sábado, outubro 16, 2010

Chega de sacanagem!

Adelson Elias Vasconcellos

Geraldo Alckmin, governador recém eleito por São Paulo, críticou hoje o PT por praticar aquilo que ele chamou de “campanha do medo”. Se quisesse, poderia ter acrescentado outros termos que bem qualificam o tom que vem sendo dado à campanha de Dilma. Por exemplo, poderia ter dito “campanha da vigarice”, “campanha da mentira”, “campanha da truculência”.

E poderia ter dito tudo isto junto, porque, na verdade, a campanha governista se guia por todos estes pontos. Na campanha do medo, o tal clima da continuidade. Se não for a Dilma, afirmam, “o país pode deixar de crescer e de manter todas estas conquistas”. Bem, olhando-se apenas pelos fatos históricos, Lula já foi uma cópia continuada, na economia e no social, do governo Fernando Henrique. Assim, quem melhor do que os verdadeiros pais da estabilidade econômica e das políticas sociais para aperfeiçoá-las e dar o toque de qualidade que está faltando para que o nossos avanços sociais se consolidem e o progresso econômico se torne virtuoso e sustentável? Dilma, mãe do PAC? Ora, façam-me o favor: apesar de que o que lá se encontra mais da metade sequer tirou-se do papel, 90% do que efetivamente está em andamento se trata de obras dos governos anteriores a Lula e que ele, espertamente, interrompeu no primeiro mandato para relançar tudo no segundo mandato e posar para a galera como o pai do pac. Que, como vimos, está a espera de alguem com melhor capacidade de gestão do que Dilma Rousseff para concluir.

“Campanha da vigarice”, sim, claro. O que não faltam são vídeos, documentos, leis, registros e testemunhas para corroborar a tese explicitada acima de que Lula foi continuador do governo FHC. A tal comparação que se faz é tão “original” que até o apresentador do “nós” contra “eles” foi sequestrado de um programa do PSDB. Mas não só isso: citem aí, rapidinho, pelos menos tres programas INÉDITOS lançados por Lula, com começo, meio e fim? Claro, terá gente lembrando o tal Minha Casa, Minha Vida. Ora, faça-me o favor, né: um programa que realizou apenas 5% do previsto, e que “considerou” financiamento de puxadinho como “obra do programa”, se não for vigarice, vai ser chamado de quê, afinal de contas?

“Campanha da mentira”? Então, Dilma concedeu entrevistas à revista Marie Claire e ao jornal Folha de São Paulo declarando-se a favor da descriminalização do aborto. Pressionada pelas inúmeras correntes religiosas e seitas derivadas do cristianismo, esbravejou:”É mentira. É campanha medieval!”. Pois como o diabo mora no detalhe, o detalhe é que ambas entrevistas estão gravadas e registradas e varreram a internet toda, desmascarando a Dilma que ainda hoje se põe no papel de vítima. Sua carta, conforme eu já afirmara, antes da divulgação de sua redação final, que seria cínica, sem compromisso e sem legitimidade, o que se viu hoje não fugiu um milímetro do que previra. Pelo que contém, vejam lá, nada impede que alguém no Congresso, encaminhe projeto de lei na direção contrária do que ela diz. Dizer-se pessoalmente contrária ao aborto, quem não o diz? Quem admite a idéia de se matar um feto indefeso? E quanto a se tratar de questão de saúde pública, vejam lá o excelente artigo da Márcia Vaz, Dilma, não fale pelas mulheres (clique aqui) o desmanche feito com todas as letras sobre este argumento. E mesmo, ainda, quanto a saúde pública, como se pode contar com saúde pública no Brasil, e especificamente para as mulheres, quando a rede hospitalar disponibilizada além de sucateada, sequer dá conta de atender os casos mais emergenciais? Ora, tenham dó!!!
“Campanha da truculência”? Ah, esta vai para Lula. Ninguém o supera na infâmia, na canalhice e na mistificação. Basta subir num palanque e a história do Brasil se fecha num canto qualquer de vergonha por ser tão maltratada! Até a própria história do PT e de Lula, o “cara” consegue reescrever com mentiras. Exemplos não faltam. O que foi o Brasil com o PT na oposição? Em relação ao Real, votou contra TUDO. A lei de Responsabilidade Fiscal foi parar nos tribunais. Hoje, fala alto e bom som que contra ele também se contavam mentiras e além dele, a elite também maltratou Tancredo Neves, João Goulart, Getúlio Vargas, e nem o próprio Jesus Cristo escapou de sua sanha odiosa. Esquece que, no caso de Tancredo, a tal “elite” foi ele próprio e seu partido que se negaram em votá-lo no Colégio Eleitoral que abriu caminho para a redemocratização, e ainda expulsaram tres parlamentares do partido que ousaram votar em Tancredo. Esquece que se negou em assinar a Constituição e sequer permitiu que seus parlamentares comparecessem a sessão de promulgação comandada por Ulysses Guimarães. Esquece, por exemplo, que ele próprio chamou os programas sociais implementados por FHC de "esmola pá pobre”. E nem adianta espernear: está devidamente gravado. Fico por aqui porque a lista de barbaridades cometidas por Lula e seu partido é extensa demais. Posso resumir tudo num única expressão: sabotagem. Lula, literalmente, sabotou e boicotou todas as iniciativas de interesse do país levadas a cabo pelos governos pós 1985. Mesmo aquelas que, mais tarde no poder, abraçou como sendo suas obras.

Então não venha o senhor Lula agora, com a concordância estúpida de sua candidata, tentar enganar e ludibriar a opinião pública de que são defensores da liberdade de expressão, enquanto seu ministro de Comunicação Social perambula pela Europa para colher “subsídios” com vistas a apresentar, até o final do ano, como ele próprio afirmou, um marco regulatório para a comunicação social no país.

Não é o caso Erenice e a violações dos sigilos dos tucanos, o dossiê montado no comitê da Dilma, e mais as afirmações de Dilma sobre aborto que a fazem perder consistência e credibilidade junto ao eleitorado. É também a safra inescrupulosa e sem conta de mentiras e mistificações, truculências e agressões verbais do Lula nos palanques que estão fazendo a sociedade brasileira rever seus critérios de escolha. O país está se fartando de tanta porcaria, tanta corrupção jogada para debaixo do tapete, tanta insolência às leis, tanta impunidade aos amigos do rei fartado de tanta imoralidade. É o conjunto da obra que está fazendo com que a sociedade reflita melhor e se conscientize de que, continuidade no que está dando certo, é melhor seguir então com quem de fato começou a obra. O que não se quer, por ser contraditório com a idéia de um país melhor e mais civilizado, é assistirmos a continuidade deste mar de lama, de podridão invadindo a vida pública em nome de um projeto de poder que, em seu conjunto de valores, fere e contradiz os reais valores defendidos pela sociedade.

Na “campanha do medo” a que se referiu o Alckimin, nada mais é comprovação verídica do que a afirmação estúpida de Tarso Genro, um imbecil sem igual, quando disse em Porto Alegre nesta semana, esta “maravilha” referindo-se a campanha presidencial : "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas contra o então governo estabelecido”. Dá prá acreditar? Das duas uma: ou Tarso estava de porre, ou perdeu completamente o senso do ridículo.

Resumo da ópera, senhor Lula e senhora Dilma: chega de sacanagem. Vão prá casa e levem sua turma junto, e tratem de arranjar coisa melhor prá fazer!!! E deixem o Brasil ser feliz sem ficar sujo de lama.

Coisa de rico? Coisa de pobre? Não, apenas coisa de vigarista...

Comentando a Notícia

Pois é, o PT é um partido tão assim, vamos dizer..ah, tão C-R-I-A-T-I-V-O, que eles, além de copiarem tudo o que FHC fez, apenas emprestando nomes novos, ainda contrata até o apresentador dos programas do partido. A informação é da Folha de São Paulo. Retorno depois.

Blog da Eleição

Em vídeo, ator chama o PSDB de “partido que mudou o Brasil para sempre”.

Rapaz charmoso diz que, com partido “x”, Brasil está melhor do que nunca. No lugar de “x”, você pode optar por PT e PSDB. Desde o começo do horário eleitoral, programa de Dilma Rousseff traz o mesmo garoto-propaganda, acompanhado de duas moças. O trio forma o front petista na TV, sempre exaltando feitos do governo Lula. Em propaganda do segundo turno, o rapaz afirma que, nos oito anos de FHC, “apenas os ricos pareciam ter direito de ser feliz”.

Agora, mude o lado do disco.
Em 2008, o mesmo ator participou de peça publicitária que comemorava os 20 anos do PSDB, legenda do arqui-inimigo de Dilma na corrida presidencial, José Serra. Na campanha, exalta programas como Bolsa Alimentação e Bolsa Escola —tratados por Serra como sementes do Bolsa Família—e chama o PSDB de “partido que mudou o Brasil para sempre”. O “déjà-vu eleitoral” foi detectado por internautas e registrado pelo jornal “O Globo”.

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***** COMENTANDO A NOTICIA:

Imperdível. Vejam os vídeos a seguir.

Coisa de rico, coisa de pobre... Coisa de gênio




PSDB - O partido que mudou o Brasil pra sempre inovou com a implementação das políticas sociais de distribuição de renda.






É bem coisa de vigaristas profissionais!!! E, por falar em vigarice, no programa da candidata, apresentado pelo mesmo rapaz, se diz que os tucanos são contra o Bolsa Família. Pois é, como se sabe e nós já demonstramos aqui, a própria Medida Provisória assinada pelo Lula que criou o Bolsa Família, se proclama como sucedânea de quatro dos 12 programas sociais que compunham a Rede de Proteção Social existente no governo Fernando Henrique. Quem de fato condena os programas sociais?

