Pista molhada não causou acidente, diz engenheiro
Marcos Roberto, Redação Terra
O superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse, no início da noite desta quarta-feira, que a pista molhada não foi responsável pelo acidente envolvendo o Airbus A320 da companhia aérea TAM, ocorrido na terça-feira. "A pista estava molhada, mas ela não tinha empoçamento. Não havia risco de aquaplanagem porque não havia lâmina de água", afirmou.
O Airbus, que fazia o vôo JJ 3054 e partiu de Porto Alegre no final da tarde de terça-feira, não conseguiu parar ao aterrissar no início da noite no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passando por cima da avenida Washington Luís antes de se chocar com um posto de gasolina e um prédio da TAM Express, onde havia funcionários trabalhando.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que pelo menos 173 corpos foram retirados dos escombros do avião até as 15h45 desta quarta-feira. Estima-se que passe de 200 o número de vítimas da tragédia, sendo que 186 estariam no avião e as demais estariam nos arredores e no prédio atingido pela aeronave.
ENQUANTO ISSO...
Laudo do IPT sobre nova pista ainda não estava pronto
Agência Brasil
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), autarquia ligada ao governo paulista, divulgou comunicado hoje (18) esclarecendo que seu laudo sobre as reformas na pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas ainda não está pronta. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) havia anunciado que o IPT realizou auditoria sobre as obras nas pistas de Congonhas.
No comunicado, o IPT esclarece que concluiu apenas a auditoria técnica das obras da pista auxiliar. A análise das obras da pista principal, na qual ocorreu o acidente ontem (17) com o Airbus da TAM, não foi concluída. "Até o momento, nenhum relatório foi entregue à Infraero", afirma a nota.
O IPT é o órgão também contratado pelo governo do estado de São Paulo, através da Companhia do Metropolitano de São Paulo, para fazer um laudo técnico das obras da futura estação Pinheiros do metrô, que desabou em janeiro. No comunicado, o instituto detalha cada item a ser auditado, como o "binder (camada de ligação da estrutura da base com o revestimento do pavimento); características das misturas que compõem o revestimento asfáltico; características de superfície: irregularidade, declividade, planicidade, atrito (microtextura) e textura (macrotextura)."
De acordo com a assessoria de imprensa, trata-se de um laudo exclusivamente da esfera da engenharia civil. Os relatórios finais sobre as reformas realizadas na pista principal do Aeroporto de Congonhas "deverão ser encaminhados nos próximos dias 27 de julho, 07 e 17 de agosto", segundo o IPT.
A falta de aderência da pista é a causa mais provável do acidente, na opinião é do presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia. "Esse aeroporto, como todos sabem, tem uma certa limitação, tanto no tamanho quanto na qualidade da pista", afirma.
A pista em que ocorreu o acidente havia sido liberada após reforma há pouco mais de duas semanas. A liberação ocorreu antes que estivessem prontas as obras para aumentar a aderência do asfalto com os pneus de aviões. Essa parte da reforma estava sendo feita durante a madrugada e só ficaria pronta em setembro. O especialista em aviação civil e comercial Valtécio Alencar considera "crítica" a liberação da pista antes da conclusão da obra.
Anderson Correia defende que Congonhas seja fechado para aviões de grande porte. Segundo ele, o aeroporto não tem condições mínimas de segurança para esse tipo de vôo. A redução das linhas que passam por Congonhas estava em estudo pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Aeronáutica praticamente descarta a possibilidade de derrapagem. "Aquaplanagem é pouco provável que tenha ocorrido, mas isso saberemos em poucos dias", afirmou o o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho.
No dia do acidente (17), a pista chegou a ser testada a pedido da Torre de Comando. "E foi reportado que não havia lâmina de água, que pudesse gerar aquaplanagem", afirmou o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, em entrevista coletiva à imprensa esta tarde, na capital paulista. Teria sido informado apenas que "pista estava molhada".
