Adelson Elias Vasconcellos
A pior estratégia para os momentos de dificuldades é, justamente, ignorar as dificuldades. E tanto pior quando se tenta culpar os outros pelas dificuldades que nos atingem.
Este é o caso do presidente brasileiro, legítimo representante do modelito “avestruz”. Durante meses, enquanto a crise ia contaminando o mundo inteiro, por aqui, o “sábio” fazia ares de pouco caso, afirmando que o país não seria atingido e que a nossa economia estava “blindada”. Quando finalmente os estragos começaram a afetar a atividade da economia interna, rapidamente o “sábio” sacou de seu repertório de sandices com a desculpa do “inimigo externo”. E o que torna o caso brasileiro mais dramático, são duas ações irresponsáveis do “sábio”: uma, em insistir na minimização da crise em relação ao país que diz governar e, outra, é incentivar que a população continue agindo como se vivêssemos o melhor dos mundos.
Lula assumiu o poder no melhor momento da economia mundial. O crédito era farto e barato, as demandas eram incentivadas a serem expandidas, o país já lograra êxito em combater as mazelas econômicas que o atormentaram por mais de 25 anos, domando a inflação, equilibrando as finanças públicas, e criando mecanismos de controle interno que assegurariam a continuidade das conquistas, dentre as quais a Lei de Responsabilidade tenha sido, talvez, a mais importante delas todas. Portanto, poderíamos ter avançado sobre outros males que serviam de entrave ao nosso pleno desenvolvimento. Apenas para citar um exemplo, destaco a Reforma tributária. Não é segredo para ninguém que a alta carga tributária tem sido um obstáculo bastante forte que, se não removido, torna tudo muito mais difícil.
O momento, portanto, para dar continuidade ao plano de reformas estratégicas, era muito propício. Arrecadação tributária em alta constante, atividade econômica em expansão, mercado internacional cada vez mais ávido de produtos dos quais o país tem fartura e qualidade para oferecer, no caso agropecuária e minerais: era o quadro ideal para o Estado promover uma ampla reforma tributária no sentido de aliviar a necessidade de crédito de curto prazo para as empresas no sentido de financiar seu capital de giro. E aqui, é preciso destacar que, presentemente, todas as empresas brasileiras, indústria, comércio e serviços, estão pagando mais impostos e, o doloroso, já pagam antecipadamente à geração das riquezas sobre as quais os impostos incidem. Assim, maior ainda é a necessidade dos empresários em irem ao mercado financeiro para tentar sustentar sua atividade. Como desgraça pouca é bobagem, no caso específico do Brasil, além da alta e injustificada carga tributária, somos castigados pelos juros mais altos do mundo. Pior cenário não pode haver. E, não é por outras razões, que o Brasil perde posições no ranking das nações mais competitivas do planeta, ano após ano.
Uma reforma tributária, se feita com seriedade, não apenas fornece oxigênio à própria atividade empresarial, que redundará na geração de mais emprego e renda. Ela obrigará o Estado, em todos os seus níveis, a ser mais racional nos seus gastos. E é justamente aí que o jogo se embaralha. Este governo não tem a menor preocupação em “racionalização de gastos”, até pelo contrário. E vejam: não são gastos sociais ou de investimentos em infra-estrutura. São gastos correntes corriqueiros, a maioria absoluta de pura ostentação e desperdício.
E tudo isto está sendo dito aqui, não por conta da crise. Pesquisem no arquivo do COMENTANDO A NOTÍCIA e vocês identificarão mais de uma dezena de artigos, afora os comentários sobre o tema, com os quais propúnhamos esta urgente reforma, não apenas na redução da carga, mas, obrigatoriamente, na dilatação dos prazos de recolhimento, uma insanidade sem paralelo no mundo desenvolvido.
É triste constatar que nada foi feito. É triste perceber, também, que à despeito do discurso presidencial, o Brasil não fez o seu dever de casa como deveria. E, neste caso, é justo esperar que a crise nos atinja e provoque estragos os quais, irremediavelmente, farão frear o ritmo de crescimento.
