Petrobras: a que mais perdeu valor de mercado nas Américas
Tribuna da Imprensa
SÃO PAULO - A Petrobras foi a companhia petrolífera que mais perdeu valor de mercado nas Américas desde o pico histórico do preço do petróleo, de US$ 145,29 o barril, registrado em 3 de julho deste ano. Após o fechamento da última segunda-feira, o valor de mercado da companhia brasileira era de US$ 145,81 bilhões, apresentando uma queda de US$ 115,56 bilhões entre a data do recorde do óleo e 6 de outubro, segundo levantamento da Economática. No mesmo intervalo, o preço do petróleo caiu mais de 38% no mercado internacional.
A perda da estatal é mais que o dobro da redução do valor de mercado apresentada pela americana Exxon Mobil no mesmo período, a segunda maior do setor, que foi de US$ 56,87 bilhões. Chevron e ConocoPhillips, também norte-americanas, aparecem logo em seguida, com perdas de US$ 44,76 bilhões e US$ 41,18 bilhões, respectivamente.
A brasileira OGX aparece na 11ª posição, com uma perda de US$ 15,01 bilhões em valor de mercado. A petroleira de Eike Batista viu seu valor de mercado derreter de US$ 20,28 bilhões, em 3 de julho, menos de um mês após o IPO histórico, para US$ 5,27 bilhões.
A forte queda das ações da companhia, que somente em 2008 desvalorizaram mais de 30%, resultou na perda do segundo lugar no ranking das maiores empresas do setor, em valor de mercado. Em maio, mês do pico da Bolsa paulista, a Petrobras desbancou a Chevron na vice-liderança e ultrapassou gigantes de outros setores em valor de mercado, como a Microsoft.
Segunda-feira, a Chevron já aparecia em segundo lugar na lista das petrolíferas, com uma capitalização de US$ 157,86 bilhões, à frente da brasileira. A Exxon, por sua vez, é avaliada em US$ 401,6 bilhões.
Desde o agravamento da crise financeira nos Estados Unidos, em 15 de setembro, quando foi anunciado o pedido de concordata do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, o valor de mercado da estatal brasileira teve uma redução de US$ 16,92 bilhões. Por ser a empresa mais negociada na Bovespa, a Petrobras sofreu mais do que as suas concorrentes no mercado internacional com a turbulência dos mercados.
"A Petrobras foi mais influenciada pelo fato de ser a maior empresa da Bolsa brasileira e, portanto, de mais fácil realização", afirma o analista de petróleo do Banco do Brasil Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos. A liquidez elevada do papel possibilita a saída mais ágil dos investidores da Bolsa pela Petrobras. Para se ter uma idéia do volume movimentado pelas ações da estatal, segunda-feira o giro financeiro de Petrobras PN foi de R$ 1 bilhão, o equivalente a 19% do volume da Bolsa, que ficou em R$ 5,27 bilhões.
A visão da companhia é a mesma. "A Petrobras, assim como a Vale, são as empresas mais líquidas na Bovespa e, em momentos de crise como estamos vivendo atualmente, os investidores acabam vendendo essas ações de mercados emergentes para recompor suas perdas nos demais mercados acionários", declarou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.
Apesar da forte influência do chamado "movimento de manada" nas ações da Petrobras, os números da Economática indicam que as perdas ficaram concentradas no período que antecedeu a fase mais crítica da crise. Somente entre 3 de julho e 15 de setembro, o valor de mercado da Petrobras caiu US$ 98,63 bilhões. Também foi neste período que os seus pares perderam mais: ExxonMobil (US$ 78 bilhões), Chevron (US$ 38 bilhões) e ConocoPhillips (US$ 35 bilhões).
Pré-sal: incertezas podem ter influenciado
Na avaliação do analista do BBI, outros fatores também podem ter influenciado o comportamento das ações da Petrobras, como as incertezas em relação a mudanças no modelo de exploração para a área pré-sal. "Nos últimos meses, chegou-se a cogitar a possibilidade de as áreas já licitadas serem retomadas, o que foi um sinal muito negativo para a ação", disse Matos.
Apesar de a queda no preço da commodity ser um fator negativo para a empresa na Bolsa, em razão da elevada correlação entre o preço do petróleo e as ações, a tendência de baixa para o óleo ainda não preocupa do ponto de vista de investimento. "Trata-se de um efeito de curto prazo. Os campos do pré-sal só vão começar a produzir daqui a quatro, cinco anos. Ninguém consegue prever quanto vai estar o petróleo nesse período", afirmou o analista.