Ora, vejam o vídeo o que dizia o Lula antes e depois e tirem suas conclusões.

Não tem preço...

Comentando a Notícia

Leiam a notícia abaixo publicada em O Globo. Comento em seguida.

Campanha de Dilma pede licença para gastar mais
A coligação que apoia a candidata Dilma Rousseff (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira, aumento 21,6 % no limite de gastos para campanha presidencial . Do valor total de R$ 157 milhões declarado inicialmente, a coligação de Dilma pede alteração para um teto de R$ 191 milhões, sendo R$ 176 milhões do PT e R$ 15 milhões do PMDB.

A coligação que apoia Dilma justifica que a alteração se deve "aos gastos complementares com organização e divulgação de sua campanha eleitoral" afirmando que "há dificuldade fática de se prever com precisão as despesas totais".

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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

O PT, no primeiro turno, pretendia gastar na eleição R$ 157 milhões;

O PT, no segundo turno, quer aumentar o gasto na eleição para R$ 191 milhões;

Ver o PT torrar R$ 191 milhões e não eleger a Dilma, deixando Lula se mordendo de tanta raiva, NÃO TEM PREÇO!!!

Preparem-se para os 15 dias mais sujos da história política brasileira!

Reinaldo Azevedo

Esta já é a campanha eleitoral mais suja desde a redemocratização do país. Luiz Inácio Lula da Silva, com a sua falta de decoro e de apreço pela liturgia do cargo, é o seu comandante. As duas semanas que vêm pela frente vão fazer o país ferver. Na raiz da baixaria está uma concepção de poder que é essencialmente antidemocrática: o PT não admite a possibilidade de ser derrotado. Se vislumbra essa risco no horizonte, não tem nenhum receio de, com uma das mãos, fazer o jogo sujo e, com a outra, denunciar o jogo sujo dos adversários, reivindicando, assim, licença para enlamear ainda mais o processo. Vamos pensar um pouco.

Aqueles que decidem exercer o que chamo “poder da vítima” pretendem sempre uma de duas coisas: ou imaginam mesmo haurir algum benefício na esperança de que os outros sejam mais tolos do que eles próprios ou estão em busca de uma desculpa moral para recorrer à patifaria e, ainda por cima, culpar as vítimas: “Só agi assim fiz porque eles começaram; por mim, só faria coisas boas!” Nas relações pessoais, isso é muito comum; nas amorosas, é comuníssimo — em qualquer dos casos, afaste-se de gente assim: estamos falando de pessoas perigosas, sem limites.

No que concerne à política, o “poder da vítima” está na raiz psico-sociológica das duas tiranias do século passado. Socialismo e fascismo representam justamente a vingança do ressentido. Num caso, excita-se o ódio e o desejo de vingança “justa” (!) de uma “classe”; no outro, de uma nação. São construções ideológicas, que mobilizam, não obstante, ressentimentos individuais dos militantes. Ninguém se torna fanático de uma causa só porque foi convencido por um conjunto de valores ou porque se encantou com o corpo conceitual de uma doutrina. O fanatismo é só o casamento de uma falha psíquica ou de caráter — individual, privada — com o momento, que é coletivo. A paixão cega não é uma convicção, mas uma doença. Danton, goste-se ou não de suas idéias (eu não gosto muito, hehe…), era um convicto; Robespierre era um doente! Mas me desviei um tantinho. Volto ao leito.

Os que decidem exercer “o poder da vítima” delinqüem, mentem, trapaceiam, cometem crimes e tentam sempre nos convencer de que só o fazem premidos por circunstâncias — ou em nome da causa. Para eles, os limites da lei são imposições que impedem a justiça, não instrumentos para discipliná-la. Peguemos, então, o exemplo de Luiz Inácio Lula da Silva. O partido que criou, com efeito, desafiou alguns limites da ditadura — já bastante enfraquecida, sejamos justos e precisos —, cresceu e se fortaleceu. Na ordem democrática, continuou a desafiá-los, por intermédio de seus “movimentos sociais”, e não abandonou a prática mesmo depois de ter chegado ao poder. Na ditadura, a afronta à ordem tinha a justificativa plausível da justiça; na democracia, o desrespeito às instituições tem como objetivo único o fortalecimento do próprio partido. Nesse caso, se o partido prevalece, quem fenece é a sociedade.

Poderia fazer aqui o elenco das dezenas de vezes em que o PT mandou a democracia às favas em nome do seu próprio fortalecimento. Mas acho que vocês conhecem o roteiro. Quero me ater, como anunciei lá no primeiro parágrafo, à disputa eleitoral deste ano. Já na largada, ficou claro que o partido tinha voltado àquele costume que adquiriu no tempo em que estava na oposição: a mobilização de um verdadeiro exército de arapongas para atingir o adversário. Naquele tempo, como “vítimas”, os petistas tinham uma boa desculpa: do outro lado, estariam os “reacionários”, que precisavam ser combatidos. A imprensa, infelizmente, colaborou bastante na construção dessa perversão.

No poder, os métodos continuaram os mesmos. Quando o bunker montado pela pré-campanha de Dilma Rousseff foi denunciado — o sigilo fiscal do tucano Eduardo Jorge estava com eles —, os petistas fizeram o quê? Denunciaram, vítimas eternas que são, uma grande conspiração do que chamam “mídia”!!! Passado algum tempo, surgiram evidências de que os sigilos de outros tucanos e da filha e do genro de José Serra também tinham sido violados. Uma investigação rasa foi o bastante para chegar à autoria: bateu nos petistas. Agora, a investigação se arrasta, no que tem todo o jeito de ser mais um crime sem criminosos nem culpados.

Flagrados, denunciados, expostos, qual foi a reação dos petistas? “Tudo não passa de uma tentativa desesperada de Serra de ganhar a eleição; ele está fazendo exploração eleitoreira do episódio”. O presidente da República, ninguém menos, foi à TV com essa mensagem, na fala em que Serra foi chamado de “candidato da turma do contra”. O tucano passou a ser tratado pelos petistas — e até por setores da imprensa — como responsável pelo mal que lhe impingiam. Esse é o jogo clássico do “vitimismo triunfante”. Descobre-se logo depois que uma verdadeira quadrilha atua na Casa Civil, o que custa a cabeça da ministra, braço-direito de Dilma Rousseff. O PT, inicialmente, denuncia o jogo sujo da oposição, em conluio com a mídia (!).

A religião
É claro que os escândalos, especialmente o de Erenice Guerra, abalaram a reputação do PT. Ainda que 80% dos eleitores realmente aprovassem o governo Lula, isso não significa endosso às lambanças. Dilma começou a cair nas pesquisas, e o PT decidiu descobrir os motivos. E então chegamos à pauta religiosa. A imprensa — os meus coleguinhas — sabe muito bem que os tucanos não estão na raiz da corrente “Dilma-aborto”. A sociedade existe, e esse nunca foi um tema muito popular no país. Os tucanos, ao contrário, até demoraram para se dar conta do fenômeno. Mas o PT, o “partido das vítimas”, precisava culpar alguém. Nesse particular, colheu mais efeitos negativos do que positivos.

Terrorismo
Como é mesmo? Quem se diz vítima, sem ser, só está buscando um motivo para delinqüir. E foi o que fez o PT. A exemplo de 2006, levou para a TV uma campanha sórdida, atribuindo aos tucanos a intenção de privatizar a Petrobras e o pré-sal — o que é mentira. E partiu para a desconstrução agressiva dos governos tucanos em São Paulo, especialmente em áreas em que o petismo não tem nada de bom a oferecer nos estados em que é governo: segurança e educação. A resposta no horário eleitoral de Serra é, a meu ver, até agora, muito tímida, fraca. O PSDB parece considerar ainda a máxima “quem bate sempre perde” — o que considero uma bobagem não-comprovada na prática. Mas deixo isso para outra hora.

Pesquisa Datafolha divulgada ontem aponta seis pontos de diferença entre Dilma e Serra — sete nos votos válidos (o instituto diz que são oito, mas a conta não me convenceu). É pouco. É quase nada. O que a muitos parecia um delírio no dia 2 de outubro é uma possibilidade absolutamente plausível 14 dias depois: o risco de Dilma perder é real. E há mais 14 pela frente. É claro que aqueles “institutos”, vocês sabem, já estão prontos para, daqui a uns dois ou três dias, apontar um novo alargamento da diferença. Já antecipo o título: “Diferença volta a crescer” — ou algo assim. A imprensa que não vende, mas se vende, mergulha na lama — lama que está no horário eleitoral e que chega aos palanques.

O PT prepara um cenário em que a eventual vitória será experimentada como o triunfo das vítimas contra os seus algozes — como se “os pequenos”, nessa disputa, não fossem os oposicionistas. E vai tentar se vingar depois. Em caso de derrota, essas mesmas “vítimas” acusarão, então, uma grande conspiração — sabe-se lá de quem — contra os “interesses populares” (aqueles a que se agregaram hoje patriotas como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros) e estarão prontas para fazer o que sempre fizeram: sabotar o governo sob o pretexto de exercer suas convicções.

Ganhando ou perdendo, eles não tem limites porque não têm princípios e consideram que mentira ou verdade são só exigências da necessidade.

