Lula mistura o público com o privado. As viagens são públicas, algumas até bancadas com recursos públicos, porém é um ser comum, privado, sem direitos a privilégios. Porém, a grana que ganha é privada, e ele não admite repartir com os pobres. Já seus negócios privados, e a defesa de interesses privados em favor das empresas “facilitadas”, acabam se enroscando em negócios públicos. Se isto não é tráfico de influência, então precisamos rever conceitos. Até porque ajuda, no final das contas, a engordar as receitas do partido. Resta saber se se tratam de doações ou taxas de sucesso...
Dilma, que o sucedeu no trono, não é chegada em misturar público com o privado. E por uma razão: sempre atuou em órgão e cargos públicos, mas sua confusão conceitual, principalmente quando mira a realidade que a cerca, é um espanto. E faz confusão danada com as palavras.
Antes, criou uma tal guerra cambial que só existia na sua cabeça. Muitos, claro, embarcaram na onda. Mas, bastou baixar os juros e a tal guerra cambial sumiu do mapa. Ou seja, a razão que sobrevalorizava o real, se dava em função dos juros praticados aqui dentro, que atraiam os bilhões de dólares em circulação mundo afora. Afinal ganhar dinheiro fácil, quem não quer?
Agora, enfrenta, na economia, duas terríveis dificuldades. Uma, a inflação que teima em permanecer acima da meta, isto já há algum tempo. A outra, o baixo crescimento econômico. E reparem, isto se dá com o Brasil praticando juros relativamente baixos para o nosso padrão histórico.
Ou seja, não é a inflação alta ou baixa que impede o país de crescer, como também não é o crescimento que estimula a inflação persistente.
Nesta quarta feira, em Durban, na África do Sul, a presidente ao ser questionada pelos jornalistas sobre a inflação brasileira, disse claramente que o combate à inflação não será feito a custa do crescimento. Por sorte, sua declaração foi gravada. Mais tarde, informada sobre a reação negativa à sua fala, resolveu desdizer-se, culpando a "imprensa", este bicho de sete cabeças indomáveis, por manipularem suas palavras.
Seria importante que a presidente, ao falar de improviso, contasse até 10 antes comentar ou pronunciar qualquer sílaba. Como ainda seria mais importante, igualmente, que, ao invés de insinuar manipulação de suas palavras, ela própria recorresse ao vídeo tape para recuperar o que disse. Acontece que sua reação, além de descabida, foi direcionada para o alvo errado. Quem reagiu negativamente à sua sentença foi o mercado financeiro que viu ali que o crescimento é uma prioridade maior do que o combate à inflação. Que, se tiver que optar entre uma política e outra, o governo relegará à inflação a um segundo plano. Os jornalistas apenas repercutiram o que foi dito por dona Dilma. Não distorceram nem manipularam coisa alguma. Quem tirou conclusões foi o mercado que, aliás, está absolutamente no seu direito de interpretar como bem entender. Não pode é a presidente agora censurar ou impor uma camisa de força aos agentes do mercado.
Porém, como humildade é um valor que não faz parte do dicionário presidencial, a soberana fez a opção de se embalar no “não foi bem assim”, tão característico dos políticos arrogantes que contaminam o cenário político brasileiro. O crescimento é baixo, a inflação é alta, e uma, no presente caso, não guarda nenhuma relação de causa e efeito com a outra. São consequências diretas do mau gerenciamento da economia brasileira. E que o governo da senhora Dilma Rousseff prefere conduzir com vistas voltada para a sua reeleição, e não para o interesse maior do país.
Correto seria reconhecer que, ao responder à imprensa, a presidente foi mal interpretada porque se expressou mal e acabou gerando conclusões não pretendidas. É fácil falar em humildade, ou até pregá-la no púlpito, na cátedra ou no palanque. Difícil mesmo é transformar palavras em atos, no dia a dia.
