terça-feira, agosto 27, 2013

Comboio da ONU sofre emboscada e é atingido por tiros na Síria

O Globo 
Com Agências Internacionais

Equipe se dirigia ao local do suposto ataque químico, nos arredores de Damasco
Um dos carros foi danificado; por enquanto, não há feridos
Governo sírio culpa rebeldes por tiroteio

STR / AFP 
Um comboio de veículos das Nações Unidas deixa um hotel em Damasco 

DAMASCO - O comboio de veículos da ONU sofreu uma emboscada nesta segunda-feira após deixar um hotel em Damasco e seguir em direção ao local do suposto ataque químico denunciado pela oposição síria. De acordo com informações das Nações Unidas, atiradores dispararam contra seis carros que levavam inspetores à área atacada na última quarta-feira, onde mais de 1.300 civis teriam sido mortos em um bombardeio com substâncias proibidas perpetrado pelas tropas do presidente Bashar al-Assad. Um dos carros foi danificado. Por enquanto, não há feridos.

- O primeiro veículo da Equipe de Investigação de Armas Químicas foi atingido deliberadamente várias vezes por atiradores não identificados na zona de proteção - informou o porta-voz, acrescentando que o carro parou de funcionar e seria substituído por outro.

O governo sírio culpou os rebeldes pelo tiroteio. Citando uma fonte do Ministério da Informação, a TV estatal informou que especialistas internacionais foram alvejados por “terroristas”, termo normalmente utilizado para descrever combatentes que tentam derrubar o regime.

“O governo sírio manterá os grupos terroristas armados responsáveis pela segurança dos membros da equipe das Nações Unidas”, acrescentou a fonte, segundo a televisão estatal.

A equipe de especialistas em armas químicas, vestidos com coletes à prova de bala da ONU, estava acompanhada por forças de segurança e uma ambulância. Pouco depois de os inspetores terem deixado o hotel Four Seasons, em Damasco, dois morteiros caíram na região, informou a Reuters, citando a agência de notícias estatal Sana. Os explosivos teriam sido lançados por “terroristas”.

A pressão internacional, elevada pela confirmação dos Médicos Sem Fronteiras de que centenas de pessoas teriam sido asfixiadas pelo ataque de quarta-feira, levou o governo sírio a permitir o acesso da equipe a subúrbios nos arredores de Damasco para investigar o uso de armas químicas. Os observadores, no entanto, podem ter dificuldades de encontrar provas. O tempo e os impactos de outros bombardeios subsequentes ao ataque químico à região podem ter apagado grande parte dos restos de gases tóxicos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu nesta segunda-feira uma ação urgente caso o uso de substâncias proibidas na Síria seja comprovado.

- Não podemos permitir mais atrasos - disse.

O sinal verde do regime sírio para as Nações Unidas foi recebido com desconfiança pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, que já discutem uma intervenção militar. Os dois países afirmam que o governo de Assad pode ter apagado evidências. A Turquia afirmou nesta segunda-feira que iria participar de qualquer coligação internacional contra a Síria, mesmo sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, segundo a agência de notícias AFP.

Em uma entrevista a um jornal russo, o presidente sírio rejeitou as alegações de que suas forças usaram armas químicas e advertiu Washington de que qualquer intervenção militar dos EUA será um fracasso.

“O fracasso espera os Estados Unidos, como em todas as guerras anteriores, começando com o Vietnã e até os dias de hoje”, disse Assad ao diário “Izvestia” quando perguntado o que aconteceria se os Estados Unidos decidissem atacar ou invadir a Síria.