Adelson Elias Vasconcellos
Geraldo Alckmin, governador recém eleito por São Paulo, críticou hoje o PT por praticar aquilo que ele chamou de “campanha do medo”. Se quisesse, poderia ter acrescentado outros termos que bem qualificam o tom que vem sendo dado à campanha de Dilma. Por exemplo, poderia ter dito “campanha da vigarice”, “campanha da mentira”, “campanha da truculência”.
E poderia ter dito tudo isto junto, porque, na verdade, a campanha governista se guia por todos estes pontos. Na campanha do medo, o tal clima da continuidade. Se não for a Dilma, afirmam, “o país pode deixar de crescer e de manter todas estas conquistas”. Bem, olhando-se apenas pelos fatos históricos, Lula já foi uma cópia continuada, na economia e no social, do governo Fernando Henrique. Assim, quem melhor do que os verdadeiros pais da estabilidade econômica e das políticas sociais para aperfeiçoá-las e dar o toque de qualidade que está faltando para que o nossos avanços sociais se consolidem e o progresso econômico se torne virtuoso e sustentável? Dilma, mãe do PAC? Ora, façam-me o favor: apesar de que o que lá se encontra mais da metade sequer tirou-se do papel, 90% do que efetivamente está em andamento se trata de obras dos governos anteriores a Lula e que ele, espertamente, interrompeu no primeiro mandato para relançar tudo no segundo mandato e posar para a galera como o pai do pac. Que, como vimos, está a espera de alguem com melhor capacidade de gestão do que Dilma Rousseff para concluir.
“Campanha da vigarice”, sim, claro. O que não faltam são vídeos, documentos, leis, registros e testemunhas para corroborar a tese explicitada acima de que Lula foi continuador do governo FHC. A tal comparação que se faz é tão “original” que até o apresentador do “nós” contra “eles” foi sequestrado de um programa do PSDB. Mas não só isso: citem aí, rapidinho, pelos menos tres programas INÉDITOS lançados por Lula, com começo, meio e fim? Claro, terá gente lembrando o tal Minha Casa, Minha Vida. Ora, faça-me o favor, né: um programa que realizou apenas 5% do previsto, e que “considerou” financiamento de puxadinho como “obra do programa”, se não for vigarice, vai ser chamado de quê, afinal de contas?
“Campanha da mentira”? Então, Dilma concedeu entrevistas à revista Marie Claire e ao jornal Folha de São Paulo declarando-se a favor da descriminalização do aborto. Pressionada pelas inúmeras correntes religiosas e seitas derivadas do cristianismo, esbravejou:”É mentira. É campanha medieval!”. Pois como o diabo mora no detalhe, o detalhe é que ambas entrevistas estão gravadas e registradas e varreram a internet toda, desmascarando a Dilma que ainda hoje se põe no papel de vítima. Sua carta, conforme eu já afirmara, antes da divulgação de sua redação final, que seria cínica, sem compromisso e sem legitimidade, o que se viu hoje não fugiu um milímetro do que previra. Pelo que contém, vejam lá, nada impede que alguém no Congresso, encaminhe projeto de lei na direção contrária do que ela diz. Dizer-se pessoalmente contrária ao aborto, quem não o diz? Quem admite a idéia de se matar um feto indefeso? E quanto a se tratar de questão de saúde pública, vejam lá o excelente artigo da Márcia Vaz, Dilma, não fale pelas mulheres (clique aqui) o desmanche feito com todas as letras sobre este argumento. E mesmo, ainda, quanto a saúde pública, como se pode contar com saúde pública no Brasil, e especificamente para as mulheres, quando a rede hospitalar disponibilizada além de sucateada, sequer dá conta de atender os casos mais emergenciais? Ora, tenham dó!!!
“Campanha da truculência”? Ah, esta vai para Lula. Ninguém o supera na infâmia, na canalhice e na mistificação. Basta subir num palanque e a história do Brasil se fecha num canto qualquer de vergonha por ser tão maltratada! Até a própria história do PT e de Lula, o “cara” consegue reescrever com mentiras. Exemplos não faltam. O que foi o Brasil com o PT na oposição? Em relação ao Real, votou contra TUDO. A lei de Responsabilidade Fiscal foi parar nos tribunais. Hoje, fala alto e bom som que contra ele também se contavam mentiras e além dele, a elite também maltratou Tancredo Neves, João Goulart, Getúlio Vargas, e nem o próprio Jesus Cristo escapou de sua sanha odiosa. Esquece que, no caso de Tancredo, a tal “elite” foi ele próprio e seu partido que se negaram em votá-lo no Colégio Eleitoral que abriu caminho para a redemocratização, e ainda expulsaram tres parlamentares do partido que ousaram votar em Tancredo. Esquece que se negou em assinar a Constituição e sequer permitiu que seus parlamentares comparecessem a sessão de promulgação comandada por Ulysses Guimarães. Esquece, por exemplo, que ele próprio chamou os programas sociais implementados por FHC de "esmola pá pobre”. E nem adianta espernear: está devidamente gravado. Fico por aqui porque a lista de barbaridades cometidas por Lula e seu partido é extensa demais. Posso resumir tudo num única expressão: sabotagem. Lula, literalmente, sabotou e boicotou todas as iniciativas de interesse do país levadas a cabo pelos governos pós 1985. Mesmo aquelas que, mais tarde no poder, abraçou como sendo suas obras.
Então não venha o senhor Lula agora, com a concordância estúpida de sua candidata, tentar enganar e ludibriar a opinião pública de que são defensores da liberdade de expressão, enquanto seu ministro de Comunicação Social perambula pela Europa para colher “subsídios” com vistas a apresentar, até o final do ano, como ele próprio afirmou, um marco regulatório para a comunicação social no país.
Não é o caso Erenice e a violações dos sigilos dos tucanos, o dossiê montado no comitê da Dilma, e mais as afirmações de Dilma sobre aborto que a fazem perder consistência e credibilidade junto ao eleitorado. É também a safra inescrupulosa e sem conta de mentiras e mistificações, truculências e agressões verbais do Lula nos palanques que estão fazendo a sociedade brasileira rever seus critérios de escolha. O país está se fartando de tanta porcaria, tanta corrupção jogada para debaixo do tapete, tanta insolência às leis, tanta impunidade aos amigos do rei fartado de tanta imoralidade. É o conjunto da obra que está fazendo com que a sociedade reflita melhor e se conscientize de que, continuidade no que está dando certo, é melhor seguir então com quem de fato começou a obra. O que não se quer, por ser contraditório com a idéia de um país melhor e mais civilizado, é assistirmos a continuidade deste mar de lama, de podridão invadindo a vida pública em nome de um projeto de poder que, em seu conjunto de valores, fere e contradiz os reais valores defendidos pela sociedade.
Na “campanha do medo” a que se referiu o Alckimin, nada mais é comprovação verídica do que a afirmação estúpida de Tarso Genro, um imbecil sem igual, quando disse em Porto Alegre nesta semana, esta “maravilha” referindo-se a campanha presidencial : "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas contra o então governo estabelecido”. Dá prá acreditar? Das duas uma: ou Tarso estava de porre, ou perdeu completamente o senso do ridículo.
Resumo da ópera, senhor Lula e senhora Dilma: chega de sacanagem. Vão prá casa e levem sua turma junto, e tratem de arranjar coisa melhor prá fazer!!! E deixem o Brasil ser feliz sem ficar sujo de lama.



