quarta-feira, outubro 08, 2008

O presidente Avestruz da Terra de Santa Cruz

Adelson Elias Vasconcellos

A pior estratégia para os momentos de dificuldades é, justamente, ignorar as dificuldades. E tanto pior quando se tenta culpar os outros pelas dificuldades que nos atingem.

Este é o caso do presidente brasileiro, legítimo representante do modelito “avestruz”. Durante meses, enquanto a crise ia contaminando o mundo inteiro, por aqui, o “sábio” fazia ares de pouco caso, afirmando que o país não seria atingido e que a nossa economia estava “blindada”. Quando finalmente os estragos começaram a afetar a atividade da economia interna, rapidamente o “sábio” sacou de seu repertório de sandices com a desculpa do “inimigo externo”. E o que torna o caso brasileiro mais dramático, são duas ações irresponsáveis do “sábio”: uma, em insistir na minimização da crise em relação ao país que diz governar e, outra, é incentivar que a população continue agindo como se vivêssemos o melhor dos mundos.

Lula assumiu o poder no melhor momento da economia mundial. O crédito era farto e barato, as demandas eram incentivadas a serem expandidas, o país já lograra êxito em combater as mazelas econômicas que o atormentaram por mais de 25 anos, domando a inflação, equilibrando as finanças públicas, e criando mecanismos de controle interno que assegurariam a continuidade das conquistas, dentre as quais a Lei de Responsabilidade tenha sido, talvez, a mais importante delas todas. Portanto, poderíamos ter avançado sobre outros males que serviam de entrave ao nosso pleno desenvolvimento. Apenas para citar um exemplo, destaco a Reforma tributária. Não é segredo para ninguém que a alta carga tributária tem sido um obstáculo bastante forte que, se não removido, torna tudo muito mais difícil.

O momento, portanto, para dar continuidade ao plano de reformas estratégicas, era muito propício. Arrecadação tributária em alta constante, atividade econômica em expansão, mercado internacional cada vez mais ávido de produtos dos quais o país tem fartura e qualidade para oferecer, no caso agropecuária e minerais: era o quadro ideal para o Estado promover uma ampla reforma tributária no sentido de aliviar a necessidade de crédito de curto prazo para as empresas no sentido de financiar seu capital de giro. E aqui, é preciso destacar que, presentemente, todas as empresas brasileiras, indústria, comércio e serviços, estão pagando mais impostos e, o doloroso, já pagam antecipadamente à geração das riquezas sobre as quais os impostos incidem. Assim, maior ainda é a necessidade dos empresários em irem ao mercado financeiro para tentar sustentar sua atividade. Como desgraça pouca é bobagem, no caso específico do Brasil, além da alta e injustificada carga tributária, somos castigados pelos juros mais altos do mundo. Pior cenário não pode haver. E, não é por outras razões, que o Brasil perde posições no ranking das nações mais competitivas do planeta, ano após ano.

Uma reforma tributária, se feita com seriedade, não apenas fornece oxigênio à própria atividade empresarial, que redundará na geração de mais emprego e renda. Ela obrigará o Estado, em todos os seus níveis, a ser mais racional nos seus gastos. E é justamente aí que o jogo se embaralha. Este governo não tem a menor preocupação em “racionalização de gastos”, até pelo contrário. E vejam: não são gastos sociais ou de investimentos em infra-estrutura. São gastos correntes corriqueiros, a maioria absoluta de pura ostentação e desperdício.

E tudo isto está sendo dito aqui, não por conta da crise. Pesquisem no arquivo do COMENTANDO A NOTÍCIA e vocês identificarão mais de uma dezena de artigos, afora os comentários sobre o tema, com os quais propúnhamos esta urgente reforma, não apenas na redução da carga, mas, obrigatoriamente, na dilatação dos prazos de recolhimento, uma insanidade sem paralelo no mundo desenvolvido.

É triste constatar que nada foi feito. É triste perceber, também, que à despeito do discurso presidencial, o Brasil não fez o seu dever de casa como deveria. E, neste caso, é justo esperar que a crise nos atinja e provoque estragos os quais, irremediavelmente, farão frear o ritmo de crescimento.

A questão cambial também não pode ser deixada de lado e, aqui, a ação governamental se fez sentir de forma indesculpável. Durante meses, aqui e inúmeros analistas, criticaram a valorização exagerada do real frente ao dólar americano, muito mais do que as principais moedas do mundo. Insistiam as autoridades em justificar com o grande volume de nossas exportações. Fosse assim, seria proibido exportar. Não, o excesso de dólares não se deu pelas exportações crescentes, e sim pelas altas taxas de juros que sempre insistiu em manter, o que serviu de porta escancarada para os capitais especulativos, chamados de capital motel, encharcarem nossa economia de dólares. Provinham de onde esta enxurrada? Justamente do circo que o senhor Luiz Inácio tanto condena. Aliás, já demonstramos aqui os benefícios que a ciranda financeira provocou. E quem mais, além do próprio governo Lula, é responsável pela política de juros do país?

Portanto, não é possível aceitar que agora, este mesmo governo, tente empurrar à terceiros as implicações que a crise financeira mundial acabará por atingir a economia brasileira. Agir apenas quando a crise já está instalada é um erro que tem nome e sobrenome.

A acomodação foi muito mais fruto da incapacidade de agir para melhorar o que já estava bom, como também, da omissão e medo de pagar o preço político que as reformas poderiam demandar aos índices de aprovação de um governo sem projeto de país. Erradamente, ficaram postergando o tal “dever de casa”, achando que a economia mundial iria continuar bombando a soldo. Estupidamente, nos deitamos sobre os louros de conquistas parciais ótimas, mas insuficientes para fazer o país sair de sua letargia. E até diria: houve muito mais ação do governo em “frear” o crescimento do que em incentivar um ritmo maior. E por quê? Simplesmente, e já se sabia disto há muito tempo, a infra-estrutura brasileira é insuficiente para atender um ritmo maior de crescimento da atividade econômica. Cito como exemplo, a capacidade de geração de energia. Não querendo pagar o ônus político por um apagão (que influenciou muito na eleição de Lula em 2002), jogamos fora quatro anos (primeiro mandato do “sábio”), sem investir um único centavo não apenas em geração de energia, mas também em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, além de errarmos a mão nas ações nos campos de segurança, saúde e educação.

Se em tempos de prosperidade a inércia e a omissão acomodaram o país numa situação em que se postergou irresponsavelmente as reformas vitais para um crescimento vigoroso, preocupados apenas em demonizar o passado e criar mitos mistificadores no presente, como forma de assegurar a continuidade de um projeto de poder, e não de país, talvez a crise atual nos obrigue a agir. O que se teme é que, as dificuldades que uma recessão mundial acabará impondo ao Brasil, resulte em reformas feitas às pressas e sem critérios, feitas na base da improvisação apenas para tampar buracos, tornando tudo muito pior.

Dissemos ontem que o país precisa de presidente não apenas para dias de festa, mas, e principalmente, para momentos de crise. Porém, em tais momentos, o que se pede é que o país seja governado com competência e não com leviandade. Que as iniciativas busquem muito mais o benefício do país como um todo, e não a preservação de índices de aprovação. A se tomar por base o comportamento do senhor Luiz Inácio, vai ser difícil ele descer do pedestal de arrogância e prepotência, para comandar esta transição com a postura de estadista. Ao invés de estar reunido com seus ministros da área econômica, o “sábio” valoriza muito mais um gabinete plantonista para acompanhar a eleição ou não de seus aliados políticos, como se isso servisse de escudo protetor.

Assim, a sensação que fica é a de que, ao invés da prudência necessária para ações necessárias, empacotadas ou não, no sentido de nos descolar da crise e seus efeitos danosos, estamos escolhendo o caminho que nos conduzirá ao centro do furacão cuja conseqüência ninguém deseja, ao contrário do que pensa Luiz Inácio. A bravata cretina de afirmar que “...A mágoa deles (dos americanos) e de alguns aqui dentro é de que o Brasil não quebrou...” é de uma imbecilidade dolorosa, muito próprio de quem não assume responsabilidades e, de forma imatura, sempre culpa terceiros por seus próprios erros.

