terça-feira, agosto 27, 2013

Governo que não respeita sua própria soberania, não merece ser governo.

Adelson Elias Vasconcellos

Dois fatos marcam aquilo que se pode convencionar de “cartilha do Foro”. Uma, a forma como o Brasil contratou via governo cubano, 4 mil médicos para trabalharem (?) no Brasil. E outro, a tal fuga do senador Molina, da Bolívia, que estava refugiado na embaixada brasileira, em La Paz, havia mais de um ano. Apesar de lhe ter sido o asilo pelo Brasil, o presidente Evo Morales, teimoso tal mula,  não quis lhe conceder salvo conduto para que ele  viesse para o Brasil.

Os dois casos são bem característicos de que tipo de governo o PT realiza. Para eles, não é o interesse do Brasil que deve pesar nas decisões ou no lançamento de programas e projetos.  Seguem, religiosamente, a cartilha do Foro de São Paulo que é quem dá cãs cartas e emana as orientações de governo para os países em que o poder caiu no colo das esquerdas.

A questão dos médicos cubanos, por exemplo, é bem característico. A negociação estava em curso há mais de um ano, justamente porque o Brasil precisava cobrir o financiamento à ditadura cubana, que a economia venezuelana já não conseguia financiar. Afora o petróleo, nada restava ao país do então agonizante e moribundo Hugo Chavez. Os demais países de bandeira esquerdista, não tinham como sustentar os Castro no poder. 

O Brasil, por sua pujança e riqueza, sempre se manteve arredio a estender  ajuda à ilha. E os Castro cobraram dos petistas o apoio logístico que sempre deram para que pudessem chegar ao Planalto.  

Ainda no governo Lula, abriram-se as portas do BNDES para financiar um terminal portuário. Quer dizer, não se trata de um “financiamento” propriamente dito. Acabará o empréstimo recebendo o mesmo perdão recentemente concedido às ditaduras africanas. 

Dito isto, vejamos alguns detalhes “estranhos” desta contratação.

Já comentamos que a triangulação feita para trazer os médicos cubanos fere, frontalmente, as leis trabalhistas brasileiras. O ministro Padilha diz que ninguém pode se negar em cumprir a lei, caso os conselhos regionais de medicina se neguem em conceder o registro provisório para os profissionais importados.

Primeiro, que Medida Provisória é provisória, tem força de lei, mas sua extensão só se legitima se e quando for aprovada pelo Congresso. Segundo, que a medida provisória não obriga os conselhos regionais de medicina à concessão de registros provisórios, muito menos se estes se indisporem  às atuais regras, muito menos se profissionais contratados no exterior não forem submetidos à revalidação de seus diplomas. Assim, e isto precisa ficar bem claro, quem ultrapassa os limites das leis brasileiros é o próprio ministro da saúde que considera legítimo um com trato que vai contra a legislação trabalhista e quer impor uma obrigatoriedade absurda quanto a registros temporários para profissionais de saúde, formados no exterior, atuarem no país.  

Deste modo, esta valentia toda do senhor Alexandre Padilha é pura bosta, não vale nada. É pura gritaria por absoluta e total falta de argumento factível para o debate, a revelar o espírito autoritário do governo em relação ao seu povo, e submissão covarde e subalterna as cartilhas estrangeiras que tentam impor no país uma soberania intolerável. Até porque, os dois presidentes petistas, quando precisaram recorrer à medicina, se agarraram aos médicos e hospitais, não os cubanos. Deste clube cafajeste que é o Foro de São Paulo, o único soberano que desafiou a medicina e foi buscar socorro na ilha dos Castro, voltou morto para casa. Sequer prestou para múmia.

Mas o que preocupa-me e chama a atenção de qualquer observador mais atento é a cartilha imposta por Cuba para seus profissionais, não desmentidas  pela vice-presidente da Saúde de Cuba, quanto ao ir e vir em território brasileiro, pelos médicos Cuba . Sabe-se que os médicos estão hospedados em áreas militares de Brasília, com acesso restrito. Os homens estão no Alojamento da Guarda Presidencial, e as mulheres, no Batalhão da Cavalaria Montada. E as ordens são expressas: não podem se comunicar com seus colegas de outros países. Ou seja, Cuba quer manter escravos e obedecendo as suas leis, profissionais trabalhando em território brasileiro. E as nossas leis, e a nossa soberania, onde foram parar com este governo covarde, inepto, incompetente, arbitrário e irresponsável? Que dona Márcio Cobas tenha e exerça autoridade em solo cubano é uma coisa que não nos cabe discutir. Porém, no Brasil esta senhora achar que pode se intrometer a ditar regras? É UM ABSURDO!!! Eis a que ponto o Brasil está sendo levado pelo governo da senhora Dilma: nossa soberana se tornou subalterna a uma ditadura! E ela quer reeleição, é? Para que, para enxovalhar ainda mais o Brasil, sua soberania  e sua democracia? Vá se danar!   

Quanto ao caso do senador boliviano esta é mais uma patacoada do espetáculo circense que as esquerdas tentam armar no continente. Hoje, a presidente Dilma subiu nas tamancas para se indispor quanto ao plano de fuga armado para trazer o político boliviano para o Brasil. Sequer Dilma deveria torcer o nariz. Quantos brasileiros, até de esquerda, (José Dirceu por exemplo), se refugiaram em países vizinhos para fugirem de governos ditatoriais do continente? 

Ora, se alguém feriu algum dispositivo legal neste caso, foi o governo de Evo Morales que se negou em conceder salvo conduto a quem já era considerado refugiado político. Em que teses o governo Lula foi se calcar ao conceder refugio ao assassino italiano Cezare Batistti?  Além disso, não havia fundamento legal que justificasse a prisão ilegal de doze brasileiros pela Bolívia durante tanto tempo como ocorreu. 

Poderia alinhar outros tantos exemplos que demonstram o ponto de submissão do governo petista às vontades, caprichos e desmandos de governos sul-americanos alinhados ao Foro de São Paulo. Poderia justificar as muitas ações armadas, na tentativa de sabotar governo legítimos e democráticos que não se deixavam conduzir pela cartilha da turma.  É triste ter de dizer isto: enquanto Cuba viver sob o jugo dos Castro, o continente sul-americano não conseguirá ser totalmente livre, democrático e os governos contrários ao receituário das esquerdas não conseguiram se realizar plenamente. 

Ora, Dilma como boa obediente às regras impostas ao Brasil pelo Foro de São Paulo, fez o que seu mestre mandaram fazer: demitiu Patriota. Por quê? Porque a fuga do senador boliviano, contrariou um dos discípulos do clube de cafajestes. Não lhe interessa se atende leis, decretos, soberania, interesse brasileiros a concessão do asilo. Se o asilado for inimigo dos cretinos de esquerda do continente, a guerra fica aberta e declarada.  

Que Antonio Patriota fosse demitido ou a pedisse por outras razões causadas por ações que ferissem os interesses do país, e elas foram muitas, de fato, tudo bem. Mas por que permitiu contrariar interesses de um país que já feriu interesses brasileiros recentemente?  E outra questão: se Patriota foi demitido tendo por motivo principal a fuga rocambolesca do senador Molina, pela mesma razão Celso Amorim deveria pegar o caminho da rua.  A presença de dois fuzileiros navais revela que a fuga era do conhecimento dos militares, de quem Celso Amorim é chefe. Mas também  havia a presença de agentes da polícia federal. E o seu chefe é o ministro da Justiça, o petista Eduardo Cardozo. Mas tanto Amorim quanto Cardozo são imexíveis, por erros  que venham cometer. Já Patriota...   

O que de bom resultou deste episódio, foi a ação e a resposta do diplomata Eduardo Saboia, que foi quem tomou a iniciativa de trazer o senador boliviano para o Brasil. Primeiro,  ele fez o que fez para resguardar a integridade de um perseguido político em seu país, e que a presidente Dilma devia compreender sua atitude por ter sido ela, também uma perseguida política por um regime totalitário. Segundo, respondendo porque resolvera agir, afirmou categoricamente: “Não tenho vocação para agente penitenciário”.  Perfeito!!!! 

No que nos diz mais de perto, é  constrangedor  perceber o quanto de soberania brasileira o governo petista vem abrindo mão. Daí porque se conclui que, Governo que não respeita sua própria soberania, não merece ser governo. O Brasil não precisa pedir permissão ao Foro de São Paulo para dirigir seu destino e o de seu povo. Mas com o PT no poder, substituímos o Consenso de Washington pela Falta de Senso do Foro de São Paulo. Grande troca, não é mesmo?  

