Adelson Elias Vasconcellos
Dois fatos marcam aquilo que se pode convencionar de “cartilha do Foro”. Uma, a forma como o Brasil contratou via governo cubano, 4 mil médicos para trabalharem (?) no Brasil. E outro, a tal fuga do senador Molina, da Bolívia, que estava refugiado na embaixada brasileira, em La Paz, havia mais de um ano. Apesar de lhe ter sido o asilo pelo Brasil, o presidente Evo Morales, teimoso tal mula, não quis lhe conceder salvo conduto para que ele viesse para o Brasil.
Os dois casos são bem característicos de que tipo de governo o PT realiza. Para eles, não é o interesse do Brasil que deve pesar nas decisões ou no lançamento de programas e projetos. Seguem, religiosamente, a cartilha do Foro de São Paulo que é quem dá cãs cartas e emana as orientações de governo para os países em que o poder caiu no colo das esquerdas.
A questão dos médicos cubanos, por exemplo, é bem característico. A negociação estava em curso há mais de um ano, justamente porque o Brasil precisava cobrir o financiamento à ditadura cubana, que a economia venezuelana já não conseguia financiar. Afora o petróleo, nada restava ao país do então agonizante e moribundo Hugo Chavez. Os demais países de bandeira esquerdista, não tinham como sustentar os Castro no poder.
O Brasil, por sua pujança e riqueza, sempre se manteve arredio a estender ajuda à ilha. E os Castro cobraram dos petistas o apoio logístico que sempre deram para que pudessem chegar ao Planalto.
Ainda no governo Lula, abriram-se as portas do BNDES para financiar um terminal portuário. Quer dizer, não se trata de um “financiamento” propriamente dito. Acabará o empréstimo recebendo o mesmo perdão recentemente concedido às ditaduras africanas.
Dito isto, vejamos alguns detalhes “estranhos” desta contratação.
Já comentamos que a triangulação feita para trazer os médicos cubanos fere, frontalmente, as leis trabalhistas brasileiras. O ministro Padilha diz que ninguém pode se negar em cumprir a lei, caso os conselhos regionais de medicina se neguem em conceder o registro provisório para os profissionais importados.
Primeiro, que Medida Provisória é provisória, tem força de lei, mas sua extensão só se legitima se e quando for aprovada pelo Congresso. Segundo, que a medida provisória não obriga os conselhos regionais de medicina à concessão de registros provisórios, muito menos se estes se indisporem às atuais regras, muito menos se profissionais contratados no exterior não forem submetidos à revalidação de seus diplomas. Assim, e isto precisa ficar bem claro, quem ultrapassa os limites das leis brasileiros é o próprio ministro da saúde que considera legítimo um com trato que vai contra a legislação trabalhista e quer impor uma obrigatoriedade absurda quanto a registros temporários para profissionais de saúde, formados no exterior, atuarem no país.
Deste modo, esta valentia toda do senhor Alexandre Padilha é pura bosta, não vale nada. É pura gritaria por absoluta e total falta de argumento factível para o debate, a revelar o espírito autoritário do governo em relação ao seu povo, e submissão covarde e subalterna as cartilhas estrangeiras que tentam impor no país uma soberania intolerável. Até porque, os dois presidentes petistas, quando precisaram recorrer à medicina, se agarraram aos médicos e hospitais, não os cubanos. Deste clube cafajeste que é o Foro de São Paulo, o único soberano que desafiou a medicina e foi buscar socorro na ilha dos Castro, voltou morto para casa. Sequer prestou para múmia.
Mas o que preocupa-me e chama a atenção de qualquer observador mais atento é a cartilha imposta por Cuba para seus profissionais, não desmentidas pela vice-presidente da Saúde de Cuba, quanto ao ir e vir em território brasileiro, pelos médicos Cuba . Sabe-se que os médicos estão hospedados em áreas militares de Brasília, com acesso restrito. Os homens estão no Alojamento da Guarda Presidencial, e as mulheres, no Batalhão da Cavalaria Montada. E as ordens são expressas: não podem se comunicar com seus colegas de outros países. Ou seja, Cuba quer manter escravos e obedecendo as suas leis, profissionais trabalhando em território brasileiro. E as nossas leis, e a nossa soberania, onde foram parar com este governo covarde, inepto, incompetente, arbitrário e irresponsável? Que dona Márcio Cobas tenha e exerça autoridade em solo cubano é uma coisa que não nos cabe discutir. Porém, no Brasil esta senhora achar que pode se intrometer a ditar regras? É UM ABSURDO!!! Eis a que ponto o Brasil está sendo levado pelo governo da senhora Dilma: nossa soberana se tornou subalterna a uma ditadura! E ela quer reeleição, é? Para que, para enxovalhar ainda mais o Brasil, sua soberania e sua democracia? Vá se danar!