O primeiro passo deveria ser no sentido de aceitar e entender a crise para, a partir deste ponto, traçar estratégias e ações necessárias para que o país não sofra tanto. Porque, queira o “sábio avestruz” ou não, o fato é que a crise financeira lá de fora, já atingiu a economia real aqui de dentro. Assim, se este for o espírito do “sábio”, que tem por dever de ofício governar o país ao longo desta tormenta, só resta rezar com muita fé e torcendo para que Deus, de fato, seja brasileiro. Do contrário...

Crise contaminou a economia real

William Waack, Portal G1

Na cronologia da crise internacional esta quinta-feira (2/10) provavelmente entra para a história como o dia no qual ficou bastante claro que a catástrofe no sistema financeiro pegou também a chamada economia real – e espalha-se rapidamente dos Estados Unidos e Europa para a Ásia e para os países emergentes, entre eles o Brasil.

Costuma-se usar o termo “contágio” para descrever o processo pelo qual sucessivamente as economias dos diversos países vão se contraindo, por força de expectativas negativas e por culpa da falência do sistema internacional de crédito. Mas “contágio” sugere que seria possível evitar a “doença”, desde que a potencial vítima lograsse manter-se isolada do foco de infecção (no caso, a economia americana).

É pura bobagem, e das perigosas, pois ofusca o que deveria ser feito e retarda a adoção de medidas de defesa. Querem um exemplo recente de como uma recessão de proporções internacionais afetou inclusive os participantes de um sistema que se considerava rival ao capitalismo? Os choques do petróleo de 1973 e 1979, que tanto dano trouxeram às economias ocidentais, devastaram também as trocas comerciais dos países da órbita soviética com o mundo capitalista.

A ilusão de que aquele grupo de países pudesse viver de maneira “autárquica” foi rapidamente destruída. Alguns, como a Polônia, foram tomar dinheiro emprestado de banqueiros ocidentais. Outros, como a Alemanha Oriental, quiseram desenvolver o próprio chio de processamento, investindo o pouco que tinham numa corrida perdida. A implosão do bloco socialista teve como uma de suas causas mais profundas a incapacidade daquele sistema de competir no cenário global.

Essa digressão pela história recente serve apenas para alertar para o fato de que podemos jogar no lixo a noção de “desacoplamento”. Quanto mais avançado e competitivo é um sistema econômico nacional, mais ele será afetado pela crise. Portanto, é o Brasil exportador, inovador e conectado com a economia global que enfrentará as piores conseqüências. E é esse país moderno – indústria, agrobusiness, serviços e competitivos exportadores de commodities minerais – que garantiu nossa prosperidade até aqui.
“Schadenfreude”, uma palavra alemã que conquistou a imprensa anglo-saxã, significa em português alegria pela desgraça alheia. O “New York Times” desta quinta destaca o fato de que muitos governantes latino americanos, entre eles Chávez, Morales, Correa, Kirchner e Lula, deixaram-se levar pela “schadenfreude” em relação à crise nos Estados Unidos. E, agora, estão deixando-se levar pelo medo.

Crises do tamanho atual não conhecem fronteiras ideológicas e nem respeitam esse senso de “justiça histórica” (pura bobagem retórica). Não adiante dizer “eles são os culpados, nós pobres fizemos tudo certo e não é justo que a gente sofra”. Crises têm outro aspecto tenebroso: elas tornam evidentes sobretudo as vulnerabilidades dos participantes da economia globalizada.

Temo que a crise internacional nos cobrará aquilo que não soubemos fazer quando a boa maré da economia mundial nos favorecia: reforma tributária, reforma política, melhor educação, investimento pesado em infraestrutura – em outras palavras, tudo aquilo que aumenta o custo Brasil e impede que o País possa ser mais competitivo. E não é consolo algum, para ninguém, dizer que a culpa é dos outros

Crise é uma coisa, lambança é outra

Elio Gaspari, Folha de São Paulo

Empresário que estava nadando nu na maré não deve pedir roupa nova ao governo

As crises econômicas são ruins em si. Adicionar à sua discussão uma opção preferencial da ignorância é covardia. Teorias como a "marola" de Nosso Guia e a "pequenininha gripe" de Dilma Rousseff ofendem a inteligência alheia. O mesmo sucede quando o governo diz que pretende aliviar "bancos pequenos". Não existe "banco pequeno". Há bancos solventes e insolventes, como se o adjetivo "pequeno" inspirasse sentimentos misericordiosos capazes de aprovar a criação de um Bolsa Banca.

É o bilionário Warren Buffett (US$ 50 bilhões de patrimônio) quem ensina: "Quando a maré baixa é que você vê quem estava nadando nu". Em matéria de sabedoria, é sempre bom lembrar o que dizia o professor Mário Henrique Simonsen: "O problema mais difícil do mundo, se for corretamente enunciado, um dia poderá ser resolvido. Já o problema mais fácil, ao ser mal apresentado, é irremediavelmente insolúvel".

Quando Nosso Guia diz que a Aracruz e a Sadia perderam dinheiro porque "estavam especulando contra a moeda brasileira", o problema agrava-se, por mal enunciado. Primeiro, elas não estavam especulando. São duas grandes empresas exportadoras, uma de celulose e a outra, de alimentos. É legítimo e até mesmo razoável que protejam suas operações de câmbio. Resguardaram-se supondo que o dólar não passaria de um determinado teto (talvez R$ 1,80) e perderam. A Aracruz tomou um tiro de R$ 1,95 bilhão e a Sadia perdeu pelo menos R$ 760 milhões.

Admita-se que essas operações fossem especulativas. Mesmo assim, e aí é que o problema se agrava, elas estariam especulando a favor do real forte, sobrevalorizado, com o dólar a R$ 1,50. Quando o presidente de uma República mistura as coisas de forma tão primitiva, o problema de um país é bem maior do que os R$ 2,7 bilhões perdidos pelas duas empresas.

A duas, e sabe-se lá quantas outras, estavam nadando sem roupa. A Aracruz já informou que "contratou assessoria especializada para a realização de auditoria específica" para "verificar se foram observadas suas políticas internas". No caso da Sadia, as repórteres Stela Campos, Alda do Amaral Rocha e Ana Paula Ragazzi já revelaram que a diretoria financeira da empresa estava ligada diretamente ao Conselho de Administração, presidido por Walter Fontana, da família do fundador da empresa. Se uma lanchonete de rodoviária tiver um caixa que responde a um parente do dono e não presta contas ao gerente, ninguém precisará pensar muito para intuir o que se passa atrás do balcão.

Felizmente, tanto a Aracruz como a Sadia têm ações cotadas na Bolsa de Nova York e estão obrigadas a respeitar normas básicas de governança. Em 2006, a Sadia tentou comprar um dos seus maiores concorrentes, a Perdigão. Meses depois o ex-diretor financeiro da Sadia negociou um acordo com a Securities and Exchange Commission, que fiscaliza a Bolsa americana e pagou US$ 135 mil para encerrar um processo por manipulação de informações privilegiadas.

Casos como esses derivam da crise apenas no sentido da baixa da maré, ou da vigilância dos mecanismos reguladores dos Estados Unidos. Haverá outros. O pior que poderá acontecer à credibilidade da economia brasileira será o acobertamento de malfeitorias varrendo-as para baixo do auriverde pendão da esperança.

ENQUANTO ISSO...