A miséria moral do Itamaraty

Por Reinaldo Azevedo

Episódio do senador boliviano, que fugiu com apoio de diplomata brasileiro, evidencia, mais uma vez, a miséria moral do Itamaraty na era Amorim-Patriota. Ou: Os dois pilares da política do Foro de São Paulo. Ou: O segundo tempo dos megalonanicos

O senador boliviano Roger Pinto Molina estava asilado havia 15 meses na embaixada do Brasil na Bolívia. O governo de Evo Morales o acusa de corrupção; ele se diz um perseguido político e sustenta que o processo é só uma tentativa de dar fachada legal à perseguição, o que é verossímil. É o que faz o governo do orelhudo Daniel Ortega, na Nicarágua. É o que faz o governo de Nicolás Maduro, o “cavalo” de Hugo Chávez, na Venezuela. É o que faz o governo de Rafael Correa, o acoitador de terrorista, no Equador. É o que faz o governo da “Loca” de Buenos Aires, Cristina Kirchner. É o que faz, como é sabido, o governo do índio de araque na Bolívia. E, ora, ora, é o que começou a fazer o governo de Dilma Rousseff no Brasil, por intermédio do Cade, aquele órgão federal dirigido por um peixinho de Gilberto Carvalho, que faz acordos de leniência para punir supostos atos de corrupção apenas em estado governado por um partido adversário, embora os delatores mantenham negócios bilionários com o governo federal. Trata-se de uma orientação, de uma escolha, de uma determinação organizada em foro especial: o Foro de São Paulo. A diretriz tem dois pilares: a) usar as eleições para impor leis que eliminem as forças de oposição; b) usar a Justiça e os órgãos de vigilância do estado para eliminar lideranças do “campo reacionário”.

A história ainda está um pouco confusa. Em princípio, a gente tem certa dificuldade de acreditar que o diplomata Eduardo Saboia, que respondia pela embaixada, tenha organizado a fuga de Molina para o Brasil sem o conhecimento do Itamaraty. Mas parece que as coisas se deram assim mesmo. A irritação de Antonio Patriota, o ministro das Relações Exteriores que imprimiu as suas digitais no trabalho escravo cubano, contam-me, é genuína. Também a presidente Dilma estaria furiosa. Pois é…

A situação do senador boliviano na embaixada era mais uma de muitas das situações difíceis que o índio de araque (“o meu querido Evo”, na expressão de Lula) armou para o Brasil. Desde a sua chegada ao poder, tornou-se um notório criador de casos — e o governo brasileiro sempre a lhe passar a mão na cabeça: quando roubou, com armas na mão, a refinaria da Petrobras; quando impôs, unilateralmente, um reajuste no preço do gás; quando criou novos campos de folha de coca na fronteira com o Brasil; quando decidiu legalizar os carros brasileiros aqui roubados e transferidos para seu país; quando não moveu um palha (muito pelo contrário) para libertar os corintianos detidos no país. “Meu querido Evo” ganhou ainda um presentinho do Brasil: financiamento do BNDES para uma estrada que terá um uso principal: transportar folhas de coca. Mais: como sabe a Polícia Federal, a Bolívia não move uma palha para combater o tráfico de drogas na fronteira. Nada! Negar-se a dar o salvo-conduto a Molina, mantendo-o indefinidamente confinado na embaixada, era só mais uma das patranhas de Evo.

Saboia diz em entrevista que o seu hóspede forçado está com depressão; que isso é atestado por laudo médico e que corria o risco de se suicidar na embaixada. Não dá para saber a gravidade do quadro, se isso é verdade ou não. O que se sabe, em regra, é que o estresse do confinamento pode levar as pessoas a fazer tolices. O fato é que Saboia, tudo indica, decidiu correr o risco e resolveu por sua própria conta o que este incrível Itamaraty — depois de Amorim, não pensei que pudesse ficar menor, mas ficou — não resolvia. Segundo o diplomata, as negociações não eram para valer, e a comissão bilateral criada mal conversava a respeito.

Cabia a Saboia manter Molina sem contato com o mundo exterior. Atuava como uma espécie de carcereiro. Por alguns dias, vá lá. Por mais de um ano? Em entrevista à Folha, ele deixa claro que não recebia orientação nenhuma. Reproduzo trechos de sua fala:

“Veja bem: nós, da embaixada, mandamos muitas comunicações sugerindo várias formas de ação. A única coisa que existia [até agora] era um grupo de trabalho do qual a embaixada não faz parte. Nós éramos apenas informados. (…) você imagina ir todo dia para o seu trabalho e você tem uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai. E você que impede ela de receber visitas (…). Falavam [no Itamaraty] que era questão de tempo. Daí eu perguntava da comissão, e as pessoas me diziam: ‘olha, aqui é empurrar com a barriga’. Ninguém me disse isso por telegrama, eles não são bobos. Mas eu tenho os e-mails das pessoas, dizendo ‘olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita’”.

Retomo
Eis aí a face mais crua da atual diplomacia brasileira, tomada pela ideologia, pela vigarice intelectual, pela mistificação. Também o Itamaraty passou a funcionar como uma espécie de polícia continental a serviço dos bolivarianos. É evidente que isso deveria ter sido resolvido de outro modo. O Brasil não tinha, é claro, como obrigar a Bolívia a conceder o salvo-conduto, mas que diabo? Dilma não conseguiu resolver a questão num bate-papo com Evo, o seu amigo de fé, irmão, camarada? Que coisa, não? A turma de Evo nem soltava os brasileiros presos em território boliviano nem permitia que um boliviano, confinado em território brasileiro, ganhasse a liberdade. Esse é o governo sonhado por Chico Buarque: fala grosso com Washington e fino com La Paz! O desfecho, ainda que tivesse contado com o suporte do Itamaraty (e não parece mesmo ter sido o caso), seria vergonhoso.

Em outras situações
Em outras situações, no entanto, Dilma e a nossa diplomacia decidiram mostrar as garras e arreganhar os dentes. Como esquecer o caso de Honduras? Lula e Hugo Chávez, com o entusiasmo do Itamaraty, tentaram levar a guerra civil àquele país, que depôs, segundo as regras de sua Constituição, um psicopata. Manuel Zelaya buscou refúgio na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, contrariando as leis internacionais, usou o prédio como base de resistência: concedia entrevistas e pregava a deposição do governo legal. Quando deixou o prédio, mandou entregar uma carta de agradecimento a… Lula.

O Brasil demorou para reconhecer o governo eleito democraticamente. Num episódio não menos escandaloso, puniu o Paraguai — que depôs Fernando Lugo também de modo democrático, segundo as leis do país —, suspendendo-o do Mercosul. Aproveitou o ensejo para integrar a Venezuela ao bloco. Entenderam? O Brasil acusou o Paraguai de transgredir regras democráticas e abrigou a Venezuela! Antes, não custa lembrar, Banânia cobrou que a OEA punisse a Colômbia por ter atacado uma base terrorista das Farc em território equatoriano, na fronteira. Quando ao fato de o Equador abrigar os terroristas, não disse uma palavra.

Esse Itamaraty, que agora justifica o trabalho escravo dos cubanos no Brasil, é o ponto mais baixo da história da diplomacia brasileira, que é, sim, cheia de méritos. Quando vi aquele senhorzinho se fazendo de indignado porque o governo do Reino Unido reteve um brasileiro que transportava documentos que tinham sido roubados do governo americano, perguntei: “Quem é esse cara?”.

Esse cara é Patriota.

É a segunda etapa da diplomacia megalonanica.

Seis interrogações que Dilma precisa responder

Josias de Souza



O principal problema da crise diplomática provocada pela fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil é a falta de nexo. Há interrogações demais no noticiário. Há também muitas meias verdades. E o perigo da meia verdade, como se sabe, é o governo dizer exatamente a metade que é mentira. Para evitar fazer papel de bobo, você precisa cobrar meia dúzia de respostas:

1. Por que Dilma Rousseff não exigiu para Roger Pinto o que Evo Morales aceitou para Edward Snowden?
Reunidos em 12 de julho na cidade de Montevidéu, os presidentes dos países-membros do Mercosul assinaram uma valente declaração conjunta. No texto, solidarizaram-se com os países que haviam oferecido asilo político a Edward Snowden –entre eles Venezuela, Bolívia e Equador.

Subscrito por todos, inclusive por Dilma Rousseff e Evo Morales, o documento defende “o direito de todo Estado soberano de conceder asilo a qualquer cidadão conforme as normas de direito internacional.” Mais: “É fundamental assegurar que seja garantido o direito dos asilados de transitar com segurança até o país que tenha concedido o asilo.”

No caso do senador boliviano, Dilma exerceu “o direito soberano” do Brasil de conceder-lhe asilo político. E Evo provou que asilo no governo dos outros é refresco. Negou ao desafeto Roger Pinto o salvo-conduto que lhe permitiria “transitar com segurança” até a fronteira com o Brasil.

Nessa hora, Dilma deveria ter puxado Evo para um canto. Perguntaria: “Meu querido, por que não aplicarmos ao caso do senador Roger, seu inimigo, a mesma fórmula que aprovamos para o Snowden, inimigo do Barack Obama?” Ao silenciar, a presidentafez do seu governo uma batalha no escuro entre soldados desorientados e comandantes bêbados.

2. Por que o Itamaraty ignorou avaliação médica que apontava deterioração do Estado de saúde do senador boliviano?
No último dia 19 de agosto, uma segunda-feira, o diplomata Eduardo Saboia, embaixador interino do Brasil na Bolívia, enviou uma mensagem da embaixada em La Paz para o Itamaraty. No texto, informava sobre a deterioração do estado geral de Roger Pinto Molina. O senador boliviano aparentava desânimo, comia pouco e falava em suicídio.

Saboia pediu orientação aos seus superiores. Deveria chamar um médico para examinar o “hóspede” do governo brasileiro na própria embaixada? Levá-lo a um hospital na Bolívia, com o risco de vê-lo preso? Enviá-lo para tratar-se no Brasil não seria uma opção? O Itamaraty autorizou seu homem em La Paz a providenciar atendimento ao senador nas dependências da embaixada.