A questão cambial também não pode ser deixada de lado e, aqui, a ação governamental se fez sentir de forma indesculpável. Durante meses, aqui e inúmeros analistas, criticaram a valorização exagerada do real frente ao dólar americano, muito mais do que as principais moedas do mundo. Insistiam as autoridades em justificar com o grande volume de nossas exportações. Fosse assim, seria proibido exportar. Não, o excesso de dólares não se deu pelas exportações crescentes, e sim pelas altas taxas de juros que sempre insistiu em manter, o que serviu de porta escancarada para os capitais especulativos, chamados de capital motel, encharcarem nossa economia de dólares. Provinham de onde esta enxurrada? Justamente do circo que o senhor Luiz Inácio tanto condena. Aliás, já demonstramos aqui os benefícios que a ciranda financeira provocou. E quem mais, além do próprio governo Lula, é responsável pela política de juros do país?
Portanto, não é possível aceitar que agora, este mesmo governo, tente empurrar à terceiros as implicações que a crise financeira mundial acabará por atingir a economia brasileira. Agir apenas quando a crise já está instalada é um erro que tem nome e sobrenome.
A acomodação foi muito mais fruto da incapacidade de agir para melhorar o que já estava bom, como também, da omissão e medo de pagar o preço político que as reformas poderiam demandar aos índices de aprovação de um governo sem projeto de país. Erradamente, ficaram postergando o tal “dever de casa”, achando que a economia mundial iria continuar bombando a soldo. Estupidamente, nos deitamos sobre os louros de conquistas parciais ótimas, mas insuficientes para fazer o país sair de sua letargia. E até diria: houve muito mais ação do governo em “frear” o crescimento do que em incentivar um ritmo maior. E por quê? Simplesmente, e já se sabia disto há muito tempo, a infra-estrutura brasileira é insuficiente para atender um ritmo maior de crescimento da atividade econômica. Cito como exemplo, a capacidade de geração de energia. Não querendo pagar o ônus político por um apagão (que influenciou muito na eleição de Lula em 2002), jogamos fora quatro anos (primeiro mandato do “sábio”), sem investir um único centavo não apenas em geração de energia, mas também em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, além de errarmos a mão nas ações nos campos de segurança, saúde e educação.
Se em tempos de prosperidade a inércia e a omissão acomodaram o país numa situação em que se postergou irresponsavelmente as reformas vitais para um crescimento vigoroso, preocupados apenas em demonizar o passado e criar mitos mistificadores no presente, como forma de assegurar a continuidade de um projeto de poder, e não de país, talvez a crise atual nos obrigue a agir. O que se teme é que, as dificuldades que uma recessão mundial acabará impondo ao Brasil, resulte em reformas feitas às pressas e sem critérios, feitas na base da improvisação apenas para tampar buracos, tornando tudo muito pior.
Dissemos ontem que o país precisa de presidente não apenas para dias de festa, mas, e principalmente, para momentos de crise. Porém, em tais momentos, o que se pede é que o país seja governado com competência e não com leviandade. Que as iniciativas busquem muito mais o benefício do país como um todo, e não a preservação de índices de aprovação. A se tomar por base o comportamento do senhor Luiz Inácio, vai ser difícil ele descer do pedestal de arrogância e prepotência, para comandar esta transição com a postura de estadista. Ao invés de estar reunido com seus ministros da área econômica, o “sábio” valoriza muito mais um gabinete plantonista para acompanhar a eleição ou não de seus aliados políticos, como se isso servisse de escudo protetor.
Assim, a sensação que fica é a de que, ao invés da prudência necessária para ações necessárias, empacotadas ou não, no sentido de nos descolar da crise e seus efeitos danosos, estamos escolhendo o caminho que nos conduzirá ao centro do furacão cuja conseqüência ninguém deseja, ao contrário do que pensa Luiz Inácio. A bravata cretina de afirmar que “...A mágoa deles (dos americanos) e de alguns aqui dentro é de que o Brasil não quebrou...” é de uma imbecilidade dolorosa, muito próprio de quem não assume responsabilidades e, de forma imatura, sempre culpa terceiros por seus próprios erros.
O primeiro passo deveria ser no sentido de aceitar e entender a crise para, a partir deste ponto, traçar estratégias e ações necessárias para que o país não sofra tanto. Porque, queira o “sábio avestruz” ou não, o fato é que a crise financeira lá de fora, já atingiu a economia real aqui de dentro. Assim, se este for o espírito do “sábio”, que tem por dever de ofício governar o país ao longo desta tormenta, só resta rezar com muita fé e torcendo para que Deus, de fato, seja brasileiro. Do contrário...