As pílulas de ódio do Dr. Lula

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

No debate da Band, dona Dilma disse que a campanha da oposição prega o ódio entre os brasileiros. Fiquei espantada com o silêncio de José Serra que poderia ter respondido no ato: “Mas o que é isso? Quem faz isso desde sempre é o Lula, que se compraz em jogar brasileiros contra brasileiros quando está num palanque”.

Era para estarmos habituados, mas ontem Lula conseguiu ultrapassar todas as outras palanqueadas. Em Teresina, teve coragem para debochar dos eleitores de um dos estados mais desafortunados da federação.

Se alguém um dia quiser editar uma antologia dos mais expressivos discursos demagógicos da atualidade, o do Piauí tem que estar entre os dez mais e talvez, ser dos primeiros da lista. Por tudo que disse, pelo modo como disse e por tentar fazer o piauiense odiar conterrâneos, e outros brasileiros.

Usando de má fé, sem a coragem necessária para citar o nome de Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que “seu antecessor” criou lei proibindo o ensino técnico! Mas que ele “mudou a lei porque queria que o filho do pobre tivesse a oportunidade que eu não tive”.

Como assim, a oportunidade que ele não teve? Afinal, ele é ou não é formado em torneiro-mecânico?

Outra maldade: “Quando criamos o Bolsa Família, os de lá diziam que era esmola e que a gente estava fazendo populismo. Eles não têm noção do que significa R$ 100 para uma pessoa pobre. Eles dão de gorjeta quanto tomam de uísque”. Os de lá? Quem são os de lá?

Ele diz isso para pessoas que certamente cairiam duras para trás se soubessem quanto custa uma peça das roupas dele ou de sua mulher. Ou quanto custa um corte de cabelo de dona Marisa, ou por quanto sai um esmalte importado para as unhas, ou uma dose de um bom uísque!

E disse também: “Quero aqui de coração, porque vocês não votaram em duas pessoas desse estado, que prejudicaram, tirando R$ 120 bilhões da Saúde. Eles tiraram R$ 120 bilhões da Saúde pensando que iam me prejudicar, não prejudicaram, prejudicaram o povo pobre desse país, que precisa do SUS, do pronto-socorro, quando derrubaram a CPMF. Como Deus escreve certo por linhas tortas, Deus fez a vingança que eu acho que era necessária. Colocar gente mais digna, de mais respeito, para representar com mais dignidade o estado do Piauí”- disse Lula, que fez um rápido sinal da cruz.

Fez um rápido sinal da cruz! Rápido como quem rouba, é? Além de citar o nome de Deus em vão, ainda faz o sinal da cruz meio escondidinho, com medo que Deus o pegue em flagrante?

Lula “costumou tanto na fantasia” que onde quer que vá expele, junto com os perdigotos, mil lamúrias por não tornar a ver, nas urnas que já lhe foram tão amáveis, o seu retratinho... Demonstrou toda sua amargura ao dizer: “Queremos também ser doutor nesse país”. Ora, Dr. Lula, por quem sois! De agora em diante, só me referirei ao senhor assim: Dr. Lula. Não, não me agradeça, não me custa nada.

Não duvido que deva ser mesmo muito bom ser presidente da República no Brasil. São quase monarcas absolutos. Mandam e desmandam. Além da caneta mágica, há os cartões também mágicos que permitem ao titular gastar o quanto quiser, sem ter que dar satisfações a ninguém, posto que seus gastos e os de sua família são considerados assuntos da Segurança Nacional.

Na verdade, enquanto ele estiver no Planalto, é o Dono do Mundo. Se for uma pessoa instruída, prepara-se para a Planície, se estrutura para o depois, mas assim mesmo sente a ausência das maravilhas que viveu. Se for uma pessoa de poucas luzes, o tombo deve ser terrível. A escuridão talvez se assemelhe à que os mineiros chilenos acabam de vencer.

Por mais contemplação que se tenha com o momento a viver pelo presidente, seu comportamento palanqueiro vem deixando a desejar em todos os sentidos e estou certa que parte do segundo turno deve-se ao susto que ele deu no eleitorado. Parecia que estávamos em guerra e que ele nos convocava para uma cruzada contra o infiel.

Agora, quando a vitória não lhe parece tão segura assim, em vez de ficar mais manso, Dr. Lula piorou. Mostrou desprezo pela Lei Maior ao confessar que foi por sua vontade pessoal que não houve um terceiro mandato: “por semos democratas trocamos prazerozamente a voz de taquara rachada de um homem por uma mulher mineira, gaúcha, piauiense, que tem competência para dirigir o país nos próximos anos”!

Mineira, gaúcha e piauiense é fantástico! Só que com toda a certeza sem querer, Dr. Lula fez de dona Dilma uma filha ingrata. Esqueceu de dizer que sua candidata é global: gato só porque nasce no forno não é biscoito. Dona Dilma, além de piauiense, é búlgara.

Afinal de contas: qual o critério do TSE? Ou é falta de critério mesmo?

Comentando a Notícia

O candidato José Serra recebeu em apenas um dia, de uma mesma ministra do TSE, três multas pelo mesmo motivo: propaganda eleitoral antecipada. Com estas três penalizações, soma agora um total de nove. Até aí tudo bem: se de fato errou e transgrediu a lei, que pague o preço pelo erro. Mas peraí, gente: e o Lula? Apenas 11 multas? O cara não sai do palanque há dois anos, pelo menos, fazendo propaganda eleitoral explícita em favor da Dilma, e os discursos estão todos aí, e o TSE o puniu quase na mesma quantidade que o Serra que, a rigor, somente tornou-se candidato do final do ano passado prá cá? Não há dia que se passe sem que Lula cometa alguma infração. E não se trata apenas de propaganda antecipada. É o uso abusivo e ilegal de recursos e da máquina pública e sem que o TSE tome uma única providência no sentido de coibir a repetida transgressão à norma legal!

Acho que o TSE está sendo muito mais do que simplesmente omisso e negligente. Está visível o seu favorecimento em favor de um candidato ou candidata. O PT, em todos os programas partidários da campanha invadiu o espaço que não era seu. Enviou emails para empresários que não haviam colaborado na campanha anterior de Lula conclamando à colaboração, e o texto é claro quanto à extorsão. O ministério de Educação enviou email para todas as reitorias federais pedindo votos e militância. Há poucos dias, dentro de uma universidade de direito, a São Francisco, em São Paulo, se praticou um ato descaradamente político-partidário e nada. Lula da Silva reúne dentro de recintos públicos, em horário de expediente, gente do comitê da Dilma para tratar de estratégia de campanha. Todos os atos públicos externos são condicionados à agenda da candidata para, ato contínuo, montar-se o palanque dos comícios eleitorais. Há quantos dias Lula só dá expediente no Planalto para tratar de campanha? Hoje chegou ao cúmulo de cancelar compromissos oficiais, para em horário de expediente como chefe de governo, gravar propaganda eleitoral para a sua candidata. Agora, a própria Petrobrás de forma escancarada passou a praticar campanha eleitoral conforme notícia que abaixo divulgamos.

E o que falta para o TSE, cumprindo com a sua obrigação, fazer com que Lula e Dilma sejam enquadrados por descumprimento das leis eleitorais? Por que o TSE é tão rigoroso para um lado, e tão dócil e leniente com a delinquência do outro? Há alguma razão oculta aos olhos da sociedade que justifiquem tamanha parcialidade?

Está mais do que provado, pelo conjunto todo de delinquências e ilegalidades o abuso do poder político e econômico. Do que, então, temem os senhores ministros do TSE se aplicarem a lei em iguais condições também para a coligação governista? Há alguma forma de favorecimento ou compensação a ser concedido pós pleito, para fazerem vistas grossas no contumaz e flagrante desrespeito às leis por parte do Poder Executivo durante a campanha? É isto?

Por mais absurdas que estas últimas questões possam ser, o fato é que o TSE, justamente por sua falta de ação, é quem está dando margem a que pensemos assim, jogando sobre si mesmo a suspeita de que a OMISSÃO em relação à coligação governista e às molecagens do Presidente, tenha alguma compensação futura prometida e a receber.

Seria bom que tanto o TSE quanto o Ministério Público Eleitoral passassem a tratar as duas candidaturas de forma mais igualitária. A lei obriga a todos e não apenas a um dos lados. Porque ao fazê-lo de forma desequilibrada como se observa no presente, se dá margem a qualquer tipo de suspeita, inclusive a de que as eleições estão sendo fraudadas . E, tanto o TSE quanto o Ministério Público Eleitoral justificam sua existência precisamente para evitar a repetida e premeditada transgressão que se observa. Porque se é para deixar o barco correr solto e transformar algo que deveria ser sério nesta zorra toda, então fechem estas espeluncas e param de torrar inutilmente o dinheiro da sociedade.

Amnésia presidencial : eis a explicação para certas sinuosidades nas falas de Lula

Bolívar Lamounier, Portal Exame

Estou caminhando para uma centena de artigos aqui no blog, mas ainda não consegui me livrar de um velho cacoete acadêmico : o de escrever textos muito longos.

Como hoje é sexta-feira, vou fazer o possível para escrever menos . Só não prometo reduzir a quantidade de abobrinhas.

Umas três semanas atrás eu fiz um comentário bem inocente sobre as pesquisas : escrevi que Dilma Rousseff estava com tendência de queda. Um velho amigo petista (sim, tenho vários !) contestou-me (não aqui, pelo Facebook ) e me fez severa ponderação contra o que lhe pareceu ser uma leitura tucana das estatísticas.

Conversa vai, conversa vem, Dilma caiu mais um pouco e deu segundo turno. Ontem, espiando de novo as pesquisas, observei que ela havia caído mais um pouco. Eu, não, todo mundo. A começar pelos próprios integrantes da campanha governista.

