sexta-feira, março 30, 2007

Ministra Matilde Ribeiro tem de ser demitida e processada

Reinaldo Azevedo

Agora o rinoceronte arrombou a porta.
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A BBC Brasil entrevista a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade. Lá pelas tantas, travou-se o seguinte diálogo:
BBC Brasil - E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
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Matilde Ribeiro - Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.
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Vejam só. Se eu arrumasse uma desculpa qualquer pra dizer que “é natural” haver racismo de brancos contra negros, seria preso. E permaneceria. É crime inafiançável. Mas eu não diria isso por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não é o que penso. Em segundo, porque, conforme está claro, se pensasse, não seria idiota de me expor ao risco de ser punido. Raça? O que é isso? Eu gosto é de mistura. Eu vivo a mistura. As minhas filhas são objetivamente bonitas — tanto quanto se pode acreditar na objetividade de um pai. Bem, sei olhar, comparar, reconhecer a harmonia do conjunto. Os traços que nelas mais me agradam, admito, são os árabes, que herdaram da mãe. Do pai, receberam as características da boa gente vira-lata brasileira, que é o que sou. Sem pedigree.
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Não é difícil demonstrar que a ministra Matilde Ribeiro cometeu crime de racismo e de incitamento ao ódio racial, ainda que faça questão de dizer que “não”. Numa democracia corriqueira, seria demitida e processada. No Brasil, vão passar a mão na cabeça dela, afirmar que ela se expressou mal, que não quis dizer exatamente o que disse. Vale dizer: no fim das contas, será protegida de si mesma por conta de dois preconceitos às avessas: porque é negra e porque é mulher, duas “minorias” de manual, que excitam os instintos mais primitivos da baixa sociologia brasileira.
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No fim de muitas misturas, resulta que minha pele é branca. E nunca açoitei negros. Ah, calma aí: conheço a cascata. Não se trata de individualizar a responsabilidade, dizem eles. O “branco” é culpado como uma “categoria”, assim como o “negro” seria discriminado enquanto tal. É mesmo? A ministra Matilde Ribeiro tem muitas idéias na cabeça, mas nenhuma bibliografia. A escravidão do negro nas Américas, minha senhora, no que respeita à cor da pele — e não à raça — é obra conjunta de brancos e negros. Antes que os europeus escravizassem os africanos, estes se escravizaram a si mesmos. Antes que um mercador de escravos vendesse a sua “mercadoria” no Brasil, ele a comprava na África: e a comprava de outros negros.
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Isso livra a cara “dos brancos”? É claro que não. Mas também não tira a responsabilidade dos negros. Se a madame quer justificar o racismo do presente fazendo justiça retroativa, vamos parar todos no banco dos réus: tanto os “meus” ancestrais europeus quando os “seus” tataravós negros. A menos que ela pretenda tratar as tribos africanas que escravizavam seus adversários como ingênuos seduzidos pelo grau superior de consciência do europeu. Mas aí indago: a consciência de uma época não é sempre a consciência possível? Olhar o passado com o que sabemos hoje é matéria de sabedoria; julgá-lo com esses instrumentos é produzir obscurantismo.
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Não dá. Esta senhora é ministra de Estado. Está no governo para pensar medidas de integração, não para justificar qualquer forma de discriminação, considerando-a, o que é pior, “natural”. Mas vai ficar no cargo, é claro. Porque, afinal, não se demite uma negra por mais bobagens que diga. Também ela reivindica a sua condição de herdeira das vítimas, o que lhe franquearia o direito de dizer asneiras.
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Vocês sabem que sou adversário de primeira hora da chamada política de cotas raciais, o que eles costumam chamar de “discriminação positiva”. Por quê? Entre outras razões porque era a porta de entrada disso que faz a ministra: a discriminação negativa. Os números que justificam as cotas no Brasil são todos perturbados. Já escrevi isso algumas vezes. Nem vou aqui entrar no detalhe, não neste texto, para não espichar demais o artigo. Lembro o óbvio: com freqüência, fala-se por aí na “maioria negra” do Brasil. A maioria é branca: 52%; negros são 6% da população; há menos de 2% de amarelos e índios, e os demais são mestiços. Um mestiço é branco ou é negro? Também conheço a resposta deles: é negro se for pobre. É? E um branco pobre é o quê? Negro? Quer dizer que o verdadeiro “negro” é o pobre? Então aposentem essa conversa mole de raça e vamos falar de renda.
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Mas a ministra não precisa dedicar seu tempo à história ou à estatística. Poderia ao menos ler jornal. Pelo visto, ela tem muitas idéias na cabeça, mas nenhuma disposição para a leitura. Um dos maiores massacres — atenção! — da história da humanidade se deu no fim do século passado na África: a guerra entre hutus e tutsis. Negros matando negros. Um milhão de mortos. Mais de dois milhões de refugiados. Hutus, de mais baixa estatura do que tutsis, cortavam os pés dos adversários a facão para, à sua maneira, fazer justiça... Ah, mas não será difícil encontrar quem diga que também este conflito é de responsabilidade dos brancos, desdobramento perverso e tardio da colonização do século 19. É mesmo? Quer dizer que os negros viviam numa realidade edênica, até que chegassem os brancos para instaurar a discórdia? Tenham paciência! É a mesma lenga-lenga dos muçulmanos. Não fosse o colonialismo europeu, seriam todos pacíficos... Perguntem ao século VII. E o massacre de Darfur, neste século? Aquele que o Brasil se negou a condenar na ONU, sob o silêncio cúmplice da ministra Matilde Ribeiro — se é que ela sabe do que estou falando? Um tutsi não vê um “negro” num hutu (e vice-versa): eles vêem um inimigo. Aquela, sim, é uma luta pautada não pela raça, mas pelo racismo.
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Numa dimensão, vá lá, filosófica, as lideranças negras estarão prestando um enorme serviço à igualdade de pele (já que não se trata de uma questão racial) quando conseguirem ver a si mesmos também como opressores. Enquanto só se enxergarem como vítimas — sei que esse discurso é útil à militância —, estarão dizendo a seus eventuais liderados que eles continuam escravos, não de um senhor branco, mas de uma falsa história.

TOQUEDEPRIMA...

Estradas que ligam
Reinaldo Azevedo

Uma das empreiteiras contratadas pela Infraero para tocar a reforma do aeroporto de Recife foi a Odebrecht. A Odebrecht é sócia de outro membro da família Brennand no loteamento Reserva do Paiva, um dos maiores empreendimentos imobiliários de Pernambuco. No fim do ano passado, a Odebrecht ganhou uma Parceria Público Privada para construir uma estrada ligando a Reserva do Paiva, de sua propriedade, ao renovado – olha ele aí outra vez – aeroporto de Recife.

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Governo define novas regras para uso de motocicletas por motoboys
Da FolhaNews

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovou a resolução 231, que obriga o uso de placas com películas reflexivas em motocicletas utilizadas por motoboys --usadas para prestação de serviços de frete ou táxi. A norma também se estende a outros veículos de duas e três rodas, como motonetas, ciclomotores e triciclos.
De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), as novas placas são fabricadas com essa película, que é transparente e dá maior visibilidade, principalmente no período noturno.
Os veículos de prestação de serviços terão até 1° de agosto deste ano para substituírem as placas pelo novo modelo. Nos casos dos veículos particulares, a obrigatoriedade da troca de placa ocorre somente quando houver a mudança de município. Nos outros casos, o uso do novo modelo é opcional.
Outra mudança, de acordo com o Denatran, é a padronização da tipologia dos caracteres das placas. A fonte a ser utilizada, conforme a resolução, deve ser do tipo "Mandatory", que facilita a identificação, pois apresenta caracteres definidos e de mesma largura. As alterações propostas pela resolução atendem a uma solicitação da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de órgãos de trânsito.

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Padre proíbe casamento de deficientes no Rio de Janeiro
Da Agência Estado

A psicóloga Eda Lúcia Damásio de Araújo, de 63 anos, entra nesta terça-feira com representação no Ministério Público Estadual do Rio contra o padre João Pedro Stawicki, que se recusou a realizar o casamento do seu filho, Pablo Damásio de Araújo, de 33 anos, com Cláudia Araújo Vianna, de 32. Pablo tem paralisia cerebral e Cláudia, déficit de aprendizado. “A deficiência do Pablo é motora, apenas. E a de Cláudia não é genética. E mesmo que meu neto fosse deficiente, seria muito bem-vindo”, afirmou Eda.
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Pablo e Cláudia moravam juntos havia dois anos, quando decidiram casar-se no religioso. Eles procuraram a Paróquia de São Sebastião de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, Grande Rio, fizeram curso de noivos e marcaram a cerimônia para 9 de dezembro de 2006. Um mês antes, quando Pablo esteve na igreja para pagar a taxa de R$ 170, foi surpreendido com a informação de que o padre não faria a cerimônia. “O padre simplesmente devolveu a documentação e alegou que a moça era evangélica. Na verdade, na entrevista preliminar, a Cláudia contou que, quando criança, freqüentou cultos com uma tia. Mas nunca foi evangélica”, contou a psicóloga.
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A psicóloga enviou uma carta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu um pedido de desculpas e foi orientada a procurar a Arquidiocese de Niterói. Enviou duas cartas ao arcebispo d. Alano Maria. Nunca obteve respostas. Decidiu, então processar o padre. “É uma questão educativa. Não quero que isso se repita com outras pessoas”, afirmou Eda. D. Alano não quis se pronunciar sobre o caso. A Assessoria de Imprensa da arquidiocese informou que “dificilmente” a decisão de Stawicki será revista. O casal acabou realizando uma cerimônia na sede da Andef na data prevista.

