, em Congonhas (zona sul de São Paulo), devem durar no máximo dez meses.

Os profissionais do setor aeronáutico que irão apurar as causas do acidente deverão receber as transcrições da caixa-preta remetida nesta quarta à NTSB (National Transportation Safety Board), a agência de segurança de vôo dos Estados Unidos, na quarta-feira que vem (25).

"A ação inicial é levantar o maior número de dados possível. Temos onde a aeronave tocou primeiro [em que altura da pista principal do aeroporto de Congonhas], onde saiu da pista, em que ponto escorregou na grama e onde tentou recomeçar o vôo."

Durante a entrevista, o superintendente de engenharia da Infraero (estatal que administra os aeroportos do país), Armando Schneider, assegurou repetidamente que a pista principal de Congonhas é "totalmente segura". Ele afirmou que, na última medição realizada, o coeficiente de atrito na pista principal estava, inclusive, "acima de padrões internacionais".

Kersul Filho e Schneider disseram que a pista principal de Congonhas deve permanecer fechada até sexta-feira (20), quando poderá ser reaberta para operar com pista seca. Em caso de chuva, ela deverá ser bloqueada novamente.

Questionado sobre o motivo pelo qual não determinou o fechamento da pista de Congonhas após o incidente com o avião da Pantanal, que deslizou ao pousar no terminal, Kersul Filho disse que o pavimento foi analisado e que não existia lâmina d'água que pudesse provocar aquaplanagem naquele momento. "Não podia interditar a pista por suposições."

Kersul Filho destacou que o incidente com a Pantanal ocorreu em circunstâncias bastante diferentes das do acidente da TAM. "Era um avião muito menor e de menor velocidade."

"Grooving"
Schneider rebateu as críticas de que a pista principal de Congonhas, recém-reformada, foi liberada para o tráfego prematuramente. Ele afirmou na entrevista que o chamado "grooving" só deve ser feito com o asfalto curado, o que demora de 30 a 40 dias, e que, se o processo fosse realizado agora, todo o trabalho de recuperação seria perdido.

"Nem todos os aeroportos do mundo têm esse sistema [o "grooving"]. Só alguns aeroportos têm particularidades e devem utilizar o "grooving", como é o caso de Santos Dumont [no Rio] também", afirmou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É, faz sentido levar tanto tempo para concluir a investigação, já que o da Gol já completou este mesmo período, e a sociedade brasileira continua sem respostas até agora. Até porque a “conclusão” a que os investigadores vão chegar tem desde já uma meta: livrar a cara e a responsabilidade do governo Lula.

O que importa saber agora, antes das investigações é se o a INFRAERO permanecerá libera a posta do aeroporto de Congonhas em dias de chuvas, e antes de concluídas as obras de reformas, principalmente a que dizem respeito à segurança. Porque se nada for feito, mesmo durante as investigações e antes de qualquer resultado “satisfatório” que se possa chegar, este terá sido apenas mais um de outras tragédias que poderão acontecer.

TOQUEDEPRIMA...

***** Denise Abreu nega veto à VarigLog 76

Diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu chegou a ser acusada de tentar impedir a participação da VarigLog na licitação de duas rotas para a Alemanha, mas ela nem mesmo estava no País, segundo disse ontem. A licitação ocorreu em 19 de junho e ela viajou entre os dias 16 e 25 para representar a Anac na feira aeronáutica de Le Bourget, na França. Além disso, a própria VarigLog acabou por desistir de uma reclamação judicial sobre o assunto. A propósito de nota aqui publicada dia 13, Denise Abreu nega categoricamente ter sido indicada ao cargo pelo ex-ministro José Dirceu, seu amigo e ex-chefe: "A indicação foi do presidente da República".

***** Um em cada seis senadores é processado no STF
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Levantamento do portal G1 aponta que 14 dos 80 senadores brasileiros respondem por crime em inquéritos ou ações penais em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal) – único fórum capaz de processá-los. São 25 os processos que tramitam contras os parlamentares, com acusações que vão desde calúnia a fraudes na administração pública.

