quinta-feira, agosto 09, 2007

Os negócios sujos e ocultos no mercado da telefonia

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Quando noticiamos aqui a fusão da OI/Telemar com a Brasil Telecom, imaginávamos que o mercado brasileiro caminhava perigosamente para uma espécie de monopólio privado. Dias depois, outra notícia faria esta preocupação subir no telhado, uma vez que se anunciava que o governo federal, leia-se governo Lula/PT, estaria planejando a abertura de empresa estatal de telecomunicações. Ora, como se poderia ficar tranqüilo diante da possibilidade de termos muna atividade só empresas privadas e públicas disputando os mesmos espaços e clientes ? Foi oportuno aguardarmos um pouco mais para que a boataria se delineassem mais e mostrasse o que de verdadeiro poderíamos esperar.

Você, leitor, saber por que tem um celular que carrega para toda a parte? E sabe ainda por que seu celular pode receber e enviar e-mails, gravar vídeos e fotos, tocar músicas, receber sinais de rádios FM, ter lá joguinhos, caixa postal, agenda eletrônica, calculadora, e toda uma série imensa de outras finalidades e usos? E você ainda sabe por que hoje no Brasil este aparelhinho se encontra em mãos de mais de 100 milhões de brasileiros, de todas as classes sociais e econômicas ? Por causa da privatização feita no governo FHC. Para aqueles que se indispuseram à privatização, este é o mais claro sinal da crítica ser totalmente inútil. Porque, além dos bilhões recebidos pela venda das estatais de telefonia, que eram deficitárias, obsoletas e ofereciam um serviço ruim para poucos privilegiados, além do cabide de empregos em que se tornaram favorecendo aos fidalgos políticos, elas permitiram que acorressem ao país bilhões de dólares em investimentos além, é claro, da socialização dos produtos e serviços, com tecnologia de primeiro mundo.

Pois bem ,tudo isso agora corre o risco de ser travado no tempo. Voltarmos a ser como éramos antes. Simplesmente porque a política estúpida destes vagabundos e ignorantes, quer tornar a telefonia uma “exclusividade” estatal.

A seguir, leiam notas publicadas na coluna Radar, do Lauro Jardim, na Veja online. Em seguida, daremos seqüência com outras notícias e comentários.

"Golden share" polêmica
Os controladores da Oi/Telemar (Andrade Gutierrez, Carlos Jereissati e GP) e da Brasil Telecom (os fundos de pensão) detestaram as últimas entrevistas de Hélio Costa acerca da fusão das duas empresas. O ministro das Comunicações andou dizendo que tem o aval de Lula para tentar a fusão - até aí, Telemar e BrT aplaudiram, pois só pensam nisso. Mas Costa tem falado também numa golden share, que daria ao governo poder de veto na futura empresa.
Como em nenhum momento Hélio Costa explica qual seria o real alcance dessa golden share, os controladores da Telemar e da BrT temem contestações à fusão, que poderia ser acusada de uma tentativa de reestatização do setor.
Aliás, as negociações para a fusão apenas começaram, mas já tem gente nos fundos de pensão batizando a empresa resultante da fusão: Oi Brasil. Calma. Ainda tem muita água para rolar debaixo desta ponte.

É isto aí. Nos bastidores do poder em Brasília, está em curso uma armação danada para devolver ao governo as telecomunicações no país, não como um regulador do mercado, mas como participante ativo e direto na forma de uma empresa que, como sabemos, seria um canal a mais de aparelhamento do já imoral processo de privatização do Estado em favor de um partido político, formado por bandoleiros e vagabundos, e que se deliciariam em tantas bocas ricas para se regalarem. Quando se dizia que, a contrariedade e oposição do petê em relação às empresas estatais que foram privatizadas, não era no sentido de entenderem serem estratégias de Estado, os petistas se colocavam na defensiva. Seu discurso beirava o cinismo e picaretagem. Naquele processo, o que eles lamentavam era justamente perderem tanta boca rica, tanta oportunidade de cometerem sua promiscuidade política explícita, em detrimento do interesse maior do povo brasileiro, alijado de um serviço moderno.

A nota a seguir, do Jorge Serrão, do Alerta Total, detalha um pouco esta negociata vergonhosa.

Cúpula de negócios petista desgasta Hélio Costa e escala Luciano Coutinho para fundir a OI com a BrT

O filme do ministro das Comunicações Hélio Costa ficou queimado no Planalto depois que ele cometeu a indiscrição de tornar público um dos mais lucrativos negócios que interessava à cúpula petista: a fusão da Brasil Telecom (BrT) com a Oi (ex-Telemar). Os “sabe tudo” do governo querem criar um grande empresa de telecomunicações nacional que seria comandada por gente muito próxima ao poder petista. Oficialmente, a responsabilidade pela engenharia financeira do negócio está nas mãos do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho,
As jogadas empresariais de integrantes do governo Lula, para “promover mega-negócios pára-oficiais”, contam com a participação de aliados do governo, seus respectivos “laranjas”, fundos de pensão, e banqueiros internacionais – que entram no esquema de forma explícita ou oculta. Por trás do mega-negócio de fundir a Oi (ex-Telemar) com a Brasil Telecom (BrT), trabalhando a favor dele, o rádio corredor do mercado tem indícios de que estariam pessoas muito próximas do presidente Lula – aquele que, certamente, vai jurar que nada sabia, se algum escândalo da operação vier à tona.
Além de Luciano Coutinho e do ministro Hélio Costa, que emprestam a fachada oficial no acompanhamento do negócio, participam, por trás dos panos, personagens do peso. As fofocas citam o advogado Roberto Teixeira (compadre de Lula), o advogado José Dirceu de Oliveira e Silva, o primeiro-filho Fábio Luiz da Silva (o Lulinha, que tem negócios diretos com a Oi), o banqueiro Daniel Dantas (ex-controlador da BrT e aliado do governo).
O negócio envolve, abertamente, a GP Investimentos, Andrade Gutierrez e La Fonte, que são os controladores da Oi (ex-Telemar ou Tele Norte Leste Participações). Também mexe com poderosos interesses de bancos internacionais, que fazem parte da chamada Oligarquia Financeira Transnacional: ABN AMRO, Citi, JP Morgan, e UBS. O Banco do Brasil também entra na operação. Até porque o fundo de pensão de seus funcionários, dominado pelos petistas, o Previ, tem participação direta no capital acionário das empresas de telefonia.
Na avaliação oficial, tanto no capital da BrT quanto no da Oi existem “investidores em demasia”. O banco americano Citigroup e o Opportunity seriam o excesso na BrT. Já na Oi, estariam demais a GP Investimentos e o grupo de investidores da Fiago Participações (fundos de pensão), além do Opportunity, de Daniel Dantas, amigão do governo e que não aceita largar o osso do negócio. Para o governo, os "novos" empreendedores não terão de ser necessariamente operadores de telefonia. Este critério abre espaço para que alguns dos atuais acionistas da Oi permaneçam no negócio. São os casos da empreiteira Andrade Gutierrez e do grupo La Fonte, do ramo de shopping centers.

