terça-feira, agosto 27, 2013

Governo pode rever metas do Plano Anual de Financiamento da dívida pública

Martha Beck 
O Globo

Parte dos limites definidos pelo plano para este ano não foi atingida até julho

André Coelho / Agência O Globo 
O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido:
 metas podem ser afetadas pela primeira vez desde 2008 

BRASÍLIA — A turbulência no mercado externo pode levar o governo a mudar as metas fixadas no Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública de 2013, admitiu nesta segunda-feira o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido. Caso isso ocorra, será a primeira vez que o Tesouro mudará os parâmetros desde 2008, quando a crise internacional prejudicou a gestão da dívida.

Hoje, o PAF prevê que a dívida pública fechará o ano num intervalo entre R$ 2,1 trilhões e R$ 2,24 trilhões. O plano também estima que a parcela prefixada do estoque ficará entre 41% e 45% do total, a atrelada a índices de preços, entre 34% a 37%, e a corrigida pela taxa Selic, entre 14% e 19%.

No entanto, até julho, algumas dessas bandas ainda não foram atingidas. O estoque fechou o mês em R$ 1,957 trilhão. A dívida prefixada está em 37,8% do estoque, a corrigida pela inflação, em 35,1%, e a indexada à Selic, em 22,4%.

— Ainda é cedo para afirmar se a dívida vai atingir ou não (as metas do PAF). Isso depende das condições de mercado. Se as condições forem muito diferentes (daquelas com as quais o governo trabalhava no início do ano), o Tesouro pode optar por adaptar sua estratégia e isso pode levar a resultados diferentes dos previstos nas bandas do PAF — disse Garrido, acrescentando:

— Hoje, as condições têm uma volatilidade maior que não estava prevista nos cenários do PAF.