Os senadores acusados são: Cícero Lucena (PSDB-PB), Demóstenes Torres (DEM-GO), Fernando Collor (PTB-AL) Flexa Ribeiro (PSDB-PA), João Ribeiro (PR-TO), Leomar Quintanilha (PMDB-TO), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Mão Santa (PMDB-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO), Mário Couto (PSDB-PA), Neuto de Conto (PMDB-SC), Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Wellington Salgado (PMDB-MG).

Existem ainda no STF pelo menos 127 processos contra mais 27 senadores. Porém, estes estão arquivados porque o crime em questão prescreveu ou em razão de sentença que absolveu o parlamentar. No entanto, desde que a Constituição foi promulgada, em 1988, nenhuma autoridade foi condenada pelo Supremo.

***** PF fará nova perícia em documentos de Calheiros

O Mesa Diretora do Senado acatou por unanimidade a decisão do Conselho de Ética de encaminhar à Polícia Federal novo pedido para um perícia aprofundada nos documentos do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL)."A Mesa decidiu acolher a solicitação (do Conselho de Ética) e remeter ao senhor ministro de Estado da Justiça", declarou o senador Tião Viana (PT-AC), que estava presidindo a sessão. Calheiros optou por não presidir mesa por ser o objeto da investigação.

Além dos integrantes da Mesa, a reunião teve a presença da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), por ter participado do requerimento de investigação, e o advogado de Calheiros, Eduardo Ferrão.
"O PSOL deixou claro que a Mesa do Senado não teria o direito de impedir qualquer diligência solicitada no Conselho de Ética", concluiu Heloísa Helena.

***** Governo abre o cofre para garantir a CPMF
De O Globo

O Palácio do Planalto entrou em campo para garantir a aprovação da emenda que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), sem divisão dos recursos com estados e municípios, como está no relatório do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos próximos dias, enquanto o Congresso estiver em recesso, o governo vai liberar R$ 540 milhões de emendas individuais de parlamentares ao Orçamento da União. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, está coseguindo celeridade dos ministros políticos na liberação dos recursos dessas emendas e nas nomeações para os cargos federais nos estados. Os ministros dos partidos aliados estão sendo acionados para garantir a aprovação da CPMF, com destinação exclusiva de suas receitas para a União, contrariando a posição dos governadores, que defendem a partilha.

— Vamos desovar R$ 540 milhões agora e não pára mais. Em agosto, serão liberados mais R$ 540 milhões. Em outubro e dezembro, serão liberadas mais duas parcelas de R$ 540 milhões. Isso vai ser uma rotina, no ano que vem as liberações vão começar em abril — disse o ministro Walfrido Mares Guia.
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***** O Golpe das ONGs

O escandaloso caso do Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo revela a que ponto chegou a farra do governo através das organizações não-governamentais. Ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), essa ONG fajuta acaba de tomar R$ 4,5 milhões do Estado, a pretexto de "qualificar tecnicamente trabalhadores rurais assentados". Na verdade, o golpe das ONGs já se tornou corriqueiro pelos estados e municípios, desviando verbas públicas, enquanto as mais tradicionais entidades beneficentes do País vivem na penúria.

***** Importações aumentam e reduzem o superávit
Folhapress

Com um forte ritmo de crescimento das importações, o saldo da balança comercial apresenta uma ligeira queda no acumulado do ano. Até a segunda semana de julho, o superávit (exportações menos as importações) está em US$ 22,368 bilhões, uma queda de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 22,458 bilhões).