Nesta última nota do Serrão, fica claro que, quando o governo entende haver “ sócios em demasia” é por entender que, em quantidade menor, o poder de decisão fica mais restrito, facilitando assim o controle da administração diretamente pelo governo, que é a real intenção que se esconde por detrás de tudo. Ou seja, o governo Lula quer afastar quem lhe pode ameaçar o controle. Seriam mantidos apenas sócios amestrados, aqueles que emprestariam seu nome à jogada, mas que seriam dóceis o suficiente para permitir a intromissão governamental. E neste tipo de participação e envolvimento no mercado que não lhe diz respeito, a gente sabe bem como tudo termina: eles se esbaldam em fantásticos lucros, assumem maior poder, e o serviço oferecido acaba sendo digamos diminuído em qualidade e tecnologia. Tal qual ocorreu na aviação comercial brasileira.

Fiquem atentos. Ainda retornaremos a este tema. Tem muita bandalheira (e da grossa) rolando solta, desconhecida totalmente pelo povo brasileiro que, em última análise, é único que nesta história acabará arcando com prejuízo.

O mais esperto bacharel dos ares

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Luiz Inácio da Silva não escreveu o artigo que assinou na Gazeta Mercantil de 7 de janeiro de 2002, com o título Morte anunciada do transporte aéreo. Até aí, nada de mais. No mundo inteiro, políticos costumam delegar a confecção desse tipo de texto a algum redator de confiança, capaz de reproduzir com parágrafos claros, amparados em argumentos consistentes, o pensamento de quem vai assiná-lo. A tarefa é quase sempre entregue a um assessor. No caso do artigo subscrito por Lula, o verdadeiro autor é o advogado Roberto Teixeira.

Amigos há mais de 20 anos, são também compadres - e duplamente: Lula é padrinho da filha de Teixeira, que batizou um dos filhos do presidente. Na forma, o texto publicado pela Gazeta Mercantil demonstra que o redator ao menos poupou o idioma dos socos e pontapés sucessivamente infligidos pelo improvisador infatigável. No conteúdo, atesta que Teixeira, em janeiro de 2002, era um homem muito interessado em questões ligadas à aviação civil. Interessado demais.

Advogado da Transbrasil havia quase dois anos, Roberto Teixeira costurou um arrazoado que o presidente da empresa agonizante assinaria sem reparos. Acabou assinado, sem reparos, pelo então presidente de honra do PT. Se o compadre achava aquilo certo, não custava endossar o palavrório. Instalado no Planalto meses mais tarde, Lula não socorreu a Transbrasil com dinheiro federal, como recomendara no artigo de Teixeira ao presidente Fernando Henrique Cardoso.

Tampouco ajudou a Varig, tratada como patrimônio da nação em janeiro de 2002. Deixou na mão as duas empresas. Mas não o primeiro-compadre, hoje o mais valorizado bacharel dos ares do Brasil. Depois de lucrar com a falência da cliente, Teixeira foi contratado para assessorar o grupo que comprou a VarigLog, subsidiária da Varig.

Em seguida, engendrou o arremate do restante da empresa por US$ 24 milhões. E arquitetou, sempre com o apoio do governo, a manobra que resultaria na entrega da Varig à Gol em troca de US$ 320 milhões. O advogado nega ter recebido a comissão de R$ 7 milhões por mais esse serviço prestado à aviação civil.

Se não foi tanto, chegou perto, comunicou o sorriso exibido por Teixeira em 28 de março, quando acompanhou os empresários Nenê Constantino e Constantino de Oliveira Júnior, controladores da Gol, numa visita ao Planalto. O trio queria comunicar que um pedido de Lula acabara de ser atendido. "Há seis meses, o presidente me pediu que entrasse nas negociações para salvar a Varig", revelou o patriarca Nenê Constantino, aquele que ajudou o ex-senador Joaquim Roriz a ganhar uma bezerra e perder o mandato.

A presença de Teixeira na animada comissão de frente fora sugerida pelo próprio Lula, mas o fabricante de artigos e transações aéreas gosta de lembrar que não é apenas o compadre do Homem. "Fui ao encontro como o advogado que estruturou o negócio jurídico e tinha condições de dar explicações, se isso fosse necessário", disse à saída do gabinete. "É sempre muito prazeroso estar entre amigos, como é o presidente, mas não tenho por que me arrepender. Minha presença decorreu de motivos profissionais".

Como reivindicava o artigo agora exumado, as empresas nacionais têm o amparo federal: a Anac cuida da TAM, Teixeira cuida da Gol. Mas o transporte aéreo continua em perigo, como preveniu o título. Pode morrer no governo Lula.

Lula faz mais uma promessa mentirosa

Na coluna do Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, o jornalista faz uma análise realista sobre a nova retórica de Lula com a promessa de transformar o Brasil num imenso canteiro de obras. Mentira. Sandice. Não há dinheiro para tanto, sequer a metade do que promete.Não vai fazer coisa alguma, além de alguns canteirinhos onde o que mais importa são os desvios e superfaturamento.

Lula não liga a mínima para a sucateada infra-estrutura do país: ele acha que, com meia dúzia de obras inúteis, conseguirá comprar o apoio popular nas eleições municipais de 2008, para que veja escolhidos seus aliados políticos, os quais serão indispensáveis na sustentação de um novo mandato. Seja em 2010 ou 2014. Sua meta se circunscreve ao projeto de sustentação no poder.

A leitura de Hélio Fernandes é sem meias palavras, além de demonstrar em números que não há a menor viabilidade de se consumar esta promessa estapafúrdia de Lula. A seguir:

LULA: "VOU TRANSFORMAR O BRASIL NUM CANTEIRO DE OBRAS"
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Desperdiçando a arrecadação e atendendo a chantagistas?

Praticamente há 5 anos o presidente "atroava os ares" com a afirmação: "Vai começar o espetáculo do crescimento". E completava, garantindo, "vou criar 10 milhões de empregos". Não deu prazo para o crescimento nem para o fim do desemprego. Pois no momento em que tomava posse do primeiro mandato, o desemprego era de 9 milhões de pessoas.

