sexta-feira, março 29, 2013

Eletrobras perde R$ 10,1 bi com renovação de concessão


Exame.com
Irany Tereza, Estadão Conteúdo

O forte baque no desempenho da companhia foi creditado quase integralmente aos efeitos da Lei 12.183

Prakash Singh/AFP 

O patrimônio líquido da Eletrobras caiu quase 17% no quarto trimestre
 sobre o período imediatamente anterior, para R$ 67,281 bilhões

Rio de Janeiro - O prejuízo líquido de R$ 10,499 bilhões registrado pela Eletrobras na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2012 - o que representou uma variação negativa de 1.147% sobre o lucro de R$ 1,003 bilhão do terceiro trimestre - foi "influenciado por eventos atípicos", como detalhou a empresa no comunicado do resultado financeiro.

O forte baque no desempenho da companhia foi creditado quase integralmente aos efeitos da Lei 12.183, de renovação das concessões de energia elétrica, que significou para a estatal uma perda de R$ 10,085 bilhões no quarto trimestre.

O patrimônio líquido da Eletrobras caiu quase 17% no quarto trimestre sobre o período imediatamente anterior, para R$ 67,281 bilhões, enquanto a receita operacional caminhou em sentido inverso, aumentando 15% na mesma base de comparação, para R$ 8,753 bilhões.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É sempre oportuno lembrar ao leitor que os rombos das estatais acabam sendo cobertos com dinheiro do contribuinte, ou seja, você, eu, o Zé da esquina, seus vizinhos, parentes e amigos. E, sem medo de errar, tais rombos são fruto da má gestão, seja ela proveniente da incompetência ou desonestidade (leia-se corrupção).

Assim, fica a questão: de que vale o governo prometer um desconto nas faturas de energia elétrica, e depois empurrar a conta do tal desconto para o bolso de todos os contribuintes brasileiros? Não que as tarifas não precisassem ser reduzidas. O brasileiro pagava uma das tarifas mais caras do mundo, mesmo que dois terços da geração sejam provenientes de fontes hidráulicas, portanto, de baixo custo. 

Contudo, há jeitos de se fazer a coisa certa, e o governo Dilma optou pelo pior deles. Conforme demonstramos, Lula e Dilma foram responsáveis por simplesmente dobrarem os encargos tributários sobre uma tarifa que já era alta. Mais justo e tecnicamente mais correto do ponto de vista econômico, seria que o peso maior  do desconto fosse praticado pela via destes tributos, e não sobre a rentabilidade das empresas concessionárias. O resultado desastroso é o que estamos vendo acontecer com a Eletrobrás. Além disso, no médio e longo prazos, a tendência é que os investimentos na manutenção, qualificação e ampliação dos serviços sejam afetados justamente em razão da perda de rentabilidade muito além do razoável imposto pelo governo Dilma. 

No Brasil, os governantes precisam atuar em favor do interesse do país, em não olhar apenas para o calendário eleitoral e agir de forma destrambelhada com vistas a se manterem no poder.