No período, as exportações totalizam US$ 79,537 bilhões, valor 17,1% superior ao registrado entre janeiro e a segunda semana de julho no ano passado. Já as importações crescem em ritmo mais forte, 25,8%, e somam US$ 57,169 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer que o governo tome novas medidas que ajudem as empresas brasileiras a compensarem a valorização do real frente ao dólar. Para a entidade, embora esse seja um fenômeno enfrentado também por outros países, no Brasil não foi feita nenhuma reforma que ajude a compensar a baixa cotação da moeda americana, que prejudica as exportações.

"É imperioso enfrentar os desequilíbrios provocados pela questão cambial e não hesitar em adotar, de imediato, medidas que dotem as empresas de recursos para competir nesta nova realidade - como, por exemplo, medidas tributárias compensatórias ou a criação de linhas especiais de financiamento para os setores mais afetados", afirma o boletim "Informe Conjuntural".

***** Chinaglia cria trem da alegria

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, formalizou a criação de 144 cargos, a serem preenchidos sem concurso, mas por indicação dos líderes de quatro partidos: PMN, PPS, PV e PSC. O antecessor de Chinaglia, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), extinguiu centenas desses "cargos de natureza especial" (CNEs), após o escândalo que os revelou. O novo trem da alegria criou 55 cargos para o PPS, 37 para PV e PSC e 25 para o minúsculo PMN.

Os salários do trem da alegria de Arlindo Chinaglia variam entre R$ 1,5 mil e R$ 6,2 mil por mês. Sem contar horas extras, salários indiretos etc.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Se estes partidos tivessem um pingo de decência devolveriam imediatamente os cargos ao senhor Chinaglia. Esta é a hora para sabermos quem, neste Congresso podre, se salva da lama que o infecta !!!

***** Pilotos são pressionados a pousar de todo jeito
De Denize Bacoccina da BBC Brasil:

"O diretor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacionais dos Aeronautas, Carlos Gilberto Salvador Camacho, diz que os pilotos se sentem pressionados pelas empresas a pousar em Congonhas mesmo que se sintam inseguros em relação às condições do aeroporto – na teoria, qualquer piloto pode solicitar a mudança do aeroporto de destino alegando insegurança.

- O piloto tem que ir, ele vive disso. Se ele não for ele vai ter que explicar porquê -, afirmou em entrevista à BBC Brasil".

***** Exportando gente

Os brasileiros residentes no exterior enviam para cá cerca de US$ 6 bilhões/ano. Deste total, US$ 3 bilhões passam pelo Banco Central, enquanto os outros US$ 3 bilhões chegam livremente. O governo nem sabe quantos brasileiros vivem no exterior. Veja algumas estimativas: no Paraguai há cerca de 450 mil brasileiros; em Portugal, 70 mil; no Suriname, 40 mil; e nos Estados Unidos, 1,3 milhão, a maioria em situação irregular. É o êxodo causado pelo desemprego.

Governo Lula só se preocupa com sua imagem...

Planalto teme que acidente da TAM desgaste imagem do governo
Renata Giraldi, da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados dele estão convencidos que o governo federal será responsabilizado pela oposição pelo acidente com o Airbus-A320 da TAM. Esta é a avaliação de interlocutores de Lula que afirmam que isso ocorrerá mesmo que as investigações indiquem que o acidente foi causado por problemas com a aeronave ou por falhas técnicas.

A Folha Online apurou que, para os aliados do Palácio do Planalto será difícil descolar a imagem do governo da ocorrência de duas tragédias aéreas em um intervalo de 10 meses --em setembro, um acidente com uma aeronave da Gol deixou 154 mortos.

Assim que passar o período de luto, ministros de diversas aéreas deverão sair em defesa do governo. A idéia é aguardar o chamado momento certo. Ainda sem data definida. A orientação será transmitida por Lula que definirá a estratégia e quem falará em seu nome.

Desde ontem o objetivo do presidente é conduzir de perto as investigações, tanto é que fala diretamente com o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, evitando interlocutores. Também decidiu que o ideal é deixar que algumas apurações sejam comandadas pela Polícia Federal.
Paralelamente, Lula determinou que os governos de São Paulo e do Rio Grande do Sul poderão disponibilizar dos servidores funcionários que necessitarem. O assunto foi tratado pelo seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, que conversou hoje com os governadores Yeda Crusius (RS) e José Serra (SP) --ambos do PSDB.