Agora, pressionado por todos os lados, vaiado até na ausência, Lula compreendeu que é preciso FAZER. Há quase 5 anos, tendo votado publicamente no cidadão Luiz Inacio Lula da Silva e tendo acreditado nele, me desesperançava, me desiludia, me desenganava e pedia com a maior simplicidade e humildade que o presidente Lula usasse precisamente essa palavra: F-A-Z-E-R.

Lula não FEZ, aumentou impostos, desperdiçou o dinheiro da arrecadação, não criou empregos, cortou alguns que existiam, mudou o texto na aparência, mantendo o conteúdo.

Nova afirmação de Lula: "Vou transformar o Brasil num canteiro de obras". Da mesma forma que o espetáculo do crescimento, esse "canteiro de obras" se transformará num lamaçal de obras não concluídas ou nem iniciadas.

Infelizmente, o presidente Lula não vai FAZER nada. Desagregou o País, desvirtuou o processo de realizar, desgastou (ou até nem entendeu) essa coisa simples que é governar. Depois de três derrotas irrefutáveis, Lula mostrou que tudo é reversível, principalmente em matéria eleitoral. Esse sistema eleitoral, fragilíssimo em matéria de representatividade, permite todas as reviravoltas.

(Lula perdeu 3 vezes para presidente, acabou vencendo. Pela insistência? Serra perdeu duas vezes para prefeito, perdeu para presidente, se elegeu prefeito e governador. Indo até os menos importantes, chegamos a Sérgio Cabral. Perdeu duas vezes para prefeito do Rio, ganhou para governador. O que significa isso?).

Lula não mostrou o "espetáculo do crescimento" e não vai transformar o País num canteiro de obras, simplesmente porque não tem recursos. Quer dizer: a arrecadação cada vez maior e mais cruel contra o cidadão é praticamente gasta (ou desgastada) com o pagamento dos juros de uma "DÍVIDA" que não devemos. E apesar de divulgar que ECONOMIZAM 4,5% por cento do PIB, na verdade não ECONOMIZAM coisa alguma, é tudo farsa.

O secretário do Tesouro, Altamir Lopes (que não conheço pessoalmente, mas me parece homem sério e correto), deu os últimos números sobre o PIB e a "DÍVIDA" interna. PIB: 1 TRILHÃO e 900 BILHÕES de reais. DÍVIDA interna: 1 TRILHÃO, 440 BILHÕES de reais. Deixo para o leitor o assombro com as declarações oficiais.

Agora o pagamento dos juros, perdão, amortização, pois o que o governo diz que ECONOMIZA (e que é simplesmente para esses juros) está em 90 BILHÕES anuais. Os juros (arredondando para 10% e facilitar os cálculos): 140 BILHÕES. Dessa forma, faltarão no mínimo, anualmente, 50 BILHÕES. Esse dinheiro "QUE FALTA" é colocado em cima da DÍVIDA, que acaba crescendo mais do que o PIB, por mais que o governo tripudie aumentando os impostos.

Portanto, ninguém acredita que Lula vá fazer do País "um canteiro de obras". Nem precisaria. Basta investir em infra-estrutura, como fazem a China e a Índia, espantando os próprios americanos. Basta Lula investir em Ferrovias, Saúde, Educação, Hidrovia, Aviação, Habitação. Está tudo aí.

PS - Entre os grandes e indispensáveis investimentos, não coloquei ENERGIA. Tendo cedido ao lobista-chantagista Eduardo Cunha, qualquer dinheiro investido em Energia desaparecerá nos ralos da própria imoralidade.

Rede de proteção

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

A prisão do traficante Juan Carlos Ramirez Abadia, o Chupeta, foi noticiada no Brasil sem qualquer menção às Farc, embora seja universalmente reconhecido que nem um grama de cocaína sai da Colômbia sem passar pela narcoguerrilha, a qual vai assim controlando seus concorrentes até que o último deles se transforme em seu colaborador ou seja eliminado do mercado.

Há anos venho chamando a atenção dos meus leitores para a constância sistemática com que no território nacional as Farc, unidas ao PT por estreitos laços de amizade, são mantidas a salvo de qualquer ação policial mais decisiva, ao passo que seus competidores são perseguidos, presos e exibidos à população como provas de que o nosso governo é implacável e até heróico no combate ao narcotráfico. O principal resultado desse heroísmo, assim como de outras políticas oficiais coordenadas, como a famosa "redução de danos", é que o Brasil, segundo dados da ONU, é o único país onde o consumo de drogas cresce (na base de 10% ao ano), enquanto no resto do mundo permanece estacionário.

Desinformantes e idiotas úteis espalhados na mídia fazem a sua parte do serviço, procurando dar a impressão de que as drogas são um problema policial como outro qualquer e encobrindo o fato de que elas são um instrumento maior da estratégia revolucionária comunista no continente.

Mas não é só aqui que as Farc têm amigos. Pelo menos desde o Plano Colômbia de Bill Clinton, calculado para demolir os velhos cartéis - acusados de cumplicidade com os famosos "paramilitares de direita" - e entregar às Farc o monopólio do narcotráfico na América Latina, o Partido Democrata dos EUA tornou-se o grande padrinho da esquerda armada colombiana.

ONGs de "direitos humanos", subsidiadas pela esquerda chique americana, estão sempre ativas na Colômbia, ora para impedir que a população se arme contra os guerrilheiros que a aterrorizam, ora para pressionar no sentido de que as Farc (nunca as milícias de direita, é claro) sejam aceitas como força política legítima, convidadas à mesa de negociações e premiadas em vez de punidas por seus crimes, cujo leque vai do narcotráfico ao genocídio, passando por inumeráveis seqüestros e pelo treinamento em guerrilha urbana dado no Brasil ao Comando Vermelho e ao PCC para que mantenham o país em estado de pânico.

A coordenação internacional da rede de proteção às Farc é mais eficiente e precisa do que o mais inventivo "teórico da conspiração" poderia exigir. Com poucos dias de intervalo, rolou pela imprensa mundial uma fotografia manifestamente forjada na qual Álvaro Uribe parecia estender a mão a um daqueles paramilitares (que ele afirmava jamais ter conhecido), o Congresso democrata se recusou a renovar o acordo comercial americano com a Colômbia, que precisa dele desesperadamente para subsidiar a repressão às guerrilhas, e o senador Al Gore saiu indignado do plenário para protestar contra a presença do presidente colombiano, cujo maior pecado é ter 80% de aprovação popular no seu país pelo combate bem sucedido que vem movendo contra as Farc.