Na quinta-feira (22), Saboia informou a Brasília os resultados do exame. Entre outros problemas, Roger Pinto apresentava: baixa resistência imunológica, sinais de depressão, pressão alta, alteração nos batimentos cardíacos e inapetência. Teria de submeter-se a uma bateria de exames e a um bom tratamento. O Itamaraty emudeceu.

No dia seguinte, sexta-feira (23), Saboia apertou o botão de “seja o que Deus quiser” e deflagrou a operação de fuga que levaria o líder da oposição a Evo Morales até Corumbá (MS) e, dali, para Brasília. O diplomata informara ao Itamaraty que, num quadro extremo, não descartava a hipótese de tomar medidas de “contingência”. Para bom entendedor, suas meias palavras bastavam. Mas os …becis …ão …enderam!

3. Os fuzileiros navais que escoltaram o senador boliviano até o Brasil fizeram isso com autorização de quem?
No Estado brasileiro, só uma corporação devota mais respeito à hierarquia do que os diplomatas: os militares. Nos 1.600 km que separam La Paz de Corumbá (MS), o fugitivo Roger Pinto e seu acompanhante Eduardo Saboia foram escoltados por dois fuzileiros navais brasileiros.

Ou a dupla de soldados rasgou o manual ou o chanceler Antonio Patriota deveria ter sido mandado ao olho da rua com acompanhantes. Eis as sub-interrogações que boiam na atmosfera: o comando da Marinha não foi avisado? O ministro Celso Amorim (Defesa), ele próprio um diplomata de carreira, foi mantido no escuro?

4. Quem acionou a Polícia Federal?
Após cruzar a fronteira brasileira, Roger Pinto e o comboio da fuga instalaram-se num hotel em Corumbá (MS). Passaram cerca de oito horas na cidade antes que o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) pousasse no aeroporto local um jato que tomara emprestado para resgatar o colega boliviano. Em entrevista ao blog, Ferraço contou:

“Fui abordado por um agente da Polícia Federal. Eu me identifiquei, dei meus documentos. O cara ligou para o superior dele. Dali a mais ou menos uma hora, chegou o agente com o senador boliviano. […] Umas sete pessoas davam segurança a ele. Cinco agentes da Polícia Federal, bem armados, e os dois fuzilileiros navais que o haviam acompanhado desde La Paz.”

Quem acinonou a Polícia Federal? “Eu não tenho esse detalhe”, disse Ferraço. “Sei que o Saboia estava tentando fazer contato com o ministro Celso Amorim [Defesa], com o José Eduardo Cardozo [Justiça]. Não sei se conseguiu.” Se Saboia conseguiu, o petista Cardozo sabia da encrenca. Se não conseguiu, alguém sapateou em cima da ‘autoridade’ do titular da Justiça.

5. Por que Patriota apanha sozinho na Esplanada?
Ao “punir” Antonio Patriota transferindo-o para a representação brasileira na ONU, em Nova York, Dilma lavou o bebê e jogou fora a água do banho. Se não fizer nada com Celso Amorim, superior dos fuzileiros que escoltaram o fugitivo, jogará fora o bebê junto com a água do banho. Se além de Amorim a presidente poupar o petista José Eduardo Cardozo, roçará o inusitado: com bebês demais à sua volta, Dilma se auto-arremessará bem longe. Sem água e sem banho.

6. Por que a polícia da Bolívia não prendeu o senador fugitivo em cinco postos de fiscalização?
No trajeto entre La Paz e Corumbá, o senador Roger Pinto e seus acompanhantes tiveram de passar por pelo menos cinco postos policiais. Parados e observados, não foram importunados. Numa inspeção, um policial chegou a lançar fachos de lanterna no interior do carro. E nada. Cruzaram a fronteira sob céu claro. Nenhum entrevero.

Líder da oposição a Evo Morales, Roger Pinto é personagem manjado em seu país. Ora, se a polícia de Evo Morales não algemou sua presença de espírito, não pode agora reclamar da sua ausência de corpo.

Patriota cai. Evo e Dilma de nada sabiam. Será?

Ricardo Noblat

Esquisito o episódio da chegada ao Brasil do senador boliviano refugiado há mais de 440 dias em nossa embaixada em La Paz. E agora da demissão do ministro Antônio Patriota, das Relações Exteriores.

A operação de retirada do senador da Bolívia foi arriscada se ela de fato ocorreu à revelia do governo Evo Morales.

Foram 22 horas dentro do carro principal da embaixada até a chegada em Corumbá. Fuzileiros navais garantiram a segurança do senador durante a viagem.

Em Corumbá, a segurança coube à Polícia Federal, subordinada ao ministro da Justiça.

É possível que fuzileiros e agentes da Polícia Federal tenham sido mobilizados à revelia dos seus chefes - os ministros da Defesa e da Justiça?

É possível que a fuga do senador fosse apenas do conhecimento do encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia? O posto de embaixador está vago por lá.

E a pergunta mais importante: que ministro teria coragem de se envolver numa operação diplomaticamente tão delicada sem que a presidente Dilma fosse informada? E desse seu aval?

Dilma nunca gostou de Patriota, nunca se deu bem com ele, sempre o tratou mal, às vezes de forma humilhante.

Era preciso entregar alguma cabeça para acalmar o governo boliviano, aparentemente irritado com o que aconteceu.

Se Evo Morales só ficou sabendo da fuga do senador depois de sua entrada no Brasil, é grave. Deixa-o mal diante dos seus governados.

Se ele sabia da fuga e compactuou com ela, não poderá admitir. Pegaria mal.

A demissão de Patriota desmanchará o mal estar sincero ou simulado que separa a Bolívia do Brasil. Mas não porá um ponto final nessa história.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pelo visto, não é apenas o blog a estranhar toda esta história e os contornos consequentes que ela assumiu durante o dia, culminando com  a demissão do ministro Antonio  Patriota,da pasta de Relações Exteriores.  E um detalhe importante: no post anterior, temos a informação de que a presidente havia proibido a execução de uma plano de fuga. Ora, fica claro que que esta estratégia estava sendo costurada nos bastidores há bastante tempo, dada a posição estúpida adotado pelo boliviano Evo Morales, em não conceder o salvo conduto. Como já afirmei, o que estamos assistindo agora, é puro teatro.Ninguém foi pego de surpresa.

Dilma havia proibido operação de fuga do boliviano

Exame.com
Tânia Monteiro e Lisandra Paraguassu, Estadão Conteúdo

Irritação da presidente com o caso resultou na queda de Antonio Patriota no cargo de ministro das Relações Exteriores

Ueslei Marcelino/Reuters 
Embaixador Antonio Patriota deixou o comando do Ministério 
das Relações Exteriores nesta segunda-feira, em meio à crise com a Bolívia

Brasília - Desgastado com a operação de "resgate" do senador boliviano Roger Pinto que provocou uma crise diplomática com a Bolívia, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, foi obrigado nesta segunda-feira a pedir demissão. A conversa entre a presidente e o ministro foi rápida, no Palácio do Planalto.

A irritação da presidente Dilma era maior porque a quebra da hierarquia de Saboia não se resumia à operação da madrugada de domingo, 25. Há seis meses, o governo da Bolívia havia feito proposta ao governo brasileiro de que senador boliviano fosse levado de carro até a fronteira com o Brasil e deixado lá, "sem que fosse de conhecimento" do governo local. O senador teria de percorrer 1600 km, durante 22 horas, de carro, até chegar à fronteira brasileira tornando a sua liberdade um fato consumado.

Ao tomar conhecimento desta proposta, a presidente Dilma disse que não concordava. Na época, a presidente Dilma reagiu avisando que, se acontecesse alguma coisa com o senador, neste longo trajeto, um acidente, ou qualquer coisa, o governo brasileiro seria responsável, já que era o Estado brasileiro era o guardião da sua segurança e da sua vida. Dilma insistiu que a vida do senador não poderia ser colocada em risco.

Portanto, reiterava Dilma, havia uma clara determinação da presidente da República de que não fosse feito o trajeto de carro com o senador, por causa do risco e da responsabilidade e, apesar da ordem dada, o embaixador interino do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, a desafiou e montou a operação de fuga de Roger Pinto. Para Dilma, ao decidir pela operação, Eduardo Saboia assumiu o risco e deve responder por isso.

Dilma já havia conversado com Patriota e determinado que ele cancelasse sua viagem à Finlândia e permanecesse no Brasil para resolver este problema. A presidente estava "inconformada" com o episódio e com a quebra de hierarquia e queria saber exatamente quem sabia da operação idealizada por Saboia. Por isso, convocou no início da tarde desta segunda ao Planalto, os ministros da Defesa, Celso Amorim, a quem estavam subordinados os fuzileiros que fizeram a segurança do senador boliviano e às Forças Armadas, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem a Polícia Federal está subordinada. Queria saber se eles sabiam da operação.

Posse
A posse do novo ministro Luiz Alberto Figueiredo, atual representante do Brasil junto às Nações Unidas, deverá ocorrer na quarta-feira, 28, já que ele desembarca no Brasil nesta terça-feira, 27. Dilma distribuiu nota oficial informando que "aceitou" o pedido de demissão de Patriota e agradecendo a sua "dedicação e empenho nos mais de dois anos que permaneceu no cargo" e anunciou sua indicação para a Missão do Brasil na ONU. Luiz Figueiredo já acompanha a presidente Dilma na próxima sexta feira, 30, na reunião da Unasul, em Paramaribo. Dilma Rousseff não telefonou para Evo Morales. Deve encontrá-lo apenas na reunião da Unasul.