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Mercadante critica BC por juro básico elevado

SÃO PAULO - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, voltou a criticar a diretoria do Banco Central por manter os juros básicos elevados, mesmo com a inflação dos últimos 11 meses posicionada abaixo da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

"Ou o Banco Central tem uma meta implícita e não respeita a decisão do CMN ou não se comunica bem, porque a ata não demonstra nenhum risco de pressão inflacionária para este e para o próximo ano", declarou Mercadante, após participar do "Debate de Líderes - o Brasil do Crescimento", realizado ontem pela Casa Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Segundo Mercadante, não será possível ao País atingir a meta de crescimento de 5% estabelecida pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caso o câmbio e os juros não sejam "competitivos". "Os juros permanecem muito altos e há espaço para realização de arbitragem em renda fixa que acaba por pressionar uma forte valorização do real", argumentou.

Ele informou que a CAE tomou a decisão de convocar toda a diretoria do BC para prestar esclarecimentos a cada três meses e o próximo encontro será dias após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "Debater, aumentar a pressão e exigir a transparência do Banco Central é uma contribuição que os senadores podem dar para o aperfeiçoamento desse debate e levar o Banco Central a promover uma sintonia fina na redução dos juros", justificou.

Mercadante recusou a avaliação de que o CMN poderia ser ampliado com integrantes da sociedade, como empresários e representantes dos trabalhadores, como forma de estabelecer novas metas de inflação, menos conservadoras. Na visão do senador, esse modelo já foi experimentado no formato de um "conselhão" e não deu certo.

"Entendo que poderíamos ter uma ampliação dos integrantes do governo dentro do CMN. O formato atual é extremamente restrito e entendo que, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento poderia participar desse conselho para mostrar preocupações como a produção interna, o consumo e a pauta de exportações", sugeriu.

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Deputados aprovam primeira medida do PAC
Veja online

A oposição suspendeu na noite desta segunda-feira a tática de obstrução da pauta de votação da Câmara e os deputados aprovaram a primeira medida provisória (MP) que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo. A MP abre crédito extraordinário de 452,18 milhões de reais para a conclusão dos processos de extinção da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e de liquidação da Companhia de Navegação do São Francisco (Franave).

O PFL ainda prometia obstruir a votação, a exemplo do que as legendas de oposição fizeram nas últimas semanas. O objetivo era forçar a aprovação da criação da CPI do apagão aéreo. Porém, a operação foi desmobilizada, uma vez que os aliados PPS e o PSDB não aderiram à manobra.

A medida que liberou crédito para a extinção da RFFSA foi a primeira das nove MPS que tratam do PAC a ser aprovada. Agora, a medida segue para apreciação do Senado.

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Aquecimento salarial
Cláudio Humberto
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Ninguém duvida que o efeito-estufa já chegou ao Brasil: "estufaram" os salários dos deputados, do Presidente, do Judiciário, impostos, o PIB...

Enquanto a reforma não vem

Eliane Cantanhêde, Folha SPaulo

Sempre que vejo chamada do meu livro sobre o PFL, da coleção Folha Explica da Publifolha, imediatamente eu penso, rindo, que a melhor propaganda para ele seria "leia sobre o PFL, antes que ele acabe".
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Tarde demais, porque o PFL acabou, dando espaço ao que seria PD, virou Democratas e, se não me engano, acabou em DEM. Bom exemplo da crise de partidos, que na verdade é dos políticos e da própria política.
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Sugestões e propostas concretas para melhorar isso é o que não falta. O que falta mesmo é vontade, coragem e decisão de fazer a "indispensável" e "inadiável" reforma política, aquela sempre decantada e que nunca vem.
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Enquanto isso, vamos aos remendos, os dois últimos de anteontem, terça-feira. O primeiro e mais importante foi a decisão do TSE de impor a fidelidade partidária aos parlamentares, sob pena de perda de mandato, o que pode afetar, inclusive, os eleitos em 2006 que trocaram de legenda, alguns quase no ritmo com que trocaram de camisa. Agora, o Supremo está com a palavra, analisando o voto do TSE.
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Também está com a palavra o próprio Congresso, porque o segundo remendo, exatamente na mesma direção, foi apresentado no Senado pelo senador Marco Maciel (PFL, ou PD, ou Democrata ou DEM), ex-vice-presidente da República e expert em questões político-partidárias.
A decisão do TSE e a idéia de maciel são boas porque vão no, digamos, cerne da questão: a fidelidade, ou melhor, infidelidade partidária, pela qual o sujeito se elege pelo PP, vai para o PL, que vira PR, dá uma passadinha pelo PP e acaba no PTB, indicando um verdadeiro leilão: "Quem dá mais?"
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Assim, os partidos começam com uma bancada de tanto e acabam em tanto mais X, se são aliados ao Planalto e estão no poder, ou em tantos menos X, se as eleições os empurraram para a oposição. Desde a eleição, segundo levantamento feito pela Folha, 36 deputados já trocaram de partido.
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Bem, a proposta apresentada por Maciel, no mesmo sentido da decisão do TSE, faz referência expressa de que o mandato parlamentar pertence ao partido, não ao político, e determina que a mudança de partido implicará em perda de mandato para o parlamentar.
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Ou seja: estabelece como tem de ser e prevê a punição de quem não cumprir o estabelecido pela lei. Agora, só falta combinar com os "adversários", ou seja, aquele monte de deputados e senadores que gostam e se aproveitam do leilão.
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E esperar o Fla-Flu entre a Justiça e o Legislativo. Neste caso, a torcida brasileira vai ficar toda a favor da Justiça.

Racismo de Estado

Dora Kramer

A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial da Igualdade Racial, talvez não tenha consciência de que ninguém mais além do presidente Luiz Inácio da Silva dispõe, neste País, do direito de dizer disparates impunemente.

Lula conquistou essa prerrogativa e dela faz uso diário e permanente. Tornou-se inimputável no assunto. Não causa espécie nem provoca desconforto porque fala muito e a inconveniência de hoje é sempre anulada pela incontinência de amanhã.

Já a ministra Matilde raramente pronuncia-se em público. Ontem, manifestou-se em entrevista à BBC Brasil a propósito da passagem dos 200 anos da proibição do comércio de escravos pelo Império Britânico. E, convenhamos, caprichou no desatino.

Superou o chefe. Lula, em matéria de incorreção política havia produzido uma declaração imbatível quando de sua visita à capital da Namíbia, surpreendendo-se pelo fato de Windhoek não dar ao visitante a impressão de estar na África, tão desenvolvida apresentava-se a cidade.

A ministra Matilde - note-se, da Igualdade Racial -, em sua entrevista à BBC, foi além do politicamente incorreto. Incorreu em manifestação de racismo puro. Aquele que quando se configura um crime é inafiançável e pune quem prega a distinção - ou exibe convicção sobre as diferenças - entre os seres humanos mediante o critério racial.

Disse, sem nenhum pejo e muito vezo, a ministra a título de justificativa do preconceito de negros contra brancos: Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta os direitos dos outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Defende, portanto, a seguinte idéia: oprimidos ancestrais têm todo o direito de repudiar os que lhe invocam a opressão, ainda que no cerne dessa reação esteja a disseminação da intolerância racial na Humanidade. Minorias, só por serem minorias, sejam elas políticas, econômicas, raciais ou simplesmente numéricas dispõem de licença social e legal ao exercício do preconceito e da insurgência.

A se considerar aceitável o pensamento da ministra de que o racismo se traduz no poder da maioria de coibir ou vetar o direito do semelhante - sendo inválido o inverso - teríamos de aceitar que às minorias tudo é permitido, inclusive o crime.

A ministra Matilde tem o direito de pensar o que bem entender e se expressar como melhor lhe aprouver. Não pode, contudo, esperar compreensão nem candidatar-se ao perdão.

E não parece adequado que, sendo defensora convicta da naturalidade contida no ato de um ser humano recusar-se à convivência do outro por rejeição à cor de sua pele e ao formato de suas feições, a ministra Matilde Ribeiro permaneça no cargo de representante do Estado brasileiro na pasta responsável pela promoção da igualdade racial. Por um simples e óbvio motivo: dona Matilde é racista.

Faraós
Os presidentes de tribunais superiores reclamam do corte de R$ 744 milhões no orçamento do Judiciário, ordenado pelo governo federal para 2007. Alegam que a contenção vai impedir providências importantes, como conclusão do sistema de informatização, e prejudicar o atendimento ao público.

Perdem força os argumentos dos magistrados, contudo, quando nenhum deles impõe um só reparo ao projeto de construção na nova sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília ao custo estimado de R$ 330 milhões.

O prédio é 12 vezes maior que o atual, custará mais caro que todas as outras sedes de tribunais federais. Junto com o edifício da Procuradoria-Geral da República, os edifícios formam um conjunto para faraó nenhum botar defeito.

Mas há um alento que nos conforta e faz dormir o sono dos justos: segundo informa o site do TSE, a nova sede propiciará muita economia em função do sistema de aproveitamento de águas das chuvas.

Correção
Está errado o registro feito ontem aqui em relação a uma declaração do ministro Tarso Genro a respeito da crise aérea. Ele nunca disse que são neuróticas, açodadas e deselegantes as pessoas que reclamam dos atrasos dos vôos nos aeroportos. Açodada foi a citação, produzida a partir da confiança exclusiva na memória.