Quando, pressionado por tantos lados ao mesmo tempo, Uribe consente enfim em trocar a vitória militar pela derrota política e em aceitar a possibilidade de negociações com as Farc, o fato é noticiado na nossa mídia como se surgisse do nada, de repente, por inspiração divina.

TOQUEDEPRIMA...

***** Em casa de ferreiro, espeto de pau...

Nas suas primeiras declarações, Lula disse que sua visita à Nicarágua é para afirmar a Ortega que o Brasil está disposto a assinar todos os acordos que forem necessários para contribuir para o crescimento econômico e a justiça social no país.

"Espero que Daniel Ortega tenha a força necessária para fazer o que o povo da Nicarágua espera que ele faça", afirmou Lula, para quem foi "uma emoção diferente retornar à Nicarágua como presidente". Antes de eleito, o petista visitou duas vezes a Nicarágua: como sindicalista e depois como líder do PT, para uma reunião do Fórum de São Paulo (e ainda tem gente que acha que o tal Fórum é uma ficção !!!).

Mas o incrível Lula adora plantar junto com cana para produzir etanol, a sua verve demagógica. Que tal se ele, antes de ajudar no crescimento da Nicarágua, de seu amigo Ortega, fizesse o Brasil crescer também, não este crescimento vegetativo que é só para não morrermos de fome, mas um crescimento do tamanho do Brasil, ou dos demais países emergentes ! Seria muito bom que Lula, antes de sair pelo mundo afora espalhando retórica, começasse a governar o país para o qual foi eleito presidente, e desatasse os nós que nos impede de crescermos o tanto que precisamos.
***** Os 'aloprados' de Chávez
Cláudio Humberto

A Argentina enfrenta um mistério à maneira da mala petista dos aloprados: a apreensão de US$800 mil dólares cash no aeroporto de Buenos Aires com venezuelano que seria da comitiva do presidente Hugo Chávez. Chegou antes num jatinho, tentou escapar da alfândega e sumiu entre os passageiros. Investiga-se lavagem de dinheiro, mas o assunto, diz a imprensa argentina, está a sete chaves (nosso trocadilho). O embaixador venezuelano nega a prisão, atribuída à "campanha contra a visita de Chávez".

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Querem saber de uma coisa? Esta grana não era lavagem de dinheiro, não: podem apostar suas fichas que era para a campanha à presidência da esposa de Nestor Kirchner, a senadora Cristina Fernández Kirchner, cujo apoio explícito Chavez tem declarado continuadamente, numa clara demonstração de intromissão respulsiva em assuntos que não lhe dizem respeito, e sim ao povo argentino.

***** Advogado do Senado diz que Calheiros não pode ser processado

O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, divulgou nesta terça-feira um parecer em que afirma que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não pode ser processado com base na imprensa sobre denúncia de que teria favorecido a Schincariol. O requerimento de abertura de novo processo contra Calheiros foi apresentado à Mesa Diretora pelo PSOL.

Outra denúncia do PSOL contra Calheiros, de que ele teria aceitado dinheiro de um lobista de uma empreiteira para pagamento de pensão à filha, já está em tramitação no Conselho de Ética. No entanto, o advogado do Senado diz que a representação "não demonstra nem mesmo legitimidade contra um senador." "O processo por quebra de decoro parlamentar, ademais, não pode ser utilizado como instrumento de disputa política ou como meio de perseguição de adversários", declarou o parecer.

Cascais considerou improcedente também a representação do PSOL contra o senador Gim Argello (PTB-DF), acusado de participação em esquemas de desvio de dinheiro público no Distrito Federal. Ele afirmou que não existem provas contra Argello, que assumiu o mandato de senador de Joaquim Roriz (PMDB-DF).
***** STF: 35 réus vão ser soltos

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, ontem, a soltura de todos os 35 réus envolvidos no esquema desbaratado pela Operação Furacão, que, porventura, ainda estivessem presos. Ao deferir pedido de liminar em habeas corpus em favor de Júlio César Guimarães Sobreira, sobrinho de Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães.

Marco Aurélio discordou do entendimento da juíza que determinou a prisão dos denunciados.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Impressionante o Poder Judiciário brasileiro: como eles adoram livrar criminosos da cadeia, independentemente de todas as provas reunidas pela Polícia e pelo Ministério Público. E estejam certos de que alguns destes que o ministro Marco Aurélio está livrando a cara, nunca mais a justiça os alcançará: tratarão de fugir do país.

****** Ambulâncias: MP denuncia 5 ex-deputados
Redação Terra

Foram denunciados ontem, em Mato Grosso, mais cinco ex-deputados federais supostamente envolvidos no escândalo da máfia dos sanguessugas. O esquema desviava verbas públicas através de superfaturamento de compra de ambulâncias. As informações são de O Estado de S.Paulo.

Foram denunciados os ex-deputados Paulo Fernando Feijó Torres (RJ), Armando Alves Júnior (AP), Edilberto de Moraes Júnior (AC), Gilberto Nascimento da Silva (SP) e Ricarte de Freitas (MT).
****** Coronel aponta quem atrasa as investigações
De Andreza Matais na Folha de S. Paulo

Responsável por investigar o acidente com o avião da TAM, o coronel Fernando Camargo acusou ontem a Anac, a Infraero e a companhia aérea de atrasar os trabalhos do Cenipa (Centro de Investigação Aeroportuária) por não encaminhar documentos que serão usados no cruzamento de informações com os dados das caixas-pretas.

Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, ele disse ter menos dados que os deputados. "Eu sei que a comissão já tem gravações de controle de tráfego. Eu ainda não os recebi." Ele afirmou que ainda não tem documentos solicitados à Anac e à Infraero, e que o Cenipa investigará o acidente "quando pudermos analisar a totalidade da documentação".

O coronel disse que, ao contrário da CPI, não tem poderes para requerer os documentos. As dificuldades, conforme demonstrou, não estão apenas em adquirir os documentos.

Camargo afirmou que o comportamento da TAM levou a Aeronáutica a enviar para os EUA entulho em vez da caixa-preta do avião. Ele relatou três tentativas da Aeronáutica de confirmar se o equipamento encontrado era mesmo a caixa-preta, todas negadas pela TAM, o que levou a Aeronáutica a um "equívoco grosseiro", afirmou.
***** A herança maldita da Infraero
De O Estado de S. Paulo

Procuradores do Ministério Público Federal ouvidos nesta terça-feira na CPI do Apagão Aéreo no Senado acusaram a Infraero de fraudar licitações, superfaturar obras e privilegiar o conforto e o fluxo de passageiros, em vez da segurança nos aeroportos.