Diante do que agora lhes pareceu uma situação “problemática”, o que foi que eles decidiram ?

Está na imprensa de hoje. Mandaram chamar o Lula. Querem que ele apareça mais na televisão e em eventos de rua. Problemas – como escrevi outro dia – são em geral causado por soluções. Primeiro eles resolveram amoitar um pouco o Lula, para a candidata poder aparecer mais. Esta solução já pautou o debate da Band no último domingo. A candidata fez e aconteceu.

Consta que a reação popular foi boa. Boa, mas insuficiente, do contrário não teriam ido buscar o Lula .

Hoje de manhã, Lula não foi ao Planalto. Estava gravando para o horário eleitoral da candidata. Algo de errado nisso ?

Sim, claro. Há muito de errado. E de ilegal. Ilegalidade não só à luz da Constituição e das leis do país, mas até aos olhos do jurista Luís Inácio Lula da Silva.

Foi ele que inventou (ou encomendou, sei lá) a teoria segundo a qual o presidente deixa de ser presidente depois do expediente. Desculpem a rima pobre, mas nesta história é tudo pobre .

Hoje o jornalista Josias de Souza postou em seu blog algumas observações preciosas sobre duas viagens eleitorais de Lula, uma ao Piauí e outra ao Pará.

Ao Piauí, Lula foi sozinho, quer dizer, sem Dilma. A certa altura – aqui eu passo a palavra ao Josias : “…a atmosfera de campanha levou a plateia a gritar o nome de Dilma, que não estava presente. E Lula : ‘vocês sosseguem o facho, apaguem o fogo, porque aqui é um evento oficial da Presidência da República’ “.

Ainda no Piauí, Lula caprichou em suas fábulas de auto vitimização. Falou dos sofrimentos que padeceu nas mãos de adversários etc etc e, lá pelas tantas, comparou-se a Jesus Cristo.

De maneira sutil, é óbvio. Disse que o acusavam de comunista por usar barba e aproveitou para meter Jesus Cristo na história. Assuntinho irrelevante, não é ? Resolvi mencioná-lo só porque me lembrei do Luís Nassif , que ontem fez em seu blog uma douta peroração sob o título de ”Psicologia de massas do fascismo” .

Nassif precisou se contorcer um pouco, isto é verdade, mas “conseguiu” responsabilizar Fernando Henrique e a mídia pela disseminação do que lhe parece ser um clima de pré-fascismo no país. Para isso eles teriam inclusive – atenção, atenção – explorado a religiosidade singela das classes mais pobres. Esta é ou não é de cabo-de-esquadra ?

No Pará, com Dilma a tiracolo, Lula foi didático, explicando aos presentes que adversários malevolentes fazem acusações infundadas não só contra ele e ela . Lembrou o que outros grandes políticos do passado, como Getúlio, Juscelino, João Goulart, também foram duramente atacados.

“Uma parte da elite fazia essas acusações também a Ulysses Guimarães, em 1974, quando ele foi candidato da oposição [contra o general Ernesto Geisel]” .

E aí Lula soltou esta pérola :

[Fizeram] “…o mesmo discurso contra Tancredo Neves, quando [ele] foi para o Colégio Eleitoral [contra Paulo Maluf]…”

Lula, como se vê, tem prerrogativas que os mortais comuns não possuem. Prerrogativas não é bem o termo. Tem características que nós, mortais comuns, não possuímos. Uma delas é o que se poderia chamar de amnésia presidencial.

É um tipo raro de amnésia, que ataca forte e subitamente se esvai, e que às vezes o faz esquecer posições que ele mesmo enfaticamente assumiu no passado.

No Piauí, como vimos, ele se esqueceu mas repentinamente se lembrou de que “estava” presidente e não cabo eleitoral. Só despertou para o fato quando a platéia gritou Dilma, Dilma.

No Pará, ele se esqueceu de posições que assumiu e impôs ao PT. Contou as críticas endereçadas a Tancredo Neves, na fase final da redemocratização, sem se dar conta de que os críticos mais ferozes foram justamente ele e o PT.

No calor paraense, Lula deve ter sofrido um tilt , um branco qualquer, ou, se preferem, um surto de amnésia presidencial. E deve ter sido um surto forte. Lá ele esqueceu, nada mais e nada menos, que o PT se recusou a apoiar a eleição de Tancredo Neves e até expulsou três deputados federais que não se conformaram com tamanho facciosismo.

O STF e a Emenda do Calote

Agência Estado

Movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros, pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, pela Associação Nacional dos Servidores do Judiciário, pela Confederação Nacional dos Servidores Públicos, pela Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho e pela Ordem dos Advogados do Brasil, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Emenda Constitucional (EC) n.º 62, que estabeleceu novas regras para o pagamento dos precatórios, conta agora com o apoio da Procuradoria-Geral da República.

Os precatórios simbolizam o desrespeito do poder público à Justiça e aos credores. Instados a pagar os precatórios alimentares, relativos a salários não pagos ou a indenizações por morte e incapacidade, e os precatórios não alimentares, referentes a desapropriações, os municípios, Estados e a União habituaram-se a ignorar as ordens judiciais. Há casos em que o atraso nos pagamentos é superior a 25 anos.

A EC n.º 62 já nasceu torta, para atender exclusivamente aos interesses do poder público. Ela estabelece limites absurdamente baixos para o pagamento dos precatórios. Pela Emenda, nas Regiões Sul e Sudeste os Estados deverão reservar 2% da receita corrente líquida para a amortização dos débitos judiciais, e nas demais regiões o porcentual é de 1,5%.

No parecer que enviou ao ministro Ayres Britto, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, forneceu argumentos que reforçam ainda mais a tese de que a EC n.º 62 fere a Constituição. Ele lembrou que a Emenda tramitou de forma irregular no Congresso. Para ser aprovada, uma emenda constitucional precisa ser votada duas vezes, na Câmara, e outras duas, no Senado. E, entre os dois turnos de votação, em cada Casa Legislativa, exige-se um intervalo de cinco dias. "Não houve intervalo algum", lembra Gurgel.

Em seu parecer, ele também afirma que, ao ampliar os prazos para que os municípios, Estados e União paguem suas dívidas judiciais, a EC n.º 62 acabou institucionalizando uma cultura de desrespeito aos mais elementares direitos de cidadãos e empresas com relação ao poder público e de desprezo às determinações da Justiça. Segundo Gurgel, o prazo para o pagamento dos precatórios, que já havia sido alongado em oito anos, com a EC n.º 62 foi esticado para 15 anos.

Na prática, "isso estende o pagamento dos precatórios para a eternidade", diz Gurgel. Segundo as entidades que impetraram a Adin, depois que passaram a invocar o risco de desorganização das finanças públicas como justificativa para o não pagamento de seus débitos judiciais, sem que os tribunais pudessem aplicar sanções como o sequestro de parte de suas receitas, os municípios, os Estados e a União passaram a considerar o calote uma prática normal. "O governante poderá desapropriar imóveis, prejudicar adversários políticos, e o custo vai ficar para seus bisnetos", afirmou a OAB quando a EC n.º 62 foi aprovada com o desrespeito ao processo legislativo. Em seu parecer, Gurgel endossou o argumento.

Até hoje não se sabe o montante exato das dívidas judiciais não pagas pelo poder público. Durante a votação da EC n.º 62, no ano passado, a estimativa era de que o valor total dos precatórios ultrapassaria R$ 100 bilhões. Para fundamentar seu voto, o ministro Ayres Britto solicitou aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais informações sobre os valores que já foram pagos nos últimos anos pelos Estados e municípios e o montante das dívidas pendentes, vencidas e a vencer.

As entidades que arguiram a inconstitucionalidade da EC n.º 62 pediram ao STF que concedesse liminar suspendendo os efeitos desse texto legal durante o período em que ela estivesse sendo julgada. Como o problema existe há anos e o montante dos precatórios cresce como bola de neve, Britto optou por levar a Adin à votação de plenário rapidamente, dispensando a análise da liminar. Vamos esperar que o julgamento marque o fim do calvário dos credores de precatórios, vítimas da má-fé dos governantes, que são os mentores da Emenda do Calote.

À tripa-forra

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

A convicção tem suas vantagens, mas quando excessiva pode virar obsessão, levar a erros cruciais e se transformar em enorme desvantagem ao impedir o convicto, ou obcecado, de enxergar as variantes da realidade.

Foi mais ou menos o que aconteceu com o presidente Luiz Inácio da Silva, com o PT, o governo, o comando da campanha e com a candidata Dilma Rousseff na primeira etapa da eleição presidencial: não olharam para os lados, não consideraram uma segunda hipótese, apostaram tudo no vermelho 3 (de outubro).

Lula diz as coisas mais estapafúrdias e quase todo mundo acredita; natural, portanto, que quase todo mundo tenha acreditado quando ele deu por ganha a eleição em primeiro turno baseado nas pesquisas de intenções de voto e no próprio voluntarismo.

Tão certos estavam da vitória que não se prepararam minimamente para a hipótese do segundo turno. Surpreendidos, gastaram todos os recursos (públicos e privados) de uma vez só e deixaram a frustração transparecer no abatimento de quem terminou a primeira etapa com mais de 13 pontos na frente, o equivalente a cerca de 14 milhões de votos.