Quando era ministro das Relações Institucionais, o atual titular da Justiça disse que o presidente Lula não estava com pressa neurótica para resolver a crise. A frase pode ter sido igualmente infeliz, mas não tinha o sentido da declaração atribuída a ele. Além do mais, ele tinha toda razão quanto ao ritmo lento que o presidente pretendia imprimir à solução da crise.

Súmulas vinculantes começam a vigorar nos próximos dias

SÃO PAULO - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, disse ontem em São Paulo que as primeiras seis súmulas vinculantes do País serão editadas nos próximos dias e que a adoção do mecanismo deverá reduzir em 60% o número de processos que tramitam na Justiça Federal.

A lei que criou a súmula vinculante - que obriga os demais órgãos do Judiciário e da administração pública a seguirem entendimento do STF - passa a valer a partir de hoje.

"As seis primeiras súmulas deverão ser expedidas imediatamente, após a lei entrar em vigor. A partir daí, nós deveremos levar a questão à sessão pública", explicou a ministra após assinar dois termos de cooperação entre STF, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ellen Gracie disse que levantamento feito nos 62 milhões de processos que tramitam no País indica que a súmula vinculante será mais apropriada, num primeiro momento, para tratar de questões tributárias e previdenciárias. "Existe um enorme número de processos envolvendo essas duas questões." Ela citou "4,5 mil causas iguais sobre pensão de morte". "Essas causas não precisariam existir se já tivéssemos há mais tempo a súmula vinculante."

A inexistência do mecanismo é, segundo a ministra, uma das "deficiências estruturais" do sistema jurídico que tornam inviável o bom andamento processual. Ellen Gracie afirmou que cada magistrado no Brasil responde por 4,4 mil processos, "uma marca impossível". E concluiu: "Portanto, quando lerem na imprensa que o Brasil tem o número de juízes mais elevado do que outros países, levem em conta que nesses países o número de processos a serem julgados não é tão elevado."

Cooperação
Antes de falar com a imprensa, a ministra assinou dois termos de cooperação: com a Fiesp, para criar uma câmara de mediação e conciliação para resolução de casos menos graves, sem a necessidade da Justiça, e outro para atuação das entidades empresariais na capacitação e formação de detentos.

As formas alternativas de soluções de litígios são, para Ellen Gracie, uma das saídas para desafogar o Judiciário. "O projeto de mediação e conciliação vem ao encontro desse grande esforço de tornar o Judiciário brasileiro viável."

A ministra também apresentou banco de dados com informações sobre processos de execução penal dos detentos no Brasil, feito pelo CNJ, que promete mais agilidade nesses casos. "O resultado preventivo é uma agilização de exame dos requisitos necessários para concessão de benefícios ou da própria liberdade."

O encontro na Fiesp foi o último compromisso do mês da ministra como presidente do STF. Ela entrou em licença por 15 dias por questões familiares.

TOQUEDEPRIMA...

Estradas que ligam
Reinaldo Azevedo

Uma das empreiteiras contratadas pela Infraero para tocar a reforma do aeroporto de Recife foi a Odebrecht. A Odebrecht é sócia de outro membro da família Brennand no loteamento Reserva do Paiva, um dos maiores empreendimentos imobiliários de Pernambuco. No fim do ano passado, a Odebrecht ganhou uma Parceria Público Privada para construir uma estrada ligando a Reserva do Paiva, de sua propriedade, ao renovado – olha ele aí outra vez – aeroporto de Recife.

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Governo define novas regras para uso de motocicletas por motoboys
Da FolhaNews

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovou a resolução 231, que obriga o uso de placas com películas reflexivas em motocicletas utilizadas por motoboys --usadas para prestação de serviços de frete ou táxi. A norma também se estende a outros veículos de duas e três rodas, como motonetas, ciclomotores e triciclos.
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De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), as novas placas são fabricadas com essa película, que é transparente e dá maior visibilidade, principalmente no período noturno.
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Os veículos de prestação de serviços terão até 1° de agosto deste ano para substituírem as placas pelo novo modelo. Nos casos dos veículos particulares, a obrigatoriedade da troca de placa ocorre somente quando houver a mudança de município. Nos outros casos, o uso do novo modelo é opcional.
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Outra mudança, de acordo com o Denatran, é a padronização da tipologia dos caracteres das placas. A fonte a ser utilizada, conforme a resolução, deve ser do tipo "Mandatory", que facilita a identificação, pois apresenta caracteres definidos e de mesma largura. As alterações propostas pela resolução atendem a uma solicitação da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de órgãos de trânsito.

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Padre proíbe casamento de deficientes no Rio de Janeiro
Da Agência Estado

A psicóloga Eda Lúcia Damásio de Araújo, de 63 anos, entra nesta terça-feira com representação no Ministério Público Estadual do Rio contra o padre João Pedro Stawicki, que se recusou a realizar o casamento do seu filho, Pablo Damásio de Araújo, de 33 anos, com Cláudia Araújo Vianna, de 32. Pablo tem paralisia cerebral e Cláudia, déficit de aprendizado. “A deficiência do Pablo é motora, apenas. E a de Cláudia não é genética. E mesmo que meu neto fosse deficiente, seria muito bem-vindo”, afirmou Eda.
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Pablo e Cláudia moravam juntos havia dois anos, quando decidiram casar-se no religioso. Eles procuraram a Paróquia de São Sebastião de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, Grande Rio, fizeram curso de noivos e marcaram a cerimônia para 9 de dezembro de 2006. Um mês antes, quando Pablo esteve na igreja para pagar a taxa de R$ 170, foi surpreendido com a informação de que o padre não faria a cerimônia. “O padre simplesmente devolveu a documentação e alegou que a moça era evangélica. Na verdade, na entrevista preliminar, a Cláudia contou que, quando criança, freqüentou cultos com uma tia. Mas nunca foi evangélica”, contou a psicóloga.
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A psicóloga enviou uma carta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu um pedido de desculpas e foi orientada a procurar a Arquidiocese de Niterói. Enviou duas cartas ao arcebispo d. Alano Maria. Nunca obteve respostas. Decidiu, então processar o padre. “É uma questão educativa. Não quero que isso se repita com outras pessoas”, afirmou Eda. D. Alano não quis se pronunciar sobre o caso. A Assessoria de Imprensa da arquidiocese informou que “dificilmente” a decisão de Stawicki será revista. O casal acabou realizando uma cerimônia na sede da Andef na data prevista.

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Mercadante critica BC por juro básico elevado

SÃO PAULO - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, voltou a criticar a diretoria do Banco Central por manter os juros básicos elevados, mesmo com a inflação dos últimos 11 meses posicionada abaixo da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

"Ou o Banco Central tem uma meta implícita e não respeita a decisão do CMN ou não se comunica bem, porque a ata não demonstra nenhum risco de pressão inflacionária para este e para o próximo ano", declarou Mercadante, após participar do "Debate de Líderes - o Brasil do Crescimento", realizado ontem pela Casa Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Segundo Mercadante, não será possível ao País atingir a meta de crescimento de 5% estabelecida pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caso o câmbio e os juros não sejam "competitivos". "Os juros permanecem muito altos e há espaço para realização de arbitragem em renda fixa que acaba por pressionar uma forte valorização do real", argumentou.

Ele informou que a CAE tomou a decisão de convocar toda a diretoria do BC para prestar esclarecimentos a cada três meses e o próximo encontro será dias após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "Debater, aumentar a pressão e exigir a transparência do Banco Central é uma contribuição que os senadores podem dar para o aperfeiçoamento desse debate e levar o Banco Central a promover uma sintonia fina na redução dos juros", justificou.

Mercadante recusou a avaliação de que o CMN poderia ser ampliado com integrantes da sociedade, como empresários e representantes dos trabalhadores, como forma de estabelecer novas metas de inflação, menos conservadoras. Na visão do senador, esse modelo já foi experimentado no formato de um "conselhão" e não deu certo.

"Entendo que poderíamos ter uma ampliação dos integrantes do governo dentro do CMN. O formato atual é extremamente restrito e entendo que, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento poderia participar desse conselho para mostrar preocupações como a produção interna, o consumo e a pauta de exportações", sugeriu.

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Deputados aprovam primeira medida do PAC
Veja online

A oposição suspendeu na noite desta segunda-feira a tática de obstrução da pauta de votação da Câmara e os deputados aprovaram a primeira medida provisória (MP) que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo. A MP abre crédito extraordinário de 452,18 milhões de reais para a conclusão dos processos de extinção da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e de liquidação da Companhia de Navegação do São Francisco (Franave).

O PFL ainda prometia obstruir a votação, a exemplo do que as legendas de oposição fizeram nas últimas semanas. O objetivo era forçar a aprovação da criação da CPI do apagão aéreo. Porém, a operação foi desmobilizada, uma vez que os aliados PPS e o PSDB não aderiram à manobra.

A medida que liberou crédito para a extinção da RFFSA foi a primeira das nove MPS que tratam do PAC a ser aprovada. Agora, a medida segue para apreciação do Senado.

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Aquecimento salarial
Cláudio Humberto

Ninguém duvida que o efeito-estufa já chegou ao Brasil: "estufaram" os salários dos deputados, do Presidente, do Judiciário, impostos, o PIB...