A procuradora da República em São Paulo Suzana Fairbanks Lima afirmou que a torre de controle no Aeroporto de Congonhas não só não constava de um pacote de obras licitadas em 2004, como, após a reforma do terminal de passageiros, ficou mais baixa e precisa ser elevada para melhorar a visibilidade dos controladores de vôo.

- Parece piada, mas é o que aconteceu - disse Suzana.

Ela afirmou que houve superfaturamento na construção de fingers, os corredores que ligam os aviões ao terminal de passageiros, evitando que o embarque e o desembarque se dê via ônibus. Segundo Suzana, o Tribunal de Contas da União (TCU) estimou que cada finger custaria R$ 630 mil. O preço pago, porém, foi 349% maior, atingindo R$ 2,2 milhões por unidade.

ENQUANTO ISSO...

Chávez nega ter dado 'ultimato' para entrada no Mercosul
Marcia Carmo BBC Brasil

Em seu programa dominical Alô, presidente, o líder venezuelano Hugo Chávez negou ter dado “ultimato” aos Congressos do Brasil e do Paraguai para que seu país entre como membro pleno do Mercosul.

“Eu não dei ultimato a ninguém. Que ultimato eu daria ao Congresso do Brasil ou do Paraguai, que são soberanos e de países que eu amo?”, disse diante da câmera de TV, no Palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

No início do mês passado, Chávez havia afirmado que esperaria a aprovação parlamentar do Brasil e do Paraguai somente até setembro, caso contrário desistiria da união com o Mercosul.

“Eu disse setembro, mas nós podemos esperar um pouco mais. E quando falei em setembro era para colocar um prazo para nós mesmos e não para eles”.

"Bom amigo"
Chávez contou que seu “bom amigo” Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, disse que o governo brasileiro fará “o que puder” para que a Venezuela seja membro pleno do Mercosul.

“E isso tenho que agradecer ao governo do Brasil e também ao presidente da Argentina”, disse.

E insistiu: “Não há desespero. Antes mesmo de eu assumir a presidência, em 1998, anunciei que queria que a Venezuela fosse integrante do Mercosul”.

A Venezuela assinou o protocolo de adesão do Mercosul no ano passado para se tornar membro integral do bloco, ao lado de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a adesão da Venezuela ainda precisa ser aprovada pelo Senado do Brasil e do Paraguai para ser reconhecida pelo bloco.

As declarações de Chávez ocorrem poucos dias depois que ele criticou a “falta de vontade política” do Brasil para levar adiante a idéia de criação do Gasoduto do Sul e um dia antes de seu embarque para um giro pela América do Sul, começando pela Argentina, passando por Uruguai e Bolívia e terminando no Equador.

Ainda em seu programa dominical, o líder venezuelano voltou a acusar os Estados Unidos de conspirar contra os países da América Latina.

“É preciso ter cuidado com o que se diz porque os agentes do império estão à caça do que a gente diz, para intrigar e para colocar em briga os países latino-americanos”, discursou.

ENQUANTO ISSO...

Chávez dá ultimato e ameaça desistir do Mercosul em 3 meses
BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira, 03/07, que seu país desistirá de ingressar no Mercosul caso os Senados de Brasil e Paraguai não aprovem nos próximos três meses a adesão venezuelana ao bloco.

"Se em um período de três meses não se completar a adesão da Venezuela ao Mercado Comum do Sul, nós teremos que lamentavelmente nos retirar definitivamente desta instância internacional", disse Chávez em coletiva de imprensa em Caracas, segundo a Agência Bolivariana de Notícias.

Em outra declaração, reproduzida pela imprensa oficial do país, Chávez disse que "até agora não parece haver vontade verdadeira de se fazer mudanças na estrutura do Mercosul e, conseqüentemente, a Venezuela não descarta abandonar definitivamente um modelo de integração".

O venezuelano também fez críticas ao processo de integração do Mercosul.

"Nós também esperamos que se chegue a um consenso em relação à nossa adesão. Não é possível que a Venezuela seja simplesmente uma figura que não tem voz nem voto nas decisões que se tomam no seio do Mercosul. Isso não é integração."

Amorim “impertinente”
Chávez também chamou de impertinentes as declarações do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que na semana passada havia pedido uma "palavra simpática" do venezuelano em relação ao Senado brasileiro.

Chávez disse que o Congresso brasileiro é quem deve desculpas à Venezuela por interferir em assuntos internos do país, e não o contrário.

"O mais provável é que com as pressões que estão exercendo diversas instâncias, como, por exemplo, o Senado brasileiro, (elas) estejam esperando que nós mudemos nosso modelo econômico e político. Algo que é impossível, pois fizemos um compromisso com os setores mais desprotegidos da nossa economia."

A Venezuela assinou o protocolo de adesão do Mercosul no ano passado para se tornar membro integral do bloco, ao lado de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a adesão da Venezuela ainda precisa ser aprovada pelo Senado do Brasil e do Paraguai para ser reconhecida pelo Mercosul.

No mês passado, o Senado brasileiro criticou o governo de Chávez por não renovar a concessão da rede de televisão RCTV. Em resposta, o venezuelano disse que o Senado brasileiro é um "papagaio" do governo americano.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, faz pouco mais de um mês que Chavez deu um ultimato para a Venezuela ser aprovada no Mercosul. E isto foi dito diante de câmeras de televisão, num discurso patético. Agora, na maior cara-de-pau, ele nega o que disse e que ficou registrado. Antes, criticou Celso Amorim, agora o considerou um "bom" amigo. É por isso que esta cambada de esquerdistas tem tanto ódio com a imprensa independente: eles detestam quando a verdade lhes é esfregada na cara. Na semana que passou, também por aqui tivemos oportunidade de ver com os nossos delinqüentes não são diferentes dos de fora: Lula negou conhecimento da gravidade da crise aérea, enquanto ele próprio, na Gazeta Mercantil, em janeiro de 2002, assinara um texto demonstrando um enorme "conhecimento" das dificuldades do mercado da aviação comercial no país.

Assim, sempre que são confrontados com a verdade sobre isso, acabam destilando um fel rancoroso sob estes “malditos jornalistas abelhudos”. E, sempre que podem, tentam impor seu regime de terror, criam e reinstalam a censura aos meios de comunicação decretando o fim ao direito da livre manifestação. E ainda tem cafajeste solto por aí apregoando uma “excesso” de liberdade de imprensa na Venezuela ! Santo Deus !!!

