terça-feira, agosto 27, 2013

Patriota cai. Evo e Dilma de nada sabiam. Será?

Ricardo Noblat

Esquisito o episódio da chegada ao Brasil do senador boliviano refugiado há mais de 440 dias em nossa embaixada em La Paz. E agora da demissão do ministro Antônio Patriota, das Relações Exteriores.

A operação de retirada do senador da Bolívia foi arriscada se ela de fato ocorreu à revelia do governo Evo Morales.

Foram 22 horas dentro do carro principal da embaixada até a chegada em Corumbá. Fuzileiros navais garantiram a segurança do senador durante a viagem.

Em Corumbá, a segurança coube à Polícia Federal, subordinada ao ministro da Justiça.

É possível que fuzileiros e agentes da Polícia Federal tenham sido mobilizados à revelia dos seus chefes - os ministros da Defesa e da Justiça?

É possível que a fuga do senador fosse apenas do conhecimento do encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia? O posto de embaixador está vago por lá.

E a pergunta mais importante: que ministro teria coragem de se envolver numa operação diplomaticamente tão delicada sem que a presidente Dilma fosse informada? E desse seu aval?

Dilma nunca gostou de Patriota, nunca se deu bem com ele, sempre o tratou mal, às vezes de forma humilhante.

Era preciso entregar alguma cabeça para acalmar o governo boliviano, aparentemente irritado com o que aconteceu.

Se Evo Morales só ficou sabendo da fuga do senador depois de sua entrada no Brasil, é grave. Deixa-o mal diante dos seus governados.

Se ele sabia da fuga e compactuou com ela, não poderá admitir. Pegaria mal.

A demissão de Patriota desmanchará o mal estar sincero ou simulado que separa a Bolívia do Brasil. Mas não porá um ponto final nessa história.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pelo visto, não é apenas o blog a estranhar toda esta história e os contornos consequentes que ela assumiu durante o dia, culminando com  a demissão do ministro Antonio  Patriota,da pasta de Relações Exteriores.  E um detalhe importante: no post anterior, temos a informação de que a presidente havia proibido a execução de uma plano de fuga. Ora, fica claro que que esta estratégia estava sendo costurada nos bastidores há bastante tempo, dada a posição estúpida adotado pelo boliviano Evo Morales, em não conceder o salvo conduto. Como já afirmei, o que estamos assistindo agora, é puro teatro.Ninguém foi pego de surpresa.