Petrobras: a que mais perdeu valor de mercado nas Américas
Tribuna da Imprensa

SÃO PAULO - A Petrobras foi a companhia petrolífera que mais perdeu valor de mercado nas Américas desde o pico histórico do preço do petróleo, de US$ 145,29 o barril, registrado em 3 de julho deste ano. Após o fechamento da última segunda-feira, o valor de mercado da companhia brasileira era de US$ 145,81 bilhões, apresentando uma queda de US$ 115,56 bilhões entre a data do recorde do óleo e 6 de outubro, segundo levantamento da Economática. No mesmo intervalo, o preço do petróleo caiu mais de 38% no mercado internacional.

A perda da estatal é mais que o dobro da redução do valor de mercado apresentada pela americana Exxon Mobil no mesmo período, a segunda maior do setor, que foi de US$ 56,87 bilhões. Chevron e ConocoPhillips, também norte-americanas, aparecem logo em seguida, com perdas de US$ 44,76 bilhões e US$ 41,18 bilhões, respectivamente.

A brasileira OGX aparece na 11ª posição, com uma perda de US$ 15,01 bilhões em valor de mercado. A petroleira de Eike Batista viu seu valor de mercado derreter de US$ 20,28 bilhões, em 3 de julho, menos de um mês após o IPO histórico, para US$ 5,27 bilhões.

A forte queda das ações da companhia, que somente em 2008 desvalorizaram mais de 30%, resultou na perda do segundo lugar no ranking das maiores empresas do setor, em valor de mercado. Em maio, mês do pico da Bolsa paulista, a Petrobras desbancou a Chevron na vice-liderança e ultrapassou gigantes de outros setores em valor de mercado, como a Microsoft.

Segunda-feira, a Chevron já aparecia em segundo lugar na lista das petrolíferas, com uma capitalização de US$ 157,86 bilhões, à frente da brasileira. A Exxon, por sua vez, é avaliada em US$ 401,6 bilhões.

Desde o agravamento da crise financeira nos Estados Unidos, em 15 de setembro, quando foi anunciado o pedido de concordata do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, o valor de mercado da estatal brasileira teve uma redução de US$ 16,92 bilhões. Por ser a empresa mais negociada na Bovespa, a Petrobras sofreu mais do que as suas concorrentes no mercado internacional com a turbulência dos mercados.

"A Petrobras foi mais influenciada pelo fato de ser a maior empresa da Bolsa brasileira e, portanto, de mais fácil realização", afirma o analista de petróleo do Banco do Brasil Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos. A liquidez elevada do papel possibilita a saída mais ágil dos investidores da Bolsa pela Petrobras. Para se ter uma idéia do volume movimentado pelas ações da estatal, segunda-feira o giro financeiro de Petrobras PN foi de R$ 1 bilhão, o equivalente a 19% do volume da Bolsa, que ficou em R$ 5,27 bilhões.

A visão da companhia é a mesma. "A Petrobras, assim como a Vale, são as empresas mais líquidas na Bovespa e, em momentos de crise como estamos vivendo atualmente, os investidores acabam vendendo essas ações de mercados emergentes para recompor suas perdas nos demais mercados acionários", declarou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.

Apesar da forte influência do chamado "movimento de manada" nas ações da Petrobras, os números da Economática indicam que as perdas ficaram concentradas no período que antecedeu a fase mais crítica da crise. Somente entre 3 de julho e 15 de setembro, o valor de mercado da Petrobras caiu US$ 98,63 bilhões. Também foi neste período que os seus pares perderam mais: ExxonMobil (US$ 78 bilhões), Chevron (US$ 38 bilhões) e ConocoPhillips (US$ 35 bilhões).

Pré-sal: incertezas podem ter influenciado
Na avaliação do analista do BBI, outros fatores também podem ter influenciado o comportamento das ações da Petrobras, como as incertezas em relação a mudanças no modelo de exploração para a área pré-sal. "Nos últimos meses, chegou-se a cogitar a possibilidade de as áreas já licitadas serem retomadas, o que foi um sinal muito negativo para a ação", disse Matos.

Apesar de a queda no preço da commodity ser um fator negativo para a empresa na Bolsa, em razão da elevada correlação entre o preço do petróleo e as ações, a tendência de baixa para o óleo ainda não preocupa do ponto de vista de investimento. "Trata-se de um efeito de curto prazo. Os campos do pré-sal só vão começar a produzir daqui a quatro, cinco anos. Ninguém consegue prever quanto vai estar o petróleo nesse período", afirmou o analista.

Executivos da Petrobras calculam o preço de US$ 35 por barril como piso para garantir a viabilidade do projeto piloto de Tupi. A avaliação de analistas é de que a escassez de crédito ocasionada pela crise financeira é o aspecto mais preocupante para a Petrobras, em razão dos elevados investimentos necessários para a exploração do pré-sal.

"A Petrobras gera muita receita e pode tocar os investimentos nos próximos anos com o caixa próprio. Mas o patamar de investimento dela vai crescer de forma significativa e se a crise durar muito, ela vai acabar sendo atingida, assim como as outras empresas", disse Matos.

Para o longo prazo, a percepção de especialistas é de que as ações da Petrobras continuam sendo um bom investimento, em razão das perspectivas positivas para geração de caixa e retorno dos novos projetos da companhia. "Os papéis de primeira linha, como os da Petrobras, devem ser os primeiros a voltar em um momento de recuperação", avalia a equipe de análise da SLW Corretora.

A casa trabalha com preço-alvo de R$ 60 para as preferenciais de Petrobras, o que indica um potencial de valorização de 100% para o papel, considerando a cotação de fechamento de ontem (a PN encerrou a R$ 30). No entanto, novas previsões para o preço do petróleo devem ser incorporadas em breve por especialistas nos cálculos de preço-alvo para os papéis da estatal.

Outros fatores que devem ser considerados pelos analistas na revisão de suas expectativas para as ações são o novo planejamento estratégico da companhia, cuja divulgação está prevista para este mês, e a definição do modelo de exploração para o pré-sal, que também deve ser apresentado em outubro.

Enquanto isso...

Gabrielli diz que Petrobras não aceitará exigência do Equador
Kelly Lima e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo

Presidente da estatal se diz surpreso diante das ameaças de expulsão e afirma que não assinará novo contrato

ANGRA DOS REIS - O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em sua primeira declaração sobre o incidente no Equador desde as ameaças de expulsão da empresa daquele país, disse nesta terça-feira, 7, ter ficado surpreso com a atitude do presidente equatoriano, Rafael Correa. Ele afirmou, porém, que a empresa não vai aceitar assinar um contrato de prestação de serviços, como quer o Equador. "Nas relações internas, da empresa com o governo, não vejo grandes problemas. Há uma discussão a respeito do bloco 18 e do OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado, em espanhol)", afirmou o executivo, durante o lançamento da plataforma P-51, em Angra dos Reis.

O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que minimizou o impasse sobre a permanência ou não da Petrobrás no Equador. "Precisamos saber se o Equador quer ter ou não a Petrobrás e se a Petrobrás, pelas reservas que tem lá, acha que vale a pena continuar a investir lá", comentou Lula.

Esta semana o governo equatoriano fechou um pré-acordo para a redefinição de contratos com as empresas petrolíferas Repsol-YPF, da Espanha, e Perenco, da França. De exploradoras do recurso natural as empresas passaram a figurar como prestadoras de serviço para o governo equatoriano. A companhia chinesa Andes Petroleum já havia aceitado renegociar seus contratos. Com isso, a Petrobrás ficou isolada nas negociações com Quito e recebeu ameaça de expulsão do país por não se adequar às novas regras.

Lula reiterou que o assunto ainda está na esfera comercial, de negociações entre as estatais brasileira equatoriana. "Se o tema ganhar a esfera política, disse o presidente, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério de Relações Exteriores deverão entrar na discussão. Lula frisou, porém, que o Equador continua sendo parceiro estratégico do Brasil.

A Petrobrás já havia devolvido o Bloco 31 ao governo equatoriano por ele estar localizado em uma reserva indígena. A estatal havia recebido licença ambiental para operar na área, mas quando o governo de Rafael Correa assumiu, questionou esta licença. O bloco 18 está localizado próximo ao local, assim como o oleoduto.