A verdade é que, dentro do projeto de poder do Chavez, a Venezuela é pouco para o canalha: sua ambição é espalhar seus tentáculos por todo o solo latino-americano. E sobre o Brasil, Chavez tenta conter a todo custo a natural liderança que o nosso país sempre exerceu no continente, mesmo que não a desejasse. E não é por outra razão que ele, sempre que pode, agride-nos de todas as formas. Quanto a ele fazer isto, é normal para um pilantra de sua laia: estranho é não termos um presidente que nos defenda, e se comporte com tanta passividade e subserviência. Isto é que é escandaloso e vergonhoso.

O Capitão do Mato

por João Nemo © 2007 MidiaSemMascara.org
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É o dono do matagal
É guardião do embornal
É o chefe da guarnição.
Ele é da casa real
Ele é quem briga com o mal
Ele é o meu Capitão ...
(Paulo César Pinheiro/Vicente Barreto)

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Os órgãos de propaganda dos países comunistas sempre tiveram uma dificuldade intransponível a superar no seu proselitismo político: explicar porquê tantas pessoas, se puderem, saem correndo do paraíso seguro que oferecem para se aventurar no vale de lágrimas do perverso capitalismo. Era assim em todos os países do leste europeu; era assim, principalmente, na Berlim dividida por um muro equivocadamente comparado com outros que têm sido propostos recentemente [*]. O muro de Berlim não era para tentar barrar a entrada de imigrantes ilegais, como se propõe a ser um muro na fronteira americana com o México; também não era para criar barreiras para palestinos indesejados nos assentamentos judaicos. Nesses casos, por antipáticos que sejam, falamos de obstáculos para alguém entrar quando não é desejado. No muro de Berlim havia tecnologia e polícia, com ordem de atirar, visando impedir pessoas de sair. Esses regimes se consideram proprietários das pessoas e na sua lógica distorcida, quando alguém os rejeita é como se estivesse roubando. Na verdade, a res furtiva é o próprio fugitivo.

Temos no Caribe, ainda, uma espécie de reserva de preservação desse modelo exótico, que fora de lá não morreu, mas tornou-se camuflado e esquivo. Às vezes mais camuflado, como nos sonhos dos nossos petistas, e sempre esquivo até firmarem a mão no poder com a segurança que almejam. Só o Napoleão de hospício venezuelano alimenta fantasias regressivas de retorno a um padrão mais puro. Deus permita que sejam apenas fantasias e assim as chamarei enquanto tiver esperanças de vê-las frustradas.

Já fiz menção aqui, certa feita, ao meu primeiro patrão: o relojoeiro romeno que, quando ainda não era crime admitir menores, contratou-me para servir de office-boy. Graças a ele tive minhas primeiras responsabilidades; graças a ele freqüentei os sebos do centrão velho de São Paulo durante minhas incursões de trabalho, gastando o dinheiro da condução e retornando a pé para a Rua da Mooca. Bom exercício para o corpo e para o espírito. Mantive com ele uma relação de amizade e carinho que só se encerrou quando os anos o levaram, como já levaram tantas coisas que me foram caras. Durante as longas conversas que mantínhamos, sem que interrompesse o trabalho fascinante dos antigos relojoeiros, montando com a lupa num dos olhos as pequenas peças suíças, ele muitas vezes satisfazia a minha curiosidade relatando os episódios vividos durante a Guerra e a sua permanência no país ocupado pelos russos e mutilado pelo regime. Considerava-se, apesar de tudo, um afortunado em ter podido sair, quando tantos outros não haviam tido essa oportunidade. A descrição das peripécias e riscos a que algumas pessoas se submetiam tentando, se possível, levar ao menos alguns objetos e valores, superam em muito as cenas do filme produzido por Andy Garcia - "A Cidade Perdida" - que retrata o início do regime em Cuba. Só conheci dois rumenos de nascimento na minha vida: ele e o escritor Constantin Virgil Gheorghiu, autor do livro "A Vigésima Quinta Hora". Em ambos os casos, notei um sentimento de amor intenso pelo seu país de nascimento. Era como se falassem de um ser vivo pelo qual nutriam uma espécie de amor carnal e, também, expressavam a mesma melancolia e sentimento de injustiça para com o destino que a história havia reservado a esse pedaço de chão.

Quando vejo os cuidados e artifícios usados pela delegação cubana para evitar deserções, o volume desproporcional de supostos "dirigentes", a retenção de passaportes, o tipo de relação controlada que mantém nos contatos, recordo com facilidade os relatos do meu velho amigo e patrão. Salvo engano, o último acesso que tiveram à internet foi a armadilha que revelou a necessidade de uma saída atabalhoada e às pressas, com todo o ridículo decorrente, inclusive, de não irem receber merecidas medalhas.

Hoje pela manhã acordei com os comentários de um dos melhores jornalistas políticos que temos: José Nêumanne Pinto, com quem tive o prazer de conversar uma vez já há uns bons anos. É culto, inteligente, capaz e corajoso. Eu diria que hoje dispomos de poucos assim. Criticava, com propriedade, o fato da nossa Polícia Federal ter sido usada, sob as ordens do grande pensador jurídico e ministro Tarso Genro, para deter e devolver às autoridades cubanas os dois pugilistas fujões que pensaram poder evadir-se aqui e mostrava como isso foi triste, mesquinho e vergonhoso; como foram ignorados quaisquer princípios dos tão falados direitos humanos. É como se o governo cubano fosse, após os jogos, a uma seção de achados e perdidos e esta lhes devolvesse objetos de sua propriedade casualmente extraviados. Alguns jornais noticiaram que os atletas estavam arrependidos. Eu também estaria se tivesse sido pego.

José Nêumanne, porém, fez uma comparação que me parece indevida. Cita, para mostrar a incoerência da esquerda, o fato de que teriam sido vítimas de um ato supostamente parecido com os da tal "Operação Condor" que, como todos sabem, foi um esquema de cooperação entre as polícias dos regimes militares vigentes no Cone Sul para alcançarem os opositores armados do regime. Sem entrar no mérito do que diz respeito aos regimes de então, o fato é que essas vítimas da dita Operação Condor, afinal, eram acusados de seqüestros, roubos a bancos, detonação de bombas etc. Ou seja, até que fossem inocentes, o que não me parece ser o caso, estavam "acusados" de crimes. Ora, de que estão acusados os atletas evadidos de Cuba? Se fossem criminosos, mesmo em um regime de plena democracia, todos apoiaríamos a colaboração entre polícias embora, até nesses casos, sejam necessários rituais jurídicos de extradição.

