quinta-feira, outubro 28, 2021

Na Conferência do Clima, o Brasil de mãos vazias

 Celso Ming*, 

O Estado de S.Paulo

Às vésperas da COP 26, o Brasil está sem protagonismo na geopolítica ambiental e com a imagem desgastadas pela falta de compromisso do governo Bolsonaro com o meio ambiente

  Foto: Gabriela Bilo/Estadão 

No mês de agosto, a Amazônia perdeu 1,6 mil km² de vegetação, 

aumento de 7% na comparação anual, segundo levantamento do 

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). 


O Brasil chega à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), a ser realizada na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro, sem propostas, pressionado e sem credibilidade.

A política ambiental de “passar a boiada” do governo Bolsonaro em nada colabora com a meta de manter a temperatura média do planeta em até 1,5° C acima dos níveis pré-industriais até 2030. Ao contrário disso, o Plano Climático do Brasil atual contribui para o aquecimento de 3°C – o dobro do limite previsto pelo Acordo de Paris, assinado em 2015, de acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira pela organização global Transparência Climática, entidade que reúne ONGs de 16 países.

O desmatamento, responsável por quase metade das emissões de gases causadores do efeito estufa do Brasil, segue acelerado. Manteve-se acima dos 10 mil km² em 2019 e 2020. No mês de agosto, a Amazônia perdeu 1,6 mil km² de vegetação, aumento de 7% na comparação anual, segundo levantamento com base nos dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A falta de determinação no combate às chamas e a falta de fiscalização fizeram com que os alertas de desmatamento na Amazônia no acumulado dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro fossem 82% superiores à média dos alertas registrados nos três anos anteriores, como mostram os dados  do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Nos dois últimos anos, por falta de empenho das autoridades, a média de processos que impuseram multas cobradas por crimes ambientais nos Estados da Amazônia Legal despencou 93%, na comparação com a média dos quatro anos anteriores, revelou estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“O único jeito de superar essa crise é com ações concretas”, adverte Marcelo Furtado, professor visitante da Universidade de Columbia e um dos fundadores da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, organização que reúne representantes do agronegócio, do setor financeiro e da sociedade civil.

Na Assembleia-Geral da ONU realizada em setembro, o presidente Jair Bolsonaro anunciou o propósito de reduzir em 10 anos (de 2060 para 2050) a meta de neutralizar as emissões de carbono do Brasil. Mas, como observa Furtado, esse discurso não convence porque as políticas públicas do governo federal não caminham nessa direção. Ou seja, não tem credibilidade.

Nas últimas semanas, as lideranças do Congresso aumentaram as articulações para avançar nas discussões do projeto de lei que trata sobre a regulação do mercado brasileiro de crédito de carbono. Têm por objetivo levar o País à COP 26 com uma pauta já amadurecida, uma vez que um dos debates da conferência terá como tema o artigo 6 do Acordo de Paris, que prevê a criação do mercado de carbono global.

Diante do desgaste em torno da condução da política ambiental do Brasil, presidentes de 105 empresas de capital nacional e estrangeiro, como Amazon, Bradesco, Natura, Shell e Vivo, e de 10 entidades setoriais divulgaram carta em que defendem metas ambientais ambiciosas, desenvolvimento de medidas em direção a uma economia de baixo carbono e a volta do protagonismo do Brasil nas negociações sobre o clima.

Na mesma linha, empresas do setor de mineração – um dos mais sensíveis às restrições socioambientais – defenderam a necessidade de que o País adote compromissos mais firmes nessa área.

Governadores tentam suprir a lacuna deixada por Bolsonaro e mostrar para o mundo que os demais atores da sociedade brasileira estão comprometidos com a agenda. Em agosto, a coalizão dos governadores pelo clima, que reúne 25 chefes de Executivos estaduais, participou de encontro com o presidente da COP26, Alok Sharma. Um mês antes,  encontraram-se com John Kerry, enviado especial dos Estados Unidos para o clima, e discutiram projetos. Ao menos 10 representantes estaduais pretendem estar presencialmente na conferência.

Isso é pouco. Especialistas advertem que é preciso ampliar as metas de redução das emissões e reduzir drasticamente o desmatamento ilegal, que corresponde a 44% das emissões. “O Brasil vai comparecer à Conferência com as mãos vazias. Precisará mudar de postura para não se isolar ainda mais. Até agora, o cenário não tem sido positivo”, lamenta Fábio Feldman, consultor sênior de articulação política do Centro Brasil no Clima.

No caso, isolamento significa não só distanciamento diplomático, mas, também, menos parceiros comerciais para comprar os produtos que o Brasil exporta, menos investimentos estrangeiros e menos possibilidades de negócios para o País. 

/COM PABLO SANTANA

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA 



O caminho do vexame em Glasgow

 Elio Gaspari

O Globo

Se o Itamaraty cuidar, ele será evitado

Faltam três dias para a ida de Jair Bolsonaro à reunião do G-20 de Roma e mais um para o começo, no domingo, da reunião da ONU sobre mudanças climáticas, a COP-26. Se a conduta das delegações brasileiras for conduzida por profissionais do Itamaraty, será possível evitar que o Brasil saia satanizado de Glasgow. Se a orientação sair da copa do presidente Bolsonaro, arma-se um vexame. Essa preocupação é legítima quando se sabe que, em setembro, a copa do Alvorada deu o tom do discurso pedestre do capitão na abertura da Assembleia Geral da ONU.

A entrega da chefia da delegação brasileira ao ministro Joaquim Leite, do Meio Ambiente, foi um mau sinal. Não só pelo currículo e pela falta de experiência dele em assembleias internacionais, mas também pelo desconhecimento dos antecedentes históricos da encrenca em que se meteu. Ele disse que a proposta da Comissão Europeia de criar uma taxa de carbono sobre produtos importados seria “uma forma de proteger as indústrias europeias de concorrentes estrangeiros que não cumprem os mesmos padrões de redução das emissões de gases de efeito estufa”.

Traduzindo: os europeus usam a proteção ao meio ambiente para proteger suas economias. Essa ideia é compartilhada pelo ministro da Economia, doutor Paulo Guedes. Vá lá que haja um fator econômico na querela. Mesmo assim, acreditar que a preocupação mundial com o clima seja um joguinho de papeleiros “revela um despreparo enorme”, para usar uma expressão do próprio Guedes detonando a fantasia de um Plano Marshall diante da Covid-19.

O pelotão palaciano viajou no tempo para escorregar numa casca de banana do século XIX. Quando o Império defendia a escravidão e o contrabando negreiro, argumentava, quase em surdina, que o abolicionismo era um ardil dos ingleses para proteger sua produção. Em benefício da elite da época, esse argumento nunca foi vocalizado por ministros. O Barão de Penedo, embaixador em Londres, nunca disse essas tolices por lá.

Passou o tempo e, novamente em surdina, a ditadura dizia que a política de defesa dos direitos humanos do presidente Jimmy Carter era uma nova face do imperialismo americano.

Omitiam-se dois fatos essenciais: o Império assentava-se na escravidão, e a ditadura amparava-se na tortura. Hoje, tenta-se embaralhar a questão climática reciclando a ignorância. É perda de tempo porque, salvo na cabeça dos agrotrogloditas, as queimadas da Amazônia estão na agenda do mundo. 

Se o Brasil for para a reunião do G-20 de Roma e para Glasgow oferecendo um vago projeto verde, falando em protecionismo e cobrando recursos dos países ricos, pagará um mico. Em situações semelhantes, defendendo posições escalafobéticas, a diplomacia brasileira soube deixar o país fora da vitrine. Foi assim quando defendeu a insana política de reserva de mercado na informática, aquela que proibia a importação de computadores. Depois de um surto nacionalista, deixou o Acordo Nuclear com a Alemanha ir para a sepultura sem muxoxos.

Um presidente que não toma vacina e divulga a mentira de que ela provoca reações letais pode ser um ícone para seus convertidos, mas suas ideias em relação ao meio ambiente não são produto de exportação.


A visão distorcida de Mourão como defensor da Amazônia

 Nádia Pontes

Deutsche Welle

Em conversa com jornalistas estrangeiros, vice-presidente culpa "visão de esquerda" internacional por má fama de política ambiental do governo Bolsonaro.

  

Em coletiva à imprensa internacional, vice-presidente Hamilton Mourão 

fez diversas afirmativas que não coincidem com os fatos conhecidos

A poucos dias da 26ª Conferência do Clima (COP26), a primeira a ser realizada após o início da pandemia e que reunirá líderes globais em Glasgow, na Escócia, o governo brasileiro tenta convencer a imprensa internacional de que o país está comprometido com uma agenda ambiental.

Embora os dados de monitoramento da Floresta Amazônica medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) mostrem que os dois primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro foram marcados por taxas recordes de desmatamento dos últimos 12 anos, o vice-presidente Hamilton Mourão afirma o contrário.