Paciência
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, voltou a defender ontem tranqüilidade nas negociações. "É importante ter um pouco de paciência", disse o diplomata, lembrando que o Equador vive um clima eleitoral. "O país tem processo eleitoral. As pessoas falam. Então deixa pra lá um pouquinho", disse Amorim, após assinar acordo para entrada do Brasil como observador regional no sistema de integração da América Central (Cica, na sigla em espanhol).

O ministro afirmou que não é favorável a se negociar pela mídia. "Acho que às vezes há um excesso de declarações." Ele disse ainda que esse tipo de assunto é mais negociado diretamente pela empresa.

O ministro de Minas e Petróleo do Equador, Galo Chiriboga, advertiu anteontem a Petrobrás de que revogará seu contrato de exploração do Bloco 18, na Amazônia equatoriana, se a empresa não respeitar as políticas do governo e aceitar "no menor tempo possível" um novo acordo sobre suas operações na região.

Assinado em 2001, o contrato termina em 2022. No início de setembro, o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a renegociação de todos os contratos com as petroleiras estrangeiras, que atualmente exploram quase metade dos campos do país e ficam com 82% da receita do petróleo. (Com Adriana Chiarini, da Agência Estado)

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Os fatos recentes comprovam que, policatagem praticada como “estratégia comercial” é o pior dos caminhos que se pode escolher. A perda de valor de mercado da Petrobrás não se justifica apenas “por questões de mercado”, há muita cretinice escondida aí.

Capitalismo de mentirinha

João Luiz Mauad, Mídia Sem Máscara

“Government is not the solution to the problem. Government IS the problem.” (Ronald Reagan)

No decorrer de uma dessas crises recorrentes do capitalismo, durante os anos 80, o então presidente Reagan, instado a fazer o Estado salvar a economia do cataclismo que se anunciava pela mídia, formulou a famosa frase que até hoje reverbera no mundo liberal como uma das mais lúcidas e criativas tiradas do ex-presidente: “na crise atual, o governo não é a solução para os nossos problemas; o governo É o problema”.

Se vivo fosse, provavelmente estaria dizendo hoje a mesma coisa. Embora as viúvas do comunismo insistam em maldizer o mercado e a ganância dos agentes econômicos pelas mazelas por que passa o setor financeiro mundial, e proclamem que é chegada a hora de o todo-poderoso Estado-babá colocar ordem na casa, a verdade é que os referidos problemas têm início, meio e fim nas ações (e regulamentações) equivocadas do Tio Sam, as quais disseminaram incentivos institucionais nocivos entre os agentes, que acabaram por desvirtuar, durante quase três décadas, a eficiente alocação dos recursos no mercado.

Como muito bem colocou o economista Lawrance H. White, “culpar a ganância dos agentes pelo problema é o mesmo que culpar a força da gravidade pela queda de um avião”. Tal qual a gravidade nos eventos de natureza física, a ganância estará quase sempre presente nas interações dos indivíduos no mercado. Se o problema estivesse na ganância, portanto, nem só o setor financeiro estaria atingido, mas o mercado como um todo. Aliás, de forma geral, as trocas no mercado seriam impossíveis se precisássemos afastar a ganância humana para que elas se realizassem.

Por outro lado, para qualquer analista sério, não resta dúvida de que a origem da atual crise está intimamente relacionada às “ações afirmativas” dos recentes governos norte-americanos, a começar pela paternidade desses dois monstrengos gêmeos – que respondem pela alcunha de Freddie Mac e Fannie May – cujo caráter peculiar de empresas privadas implicitamente patrocinadas pelo governo, aliado à demagogia dos políticos em querer tornar em realidade o sonho da casa própria a cada americano, tudo isso temperado por uma política monetária frouxa, acabou gerando a famigerada bolha imobiliária que acaba de estourar.

Em meu último artigo, contei a história das duas estrovengas híbridas, meio peixe, meio mulher, digo, meio públicas, meio privadas, e como elas se valeram de sua situação especial para tomar e emprestar dinheiro barato. O que eu não contei ainda foi que os políticos também apropriaram-se delas para colocar em ação suas políticas demagógicas e ações assistencialistas.

Tudo começou em 1977, quando o então governo socialista de Jimmy Carter criou o chamado Comunity Reinvestment Act, cujo propósito era obrigar os bancos a emprestar uma parte dos seus ativos às comunidades mais carentes. Em 1994, aquela legislação foi ampliada, e o governo explicitamente determinou que a dupla expandisse seus empréstimos a tomadores finais de baixa renda. Isso, logicamente, criou enormes incentivos para que os bancos emprestassem mais aos hipotecários chamados “sub-prime”, ou com capacidade de pagamento reduzida, já que, na retaguarda, Fannie e Freddie entrariam como uma espécie de “resseguradores” estatais, numa analogia com o mercado de seguros.

Enquanto isso, o Banco Central (FED) continuava com sua política de crédito frouxa, sempre na esperança de que pudesse adiar indefinidamente as tão odiadas recessões. (Só para que o leitor possa ter uma idéia de como essa paranóia anti-recessiva está impregnada na política daquele país, existe por lá uma lei – Humphrey-Hawkins – apelidada de “lei do Pleno Emprego”, que força o FED a manter as taxas de juros artificialmente baixas, olhando não só para a inflação e o poder de compra da moeda, como seria prudente, mas também para os índices de emprego e desemprego).

Com o dinheiro cada vez mais barato e disponível, os bancos continuavam a assumir riscos cada vez maiores. Para piorar as coisas, em 2005, após um escândalo contábil ocorrido na Freddie Mac, ambas as GSEs concordaram, como forma de penitência diante do congresso, em expandir ainda mais as suas operações junto às comunidades de baixa renda, de tal sorte que, entre 2004 a 2006, o percentual das chamadas operações “sub-prime” cresceu de 8 para 20% do total de hipotecas. E, mesmo diante de todas as evidências, ainda há gente hipócrita a gritar que a raiz do problema estava na ausência da mão peluda do Estado. É preciso ser muito cara-de-pau!

Em resumo, os bancos assumiam cada vez mais riscos, mas tinham compradores garantidos para os seus títulos, nas pessoas de Freddie e Fannie, as quais estavam – em princípio supostamente, e agora efetivamente – lastreadas pelo governo (contribuinte). O leitor poderá dizer que os bancos agiram sem as devidas cautelas, além de movidos pela ganância de ganhar sempre mais – o que é absolutamente correto. Ocorre que eles estavam respondendo a incentivos criados por intervenções do governo, ainda que estas intervenções muitas vezes fossem bem intencionadas.

Pois bem: depois que a cobra fumou e a crise estabeleceu-se, os mais afoitos resolveram que o incendiário deveria, de uma hora para outra, transformar-se em bombeiro. E pior: o único instrumento de que dispõe o bombeiro/incendiário é justamente querosene. Resumindo, pretende-se curar uma crise gerada por excesso de liquidez, injetando-se no mercado cada vez mais dinheiro.

No afã de defender o chamado “bailout”, seus patrocinadores não se fazem de rogados. O mínimo que prevêem, caso o resgate dos títulos podres pelo governo não seja implementado, é o Armagedom.