O governo brasileiro prestou-se, na verdade, a um papel muito pior. A comparação correta é com os antigos Capitães do Mato: aqueles homens que recapturavam os escravos fugidos e os devolviam ao proprietário e à justiça se fosse o caso. Os atletas foram capturados, sem documentos porque sem documentos os deixaram e devolvidos aos "proprietários" rapidamente, sem fazer marola. Ninguém mexeu uma palha por eles, exceto o ministro, é claro, já que estavam arrependidos.

Se eu fosse cubano e atleta, esqueceria as outras modalidades e estaria treinando canoagem, no que eles se mostraram bastante competitivos e, afinal, talvez seja mais seguro remar até Miami do que tentar escapar em países como o nosso, onde clandestinos são bem vindos apenas se forem "companheiros".

Não leiam em salas de aula

por Percival Puggina, site Diego Casagrande
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Nosso sistema de governo, tenho os dedos cansados de escrever, concede aos demagogos uma vantagem que se amplia à medida que avança o processo de urbanização e nos tornamos, cada vez mais, uma sociedade de massa. O presidente da República, eleito e reeleito, é craque no uso de tais facilidades. Há muito tempo integra a corte dos privilegiados. Prosperou longe de toda atividade produtiva e declara um patrimônio que o coloca no topo da pirâmide das classes de renda. Usa ternos Armani e cerca-se de itens de consumo sofisticado. Mas tanto para o mercado eleitoral interno quanto para efeitos externos, Lula é povão. As pessoas olham-no ele e vêem o torneiro-mecânico que há quatro décadas deixou de ser. Como é possível? O mendigo vira príncipe e passa a usufruir tanto dos créditos devidos à realeza quanto da caridade suscitada pela pobreza?

Creio que a explicação desse fenômeno está no poder da linguagem. Dispensado, desde muito cedo, do suor do rosto para o ganho do pão, Lula poderia ter feito o mesmo que fizeram outros homens públicos do país, com origem igualmente pobre, enfrentando dificuldades superiores: cometeram a tolice de estudar, aprenderam a conjugar verbos, queimaram pestanas em leituras, captaram as sutilezas das concordâncias e das regências. Lula, ao contrário, sempre quis distância das salas de aula e dos livros. Percebeu que o linguajar que empregava, num país como o nosso, era um de seus principais patrimônios políticos. Trocá-lo pela língua culta seria sepultar sua carreira.

Ademais, tivesse estudado, teria aplicado a inteligência, que tem como dom natural, para coisas pequeno-burguesas como a busca da verdade e a construção do raciocínio lógico. Lula era muito inteligente para cair nessa. Ao continuar falando como torneiro-mecânico imigrante nordestino ele pavimentou os caminhos da comunicação que o fariam presidente do Brasil.

Quando compreendemos isso, podemos entender o que ele disse no dia 2 de agosto, quando comparou o setor aéreo nacional a um cão com muitos donos, que morre de fome porque ninguém cuida. O leitor destas linhas sabe que o autor da frase é o próprio dono do cão. Compreende que ele é o responsável pelo bicho. Percebe que Lula inverte os lados da relação e se apresenta como se ele fosse o cão e não o dono do cão. Esta não é a primeira, nem a segunda, nem a décima vez que faz a mesma coisa. "Mas isso quem tem que dizer sou eu, não tu!", penso, sempre que ele aborda erros do governo como se o presidente fosse qualquer outra pessoa.

O fato, porém, é que a estratégia de assinar o próprio alvará de soltura mediante confissões de que foi traído pelo que outros "fizero", de que não sabia, e de que a administração é um cão sem dono, tem funcionado esplendidamente numa sociedade como a nossa.

Venezuelano é pego com US$ 800 mil ao entrar na Argentina

Marcia Carmo, De Buenos Aires

Dinheiro foi descoberto com grupo que tentava entrar no país

Uma mala com US$ 800 mil foi apreendida em um aeroporto de Buenos Aires quando quatro venezuelanos e dois argentinos tentavam entrar no país com o dinheiro.

Eles chegaram em um jato particular, e um dos venezuelanos disse que era diplomata e chegava à Argentina para preparar a visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Mas o venezuelano não apresentou passaporte oficial e ainda resistiu em abrir a mala, alegando que tinha apenas livros e outras coisas sem valor.

O incidente foi considerado "misterioso" tanto na imprensa argentina como na venezuelana. "Mistério em Buenos Aires e ninguém sabe explicar de onde saiu essa bolada de dinheiro", destacou a emissora Globovisión, de Caracas.

"Ninguém sabe explicar por que essa informação demorou 48 horas para ser divulgada. Ninguém informa quem são essas pessoas. Mas é realmente misterioso e envolve venezuelanos e argentinos", disse, por sua vez, o jornalista Edgardo Alfano, da emissora de televisão argentina TN (Todo Notícias).

Cofre
O dinheiro apreendido foi trancado em um cofre do aeroporto local da capital argentina, o Aeroparque, e colocado sob a vigilância de dois soldados.

O venezuelano, cuja identidade não foi revelada, foi liberado, mas terá que pagar uma multa de US$ 400 mil caso queira recuperar a mala com os dólares.
O valor é correspondente a 50% do dinheiro, já que, de acordo com fontes da alfândega argentina, o montante não foi declarado.

O caso já começou a ser investigado pela Justiça argentina.

"Caso de polícia"
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarcou em Buenos Aires na segunda-feira e, nesta terça, preparava-se para seguir viagem para Montevidéu, no Uruguai.

Quando perguntado sobre a mala, Chávez respondeu: "Isso é uma plantação do Império que quer criar diferenças entre Argentina, Brasil e Venezuela". E completou: "Isso é caso de polícia".

Na emissora de rádio Mitre, um locutor comentou: "Isso não tem nada a ver com o imperialismo, mas com um dinheiro que chegou irregularmente ao país".

O embaixador venezuelano na Argentina, Arévalo Méndez, negou qualquer ligação dos integrantes do jatinho com o governo do seu país.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Este Chavez é mesmo um cafajeste de marca maior: com quem estava o dinheiro, por acaso, não era de sua própria comitiva? Conforme informamos no TOQUEDEPRIMA., podem apostar que este dinheiro era uma contribuição de Chavez para financiar a campanha à presidência da senadora Cristina Kirchner, por sinal esposa de Nestor Kirchner, atual presidente do país vizinho.