Eduardo Saboia será submetido a um processo administrativo e deverá ser "severamente" punido, segundo fontes do Palácio, pelo que a presidente Dilma está chamando de "grave quebra de hierarquia". A saída de Patriota, com quem Dilma já se desgastara, precipita a reforma ministerial programada para o fim do ano.

Relação entre Dilma é Patriota sempre foi conturbada

Exame.com
Lisandra Paraguassu, Estadão Conteúdo

Ministro foi indicado pelo atual ministro da Defesa, Celso Amorim, mas nunca ganhou muito a simpatia da presidente

Jonathan Ernst/Bloomberg 
Antonio Patriota e a Dilma Rousseff: presidente gostou do perfil discreto 
e contido do embaixador, mas não foi o suficiente para evitar uma série de crises

Brasília - A relação entre o ex-chanceler Antonio Patriota e a presidente Dilma Rousseff nunca foi tranquila. Secretário-geral sob Celso Amorim, Patriota foi indicado à presidente pelo atual ministro da Defesa. Dilma, que nunca teve muito apreço pela diplomacia, gostou do perfil discreto e contido do embaixador mas, em pouco mais de dois anos e meio, não foram poucas as vezes em que entrou em crise com seu chanceler.

A maior delas possivelmente foi a entrada da Venezuela no Mercosul, feita à revelia do Itamaraty. Apesar de concordar com a suspensão do Paraguai, Patriota foi contrário a que se usasse a suspensão para incorporar os venezuelanos. Dilma, no entanto, conseguiu um parecer da Advocacia Geral da União e mandou tocar adiante a operação. O ministro passou meses defendendo uma ação que desaprovava nos bastidores da diplomacia.

Durante a Rio+20, a presidente e o chanceler tiveram outro atrito. Apesar de ser a anfitriã, Dilma, que estava na reunião do G20, no México, não queria fazer o discurso de abertura do encontro no Rio. Auxiliares próximos puderam ouvir a discussão dos dois, por telefone. A presidente terminou por discursar.

Outra crise aconteceu pouco depois do início da guerra civil na Síria. A delegação brasileira havia sido a principal negociadora de uma nota mais dura - "com dentes", como disseram alguns diplomatas - mas, antes de aprovar a votação, a presidente quis saber como votariam os demais membros do Conselho de Segurança. Ao saber que não havia unanimidade, mandou a missão brasileira se abster, o que causou enorme irritação entre os diplomatas.

Há cerca de um ano, Patriota era dado como "demitido" por auxiliares da presidente. Pouco afeita às firulas da diplomacia, a presidente se irritava com questões levadas pelo chanceler e via pouca utilidade em algumas das viagens que Patriota insistia que ela fizesse. Ainda assim, tinha dificuldades de encontrar um substituto.

Patriota é demitido após fuga de senador boliviano para o Brasil

Tânia Monteiro 
 Agência Estado

Luiz Alberto Figueiredo Machado assumirá o Itamaraty

BRASÍLIA - Antonio Patriota não é mais o ministro das Relações Exteriores do Brasil. A saída dele do cargo foi confirmada há pouco pelo porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann.

Dida Sampaio/Estadão
Patriota é demitido após senador Pinto fugir da Bolívia

Quem assumirá o comando do Itamaraty será o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, que até agora era o representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), informa o Palácio do Planalto. Patriota, por sua vez, irá para a representação junto à ONU. Segundo Traumann, a presidente Dilma Rousseff agradeceu o empenho do ministro Patriota e o indicou para o cargo na ONU.

Patriota deixa o cargo após o episódio envolvendo a chegada ao Brasil do senador boliviano Roger Pinto Molina, que estava na embaixada brasileira em La Paz desde maio de 2012. Pinto chegou ao Brasil no sábado 24, após uma viagem de 22 horas em veículo diplomático brasileiro. O caso gerou impasse entre Brasil e Bolívia. Pinto é opositor do presidente Evo Morales.

Fuga de senador boliviano teve ajuda de colega brasileiro, diplomata, fuzileiros da Marinha e PF

Josias de Souza 

Ferraço: ‘A PF foi até o hotel, me contactou no aeroporto
 e apareceu lá com o senador Roger Pinto’

Foi cinematográfico o enredo da fuga do senador boliviano Roger Pinto para o Brasil. Depois de 455 dias de refúgio forçado numa sala da embaixada brasileira em La Paz, o líder da oposição ao governo de Evo Morales dormiu em Brasília na madrugada de sábado para domingo. Ele deve sua liberdade a uma operação secreta que reuniu, à revelia do Itamaraty, um diplomata brasileiro inconformado, dois fuzileiros da Marinha, um senador do PMDB, e uma equipe de cinco agentes da Polícia Federal.

Chama-se Ricardo Ferraço (PMDB-ES) o senador que participou da execução da fuga. Ele preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Entrou na operação a pedido do diplomata Eduardo Saboia, encarregado de negócios e titular interino da representação diplomática brasileira em La Paz. Acionado em Vitória (ES), onde se encontrava no sábado, Ferraço voou até Corumbá (MS) para resgatar, num jato emprestado, o desafeto de Evo Morales.

Abordado por um agente da Polícia Federal no aeroporto de Cuiabá, Ferraço identificou-se. Escondido num hotel, na companhia do diplomata Saboia, o senador boliviano chegaria uma hora depois, protegido por cinco agentes da PF e um par de fuzileiros navais que o haviam escoltado por 22 horas, numa viagem de 1.500 km, feita em carro diplomático brasileiro. Roger Pinto voou para a liberdade na companhia de Ferraço.

Em entrevista ao blog, Ricardo Ferraço contou detalhes da operação que levou o Itamaraty a abrir uma investigação e irritou o governo boliviano. A conversa vai reproduzida abaixo:

***

— Como se interessou pelo caso do senador boliviano Roger Pinto? 
Em março, eu fui à Bolívia para averiguar a situação dos torcedores do Corinthians que estavam presos na cidade de Oruro. Na volta, fiz uma visita ao senador Roger. Encontrei-o numa sala do segundo andar do prédio administrativo da embaixada brasileira, em La Paz. Improvisaram um quarto num escritório. Mede uns 3m X 6m. Fuzileiros da Marinha guardavam a porta. Fiquei impressionado com aquela situação. De lá para cá, venho agendando no Senado. Nada evoluiu.

— O sr. se manteve em contato com a embaixada brasileira em La Paz?
 Sim. Tem lá um diplomata, encarregado de negócios, chamado Eduardo Saboia. A embaixada está sem embaixador há muito tempo. É ele quem está respondendo pelo posto. Ele notou uma deterioração do estado de saúde do senador boliviano. Havia um quadro de depressão. Vendo tudo isso, e percebendo a ausência de perspectiva de solução para o caso, o Saboia chegou a me confidenciar, de maneira muito pessoal, que estava com medo de que o senador boliviano se suicidasse. Ele me disse que estava pensando em tirar o senador de lá.

— Qual foi a sua reação? 
O que eu fiz foi entusiasmá-lo a tomar uma decisão. Fiz isso por solidariedade humana. Eu só vi o senador Roger Pinto duas vezes. Em março, quando estive em La Paz, e neste sábado.

— O diplomata Eduardo Saboia autorizou a fuga? Ele fez muito mais do que isso. O Saboia organizou a saída, colocou o Roger no carro da embaixada e trouxe ele até o Brasil. Os fuzileiros navais brasileiros deram cobertura durante todo o percurso. Percorreram um caminho complicado. Foram mais de 1.500 km, passando por regiões com produção de coca, até chegarem a Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O Saboia foi a figura central no episódio.

— O sr. foi comunicado da operação com antecedência?
 A gente vinha conversando, trocando ideias. Mas, quando eu soube, a operaçao já estava em curso. Quando o Saboia me ligou, eles já estavam próximos da fronteira. Estava muito tenso. Ele criou uma relação de confiança comigo desde que o conheci, em março, na Bolívia. Eu dava retorno a ele. Esteve no Brasil duas vezes. E foi recebido por mim na Comissão de Direitos Humanos. Coloquei o assunto na agenda da comissão.

— Qual foi o seu papel na operação de fuga? 
Eu vinha acompanhando o processo, toda a angústia do Saboia. Neste sábado, eu estava em Vitória [ES], na minha casa, quando recebi um telefonema dele, pedindo ajuda.

— Que hora foi isso? 
Era hora do almoço.

— O que o sr. fez? 
Tentei contactar autoridades brasileiras.

— Que autoridades? 
Na verdade, liguei para o presidente do Senado [Renan Calheiros]. Mas não consegui falar. Deixei recado.

— E daí? 
Telefonei para o aeroporto de Vitória. Tinha um jato privado, de uma empresa capixaba. Liguei para o dono. Não dei detalhes, não queria que vazasse. Mas esclareci que precisava do avião para uma missão importante. Que envolvia uma pessoa correndo risco de vida. Ele se sensibilizou e me emprestou o avião.

— Como se chama o empresário? 
Prefiro não dizer, até porque ele não sabia exatamente do que se tratava. A responsabilidade é minha.