"Nós tivemos uma redução pequena do desmatamento ao longo dos últimos dois anos. O pior foi em 2019. De lá para cá, tivemos uma redução que, dentro dos meus objetivos poderia ser melhor", declarou Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, numa coletiva de imprensa com correspondentes internacionais nesta segunda-feira (25/10).

Em 2019, a Amazônia sofreu 10,1 mil km2 de devastação; em 2020 foram 10,9 mil km2. E a estratégia de combate adotada, com empenho das Forças Armadas, não tem inibido a ilegalidade. A falta de expertise dos militares, os custos elevados das operações de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) executadas por esses agentes e o quadro insuficiente de servidores qualificados nos órgãos ambientais são apontados como causas para o insucesso. A conclusão é de uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), como foi debatida recentemente numa sessão da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

Ainda assim, Mourão alega que a fama internacional de antiambiental e negacionista que a atual gestão adquiriu "não condiz com a realidade". Ele diz creditar a oposição política ao governo Bolsonaro à "uma visão majoritária de esquerda em muitos países". 

Outros motivos seriam uma contestação à "pujança" do agronegócio brasileiro e a pressão dos "bolsões sinceros porém radicais" formados por ambientalistas, movimentos sociais e indígenas, que levariam uma mensagem errada para fora das fronteiras.

Em jurisdição internacional, Bolsonaro foi acusado de crimes ambientais graves nos últimos anos relacionados. Existem pelo menos três denúncias contra o mandante brasileiro no Tribunal Penal Internacional em Haia, Holanda, por sua política de destruição da floresta. Numa delas, a Articulação dos Indígenas do Brasil (Apib) alega que o presidente cometeu crimes contra a humanidade e genocídio ao incentivar invasão de terras indígenas por garimpeiros e propagar covid-19


Yanomamis e garimpo

Na coletiva online, que apresentou alguns problemas técnicos, levando os jornalistas estrangeiros a reclamarem da qualidade do áudio durante as respostas de Mourão, o desrespeito aos direitos indígenas também foi um tema recorrente.

Questionado sobre o aumento das invasões desses territórios por garimpeiros, o vice-presidente disse se tratar de uma "questão antiga" e que os números divulgados pelas lideranças seriam exagerados. 

Segundo o monitoramento feito pela Hutukara Associação Yanomami, atualmente pelo menos 20 mil garimpeiros estariam em busca de ouro no território, que sofre uma nova onda de invasões desde 2019. Outros indicativos do aumento da atividade ilegal estariam na abertura de estradas e no desmatamento no local, que os indígenas acompanham por imagens de satélites.

"São números inflados", tentou minimizar Mourão. "Nossa avaliação é menor, de 3 mil a 4 mil garimpeiros", completou sobre a situação na TI Yanomami que, onde, há poucos dias, duas crianças morreram depois de serem dragadas por uma balsa de garimpo ilegal.

Como parte da resolução do conflito, o vice-presidente considera a liberação da exploração de minérios nos territórios indígenas, citando como bom exemplo a ser seguido na região as atividades da Vale, em Carajás, no Pará. A mesma empresa está envolvida em dois grandes desastres ambientais e mortes ocorridos após o colapso de barragens de rejeitos, em Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, ambas em Minas Gerais.

Um relatório recente que investigou barragens em operação na Amazônia expôs o perigo que essas estruturas representam para comunidades próximas. O estudo, feito pela ONG Christian Aid, se concentrou em 26 barragens da Mineração Rio Norte (MRN), que detém  a maior rede dessas construções na floresta. A conclusão é que comunidades ribeirinhas e quilombolas que vivem no entorno seriam drasticamente afetadas em caso de falhas.

Após o rompimento das barragens da Samarco e Vale, a MRN revisou o nível de risco de suas estruturas e, até o início de 2021, 11 delas foram reclassificadas de baixo para médio e alto riscos – sendo sete de alto risco, aponta o relatório.

"A falta de transparência com que o processo de reclassificação foi realizado aumentou muito a ansiedade e o medo das comunidades de um possível rompimento das barragens, que poderia ser fatal para suas famílias e danificar irreversivelmente o meio ambiente, habitat e meios de subsistência", diz o texto, alertando para os perigos de novos empreendimentos de mineração na Amazônia.

 

Apesar de alegações de Brasília, imagens da Amazônia em chamas 

correram mundo, comprometendo a reputação do país

Visão de futuro

Para a imprensa internacional, Mourão comemorou a queda das queimadas na Amazônia. Depois da alta registrada em 2020, os focos de calor registrados pelo Inpe tiveram uma queda de 40% neste ano. 

Em sua visão sobre desenvolvimento sustentável da Amazônia, o vice-presidente inclui o asfaltamento da BR 319, que liga Porto Velho a Manaus. No caminho da rodovia, há diversas áreas protegidas e terras indígenas como a dos povos Mura, Mundukuru, Apurinã, Paumari e Parintintin. 

"A estrada permitiria a melhora da logística e permite que as forças de segurança atinjam com rapidez áreas que estejam sendo atingidas pela ilegalidade", alegou, como justificativa para a obra.

Entre pesquisadores há um consenso baseado no acúmulo de evidências: estradas são propulsoras do desmatamento. Segundo estudos feitos pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), a BR-319 dá aos criminosos acesso a vastas áreas intocadas. "Até agora, o desmatamento da Amazônia brasileira esteve quase inteiramente confinado à faixa nas bordas sul e leste da floresta, conhecida como o 'arco do desmatamento'. O imenso bloco de floresta na parte ocidental do estado do Amazonas tem sido poupado devido à falta de acesso", comenta o Idesam, e alerta para o provável boom.

Em setembro último, uma série de sobrevoos feitos pela Aliança Amazônia em Chamas, parceria entre as organizações Amazon Watch, Greenpeace Brasil e Observatório do Clima, mostrou que essa região já está se tornando a nova fronteira do desmatamento. Segundo participantes da expedição, a floresta tem sido consumida nessa região pelo fogo, substituída por pistas de pouso clandestinas e por grandes áreas para o cultivo de grãos, como soja.


COP26: O que é a conferência do clima em Glasgow e por que ela será tão importante

 BBC Brasil 

Líderes mundiais vão se reunir do dia 31 de outubro a 12 de novembro 

na Escócia para discutir novos compromissos para mitigar as mudanças climáticas

O Reino Unido vai sediar uma conferência considerada crucial para controlar as mudanças climáticas. O encontro será em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro, e pode levar a grandes mudanças no nosso dia a dia.

O que é a COP26 e por que está ocorrendo?

 

A Terra está aquecendo por causa da emissão de combustíveis fósseis pela ação humana. Eventos climáticos extremos ligados às mudanças climáticas, como ondas de calor, alagamentos e incêndios florestais, estão se intensificando. A década passada foi a mais quente já registrada, e governos concordam que uma ação coletiva urgente é necessária.

Para essa conferência, 200 países deverão apresentar seus planos de corte de emissões até 2030. Todos eles concordaram em 2015 em promover mudanças para manter o aquecimento global "bem abaixo" de 2°C acima dos níveis pré-industriais - e tentar atingir 1,5°C - para evitar uma catástrofe climática.

 


Isso é conhecido como Acordo de Paris, e significa que os países têm que continuar fazendo cortes maiores nas emissões até chegar à neutralidade nas emissões de carbono em 2050.

Ou seja, as emissões que não podem ser evitadas por tecnologia limpa em 2050 deverão ser soterradas com a tecnologia de captura e armazenamento de carbono ou absorvidas por plantas e solos.

O que será decidido na COP26?

A maioria dos países vai submeter seus planos de redução de emissões antes do início da conferência, portanto será possível avaliar se o mundo está no caminho certo para alcançar a meta do Acordo de Paris. Mas, durante as duas semanas da COP 26, são esperados novos anúncios de medidas.

A expectativa é que algumas sejam bem técnicas, incluindo regras que ainda são necessárias para implementar o Acordo de Paris, por exemplo.

Mas alguns outros anúncios podem incluir:

Mudança mais rápida para uso de carros elétricos

Acelerar a eliminação da energia a carvão

Cortar menos árvores

Proteger mais pessoas dos impactos das mudanças climáticas, financiando, por exemplo, sistemas costeiros de defesa contra eventos climáticos adversos

Cerca de 25 mil pessoas são esperadas em Glasgow, incluindo líderes mundiais, negociadores e jornalistas. Milhares de ativistas e empresas também vão participar de eventos e realizar protestos. O grupo Extinction Rebellion, por exemplo, está exigindo o fim imediato do uso de combustíveis fósseis.

No final da conferência, uma espécie de declaração é esperada. Cada país deverá assinar o documento e ele pode incluir compromissos específicos.

Quais devem ser os principais pontos de discussão?

Espera-se que haja muita conversa sobre dinheiro e justiça climática. Países em desenvolvimento tendem a poluir menos e não são responsáveis pela maior parte das emissões do passado. Mas são eles os principais afetados por alguns dos piores efeitos das mudanças climáticas.