Tribuna da Imprensa
SÃO PAULO - A Petrobras foi a companhia petrolífera que mais perdeu valor de mercado nas Américas desde o pico histórico do preço do petróleo, de US$ 145,29 o barril, registrado em 3 de julho deste ano. Após o fechamento da última segunda-feira, o valor de mercado da companhia brasileira era de US$ 145,81 bilhões, apresentando uma queda de US$ 115,56 bilhões entre a data do recorde do óleo e 6 de outubro, segundo levantamento da Economática. No mesmo intervalo, o preço do petróleo caiu mais de 38% no mercado internacional.
A perda da estatal é mais que o dobro da redução do valor de mercado apresentada pela americana Exxon Mobil no mesmo período, a segunda maior do setor, que foi de US$ 56,87 bilhões. Chevron e ConocoPhillips, também norte-americanas, aparecem logo em seguida, com perdas de US$ 44,76 bilhões e US$ 41,18 bilhões, respectivamente.
A brasileira OGX aparece na 11ª posição, com uma perda de US$ 15,01 bilhões em valor de mercado. A petroleira de Eike Batista viu seu valor de mercado derreter de US$ 20,28 bilhões, em 3 de julho, menos de um mês após o IPO histórico, para US$ 5,27 bilhões.
A forte queda das ações da companhia, que somente em 2008 desvalorizaram mais de 30%, resultou na perda do segundo lugar no ranking das maiores empresas do setor, em valor de mercado. Em maio, mês do pico da Bolsa paulista, a Petrobras desbancou a Chevron na vice-liderança e ultrapassou gigantes de outros setores em valor de mercado, como a Microsoft.
Segunda-feira, a Chevron já aparecia em segundo lugar na lista das petrolíferas, com uma capitalização de US$ 157,86 bilhões, à frente da brasileira. A Exxon, por sua vez, é avaliada em US$ 401,6 bilhões.
Desde o agravamento da crise financeira nos Estados Unidos, em 15 de setembro, quando foi anunciado o pedido de concordata do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, o valor de mercado da estatal brasileira teve uma redução de US$ 16,92 bilhões. Por ser a empresa mais negociada na Bovespa, a Petrobras sofreu mais do que as suas concorrentes no mercado internacional com a turbulência dos mercados.
"A Petrobras foi mais influenciada pelo fato de ser a maior empresa da Bolsa brasileira e, portanto, de mais fácil realização", afirma o analista de petróleo do Banco do Brasil Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos. A liquidez elevada do papel possibilita a saída mais ágil dos investidores da Bolsa pela Petrobras. Para se ter uma idéia do volume movimentado pelas ações da estatal, segunda-feira o giro financeiro de Petrobras PN foi de R$ 1 bilhão, o equivalente a 19% do volume da Bolsa, que ficou em R$ 5,27 bilhões.
A visão da companhia é a mesma. "A Petrobras, assim como a Vale, são as empresas mais líquidas na Bovespa e, em momentos de crise como estamos vivendo atualmente, os investidores acabam vendendo essas ações de mercados emergentes para recompor suas perdas nos demais mercados acionários", declarou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.
Apesar da forte influência do chamado "movimento de manada" nas ações da Petrobras, os números da Economática indicam que as perdas ficaram concentradas no período que antecedeu a fase mais crítica da crise. Somente entre 3 de julho e 15 de setembro, o valor de mercado da Petrobras caiu US$ 98,63 bilhões. Também foi neste período que os seus pares perderam mais: ExxonMobil (US$ 78 bilhões), Chevron (US$ 38 bilhões) e ConocoPhillips (US$ 35 bilhões).
Pré-sal: incertezas podem ter influenciado
Na avaliação do analista do BBI, outros fatores também podem ter influenciado o comportamento das ações da Petrobras, como as incertezas em relação a mudanças no modelo de exploração para a área pré-sal. "Nos últimos meses, chegou-se a cogitar a possibilidade de as áreas já licitadas serem retomadas, o que foi um sinal muito negativo para a ação", disse Matos.
Apesar de a queda no preço da commodity ser um fator negativo para a empresa na Bolsa, em razão da elevada correlação entre o preço do petróleo e as ações, a tendência de baixa para o óleo ainda não preocupa do ponto de vista de investimento. "Trata-se de um efeito de curto prazo. Os campos do pré-sal só vão começar a produzir daqui a quatro, cinco anos. Ninguém consegue prever quanto vai estar o petróleo nesse período", afirmou o analista.
Executivos da Petrobras calculam o preço de US$ 35 por barril como piso para garantir a viabilidade do projeto piloto de Tupi. A avaliação de analistas é de que a escassez de crédito ocasionada pela crise financeira é o aspecto mais preocupante para a Petrobras, em razão dos elevados investimentos necessários para a exploração do pré-sal.
"A Petrobras gera muita receita e pode tocar os investimentos nos próximos anos com o caixa próprio. Mas o patamar de investimento dela vai crescer de forma significativa e se a crise durar muito, ela vai acabar sendo atingida, assim como as outras empresas", disse Matos.