ENQUANTO ISSO

Gol nega influência do governo na decisão de comprar Varig
Karen Camacho, da Folha Online
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O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, negou nesta quinta-feira que o governo tenha pedido ou influenciado na decisão de comprar a Varig, em acordo fechado ontem numa operação que atinge US$ 320 milhões.
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O pai do presidente da Gol, Constantino de Oliveira, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido para que a Gol salvasse a Varig.Hoje, Constantino Júnior disse que a conversa entre o presidente e seu pai ocorreu em um encontro casual e que Lula, na verdade, não pediu nada, apenas reforçou a informação de que a Varig estava a venda. "Isso foi antes do leilão. O governo não exerceu qualquer influência sobre a decisão da Gol", disse Constantino Júnior.
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O presidente da Gol também negou que o governo tenha dado qualquer garantia à empresa de que os passivos trabalhistas ou dívidas antigas da Varig recaiam sobre a Gol. "O governo não poderia dar garantias comerciais e nem a Gol ousaria pedir isso", afirmou.
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A Varig, para Constantino Júnior, mesmo após passar por processo de recuperação judicial, desperta a simpatia dos passageiros e "está presente na memória" das pessoas. Por isso, segundo ele, a marca e os funcionários "engajados" serão mantidos.
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NegócioA compra da Varig pela Gol foi fechada ontem por US$ 320 milhões, sendo US$ 275 milhões para aquisição do controle, além de mais R$ 100 milhões relativos ao compromisso de honrar debêntures (títulos) emitidas pela Varig. O pagamento de US$ 275 milhões será feito com 10% de seu caixa (US$ 98 milhões) e com a entrega de cerca de 6,1 milhões de ações preferenciais emitidas, que representam aproximadamente 3% do total de papéis da companhia. O negócio ainda está sujeito à obtenção das aprovações das autoridades regulatórias, incluindo o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
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A compra da nova Varig foi feita por meio de uma empresa chamada GTI S.A, subsidiária da Gol, o que evita possíveis riscos de contaminação dos passivos bilionários da antiga Varig, que tem dívidas trabalhistas, tributárias e previdenciárias --elas não serão assumidas pela Gol.
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Na entrevista concedida nesta quinta-feira, Constantino reafirmou que a Gol está livre de qualquer dívida antiga, incluindo o aporte de US$ 17 milhões feito pela LAN Chile, quando esta empresa também disputava a compra da nova Varig.LiderançaAo comprar a Varig, a Gol ainda não tem liderança do mercado, que é da TAM, mas chega mais perto da concorrente e, no futuro, pode brigar pela liderança.
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Em fevereiro, a Gol apareceu em segundo lugar na participação de mercado nos vôos internacionais, com 18,94%, atrás apenas da TAM, que tem 61,01%. A Nova Varig estava em terceiro, com 11,82% dos passageiros transportados por companhias aéreas. A BRA tinha 7,89% de participação.
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No mercado doméstico, TAM e Gol abocanham juntas 87,59% do segmento. A TAM fica com 47,33% e a Gol, 40,26%. A Nova Varig detém 4,57% das linhas domésticas, à frente da BRA (2,98%) e da OceanAir (2,04%).


Enquanto isso...

Advogado amigo de Lula articulou negócio
Karla Correia , Jornal do Brasil

O pedido do presidente Lula para que a Gol comprasse a Varig não é o único detalhe curioso do maior negócio realizado na aviação civil brasileira. O advogado e compadre do presidente, Roberto Teixeira, foi um dos articuladores da operação. Ontem, Teixeira acompanhou os donos da Gol na visita que fizeram ao Palácio do Planalto para anunciar a Lula o fechamento do negócio.

Após deixar o encontro com o presidente, o empresário Constantino Júnior explicou os motivos que levaram a Gol a pagar um valor muito superior ao que foi pago pela Varilog, no ano passado, para adquirir a Varig.

- É preciso ressaltar que houve um investimento importante por parte do antigo acionista. A Varig saiu de dois aviões, na época do leilão, e hoje opera com 17 - explicou.

O empresário também disse que a operação não envolve risco de concentração de mercado.

- A Gol e a Varig serão empresas administradas com independência, que competirão entre si, inclusive atraindo novos clientes com suas vocações específicas. Cada uma atua para atrair um público determinado.

A compra da Varig, que se manterá como marca independente, foi feita por uma subsidiária da Gol, a GTI S.A. A manobra evitará que os bilionários passivos trabalhistas, previdenciários e tributários da Varig pesem sobre o caixa da Gol.

A operação comercial foi desenhada por Roberto Teixeira, que trabalhou em conjunto com o dono da Gol, Nenê Constantino. As duas empresas acertaram a compra há, pelo menos, oito dias, quando marcaram a audiência com o presidente Lula.

Segundo o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, a agência deve se manifestar sobre a compra dentro de dois meses.

Ontem mesmo manifestou-se informalmente o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.
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- Não acho a melhor solução - criticou.

Cade tenta barrar venda da Garoto

SÃO PAULO - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai recorrer ao plenário do Tribunal Regional Federal (TRF) contra a aprovação da venda da Garoto pela Nestlé. Na sexta-feira, o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal do Distrito Federal, aprovou o negócio ao conceder uma sentença contrária à decisão do Cade, que vetava a aquisição.

Em nota oficial, o órgão informou que não havia sido notificado da decisão do juiz. Assim que isso ocorrer, estudará as razões usadas na sentença para apresentar recurso à 2ª instância do Judiciário. Fontes ligadas ao Cade anteciparam que, entre outros argumentos, os advogados vão ressaltar ao TRF que não houve perda do prazo para julgamento do caso, como alega a Nestlé.

A companhia diz que o Cade deveria ter julgado a aquisição no prazo de 60 dias, sob "pena de aprovação automática". No entanto o julgamento ocorreu 411 dias após a chegada do processo ao órgão. Segundo o Cade, a lei permite que qualquer pedido de informação, por meio de ofícios, às empresas ou às suas concorrentes interrompa essa contagem.

No Brasil, até ontem a Nestlé estava proibida pela matriz de fazer qualquer declaração sobre o caso. Na sexta-feira, executivos na sede da multinacional na Suíça comemoram a decisão do juiz. A Garoto faz parte dos interesses estratégicos da multinacional. A Nestlé admite que, cada vez mais, dependerá do crescimento de suas vendas nos mercados emergentes para continuar sua expansão.

Suspeita de suborno
No começo de fevereiro, o Cade suspeitou que a Nestlé estivesse suspendendo investimentos na Garoto e encomendou um estudo sobre o mercado de chocolates desde o veto à fusão, em 2004, até hoje.

Há pouco menos de um mês, durante uma visita do presidente da Nestlé, Ivan Zurita, à fábrica da Garoto, em Vila Velha, representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do Espírito Santo fizeram uma manifestação exigindo mais transparência da multinacional e o fim da terceirização de parte da produção de ovos de Páscoa.

"Pedimos dados de investimento. Quanto mais esse processo demora mais inseguros ficam os trabalhadores e mais a Nestlé pode depreciar a fábrica", diz a presidente do sindicato, Linda Morais, que está contratando uma consultoria de marketing para acompanhar os investimentos que estão sendo feitos na marca Garoto. "Saindo a decisão, esperamos que a Nestlé faça investimentos, contrate mais."

Segundo Linda, o quadro de funcionários da Garoto permanece inalterado desde 2004, com cerca de 3500 empregados. De acordo com o balanço de 2005, os investimentos em ativos na Garoto somaram R$ 2,2 milhões, três vezes e meio inferior aos de 2004. A empresa não perdeu participação de mercado desde o anúncio da compra, há quatro anos, mas também não ganhou. Em novembro de 2006, ela tinha 22% das vendas de chocolates.

Desde o início da disputa, a Nestlé foi bastante clara em afirmar que não abriria mão da Garoto e que se considerava dona da empresa brasileira. Peter Brabeck, presidente da empresa, chegou a criticar o governo, alegando que em nenhum lugar do mundo uma aquisição levaria tanto tempo para ter uma decisão final. Ele ainda insinuou que interesses econômicos estariam por trás do bloqueio do Cade.

Segundo altos funcionários na sede da empresa, a manutenção da Garoto com a Nestlé não é apenas uma "questão de honra", mas uma verdadeira estratégia de crescimento da companhia no País e na América do Sul. Alguns executivos chegam a creditar à Garoto parte dos bons resultados que a empresa vem obtendo em suas vendas no País desde 2004.

Em 2005, as receitas da Garoto atingiram R$ 1 bilhão, 4,8% mais que no ano anterior. Entre 2003 e 2004, o crescimento havia sido de 12,3%. O faturamento de 2006 só será divulgado em abril, mas a Nestlé calcula um aumento da ordem de 10%.

Funcionários da multinacional na Suíça não deixam de destacar que a Garoto faz parte de uma estratégia da Nestlé de ampliar suas vendas em mercados em países emergentes. Com o mercado americano e europeu dando sinais de que crescerão menos em 2007 e 2008, os executivos da multinacional contam com Ásia, América Latina, Oriente Médio e África para sustentar o crescimento. Os mercados emergentes, que representavam 21% das vendas da empresa em 2003, passam a responder por 25% dos negócios em 2006.

TOQUEDEPRIMA...

Ministro quer trocar comando do BNDES

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, afirmou que tem o aval de Lula para fazer grandes modificações no BNDES ( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), inclusive a troca do presidente Demian Fiocca.
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Uma das queixas do ex-ministro Luiz Fernando Furlan é que não conseguia impor seu ritmo ao Banco. De acordo com Jorge, agora as coisas mudaram: “O BNDES está sob o Ministério de Desenvolvimento”, afirmou o atual ministro.
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Jorge disse que não sabe quem será o substituto de Fiocca à frente do BNDES. Ele declarou que só começa a pensar no trabalho a partir de manhã.