— Ele cedeu o avião graciosamente, sem cobrar? 
Sim, isso mesmo.

— É seu amigo? 
É conhecido meu, mas não é pessoa íntima. Decidi pedir. Se não desse, paciência. Não sou pessoa de me omitir. A omissão é o pior dos pecados.

— A que horas decolou de Vitória? 
Levantamos voo pouco antes das seis da tarde, umas cinco e meia. Desci em Corumbá à noite. O aeroporto estava meio vazio, sem muito movimento. Fiquei esperando umas duas ou três horas. Logo fui abordado por um agente da Polícia Federal. Eu me identifiquei, dei meus documentos. O cara ligou para o superior dele. Dali a mais ou menos uma hora, chegou o agente com o senador boliviano. Me entregou ele. Embarcamos para Brasília. Chegamos na cidade perto de uma e meia da madrugada.

— A Polícia Federal foi buscar o senador boliviano do outro lado da fronteira?
Não. Quando ele chegou ao Brasil, na fronteira, estava acompanhado do diplomata brasileiro e escoltado por dois fuzileiros navais do Brasil. Os fuzileiros o atravessaram na fronteira. A Polícia Federal foi procurá-los no hotel.

— Então, eles chegaram a se hospedar num hotel em Corumbá? 
Sim, chegaram na cidade por volta de duas horas da tarde de sábado. E foram para o hotel. O Saboia me ligou do hotel.

Quem acionou a Polícia Federal foi o diplomata Eduardo Saboia? 
Não sei dizer. Sei que a PF foi até o hotel, me contactou no aeroporto e apareceu lá com o senador Roger Pinto.

— A Polícia Federal foi acionada por alguém, não? 
Eu não tenho esse detalhe. Sei que o Saboia estava tentando fazer contato com o ministro Celso Amorim [Defesa], com o José Eduardo Cardozo [Justiça]. Não sei se conseguiu. Foi tudo muito rápido. Não deu para perguntar tudo.

— Acredita que ele tenha dado ciência da movimentação ao Itamaraty? 
Não acho improvável que ele tenha sinalizado alguma coisa. Como ele está respondendo pela embaixada há meses, não é nenhum absurdo supor que ele tenha manifestado aos seus superiores que a situação estava no limite, e que, se ele tivesse oportunidade, faria alguma coisa. Talvez as pessoas no Brasil não acreditassem que ele tivesse disposição para fazer.

Quando o senador Roger Pinto chegou no aeroporto de Corumbá, estava acompanhado de grande aparato de segurança? 
Umas sete pessoas davam segurança a ele. Cinco agentes da Polícia Federal, bem armados, e os dois fuzileiros navais que o haviam acompanhado desde La Paz.

— O Eduardo Saboia não foi ao aeroporto? 
Não. Eu insisti muito para que ele voasse com a gente até Brasília. Mas ele preferiu não nos acompanhar.

— Ele decerto está ciente de que pode sofrer sanções administrativas, não?
Obviamente, ele não ignora os riscos. Mas acho que deveria ser condecorado, jamais punido. Tomou uma decisão corajosa. Ao viajar junto com o senador, pôs inclusive a própria vida em risco. Conversamos muito. Sei que ele fez isso por não suportar a indiferença de ver um perseguido político se deteriorando numa sala, como se fosse um resto de gente. Era essa a situação do senador na Bolívia.

— Pelo que conversavam, o Eduardo Saboia planejava essa operação há muito tempo? 
Ele revelava, há algum tempo, muito incômodo com a falta de definição e de determinação do governo brasileiro, em função de ter concedido o asilo político e não ter obtido o salvo-conduto para o deslocamento do asilado. O Saboia é uma figura muito comprometida com os direitos humanos. É um homem muito sério. O que o moveu foi a indignação.

— Na sua opinião, o governo brasileiro se portou mal no episódio? 
Não há nenhuma dúvida a esse respeito. Sou um crítico da falta de determinação da diplomacia brasileira nesse caso. Nossa diplomacia por vezes é muito companheira dos nossos vizinhos bolivarianos. Há um nítido viés ideológico nas relações. Acho um absurdo que o governo brasileiro, após conceder o asilo ao senador, não tenha se empenhado para obter o salvo-conduto.

— Na sua avaliação, faltou pressionar a Bolívia? 
O salvo-conduto é uma consequência natural do asilo político, que por sua vez é uma decisão unilateral do país que concede. Mesmo nos momentos mais duros das ditaduras sulamericanas, como a do Chile, nunca um salvo-conduto para o Brasil foi negado. O governo brasileiro deveria ter exigido da Bolívia o salvo-conduto. No mês passado, em encontro de cúpula do Mercosul, no Uruguai, os chefes de Estado do grupo aprovaram uma nota concluindo que o asilo é decisão soberana dos países. Referiam-se ao caso do Edward Snowden [ex-técnico terceirizado da CIA]. Entre os signatários está o Evo Morales. Por que as regras do asilo valem para o Snowden e não valeriam para o senador Roger? Não faz o menor sentido.

— Depois do desembarque em Brasília, o senador boliviano foi para um hotel?
Chegamos à Capital na madrugada de sábado para domingo. Eu tinha oferecido minha casa para ele pernoitar. Ele tinha topado. Mas, no meio do caminho, falou com o advogado dele. E preferiu ir para a casa desse advogado.

— Então, ele tem um advogado em Brasília? 
Sim. Chama-se Fernando Tibúrcio. Peticionou em nome dele junto ao STF, pedindo providências ao governo brasileiro.

— O senador Roger Pinto responde a mais de 20 processo na Bolívia. É acusado de corrupção. Está seguro de que as acusações são falsas? 
Confio muito na avaliação do Eduardo Saboia. No caso dos torcedores corintianos, já libertados, ele tinha me dito que nenhum deles tinha envolvimento com a morte daquela menino boliviano, no estádio de Ururo. E o Saboia me passa a mesma segurança em relação ao caso do senador Roger. Ele está muito seguro, pelos dados que obteve, de que o senador é perseguido pelo governo do Evo Morales. Diz que as acusações que pesam contra ele fruto de disputa política. Ele é o líder da oposição. Não o conheço em profundidade. Mas pergunto: se ele fosse um criminoso, o governo brasileiro teria concedido o asilo político?

— Sobre o quê o sr. e o senador boliviano conversaram durante o voo de Corumbá até Brasília?
 Ele me pareceu em estado de choque. A ficha ainda não havia caído. Ele parecia ainda não acreditar na possibilidade de ser um homem livre. Me disse que contou os dias em que ficou retido numa sala. Foram 455 dias. Na cabeça dele, a estratégia do governo da Bolívia era vencê-lo pelo cansaço. Esperavam que ele não aguentasse e saísse à rua, para ser preso. É um homem de família, Batista, conservador. Sabe que terá de refazer a vida.

— O senador Renan Calheiros respondeu ao recado que o sr. deixara no sábado? 
Ele me ligou no domingo, quando tudo já estava resolvido. Contei rapidamente o que se passou. E ficou nisso.

— Não receia ser criticado por sua participação na fuga? 
De jeito nenhum. Não convivo muito bem com a omissão. Prefiro o erro à indiferença. E não creio ter cometido nenhum erro nesse episódio.




Senador boliviano denuncia envolvimento de líderes do governo com o narcotráfico

O Globo
Com Agências Internacionais

Mesmo sem ter salvo conduto da Bolívia para deixar o país, Roger Pinto viajou em um carro da embaixada brasileira até Corumbá
Itamaraty fará inquérito sobre entrada de político boliviano no país

Terceiro / Reprodução/GloboNews 
O senador boliviano Roger Pinto (centro) 
com Ricardo Ferraço na chegada a Brasília

RIO e BRASÍLIA — Depois de chegar ao Brasil com a ajuda da embaixada brasileira, o senador boliviano que estava asilado há um ano em La Paz, defendeu-se das denúncias de crimes de corrupção que pesam contra ele na Bolívia, e revelou que denunciou o envolvimento de líderes do governo de seu país com o narcotráfico. Em entrevista à GloboNews, Roger Pinto Molina disse que se coloca à disposição do Brasil para ratificar denúncias. Mesmo sem ter salvo conduto do governo da Bolívia para deixar aquele país, o político da oposição viajou de carro por cerca de 1,6 mil quilômetros de carro até a cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul.

- Superado esses 455 dias de lamento, sofrimento, eu vou me colocar à disposição das autoridades brasileiras para ratificar aquelas denúncias. Pedi para o presidente Evo Morales para investigar e ele optou, como faz sempre, pelo insulto, pela calúnia, pela desqualificação da oposição - afirmou à GloboNews. - Pedi para o presidente Evo Morales investigar e ele optou, como sempre, pelo insulto, pela calúnia, pela desqualificação da oposição.

Depois de passar 15 meses na representação brasileira na capital boliviana, o senador chegou a Brasília no sábado. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que irá abrir inquérito sobre o ingresso do político em território brasileiro e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis. O governo boliviano se mostrou surpreso com a fuga e vai acionar a Interpol sobre o caso.

Segundo Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o estado de saúde do político estava se deteriorando. Para Ferraço, Molina é “refugiado” e não “foragido”.