A gente sabe bem como pensa a maioria das pessoas ligada à economia e que gravitam em torno da presidente. E é consenso entre estas pessoas que o crescimento pode ser feito suportando um pouco de inflação. Isto não é de hoje. Já defendem a ideia desde que o PT ainda era oposição, não é mesmo Mercadante?
E, de certa forma, no campo econômico, medindo-se os resultados e os indicadores presentes, mesmo que a intenção não seja esta, o fato é que os resultados teimam em demonstrar que a inflação está, sim, postergada a um segundo plano. Ocorre que, para combatê-la, e apesar do governo ter os instrumentos necessários para enfrentá-la e trazê-la para o centro da meta, seu emprego vai produzir, num primeiro momento, um certo entrave no crescimento, que já é baixo. De outro lado, apelar para uma crise que não nos diz respeito, é uma saída falsa, como também não tem nada a ver tentar justificar a alta dos preços com dificuldades de demanda. Ocorre que esta demanda está aquecida muito além da nossa capacidade interna em atendê-la. Trata-se de uma política central do próprio governo, que incentiva o crédito e o alarga muito além desta capacidade interna.
Portanto, saber com profundidade as razões das distorções que o atual quadro econômico apresenta seria o primeiro passo para corrigi-las. E, pelo que se vê, estas causas moram nas salas do Palácio do Planalto de onde emanam as ordens do “cumpra-se”. É uma questão de escolhas erradas que provocam e continuarão provocando estes dois efeitos danosos, baixo crescimento e inflação alta, e apenas com mudança de conceitos será possível reduzi-los à insignificância.
Assim, é de se esperar que a dona Dilma olhe para dentro de seu governo, e não fique catando minhocas onde elas não existem. Porque, neste caso, fica muito claro que ela prefere atacar os problemas do país com uma destrambelhada manipulação de opiniões e um joguinho ordinário de palavras. E não é com saliva que o país vai crescer e os preços vão despencar. É com trabalho e escolha das melhores opções e ferramentas mais adequadas. Tais escolhas, e não dá para evitar, também produzem efeitos colaterais que deverão ser suportados em nome de um objetivo maior e mais saudável para o país.
Além disso, o crescimento não é fruto apenas do consumo interno. Investimentos são imprescindíveis, e para que eles aconteçam, os marcos regulatórios devem ser claros e transmitir segurança, coisa que não temos visto. Estes marcos não podem permanecer no limbo eternamente, a espera de definições. E, para finalizar, que tal se o governo Dilma começar a cortar as bilionárias despesas inúteis que não param de crescer? Por aí já sobrariam os recursos públicos necessários para os investimentos que não param de cair. Que o digam as intermináveis filas nos portos brasileiros!
Disse o que disse sem querer, foi um ato falho da presidente? Pode ser, e reconhecer que se expressou mal, não lhe diminuiria em nada, pelo contrário. Inadmissível é saber que errou e, mesmo assim, tentar dissimular e levantar uma queixa improcedente. Até porque, convenhamos, se a gente olhar para os números da economia, a fala inicial está plenamente de acordo com os resultados.
Abaixo, o leitor dispõe de um vídeo já incorporado, de reportagem da TV estatal, e um link com reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo. Ambos, reproduzem a mesma fala e, lá, Dilma deixa claro que repudia o combate à inflação que prejudique o crescimento. Ou seja, aquilo que foi divulgado, está plenamente correto. Se Dilma se arrependeu depois, é problema que ela deve resolver consiga mesma, e não partir para reações estapafúrdias e inconsequentes sobre manipulações, arte em que seu governo tem sido mestre, principalmente na área econômica, porque outra coisa não pode chamar a tal contabilidade criativa inventada por Guido Mantega.
Confira aqui se Dilma disse o que depois disse que não disse
Jornal Nacional
Confira aqui se Dilma disse o que depois disse que não disse
Jornal Nacional
Dilma descarta combate à inflação com impacto no PIB


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