Pois eu discordo do catastrofismo reinante no mercado. Até onde a vista alcança, as condições hoje são completamente distintas das de 1929, a começar – e principalmente – pela liquidez do sistema. Note-se ainda que os bancos comerciais não estão tendo maiores problemas, como os bancos de investimento, e recentes dados divulgados lá nos EUA demonstram que as linhas de crédito comerciais estão fluindo e irrigando a chamada economia real sem maiores problemas.
Agora, cá entre nós e que ninguém nos escute: é lógico que os profissionais, investidores ou operadores do mercado, seja porque estão entupidos de papeis podres ou sentados em cima de um monte de ações que não param de encolher, vão ficar alardeando o fim do mundo, pois querem salvar a própria pele ou lucrar um pouco mais.
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Ao ler essas opiniões, de gente que tem todo interesse no resultado da questão, me fizeram lembrar das minhas peladas futebolísticas da infância, em que não havia juízes e quem marcava as faltas e decidia as regras eram os próprios jogadores. É óbvio, e não podia ser diferente, que cada um queria “puxar a brasa para a própria sardinha”. E nem poderia ser diferente.
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Vejam, por exemplo, o caso do famigerado Warren Buffet, oráculo do mercado financeiro mundial e de boa parte da chamada Grande Mídia: acabou de comprar $ 5 bi em papeis do Goldman Sachs “na bacia da almas”. É previsível, e muito provável que, a curto prazo, as ações desse banco de investimento aumentem muito de preço, caso o pacote do governo venha a ser aprovado. O que faz então ele? Usa todo a sua influência, tanto junto ao Congresso quanto junto à mídia, para alardear uma crise sistêmica profunda, caso o congresso não aprove o plano de salvamento. E tome canelada pra todo lado.
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Já no meio acadêmico, no entanto, não há essa ânsia pela aprovação do plano, nem há consenso sobre supostas catástrofes, caso o plano não seja aprovado. É evidente que algum sofrimento imediato, principalmente no meio financeiro, vai ocorrer, mas daí a supor que acontecesse “o fim do mundo” ou que “a vaca fosse para o brejo” vai uma enorme diferença.
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Enfim, já me alonguei demais, especialmente porque, pelo menos de acordo com os últimos informes vindos de Washington D.C., parece que a associação perversa dos rent-seekers do mercado financeiro com os intervencionistas do Estado-Babá mais uma vez irá deixar os contribuintes com o abacaxi nas mãos e o pepino sabe-se lá onde…

E viva o capitalismo de mentirinha!

TOQUEDEPRIMA...

***** Brasil passa a fazer parte do Sica
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) formalizou hoje a entrada do Brasil, como observador, no Sistema de Integração Centro-América (Sica), bloco da América Central equivalente ao Mercosul. De acordo com o chanceler, o acordo ampliará a parceria com os oito países do bloco, aumentando as exportações e incentivando a instalação de empresas brasileiras na região, além da troca de tecnologia na área de biocombustíveis e ações de combate à fome e à pobreza. Além do Brasil, fazem parte do Sica como países observadores México, Chile e Alemanha.

***** Perdas de fundos de pensão chegam a R$ 38 bi, diz entidade
Julianna Sofia, Folha de São Paulo

Os fundos de pensão já amargam perda superior a R$ 40 bilhões com a queda na Bolsa. De acordo com a Abrapp (Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar), até setembro a estimativa era de retração de R$ 37,8 bilhões nas aplicações das entidades em renda variável.A projeção divulgada pela associação ainda não considera o comportamento do mercado em outubro. Números oficiais tabulados pela SPC (Secretaria de Previdência Complementar), considerando perdas e ganhos dos fundos neste ano, mostram que o superávit das entidades encolheu R$ 17 bilhões de janeiro a agosto.

O secretário de Previdência Complementar, Ricardo Pena, afirmou que a secretaria está "monitorando" a situação.

Na semana passada, o CGPC (Conselho de Gestão da Previdência Complementar) aprovou resolução impondo critérios mais rigorosos aos fundos no momento de destinar seus superávits. A medida visa exigir maior grau de conservadorismo das entidades de previdência complementar na apuração de seus resultados.

De acordo com a Abrapp, no início de janeiro os fundos tinham em renda variável R$ 160 bilhões. De janeiro a setembro, esse valor caiu R$ 37,8 bilhões. No entanto, os investimentos das entidades em renda fixa renderam R$ 29,4 bilhões. "Considerando esses dois valores, estima-se uma variação patrimonial negativa das entidades em setembro deste ano de aproximadamente R$ 8,4 bilhão", informa a Abrapp.

Já o valor do superávit divulgado pela SPC considera todos os investimentos do fundo até agosto, incluindo aplicações em imóveis. Em dezembro do ano passado, o superávit total dos planos de previdência era de R$ 76 bilhões. Entre os planos com déficit, informou a secretaria, o resultado negativo chega a R$ 24,6 bilhões.

***** Bernardo nega revisão do orçamento
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) reuniu-se hoje (7) com a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional e afirmou que, no atual momento, não pretende fazer qualquer revisão na proposta orçamentária para 2009 (PLN 38/08). Bernardo informou que a área econômica vai esperar até novembro para analisar melhor o impacto da crise financeira mundial na economia brasileira. Só então, o governo avaliará se envia, ou não, uma revisão com novos parâmetros macroeconômicos, principalmente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O ministro também disse que o presidente Lula orientou a equipe econômica a preservar os recursos da área social e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caso haja corte de gastos em 2009.

***** SP terá baixaria no segundo turno
O staff de Marta Suplicy (PT) na disputa pela prefeitura de São Paulo concluiu que a ex-ministra perdeu no primeiro turno para Gilberto Kassab (DEM) porque sua campanha na tevê foi “muito publicitária”, priorizando a comunicação. “Vamos ir para o debate político”, disse um deputado petista a esta coluna. Tudo não passa de eufemismo: na verdade, o PT utiliza um argumento “ético” para praticar a baixaria contra Kassab.

***** Fechamento de jornal no Rio é ataque à democracia, diz ANJ
Folha de São Paulo

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) criticou a decisão do juiz Flávio Silveira Quaresma, da 28ª Zona Eleitoral do Rio, que mandou fechar o periódico "Entre-Rios Jornal", do município de Três Rios (a 120 km do Rio).Em nota divulgada ontem, a entidade caracterizou o episódio como um atentado à liberdade de imprensa cometido por alguns magistrados eleitorais de primeira instância. "É lamentável que, atendendo a pedidos de políticos, eles (juízes eleitorais) venham exercendo a censura e até determinando a ocupação de jornais. Em lugar de fazer justiça, estão atacando a democracia", diz a nota assinada pelo vice-presidente Júlio César Mesquita.

O jornal foi fechado na última sexta-feira e seus funcionários foram expulsos do prédio por policiais. O motivo foi a não-publicação de um direito de resposta do prefeito de Paraíba do Sul, Gil Leal. O periódico foi reaberto no sábado após obter uma liminar.

***** Santo Deus: Stephanes diz que crise ainda não o faz perder o sono. Que os agropecuaristas não saibam disto.
Folha de São Paulo.

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse ontem à Folha que a atual crise financeira internacional não o tem feito perder o sono. "Eu ainda não perderia o sono, não." Stephanes diz que "o dólar ideal para o setor é a R$ 1,90" e deve-se acompanhar a crise nos seis meses entre plantio [até dezembro] e colheita, para, na comercialização, verificar a forma de intervenção para assegurar o preço e aumentar estoques.

Para o ministro, é impossível estimar o volume de recursos que o governo teria de injetar.

Segundo ele, conversa com o presidente Lula sobre a crise deverá ocorrer na próxima semana. (EDUARDO SCOLESE)

***** Para Lula, Europa entrou na crise porque fez parte do "cassino" americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que a Europa entrou definitivamente na crise pelo fato dos bancos do continente também terem participado do "cassino imobiliário dos Estados Unidos". A declaração foi feita durante o batismo da plataforma P-51, em Angra dos Reis (RJ).

Lula criticou os países do G8 por não terem debatido a crise em sua última reunião. "Essa é a verdade. Quando era o Brasil que tinha problemas, todo dia tinha banco dando palpite. Toda semana vinha uma equipe do FMI e o coitado do Brasil quebrava. Cadê os palpites que eles estão dando agora na crise americana? Cadê o FMI? Por quê o FMI não está lá dando palpite? É porque a crise é deles, e eles fingem que não tem crise", disse.