 CRÉDITO,GETTY IMAGES

Países pobres e em desenvolvimento são os principais afetados 

por alguns dos piores efeitos das mudanças climáticas.

Eles precisam de mais dinheiro para reduzir suas emissões e mitigar os impactos da mudança climática. Isso pode significar mais painéis solares em países que dependem de energia de carvão e mais sistemas de defesa contra alagamentos e inundações.

Também haverá uma batalha sobre compensações para países em desenvolvimento afetados pelas mudanças climáticas. Países ricos anteriormente prometeram US$ 100 bilhões por ano para ajudar nações mais pobres até 2020.

 


Uma análise feita pelas Nações Unidas no ano passado revelou que a meta possivelmente não foi alcançada, portanto, países ricos estão sendo cobrados a contribuir com mais dinheiro.

O nível de comprometimento da China na COP 26 também será um fator importante. É o maior poluidor do mundo e possui investimentos em plantas de energia à base de carvão pelo mundo todo.

Muitos observadores estarão de olho no quão rápido a China, e outros grandes produtores de combustível fóssil, estarão dispostos a reduzir sua dependência nessas fontes poluentes.

Como a COP26 vai me afetar?

Alguns compromissos firmados em Glasgow poderão afetar diretamente o nosso dia a dia. Por exemplo, podem determinar se você vai dirigir um carro a gasolina, aquecer sua casa com aquecedor a gás ou viajar menos de avião.

Você vai ouvir muitos jargões

COP26: COP significa Conferência entre as Partes. Estabelecida pela ONU, a COP1 aconteceu em 1995. Essa será a vigésima sexta conferência. Por isso, a sigla COP26.

Acordo de Paris: O Acordo de Paris uniu todas as nações, pela primeira vez, num acordo único sobre os esforços globais para mitigar as mudanças climáticas e reduzir emissões de gases do efeito estufa.

IPCC: O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avalia as pesquisas mais atualizadas sobre mudanças climáticas

1,5°C: Manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, comparado com o período pré-industrial, vai impedir os piores efeitos das mudanças climáticas, dizem os cientistas.

O que é preciso para a COP26 ser um sucesso?

Como país-sede, o Reino Unido possivelmente vai querer que todos os países apoiem um acordo ousado que garanta a meta de neutralidade de carbono até 2050, bem como uma redução significativa até 2030.

O governo britânico também vai pressionar por compromissos específicos pelo fim da indústria de carvão, dos carros movidos a gasolina e diesel e pela proteção da natureza.

Países em desenvolvimento vão pressionar por um grande pacote de financiamento para os próximos cinco anos, para ajudá-los a se adaptar ao aumento das temperaturas.

Qualquer resultado que não contemple todos esses elementos será considerado insuficiente, porque simplesmente não há mais tempo a perder para manter viva a meta de 1,5°C.

No entanto, alguns cientistas acreditam que os líderes mundiais demoraram demais para tomar providências e que, independentemente do que seja acordado, a meta de 1,5°C não será atingida.


Devastação ambiental: o que o Brasil tem de bom e de ruim para a COP26

 Caíque Alencar 

Veja online

A boa notícia é que as queimadas na Amazônia, a ‘menina dos olhos’ da comunidade mundial, caíram em relação a 2020 e 2019; outros quatro biomas tiveram alta

  Daniel Beltra/Greenpeace/Divulgação 

Comunidade internacional têm interesse especial 

em acompanhar os números das queimadas no Brasil 

O Brasil se prepara para participar da COP26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que começa no próximo domingo, 31, em Glasgow, na Escócia, quando tentará desfazer a imagem de vilão ambiental do mundo que o governo Jair Bolsonaro construiu nos primeiros anos de mandato — não dá para comemorar, mas o país chegará ao evento com ao menos uma boa notícia para dar. 

Considerada a “menina dos olhos” da comunidade ambiental mundial, a Amazônia teve uma redução de área queimada em 2021, revertendo uma tendência dos dois primeiros anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, foram queimados 36.938 quilômetros quadrados na Amazônia – foram 62.311 quilômetros quadrados no mesmo período de 2020, o que era um aumento em relação aos 59.826 em 2019.

A boa notícia na seara amazônica, no entanto, não se repete em outros quatro biomas nacionais: Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado e Caatinga.

Na mata atlântica, a área queimada aumentou 27,6% entre 2020 e 2021,  também na comparação dos períodos entre janeiro e setembro, atingindo uma cobertura de 19.203 quilômetros quadrados destruídos – o número é o maior registrado desde 2011.

No Pantanal, as queimadas dispararam a partir de 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, saltando de 2.749 quilômetros quadrados queimados em 2018, ainda com Michel Temer na Presidência, para 12.948 no ano seguinte.

Já a Caatinga atingiu a maior área queimada dos últimos dezoito anos (22.282 quilômetros quadrados), enquanto no Cerrado, o fogo destruiu a maior cobertura dos últimos cinco anos (124.021 quilômetros quadrados).

Plano ambiental

Para contornar a cobrança internacional, o governo federal lançou na noite de segunda-feira, 25, o Programa Nacional de Crescimento Verde, que busca “aliar o desenvolvimento econômico a iniciativas sustentáveis. De acordo com o texto, o programa tem seis objetivos principais:

aliar o crescimento econômico ao desenvolvimento com iniciativas sustentáveis

aprimorar a gestão de recursos naturais para incentivar a produtividade, a inovação e a competitividade

criar empregos verdes

promover a conservação de florestas e a proteção da biodiversidade

reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com vistas a facilitar a transição para a economia de baixo carbono

estimular a captação de recursos, públicos e privados, destinados ao desenvolvimento da economia verde, provenientes de fontes nacionais e internacionais

Para o diretor-executivo da WWF-Brasil, Maurício Voivodic, no entanto, a carta de intenções do programa contrasta com a realidade brasileira. “O que o governo fez foi um greenwashing governamental, quando uma história é contada passando uma maquiagem verde. A verdade é que o Brasil não fez a sua lição de casa, e os investidores sabem disso”, diz.

O ambientalista lembra que, prevendo as críticas à comitiva  brasileira, não irão ao evento autoridades como o próprio Bolsonaro, além do chanceler Carlos França e da ministra Tereza Cristina (Agricultura). “Nós não vamos ter nada a mostrar, mas muito o que explicar. Pelo que temos acompanhado, a delegação brasileira vai se colocar menos como barreira e mais de uma forma propositiva”, afirma.


Governo lança plano agrícola ambiental para a COP26, do tipo “feito para inglês ver”

 Ana Paula Castro. TV Globo — Brasília

Tribuna da Internet 

Plano ambiental fica a cargo do produtor, sem fiscalização

O governo pretende apresentar na Conferência do Clima em Glasgow (Escócia), a COP26, que começa dia 31, a meta de reduzir em 1,1 bilhão de toneladas a emissão de carbono pelo setor agropecuário até 2030. Para a entidade ambientalista Greenpeace, a meta é “para inglês ver”.

Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, as atividades rurais (agropecuária e uso da terra) foram responsáveis em 2019 pela emissão de 1,56 bilhão de toneladas — o correspondente a 72% do total dos 2,17 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa emitidos pelo Brasil em 2019.

IMAGEM NO EXTERIOR – A meta de redução de 1,1 bilhão de toneladas até 2030 estabelecida pelo Ministério da Agricultura faz parte do Plano de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC+).

O novo plano será apresentado pelo governo durante o evento numa tentativa de defender a imagem da agropecuária brasileira no exterior.

“No próximo dia 6 de novembro, iremos apresentar o ABC+ na Conferência do Clima em Glasgow. (…) Iremos demonstrar todo o potencial da agropecuária brasileira como parte da solução e oferecer nossa experiência àqueles países de realidades semelhantes, com um chamamento à colaboração dos países industrializados por meio da cooperação internacional”, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

TUDO AO CONTRÁRIO – Para a coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, Fabiana Alves, o Plano ABC+ é “para inglês ver” e não condiz com a política ambiental do governo.

“Um plano para inglês ver, na véspera da COP26. Não é o que eles estão fazendo o ano todo, não é o que estão votando e apoiando no Congresso. Hoje, o que a gente tem é uma flexibilização de toda a legislação ambiental brasileira. (…) As metas não condizem com a política que está sendo feita pelo governo, uma política de desmonte ambiental no Brasil”, afirmou a coordenadora do Greenpeace.

O ABC+ é uma continuidade do projeto que esteve em vigor entre 2010 e 2020, conhecido como Plano ABC. O objetivo, de acordo com o Ministério da Agricultura, é promover uma agropecuária de baixa emissão de carbono e contribuir com a preservação do meio ambiente.

A CARGO DO PRODUTOR – O programa já tinha sido anunciado pelo Ministério da Agricultura em abril, mas a divulgação foi realizada novamente nesta segunda-feira (25), no Planalto.