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PSDB quer cancelar projeto que prevê aumento de salários do Executivo e de deputados

O deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) apresentou um requerimento à Comissão de Finanças e Tributação da Câmara que pede o cancelamento dos projetos que prevêem o aumento dos salários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice José de Alencar, dos ministros e dos deputados. O decreto, que está em vias de ser votado, propõe reajuste de 26% para os parlamentares e de 80% para os demais cargos.
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“Todas essas propostas deviam ter sido mais discutidas e amadurecidas. Sou contra (a forma) como a Comissão de Finanças e Tributação conduziu tal assunto, sem nos consultar. Eu acho que elas merecem ser rediscutidas com os 513 parlamentares que compõem a Câmara Federal”, justificou Torres.

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Desemprego sobe em fevereiro

O desemprego subiu nas seis principais regiões metropolitanas do país no mês de fevereiro. Segundo dados IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa passou de 9,3%, em janeiro, para 9,9%.
O número de ocupados teve queda de 0,4% (20,4 milhões) em relação a janeiro e aumento de 2,5% na comparação com fevereiro de 2006. Já os desocupados somaram 2,2 milhões, 6,5% a mais do que o registrado em janeiro e semelhante ao registrado em fevereiro do ano passado.
"O crescimento da economia do ano passado não foi suficiente para gerar vagas e para a gente sentir esse crescimento refletido no mercado de trabalho", afirmou Cimar Azeredo, gerente da pesquisa mensal do IBGE, sobre a incapacidade do governo de diminuir o número de desempregado nos últimos meses. Ele ressaltou que, no entanto, pôde se verificar um aumento na qualidade do mercado de trabalho, com alta da formalidade e no rendimento dos trabalhadores.

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"We love USA"
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Secretários de Turismo dos dez estados do Nordeste estão organizando para o fim de abril, em Natal, um encontro reunindo representantes do setor hoteleiro da região. A idéia é deflagrar uma campanha pelo fim da reciprocidade, princípio diplomático que exige visto de entrada para os turistas americanos que visitam o Brasil. Hoje, 792 000 americanos procuram o Brasil anualmente para passear, mas menos de 10% deles chegam ao Nordeste.

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Chinaglia teme aumento da 'verba de gabinete'

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, foi avisado que, no dia em que realizar uma reunião da Mesa, os outros membros vão isolá-lo e aumentar a verba de gabinete. Chinaglia não reúne a Mesa há 15 dias.

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Irresponsáveis

A irresponsabilidade da Igreja católica na "proibição" da camisinha não tem limites. Por meio da bancada da CNBB no Congresso, espalha que o estímulo ao uso de preservativo é só "propaganda para vender camisinha".

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Mantega anuncia que governo vai manter o superávit em 3,9%

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta que o governo vai manter o valor nominal da meta de superávit primário em R$ 91 bilhões para 2007. A medida representa a manutenção da taxa em cerca de 3,9% do PIB brasileiro, abaixo dos 4,25% previstos antes da mudança nas regras da contagem da riqueza nacional por parte do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O governo optou por não promover cortes nos custos públicos para alcançar o superávit de 4,25%, pois deveria reduzir R$ 10 bilhões em gastos para atingir essa meta. “Isso não compromete de maneira nenhuma as contas públicas brasileiras. Pelas manifestações ouvidas até agora, o mercado compreende que esta é a melhor solução”, disse o ministro.

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Ele não pára
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Oscar Niemeyer, 99 anos, foi convidado para fazer o projeto gráfico da capa da enciclopédia Petit Larousse, que será lançada no Brasil. Aceitou.

A propósito de Niemeyer: numa entrevista que concedeu esta semana ao programa Conexão Roberto D'Avila, o arquiteto esquivou-se por três vezes de falar sobre os seus cem anos, que completará em dezembro. Sempre que perguntado, Niemeyer começava a responder, mas fazia uma curva e desviava rapidamente do assunto. Longe das câmeras, no entanto, não se incomodava em falar da idade - sempre em tom de resmungo. O programa vai ao ar em abril.

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Senado americano aprova retirada de tropas

Em votação apertada, o Senado norte-americano aprovou um projeto de fundos para guerra que determina a meta de retirada de todos os soldados dos Estados Unidos no Iraque, dentro de um ano.

A previsão de início de retirada das tropas, a partir do projeto, é dentro de quatro meses e o fim, dia 31 de março de 2008. A Câmara americana já aprovou uma proposta com prazo final obrigatório em 1º de Setembro de 2008. As duas Casas tentarão fazer acordo antes de enviar os projetos ao presidente George W. Bush.
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O líder dos Republicanos, Senador Mitch McConell, pediu aos negociadores que levem as iniciativas imediatamente para o “inevitável veto” de Bush. Confirmando-se o veto, os Democratas precisam mais de dois terços do Senado e da Câmara para conseguir prazo de saída das tropas. É pouco provável, visto que a vitória Democrata no Senado foi por 4 votos.

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CCC petista

Os petistas que aparelham o governo da Bahia criaram um CCC, "Comando de Caça a Carlistas", perseguindo quem trabalhou em governos anteriores. Fazem inveja ao velho Toninho Malvadeza. Nem empresas escapam.

Anatel veta compra da Way TV pela Telemar

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vetou ontem a compra da operadora mineira de televisão a cabo Way TV pela Telemar. A decisão seguiu um caminho inverso ao do processo em que a Telefônica obteve da Anatel uma licença nacional para prestar serviço de TV por assinatura via satélite (DTH).

A diferença de tecnologias entre o cabo e o satélite e a assimetria de regras para cada um desses setores foram as principais razões alegadas pela agência para tomar decisões tão distintas.

O relator dos dois processos, conselheiro Pedro Jaime Ziller, disse hoje, ao anunciar o resultado da votação do conselho diretor da Anatel, que o processo de análise da compra da Way TV pela Telemar, foi "complexo" e exigiu uma apreciação "em detalhes". A Agência levou sete meses para dar uma resposta ao negócio, que foi fechado preliminarmente em julho de 2006, por R$ 132 milhões. Com o veto da Anatel, a compra não poderá ser concretizada.

Recorre
A Telemar informou que vai recorrer da decisão por entender que a operação é legal e que o veto prejudica a competição. A empresa tem prazo de 10 dias, a partir do momento em que for notificada, para apresentar o recurso. A concessionária se diz "afetada pelo veto da Anatel, pois deixaria de competir em igualdade de condições, nesta fase, com as empresas que já têm autorização no Brasil para oferecer serviços integrados de voz, dados e vídeo, a exemplo do que ocorre em boa parte do mundo".

O pedido de anuência para a compra foi feito em agosto de 2006. Com a demora da Anatel, a Telemar recorreu à Justiça e há duas semanas conseguiu uma liminar do Tribunal Regional Federal (TRF) para que a agência desse uma resposta dentro de 10 dias, prazo que venceu ontem.

Ziller disse que o processo da Way TV considerou regras diferentes do da Telefônica. "Não existe nenhum empecilho legal para o DTH. Mas, no caso da TV a cabo, está explícito no contrato", disse Ziller.

Ele citou a cláusula 14.1 do contrato de concessão da telefonia fixa, cujo novo texto foi assinado pelas concessionárias de telefonia local, inclusive a Telemar, em dezembro de 2005. Essa cláusula diz que as concessionárias não podem adquirir concessão ou autorização de serviço de TV a Cabo na mesma área em que já operam serviço de telefonia fixa. A Telemar é concessionária de telefonia fixa local em 16 estados, entre eles Minas Gerais, e a Way TV é concessionária de TV a Cabo em Minas.

Ele disse que a Telemar já tinha conhecimento do contrato de concessão. "O contrato é legal, foi à consulta pública, foi aceito pelas concessionárias em 2003 e foi assinado por elas em dezembro de 2005."

Além do cabo, os serviços de TV por assinatura podem ser prestados também pelas tecnologias DTH e por microondas terrestres (MMDS). A legislação só coloca restrições para o serviço de TV a Cabo. Por isso, a Anatel autorizou a Telefonica a entrar no negócio de TV por assinatura via satélite.

Essa assimetria de regras já provocou vários debates no mercado, no governo e no Congresso. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que criaria um Conselho de Comunicação Social para elaborar uma proposta de Lei Geral de Comunicação de Massa, que abordaria os setores de radiodifusão, telefonia, internet e TV por assinatura, mas a medida ainda não foi tomada.

Tramita na Anatel outro processo de entrada das teles do mercado de TV por assinatura. A Telefônica aguarda a aprovação da agência para concretizar a compra da TVA, que tem operadoras de TV a cabo, via DTH e MMDS. O superintendente de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Minassian, disse que, aparentemente, o negócio da Telefônica com a TVA não inclui operadoras de TV a cabo em São Paulo, onde a empresa tem concessão de telefonia fixa local.

CVM apura negócios atípicos com ações da Ipiranga

SÃO PAULO - O volume de negócios com os papéis da Refinaria Ipiranga na última sexta-feira chegou a R$ 13 milhões, mais de 27 vezes o giro médio com as ações da empresa neste início do ano. A negociação atípica com ações de empresas do Grupo Ipiranga na Bovespa às vésperas do anúncio de venda para a Petrobras é um dos principais indícios de que houve vazamento de informação. Quatro reclamações e pedidos de esclarecimento de acionistas minoritários foram formalizadas à Comissão de Valores Mobiliários.