Mais uma vez, o presidente afirmou que o governo não pretende fazer um pacote de medidas, a exemplo do americano. Lula afirmou que não quer "socializar" os efeitos da crise. "Na época das vacas magras, ninguém vinha aqui ajudar, agora que tem prejuízo, eles querem socializar com a gente. Esse tipo de socialismo, nós não queremos. Socializar a miséria, nós não queremos. Nós queremos socializar a bonança", afirmou.

***** "No Brasil é diferente", diz José Alencar sobre a crise
Para o vice-presidente da República, José Alencar, a crise mundial de crédito é muito séria, mas no Brasil a situação é "bem diferente". Segundo ele, os bancos brasileiros não lidam com o endividamento com que trabalham os bancos dos países europeus e dos EUA. Mesmo assim, não descartou a possibilidade do Brasil sofrer as conseqüências.

Em entrevista após solenidade de comemoração dos 20 anos da Constituição, Alencar afirmou que a crise mundial é "de confiança, ou desconfiança, no sistema bancário", ressaltando que o sistema bancário está "muito bem" e "capitalizado". O vice-presidente previu que no Brasil não faltará dinheiro, porque "o próprio governo já tomou providências de reduzir o compulsório, para colocar mais recursos à disposição e aumentar a liquidez do sistema".

***** Dólar dispara com corrida de empresas
Estadão
As incertezas a respeito da economia global e sobre a solvência do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa mantiveram os investidores distantes de ativos arriscados e derrubaram de novo as bolsas de valores ontem. No Brasil, o dólar disparou 5,09% e atingiu R$ 2,312. Do início de agosto até ontem, a moeda americana já se valorizou 48% ante a brasileira. A cotação de ontem é a maior desde maio de 2006.

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo perdeu 4,66%. O Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 5,11% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 5,85%.

Segundo analistas, a principal razão para a alta do dólar nos últimos dias é a corrida de empresas para comprar a moeda e, assim, neutralizar posições vendidas no mercado futuro. A Sadia, por exemplo, anunciou recentemente prejuízo de R$ 760 milhões e a Aracruz, uma perda potencial de R$ 1,95 bilhão. O Banco Central (BC) interveio duas vezes no mercado, mas não conseguiu impedir o salto da cotação.

A medida provisória que autoriza o BC a socorrer bancos em dificuldades, editada segunda-feira, já provoca reação dos partidos de oposição. O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), disse que a MP é o "Proer do presidente Lula", lembrando o programa instituído pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "É o Proer desfigurado, disfarçado, envergonhado e sorrateiro."

***** Em 2007, PT tentou barrar os investimentos no metrô
Fernando Barros De Mello, Folha de São Paulo

Bancada do partido afirma que votou contra o projeto ”porque ele era eleitoreiro”

A petista Marta Suplicy promete que, se eleita, a prefeitura irá investir dinheiro próprio na expansão do metrô. Mas em dezembro de 2007 a bancada do PT na Câmara Municipal votou contra a proposta de investir R$ 1 bilhão no metrô na gestão de Gilberto Kassab (DEM).

Segundo a proposta de Marta, a prefeitura investiria R$ 490 milhões anuais. Vereadores do PT dizem que votaram contra o repasse porque o projeto foi apresentado "no apagar das luzes" e era eleitoreiro.

A proposta original do Orçamento de 2008, enviada por Kassab em 2007, previa R$ 1.000 ao metrô. Em 13 de dezembro, o líder do governo, (PSDB), apresentou uma das 4.964 emendas ao Orçamento, que autorizava a prefeitura a destinar até 13% da receita corrente líquida de 2007 ao metrô -o que daria R$ 1 bilhão.

A emenda foi encaminhada à Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, onde os petistas Francisco Chagas e Paulo Fiorilo pediram a retirada da proposta. A maioria recusou. Na votação do Orçamento, em 19 de dezembro, a emenda foi aprovada por 41 votos a 12 (11 da bancada petista mais o de Soninha, que deixara o PT).

Fiorilo chegou a discursar no plenário, dizendo que "não deve ter um parlamentar ou munícipe contra investimento no metrô", mas criticou o método de apresentação da proposta: "O inadmissível é que esse artigo surja às 21h30 da véspera da aprovação deste Orçamento sem o debate necessário".

Fiorilo diz que a proposta chegou ao plenário no "apagar das luzes": "Nós percebemos que algumas emendas foram incorporadas e que não tinham sido discutidas na comissão. Era uma emenda estratégica, que deveria ter sido debatida".

Para o petista, havia um motivo eleitoral: "Já se vislumbrava esse debate e Kassab precisava ter discurso, mesmo que não tivesse dinheiro ainda".

***** Servidor terá de pagar imposto sindical
O Ministério do Trabalho determinou aos órgãos públicos federais, estaduais e municipais que passem a recolher o imposto sindical do funcionalismo, que até hoje estava livre da cobrança que equivale a um dia de salário no ano.Segundo o Sindsep (Sindicato dos Servidores Públicos Federais) do Distrito Federal, isso representará uma receita anual de R$ 240 milhões para o movimento sindical e o governo. O Sindsep é ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

O ministério impôs a cobrança alegando o princípio da isonomia tributária entre os trabalhadores. Hoje, só trabalhadores da iniciativa privada ou funcionários públicos contratados pelo regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) recolhem o imposto.

O secretário-geral do Sindsep, Oton Pereira Neves, disse que entrará com um mandado de segurança contra o ministro Carlos Lupi (Trabalho). "Essa medida vai contra a liberdade e a autonomia sindical."

O ministério informou que a instrução que determina o pagamento se baseia em parecer jurídico feito pela área técnica e leva em conta a jurisprudência de vários tribunais superiores.

O Ministério do Planejamento diz que ainda está estudando a instrução para definir as regras de cobrança do imposto.

O dinheiro do Papa

Rodrigo Constantino, site Diego Casagrande

“O problema com o catolicismo brasileiro é que entende de menos o Mercado e reverencia demais o Estado; seu desamor aos ricos excede seu amor aos pobres.” (Roberto Campos)

A crise financeira atual chegou a um patamar tão preocupante que até o Papa resolveu dar “pitaco”. O Papa Bento XVI disse que a crise financeira global prova a futilidade da corrida para o sucesso e para o dinheiro e que a fé em Deus é melhor do que passar a vida a procurar riqueza material. Algumas pessoas mais maliciosas poderiam alegar que Sua Santidade adota uma postura oportunista, tentando angariar novas almas desesperadas para seu rebanho. Afinal, como disse Sebastien Faure, “as religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão”. Mas talvez seja maldade comparar o Papa ao Bispo Macedo, cuja Igreja Universal costuma agir justamente feito urubu em busca de carniça, vendendo conforto aos desesperados. No entanto, é preciso ser sincero e constatar que a Igreja Católica não tem sido uma amiga muito fiel dos que pretendem sair da pobreza.