Para se atingir as metas, o plano propõe que os próprios agricultores adotem práticas mais sustentáveis, como a recuperação de pastagens degradadas; o sistema de plantio direto; os bioinsumos e o manejo de resíduos da produção animal.

Só que a implementação dessas medidas fica a cargo do próprio produtor, que pode recorrer ao Plano Safra para financiar as mudanças na propriedade.

OUTRAS MEDIDAS  – Além de incentivar a redução da emissão de carbono equivalente até o final da década, o plano também prevê:

Aumentar a área em que tecnologias de produção sustentável são utilizadas. O objetivo é que mais 72,68 milhões de hectares adotem alguma das práticas para reduzir o carbono;

Ampliar o tratamento de 208,4 milhões de metros³ de resíduos animais. O volume corresponde a 27% do total de resíduos gerados por sistemas de produção pecuários;

Abater 5 milhões de cabeças de gado em terminação intensiva. Essa tecnologia permite que, a partir de suplementação da dieta do bovino com ração, o animal atinja idade e peso para abate antecipadamente, reduzindo a quantidade de gás poluente que seria emitida pelo animal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A ideia não é ruim e a última edição do Plano Safra trouxe uma linha de crédito voltada ao Plano ABC, com R$ 5 bilhões em recursos, com juros menores que os de mercado. O problema é que não há fiscalização. O ruralista pega o dinheiro para reduzir o carbono e investe no aumento da produção, que elevará a emissão de gases. (C.N.)



Brasil é 4º no mundo em ranking de emissão de gases poluentes desde 1850

 Nathalia Passarinho 

Da BBC News Brasil em Londres

 CRÉDITO,REUTERS

Levantamento leva em conta, pela primeira vez, emissões provocadas

 por desmatamento, não apenas queima de combustíveis fósseis

Na COP 26, a próxima conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, o Brasil pretende enfatizar o argumento que países desenvolvidos poluíram muito mais ao longo da história para enriquecer e devem, portanto, compensar nações em desenvolvimento pela proteção de suas florestas.

Mas uma nova pesquisa sobre acumulado histórico de emissões de gás carbônico põe o Brasil entre os maiores poluidores do mundo. No estudo, que leva em consideração pela primeira vez o desmatamento ao contabilizar a liberação de CO2, o Brasil aparece em quarto lugar no ranking de emissões desde 1850.

A China, gigante emergente que só pretende começar a reduzir suas emissões a partir de 2030, é apontada como o segundo maior emissor de gases do efeito estufa no acumulado histórico, atrás dos Estados Unidos.

O levantamento foi feito pelo think tank internacional Carbon Brief e leva em conta dados de emissões de queima de combustível fóssil, mudanças no uso do solo, produção de cimento e desmatamento de 1850 a 2021. Pesquisas anteriores consideravam no cálculo as emissões decorrentes de queima de combustível, sem incluir a poluição provocada pela destruição de florestas.

Brasil e Indonésia sobem ao top 5 da poluição 

A mudança de metodologia altera a lista de top 20 maiores poluidores históricos. Pesquisa de 2019 da Carbon Brief, que só considerava emissões por queima de combustível, apontava EUA, China, Rússia, Alemanha e Reino Unido com os cinco maiores emissores.

O estudo atualizado, publicado em outubro, inclui Brasil e Indonésia entre os grandes emissores, por causa da liberação de CO2 na atmosfera decorrente de desmatamento e manuseio do solo ao longo dos últimos 171 anos.

Conforme esse novo ranking, os cinco países que mais poluíram desde a Revolução Industrial, de 1850 a 2021, são: EUA, China, Rússia, Brasil e Indonésia. No Brasil e na Indonésia, a maior parte das emissões vem da derrubada de florestas e uso do solo para pecuária e agricultura, não da queima de combustíveis fósseis, como ocorre com os demais grandes poluidores.

Portanto, conforme ambientalistas, pesquisas que não consideram emissões decorrentes de desmatamento, negligenciam as peculiaridades da poluição brasileira.

Segundo Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, organização que calcula anualmente as emissões no Brasil, nos últimos 30 anos, cerca de 80% das emissões do país foram decorrentes de desmatamento e uso do solo para pecuária.

"Se você pegar os últimos 30 anos, 73% do das emissões do planeta estão na área de energia. Se você pegar os últimos 30 anos no Brasil, 55% das emissões são por desmatamento. Se você incluir emissões decorrentes da pecuária brasileira, a gente bate na casa dos 80%", disse Astrini à BBC News Brasil.

A discussão sobre responsabilidades no controle das mudanças climáticas vai ser central na reunião da COP26, que acontece do dia 31 de outubro a 12 de novembro em Glasglow, na Escócia. No encontro, líderes de mais de 100 países vão negociar novos compromissos para garantir a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global em 1,5°C.

Países pobres e em desenvolvimento devem cobrar mais compensações de nações ricas e destacar que elas falharam em cumprir o compromisso de contribuir com US$ 100 bilhões por ano em ações para mitigação das mudanças climáticas.

Por sua vez, EUA, Reino Unido e União Europeia tentam obter de grandes países emergentes, como Brasil, Rússia, China e Índia, compromissos mais ambiciosos de controle do desmatamento e redução de emissões.

A expectativa é que o Brasil seja um dos países mais pressionados, por causa do grande crescimento do desmatamento e das queimadas da Amazônia nos três primeiros anos de governo Bolsonaro.

Nessa queda de braço entre países ricos e em desenvolvimento, a responsabilidade de cada país pelo aquecimento do planeta será medida, entre outras maneiras, pelo seu volume atual e histórico de emissões.

O que revela o novo ranking
 

O levantamento publicado pela Carbon Brief sugere que os países com maior acúmulo de emissões desde o início da Revolução Industrial seriam, também, os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas.

"A história importa porque o acumulado de dióxido de carbono emitido desde o início da Revolução Industrial está intimamente ligada ao aquecimento de 1,2°C que já ocorreu", escreve o autor do estudo, Simon Evans.

"Emissões de CO2 de centenas de anos atrás continuam a contribuir para o aquecimento do planeta, e o aquecimento atual é determinado pelo total de emissões acumuladas ao longo do tempo."

Desde 1850, as ações humanas foram responsáveis por emitir 2,5 trilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, conforme o estudo. Em primeiro lugar no ranking de poluição, os Estados Unidos seriam responsáveis por 20% do total de emissões. A China aparece em segundo lugar, como responsável por 11% do CO2 global.

A Rússia vem em seguida, com 7% das emissões. O Brasil, segundo o estudo, é responsável por 5% do total de emissões nos últimos 171 anos e a Indonésia, por 4%.

Segundo a pesquisa, é a partir de 1950 que a aceleração do desmatamento nesses dois países começa a provocar aumento significativo de emissões.

"As florestas tropicais de Brasil e Indonésia já passavam por desmatamentos no final do século 19 e início do século 20, para produção de borracha, tabaco e outros. Mas o desmatamento começou 'para valer' por volta de 1950, incluindo pecuária, extração de madeira e plantações de óleo de palma", diz o estudo publicado pelo Carbon Brief.

Conforme a pesquisa, o Brasil emitiu 112,9 bilhões de toneladas de CO2 (GtCO2) desde 1850. Mais de 85% desse volume estaria associado à derrubada de florestas. Dos 20 maiores poluidores, o Brasil lidera na categoria desmatamento e emissões associadas ao uso da terra.

O estudo aponta ainda que Alemanha e Reino Unido respondem por 4% e 3% do total histórico de emissões, respectivamente. Mas esse percentual não leva em conta a poluição que eles causaram no exterior, no período em que colonizaram nações. Portanto, a responsabilidade histórica deles pode ser muito maior do que os números revelam.

O que o novo ranking significa para o Brasil?

 CRÉDITO,REUTERS/ADRIANO MACHADO

Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta semana que Brasil 

não deve ser visto como vilão ambiental porque teria 

menor responsabilidade sobre total de emissões

Integrantes do governo brasileiro reiteradamente usam o argumento de que o Brasil não é um grande poluidor, para defender que cobranças de metas ambiciosas para controle climático devem ser dirigidas a países ricos.

Diferentes pesquisas que não levam em conta desmatamento na contabilidade de emissões colocam o Brasil na sétima ou sexta posição no ranking de emissões, como responsável por cerca de 3% do total de CO2 na atmosfera.

A equipe de negociadores brasileiros vai apresentar à COP26 um documento que argumenta que o Brasil não é um grande emissor de CO2 e que, portanto, seu compromisso voluntário de cortar em 43% as emissões até 2030, levando como base o ano de 2005, é ambicioso o suficiente.

"O NDC (documento em que países apresentam metas climáticas) do Brasil é mais ambicioso do que o de vários países do G20. O Brasil responde por menos de 3% das emissões globais e nosso compromisso inclui uma meta não só para 2030, mas também uma meta de curto prazo, para 2015, o que permite melhor monitorar as ações de mitigação", diz o texto da delegação brasileira, a que BBC News Brasil teve acesso.