A superintendente de Relações com Empresas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Elizabeth Lopez Rios Machado, reconheceu que a maior parte da movimentação de sexta-feira foi relativa a ações ordinárias (ON) do grupo. Estes são os títulos que dão ao investidor direito a voto em decisões empresariais. Pela lei brasileira, os acionistas detentores desses papéis, ao contrário dos preferenciais, têm também direito a receber o equivalente a 80% do valor a ser pago aos controladores em caso de venda.

Na sexta-feira a CVM solicitou explicações à Ipiranga sobre a alta acima do padrão das ações da companhia. E ainda acionou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para obter informações sobre quem operou com os papéis do grupo Ipiranga naquela data. Normalmente com pouca liquidez no mercado, as ações da Ipiranga tiveram um volume de negócios acima do normal.

A superintendente explicou que as investigações podem resultar na abertura de um inquérito administrativo para apurar o uso de informação privilegiada. "A concentração em ações ordinárias e o fato de hoje (ontem) se divulgar um fato relevante envolvendo uma alienação de controle parece que tem algo errado, que vazou a informação", afirmou.

Além da movimentação atípica dos papéis da companhia Ipiranga na semana passada, os acionistas minoritários também questionaram na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o valor da oferta que o grupo que adquiriu a Ipiranga fez para os acionistas minoritários.

De acordo com Otávio Magalhães, da Guepardo, gestora de fundos, houve uma "discrepância nunca antes vista em qualquer operação da Bovespa" entre o que foi pago aos controladores da companhia e os acionistas minoritários. "Há casos de papéis que tiveram diferença de sete vezes e meia entre um e o outro preço" comentou.

Os minoritários também não teriam gostado da obrigatoriedade de permuta de ações do Grupo Ipiranga por papéis da Ultrapar. "Por que obrigar o minoritário a sair de Ipiranga e migrar para Ultrapar?", questionou o gestor. Na avaliação da Guepardo, as ações do Ultra estão supervalorizadas em bolsa, enquanto o Grupo Ipiranga está subavaliado. Bem recebida - Em geral, o mercado recebeu de forma positiva a aquisição da Ipiranga.

"Foi uma engenharia interessante montada para a aquisição, porque veta questionamentos sobre concentração de mercado", comentou o diretor de Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE). Para Felipe Cunha, do banco Brascan, a operação é "um importante sinalizador da perspectiva de maior consolidação no setor petroquímico".

Brasil: Um nível de ensino muito ruim

A educação brasileira está mais para bolero do que para tango.
Nelson Valente (*), Blog Cláudio Humberto

"A fórmula do sucesso eu ainda não sei; mas a do fracasso é contentar a todos".

Antes de começar a desenvolver tudo o que se refere a esse artigo, sinto-me tentado a citar a conhecida frase de Freud, quando se referiu às três profissões "impossíveis": analisar, educar e governar.
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, têm razão ao afirmar que a educação brasileira é a "pior do mundo", e propõe mudanças radicais e possíveis ao sistema educacional brasileiro.
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Sabe-se que temos hoje 19 milhões de analfabetos, 20 milhões de semi-analfabetos e 40 milhões de analfabetos funcionais (são aqueles que aprenderam a ler e não lêem).
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Entre as reformas preconizadas para o Brasil e a educação brasileira, seria originalíssimo pensar numa estratégia de marketing que valorizasse a vontade política do país, no sentido de dar à educação a precedência que lhe é devida. Só assim, viveríamos novos tempos de esperança, no setor que é fundamental para o nosso crescimento rápido e auto-sustentado.
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Em nome de uma pedagogia - construtivismo - alfabetizamos nossas crianças, nossos jovens, nossos velhos com um modismo educacional em regime falimentar, pelo excesso do paradigma psicológico.
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O Brasil não tem uma pedagogia. Tem várias, sobrepostas muitas vezes sem conexão umas com as outras. A história da pedagogia brasileira é uma espécie de colagem de modelos importados, que resulta em um quadro sem seqüência bem definida.Não existe uma pedagogia "pura", ou seja, sem influência de outras pedagogias ou do contexto social em que se desenvolve.
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Última moda é o construtivismo, que nem é método pedagógico, mas sim um conjunto de teorias psicológicas sobre as estratégias utilizadas pelo ser humano para construir o seu conhecimento. Afinal de contas, o que é construtivismo? Mais do que uma pedagogia. É uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do indivíduo no decorrer de sua vida. Surgiu a partir do trabalho do pesquisador suíço Jean Piaget (1896-1980), que mostrou que o ser humano é ativo na construção de seu conhecimento (daí o termo construtivismo) e não uma "massa disforme", a ser moldada pelo professor.
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No Brasil essa teoria é também muito influenciada pela Argentina Emília Ferreiro (que estudou como a criança constrói o conhecimento da leitura e da escrita) e do russo L.S.Vygotsky (que ressalta a influência dos outros e da cultura no processo de construção do conhecimento). Essas teorias mais recentes costumam ser agrupadas sob a denominação Construtivismo Pós-piagetiano. Derruba a noção clássica do erro, pois demonstra que criança formula hipóteses sobre o objeto de conhecimento e vai "ajustar" essas hipóteses durante a aprendizagem - portanto o erro é inerente a esse processo. No Brasil, o termo é muitas vezes usado de forma incorreta.
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De todas as atividades da sociedade, o magistério foi a que mais sofreu deteriorações. O professor foi vítima da falta de compreensão, por parte das autoridades governamentais, do papel que desempenha na sociedade. Ensinar quer dizer guiar, estimular e orientar o processo de aprendizagem. A transmissão do ensino não pode ser conformista e acomodada. Deve ser um esforço pessoal e técnico, competente no seu trabalho específico. O ensino deve despertar o interesse pelo conhecimento e estimular o impulso natural de aprender.

(*) Nelson Valente - é professor universitário, jornalista e escritor.

TOQUEDEPRIMA...

Sobel é preso acusado de furtar gravatas nos EUA
Felipe Gil, Direto de São Paulo, Redação Terra

O rabino Henry Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista, foi preso na última sexta-feira, dia 23, acusado de furtar quatro gravatas em três lojas de grife em Palm Beach, no estado da Flórida, Estados Unidos.

De acordo com o site do escritório do Xerife do condado de Palm Beach, Sobel foi preso sob três acusações por furto às lojas Louis Vitton, Gucci e Giorgio Armani. Ele teria pego quatro gravatas. O endereço dado por Sobel no departamento de polícia, em São Paulo, é mesmo do rabino.

As acusações estão sob os números 2007016314, 2007016315 e 2007016316. De acordo com o site, ele foi preso às 18h45 (horário local) de sexta e liberado às 15h30 de sábado, dia 24.

A Congregação Israelita Paulista informou que irá se manifestar sobre o caso nas próximas horas.

Sobel foi liberado no sábado após pagamento de fiança. Segundo o jornal Palm Beach Daily News, o valor foi de US$ 3 mil. Ainda segundo o jornal, um empregado da loja teria ligado para a polícia após suspeitar da atitude do homem.

O site do escritório do Xerife do condado de Palm Beach traz o registro fotográfico de Sobel na delegacia.

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Previsão política
Lauro Jardim, Radar, Veja online

De um veteraníssimo senador pefelista após a exibição, ontem, durante a convenção do DEM no Senado, de um filmete contando a história da nova legenda: "Isso é o começo do fim".

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Mea culpa

O governo certamente acha que o problema do transporte aéreo no Brasil é passageiro. Se não fossem os passageiros, o problema não existiria.

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O bicho papão do PT

“De tudo o que ocorre no Congresso Nacional pouco é publicado pela grande imprensa. E boa parte tem enfoque negativo e generalista, como se todos os parlamentares tivessem os mesmos interesses e atitudes.”

O alerta acima é uma das dicas contidas no Manual do Deputado Petista que será distribuído à bancada recém-eleita. A imprensa pós-mensalão é vista no novo manual com receio. "Às vezes, o enfoque negativo da imprensa sobre o Parlamento é reflexo do que se passa na opinião pública", diz o texto.

Como tratar os jornalistas:

- Vale lembrar que a rotatividade nos meios de comunicação é alta. O jornalista que hoje trabalha no pequeno jornal ou na rádio do interior pode, amanhã, ser contratado por um veículo maior.

- Há que se ter clara a diferença entre jornalista (trabalhador assalariado) com a empresa para a qual ele trabalha, para evitar conflitos desnecessários no relacionamento entre jornalistas e parlamentares.

Sobre a imprensa regional, a chamada pequena mídia:

- Embora a maioria desses órgãos seja subordinada a grupos políticos locais, muitos deles são hostis ao PT.

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A morte do jornal de papel

Para o jornalista americano Robert Cauthorn, pioneiro da informação on-line, a revolução digital nos meios de comunicação promete aposentar o jornalismo diário em papel em apenas uma geração. Segundo ele, a geração nascida com internet prescinde de folhear as páginas impressas do jornal. A mudança é só uma questão de os preços do "papel eletrônico" e das conexões sem fio chegarem a um nível acessível, disse ele em entrevista ao jornal francês "Le Monde" republicada ontem pela Folha de S. Paulo.