A pior estratégia para os momentos de dificuldades é, justamente, ignorar as dificuldades. E tanto pior quando se tenta culpar os outros pelas dificuldades que nos atingem.
Este é o caso do presidente brasileiro, legítimo representante do modelito “avestruz”. Durante meses, enquanto a crise ia contaminando o mundo inteiro, por aqui, o “sábio” fazia ares de pouco caso, afirmando que o país não seria atingido e que a nossa economia estava “blindada”. Quando finalmente os estragos começaram a afetar a atividade da economia interna, rapidamente o “sábio” sacou de seu repertório de sandices com a desculpa do “inimigo externo”. E o que torna o caso brasileiro mais dramático, são duas ações irresponsáveis do “sábio”: uma, em insistir na minimização da crise em relação ao país que diz governar e, outra, é incentivar que a população continue agindo como se vivêssemos o melhor dos mundos.
Lula assumiu o poder no melhor momento da economia mundial. O crédito era farto e barato, as demandas eram incentivadas a serem expandidas, o país já lograra êxito em combater as mazelas econômicas que o atormentaram por mais de 25 anos, domando a inflação, equilibrando as finanças públicas, e criando mecanismos de controle interno que assegurariam a continuidade das conquistas, dentre as quais a Lei de Responsabilidade tenha sido, talvez, a mais importante delas todas. Portanto, poderíamos ter avançado sobre outros males que serviam de entrave ao nosso pleno desenvolvimento. Apenas para citar um exemplo, destaco a Reforma tributária. Não é segredo para ninguém que a alta carga tributária tem sido um obstáculo bastante forte que, se não removido, torna tudo muito mais difícil.
O momento, portanto, para dar continuidade ao plano de reformas estratégicas, era muito propício. Arrecadação tributária em alta constante, atividade econômica em expansão, mercado internacional cada vez mais ávido de produtos dos quais o país tem fartura e qualidade para oferecer, no caso agropecuária e minerais: era o quadro ideal para o Estado promover uma ampla reforma tributária no sentido de aliviar a necessidade de crédito de curto prazo para as empresas no sentido de financiar seu capital de giro. E aqui, é preciso destacar que, presentemente, todas as empresas brasileiras, indústria, comércio e serviços, estão pagando mais impostos e, o doloroso, já pagam antecipadamente à geração das riquezas sobre as quais os impostos incidem. Assim, maior ainda é a necessidade dos empresários em irem ao mercado financeiro para tentar sustentar sua atividade. Como desgraça pouca é bobagem, no caso específico do Brasil, além da alta e injustificada carga tributária, somos castigados pelos juros mais altos do mundo. Pior cenário não pode haver. E, não é por outras razões, que o Brasil perde posições no ranking das nações mais competitivas do planeta, ano após ano.
Uma reforma tributária, se feita com seriedade, não apenas fornece oxigênio à própria atividade empresarial, que redundará na geração de mais emprego e renda. Ela obrigará o Estado, em todos os seus níveis, a ser mais racional nos seus gastos. E é justamente aí que o jogo se embaralha. Este governo não tem a menor preocupação em “racionalização de gastos”, até pelo contrário. E vejam: não são gastos sociais ou de investimentos em infra-estrutura. São gastos correntes corriqueiros, a maioria absoluta de pura ostentação e desperdício.
E tudo isto está sendo dito aqui, não por conta da crise. Pesquisem no arquivo do COMENTANDO A NOTÍCIA e vocês identificarão mais de uma dezena de artigos, afora os comentários sobre o tema, com os quais propúnhamos esta urgente reforma, não apenas na redução da carga, mas, obrigatoriamente, na dilatação dos prazos de recolhimento, uma insanidade sem paralelo no mundo desenvolvido.
É triste constatar que nada foi feito. É triste perceber, também, que à despeito do discurso presidencial, o Brasil não fez o seu dever de casa como deveria. E, neste caso, é justo esperar que a crise nos atinja e provoque estragos os quais, irremediavelmente, farão frear o ritmo de crescimento.