- Ele estava todo esse tempo sem tomar sol, sem visita, em uma situação deprimente, sub-humana - afirmou o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. - Ele não é foragido. Ele foi recepcionado em Corumbá, adotou todos os procedimentos. O governo brasileiro já tinha concedido asilo político antes do salvo conduto. Ele está acolhido no Brasil como refugiado, como perseguido político.

De acordo com o site G1, em junho deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Itamaraty se posicionaram contra a ajuda ao senador, que queria deixar a Bolívia rumo ao Brasil. As informações prestadas pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Eduardo dos Santos, estão inclusas nos pareceres e balizaram posicionamentos da AGU e da PGR encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação apresentada pelo político boliviano.

Para a Bolívia, fugitivo da justiça
Depois de afirmar que a fuga poderia afetar as relações internacionais entre os dois países, o governo boliviano voltou atrás neste domingo e evitou polemizar com o Brasil sobre a fuga. Mesmo assim, o senador agora é considerado um fugitivo da justiça para a Bolívia.

- A fuga do senador não afeta nem afetará as relações bilaterais com o Brasil, que se mantêm em absoluta cordialidade e respeito - disse neste domingo a ministra de Comunicação da Bolívia, Amanda Dávila.

Em nota, o Itamaraty informou que irá abrir inquérito sobre o caso. Com a chegada do político, o chanceler Antonio Patriota, cancelou viagem oficial à Finlândia para companhar o caso.

“O ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do senador boliviano da embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. (...) O Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.”

Molina, de 52 anos, é líder da oposição no Congresso boliviano. Ele foi condenado a um ano de prisão na Bolívia, por suposto envolvimento em corrupção. Em junho, dez dias depois de se abrigar na embaixada brasileira em La Paz, o governo brasileiro concedeu asilo ao senador, que se diz vítima de perseguição política do governo boliviano.

Itamaraty abrirá inquérito para investigar vinda de senador boliviano

Valor
Com informaçaões da Folhapress

SÃO PAULO  -  O Ministério das Relações Exteriores do Brasil abrirá inquérito para investigar a saída do senador boliviano Roger Pinto Moliina e sua entrada no território brasileiro, realizada na noite de ontem.

Por meio de nota, o Itamaraty informou que está reunindo informações sobre as circunstâncias da viagem feita por Molina e que "tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis".

O encarregado de negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, será chamado a Brasília para esclarecimentos. Para poder se dedicar ao caso, o chanceler Antonio Patriota adiou uma viagem que faria à Finlândia.

O governo da Bolívia considera que o senador fugiu de seu país como um "criminoso" e diz que espera uma explicação oficial do Brasil sobre os detalhes do ocorrido.

"Essa fuga, obviamente, tem que ser explicada e informada pelo governo brasileiro. Não sabemos exatamente como foi feito", disse hoje à imprensa o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.

Molina, que é opositor do presidente Evo Morales, chegou ao Brasil na noite de ontem após deixar a embaixada brasileira em La Paz, local em que morou por mais de um ano. Molina entrou na legação diplomática no dia 28 de maio de 2012 e, dez dias depois, o governo brasileiro lhe concedeu o status de asilado político.

O senador boliviano saiu de seu país em um veículo oficial brasileiro escoltado por soldados, segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, Ricardo Ferraço. A viagem de La Paz até Corumbá (MS) teria durado 22 horas. De lá, Molina pegou um avião particular até Brasília.

O governo boliviano sempre se negou a conceder o salvo-conduto necessário para que Molina pudesse deixar seu país e vir ao Brasil, com o argumento de que ele não é um perseguido político, mas um acusado de corrupção. "Molina fugiu como um criminoso comum, como um delinquente que foge da prisão de Chonchocoro ou da prisão de São Pedro (ambas em La Paz)", acrescentou o ministro Quintana.

Quintana disse que entende que o próximo passo é pedir que a promotoria da Bolívia acione de forma automática uma ordem de prisão na Interpol de "um foragido da justiça".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando ainda os doze brasileiros estavam presos na Bolívia, por conta da morte do menino boliviano fruto de arremesso de um sinalizador numa partida do Corinthians, pela Copa Libertadores, muito se especulou que os governos do Brasil e da Bolívia negociavam um acordo de reciprocidade para, mediante a libertação  dos brasileiros, o Brasil entregaria ao governo Evo Morales o senador asilado em sua embaixada.

Nunca acreditei nesta história. Há convenções internacionais que impedem tamanha trapaça. Porém, não se diga que a fuga do senador boliviano se deu sem conhecimento da Bolívia.

Lendo-se tudo a respeito, fica difícil engolir que uma viagem de mais de 1.600 km  por rodovia daquele país, tenha sido feito de forma furtiva. 

Não creio que isto resulte em alguma coisa, além de declarações de indignação de um lado e outro, ameaças infantis de parte a parte, resultando em simples “coisa nenhuma”.

O governo Evo Morales não tem como retaliar o Brasil. Já o fez sob o consentimento estúpido de Lula, fosse pela tomada a mão grande de refinaria da Petrobrás, fosse por rasgar o contrato de fornecimento de gás pelo gasoduto Brasil-Bolívia. Além disto, a rodovia que rasga os campos de coca daquele país está sendo financiada com nosso dinheiro, via BNDES. Sem contar com o apoio político-eleitoral para sua reeleição por parte do governo petista.

A questão do senador ter vindo para o Brasil, até que põe fim a uma dor de cabeça para Morales que se negou terminantemente em conceder o salvo conduto para  quem recebera asilo político em outro país. 

Deste modo, acreditem, o que se assistirá, doravante, em relação a este caso, será pura encenação. Evo Morales precisa se justificar perante seu povo. E o Brasil, mais  uma vez, será alvo da ira dos vizinhos, dado seu apetite “imperialista”. Porém, todos se sentarão à mesa como bons companheiros. 

Maneiras certas e erradas de se fazer a coisa certa.

Adelson Elias Vasconcellos

Imagine o leitor estar diante de um dilema qualquer em sua vida diária, a exigir-lhe uma tomada de decisão.
Claro que é preciso refletir, pesar os prós e os contras de cada solução imaginada.

Em outras palavras, sempre há jeitos e jeitos de se fazer a coisa certa. Comprar um carro por exemplo. Primeiro, você saber de quanto em recursos pode gastar sem afetar seu orçamento familiar. Depois, precisa encaixar o modelo a ser comprado dentro desta disponibilidade.  

Compra à vista ou a prazo? Se a opção for a prazo, a prestação caberá no orçamento mensal, e as outras despesas causadas pelo uso do carro foram previstas? Há seguro, combustível, pneus, IPVA, etc., que não podem nem devem ser deixados de lado. Olhar apenas para o valor da prestação mensal e achar que, ela estando dentro das disponibilidades do bolso, é infantilidade. 

A questão da saúde pública no Brasil não é problema novo. Ainda na década de 90 criou-se um imposto que era para ser provisório, apenas para recuperar a rede pública de sua estrutura frágil. Era para ser provisório, mas foi ficando, ficando e quase se tornou eterno.  A cada nova rodada de prorrogação do imposto, a tal CPMF, o congresso se encarregava de dar uma podada vigorosa no bolo, destinando parte da arrecadação para outros fins que não a saúde. A tal a irresponsabilidade chegou que, já nos últimos suspiros da CPMF, a saúde é quem menos recebia recursos derivados da arrecadação da CPMF. Até goiabada para o palácio do Planalto era paga com recursos do imposto. 

No início do governo Lula, primeiro mandato, se cogitou em se criar uma carreira federal  para os médicos da rede pública. Ali, talvez, poderia ter sido o nascedouro para uma política de interiorização dos médicos no país. E o que aconteceu com o projeto? Lula mandou engavetar. Entendeu, na época, que o governo gastaria muito dinheiro com o projeto. E a lembrar: naqueles primeiros anos, o petista ainda  se banhava com a grana da CPMF. 

De lá para cá, os governos petistas não apresentaram ao país  um único e miserável plano de carreira que servisse de incentivo para levar mais médicos para o interior do país. A rede pública, hospitais e postos de saúde, em sua imensa maioria, simplesmente foram sucateadas. De 2005 para cá, reduziu-se me 40 mil o número de leitos hospitalares, enquanto a população não parava de crescer.  Como também não investiu em saneamento básico o quanto o país precisava, fica fácil concluir o resultado final desta maligna equação:  completo descalabro. 

A partir das manifestações de junho, acendeu-se uma luz amarela no Planalto. O povo que estava nas ruas, reclamação educação e saúde padrão FIFA. O governo, no início, assistiu inerte estas primeiras gritarias. Só se coçou quando as pesquisas de opinião apontava brusca queda nos índices de aprovação do governo Dilma. Aí o sinal de amarelo mudou sua cor para o vermelho.   

Era preciso dar respostas rápidas, antes que a maionese da reeleição virasse pó. Foi quando Dilma veio em cadeia de rádio e televisão anunciar seus cinco pactos.

Dentre as respostas pífias, surgiu a grande sacada do marketing palaciano: o programa “Mais Médicos”.  Não vou revirar os muitos pontos do programa, alvo de nossas críticas e de muitos outros especialistas da matéria.

Quero destacar apenas a questão de se preencher a ausência de médicos no interior do Brasil. O governo acenou com bolsas de até R$ 10 mil por mês para quem se dispusesse a largar tudo para seguir para os municípios que se inscreveram no programa. 