COMENTANDO A NOTICIA: Hoje, a própria INFRAERO comunicou que o laudo das investigações demandará em torno de 10 meses para ser concluído. Mas, claro, seu Superintendente de Engenharia já saiu declarando sua conclusão por conta própria, pois existe um movimento dentro do órgãos do governo de evitar que o acidente com o avião da TAM respingue na popularidade do impoluto Lula. Afinal, para este cidadão, o que importa é a sua imagem, o resto que se dane.
Porém, (menos mal que exista um “porém” nesta história), o laudo sobre as condições da pista principal sequer foi divulgado, portanto, sem que se conhecesse se as obras de reformas estavam dentro dos padrões técnicos exigidos, jamais deveria ter sido liberada para pouso e decolagem. Assim, independente de qualquer outra investigação, fica claro que a INFRAERO, ao liberar a pista, assumiu o risco, e portanto, a responsabilidade pelo que pudesse ocorrer. Como o que ocorreu foi uma tragédia, a INFRAERO deve ser responsabilizada por sua ação irresponsável. Deste modo, a declaração precipitada do Superintendente de Engenharia da INFRAERO demonstra bem, de um lado, as razões para a crise aérea em que o país se acha mergulhado há mais de dez meses.
E a tal ponto isto é um descalabro que a área técnica da Infraero está convencida de que um erro do comandante do Airbus da TAM, que se acidentou no aeroporto de Congonhas, provocou a tragédia que matou 186 pessoas que estavam a bordo. A Infraero não culpa o comandante publicamente, até porque prefere esperar a conclusão das investigações, mas considera que o avião tocou na pista muito além do ponto máximo permitido, tentou arremeter e não conseguiu. Contudo, os próprios controladores desmentem esta versão delinqüente. Aliás, o que não falta tanto na INFRAERO quanto na ANAC é pura delinqüência. E uma delinqüência assassina: já são mais de 300 vítimas mortas pelas molecagens irresponsáveis desta gente. Precisarão mais outras tantas para o presidente Lula tomar providências, sendo uma a de afastar quem não competência para atuar em setor tão estratégico, e que por isso mesmo não pode ser tomado por amadores ?
Marcos Roberto, Redação Terra
O superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse, no início da noite desta quarta-feira, que a pista molhada não foi responsável pelo acidente envolvendo o Airbus A320 da companhia aérea TAM, ocorrido na terça-feira. "A pista estava molhada, mas ela não tinha empoçamento. Não havia risco de aquaplanagem porque não havia lâmina de água", afirmou.
O Airbus, que fazia o vôo JJ 3054 e partiu de Porto Alegre no final da tarde de terça-feira, não conseguiu parar ao aterrissar no início da noite no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passando por cima da avenida Washington Luís antes de se chocar com um posto de gasolina e um prédio da TAM Express, onde havia funcionários trabalhando.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que pelo menos 173 corpos foram retirados dos escombros do avião até as 15h45 desta quarta-feira. Estima-se que passe de 200 o número de vítimas da tragédia, sendo que 186 estariam no avião e as demais estariam nos arredores e no prédio atingido pela aeronave.
ENQUANTO ISSO...
Laudo do IPT sobre nova pista ainda não estava pronto
Agência Brasil
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), autarquia ligada ao governo paulista, divulgou comunicado hoje (18) esclarecendo que seu laudo sobre as reformas na pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas ainda não está pronta. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) havia anunciado que o IPT realizou auditoria sobre as obras nas pistas de Congonhas.
No comunicado, o IPT esclarece que concluiu apenas a auditoria técnica das obras da pista auxiliar. A análise das obras da pista principal, na qual ocorreu o acidente ontem (17) com o Airbus da TAM, não foi concluída. "Até o momento, nenhum relatório foi entregue à Infraero", afirma a nota.
O IPT é o órgão também contratado pelo governo do estado de São Paulo, através da Companhia do Metropolitano de São Paulo, para fazer um laudo técnico das obras da futura estação Pinheiros do metrô, que desabou em janeiro. No comunicado, o instituto detalha cada item a ser auditado, como o "binder (camada de ligação da estrutura da base com o revestimento do pavimento); características das misturas que compõem o revestimento asfáltico; características de superfície: irregularidade, declividade, planicidade, atrito (microtextura) e textura (macrotextura)."
