quinta-feira, agosto 09, 2007

ENQUANTO ISSO...

Kirchner espera Chávez discreto para não atrapalhar Cristina
Marcia Carmo, BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarca na capital argentina nesta segunda-feira para assinar acordos financeiros e energéticos com o governo do colega Nestor Kirchner.

Mas como sua visita ocorre a cerca de 80 dias das eleições presidenciais da Argentina, marcadas para 28 de outubro, surgiram diferentes versões sobre o objetivo político da viagem.

Para alguns setores ligados aos movimentos sociais, como “Barrios de Pie” (“Bairros de Pé”), a presença de Chávez poderia influenciar os eleitores de esquerda a definirem o voto pela presidenciável Cristina Fernández de Kirchner, senadora e primeira-dama do País.

Mas, como informaram no fim de semana os jornais Clarín e La Nación, o casal Kirchner preferiu que Chávez seja, desta vez, o mais discreto possível – dentro do possível – durante sua passagem pela Argentina.

A viagem teria sido reduzida a menos de dois dias, contrariando planos iniciais, para que não se corra o risco de prejudicar a imagem que vem sendo construída pela primeira-dama, de realizar um governo mais pragmático, caso vença as eleições. Ela lidera a preferência dos eleitores em várias pesquisas de opinião.

Cristina costuma defender a gestão de Chávez e destacar a importância energética da Venezuela para a região, mas prefere planejar, caso seja eleita, um governo “mais aberto ao mundo”, de acordo com avaliações de assessores da administração oficial.

“Ela está mais para Lula, do Brasil, e Michelle Bachelet, do Chile, do que para Chávez, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador”, insistem fontes próximas ao atual governo.

“Nosso país deve se voltar ao mundo”, disse ela em entrevista ao La Nación. “Para cuidar da candidata K, Chávez chega discreto. Não haverá manifestações massivas e nem discursos contra os Estados Unidos”, escreveu o Clarín.

"Alô presidente"
Em seu programa dominical Alô presidente, Hugo Chávez fez vários elogios à presidenciável argentina. "Tudo bem, presidenta? Espero que não me acusem na Argentina de estar me metendo (na campanha). Tudo indica que teremos presidenta em poucos meses. Cristina é leal e corajosa", disse.

Analistas argentinos entendem que ela pretende reativar a política externa argentina – tema que não despertou muito interesse na gestão do seu marido. Segundo Cristina, Kirchner assumiu um governo em crise e a prioridade era a gestão interna. Por isso, nesta segunda-feira, ela estará com o presidente recepcionando Hugo Chávez e na terça-feira participará da reunião do Conselho das Américas, presidido pela americana Susan Segal.

“Nos dois casos, o casal presidencial pretende fazer o dever direitinho, mostrando-se bolivariano (com Chávez) e favorável aos americanos (com Segal)”, escreveu Silvio Santamarina, do jornal Perfil.

Esta é a segunda viagem de Chávez à Argentina neste ano. A programação desta nova visita prevê que ele se reunirá com Kirchner, na Casa Rosada (sede da Presidência da República), e depois o casal o receberá na residência presidencial de Olivos.

Chávez comprará US$ 1 bilhão em títulos públicos da dívida do país, como confirmou o chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández. Nos últimos três anos, a Venezuela passou a ser um dos principais financiadores da Argentina.
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ENQUANTO ISSO...

Chávez ignora pedido e faz campanha para mulher de Kirchner
Marcia Carmo, BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ignorou as recomendações que recebeu das autoridades argentinas e defendeu a candidatura da primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner em diferentes ocasiões durante sua viagem à Argentina.

"Até as pedras da Argentina e da Venezuela dizem que Cristina será a próxima presidente da Argentina", disse Chávez.

"Presidenta", repetiu cada vez que a viu, diante dos microfones, quando ainda faltam mais de dois meses para o pleito marcado para 28 de outubro.

Chávez reiterou ainda que a direita até poderia acusá-lo de se meter na campanha eleitoral argentina, mas, destacou, que ele tem certeza da continuidade do modelo atual no país – atualmente liderado pelo presidente Nestor Kirchner.

'Primeiro-cavalheiro'
Hugo Chávez passou menos de 24 horas na Argentina. Ao desembarcar na base militar, segunda-feira, ele agradeceu a "coragem" e a "dignidade" da senadora que, na sua opinião, o defendeu em diferentes encontros internacionais.

Mais tarde, numa cerimônia oficial na Casa Rosada (sede da Presidência argentina), ele fez o casal Kirchner rir quando voltou a dizer que Cristina será a próxima presidente do País.

Horas antes de sua chegada à Buenos Aires, os principais jornais argentinos informaram que Kirchner e outras autoridades de seu governo tinham pedido que ele fosse discreto para não atrapalhar a campanha da primeira-dama.

Por isso, ele não realizou comícios, como fez em março passado, por exemplo.
Nesta terça-feira, antes de embarcar para Montevidéu, no Uruguai, ele manteve seu estilo, reafirmando que Cristina, como presidente, contará sempre com a ajuda venezuelana.

Na Argentina, Chávez assinou a compra de US$ 500 milhões de bônus argentinos e ainda acordos na área energética.

Ele voltou a criticar os Estados Unidos em diferentes situações, durante sua passagem pela capital argentina. Disse que o país "mete a mão" na América do Sul e o acusou de "drácula".

Pouco depois, o presidente Kirchner e a presidenciável viajaram à província de Tucuman. No palanque, Kirchner disse: "Espero que Cristina me traga aqui como 'primeiro-cavalheiro'".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Esta intromissão indevida de Chavez nos assuntos dos países da região, ainda nos custará muita dor de cabeça. Aliás, já está custando, e a tal que os lucros da Petrobrás no exterior, tiveram acentuada queda por conta das políticas de Argentina, Bolívia e Equador, incentivadas por Chavez. O doloroso, no caso brasileiro, é não assistirmos de parte de Lula uma única reação contra esta intromissão visando a implantação de um império bolivariano ditatorial, sob as luzes do pensamento cretino e autoritário do venezuelano.