Ora, por que, dentre as dezenas de profissionais no país, poucos se inscreveram? Mais: por que, antes mesmo do programa ser apresentado, não se observaram que os profissionais não sentiam atraídos a exercer seu ofício no lugar em que mais eram requisitados?

Temos aí três graves problemas. Primeiro, o governo teima em não criar uma carreira federal para os médicos, ao contrário de outras profissões não tão necessárias. Segundo, até agora, não se conhece um único programa do governo Dilma capaz de recuperar, modernizar e até de ampliar a rede pública. Com tais condições, ou falta de condições, fica difícil atrair profissionais.  Terceiro, não se conhece uma miserável iniciativa para ampliar o número de formandos. Neste ponto  destaco que, não basta ampliar o número de vagas nas faculdades de medicina.  Os alunos precisarão de novos professores... Até hoje, o governo Dilma exigiu e impôs sacrifícios à população por degradar serviço tão vital a todos. Agora, quer exigir e impor o mesmo sacrifício aos médicos? Ora...

Em tese, ninguém é contrário a vinda de médicos formados no exterior. Mas que deles se exija o mesmo que se pede aos nativos.  Em relação aos cubanos, que a contratação se dê entre o governo brasileiro e o profissional. Por que a triangulação que, aliás, é vedada por lei no país? Que primeiro se mude então a lei, para depois assinar um contrato protegido e amparado legalmente. 

Os profissionais, como afirmei no domingo, não têm culpa de absolutamente nada. Eles devem ser tratados com respeito por todos, inclusive pelas associações da classe médica brasileira. Quem no caso foi irresponsável, omisso, negligente e arbitrário foi o governo Dilma e seu ministro da Saúde por fazerem a coisa certa pelo caminho errado. 

Detalhe importante: o PT está no poder há quase onze anos. Assim, teve tempo suficiente para ampliar o número de profissionais necessários às necessidades do país. O curso de medicina, é bom lembrar, consome seis anos de formação.  O que isto significa? Que, na base dos programas de governo do PT, encontra-se as muitas  razões de seu fracasso, principal na área de educação, e que hoje afetam o desenvolvimento do país. Não é apenas no âmbito da saúde que o país sofre com a falta de profissionais formados em nível acadêmico. Também padecemos com a falta de engenheiros. E, se espicharmos um pouco mais esta corda, veremos que faltam professores, tanto nos níveis fundamental e médio, quanto nos níveis universitário e técnico. 

É na formação de profissionais que o país encontra o maior nó que entrava seu desenvolvimento. E o começo deste novelo está lá atrás, no ensino fundamental que, depois, se arrasta para o nível médio, onde a evasão chega a quase inacreditáveis 50%.  Apesar de haver um piso salarial para o magistério em escala nacional, pergunto: quantos estados  cumprem tal piso? Ora, quando se paga mal, fica difícil, para não se dizer impossível,  atrair quem queira exercer um ofício mediante um salário de fome.

Enquanto o país não enfrentar como prioridade número UM a questão educacional, enfrentaremos sempre este tipo de dificuldade. A importação resolve em parte nosso problema de momento, não trazendo, contudo, uma solução contínua e definitiva para a carência de profissionais. 

E aqui não compete apenas ao governo federal se debruçar sobre o problema e tratá-lo de forma prioritária. Cabe a toda a classe política enxergar que, com um sistema educacional deficiente, não há como o país sair do lugar. 

A falta de médicos na quantidade suficiente às nossas necessidades, portanto, vai muito além da simples institucionalização da carreira federal. Ela é reveladora, da mesma forma que  são as carências de engenheiros e professores,  da falta de um projeto moderno de país. E não venham com a balela de que faltam recursos. Falta coisa nenhuma! Já publicamos aqui um estudo que prova que o Brasil despende anualmente o mesmo volume de recursos  do que a média dos países em que a educação tem níveis de qualidade superiores às nossas. Neste estudo, verificou-se, porém, que gastamos de forma invertida à lógica desta média: investimos mais no ensino superior e menos no fundamental. Nos países com qualidade superior à brasileira, o investimento maior é no nível fundamental, seguido do ensino médio e, por último,  o superior. Tem lógica nisto: a base de qualquer futuro profissional, seja de nível acadêmico ou técnico, é formada nos primeiros anos de estudo, e não nos últimos. 

A solução do programa “Mais médicos”  só pode ser compreendida como emergencial.  E, mesmo assim, deveria ter se guiado pelo que determinam as leis trabalhistas do país, nunca atropelando-as em nome de uma suposta boa causa. A qualidade do produto não está na beleza do rótulo, e sim pelo conteúdo da embalagem. 

A sociedade brasileira está sendo iludida com uma boa dose de marketing político. Estamos colocando bons profissionais a serviço de um mau serviço, desestruturado, sucateado e insuficiente. Mesmo sendo emergencial, deveria o governo ter, e antes de qualquer outra ação,  investido maciçamente na melhoria e ampliação da rede pública. Diante de sua recuperação, muitos mais médicos nativos se sentiriam atraídos a investir seu trabalho em áreas carentes. Segundo, deveria ter oferecido um bom plano de carreira para dar segurança aos profissionais. E, somente a partir da constatação de que tais medidas fossem insuficientes, oferecer vagas aos médicos  estrangeiros sem, contudo, deixar de lhes avaliar a formação e submetê-los a revalidação de seus diplomas, como é praxe em qualquer país decente do mundo.  E que esta contratação se desse de governo para profissional, e não esta vergonhosa triangulação que fere as leis trabalhistas brasileiras e a Convenção 29, da Organização Mundial do Trabalho a qual o Brasil se acha submetida. 

As metas do programa de atenuar a precariedade dos serviços de saúde do país não justificam os maus (e ilegais) caminhos que o governo se dispôs a seguir.  Porque se pode fazer certo as coisas certas. Dilma e Padilha resolveram fazer errado apesar de terem tido tempo suficiente para não incidir no erro, pois a contratação dos cubanos estava sendo cozida em fogo brando há mais de um ano.  Agora, terão que arcar com as consequências de suas más escolhas porque, no fundo, senhores, o governo Dilma está convalidando o regime de escravidão que Cuba impõe aos seus cidadãos. Nem mais, nem menos.   Direitos humanos, aqui, se restringiram apenas ao dicionário. 

Dona Dilma e a obsessão do ‘Mais Médicos’.

Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa

Com a chegada de 400 médicos cubanos (ontem e terminando amanhã), começa mais uma operação tida e havida como de recuperação eleitoral e política de Dona Dilma. Ela se fixa ardentemente no plano fora do PT, não se sabe se já percebeu que seus problemas estão mesmo dentro do próprio PT.

Deixemos de lado o que só acontecerá dentro de algum tempo, provavelmente a partir de 2014, embora escaramuças e até luta de bastidores esteja sendo travadas desde agora, não tão escondidas, mais para ostensivas.

Dona Dilma, como já disse e repeti, ressuscitou o que Chávez fez há muitos anos, recrutando 15 mil médicos cubanos, sem pagar nada em dinheiro. Usava a explicação: Cuba recebia em petróleo, indispensável.

Essa falta de petróleo levou Cuba a se ligar à então União Soviética. Antes de chegar ao poder em 1959, Fidel era um lutador romântico, nenhuma ligação com os comunistas.

Raul, sim, comunista desde mocinho, ficou no segundo plano, sem influir ou aparecer. Quando surgiu a “crise dos mísseis”, que completou 50 anos agora, Fidel já era “vermelhíssimo”, jogou fora a aura de libertador do seu país, perdeu a admiração do mundo.

Em março de 1960, Jânio Quadros, candidato a presidente em outubro, fretou um avião com 30 pessoas, para visitar e aproveitar a popularidade de Fidel e Guevara. 26 jornalistas. Passamos 9 dias lá, andando nas ruas com Fidel e Guevara, sem seguranças, confraternizando com o povo, amados, idolatrados, reverenciados. (Deu no que deu, já escrevi muito sobre isso, desde 1960 mesmo).

DONA DILMA ILEGAL
Essa operação “Mais Médicos” não passaria por qualquer exame, antes ou depois. Pode ser chamada de estranha, esdrúxula, escabrosa, exagerada, escarnecida, estridente, extravagante e, logicamente, ESCRAVAGISTA. Menos para os seus subalternos submissos, que aplaudem e batem palmas, entusiasmados.

As incoerências são totais e absolutas. Como pagar 10 mil reais a cada médico, sem que esse pagamento seja feito aos profissionais? E quem a autorizou a enviar o dinheiro diretamente para Cuba, perdão, para Raul Castro? Isso, se não é escravidão, está quase no limite.

E o Imposto de Renda? Qualquer cidadão brasileiro (seja médico ou pedreiro com o Amarildo), ganhando mais de um mil e quinhentos reais mensais, está submetido ao Leão da Receita. Fizeram cruzamento complicado com uma sigla estrangeira.

Se esses 10 mil reais fossem diretamente para Raul Quadros, teriam que recolher o imposto. Não recolhendo por determinação de Dona Dilma, ela pode responder por “falsidade ideológica”.  (Pergunte a muitos dos seus auxiliares o que é isso).

OS MÉDICOS TIVERAM QUE  VIR SEM A MULHER OU O MARIDO. POR QUÊ?
O que será pago aos profissionais, aqui no Brasil, chamado de “ajuda de custo” (casa, comida, roupa lavada etc.), também está sujeito ao Imposto de Renda. Não é “paga em dinheiro”, mas não cai do céu. Mais ilegalidade.