Quanto ao império a que se referiu o ditador cretino Hugo Chavez, o império que está para ser implantado na América Latina não é o americano, não: é o império venezuelano, ou chavista, ou bolivariano (claro, sob o comando do cretino), que o presidente-ditador Chavez está tentando espalhar tentáculos, se intrometendo em assuntos internos dos países, como no caso das eleições presidenciais onde, como agora, sempre há uma gorjeta para as campanhas de seus “preferidos”. Afora o processo de fortalecimento bélico em pleno curso na Venezuela, país em que a maioria da população agoniza horas a fio em filas de espera para comprar um simples pãozinho e um litro de leite...

ENQUANTO ISSO...

Kirchner espera Chávez discreto para não atrapalhar Cristina
Marcia Carmo, BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarca na capital argentina nesta segunda-feira para assinar acordos financeiros e energéticos com o governo do colega Nestor Kirchner.

Mas como sua visita ocorre a cerca de 80 dias das eleições presidenciais da Argentina, marcadas para 28 de outubro, surgiram diferentes versões sobre o objetivo político da viagem.

Para alguns setores ligados aos movimentos sociais, como “Barrios de Pie” (“Bairros de Pé”), a presença de Chávez poderia influenciar os eleitores de esquerda a definirem o voto pela presidenciável Cristina Fernández de Kirchner, senadora e primeira-dama do País.

Mas, como informaram no fim de semana os jornais Clarín e La Nación, o casal Kirchner preferiu que Chávez seja, desta vez, o mais discreto possível – dentro do possível – durante sua passagem pela Argentina.

A viagem teria sido reduzida a menos de dois dias, contrariando planos iniciais, para que não se corra o risco de prejudicar a imagem que vem sendo construída pela primeira-dama, de realizar um governo mais pragmático, caso vença as eleições. Ela lidera a preferência dos eleitores em várias pesquisas de opinião.

Cristina costuma defender a gestão de Chávez e destacar a importância energética da Venezuela para a região, mas prefere planejar, caso seja eleita, um governo “mais aberto ao mundo”, de acordo com avaliações de assessores da administração oficial.

“Ela está mais para Lula, do Brasil, e Michelle Bachelet, do Chile, do que para Chávez, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador”, insistem fontes próximas ao atual governo.

“Nosso país deve se voltar ao mundo”, disse ela em entrevista ao La Nación. “Para cuidar da candidata K, Chávez chega discreto. Não haverá manifestações massivas e nem discursos contra os Estados Unidos”, escreveu o Clarín.

"Alô presidente"
Em seu programa dominical Alô presidente, Hugo Chávez fez vários elogios à presidenciável argentina. "Tudo bem, presidenta? Espero que não me acusem na Argentina de estar me metendo (na campanha). Tudo indica que teremos presidenta em poucos meses. Cristina é leal e corajosa", disse.

Analistas argentinos entendem que ela pretende reativar a política externa argentina – tema que não despertou muito interesse na gestão do seu marido. Segundo Cristina, Kirchner assumiu um governo em crise e a prioridade era a gestão interna. Por isso, nesta segunda-feira, ela estará com o presidente recepcionando Hugo Chávez e na terça-feira participará da reunião do Conselho das Américas, presidido pela americana Susan Segal.

“Nos dois casos, o casal presidencial pretende fazer o dever direitinho, mostrando-se bolivariano (com Chávez) e favorável aos americanos (com Segal)”, escreveu Silvio Santamarina, do jornal Perfil.

Esta é a segunda viagem de Chávez à Argentina neste ano. A programação desta nova visita prevê que ele se reunirá com Kirchner, na Casa Rosada (sede da Presidência da República), e depois o casal o receberá na residência presidencial de Olivos.

Chávez comprará US$ 1 bilhão em títulos públicos da dívida do país, como confirmou o chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández. Nos últimos três anos, a Venezuela passou a ser um dos principais financiadores da Argentina.
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ENQUANTO ISSO...

Chávez ignora pedido e faz campanha para mulher de Kirchner
Marcia Carmo, BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ignorou as recomendações que recebeu das autoridades argentinas e defendeu a candidatura da primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner em diferentes ocasiões durante sua viagem à Argentina.

"Até as pedras da Argentina e da Venezuela dizem que Cristina será a próxima presidente da Argentina", disse Chávez.

"Presidenta", repetiu cada vez que a viu, diante dos microfones, quando ainda faltam mais de dois meses para o pleito marcado para 28 de outubro.

Chávez reiterou ainda que a direita até poderia acusá-lo de se meter na campanha eleitoral argentina, mas, destacou, que ele tem certeza da continuidade do modelo atual no país – atualmente liderado pelo presidente Nestor Kirchner.

'Primeiro-cavalheiro'
Hugo Chávez passou menos de 24 horas na Argentina. Ao desembarcar na base militar, segunda-feira, ele agradeceu a "coragem" e a "dignidade" da senadora que, na sua opinião, o defendeu em diferentes encontros internacionais.

Mais tarde, numa cerimônia oficial na Casa Rosada (sede da Presidência argentina), ele fez o casal Kirchner rir quando voltou a dizer que Cristina será a próxima presidente do País.

Horas antes de sua chegada à Buenos Aires, os principais jornais argentinos informaram que Kirchner e outras autoridades de seu governo tinham pedido que ele fosse discreto para não atrapalhar a campanha da primeira-dama.

Por isso, ele não realizou comícios, como fez em março passado, por exemplo.
Nesta terça-feira, antes de embarcar para Montevidéu, no Uruguai, ele manteve seu estilo, reafirmando que Cristina, como presidente, contará sempre com a ajuda venezuelana.

Na Argentina, Chávez assinou a compra de US$ 500 milhões de bônus argentinos e ainda acordos na área energética.

Ele voltou a criticar os Estados Unidos em diferentes situações, durante sua passagem pela capital argentina. Disse que o país "mete a mão" na América do Sul e o acusou de "drácula".

Pouco depois, o presidente Kirchner e a presidenciável viajaram à província de Tucuman. No palanque, Kirchner disse: "Espero que Cristina me traga aqui como 'primeiro-cavalheiro'".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Esta intromissão indevida de Chavez nos assuntos dos países da região, ainda nos custará muita dor de cabeça. Aliás, já está custando, e a tal que os lucros da Petrobrás no exterior, tiveram acentuada queda por conta das políticas de Argentina, Bolívia e Equador, incentivadas por Chavez. O doloroso, no caso brasileiro, é não assistirmos de parte de Lula uma única reação contra esta intromissão visando a implantação de um império bolivariano ditatorial, sob as luzes do pensamento cretino e autoritário do venezuelano.