Na sexta-feira, o acidente ocorrido ontem será o tema principal da reunião do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes) e da Polícia Federal, em Brasília.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ou seja, enquanto milhares de pessoas vão se atormentando com o apagão aéreo que parece longe de se encerrar, enquanto vamos acumulando cadáveres e mais cadáveres de inocentes vítimas do descalabro, descaso e incompetência governamental, os nossos governantes estão “apenas” preocupados com o desgaste de sua imagem. Ou seja, para eles, a imagem é tudo, a vida dos brasileiros é porcaria nenhuma. Deveriam ter sido tão claros antes das eleições. O cinismo deslavado continua a ser a tônica destes cretinos.

TCU lista 12 problemas em obras da Infraero

Folha de S. Paulo

Técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União) apresentaram ontem à CPI do Apagão Aéreo do Senado lista com 12 irregularidades comuns encontradas nas obras da Infraero nos aeroportos desde 2005. Conforme os técnicos, todas os problemas nos contratos com as empresas privadas eram de conhecimento do deputado Carlos Wilson (PT-SP), que presidiu a empresa de 2003 a 2006, e da atual diretora de engenharia, Eleuza Teresinha.

"Com toda a certeza, esses processos passaram pelas mãos deles", afirmou Cláudio Sarian Altourian, analista de finanças e controle externo do TCU.

O TCU tem cerca de 70 processos que investigam a Infraero, dos quais 15 são relacionados a obras nos aeroportos. A maioria das auditorias não foi concluída, mas, conforme o técnico, já apresentam "indícios de irregularidades fortes e consistentes".

Os técnicos informaram à CPI que os processos só não foram concluídos ainda porque a Infraero, estatal que administra os aeroportos, tem demorado de quatro a cinco meses para encaminhar sua defesa, o que é incomum, de acordo com eles.

"Não é possível que, com base num indício, eles [a Infraero] demorem cinco meses para apresentar a defesa. O tribunal define um prazo de 15, 20 dias, mas eles não respeitam", afirmou Altourian.

Entre as irregularidades encontradas pelo TCU, estão: projeto básico de má qualidade; pré-qualificação restritiva nos editais de licitação, retirada de serviços do contrato que foram exigidos na pré-qualificação, licitação tipo técnica e preço que despreza descontos, alteração de critérios de pontuação para cada aeroporto, contratação da mesma empresa que fez o projeto básico para fazer o projeto executivo, ausência de punição às empresas pela não-execução de serviços, entre outros.

AfastamentoO relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), voltou a cobrar ontem da Infraero que afaste os funcionários envolvidos em irregularidades até que as investigações sejam concluídas.

"A empresa tem que ser saneada. A senhora Eleuza é acusada de participar de todas as irregularidades e ela não tem como dizer que não sabia do que estava acontecendo", afirmou Torres.

Na volta do recesso, em agosto, a CPI deve aprovar requerimento que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Teresinha.

Notícia fria

Fernando Canzian, Folha S.Paulo

A Redação de qualquer jornal sempre serviu como termômetro da temperatura de uma notícia.

Mesmo em tempos de e-mail, onde os telefonemas minguaram e deixaram o ambiente mais silencioso, essa é uma regra do dia a dia.

Na terça-feira o Brasil vivenciou o maior acidente aéreo de sua história. Cerca de duas centenas de pessoas podem ter perecido em uma cena digna do mais horrível "cinema catástrofe". Um Airbus 320 de cauda vermelha atravessa uma das mais movimentadas avenidas do mundo, a Washington Luís, na zona sul de São Paulo, e explode --explode!-- contra um edifício. Pessoas pulam das janelas em chamas, helicópteros sobrevoam o local, a cidade pára.