Por que o médico, homem ou mulher, tem que vir sozinho? O cônjuge (desculpem) fica lá em Cuba, uma espécie de refém para evitar que essas médicos peçam asilo no Brasil.

Quando Lula era presidente, dois cubanos lutadores de boxe vieram para o Brasil. Quando acabou, pediram asilo. O democrata Luiz Inácio Lula da Silva mandou entregá-los à embaixada de Cuba, foram devolvidos, presos.

Ainda existem mais irregularidades, por hoje basta perguntar: os Conselhos Regionais de Medicina já disseram que não darão autorização para eles trabalharem. Esses presidentes serão presos ou processados? Tudo está começando, Dona Dilma é importante, mas inoperante. Qual a palavra, entre tantas, que prevalecerá?

Cubanos não são humanos?

Percival Puggina
Zero Hora

Em 2001, em visita a Cuba, fui à embaixada brasileira. Ela se situa no quarto andar do prédio da Lonja de Comércio (Bolsa de Valores), uma bela edificação do século 19. Conversei com o secretário. Eu queria checar minhas observações sobre a realidade do país. Durante a entrevista, entrou na sala uma moça que lhe dirigiu algumas palavras em espanhol e se retirou deixando expedientes sobre a mesa. Quando ficamos novamente a sós, ele explicou que a servidora fora contratada junto a uma das duas agências oficiais através das quais o governo locava mão-de-obra para organizações estrangeiras no país. O contratante descrevia o perfil da pessoa que necessitava, a agência estabelecia o valor da remuneração e enviava pessoas para entrevistas. No caso, dos 200 dólares com que a embaixada remunerava a agência, a moça recebia o equivalente (em pesos!) a 20 dólares. O restante ficava para seu generoso patrão, o Estado cubano. 

Portanto, quando eu leio, em várias fontes, que deve ser nessas mesmas bases o negócio entre Brasil e Cuba (R$ 10 mil mensais por cabeça para o patrão) e uns 10% disso para os médicos, eu não tenho por que ficar surpreso. Ouvi esse relato de viva voz. Há muitos anos sei que o patrão comunista é um velhaco cujos padrões morais causariam horror a um capitalista do século 18. Meu escândalo com seus abusos já é bem antigo. Que cidadãos daquele país aceitem morar nos rincões brasileiros por uma ajuda de custo miserável vale como certidão, passada em cartório, sobre o que seja viver em Cuba. Não obstante, o convênio firmado com o ministro da Saúde brasileiro ilustrava orgulhosamente a matéria de capa do site da OPAS na última sexta-feira (http://www.paho.org/bra/). Não se trata, ali, de salários e valores, talvez por falsos pudores. E ninguém conseguirá arrancar dos profissionais que vierem informação alguma sobre quanto os Castro lhes estarão pagando para atuarem no Brasil.

O leitor deve estar se perguntando: "E as famílias deles? Eles não vêm com a família?". É óbvio que não. Isto está fora de cogitação. Nestes casos, tratando-se de cidadãos cubanos no exterior, a família costuma ser refém do governo, proporcionando relativa garantia de que o infeliz retornará ao cativeiro. Aliás, estamos diante de um duplo cativeiro porque também no Exterior a situação desses profissionais seguirá disciplina própria, para cujo controle lhes costuma ser imposta fiscalização exercida por agentes do governo cubano. 

Normalmente, ao menos, as coisas se passam assim. E mesmo que esses fiscais não venham, mesmo que não se apliquem ao convênio firmado pelo ministro Padilha as regras vigentes em outros países, já está para lá de configurada uma situação de servidão, de escravidão, de exploração indecente do trabalho humano. Ficou muito claro, também, que essa operação está sendo cozida há muito tempo, à socapa, abordada de modo evasivo pelo governo. Ninguém monta uma operação dessas em uma semana. Há objetivos eleitorais focados nas comunidades interioranas e há Foro de São Paulo nisso.

 Basta o que se sabe para caracterizar nesse acordo abuso capaz de acionar até os mais ideologicamente focados alarmes dos órgãos de direitos humanos, quer sejam do governo, quer da sociedade. A pergunta que me ocorre nesta sexta-feira chuvosa em que escrevo é a seguinte: "Cubanos não são humanos?". Que Cuba escravize seus cidadãos é uma coisa inaceitável. E o Brasil convalida isso? 

Sugiro um programa: o “Menos Políticos”

Ruth De Aquino
Revista ÉPOCA

Os médicos cubanos não sairão em passeata porque, no país deles, isso dá cadeia

Como o governo Dilma anunciou estrepitosamente os programas Mais Médicos e Mais Professores para resolver nossas sérias deficiências na Saúde e na Educação, deixo aqui minha contribuição para o PT ganhar votos nas eleições: um programa ambicioso, apoiado em quatro vertentes – Menos Ministros, Menos Senadores, Menos Deputados, Menos Vereadores. Todos agrupados sob uma mesma sigla: MP, de Menos Políticos.

Com esse corte nos supérfluos (os políticos), o Brasil economizaria grana para comprar gaze, maca, termômetro... e também carteiras escolares, quadro-negro, giz... essas coisas sofisticadas que só faltam no Quinto Mundo – no interior e na periferia do Brasil. Também daria para pagar melhor os médicos e os professores, que ganham bem menos que o garçom do Senado.

Se fôssemos além e acabássemos com a roubalheira e as mordomias vitalícias dos políticos (e seus parentes), a verba seria tão volumosa que conseguiríamos salvar milhares de pacientes que morrem nas filas. Fila de leito de UTI, fila de remédio, fila de hospital, fila de transferência, fila de ambulância. Acabaríamos com as filas obscenas de pessoas à beira da morte. Não seria uma excelente medida eleitoreira, para figurar na propaganda político-partidária na televisão?

Com o programa Menos Políticos – já que o país funciona muito bem nas férias e nos recessos do Congresso –, nem precisaríamos fazer a maldade de retirar de nossos hermanos 4 mil médicos. Será que não farão falta na ilha? Os médicos importados pelo Brasil são todos ligados ao governo eterno dos irmãos Castro. Somente os socialistas empedernidos têm autorização para vir trabalhar no Brasil. Caso contrário, esse programa poderia se revelar um fiasco.

No ano passado, Cuba registrou o maior êxodo de cidadãos desde 1994: quase 47 mil cubanos deixaram a ilha em 2012. Imagine se alguns desses médicos importados agora resolvem pedir asilo ao governo Dilma. Terão a mesma sorte dos dois jovens boxeadores cubanos nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Não queriam voltar para Cuba, foram acusados por Fidel de “traição à pátria”, e Lula se livrou deles rapidinho. Deram o azar de não ser italianos. O Brasil abre portas e fundos a refugiados africanos que aproveitaram a Jornada Mundial da Juventude para aqui ficar. Mas os cubanos serão sempre mandados de volta.

Os 4 mil médicos cubanos que devem chegar ao Brasil até o fim do ano atenderão pacientes em lugares chinfrins, sem mojito e sem qualquer infraestrutura, rejeitados por médicos brasileiros. A iniciativa em si é louvável: colocar médicos para atender populações totalmente desassistidas em 701 cidades do Norte e Nordeste brasileiros.

Não gosto da histeria que produz argumentos burros e demolidos facilmente. Alguns argumentos derivam do corporativismo: “Não queremos médicos estrangeiros”. Não dá, não é? Outra alegação ridícula: “Ah, eles não falam português”. Como se médicos não pudessem atender pacientes a não ser que falassem o mesmo idioma. Ainda mais se tratando de espanhol. Eles não são russos nem chineses, são cubanos. Revalidar o diploma é importante, embora a gente saiba que há muito médico brasileiro com diploma e sem competência para exercer a profissão.

Os problemas reais são outros. O principal é que, por melhores e mais profissionais que sejam esses médicos cubanos, a presença deles não muda em nada nosso caos cotidiano na Saúde. Sem os apetrechos básicos, sem ambulâncias, sem leitos, sem remédios e sem condições de realizar exames ou de transferir doentes, o médico de Fidel se perguntará em que roubada os dois governos o meteram. E nada acontecerá, porque ele aprendeu a ser bem-comportado. Não denunciará o governo Dilma nem sairá em passeata, porque no país dele isso dá cadeia.

O outro problema entra nos campos trabalhista e moral. O Ministério Público já começou a investigar essa transação esquisita de profissionais da Saúde. Ouvimos que Cuba exporta médicos para dezenas de países e que se trata de um sistema corriqueiro, oficial e nada clandestino. Ok. Mas a transação é esquisita, porque os médicos cubanos ganharão no fim das contas uma merreca.

A coisa funciona assim: os salários deles saem do nosso bolso em forma de impostos, passam pelo Palácio do Planalto em Brasília e acabam no Palácio da Revolução em Havana. O Brasil pagará por médico “uma bolsa mensal de R$ 10 mil”. O grosso será embolsado pela ditadura morena cubana. Os médicos enviados à Venezuela no mesmo esquema recebem cerca de R$ 550. Em Cuba, um médico ganha entre R$ 60 e R$ 100 por mês. Quanto ganhará no Brasil? Se essa exploração não é ilegal pelos padrões de Dilma e dos irmãos Castro, deveria ser imoral. O que é isso, companheiros?