Na COP26, o Brasil vai se comprometer a reduzir em 37% as emissões até 2025, em 43% até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono em 2050- quando as emissões são reduzidas ao máximo e as restantes são integralmente compensadas com reflorestamento para absorção de CO2 da atmosfera ou tecnologias de captura de carbono.

Nesta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também lançou o argumento de que o Brasil não é grande poluidor, ao criticar cobranças de redução do desmatamento.

"Não é possível que o Brasil seja tratado como vilão da poluição internacional. Quando pegamos fluxos de poluição, o Brasil tem 1,7%, a Europa tem 15%, os Estados Unidos têm 15%, a China tem 30%. Como pode o país que menos polui ser o mais agredido internacionalmente? Evidentemente há interesses políticos e comerciais por trás", disse Guedes, sem especificar de onde tirou esses percentuais.

Mas, para ambientalistas, o levantamento que aponta o Brasil como quarto maior emissor histórico de carbono coloca o país em posição de grande responsabilidade para o controle das mudanças climáticas.

"O Brasil é um dos maiores emissores do mundo. Atualmente, ele está em sexto lugar em emissões e é o quarto maior em emissões históricas. Então, tem papel importante na redução de emissões, apesar de ainda ser um país em desenvolvimento com desafios para redução de pobreza", afirmou à BBC News Brasil Carlos Rittl, especialista em políticas públicas da Rain Forest Foundation, ONG ambiental da Noruega.

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Crédito de carbono: estudo aponta US$ 100 bilhões em receita até 2030

 Marina Filippe, Jornalista

Exame.cpm

Estudo da ICC Brasil e WayCarbon em parceria com as empresas apontam o potencial do mercado de carbono no Brasil e caminhos para alcançar resultados; tema será discutido também na COP26, em novembro


Em 2021, todo o mundo sofre com o impacto das mudanças climáticas, com registros recordes de temperatura, aumento de desastres naturais e prejuízos à biodiversidade. Esses sinais acendem um alerta e direcionam as discussões e políticas públicas em torno do combate às mudanças em curso, sobretudo na 26ª conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, que acontece na primeira quinzena de novembro, em Glasgow. 

Diante deste contexto, a ICC Brasil, capítulo nacional da maior organização empresarial do mundo, em parceria com a WayCarbon, consultoria estratégica com foco em sustentabilidade e mudança do clima, desenvolveram um estudo inédito sobre as oportunidades para o Brasil em mercados de carbono.

Com o apoio da Suzano, Microsoft, Shell, Natura, Bayer e bp, as instituições apuraram que o potencial de geração de receitas com créditos de carbono até 2030 para o Brasil ficaria em torno de US$493 milhões e US$ 100 bilhões. Isso equivaleria a 1 gigaton (1bi de toneladas de CO2 equivalentes) ao longo da próxima década para os setores de agro, floresta e energia.

Hoje, há um registro acumulado de mais de 14.500 projetos de crédito de carbono ao redor do globo, que corresponderam à geração de quase 4 gigatons de tCO2 de créditos até 2020.

“A transição para uma economia de baixo carbono é uma das maiores oportunidades de negócio da nossa era. Gosto sempre de reforçar a importância da geração do lucro através do propósito e esta é uma forma de acelerarmos o crescimento econômico sustentável do nosso País.”, destaca Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil.

Mercado de carbono e oportunidades para o Brasil

O crédito de carbono é um instrumento econômico que visa a diminuição dos gases de efeito estufa, que provocam o agravamento das mudanças climáticas. Esses créditos fazem parte de um mecanismo de flexibilização, que auxilia os países ou empresas que possuem metas de redução de emissão de gases de efeito estufa a alcançá-las de forma mais custo efetiva.

A cada tonelada reduzida ou não emitida desses gases, gera-se um crédito de carbono. Assim, quando um país ou empresa consegue reduzir a emissão, a depender das metodologias envolvidas, ele recebe um crédito.

O estudo aponta que, na próxima década, o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37,5% da demanda global do mercado voluntário e de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado no âmbito da ONU. E, até mais, considerando as políticas públicas, nos mecanismos do artigo 6, gerando as receitas de 100 bilhões de dólares.

“Mercados de carbono são uma solução econômica ganha-ganha. Além da redução de emissões de GEE, a experiência evidencia benefícios que são fundamentais para o Brasil, como geração de emprego e renda, melhoria na qualidade das condições de trabalho, aprimoramento da qualidade e de disponibilidade hídrica e segurança energética”, diz Laura Albuquerque, gerente de finanças sustentáveis da WayCarbon.

Visto a oportunidade de atuação nos mercados de carbono globais e o destaque para os setores agropecuário, florestal e energético, entende-se que há um caminho a ser percorrido pelo governo brasileiro e pelo setor privado a fim de destravar e alavancar tais oportunidades de geração de receita, renda, saúde e bem-estar social.

Em 2021, todo o mundo sofre com o impacto das mudanças climáticas, com registros recordes de temperatura, aumento de desastres naturais e prejuízos à biodiversidade. Esses sinais acendem um alerta e direcionam as discussões e políticas públicas em torno do combate às mudanças em curso, sobretudo na 26ª conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, que acontece na primeira quinzena de novembro, em Glasgow.

Diante deste contexto, a ICC Brasil, capítulo nacional da maior organização empresarial do mundo, em parceria com a WayCarbon, consultoria estratégica com foco em sustentabilidade e mudança do clima, desenvolveram um estudo inédito sobre as oportunidades para o Brasil em mercados de carbono.

Com o apoio da Suzano, Microsoft, Shell, Natura, Bayer e bp, as instituições apuraram que o potencial de geração de receitas com créditos de carbono até 2030 para o Brasil ficaria em torno de US$493 milhões e US$ 100 bilhões. Isso equivaleria a 1 gigaton (1bi de toneladas de CO2 equivalentes) ao longo da próxima década para os setores de agro, floresta e energia.

Hoje, há um registro acumulado de mais de 14.500 projetos de crédito de carbono ao redor do globo, que corresponderam à geração de quase 4 gigatons de tCO2 de créditos até 2020.

“A transição para uma economia de baixo carbono é uma das maiores oportunidades de negócio da nossa era. Gosto sempre de reforçar a importância da geração do lucro através do propósito e esta é uma forma de acelerarmos o crescimento econômico sustentável do nosso País.”, destaca Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil.

Mercado de carbono e oportunidades para o Brasil

O crédito de carbono é um instrumento econômico que visa a diminuição dos gases de efeito estufa, que provocam o agravamento das mudanças climáticas. Esses créditos fazem parte de um mecanismo de flexibilização, que auxilia os países ou empresas que possuem metas de redução de emissão de gases de efeito estufa a alcançá-las de forma mais custo efetiva.

A cada tonelada reduzida ou não emitida desses gases, gera-se um crédito de carbono. Assim, quando um país ou empresa consegue reduzir a emissão, a depender das metodologias envolvidas, ele recebe um crédito.

O estudo aponta que, na próxima década, o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37,5% da demanda global do mercado voluntário e de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado no âmbito da ONU. E, até mais, considerando as políticas públicas, nos mecanismos do artigo 6, gerando as receitas de 100 bilhões de dólares.

“Mercados de carbono são uma solução econômica ganha-ganha. Além da redução de emissões de GEE, a experiência evidencia benefícios que são fundamentais para o Brasil, como geração de emprego e renda, melhoria na qualidade das condições de trabalho, aprimoramento da qualidade e de disponibilidade hídrica e segurança energética”, diz Laura Albuquerque, gerente de finanças sustentáveis da WayCarbon.

Visto a oportunidade de atuação nos mercados de carbono globais e o destaque para os setores agropecuário, florestal e energético, entende-se que há um caminho a ser percorrido pelo governo brasileiro e pelo setor privado a fim de destravar e alavancar tais oportunidades de geração de receita, renda, saúde e bem-estar social.

O estudo traz mais de 10 recomendações essenciais, mas há dois passos que são chave. O primeiro é entender os mercados de carbono como potencial de destravar oportunidades financeiras para planos de recuperação econômica e aceleração do crescimento sustentável da economia brasileira e o segundo, desenvolver sistemas de monitoramento, relato, verificação e redução de emissões robustos que abarquem todos os setores produtivos da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira.

Destaques para os setores:

 Agropecuário:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 10 e 90 Milhões tCO2e (até US$ 9 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: Sistemas integrados de lavoura e pecuária (ILP), e lavoura, pecuária e florestas (ILPF), agricultura de baixo carbono (ABC) , com foco principal em fixação do nitrogênio e plantio direto. Intensificação da pecuária bovina de corte, que inclui recuperação de pastagens degradadas, a adubação de pastagens extensivas e o confinamento

Cobenefícios socioambientais: redução da pressão sobre o desmatamento, melhoria da qualidade das condições de trabalho e contribuição para a segurança alimentar

Oportunidades para a cadeia produtiva: novas fontes de renda para os produtores rurais, recuperação do potencial produtivo em áreas degradadas, garantia da competitividade entre os principais fornecedores agrícolas internacionais e fortalecimento de pequenos produtores.