Pois agora com a situação beirando o empate - a estarem corretas as pesquisas - é que a candidatura governista precisaria de toda força: presença constante do presidente da República, apoios políticos esfuziantes, candidata serena administrando a vantagem de escolhida pelo presidente mais popular da história do Brasil, uma profusão de boas notícias.

No lugar disso, o que se tem?

Políticos contrariados com deslealdades do PT, petistas aborrecidos porque foram preteridos em favor de aliados, candidata de garras postas, fatos negativos e, pior de tudo, o encolhimento de Lula, criticado publicamente por seus aliados por ter exagerado na soberba na primeira etapa.

Não foi o único, e dos prudentes de última hora não se ouviu uma só palavra de reparo ao estilo presidencial apesar da quantidade de análises e alertas diários sobre as exacerbações de Lula. Quando se acreditava que iria dar certo, era aplaudido, temido, celebrado. Quando se viu que não deu, foi condenado.

E agora? Agora o PT se vê obrigado a improvisar diante da necessidade de consertar os excessos e a "economizar" aquele que é seu principal trunfo e razão única de Dilma ter tido 47 milhões de votos: o presidente Lula.

Talvez ele esteja sendo guardado para a reta finalíssima, mas se a curva se inverter nesse meio tempo será necessário recorrer aos préstimos do criador, já que a criatura sozinha não dá conta do recado.

Há um dilema no PT quanto a isso: usar Lula pode ser um risco por conta de todos os abusos da etapa inicial, mas não usá-lo, ou "economizá-lo" em excesso pode custar a eleição.

Ainda o seguinte aspecto: tivesse a história se resolvido no dia 3 Lula seria o autor de uma vitória espetacular; passando para o segundo turno será sócio fundador de um sucesso relativo ou de uma derrota inesperada.

Vaivém.
Recapitulando as mudanças que o PT precisou improvisar para tentar segurar o eleitor: mudou o programa de governo; mudou o Plano Amazônia Sustentável, que fez Marina Silva deixar o Ministério do Meio Ambiente.

Mudou a posição de Dilma sobre a descriminalização do aborto; mudou a face macia da candidata; mudou o prazo para a conclusão do inquérito de Erenice Guerra, mudou a data da parada gay no Rio, para depois da eleição.

Se eleita, de início Dilma precisará responder pelo passivo.

Pé na tábua.
Até hoje há quem atribua a derrota de Fernando Henrique Cardoso para Jânio Quadros na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 1985, à hesitação dele durante um debate para responder se acreditava ou não em Deus.

Este lembrete fala sobre falta de clareza de posições, não de religião.

A compulsão fala mais alto

Agência Estado

Enquanto os condutores da campanha de Dilma Rousseff se perguntam onde foi que erraram, deixando escapar a vitória dada como certa no primeiro turno, e como conter o estreitamento da vantagem da candidata sobre o opositor José Serra nas pesquisas, eis que o presidente Lula reincide no comportamento belicoso que contribuiu para privar a sua afilhada dos votos que poderiam ter encerrado a contenda em 3 de outubro.

Foi um típico efeito bumerangue. Ao investir ferozmente contra a imprensa em três comícios sucessivos no breve período de 5 dias, Lula decerto buscava desqualificar as revelações dos escândalos na Casa Civil chefiada pela mais próxima colaboradora de Dilma, Erenice Guerra.

Diferentemente das notícias sobre as violações do sigilo fiscal de aliados e familiares de Serra, com as quais muitos não conseguiram atinar, essas outras repercutiram junto ao eleitorado.

Mas, em vez de cair no conto lulista de que as denúncias não passavam de calúnias, uma parcela dos eleitores que nas urnas se revelaria significativa entendeu que a virulência do presidente representava uma confissão de culpa, além de indicar uma ameaça potencial à liberdade de informar em um eventual governo Dilma. Na reta final, informado da mudança dos ventos, ele bem que tentou neutralizar a traulitada com uma autocrítica.

"A gente precisa de humildade para não ficar com muita raiva quando escrevem contra", penitenciou-se num comício em Porto Alegre, "e nem com muito ego quando é a favor." Foi muito pouco e muito tarde. Agora, diante de uma nova situação adversa - ou "problemática", como se ouve na ponte entre o Palácio do Planalto e o QG dilmista -, Lula torna a reagir pavlovianamente, atacando a oposição com renovado rancor.

Nessas horas, as suas palavras parecem atender antes a um arraigado sentimento, ou compulsão, do que ao objetivo de promover a sua candidata. Na noite de quinta-feira, num comício na cidade paraense de Ananindeua, em surto de livre-pensar, disse que as acusações a Dilma vêm "de uma parte da elite que fazia as mesmas acusações ao Ulysses (Guimarães), ao Tancredo Neves, às Diretas Já, a mim em 89, a mim em 94, a mim em 98 e 2006". E, virando-se para ela, disparou: "Estão transferindo para você o ódio que acumularam contra mim."

Ao que se saiba, nenhum dos políticos citados foi alguma vez acusado de ser "a favor do aborto" que é o que se passou a dizer de Dilma nos púlpitos, em panfletos e na internet. E ao que se saiba, os acusadores não são "uma parte da elite" - pelo menos não no sentido que Lula dá ao termo. Mas isso é detalhe quando ele dá vazão a si mesmo, quaisquer que sejam as consequências dessas irrupções para a sorte da candidata no tira-teima do próximo dia 31. Por sinal, num evento oficial em Teresina, a lava do ressentimento correu solta.

Também em fase de citar o nome de Deus a três por quatro, afirmou que Ele "fez a vingança que eu queria" contra os senadores piauienses Heráclito Fortes, do DEM, e Mão Santa, do PSC, que votaram contra a prorrogação da CPMF e não se reelegeram. De volta ao passado, atribuiu as suas três derrotas em eleições presidenciais às "mentiras" dos que o temiam. "Diziam que era comunista, porque tinha a barba comprida. Mas Jesus também tinha. Tiradentes também tinha", declarou, como quem se alça a uma esfera superior.

O resto foi repetição: o elogio da falta de estudo ("a arte de governar não se aprende em universidade, senão pegavam um na Academia Brasileira de Letras para ser presidente"), a divisão dos brasileiros entre ricos e pobres ("rico não precisa de governo, quem precisa de governo é pobre") e a alusão oblíqua a Dilma ("a arte de governar é como a arte de ser mãe, cuidar da família, garantir direitos e oportunidades a todos").

Descontados os "acertos de contas" sem os quais aparentemente Lula não consegue passar, é isso o que entende por politizar a campanha - a seu ver, a única estratégia capaz de revitalizar a candidatura que vem fazendo água. Os companheiros querem a sua presença no horário eleitoral como no primeiro turno. Compreende-se: para o bem ou para o mal, Lula é tudo que Dilma tem. Pior sem ele, pois.

Acertando contas

Merval Pereira, O Globo

Já escrevi aqui diversas vezes que considero que o governo Lula promoveu um retrocesso institucional no país que talvez seja a verdadeira herança maldita que legará a seu sucessor.A esterilização da política, com a cooptação dos partidos políticos para formar uma base parlamentar à custa de troca de favores e empregos; o mesmo processo de neutralização dos movimentos sociais e sindicais com financiamentos generosos.

Em consequência, o aparelhamento da máquina estatal, dominada pelo PT e alguns partidos aliados; a leniência com os companheiros que transgrediram a lei em diversas ocasiões, todos perdoados e devidamente protegidos.

Por fim, a própria postura do presidente Lula durante a campanha eleitoral, desprezando a legislação e menosprezando as advertências e multas do Tribunal Superior Eleitoral como se elas não tivessem significado.

Tudo isso levou o país a ficar anestesiado durante esses oito anos, num processo de centralização da liderança carismática de Lula que continua predominando na campanha eleitoral.

O quadro estava montado para que a campanha transcorresse de maneira anódina e sem debates, com a automática transferência de votos de Lula para a homologação da vitória no primeiro turno de sua "laranja" eleitoral, a candidata Dilma Rousseff que, segundo definição do próprio Lula, aparece na máquina de votar porque ele está impossibilitado de concorrer à Presidência da República pela terceira vez consecutiva.

Nas últimas semanas, dando a fatura por liquidada, o presidente Lula resolveu "acertar umas contas" com adversários escolhidos, segundo revelou a assessores próximos.

E lá se foi ele pelo país a falar mal da imprensa e fazendo campanha contra candidatos específicos: alguns, como os senadores Marco Maciel, do DEM de Pernambuco, Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, ou Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas, conseguiu derrotar.

Outros, não. Exortou o eleitorado a "extirpar" o Democratas em Santa Catarina e o partido elegeu o governador e os dois senadores da oposição.

Tentou evitar a reeleição de Agripino Maia para o Senado no Rio Grande do Norte, e o DEM não apenas o elegeu como também a governadora Rosalba Ciarlini.

Deve-se a esse "acerto de contas" do presidente boa parte do clima que levou inesperadamente a eleição para o segundo turno.

A figura do presidente raivoso e rancoroso, a buscar vingança de inimigos que deveriam ser meros adversários políticos, politizou uma campanha morna e fez surgir a dúvida entre parcela de eleitores, juntamente com questões específicas como as recorrentes denúncias de corrupção no governo, com o caso de Erenice Guerra no Gabinete Civil se destacando, e o debate religioso sobre o aborto.

Mas Lula parece que não aprendeu com a lição das urnas. Ontem, em meio a uma campanha que periga transformar-se em uma guerra religiosa, teve a ousadia de dizer em cima de um palanque que foi Deus quem derrotou os políticos que acabaram com a CPMF. Nomeou-se, assim, um intermediário divino no seu "acerto de contas".