Para o longo prazo, a percepção de especialistas é de que as ações da Petrobras continuam sendo um bom investimento, em razão das perspectivas positivas para geração de caixa e retorno dos novos projetos da companhia. "Os papéis de primeira linha, como os da Petrobras, devem ser os primeiros a voltar em um momento de recuperação", avalia a equipe de análise da SLW Corretora.
A casa trabalha com preço-alvo de R$ 60 para as preferenciais de Petrobras, o que indica um potencial de valorização de 100% para o papel, considerando a cotação de fechamento de ontem (a PN encerrou a R$ 30). No entanto, novas previsões para o preço do petróleo devem ser incorporadas em breve por especialistas nos cálculos de preço-alvo para os papéis da estatal.
Outros fatores que devem ser considerados pelos analistas na revisão de suas expectativas para as ações são o novo planejamento estratégico da companhia, cuja divulgação está prevista para este mês, e a definição do modelo de exploração para o pré-sal, que também deve ser apresentado em outubro.
Enquanto isso...
Gabrielli diz que Petrobras não aceitará exigência do Equador
Kelly Lima e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo
Presidente da estatal se diz surpreso diante das ameaças de expulsão e afirma que não assinará novo contrato
ANGRA DOS REIS - O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em sua primeira declaração sobre o incidente no Equador desde as ameaças de expulsão da empresa daquele país, disse nesta terça-feira, 7, ter ficado surpreso com a atitude do presidente equatoriano, Rafael Correa. Ele afirmou, porém, que a empresa não vai aceitar assinar um contrato de prestação de serviços, como quer o Equador. "Nas relações internas, da empresa com o governo, não vejo grandes problemas. Há uma discussão a respeito do bloco 18 e do OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado, em espanhol)", afirmou o executivo, durante o lançamento da plataforma P-51, em Angra dos Reis.
O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que minimizou o impasse sobre a permanência ou não da Petrobrás no Equador. "Precisamos saber se o Equador quer ter ou não a Petrobrás e se a Petrobrás, pelas reservas que tem lá, acha que vale a pena continuar a investir lá", comentou Lula.
Esta semana o governo equatoriano fechou um pré-acordo para a redefinição de contratos com as empresas petrolíferas Repsol-YPF, da Espanha, e Perenco, da França. De exploradoras do recurso natural as empresas passaram a figurar como prestadoras de serviço para o governo equatoriano. A companhia chinesa Andes Petroleum já havia aceitado renegociar seus contratos. Com isso, a Petrobrás ficou isolada nas negociações com Quito e recebeu ameaça de expulsão do país por não se adequar às novas regras.
Lula reiterou que o assunto ainda está na esfera comercial, de negociações entre as estatais brasileira equatoriana. "Se o tema ganhar a esfera política, disse o presidente, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério de Relações Exteriores deverão entrar na discussão. Lula frisou, porém, que o Equador continua sendo parceiro estratégico do Brasil.
A Petrobrás já havia devolvido o Bloco 31 ao governo equatoriano por ele estar localizado em uma reserva indígena. A estatal havia recebido licença ambiental para operar na área, mas quando o governo de Rafael Correa assumiu, questionou esta licença. O bloco 18 está localizado próximo ao local, assim como o oleoduto.
Paciência
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, voltou a defender ontem tranqüilidade nas negociações. "É importante ter um pouco de paciência", disse o diplomata, lembrando que o Equador vive um clima eleitoral. "O país tem processo eleitoral. As pessoas falam. Então deixa pra lá um pouquinho", disse Amorim, após assinar acordo para entrada do Brasil como observador regional no sistema de integração da América Central (Cica, na sigla em espanhol).
O ministro afirmou que não é favorável a se negociar pela mídia. "Acho que às vezes há um excesso de declarações." Ele disse ainda que esse tipo de assunto é mais negociado diretamente pela empresa.
O ministro de Minas e Petróleo do Equador, Galo Chiriboga, advertiu anteontem a Petrobrás de que revogará seu contrato de exploração do Bloco 18, na Amazônia equatoriana, se a empresa não respeitar as políticas do governo e aceitar "no menor tempo possível" um novo acordo sobre suas operações na região.
Assinado em 2001, o contrato termina em 2022. No início de setembro, o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a renegociação de todos os contratos com as petroleiras estrangeiras, que atualmente exploram quase metade dos campos do país e ficam com 82% da receita do petróleo. (Com Adriana Chiarini, da Agência Estado)
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Os fatos recentes comprovam que, policatagem praticada como “estratégia comercial” é o pior dos caminhos que se pode escolher. A perda de valor de mercado da Petrobrás não se justifica apenas “por questões de mercado”, há muita cretinice escondida aí.