“No agro, muitas das práticas sustentáveis fazem parte da Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que promove técnicas conservacionistas para mitigação da emissão de gases de efeito estufa e para captura de carbono no solo”, destaca Eduardo Bastos, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

Florestas:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 71 e 660 Milhões tCO2e (até US$ 66 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: Reflorestamento, manejo e restauração florestal sustentável

Cobenefícios socioambientais: diminuição das erosões, manutenção na biodiversidade local, aprimoramento da qualidade e disponibilidade hídrica, efeitos positivos à saúde humana com a redução de desmatamento e queimadas

Oportunidades para a cadeia produtiva: geração de aproximadamente 7 milhões de empregos no Brasil

Energia:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 27 e 250 Milhões tCO2e (até US$ 25 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: turbinas hidrocinéticas, repotenciação das hidrelétricas, eólicas offshore, usina solar flutuante, cogeração, etanol de segunda geração, biocombustíveis avançados e hidrogênio verde

Cobenefícios socioambientais: segurança energética e geração de empregos e de renda

Oportunidades para a cadeia produtiva: novos empregos com quase 839 mil novos empregos com a geração de biocombustíveis, 166 mil com a geração de energia solar desde 2012 e 498 mil por ano para a geração de energia eólica entre 2011 e 2019

"Esse é um momento para o Brasil reconstruir sua credibilidade internacional e ninguém melhor que o setor privado para levar essa questão ao governo e autoridades. O estudo que desenvolvemos nos mostra os benefícios econômicos e, consequentemente, sociais e ambientais que os mercados de carbono podem trazer para o Brasil", diz Gabriella Dorlhiac, diretora executiva da ICC Brasil.

Para a bp, esse estudo demonstra de forma muito clara o potencial do Brasil em se tornar o principal ator na jornada global rumo à neutralidade. “As oportunidades de redução de emissões oferecem ao país uma condição única de poder cumprir seus compromissos climáticos e também ajudar outros países e instituições a cumprirem os seus, captando recursos importantes para o desenvolvimento econômico, social e a preservação ambiental”, afirma Celso Fiori, Head de comunicação e advocacia da bp Brasil.

Para Denise Hills, diretora de sustentabilidade de Natura &Co Latam, essa é a oportunidade de colocar o Brasil em um papel de protagonista na agenda global de sustentabilidade e da economia de baixo carbono. "Mas isso depende do apoio a uma economia voltada para a conservação de biomas, avanços em direção à circularidade, além de incluir pessoas e comunidades que são essenciais na valoração da sociobiodiversidade”, afirma.


ONU: Brasil foi o país do G20 que mais regrediu em metas de emissões

 Exame.com

Com informações Estadão conteúdo

A promessa brasileira de redução de emissões original, feita em 2015, e a promessa atualizada apresentam a mesma meta porcentual

(REUTERS)

Emissões: expectativa de ambientalistas é de que o Brasil apresente 

uma nova atualização até a COP26, que começa na próxima semana,

 ou mesmo durante o evento. 

O Brasil foi o país que mais regrediu em suas ambições de reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) entre as nações do G-20, aponta um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira, 26. Publicado a poucos dias da Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow, o documento destaca ainda que as promessas climáticas para 2030 colocam o mundo no caminho de aumento de temperatura de pelo menos 2,7ºC neste século.

O Relatório sobre Lacuna de Emissões, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), detalha o status das promessas dos países para reduzir as emissões de CO2, chamadas de NDCs (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas). As NDCs são apresentadas a cada cinco anos e refletem os compromissos de redução de emissões dos países para conter o aquecimento global.

No caso do Brasil, segundo o relatório da entidade global, a NDC atualizada "leva a um aumento absoluto" nas emissões, da ordem de 300 milhões de toneladas de CO2. A promessa brasileira de redução de emissões original, feita em 2015, e a promessa atualizada apresentam a mesma meta porcentual: de queda de 43% até 2030 em relação aos níveis de emissão de 2005.

O que muda é o ponto de partida para estimar os lançamentos de gases estufa. A gestão Jair Bolsonaro revisou retroativamente os dados brasileiros sobre emissões em 2005 - o que eleva a base de cálculo, de 2,1 bilhões de toneladas de CO2 por ano, para 2,8 bilhões. Essa manobra brasileira, chamada por ambientalistas de "pedalada climática", foi contestada por entidades na Justiça e pode ser alvo de críticas na cúpula de Glasgow. Isso não significa que o Brasil seja o dono da pior meta, mas que o País tem caminhado no sentido contrário, de compromissos menos ambiciosos contra o aquecimento global.

A expectativa de ambientalistas ouvidos pelo Estadão é de que o Brasil apresente uma nova atualização até a Cop-26, que começa na próxima semana, ou mesmo durante o evento. Procurados pela reportagem, os ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores não se manifestaram.

O Brasil tem se isolado nas discussões ambientais, diante da postura de Bolsonaro de fragilizar os órgãos ambientais no combate a crimes na Amazônia. Desde 2019, o presidente também mantém relação conflituosa com países ricos que apontam problemas na preservação da floresta, que vem registrando alta de incêndios e de desmate.

O Brasil foi o país que mais regrediu em suas ambições de reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) entre as nações do G-20, aponta um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira, 26. Publicado a poucos dias da Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow, o documento destaca ainda que as promessas climáticas para 2030 colocam o mundo no caminho de aumento de temperatura de pelo menos 2,7ºC neste século.

O Relatório sobre Lacuna de Emissões, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), detalha o status das promessas dos países para reduzir as emissões de CO2, chamadas de NDCs (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas). As NDCs são apresentadas a cada cinco anos e refletem os compromissos de redução de emissões dos países para conter o aquecimento global.

No caso do Brasil, segundo o relatório da entidade global, a NDC atualizada "leva a um aumento absoluto" nas emissões, da ordem de 300 milhões de toneladas de CO2. A promessa brasileira de redução de emissões original, feita em 2015, e a promessa atualizada apresentam a mesma meta porcentual: de queda de 43% até 2030 em relação aos níveis de emissão de 2005.

O que muda é o ponto de partida para estimar os lançamentos de gases estufa. A gestão Jair Bolsonaro revisou retroativamente os dados brasileiros sobre emissões em 2005 - o que eleva a base de cálculo, de 2,1 bilhões de toneladas de CO2 por ano, para 2,8 bilhões. Essa manobra brasileira, chamada por ambientalistas de "pedalada climática", foi contestada por entidades na Justiça e pode ser alvo de críticas na cúpula de Glasgow. Isso não significa que o Brasil seja o dono da pior meta, mas que o País tem caminhado no sentido contrário, de compromissos menos ambiciosos contra o aquecimento global.

A expectativa de ambientalistas ouvidos pelo Estadão é de que o Brasil apresente uma nova atualização até a Cop-26, que começa na próxima semana, ou mesmo durante o evento. Procurados pela reportagem, os ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores não se manifestaram.

O Brasil tem se isolado nas discussões ambientais, diante da postura de Bolsonaro de fragilizar os órgãos ambientais no combate a crimes na Amazônia. Desde 2019, o presidente também mantém relação conflituosa com países ricos que apontam problemas na preservação da floresta, que vem registrando alta de incêndios e de desmate.

Entre os países do G-20, apenas o México também apresentou revisão de meta que ocasiona crescimento das emissões, mas nesse caso, segundo a ONU, o aumento é "marginal". No caso do México, um tribunal colegiado suspendeu este mês as metas de combate ao aquecimento global e determinou que a versão mais ambiciosa fosse retomada. Outros países mantiveram suas metas ou as tornaram mais ambiciosas. As novas versões com os maiores cortes de emissões, segundo o relatório, são dos Estados Unidos, da União Europeia, Reino Unido, Argentina, Canadá, China e Japão.

"Temos oito anos para reduzir quase à metade as emissões de gases de efeito estufa e ter uma possibilidade de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Oito anos para colocar em marcha planos, concluir políticas, executá-las, e finalmente conseguir as reduções. O tique-taque do relógio bate com força", alertou Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma.


Governo federal usa só 22% das verbas contra desmate e queimadas

 André Borges, 

O Estado de S.Paulo

De R$ 384,9 milhões existentes no caixa federal, apenas R$ 83,5 milhões foram usados até setembro pelo Ibama e pelo ICMBio; sucateamento dos quadros é um dos problemas

 Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Ibama, principal órgão do governo federal na proteção da Amazônia, 

perdeu 45% dos fiscais em 10 anos. 

BRASÍLIA - Em meio a índices recordes de desmatamento e de queimadas no País, o problema não se resume à pouca destinação de recursos para a área. Até o fim de setembro, o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pela gestão ambiental, tinham R$ 384,9 milhões para, especificamente, ações contra o desmatamento e as queimadas. Dentro dessa cifra estão o orçamento federal, definido todo ano, pedidos de créditos extraordinários e emendas parlamentares. Ocorre que, até a última semana do mês passado, apenas R$ 83,5 milhões desse montante (22%) haviam sido efetivamente utilizados. 