De acordo com a assessoria de imprensa, trata-se de um laudo exclusivamente da esfera da engenharia civil. Os relatórios finais sobre as reformas realizadas na pista principal do Aeroporto de Congonhas "deverão ser encaminhados nos próximos dias 27 de julho, 07 e 17 de agosto", segundo o IPT.
A falta de aderência da pista é a causa mais provável do acidente, na opinião é do presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia. "Esse aeroporto, como todos sabem, tem uma certa limitação, tanto no tamanho quanto na qualidade da pista", afirma.
A pista em que ocorreu o acidente havia sido liberada após reforma há pouco mais de duas semanas. A liberação ocorreu antes que estivessem prontas as obras para aumentar a aderência do asfalto com os pneus de aviões. Essa parte da reforma estava sendo feita durante a madrugada e só ficaria pronta em setembro. O especialista em aviação civil e comercial Valtécio Alencar considera "crítica" a liberação da pista antes da conclusão da obra.
Anderson Correia defende que Congonhas seja fechado para aviões de grande porte. Segundo ele, o aeroporto não tem condições mínimas de segurança para esse tipo de vôo. A redução das linhas que passam por Congonhas estava em estudo pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Aeronáutica praticamente descarta a possibilidade de derrapagem. "Aquaplanagem é pouco provável que tenha ocorrido, mas isso saberemos em poucos dias", afirmou o o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho.
No dia do acidente (17), a pista chegou a ser testada a pedido da Torre de Comando. "E foi reportado que não havia lâmina de água, que pudesse gerar aquaplanagem", afirmou o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, em entrevista coletiva à imprensa esta tarde, na capital paulista. Teria sido informado apenas que "pista estava molhada".
COMENTANDO A NOTICIA: Hoje, a própria INFRAERO comunicou que o laudo das investigações demandará em torno de 10 meses para ser concluído. Mas, claro, seu Superintendente de Engenharia já saiu declarando sua conclusão por conta própria, pois existe um movimento dentro do órgãos do governo de evitar que o acidente com o avião da TAM respingue na popularidade do impoluto Lula. Afinal, para este cidadão, o que importa é a sua imagem, o resto que se dane.
Porém, (menos mal que exista um “porém” nesta história), o laudo sobre as condições da pista principal sequer foi divulgado, portanto, sem que se conhecesse se as obras de reformas estavam dentro dos padrões técnicos exigidos, jamais deveria ter sido liberada para pouso e decolagem. Assim, independente de qualquer outra investigação, fica claro que a INFRAERO, ao liberar a pista, assumiu o risco, e portanto, a responsabilidade pelo que pudesse ocorrer. Como o que ocorreu foi uma tragédia, a INFRAERO deve ser responsabilizada por sua ação irresponsável. Deste modo, a declaração precipitada do Superintendente de Engenharia da INFRAERO demonstra bem, de um lado, as razões para a crise aérea em que o país se acha mergulhado há mais de dez meses.
E a tal ponto isto é um descalabro que a área técnica da Infraero está convencida de que um erro do comandante do Airbus da TAM, que se acidentou no aeroporto de Congonhas, provocou a tragédia que matou 186 pessoas que estavam a bordo. A Infraero não culpa o comandante publicamente, até porque prefere esperar a conclusão das investigações, mas considera que o avião tocou na pista muito além do ponto máximo permitido, tentou arremeter e não conseguiu. Contudo, os próprios controladores desmentem esta versão delinqüente. Aliás, o que não falta tanto na INFRAERO quanto na ANAC é pura delinqüência. E uma delinqüência assassina: já são mais de 300 vítimas mortas pelas molecagens irresponsáveis desta gente. Precisarão mais outras tantas para o presidente Lula tomar providências, sendo uma a de afastar quem não competência para atuar em setor tão estratégico, e que por isso mesmo não pode ser tomado por amadores ?