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Oposição desidratada
Do colunista político Ilimar Franco em O Globo:

"Desde as eleições de outubro a bancada da oposição está sangrando. No pleito, a oposição elegeu 153 deputados (PSDB 66, PFL 65 e PPS 22). Na posse, em fevereiro, eles já tinham menos dez (PSDB 64, PFL 62 e PPS 17). Hoje, a bancada de oposição é de 130 deputados (PSDB 58, PFL 58 e PPS 14). Os dirigentes da oposição sabem que seus partidos vão continuar minguando. O PR (ex-PL) tem sido o grande beneficiário dessas migrações."

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E lá se vão quatro meses...

"E lá se vão quatro meses sem que Lula complete a reforma do ministério que marcará o início do seu segundo governo. E nunca na história deste país presidente da República demorou tanto para fazer tão pouco".

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De deixar FHC no chinelo...
De Alan Gripp em O Globo:

"Nos quatro anos do primeiro governo Lula, o Ministério Público Federal moveu, em Brasília, proporcionalmente três vezes mais ações de combate à corrupção contra órgãos federais do que no período em que o país foi administrado pelo antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Procuradoria da República do Distrito Federal das ações civis públicas e de improbidade administrativa propostas pelo MP e acolhidas pela Justiça".

(o Ministério Público Federal foi apenas mais ativo no primeiro governo Lula do que no período FHC? Ou ele teve mais o que investigar e denunciar?)

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Avança a revolução à moda de Chávez

O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, anunciou ontem a desapropriação de mais de 330 mil hectares de terra agrícola. Trata-se de um novo marco em sua ofensiva contra os latifundiários. De princípio, a idéia é transformar essas propriedades privadas em cooperativas. "Passa a ser propriedade social para satisfazer as necessidades do povo", justificou Chávez.

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Blair adverte o Irã: "A situação é muito séria"

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, advertiu ontem o Irã sobre a gravidade da crise diplomática desatada pela captura de 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos por forças iranianas no Golfo Pérsico. “A situação é muito séria”, disse Blair , durante encontro de chefes de Estados em Berlim, na Alemanha, para comemorar os 50 anos da União Européia. “Espero que os iranianos entendam o quanto é fundamental essa questão para o governo da Grã-Bretanha”.

A fala criminosa e ignorante de uma ministra de estado !

Adelson Elias Vasconcellos

Até algum tempo atrás, no Brasil, quando uma autoridade do tipo presidente da república, ou ministro de estado, se punha a falar, a tergiversar sobre algum assunto de seu domínio intelectual, profissional e até cultural, mesmo que não concordássemos com a teoria de fundo, pelo menos se aprendia a pensar e falar primeiro com correção, segundo, com coerência e equilíbrio. Era sempre possível extrair algum ensinamento.

A partir da chegada de Lula à presidência, ditas autoridades em cada vez que se desdobram em apresentar suas “idéias”, ou até seu “princípios” e “teorias”, é um Deus nos acuda ! O pensamento superior, coerente e maduro que se tinha com outros, com Lula e seus sequazes, perdeu não apenas o brilho, mas a compostura. A falação é torta, vesga, esquizofrênica, um verdadeiro festival de gabolices e de tolices misturadas à sandices, que hoje, quando os ouço falar, a primeira reação é tentar esconder-me. Esconder-me de vergonha. Lula é insuperável no quesito, mas lhe seguem os passos Tarso Genro, este metido a filósofo de araque ou de coisa nenhuma, indivíduo que sempre precisa de um tradutor para tentar nos fazer entender os significados das barbaridades que profere. Seguem na mesma ótica vesga e turva, Dilma Roussef, ministro Marinho, Gilberto Gil, Furlan, agora já ex-ministro, e por aí afora.

Até aqui, agora se sabe, havia e ainda há no governo uma figurinha que resolveu sair do armário e mostrar sua face. Trata-se da ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade. Que, com todo o respeito que merece por ser ministra de estado, precisaria urgentemente ser processada, além é claro de demitida. Ou até faria melhor para sua biografia que pegasse o boné e fosse prá casa. Tudo por conta de sua entrevista à BBC Brasil, aonde, de forma criminosa incitou o racismo e o ódio racial, crime por sinal inafiançável.

Racismo, como sabemos e entendemos, é a separação e o isolamento social e físico entre pessoas e grupos humanos por motivos de raça, riqueza, educação, religião, profissão ou nacionalidade. É a segregação. Quem o pratica ou o incita, deve ser preso, por se tratar de um sentimento animalizado, inumano, verdadeira aberração. E aqui vale dizer que racismo não se dá apenas de um lado da estrada. Ele corre também em sentido contrário, isto é, tanto é racismo, por exemplo, o que se comete de brancos contra negros quanto o é também o de negros contra brancos.

Na entrevista o que disse a tal ministra responsável pela área da inclusão de raças e condução de programas e políticas de inclusão de minorias e promoção de igualdade ? Leiam a pergunta e a resposta:

BBC Brasil - E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?

Matilde Ribeiro - Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

A resposta além de delinqüente, revela a essência do próprio preconceito, é uma justificativa inaceitável para que um grupo se insurja contra outro. Brancos contra negros, para a ministra, é racismo, agora, aplicado no sentido inverso, isto é de negros contra brancos, é apenas “... reação natural...” Dê a ministra o apelido que quiser ao seu desarranjo e ranço ideológico, mas no português bem claro, sua resposta é sim um incitamento ao ódio racial. Até porque se a ministra fosse do tipo de autoridade que, antes de proferir tolices, procurasse se informar, pesquisasse com isenção para agregar conhecimentos sadios aos que se supõe que tenha para exercer o cargo que ocupa, veria que negros também praticam racismo, e contra si mesmos. Ou a ministra acha que a escravidão dos negros no Brasil ocorreu por causa de quê ? Acompanhada de um bom livro de história saberia, por exemplo, que os negros trazidos ao Brasil já tinha a condição de escravos de outros negros, que se achavam superiores, no solo africano. Portanto, não se venha agora dizer que apenas os brancos praticaram e submeteram os negros à escravidão, por isto não ser verdadeiro. E mesmo hoje, na África, o que se vê em muitos países é a prática assassina de racismo de negros contra negros, cada tribo tentando ser mais pura do que as outras, mais real do que aquelas que conseguem dominar. Revelou a ministra com sua resposta, uma ignorância imperdoável para justificar estar investida de um cargo que, no fundo, para o Brasil, poderia ser tranquilamente dispensado. Não praticamos o racismo nos mesmos níveis por exemplo do que se pratica nos Estados Unidos. Há, entre nós, um grande senso de preconceitos, e não apenas por questão racial. Há preconceitos de cor, de riqueza, que bem conhecemos no dia a dia. Preconceito ou racismo, a segregação acaba sendo a mesma, imposição um grupo humano sobre outro por razões de riqueza, de “nome de família”, por “fidalguia”, por “linhagem real”, por “pureza racial”, e por aí afora. E tanto um quanto outro se corrige com educação e conscientização. E não com a pratica do mesmo sentimento idiota em sentido oposto, cuja conseqüência é apenas acirrar ainda os preconceitos e o divisionismo..

Mudar este quadro jamais será possível invertendo-se a polaridade de sentimentos contrários.

Vai acontecer alguma coisa com a ministra ? Dificilmente. Este governo está repleto de baboseiras ideológicas que se perfilam na linha da idiotia, imbecilidade e ignorância. Fosse um branco dizendo a mesma barbaridade, e já haveria um exército de protestos e faixas e cartazes, gritaria e quebra-quebra pedindo a cabeça do defenestrado. Sendo, porém, ministra do governo Lula, mulher e negra, a ministra será poupada. E não faltará discurso para Lula ainda defender a ministra e suas tolices despropositadas. E isto dá bem o tom do regime em que vive o país, o da mediocridade, da inversão de valores, do aniquilamento da capacidade humana de sentir, agir, reagir e se indignar.
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Estamos enterrando toda uma geração na podridão e estupidez ideológicas, e achando tudo perfeitamente “natural”. Quando o crime avança e passa a ser cada mais abominável e hediondo, e se tem de outro lado, um presidente e ministro da justiça justificando a inação, omissão e negligência do Estado para com os criminosos e ainda culpando as vítimas e não os criminosos, então se tem bem a régua pela qual se regulam as relações imbecis de um governo que já jogou na lama sua própria ética, decência e compostura.

Não poderia a ministra Matilde, de forma e sob argumento nenhum, afirmar em entrevista, que aos negros é natural e normal se insurgirem contra os brancos. Com tal afirmação segregacionista, a ministra joga no lixo qualquer justificativa para manter-se no cargo, além de ser merecedora da abertura de ação de parte do Ministério Público, para que responda na justiça pelo crime praticado. Enquanto pessoa comum, a senhora Matilde Ribeiro tem direito de pensar e sentir o que bem entender, muito embora não se lhe concede o direito de alimentar tais sentimentos com grupos buscando incitar um comportamento criminoso comum a todo o grupo. Porém, estando investida de um cargo público, responsável justamente por combater o segregacionismo, o racismo e os preconceitos de todas as espécies e naturezas, sua afirmação é merecedora tanto de ação legal quanto de demissão sumária, além do total repúdio de parte da mesma sociedade para a qual deveria servir.