Os dados oficiais, que foram compilados pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), apontam que outros R$ 187,5 milhões chegaram a ser empenhados – ou seja, reservados para pagamentos futuros –, mas isso não significa que esses repasses ocorrerão em 2021. Na prática, grande parte pode ser quitada só no ano que vem – quando haverá outro orçamento à disposição.

Parte dos recursos disponíveis neste ano se deve a um crédito extraordinário solicitado pelo próprio governo, após a pressão interna e externa que tem sofrido por causa do descontrole do desmate e das queimadas. Em junho, o Congresso Nacional votou a favor dessa ampliação, fazendo com que o orçamento inicialmente previsto – de R$ 135,1 milhões – chegasse aos atuais R$ 384,9 milhões. O efeito prático desse reforço, porém, não se vê nas florestas nacionais.

"O desempenho na execução mostra-se problemático, considerando-se o período mais crítico de incêndios e queimadas, entre julho e outubro, e o encerramento do ano fiscal a praticamente três meses", diz Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc.

Sucateamento

Por trás da letargia dos órgãos ambientais em executarem seus trabalhos estão problemas como a falta de pessoal especializado, devido ao sucateamento progressivo do quadro profissional, além da nomeação de pessoal militar sem conhecimento técnico do setor. O cenário se agravou ainda mais neste ano, quando o Ibama ficou praticamente paralisado por três meses, com o afastamento de toda a cúpula do órgão, alvo de investigações da PF sobre possíveis esquemas de exportação ilegal de madeira – episódio que levou à queda do ex-ministro do MMA, Ricardo Salles.

A baixa execução orçamentária afeta as ações de combate em pleno período de estiagem. Até o fim de setembro, o Ibama tinha R$ 59,4 milhões para "prevenção e controle de incêndio", mas só R$ 14,9 milhões tinham sido sacados. No ICMBio, a cifra disponível contra as queimadas chegava a R$ 74,2 milhões e menos da metade – R$ 35 milhões – foi usada.

"A baixa execução, considerando-se o auge das queimadas, demonstra as dificuldades que o Ibama e o ICMBio têm para gastar recursos, problema que não pode ser dissociado da falta de pessoal nem do desmonte das normativas de fiscalização do órgão", comenta Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc. 

"Não adianta reforçar os recursos da fiscalização, por exemplo, e não ter servidores para julgar os processos sancionadores ambientais. O não julgamento tira toda a força dos autos de infração. Cabe lembrar que o País tem recursos disponíveis que não está usando, como os R$2,9 bilhões parados no Fundo Amazônia, desde janeiro de 2019", diz Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas da organização Observatório do Clima.

Para 2022, o orçamento federal prevê R$ 327,8 milhões para ações de controle e combate ao desmatamento e queimadas em Ibama e ICMBio. A questão é saber do uso. Desde a tarde de segunda-feira, a reportagem questionou o ministério, o Ibama e o ICMBio sobre a inanição orçamentária. Em diversas ocasiões, voltou a cobrar um posicionamento dos órgãos. Não houve resposta até as 21 horas de ontem.

3 perguntas para...

...Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas da organização Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama na gestão de Michel Temer

Por que o Ibama e o ICMBio não gastam aquilo que recebem?

Dois fatores explicativos preponderam: o número reduzido de servidores, especialmente de agentes de fiscalização, e a inexperiência dos gestores colocados em cargos de coordenação no atual governo. A impressão que dá é que o governo não tem ideia de como executar esses recursos num quadro de carência de pessoal. Não é simples, mas gestores com conhecimento da dinâmica da autarquia conseguiriam se virar nesse sentido. Em maio deste ano, houve suplementação relevante de recursos no Ibama para duas ações orçamentárias, a fiscalização ambiental e a prevenção e controle de incêndios florestais, mas a execução realmente está baixa, considerando que temos pouco mais de 60 dias para o fechamento do ano.

O que é preciso fazer para que os recursos de fiscalização sejam efetivamente aplicados?

O número de fiscais teria de ser mais do que dobrado no caso do Ibama e reforçado no ICMBio. O problema é que o concurso que foi autorizado está longe de resolver essa situação. Centraram as vagas nos servidores de nível médio, que não suprirão as demandas da fiscalização ambiental. Fiscalização ambiental em 2021 não é feita chutando a porteira de fazenda ou a porta de serraria. Precisa de agentes com muita formação técnica, para atuação com cruzamento de dados públicos, análise de imagens de satélite e atividades de inteligência. O foco deve ser a contratação de analistas de nível superior, até mesmo para as operações remotas poderem ser reforçadas. Para a efetiva aplicação, há necessidade, também, de trocas nas coordenações das duas autarquias, com priorização de servidores do próprio órgão que conheçam realmente as tarefas a serem executadas.

Falta dinheiro para a proteção do meio ambiente?

Falta, porque a proteção do meio ambiente vai muito além da fiscalização ambiental. A suplementação orçamentária que ocorreu em 2021 abrangeu apenas duas ações no Ibama e duas no ICMBio. As duas autarquias têm atribuições amplas. Não adianta reforçar os recursos da fiscalização, por exemplo, e não ter servidores para julgar os processos sancionadores ambientais. O não julgamento tira toda a força dos autos de infração. Cabe lembrar que o País tem recursos disponíveis que não está usando, como os R$2,9 bilhões parados no Fundo Amazônia, por implicância do ex-ministro Ricardo Salles, desde janeiro de 2019. Esse caso é objeto, inclusive, de uma ação no Supremo Tribunal Federal.


Pastagem ocupa 75% do desmatamento em florestas públicas na Amazônia, aponta Ipam

 Laís Modelli 

Portal   g1

Estudo também revela que 44% de todo o desmatamento dos dois últimos anos na Amazônia ocorreu em terras públicas.

 — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Vista aérea mostra gado pastando em área desmatada

 da Amazônia próxima a Porto Velho, no dia 14 de agosto. 

Pastagens ocupam 75% das áreas desmatadas em terras públicas não destinadas na Amazônia, revelou um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) publicado na terça-feira (26).

Em pouco mais de duas décadas, entre 1997 e 2020, foram desmatados 8% das florestas públicas existentes da Amazônia Legal, um total de 21 milhões de hectares. A área devastada neste período é maior que o estado do Paraná.

A emissão de gases estufa associada a essa destruição chega, no período analisado, a 10,2 gigatoneladas de CO2, correspondendo a cinco anos de emissões nacionais de gases estufa do Brasil.

Veja o que mais revelou o estudo do Ipam:

44% de todo o desmatamento na Amazônia dos dois últimos anos (2019 e 2020) ocorreu em terras públicas;

67% do desmatamento registrado nas terras públicas em 2019 e 2020 aconteceu nas florestas não destinadas;

22% da área desmatada em terras públicas não destinadas na Amazônia é abandonada; Após 5 anos, essas terras apresentam algum grau de regeneração da vegetação;

Conversão da floresta em pasto é "regra" em terras devolutas e florestas não destinadas na Amazônia

De acordo com a nota técnica do estudo, o boi criado nessas áreas públicas desmatadas e griladas é vendido para outras fazendas, e, "mais cedo ou mais tarde, acaba invariavelmente em um frigorífico. Como as empresas não monitoram o cumprimento de regramentos sociais e ambientais de seus fornecedores indiretos, ele não é computado como carne de desmatamento ilegal".

“A grilagem é um fator de risco para o equilíbrio climático do planeta, e ainda carrega para o setor da pecuária dois problemas: ilegalidade e mais emissões de gases do efeito estufa”, diz o pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho. 

MapBiomas: em 34 anos, Brasil perdeu 

89 milhões de hectares de vegetação natural

O problema não para por aí, segundo o Ipam: o desmatamento em terras públicas vem se intensificando nos últimos dez anos, período em que ocorreu 52% de todo o desmatamento registrado na área.

Outro levantamento deste ano sobre conversão das terras em pastagens, do MapBiomas, mostrou que a agropecuária foi responsável por 90% da perda de vegetação natural do Brasil entre os anos 1985 e 2019.

Ao todo, a Amazônia Legal tem 276,5 milhões de hectares de florestas públicas. Se fosse um país europeu, a área perderia em território apenas para a Rússia.

Terras públicas

Vaca em pasto plantado em área desmatada da Amazônia perto da rodovia Transamazônica em Humaitá, no Amazonas — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Terras públicas são áreas sob o domínio e responsabilidade da União e dos Estados. Elas podem ser destinadas - é o caso das Terras indígenas e unidades de conservação - e não destinadas.

Segundo o Ipam, o desmatamento e a conversão em pastagem ocorrido nas terras públicas nos últimos 20 anos se deram quase que exclusivamente nas não destinadas, já que Terras indígenas e unidades de conservação apresentaram apenas de 1% a 2% do desmatamento.