A questão cambial também não pode ser deixada de lado e, aqui, a ação governamental se fez sentir de forma indesculpável. Durante meses, aqui e inúmeros analistas, criticaram a valorização exagerada do real frente ao dólar americano, muito mais do que as principais moedas do mundo. Insistiam as autoridades em justificar com o grande volume de nossas exportações. Fosse assim, seria proibido exportar. Não, o excesso de dólares não se deu pelas exportações crescentes, e sim pelas altas taxas de juros que sempre insistiu em manter, o que serviu de porta escancarada para os capitais especulativos, chamados de capital motel, encharcarem nossa economia de dólares. Provinham de onde esta enxurrada? Justamente do circo que o senhor Luiz Inácio tanto condena. Aliás, já demonstramos aqui os benefícios que a ciranda financeira provocou. E quem mais, além do próprio governo Lula, é responsável pela política de juros do país?
Portanto, não é possível aceitar que agora, este mesmo governo, tente empurrar à terceiros as implicações que a crise financeira mundial acabará por atingir a economia brasileira. Agir apenas quando a crise já está instalada é um erro que tem nome e sobrenome.
A acomodação foi muito mais fruto da incapacidade de agir para melhorar o que já estava bom, como também, da omissão e medo de pagar o preço político que as reformas poderiam demandar aos índices de aprovação de um governo sem projeto de país. Erradamente, ficaram postergando o tal “dever de casa”, achando que a economia mundial iria continuar bombando a soldo. Estupidamente, nos deitamos sobre os louros de conquistas parciais ótimas, mas insuficientes para fazer o país sair de sua letargia. E até diria: houve muito mais ação do governo em “frear” o crescimento do que em incentivar um ritmo maior. E por quê? Simplesmente, e já se sabia disto há muito tempo, a infra-estrutura brasileira é insuficiente para atender um ritmo maior de crescimento da atividade econômica. Cito como exemplo, a capacidade de geração de energia. Não querendo pagar o ônus político por um apagão (que influenciou muito na eleição de Lula em 2002), jogamos fora quatro anos (primeiro mandato do “sábio”), sem investir um único centavo não apenas em geração de energia, mas também em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, além de errarmos a mão nas ações nos campos de segurança, saúde e educação.
Se em tempos de prosperidade a inércia e a omissão acomodaram o país numa situação em que se postergou irresponsavelmente as reformas vitais para um crescimento vigoroso, preocupados apenas em demonizar o passado e criar mitos mistificadores no presente, como forma de assegurar a continuidade de um projeto de poder, e não de país, talvez a crise atual nos obrigue a agir. O que se teme é que, as dificuldades que uma recessão mundial acabará impondo ao Brasil, resulte em reformas feitas às pressas e sem critérios, feitas na base da improvisação apenas para tampar buracos, tornando tudo muito pior.
Dissemos ontem que o país precisa de presidente não apenas para dias de festa, mas, e principalmente, para momentos de crise. Porém, em tais momentos, o que se pede é que o país seja governado com competência e não com leviandade. Que as iniciativas busquem muito mais o benefício do país como um todo, e não a preservação de índices de aprovação. A se tomar por base o comportamento do senhor Luiz Inácio, vai ser difícil ele descer do pedestal de arrogância e prepotência, para comandar esta transição com a postura de estadista. Ao invés de estar reunido com seus ministros da área econômica, o “sábio” valoriza muito mais um gabinete plantonista para acompanhar a eleição ou não de seus aliados políticos, como se isso servisse de escudo protetor.
Assim, a sensação que fica é a de que, ao invés da prudência necessária para ações necessárias, empacotadas ou não, no sentido de nos descolar da crise e seus efeitos danosos, estamos escolhendo o caminho que nos conduzirá ao centro do furacão cuja conseqüência ninguém deseja, ao contrário do que pensa Luiz Inácio. A bravata cretina de afirmar que “...A mágoa deles (dos americanos) e de alguns aqui dentro é de que o Brasil não quebrou...” é de uma imbecilidade dolorosa, muito próprio de quem não assume responsabilidades e, de forma imatura, sempre culpa terceiros por seus próprios erros.
O primeiro passo deveria ser no sentido de aceitar e entender a crise para, a partir deste ponto, traçar estratégias e ações necessárias para que o país não sofra tanto. Porque, queira o “sábio avestruz” ou não, o fato é que a crise financeira lá de fora, já atingiu a economia real aqui de dentro. Assim, se este for o espírito do “sábio”, que tem por dever de ofício governar o país ao longo desta tormenta, só resta rezar com muita fé e torcendo para que Deus, de fato, seja brasileiro. Do contrário...