Porque, senhores, eu fosse negro, e nesta altura, acreditem, estaria me insurgindo contra esta ministra, porque a ninguém é dado o direito de incitar outras pessoas de uma determinada categoria a promover segregacionismo com pessoas de outras categorias. Sou contra a qualquer forma de racismo ou preconceito. Quem o pratica, e a lei é clara, deve ser preso, julgado e condenado à pena prevista. Lamento não pela ignorância da ministra, mas por este país ser governado por jumentos travestidos de estadistas, que, em ocasiões anteriores, em que auxiliares e ministros cometeram crimes, abençoou a todos e catalogou as ilegalidades na conta de “erros” dos companheiros. Não por outra razão o crime cresce de forma assustadora a cada dia: o exemplo que vem de cima, das ditas autoridades, é o da impunidade. Daí o porquê de insistentemente afirmar aqui que o Brasil vive um processo de desagregação social, levado pela mediocridade de uma linha ideológica fundada no divisionismo, no ressentimento, no ódio entre os indivíduos, no furto ao esforço coletivo de construção. Para quem acompanhou o nascimento e crescimento do petê até sua chegada ao poder, sabe que estes foram os pilares nos quais foi fundado e se ergueu. Portanto, não se estranha que muitos de seus membros ainda se perfilem apedeuticamente na sua ideologia de carniça. Aquela em que transfere culpas de sua própria incompetência para terceiros, em que apenas trata de caçar bruxas para os problemas existentes, e não de tomar atitudes e providências no sentido de corrigir estes erros. Um governo que passa o tempo todo transferindo culpas e justificando sua própria omissão, não está capacitado a servir ao país. Por isso, não apenas a ministra continuará ministra, mas ainda receberá “elogios” do seu chefe. Exatamente como acontece com o colega Waldir Pires, apesar do apagão aéreo. Exatamente com acontecera com tantos outros, o que nos faz reconhecer que este governo sempre sofrerá de um mesmo apagão comum a todos os seus membros: o moral.

ENQUANTO ISSO...

Rigotto é mau conselheiro

O ex-governador Germano Rigotto, que vai assessorar Lula na reforma tributária, não parece ser bom conselheiro. Deixou o governo gaúcho com a cuia na mão, após gastar R$ 250 milhões da Educação, em dezembro, para pagamentos diversos, até salários; descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, e arrasou o orçamento deste ano, com o aumento de R$ 1 bilhão do funcionalismo. Com um conselheiro assim, Lula não precisa de oposição.


Enquanto isso...


Sem dinheiro

Quebrado, o governo do Rio Grande do Sul só pagará até o dia 31 a quem recebe até R$ 2.500 ao mês. O restante só verá a cor do dinheiro no dia 10.

TOQUEDEPRIMA...

Criação de empregos cai 16% no mês de fevereiro

Foram registrados 148.019 novos empregos com carteira assinada no mês de fevereiro, segundo o Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados). No mesmo mês de 2006, foram gerados 176.632 novos postos, o que representa um declínio de 16% na criação de empregos.
No bimestre, o Caged registra as demissões e admissões. O resultado foi um saldo positivo de 253.487 empregos. O resultado do mesmo semestre do ano passado foi superior, com 268.248 novas admissões. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se declarou satisfeito com os números.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Observem há quantos anos, o Brasil vem mantendo este índice ao redor de 10%: já há mais de dez anos, pelo menos. Pois então, isto significa cerca de 10 milhões de pessoas desempregadas, pessoas que acabam alijadas do mercado consumidor, pessoas que ficam à deriva da sociedade, pessoas que acabam perdendo patrimônio muitas vezes conseguido com enormes sacrifícios, pessoas que se alimentarão mal, que ficarão doentes, que aumentarão o atendimento na rede hospitalar, pessoas que em razão da dificuldade, acabarão buscando a periferia para morarem por não poderem arcar com o custo de moradia melhor, que acabarão tendo que sacrificar a qualidade de vida sua e de seus filhos, estes entregues quase à própria sorte, além de todo o complexo de problemas familiares e desagregação social que o desemprego provoca. E isto se dá porque o país não cresce na medida de suas necessidades para reduzir o quanto puder este contingente enorme de pessoas sem perspectivas. Ora, era para o governo priorizar ao máximo a geração de novos empregos, facilitando o quanto pudesse a abertura de novas empresas, que só seria possível mediante um quadro favorável do ponto de vista fiscal tributário, juros, facilidade de crédito, redução da burocracia, incentivos fiscais, segurança jurídica e maciço investimento em infra-estrutura. Ora, um país que desperdiça o que o Brasil desperdiça em obras palacianas suntuosas e desnecessárias (vide o faraônico palácio novo de 330,0 milhões do TSE, em construção em Brasília – e apesar de já haver outro em uso), que tem um governo gastador e perdulário, um Estado paquidérmico que só sabe sugar as energias produtivas do país sem nada lhe oferecer em troca a não ser serviços públicos deprimentes e elevação da carga tributária, que consome uma enormidade em privilégios e corrupção, vai gerar o quê ? Mais miséria, mais pobreza, mais desemprego. E ainda por cima, diante de números tão indigestos e preocupantes, precisamos ouvir do ministro do Trabalho e Emprego se declarar satisfeito com estes números de horror ? Convenhamos, ter um moleque irresponsável destes cuidando de uma área tão estratégica, é o mesmo que não ter ninguém. Pelo menos não desperdiçaria custos correntes, e não entupiria nossos ouvidos com tanta vagabundagem !!!

E por falar no ministro Marinho,
Objeto decorativo

Se o ministro Luiz Marinho (Trabalho) ao menos telefonasse para lá saberia que estão mudos há cinco dias, por falta de pagamento, os telefones da Delegacia Regional do Trabalho do Rio.

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Cesar quer Dom João VI
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, surpreendeu sexta-feira passada o cônsul de Portugal, Antônio Almeida Lima, e a ex-ministra da Cultura daquele país, Maria João Espírito Santo, com mais um de seus factóides. Pediu ajuda das autoridades portuguesas para dar partida às negociações diplomáticas visando ao traslado dos restos mortais de Dom João VI e Dona Carlota Joaquina para o Rio de Janeiro. A chegada seria um dos pontos altos das comemorações, em março do ano que vem, dos 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil. Cesar alega que D. João é muito mais popular por aqui do que em Portugal. É no mínimo incomum países cederem restos mortais de seus ex-monarcas a outros.

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Promoção da Igualdade Racial é isso
Luiz Antonio Ryff, NoMínimo

Já ouviu falar de Matilde Ribeiro? Nem eu. Pois é a ministra titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Em entrevista à BBC Brasil – cujo título é: “Não é racismo se insurgir contra branco, diz ministra” – dona Matilde diz que considera natural a discriminação dos negros contra os brancos.

- A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Por esse raciocínio, por exemplo, a Europa, devastada por séculos de guerras entre suas nações e povos, nunca criaria a União Européia – viveria remoendo as atrocidades cometidas. Na mente da ministra, pelo jeito, todo branco foi senhor de engenho em uma vida passada. Haja engenho…

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Crise nos aeroportos não tem data para acabar

Apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter cobrado o dia e a hora para que o apagão aéreo chegue ao fim, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que "é impossível" fazer uma previsão deste tipo. "É uma previsão difícil de fazer, de dizer, dia 27, terça-feira, 10 horas vai estar tudo concluído, tudo certinho. Isso aí é impossível de se prever", declarou o brigadeiro.

Ele ressalvou, no entanto, que com as medidas que serão tomadas pela Anac, Aeronáutica e Infraero, "muita coisa será amenizada em curtíssimo prazo".

O brigadeiro José Carlos citou que, no caso da Infraero, quais as suas prioridades: aeroportos de São Paulo, Congonhas e Guarulhos. "Queremos pressa absoluta na conclusão dos trabalhos, pista, equipamentos, navegação, auxílio, tudo que for necessário Temos também que completar a instalação de três equipamentos VOR, que são vitais para a navegação aéreo", declarou.

Mas uma medida que poderá ajudar a deflagrar o processo de desmilitarização também será apresentada por José Carlos na reunião de amanhã: que todos os controladores de nível 1 de 22 aeroportos menores, passem a ser da Infraero. Com isso, 1500 controladores militares seriam liberados para voltar para a FAB. O brigadeiro não diz isso, mas este poderia ser um início do processo de desmilitarização.

Em seguida, as outras prioridades da Infraero são Galeão onde precisa recuperar rapidamente as luzes de aproximação, ILS balizamento, e em Curitiba, melhorar o ILS.

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Pomba fecha Congonhas por 14 minutos
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SÃO PAULO - Na manhã de ontem, uma pomba de cerca de 32 centímetros interrompeu todos os pousos e decolagens por 14 minutos no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. As operações foram suspensas após o piloto de um avião que pousou no terminal informar que havia um objeto na pista. Ao chegarem ao local, os funcionários perceberam que se tratava de uma pomba.
O trabalho de remoção durou das 9h41 às 9h55, mas isso não causou grandes transtornos aos passageiros. Dos 257 vôos programados ontem para Congonhas, 14 tiveram atrasos de mais de 45 minutos (5,5%). Segundo a Infraero, a parada para retirar qualquer objeto (ou animal) da pista é necessária para evitar acidentes. A Infraero já está ficando experiente no assunto. No último dia 19, as operações em Congonhas ficaram completamente suspensas das 7h49 às 8h17 por causa de um cachorro que invadiu a pista.

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Chá de aeroporto

O ministro Hélio Costa (Comunicações) tomou um chá de aeroporto de três horas, tentando viajar para Brasília. Ministro de Lula, aceitou bovinamente o apagão. Em outros tempos, faria comício no aeroporto de Confins.