O dado do Ipam vai de encontro com um levantamento do MapBiomas, publicado em agosto, que mostrou que os territórios indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil nos últimos 35 anos.


 

Por que o desmatamento da Amazônia pode empatar meta do Acordo de Paris

 Talita Assis, Repórter da Exame

Exame.com

Controlar o desmatamento da Amazônia é um desafio central no enfrentamento às mudanças climáticas. Entenda como a destruição da floresta impacta o clima


A poucos dias do início da Conferência do Clima da ONU, a COP26, intensificam-se as discussões sobre a importância da Amazônia. Uma das metas brasileiras no Acordo de Paris é zerar o desmatamento ilegal até 2030 e o mundo pressiona por medidas de conservação da floresta. Mas de que formas o desmatamento da Amazônia impacta o clima?

Além de possíveis impactos no clima local, devido a mudanças na estrutura na floresta, como o aumento de temperatura e a diminuição da umidade, o desmatamento da Amazônia pode afetar o clima em escalas mais amplas.

Como o desmatamento afeta o clima no Brasil

A umidade trazida da Amazônia para o centro-sul do Brasil exerce um papel fundamental no regime de chuvas do país. Essa umidade é resultado de uma combinação da elevada evapotranspiração das árvores (evaporação da água do solo mais a transpiração das plantas) com a grande capacidade de formação de nuvens na floresta. Como um rio aéreo, as nuvens se deslocam em direção ao oeste e depois curvam-se para o sul, conduzido pelos Andes.

A elevada evapotranspiração que faz com que parte significativa da água das chuvas retorne à atmosfera, ocorre porque as raízes profundas das árvores da floresta conseguem acessar grandes quantidades de água do solo, mesmo que estejam armazenadas a mais de 10 metros de profundidade. Assim, mesmo nas épocas mais secas, quando há pouca água disponível, as árvores conseguem captar água do solo profundo e manter altos índices de retorno da umidade à atmosfera.

Portanto, quando uma área é desmatada essa capacidade é comprometida, afetando o transporte de umidade da região amazônica para o centro-sul do país. Alterações neste transporte podem impactar os mananciais e, consequentemente, a agricultura, a produção energética e abastecimento de água do país.

Quando uma árvore morre, o carbono nela armazenado é liberado para a atmosfera. Esse processo é natural e parte do ciclo do carbono, que envolve todos os seres vivos. Porém, quando ocorre a mortalidade expressiva de árvores, como no desmatamento, há grande emissão de CO2. Esse processo é potencializado quando essa mortalidade acontece em uma mata densa, composta de muitas árvores de grande porte, que possuem enorme quantidade de carbono que foi sendo armazenado durante seu crescimento ao longo de muitos anos, como no caso da Amazônia.

Este aumento das emissões é um grande problema em um momento em que as mudanças climáticas são uma realidade e a redução das emissões é urgente. Segundo o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a concentração de CO2 na atmosfera é maior agora do que foi em qualquer outro momento dos últimos 2 milhões de anos. Essa concentração tão elevada de CO2 e outros gases de efeito estufa tem desencadeado um processo de aumento da temperatura média do planeta, causando um desequilíbrio que, além da elevação dos níveis dos oceanos, aumento de temperatura e redução das chuvas, levará a aumento da ocorrência de eventos extremos como enchentes, furações e extremos de calor em diversas regiões.

Combinados, estes fatores se somam as preocupações dos especialistas quando o assunto é desmatamento da Amazônia e fomentam as discussões da sociedade como um todo, conduzindo estratégias de mercado e escolhas de consumo. É importante lembrar, no entanto, que a importância da Amazônia vai além da regulação climática.



Brasil fez lobby para mudar relatório climático, diz Greenpeace

  Timothy Jones, Luisa Frey

Deutsche Welle

Documentos vazados obtidos pela ONG mostram que país está entre grandes produtores de carne bovina, carvão e petróleo que pressionaram por mudanças em texto do IPCC sobre o aquecimento global.

   

Grande produtor de carne, Brasil pressionou para que trechos

 promovendo dieta vegetariana fossem removidos de relatório, segundo o Greenpeace

Vários países, entre eles o Brasil, tentaram fazer mudanças em um crucial relatório da ONU sobre como combater o aquecimento global, afirmou o Greenpeace nesta quinta-feira (21/10), citando um grande vazamento de documentos.

Os documentos aos quais a equipe jornalística do projeto Unearthed, do Greenpeace, teve acesso consistem de comentários feitos por governos e outras entidades relativos ao rascunho de um relatório elaborado por um grupo de trabalho internacional do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O relatório deverá ser divulgado no ano que vem.

Embora a maioria dos comentários encaminhados ao IPCC por governos tenham tido como intenção melhorar o relatório, diversos grandes produtores de carvão, petróleo, carne bovina e ração animal pressionaram por mudanças para satisfazer seus interesses econômicos, relatou o Greenpeace.

As tentativas de lobby foram reveladas a poucos dias da abertura das negociações climáticas no âmbito da próxima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP26, a ser realizada em Glasgow, na Escócia, a partir de 31 de outubro. O encontro é visto por muitos como crucial para determinar se o aquecimento global causado pelo homem causará danos irreparáveis ao planeta.

Brasil, Argentina e o lobby da carne

Em comentários vistos pela equipe do Greenpeace, o Brasil e a Argentina, dois dos maiores produtores de carne bovina e ração animal do mundo, fizeram lobby junto ao IPCC para que fossem removidas menções a dietas baseadas em vegetais e à redução do consumo de carne e laticínios como benéficas para o clima.

Segundo o Greenpeace, ambos os países também pediram aos autores do relatório que fossem removidas passagens que descrevem a carne bovina como um alimento de "alto carbono".

Apesar das evidências científicas, o Brasil, "onde o desmatamento da Amazônia relacionado à agricultura está aumentando acentuadamente sob o presidente próximo ao agronegócio Jair Bolsonaro", tentou fazer com que o IPCC retirasse do relatório a ser divulgado no ano que vem conexões diretas entre o consumo de carne e o aquecimento global, diz a ONG.

"Por exemplo, em comentários registrados em março deste ano, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro tenta remover do rascunho formulações que afirmam que uma transição para dietas com maior proporção de 'proteínas baseadas em vegetais' em regiões onde pessoas ingerem um excesso de calorias e alimentos baseados em animais poderia levar para uma redução substancial das emissões de gases de efeito estufa e fornecer benefícios à saúde", aponta o Greenpeace.

A ONG diz ainda que o Brasil pediu que fosse deletado o seguinte trecho: "Dietas com pouca carne e laticínios já são prevalentes em muitos países e culturas e sua aceitação está aumentando em relação aos atuais níveis baixos em outros lugares. Dietas baseadas em vegetais podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 50% em comparação à dieta média ocidental, intensiva em emissões."

Como justificativa para as exclusões propostas, o revisor do Brasil escreveu: "Não se pode pressupor que dietas vegetais e dietas saudáveis são a mesma coisa, que ambas terão um baixo impacto ambiental ou que uma dieta sustentável será saudável", segundo o Greenpeace.

O revisor brasileiro argumenta então que a sustentabilidade "depende da realidade local", que é influenciada pelo solo e as condições climáticas locais e, portanto, pela "aptidão agrícola da região para produzir alimentos", de acordo com os documentos vazados.

A Argentina, por sua vez, também pressionou pela exclusão de referências a impostos sobre carne bovina e até à campanha internacional Segunda-feira sem Carne, que encoraja as pessoas a adotarem uma dieta vegetariana um dia por semana, aponta a ONG.

De olho no petróleo

Em outro comentário vazado, um integrante do governo da Austrália questionou a conclusão do relatório, considerada indiscutível por cientistas, de que o fechamento de usinas a carvão é um grande passo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. Grande parte da renda nacional da Austrália provém das exportações de carvão.

Segundo o Greenpeace, comentários também mostraram a Arábia Saudita, o Irã, a Austrália, o Japão e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opec) argumentando que a captura e a armazenagem de carbono poderiam ser usadas para evitar as emissões de gases de efeito estufa pela indústria, em vez de acabar com a produção de CO2.

O argumento contradiz estudos que apontam que métodos para manter o CO2 longe da atmosfera já empregados foram em grande parte malsucedidos.

O que dizem cientistas climáticos?

A grande maioria dos cientistas climáticos afirma que descontinuar rapidamente o uso de combustíveis fósseis é necessário para que o mundo não sofra os efeitos catastróficos do aquecimento global, muitos dos quais já vêm dando sinais nos últimos anos.

No rascunho do documento "Resumo para formuladores de políticas", que também vazou no início deste ano, o IPCC afirma que limitar o aquecimento global a 2 °C, idealmente a 1,5 °C, deverá "envolver reduções substanciais do uso de combustíveis fósseis, grandes investimentos em formas de energia de baixo carbono, transição para veículos movidos a energia de baixo carbono e esforços para eficiência energética e conservação [ambiental]".