Em primeiro lugar, a incoerência do discurso do Papa frente à riqueza (bem material) que o Vaticano exala chama a atenção dos mais céticos. Quando arquitetos, artistas e colunistas milionários defendem as maravilhas socialistas do conforto de suas mansões, não temos dificuldade em detectar a hipocrisia gritante. Por que seria diferente no caso do Papa? Como não gosto de dois pesos e duas medidas, prefiro adotar um critério imparcial de julgamento. E a verdade é que parece muito fácil falar que não precisa quando se tem. Para o Papa, que vive no conforto do Vaticano, deve ser fácil desmerecer a busca pelo conforto material. Por que Sua Santidade não cede sua luxuosa residência aos que perderam suas casas especulando para sair dos casebres dos guetos? Por que a Igreja Católica, conhecida latifundiária, não cede seus terrenos para a moradia dos miseráveis? Por que não vende parte de seu ouro, agora que ele subiu de preço, para garantir abrigo e comida para os mais pobres? Pregar o altruísmo passando o chapéu para recolher recursos alheios é fácil. Assim como falar da futilidade da riqueza material quando se vive no maior conforto material. Muitos conservadores brasileiros criticam a Teologia da Libertação, marxista até a alma, ou mesmo a CNBB, tomada por bispos esquerdistas. Mas o fato é que podemos encontrar similaridades entre a própria Igreja Católica e o socialismo. Esse ataque à riqueza material é apenas um exemplo. Na própria Bíblia temos a seguinte passagem:
“A teu irmão não emprestarás com juros nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros” (Deuteronômio 23:19). Ora, todos sabem que a Igreja sempre condenou a usura, e por séculos foi assim, dificultando o funcionamento do crédito entre poupadores e investidores. A ignorância sobre como o livre mercado produz riqueza de forma impessoal acaba levando a esta postura tola, que deposita tudo no altruísmo. Muito melhor seria ler Adam Smith, ao constatar em 1776 que não é da benevolência do açougueiro que temos comida, mas sim da busca de seus próprios interesses. O juro é apenas um preço de mercado, como outro qualquer, permitindo o encontro entre aqueles que possuem diferentes preferências intertemporais. Alguns poupam parte da renda, gastando menos do que ganham, e outros precisam de mais recursos do que disponibilizam. O ataque ao empréstimo com juros é o ataque à própria criação de riqueza.

Para quem ainda não se convenceu da simbiose possível entre catolicismo e socialismo, sugiro a leitura da Encíclica Populorum Progressio, escrita pelo Papa Paulo VI, antecessor de João Paulo II e que fala em nome do Vaticano. Em uma das passagens, o Papa diz que é lamentável que o sistema da sociedade tenha sido construído considerando o lucro como um motivo chave para o progresso econômico, a competição como a lei suprema da economia, e a propriedade privada dos meios de produção como um direito absoluto que não tem limites e não corresponde à “obrigação social”. Em outras palavras, o Papa lamentou que o capitalismo de livre mercado predominasse em relação ao socialismo. Os interesses coletivos, seja lá quem os define, estariam acima do direito de propriedade privada, o que torna indivíduos sacrificáveis pelo “bem comum”. O Papa ignora que, no livre mercado, o lucro é fruto do bom atendimento da demanda dos consumidores, ou seja, é o indicador de que os indivíduos, através de trocas voluntárias, estão satisfeitos. Todos sabem o que aconteceu nos países que tentaram abolir o lucro, a competição e o direito de propriedade privada. O resultado foi a miséria, a escravidão e o terror. São conseqüências inexoráveis do socialismo colocado em prática.

Como resposta ao Papa e todos os católicos que ainda condenam o dinheiro, segue uma parte do discurso de um dos personagens principais de Atlas Shrugged, famosa novela de Ayn Rand:

“Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.”

Entre o dinheiro do Papa e o dinheiro de Ayn Rand, eu não tenho a menor dúvida de qual merece mais respeito. Quem condena a riqueza material não é amigo verdadeiro dos pobres, e sim da pobreza.

Sai o pacote e as bolsas despencam?

Carlos Alberto Sardenberg, Estadão

Como é que pode?

O Congresso norte-americano aprova o pacote de resgate do setor financeiro e a bolsa cai?

O desastre das bolsas no início da semana passada havia sido atribuído à derrota do pacote na Câmara dos Representantes (deputados). Logo, quando a Câmara refez sua posição, assustada com o tamanho da crise, as bolsas deveriam fazer o caminho inverso, certo? Parece, mas não é simples assim.

Os US$ 700 bilhões postos à disposição do Tesouro americano para comprar papéis podres e capitalizar os bancos são uma arma poderosa e essencial. Sem ela o Tesouro não teria como evitar uma quebradeira de bancos e o desaparecimento, por um longo tempo, do crédito às pessoas e empresas, muitas das quais também quebrariam. Por isso a derrubada do pacote levou à porta do inferno.

Mas ter a arma não garante que ela será bem utilizada nem que seus resultados virão rapidamente. Como disse o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, na sexta-feira, o pacote é um “passo crítico”, mas um passo.O problema maior - a recessão -, conseqüência da crise do crédito, mostra sua cara a cada dia nos EUA. Na quarta-feira, registrou-se queda nas vendas de casas, a maior em 17 anos. Na quinta-feira, queda de 30% nas vendas de automóveis. Na sexta-feira, a notícia da eliminação de 159 mil empregos em setembro.
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Isso quer dizer que, mesmo com uma boa administração da crise, o que já se perdeu de crédito e capital no sistema financeiro basta para impor uma forte desaceleração.De todo modo, a semana terminou melhor, mas muito melhor do que começou. Agora, o Tesouro e o Fed têm instrumentos para atacar a crise de crédito de maneira abrangente. Mas não espere que sua carteira de ações volte ao que era em poucas semanas. Uma parada nas perdas estará de bom tamanho.

Cortando gastos - O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, foi o primeiro a reagir à crise econômica, que se aproxima do Brasil. Baixou decreto congelando os novos gastos. Está proibido criar despesas, ou seja, iniciar obras e contratar pessoal. Qual é a lógica?

Governos estaduais, prefeituras e o governo federal se beneficiaram, de 2004 para cá, de um extraordinário crescimento de arrecadação de impostos. Esse ganho de receita decorreu do crescimento econômico acelerado combinado com um sistema tributário que pesa sobre os setores mais dinâmicos. Por exemplo, automóveis. No carro o consumidor já paga cerca de 40% de impostos. E mais um tanto no financiamento.

Houve uma explosão na telefonia celular, cuja carga tributária também passa dos 40%.

Por isso a arrecadação cresce mais que a economia. De janeiro a agosto deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado, o produto interno bruto (PIB) cresceu 12,5% em valores nominais (sem descontar a inflação). A receita total do governo federal cresceu 18%.

Essa forte expansão da receita já dava sinais de esgotamento mesmo antes da explosão da crise financeira americana. Agora é certo que haverá uma desaceleração da economia mundial, incluindo o Brasil. Menos crescimento, menos receita, com impacto maior no ano que vem.

Para a maioria dos governadores, a ficha ainda não caiu. Todos prepararam projetos de orçamento para 2009 antes da crise. Mas apenas Paulo Hartung se adiantou e já fez a revisão dos números, proibindo a contratação de gastos novos.
Exagero? Prevenção, diz ele. Se a queda na arrecadação for muito forte, o governo estará preparado. Se a coisa não for tão feia quanto parece, será mais fácil retomar os gastos.

O desastre é contratar as obras, contratar pessoal e, de repente, cair a receita. O governo será obrigado a buscar financiamento num momento de dinheiro curto e caro.

Bem-vistas as coisas, todo o setor público deveria iniciar já um processo de contenção dos gastos. Na verdade, deveria ter contido o gasto já no período de bonança. Deveria ter feito mais poupança e eliminado dívidas, e não ter promovido uma farra de gastos, como fizeram governos federal e estaduais.

O governo federal, por exemplo, contratou pessoal e concedeu aumentos para os próximos anos, contando com uma constante expansão das receitas.

No agregado, eis o ponto: na crise, o Brasil todo terá de consumir menos porque terá menos renda. Quanto menos o governo consumir, mais sobra para as pessoas e empresas.

Casas nos EUA - Fiz uma confusão danada no artigo aqui publicado na semana passada (Em plena crise, 6 milhões de casas novas). Misturei casas prontas com residências em construção e, no total das vendas, misturei novas e usadas.

Eis os dados corretos, com os pedidos de desculpas: as famílias americanas compraram, em agosto, 39 mil casas novas, o que dá um valor anualizado de 468 mil. A construção de casas - obras em andamento - bateu 895 mil unidades/ano. O início de obras de novas casas unifamiliares chegou a 630 mil, sempre em valores anualizados. Permissões para a construção de casas e apartamentos (plantas aprovadas), indicador de atividade futura, foram para 854 mil.