O fato é que a 15 dias da eleição o resultado é imprevisível, e a média das pesquisas, embora mantenha uma ligeira vantagem para Dilma Rousseff, mostra que as curvas estão se aproximando e o empate técnico é o resultado que melhor reflete a situação atual.

Com uma desvantagem para a candidata oficial: ela vem perdendo posições em praticamente todas as regiões do país, e só ganha no Nordeste, que representa 29% do eleitorado brasileiro, por uma boa diferença, de cerca de 30 pontos (60,1% a 31,1%).

Mas o resultado do primeiro turno foi melhor para ela: 61,63% contra 21,48% de Serra e 16,14% de Marina. Isso quer dizer que Serra cresceu 10 pontos na região, e ainda existem cerca de 6 pontos de Marina sendo disputados.

No Norte-Centro-Oeste, que representa 15% dos votos, Serra vence Dilma por 5 pontos (45,7% contra 40,7%). Mas no primeiro turno, a petista venceu por pequena vantagem — 38,89%, contra 37,97% de Serra e 20,94% de Marina.

No Sudeste, onde estão concentrados 44% dos votos brasileiros, Serra já vence por 1 ponto, tendo perdido na apuração do primeiro turno, quando Dilma obteve 40,88%, contra 34,58% de Serra e 23,18% de Marina.

Dilma cresceu menos de 3 pontos na região, e está agora com 43,3% enquanto Serra foi a 44,7%, um crescimento de 10 pontos. Restam cerca de 13 pontos dos eleitores de Marina que ainda não se definiram, segundo a pesquisa CNT/Sensus.

No Sul, que representa 14% do eleitorado, Serra teve 43,01% no primeiro turno e hoje tem 56%, enquanto Dilma caiu para 36,4% contra os 42,10% que obteve no primeiro turno.

Com relação à pesquisa do Ibope, que deu uma vantagem de 6 pontos para Dilma, há uma questão a constatar: na pesquisa de 02 de outubro para o primeiro turno, o Ibope deu Dilma com 51%, Serra com 31% e e Marina com 17%.

A realidade das urnas no dia seguinte foi Dilma 47%, Serra 33% e Marina 19%, o que demonstra que o Ibope estava com uma defasagem de 6 pontos na diferença entre Dilma e Serra, apontando para uma diferença de 20 pontos que se transformaram em 14 pontos no resultado oficial.

Confusão profunda

Miriam Leitão, O Globo

A direção atual da Petrobras é meio lunática. A empresa perdeu quase US$ 100 bilhões de valor de mercado, está sendo mal avaliada em relatórios de bancos, é a única ação que perde do Ibovespa em um ano. Tem suas reservas em águas profundas, área em que no mundo inteiro estão sendo reavaliadas as normas de segurança. Em vez de tratar disso, o presidente da estatal entra na briga eleitoral.

Falta do que fazer não é. Um bom gestor estaria tentando reverter problemas de imagens, aumentando a transparência da comunicação com o mercado, e divulgando ao mundo com que novos rigores está protegendo o país, a empresa, os acionistas e o meio ambiente dos riscos da exploração em águas profundas e ultraprofundas.

No dia 22 de maio de 2008, o valor de mercado da Petrobras era US$ 309 bilhões. No mês passado, chegou a valer apenas US$ 146 bi. Ao ser capitalizada, principalmente com recursos da União, ela melhorou um pouco o desempenho, mas ontem estava cotada em US$ 214 bilhões.

Segundo levantamento da Economática, a ação ON da Petrobras é a única entre 340 papéis do mercado brasileiro que perde em rentabilidade para o índice Ibovespa nos últimos 12 meses. E o segundo pior desempenho é da ação PN da Petrobras.

Os bancos Itaú, Morgan Stanley, Barclays e UBS fizeram relatórios alertando sobre riscos e perda de valor de mercado da empresa. Alguns fizeram até indevidamente porque participaram do processo de capitalização. Primeiro venderam, depois disseram que não era um bom negócio.

Em vez de pensar em tudo isso, José Sérgio Gabrielli decidiu subir ao palanque e brigar por um suposto futuro do pretérito: de que Fernando Henrique teria pensado em privatizar a Petrobrás há dez anos. Ele vem há anos repetindo que houve esse suposto risco, para justificar o comportamento inadequado de pôr uma companhia de capital aberto, com sócios privados e estrangeiros, à serviço de um partido.

O fato histórico é que o presidente Fernando Henrique não vendeu, não propôs a venda e ainda enviou uma carta ao Senado — que está lá nos arquivos da Casa — se comprometendo a não privatizá-la.

A carta foi enviada quando em 1995 o PT levantou o mesmo fantasma, na época em que FHC mandou para o Congresso a lei que quebrou o monopólio. A Lei do Petróleo, como já é História, se transformou numa alavanca para a empresa.

A Petrobras teve mais liberdade de preços, fez acordos com inúmeros parceiros internacionais, ganhou a maioria das áreas para exploração colocadas em licitação, e elevou em muito suas reservas.

Além disso, o país recebeu bilhões de investimentos de empresas que vieram para cá para pesquisar, produzir, empregar e pagar impostos. Cheio de riscos reais para enfrentar, o presidente da Petrobras se preocupa com supostos riscos que teriam ficado — se fossem verdadeiros — no passado.


Carta de FH ao Senado de 95 sobre Petrobras

A carta abaixo, escrita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1995, garantia ao Senado que ele não privatizaria a Petrobras. Na coluna de hoje, cito esse documento, porque o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, disse que FHC teria pensado em privatizá-la.

Nos posts abaixo, o leitor encontra a carta que Gabrielli me mandou e a coluna publicada hoje no GLOBO. Na carta, Gabrielli faz críticas à gestão do governo anterior, mas não reafirma o que disse na nota que havia divulgado no site da empresa que o objetivo do ex-presidente era " desmontar a Petrobras e vendê-la". Minha coluna insiste que a empresa tem vários problemas reais para enfrentar, e que este problema é irreal e já ultrapassado.

(clique para ampliar)



Que órgão deve punir primeiro o presidente da Petrobras para preservar a empresa de sua sanha?

Reinaldo Azevedo

Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, tem de ser processado pelo PSDB, acionado pelo Ministério Público e repreendido pela Comissão de Ética. A máquina da Petrobras foi posta a serviço da candidatura de Dilma Rousseff, do PT. A nota que ele emitiu ontem é inaceitável numa república: satanizou o governo anterior, buscando atingir a candidatura da oposição, espalhou inverdades e entrou no vale-tudo eleitoral. Também cabe punição administrativa. O governo editou em março uma cartilha para orientar a conduta, durante a eleição, de agentes políticos, titulares de cargos públicos e gestores de negócios públicos e prestadores de serviço. A íntegra está aqui, com as diretrizes também da Comissão de Ética Pública. Além da comissão, participaram da feitura do documento a Advocacia Geral da União, a Casa Civil e o Ministério do Planejamento.

Gabrielli jogou no lixo a Cartilha, a Lei Eleitoral, esses órgãos todos e a Constituição, especialmente o Artigo 37, segundo o qual “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

O presidente da Petrobras certamente imagina que vai atingir a candidatura do tucano José Serra. Besteira! Está dando um tiro contra a Petrobras. É o caso de iniciar uma campanha pela desprivatização da Petrobras, que foi privatizada pelos petistas. E a empresa já começa a pagar o pato de tanta irresponsabilidade.

Uma descarada mentira finalmente desmascarada

Fernando Alves de Oliveira, Blog da Maria Helena R. R. de Souza

De há muito que se ouve falar da tal “extraordinária” popularidade do atual inquilino do Planalto, que em 31 de dezembro terá de deixar o Palácio onde ultimamente reina de forma imperial, mercê de seus histriônicos rompantes compatíveis as de um furibundo cabo eleitoral, além da conhecida soberba, sendo esta não só peculiar a ele, mas também de sua ungida candidata. Em termos de popularidade, até três de outubro, apregoava-se aos quatro cantos que ela beirava a 80%.

Pois muito bem. Pois muito bem, apurados os votos que seus eleitores sufragaram ao cognominado “poste” (sic) por ele erigido na disputa presidencial, isto após terem sido baldados todos os seus esforços para a inserção na Constituição de um casuísmo, então representado pela ardorosa e cogitada muleta denominada de “terceiro mandato, que culminou repelida pela Carta Magna e pela sociedade, para desagrado daquele que se julga o “semideus” da política brasileira contemporânea.

Afora os incontáveis escândalos ocorridos em seu governo, muitos deles sem apuração ou punição, exceto a obrigatória saída dos envolvidos, mas sempre com o tarja “a pedido”, da soberba cada vez mais volumosa, o donatário e chefe da capitania hereditária petista, igualmente foi o responsável pelo aparelhamento desta nefasta e nefanda republica sindicalista, constatada e denunciada pela insuspeita e acreditada Fundação Getúlio Vargas, através de pesquisa que ninguém das hostes palacianas teve coragem de negar e onde se prova que praticamente a metade dos cargos do Governo está nas mãos de sindicalistas. Aqui, mérito e competência dão lugar à vulgaridade do empreguismo da “cumpinchada”.

No campo da Economia (onde se diz ter emanado essa “estrondosa” popularidade) foi ainda mais neoliberal que seu antecessor. Entrou no Governo na companhia de um ex-tucano (Henrique Meirelles) responsável pela condução até hoje da trajetória econômica do País, mesmo com toda a carga que o PT fez contra Henrique Meirelles, que, na verdade foi, é, e continuará sendo o fiador do Brasil junto à comunidade financeira mundial. Aqui também é verdadeiro o adágio de que papagaio come milho e periquito leva a fama...