Pode ser uma impressão totalmente pessoal, equivocada, mas o tamanho do acidente eletrizou muito menos as pessoas em um ambiente de jornal do que seria o razoável para um espetáculo terrível e mortal do tipo.

Profissionalmente, as pessoas se atiraram sobre suas responsabilidades e missões, como sempre. No ambiente de jornalistas que acompanham a crise aérea há quase um ano (desde que o vôo da Gol se chocou com o Legacy sobre o Mato Grosso), o clima era de absoluto distanciamento, frio e profissional. Mas, no fundo, como se simplesmente a tragédia de ontem fosse algo natural e esperado.

Consternação e incredulidade substituídos pela concretização de uma expectativa ruim. Mas que era certa como a noite.

Frieza jornalística ou só a materialização de algo previsível e aguardado?

Depois do apagão aéreo, o provável é que não nos surpreendamos também com outros colapsos do tipo, felizmente menos mortais. Na energia, nos portos ou em outro canto qualquer.

São favas contadas. O normal no Brasil.

ENQUANTO ISSO...

Infraero não explica porque reabriu pista de Congonhas
Mel Bornstein, do Estadão online

Um dia antes da tragédia, pista principal do aeroporto teve duas derrapagens e não foi fechada

SÃO PAULO - Um dia depois da maior tragédia da história da aviação civil brasileira e, em meio à contagem e identificação dos mortos na explosão de um Airbus A320, com 186 passageiros, no Aeroporto de Congonhas, a Empresa Brasileira de Infra-estrutura não consegue explicar porque a pista principal do aeroporto estava em operação. No dia anterior, um avião da Pantanal e outro Airbus A320 da TAM derraparam na pista.

Durante uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira, 18, o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, reiterou que "a pista de Congonhas é segura" e que não poderia ser fechada antes que as causas dos acidentes de segunda-feira fossem apuradas.

No entanto, antes mesmo de o inquérito da Polícia Federal apontar as causas do acidente com o vôo JJ 3054, a Infraero determinou o fechamento da pista até o dia 20 de julho. Após esta data, ela poderá voltar a funcionar apenas com tempo seco.

Em caso de chuva, os vôos seriam operados apenas pela pista auxiliar, que possui grooving (ranhuras na pista que auxiliam no escoamento da água). Ele lembrou ainda que essas ranhuras devem ser feitas entre agosto e setembro.

O superintendente evitou apontar culpados e insistiu que a Infraero não errou em deixar de bloqueá-la após os acidentes do dia anterior. "Ela (pista) está dentro dos padrões internacionais e dentro dos padrões aceitos mundialmente", disse. "Não se tem certeza do que aconteceu com o jato da Pantanal. Não poderíamos interditar a pista de São Paulo por uma suposição."

Irritado após várias perguntas de jornalistas sobre a hipótese de a falta de grooving ter causado o acidente, Schneider explicou que as "ranhuras não aumentam o atrito, apenas ajudam a escoar a água" e que em muito aeroportos sequer possuem esse sistema.

Investigação
A média mundial de investigações de um acidente das proporções como o de terça-feira, 17, com o Airbus A-320 da TAM é de 18 meses, mas a previsão do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) é de encerrar os trabalhos em um prazo menor. "A gente acredita que deve levar 10 meses", disse o brigadeiro do ar e chefe do Centro, Kersul Filho.

Ele informou, no entanto, que não é necessário que a investigação se encerre para que sejam adotadas medidas e recomendações de segurança que impeçam novos acidentes do mesmo tipo.

Kersul Filho disse ainda que a degravação da caixa preta do Airbus enviada aos Estados Unidos nesta quarta-feira deve começar na manhã da próxima segunda-feira e que o retorno da equipe do Cenipa ao Brasil se dará na próxima quarta-feira. Só então serão iniciadas as investigações.