Reparem de novo: a crise financeira, também chamada crise das hipotecas, explodiu em agosto do ano passado. Os preços das casas estiveram em queda, juros em alta, financiamentos restritos e inadimplência. Mesmo assim, as famílias americanas compraram mais de 600 mil casas nesse período. O número de residências em construção esteve acima do milhão. E, finalmente, as vendas de imóveis usados estiveram acima dos 5 milhões.

A idéia geral do artigo está de pé. O sistema financeiro produziu abusos, mas também financiou casas para milhões de famílias.

A responsabilidade da grandeza

Ralph J. Hofmann, site Prosa & Política

“Uma nação que confia nos seus direitos em vez de confiar em seus soldados engana-se a si mesma e prepara sua própria queda”. – (Rui Barbosa)

Nossa balança de pagamento com nossos vizinhos sempre foi positiva porque produzimos uma ampla gama de produtos que o nós (empresas particulares) vendemos a eles (empresas particulares).

Isto para os que alegam que sempre tivemos vantagens ao lidar com nossos caros “hermanos”. Neste sentido formos a formiga enquanto eles têm sido a cigarra.

No aspecto de investimentos perdemos feio quando nós (empresas do governo) permitimos que eles (governo) nos arrebatem investimentos (nossos, nominalmente de nosso governo) como tem acontecido com a Petrobrás. Agora já estão passando a atacar nosso banco de fomento (BNDES – nós). No caso da Odebrecht nós (nosso governo) estamos abrindo as portas para que eles (governo deles) tratem qualquer empresa brasileira (nós) como se fosse do nosso governo.

Que fará o Brasil quando um turista brasileiro for acusado de espião? Vamos concordar? Fornecer a corda para o enforcamento?

Problema é que ser o maior país, praticamente o mais desenvolvido, de um continente traz em si uma responsabilidade. Somos um grandalhão que pode ser jogado ao chão se alguém der uma paulada num joanete que tenhamos num pé.

Até agora o único desta estranha confraria Latino-americana que não nos atacou foi a Venezuela (ainda). Para os outros somos o turista patético passeando sem salvaguardas na zona mais perigosa da cidade. Fartam-se de nos comer. Ninguém tem pena do Tio Patinhas.

Estamos sentido o leve gostinho de sermos os Estados Unidos depois da década de quarenta do século vinte.

Mas ser grande implica em que não podemos dar mole. E estamos fazendo justamente isto. Queremos ser membros de um conselho de segurança? Nunca conseguiremos isto comprando o voto do Togo. E a Argentina nunca nos ajudará, nem os “Três Patetas”. A última coisa que eles querem é o Brasil sendo mais do que o que já é. Temos de ser isto. O fulcro da América Latina.

Não sugiro colocarmos um navio ante a cidade de Guayaquil com suas baterias assestadas, prontas para destruir o porto (aliás, idéia simpática neste momento). Mas o Equador possui um inimigo natural. A Colômbia. Se nosso presidente não fosse um asno assessorado por jegues mal intencionados, hoje seria o momento para uma declaração formal de que feitas análises minuciosas o governo brasileiro conclui que a Colômbia ao atacar em território Equatoriano apenas estava em perseguição acirrada a criminosos seqüestradores e cidadãos colombianos. A invasão teria sido no calor do momento. Ao mesmo tempo informaria que pára-quedistas brasileiros estariam fazendo manobras de treinamento com seus colegas da Colômbia.

Seria como uma salva de canhões pela frente da proa do navio inimigo. Um aviso de que poderia vir mais, uma clara declaração de intenções.

Este é um país que possui fábricas capazes de produzir todo o equipamento militar rotineiro. Apenas dependemos de importações para os produtos mais sofisticados. Para estes precisaríamos de anos de desenvolvimento tecnológico e fortunas a fundo perdido. Mas podemos vestir, armar, municiar, fornecer óculos infravermelhos, rádios pessoais, suprir rações facilmente portáteis, transportar e até blindar soldados modernos com nossa atual indústria instalada.

E hoje claramente precisamos fazer isto.

Porque de fato somos o maior alvo na América Latina. E os “Três Patetas” companheiros de degustação de "panatelas" do Lula são justamente aqueles que estão afiando suas peixeiras para nos tirar pedaços.

O cenário fosco do segundo turno

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Com a natural empolgação dos vitoriosos no primeiro turno e o contraste com o abatimento dos derrotados, não sobrou um palmo de serenidade na inundação de entrevistas, palpites e previsões da cobertura maciça das redes de televisão para o encaixe de uma análise, ainda que superficial, sobre o cenário fosco do segundo turno, espremido entre três semanas de articulação de alianças e de debates já anunciados por jornais, revistas e TVs.

Há muitas novidades a examinar na mudança da água para o champanhe do desmoralizante desperdício de tempo e dinheiro dos ridículos e milionários programas gratuitos de propaganda eleitoral no primeiro turno, especialmente de candidatos ao maná de uma vereança e o mano a mano entre os finalistas a prefeito em 29 cidades, para a decisão pelo voto de mais de 26 milhões de eleitores.

Com menos e mais qualificados candidatos, a propaganda na TV e no rádio será intensa e comprimida, com cada concorrente dispondo de dez minutos, em cada um dos dois programas diários. E cada candidato ganhará o mimo de mais 15 minutos diários para inserções de até um minuto na programação das emissoras.

Não é apenas no enxugamento de candidatos e o melhor nível dos que passaram pela peneira do voto que deve ser analisado o contraste que já se vislumbra na agitada corrida pelo voto.

Para o governo, do presidente Lula ao seu candidato ao mais desfavorecido dos municípios, a visão que se vai desenhando é turva, com manchas dos respingos da crise que esmurra a porta e pede passagem.

E o desempenho escapista e sinuoso do presidente abre furos no seu escudo de proteção e expõe o risco dos seus equívocos. Lula tentou afugentar a crise com a arrogância das suas afirmações categóricas. E que, com a cambalhota do mundo, rolam pelo tapete do ridículo. Ditas e repetidas à exaustão; com a impostação da soberba de que a crise dos Estados Unidos, que se espalhava pelos mercados mundiais, se chegasse ao Brasil seria quase imperceptível. Quando a imperceptível inchou, Lula subiu meio-tom na imodéstia, para admitir que se o tsunami "chegar aqui, vai ser uma marolinha".

Três semanas de campanha é um prazo curto para inverter a tendência de voto do eleitorado que fez a sua cabeça nos meses de envolvimento pela eleição que passa pela sua porta e mexe com a sua vida.

O segundo turno pega o carro em disparada de ladeira a baixo. Já há espaço para especular sobre as vantagens e desvantagens da presença do maior presidente, etc. e tal, com o fantasma da crise derrubando o preço nas feiras e mercados e reabrindo a discussão sobre o delírio de gastança do governo deslumbrado com os índices recordistas de popularidade, o perdulário do inchaço da burocracia com o maior ministério de todos os tempos, com pastas e secretarias que não resistem à cobrança sobre a sua eficiência.

A pavimentação da passarela para o desfile da eleição da ministra-candidata Dilma Rousseff para guardar a cadeira presidencial para a volta de Lula em 2014 ou 2018 terá que passar pelo enxugamento do PAC, para os ajustes impostos por uma crise que apenas começa com o pé no acelerador.

E se Lula baixar à Terra para um segundo de reflexão não necessita de melhor conselho do que a do eleitorado do Rio Grande do Norte, na dose dupla dos resultados de Natal e de Mossoró. Indignado com a atuação parlamentar do senador José Agripino Maia, líder da bancada do DEM, Lula ameaçou participar da campanha em Natal para derrotar o adversário, apoiando a candidatura de Fátima Bezerra, do PT. E cumpriu o prometido para cair da montaria. A prefeita eleita no primeiro turno, jornalista Micária de Sousa, do PV, legenda até aqui sem maior expressão no Estado, foi apoiada pelo senador José Agripino Maia.

Lições da vida que poucos aprendem.