Todavia o que verdadeiramente importa nestas considerações é o fato de ter chegado, finalmente, a hora e vez do desmascaramento de uma colossal enganação, que até então serviu como mais uma das muitas falsas ferramentas de marketing desse governo, mantida sob o soldo da verba publicitária oficial. Isto é, do dinheiro público financiando o logro. O que prova, de vez, o aparelhamento do Estado brasileiro que é manuseado de forma impressionantemente espúrio pelo petismo como agente que entorpece ainda mais os especialmente dotados de poucos esclarecimentos e mesmo os que não conseguiam atinar com inverossimilhança de tal índice de popularidade até então apregoada e que neste três de outubro foi finalmente desmascarada.

Como é que alguém que tendo uma apregoada popularidade de 80% e que se utiliza da máquina pública (que é na verdade é quem paga a cooptação e o apoio político-partidário obtido, através de acordos espúrios e loteamento de ministérios e cargos públicos) consegue perder uma eleição majoritária?

Comprovemos os fatos através de irretorquíveis e insofismáveis números. Se o dito governante tem 80% de popularidade sobre quase 190 milhões de brasileiros do território nacional (considerados ai dos recém-nascidos aos macróbios...) o resultado exponencial seria quilometricamente fabuloso.

Ah, não, perdão. A tal popularidade referida cinge-se ao quadro eleitoral. Pois então identicamente recorramos aos números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral. O Brasil tem hoje (todos os números a seguir em milhões) 135.804.433 eleitores. De uma abstenção de 24.608.548 (18,12%), que, convém asseverar, é altíssima para um país que se jacta, segundo sua classe política, de ter uma democracia consolidada (sendo esta, pois, mais outra colossal mentira que precisa ser corrigida enquanto é tempo, especialmente em relação do que pode vir por aí e em muito breve...) louvemo-nos nos votos válidos, correspondentes a 111.190.202 milhões de votos.

Ora, como explicar então que a candidata oficial do Planalto obteve apenas 47.649.670, ou seja, 46,91% dos votos válidos?

Onde, pois, os tais 80%, 77%, 71%, ou qualquer outro (ao gosto do freguês) “excepcional” percentual de popularidade? Popularidade é voto na urna ou enganosa ferramenta de marketing? Portanto, quem de direito responda (e prove) a autenticidade da dita “estrondosa popularidade” do titular desse governo de turno. E o faça com dados matemáticos explícitos e convincentes e não com as generalidades idênticas à conversa mole petista. Em seu seio não há só “inocentes úteis”. A cúpula é de gente comprovadamente do Mal, totalitários. Além de terem transformado o Brasil numa reles república sindicalista, esses indisfarçáveis êmulos de Mussolini demonstram óbvia avidez para a instauração da tão sonhada ditadura populista e totalitarista. Prova disso é a insaciável e indisfarçável sanha de perpetuidade de poder! Quem verdadeiramente conhece a biografia da ungida? Aqueles que desconhecem, seria aconselhável consultar o “Google”.

Portanto, quanto a todos eles um claro aviso. Não brinquem com a Democracia desta Nação brasileira, que veste as cores do verde e amarelo e não de nenhuma onda. Muito menos a de cor encarnada. E se tiverem a petulância de intentar alguma coisa desse tipo, venham quentes, porque nós estaremos literalmente fervendo!

E que fique bem claro: Éramos nós, somos nós e continuaremos sendo nós, a verdadeira e comprovada maioria dos que efetivamente detém a real popularidade desta Pátria. De pessoas constituídas em sua grande maioria de vigilantes e intimoratos democratas. De gente do Bem, que despreza dissimuladores e bifrontes. Somos, comprovadamente, maioria e não minoria, como essa gente imaginava poder ilaquear a opinião pública e agora estão desmascarados.

E pertencemos a uma maioria composta de pessoas honestas, trabalhadoras, cultivadoras e praticantes dos fundamentos da decência, da moralidade, da honestidade e da ética. E em termos religiosos, não importando de qual crença professada: Dos que respeitam e cumprem as leis de Deus, que claramente e, sem nenhuma tergiversação (como a bifronte e evasiva ungida) repelem e abominam o aborto, as relações promíscuas e dos procuram os templos para orar e clamar por justiça, saúde, paz e outros valores. E não somente em determinadas ocasiões, unicamente para se esconder da polícia, como ocorria em São Bernardo do Campo...

(*) Fernando Alves de Oliveira é Consultor Sindical Patronal, autônomo e independente,  autor de livros da LTr Editora, de dezenas de artigos e palestrante.

Serra pede direito de resposta em programa de Dilma

Catia Seabra, Folha de São Paulo

O comando da campanha de José Serra à Presidência entra, neste sábado, com pedido de direito de resposta ao programa de Dilma Rousseff (PT), exibido na noite de sexta-feira.

Na representação, o PSDB alega que a campanha petista mentiu ao afirmar que Serra determinou, quando governador, que a Polícia Militar invadisse a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) durante ocupação de estudantes em 2009.

Como a Justiça determinou a reintegração de posse, com força policial, a pedido da reitoria da USP, a assessoria jurídica do PSDB acusa o PT de recorrer a inverdades.

Na representação, o argumento será o de que as universidades estaduais têm autonomia desde a década de 80.

O PSDB também pedirá direito de resposta à afirmação de que não existe, em São Paulo, ensino técnico integrado com o médio. Segundo o comando da campanha de Serra, São Paulo tem mais de 50 mil vagas de ensino médio integrado com o técnico.

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Alckmin critica "campanha do medo" realizada pelo PT

Em convenção realizada com o Partido Social Cristão (PSC) nesta sexta-feira (15) no Hotel Holiday Inn, em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), governador eleito por São Paulo criticou o que chamou de "campanha do medo" realizada pelo PT e mostrou otimismo na vitória do presidenciável tucano José Serra no segundo turno.

"Eu vejo que Serra tem condições de ganhar essas eleições. Dilma caiu mais um pontinho (em referência à pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, em que a petista aparece com 47%, contra 41% de Serra), e em São Paulo sei que Serra terá uma grata surpresa. (...) Às vezes a gente cai na equívoco de bater no adversário. Eu não acredito nisso. E acho que o PT está errando nisso, fazendo campanha do medo".

Alckmin afirmou que a vitória de Serra seria um momento histórico para o Brasil. "FHC foi um momento histórico, Plano Real, ajudou o pobre e mudou o Brasil. O Lula foi um momento histórico e acredito que Serra também será. O Brasil precisa dele".

A convenção contou com a participação de Guilherme Afif, vice-governador eleito, e Airton Sandoval, primeiro suplente do senador eleito Alosio Nunes (PSDB). De acordo com Sandoval, a ausência de Aloisio Nunes se deu por compromissos partidários: o senador está no Rio de Janeiro em conversa com o PV, partida da candidata derrota Marina Silva.

Marina Silva também foi lembrada por Alckmin. "Essas eleições deixam reflexões. Tivemos um recado nas urnas, que valores e princípios têm pesos. A candidata Marina tinha um tempo pequenininho na TV e conseguiu 20% dos votos".

A vitória de Aloisio foi muito comemorada pelos presentes na convenção, que afirmaram que o senador tucano tem Ministério garantido em um possível governo Serra. Gilberto Nascimento, presidente estadual do PSC, em São Paulo, apresentou o suplente, Airton Sandoval, como "futuro senador". Questionado pelos jornalistas, Alckmin desmentiu a possibilidade e disse que o foco é eleger Serra e não ministros.

Campanha
Bem-humorados e demonstrando bastante otimismo, os aliados de Serra foram enfáticos no pedido de votos e nas críticas à campanha da presidenciável petista Dilma Rousseff. "Estamos empenhados na campanha de Serra. Estamos aqui para ação e união. Vejo que o Serra pode fazer mais, porque o Brasil precisa de instituições fortes, não essa coisa personalista, atrasada", disse Alckmin.

O vice-governador de Alckmin, Guilherme Afif, também fez críticas à campanha do PT. "Na eleição presidencial passamos um sufoco. Aliás, PAC, é plano de aumento de comunicação, eles mais comunicam do que fazem. A estratégia deu errado (apostar na popularidade de Lula). Eles queriam ganhar em esfera nacional e ir para o segundo turno em São Paulo. Acabou o favoritismo".

Agora Dilma e PT querem censurar a informação

Leiam a notícia a seguir. Comento no final:



Dilma e coligação pedem retirada de vídeos da web
Vídeos teriam teor ofensivo ao Partido dos Trabalhadores

A coligação "Para o Brasil Seguir Mudando" e sua candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, ajuizaram uma representação contra o diretório nacional do PSDB, a coligação "O Brasil Pode Mais", o candidato a presidente José Serra e a empresa Google Brasil Internet. Na ação, a coligação e a candidata alegam que foram veiculados na internet vídeos de teor ofensivo ao Partido dos Trabalhadores. São seis comerciais veiculados na página do YouTube, entre eles um em que filiados do PT são comparados a cães ferozes da raça rottweiler.

Na representação, sustentam que a publicidade tem alto custo financeiro e não se trata de vídeo caseiro, como a grande maioria postada no YouTube. Argumentam ainda que os vídeos exibem tarja lateral com o nome da coligação representada e os partidos que a integram. Acrescenta que a coligação confessa a produção dos comerciais em defesa apresentada na Representação (RP) 307240.