De acordo com ele, por mais constatações de segurança que se tenha do transporte aéreo não dá para garantir total segurança com relação aos acidentes. "Por mais que façamos, por mais seguros que sejam os aviões e aeroportos, não temos garantia de que não haverá acidentes, assim como no transporte marítimo e terrestre", declarou.

Aquaplanagem
Segundo o brigadeiro, a comissão responsável pela investigação já esteve no local do acidente e colheu os dados necessários para apuração das causas. "Ela (a comissão) já veio a São Paulo e colheu os dados possíveis. Juntando esse quebra-cabeça poderemos começar a dizer o que aconteceu", informou. "Toda investigação responsável requer aprofundamento", complementou.

Kersul Filho disse ainda que o acidente com o jato da companhia Pantanal, que derrapou um dia antes do acidente da TAM, não tem relação com esta tragédia aérea. "Não tem ligação com esse", salientou. Com a insistência dos jornalistas em esclarecer motivações para o acidente da TAM, o brigadeiro emendou: "As perguntas que vocês (da imprensa) fazem são as perguntas que nós fazemos. Se tivéssemos essas respostas a investigação já teria sido concluída."

Aceleração
Outro fato amplamente discutido na coletiva era se o avião da TAM teria ou não acelerado no momento da aterrissagem. De acordo com Kersul Filho, somente as investigações poderão indicar isso. Com velocidade bem reduzida, ele teria caído na avenida. Mesmo assim, soltou um palpite: "Podemos apenas dizer que estava numa velocidade anormal para aquele trecho".

Segundo ele, é provável que a aeronave tenha acelerado, pois, se estivesse em uma velocidade baixa, "teria caído na avenida (Washington Luís)". Ele também afirmou que entre os fatores que contribuíram para o acidente podem estar outros que não seja o da aquaplanagem. "Porém, nenhum fator é descartado", considerou.

Kersul Filho explicou que, normalmente, as aeronaves levam 11 segundos para percorrer determinado trecho da pista porque estão em um processo de desaceleração. "Neste caso (da aeronave da TAM), ela percorreu o mesmo trecho em um tempo muito menor (3 segundos), mas é um dado que não deve ser considerado isoladamente", ponderou. Ele acrescentou que ainda não é possível afirmar que houve derrapagem da aeronave na pista de Congonhas.
(Colaborou Roberto Lira, da Agência Estado)

ENQUANTO ISSO...

Congonhas não segue padrões de segurança, diz associação
Jamil Chade, do Estadão

Pelos padrões recomendados, a área de escape teria de ter no mínimo 240 metros

BRUXELAS - O aeroporto de Congonhas não segue os padrões internacionais em termos de áreas de segurança. O alerta é da Associação Internacional de Pilotos que, nesta quarta-feira, 18, emitiu um comunicado de Londres apontando para a necessidade de que todos os aeroportos do mundo contem com áreas suficientes ao final da pista de pouso para evitar acidentes.

Pelos padrões recomendados, a área de escape teria de ter no mínimo 240 metros a mais ao final da pista. Nos dois lados da pista, uma área o dobro de sua largura deve ser criada. No total, portanto, a recomendação é de que pelo menos 300 metros sejam reservados para áreas de escape.

"Estamos falando isso há 20 anos", afirmam o pilotos. "Se a vizinhança de Congonhas for analisada, essa área de escape é ainda mais importante", alertam.

Em locais onde a topografia não permite tal área, como em Congonhas, a solução seria instalar "colchões mecânicos" que acabam servindo como contenção. Esses sistemas de engenharia já existem em outros aeroportos e podem compensar a falta de espaço. O sistema consiste em uma área de cimento modificado que, com o peso do avião, cede e acaba freando a aeronave.

Segundo os pilotos, acidentes por "falta de pista" são os mais comuns na aviação. A entidade registra em média quatro por mês no mundo. "esse é um problema mundial e milhares de pistas não contam com a área necessária de escape.