Quanto ao caso do senador boliviano esta é mais uma patacoada do espetáculo circense que as esquerdas tentam armar no continente. Hoje, a presidente Dilma subiu nas tamancas para se indispor quanto ao plano de fuga armado para trazer o político boliviano para o Brasil. Sequer Dilma deveria torcer o nariz. Quantos brasileiros, até de esquerda, (José Dirceu por exemplo), se refugiaram em países vizinhos para fugirem de governos ditatoriais do continente?
Ora, se alguém feriu algum dispositivo legal neste caso, foi o governo de Evo Morales que se negou em conceder salvo conduto a quem já era considerado refugiado político. Em que teses o governo Lula foi se calcar ao conceder refugio ao assassino italiano Cezare Batistti? Além disso, não havia fundamento legal que justificasse a prisão ilegal de doze brasileiros pela Bolívia durante tanto tempo como ocorreu.
Poderia alinhar outros tantos exemplos que demonstram o ponto de submissão do governo petista às vontades, caprichos e desmandos de governos sul-americanos alinhados ao Foro de São Paulo. Poderia justificar as muitas ações armadas, na tentativa de sabotar governo legítimos e democráticos que não se deixavam conduzir pela cartilha da turma. É triste ter de dizer isto: enquanto Cuba viver sob o jugo dos Castro, o continente sul-americano não conseguirá ser totalmente livre, democrático e os governos contrários ao receituário das esquerdas não conseguiram se realizar plenamente.
Ora, Dilma como boa obediente às regras impostas ao Brasil pelo Foro de São Paulo, fez o que seu mestre mandaram fazer: demitiu Patriota. Por quê? Porque a fuga do senador boliviano, contrariou um dos discípulos do clube de cafajestes. Não lhe interessa se atende leis, decretos, soberania, interesse brasileiros a concessão do asilo. Se o asilado for inimigo dos cretinos de esquerda do continente, a guerra fica aberta e declarada.
Que Antonio Patriota fosse demitido ou a pedisse por outras razões causadas por ações que ferissem os interesses do país, e elas foram muitas, de fato, tudo bem. Mas por que permitiu contrariar interesses de um país que já feriu interesses brasileiros recentemente? E outra questão: se Patriota foi demitido tendo por motivo principal a fuga rocambolesca do senador Molina, pela mesma razão Celso Amorim deveria pegar o caminho da rua. A presença de dois fuzileiros navais revela que a fuga era do conhecimento dos militares, de quem Celso Amorim é chefe. Mas também havia a presença de agentes da polícia federal. E o seu chefe é o ministro da Justiça, o petista Eduardo Cardozo. Mas tanto Amorim quanto Cardozo são imexíveis, por erros que venham cometer. Já Patriota...
O que de bom resultou deste episódio, foi a ação e a resposta do diplomata Eduardo Saboia, que foi quem tomou a iniciativa de trazer o senador boliviano para o Brasil. Primeiro, ele fez o que fez para resguardar a integridade de um perseguido político em seu país, e que a presidente Dilma devia compreender sua atitude por ter sido ela, também uma perseguida política por um regime totalitário. Segundo, respondendo porque resolvera agir, afirmou categoricamente: “Não tenho vocação para agente penitenciário”. Perfeito!!!!
No que nos diz mais de perto, é constrangedor perceber o quanto de soberania brasileira o governo petista vem abrindo mão. Daí porque se conclui que, Governo que não respeita sua própria soberania, não merece ser governo. O Brasil não precisa pedir permissão ao Foro de São Paulo para dirigir seu destino e o de seu povo. Mas com o PT no poder, substituímos o Consenso de Washington pela Falta de Senso do Foro de São Paulo. Grande troca, não é mesmo?