Segundo a coligação e a candidata, "as inserções produzidas pelo PSDB com teor altamente ofensivo, degradante, injuriante, infamante e repleto de informações sabidamente inverídicas foram postadas no sítio (do YouTube), cuja a mídia também expõe a forma baixa e grosseira da publicidade". Segundo a representação, a publicidade veiculada afronta termos da Resolução 23.191, que trata da propaganda eleitoral, inclusive na internet. Sustenta ainda a ocorrência de crime eleitoral previsto no Código Eleitoral e a violação da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições).

Assim, as representantes pedem a concessão de liminar para: cessar a veiculação dos vídeos no YouTube e em todos os outros sítios da internet que venham a reproduzi-los; determinar ao Google a imediata desativação de todos os vídeos postados com a propaganda considerada ofensiva; impedir que a coligação e o candidato exibam, no todo ou em parte, durante a propaganda eleitoral, cenas contidas nos vídeos; e determinar que o PSDB apresente o contrato com a empresa de publicidade, o documento fiscal e o comprovante de pagamento dos materiais publicitários questionados.

No mérito, pedem a confirmação da liminar e a condenação do PSDB, da coligação e de José Serra ao apagamento de multa equivalente ao custo da publicidade injuriosa e degradante ou, caso assim não entenda, que seja imposta multa não inferior a 100 mil Ufirs ou a R$ 106.410, maior valor previsto em lei. Pede também a condenação do Google ao pagamento de multa no valor mínimo de 20 mil Ufirs. O relator da representação é, por prevenção, o ministro Joelson Dias.

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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Infelizmente a notícia não relaciona quais vídeos se pretende aplicar a censura. E deveria. Será que são os vídeos de padres proclamando a defesa que Dilma faz da legalização irrestrita ao aborto? E os vídeos em que ela própria aparece defendendo a descriminalização, também serão censurados, também o PT e a candidata os consideram caluniosos?

Acaso o PT esquece de seus próprios vídeos, enfiados no youtube em forma de vídeos “caseiros”, em que prega a mentira e a mistificação? E quanto a campanha na Tevê em que flagrante mente à sociedade sobre o governo FHC ter sido contrário ao Bolsa Família? Quem mente de forma vergonhosa sobre as privatizações? Ou aquele em que se apresenta o governo Lula como o executor da estabilidade econômica quando votou contra todos os programas apenas por que era oposição?

Ora, tenham paciência: o PT, Dilma e Lula podem subir em palanques de forma truculenta agredindo a história, aos adversários e às instituições, pode proclamar-se inimigo das liberdades de expressão concedidas a todos, gravar programas e espalhar mentiras sobre seus feitos e demonizar os governos anteriores aos seus, mas não suporta ser confrontado consigo mesmo? Não suporta que lhe digam a verdade nua e crua de suas lambanças, seja quando foi oposição ou agora, quando está no poder?

Este partido detesta a verdade, as instituições democráticas e a liberdade de se dizer e se divulgar suas delinquências. Sentindo que a sociedade não mais se deixa levar por suas mistificações por seus enredos de fantasias, fartada que está de tanta vagabundagem podridão que salta dos palácios em que os companheiros se aboletam para locupletar-se às custas do trabalho e do sacrifício de 195 milhões, tenta agora cercear a liberdade de expressão, implantando a censura à divulgação de sua gestão fraudulenta, por se achar dona exclusiva da verdade, por considerar-se exclusiva dos métodos fascistas com que tratou os governos que lhe antecederam, os mesmos métodos com que agora pretendem esconder a patifaria que vem cometendo e encharcando o país de imoralidade desde 2003.

Assim, digam lá: quais vídeos mentem sobre o PT, a Dilma e o Lula? Quais? Aqueles em que eles mesmos são protagonistas na tela, com suas imagens e áudio? Isto, senhores, não é calúnia.É simplesmente o outro lado da verdade que o PT, Lula e Dilma tentam esconder da sociedade. Se o TSE fosse uma instituição confiável, que agisse de forma coerente para todos os lados, simplesmente arquivaria o pedido e colocaria esta gente no seu lugar. Porém, sendo quem é, é bem capaz do TSE decretar a falência da verdade e implantar a censura em favor da candidata poste!!! E esta gente ainda tem a cara de pau de encherem a boca para falar de democracia!!!! VÃO SE CATAR!

A kriptonita chegou perto do SuperLula

Augusto Nunes, Veja online

(Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Em fevereiro, a coluna propôs a realização de um debate entre Lula e Fernando Henrique Cardoso. Como o presidente vive dizendo que fundou o Brasil em 2003, como vivia sonhando com uma campanha eleitoral entre “nós e eles”, nada melhor que um duelo do gênero para que massacrasse o Grande Satã do PT.

Fernando Henrique topou imediatamente. Franklin Martins respondeu por Lula: o chefe de governo só debateria depois que encerrado o mandato. Como o chefe de governo abandonou o emprego há meses, a coluna reiterou o convite há 10 dias. FHC declarou-se pronto. Lula respondeu com o silêncio. Guardou a voz para despejar bravatas sobre plateias amestradas.

Nesta quinta-feira, FHC oficializou publicamente o desafio. “Quero ver o presidente Lula, que votou contra o Real, dizer que estabilizou o Brasil”. Elegantemente, propôs que o cara a cara seja promovido depois da eleição. Se o desafiado realmente acredita que a exposição do antecessor na TV prejudica a candidatura de José Serra, deve sugerir a antecipação do debate para a próxima semana, antes da consumação do naufrágio da sucessora que inventou.

Caso continue a esconder-se em comícios, para fartar-se com aplausos tão espontâneos quanto o sorriso de Dilma Rousseff, nem os devotos da seita companheira vão duvidar de que FHC é a kriptonita do SuperLula.

”Efeito Tostines”: ela cai por bater ou bate por cair?

Leão Serva, Diário de São Paulo

Há um enigma nesta campanha eleitoral: a candidata Dilma Rousseff adotou o novo estilo agressivo porque as pesquisas internas de seu partido mostravam a redução de sua liderança ou a queda relativa nas pesquisas é consequência do estilo agressivo?

É sabido que os partidos trabalham com pesquisas muito sofisticadas, que antecipam tendências que aparecerão mais tarde nas boas pesquisas ou nas urnas.

No dia da eleição, por exemplo, o PSDB analisava as pesquisas que indicavam 54% para Dilma a 46% para Serra (cenário que apareceu uma semana depois na primeira onda do Datafolha para o segundo turno).

Pode ser que no último domingo, ao começar o debate na Bandeirantes, a candidata do PT tivesse pesquisa semelhante indicando o virtual empate que agora se insinuou no CNT Sensus.

“Quem bate, perde”, ensinou ainda nos anos 1990 o marqueteiro Duda Mendonça, que se tornou o guru do marketing petista ao comandar a campanha de 2002, e “criou” o atual marqueteiro João Santana.

Dilma sabia disso. O PT e os tucanos estudaram o resultado da agressividade de Geraldo Alckmin no segundo turno de 2006, quando acabou saindo das urnas menor até do que no primeiro turno.

Portanto, Dilma não pode ter sido ingênua ao adotar a agressividade, desde o último domingo, no debate da Bandeirantes.

Em seu benefício, pode-se imaginar que tentou criar uma nova sabedoria política: a de que “Mulher que bate não cai”. Se isso se comprovar, passará à história como o ensinamento de Duda.

Se não foi por isso, só pode ter sido uma estratégia do tipo “juízo final”, “tudo ou nada”.

Política é como o vento, muda com facilidade. Mas neste momento, o cenário parece indicar que Duda tinha razão absoluta.

E-mail da Petrobras é usado para a campanha de Dilma

Flávio Freire, O Globo

SÃO PAULO - Mecanismos de comunicação da Petrobras continuam sendo usados em apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Segundo e-mail enviado da caixa postal do coordenador de Patrocínio à Música e Patrimônio da estatal, Claudio Jorge Oliveira, ao qual O GLOBO teve acesso, fornecedores estão sendo convocados para participar de ato político a favor da campanha petista marcado para acontecer no Rio, na próxima segunda-feira.

Com título em letras maiúsculas, o funcionário convida os "caros amigos" a participar do evento. No corpo do documento, destaca a participação de artistas e intelectuais , liderados pelo cantor e compositor Chico Buarque, além dos escritores Leonardo Boff, Eric Nepomuceno e Fernando Morais e do sociólogo Emir Sader. Na ocasião, como destacado em negrito no e-mail, será entregue à candidata um manifesto de artistas e intelectuais pró-Dilma.

No e-mail, o funcionário pede a adesão à campanha do PT e faz um apelo: "Se você puder, divulgue o evento junto a seus amigos do Rio de Janeiro".

Petrobras diz que prática é proibida
A Petrobras informou que essa prática não é autorizada pela empresa: "O uso do correio eletrônico corporativo da Petrobras em atividades de caráter político-partidário é proibido por norma interna. O correio encaminhado pelo jornal foi repassado à área competente, que vai apurar o caso".

O advogado Ricardo Penteado, que representa a candidatura presidencial do tucano José Serra, pretende entrar na Justiça contra o uso da estatal "para objetivos eleitorais". Em relação à Petrobras, a guerra entre tucanos e petistas foi acentuada depois que Dilma acusou publicamente dirigentes do PSDB de quererem privatizar a empresa.

O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, também usando o sistema interno de comunicação, entrou na campanha pró-Dilma para dizer que, se dependesse da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, a companhia "morreria de inanição".

Um dos coordenadores de campanha do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), disse que a estatal está sendo usada como "patrimônio dos petistas".