FALOU MUITO E NÃO DISSE NADA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Vamos tratar da fala de Lula que, em cadeia de rádio e televisão, tentou fazer seu costumeiro proselitismo, tentou armar seu circo, mas, quero crer, não conseguiu ocupar o espaço que o povo brasileiro esperava que ele ocupasse. No vazio, além da dor e da comoção nacional, fica o sentimento intrigante de que, apesar de já acumular 350 cadáveres, Lula parece não haver aprendido a lição.
Esperou-se 73 horas para que o presidente da nação desse o ar de sua graça, e falasse aos brasileiros sobre a comoção que atingiu o país de norte a sul.
O presidente americano, no dia seguinte ao assassinato de dezenas de alunos numa universidade, compareceu ao campus para um ato in memoriam. Da mesma forma Jacques Chirac fez na França quando milhares de jovens promoveram um quebra-quebra danado por causa da lei do primeiro emprego. Na Espanha não foi diferente. Quando Madri foi atingida por um atentado terrorista, o primeiro-ministro dirigiu-se ao povo pela TV, e o rei e a rainha foram no dia seguinte visitar os feridos.
Isto representa dizer que um governante realmente preocupado não apenas com sua imagem política, mas principalmente com o bem estar dos cidadãos do país que governa, não se esconde atrás de boletins e comunicados oficiais lidos por auxiliares próximos. Demonstrar sentimentos não é uma coisa que se faça por procuração delegada a alguém. Se faz pessoalmente, dando a cara a tapa se for preciso, mas nunca por intermediários. Ao aparecer na noite de sexta feira, Lula sequer conseguiu demonstrar algo espontâneo. Reservou-se em ler um discurso preparado de antemão por assessores de imprensa. As palavras tinham um sentido, a expressão e o tom da voz outro, totalmente diferentes. O homem acostumado a ser espirituoso em cima de um palanque em véspera de eleição, não soube ser convincente ao externar uma emoção de dor. Ali estava apenas para cumprir um papel do protocolo oficial.
Não conseguiu ser convincente em atribuir ao seu governo os desmandos que fizerem a crise aérea a crise da morte, da dor, da humilhação, do constrangimento. Passou ao largo da crise, anunciando medidas vazias, que ainda demandarão tempo para serem consumadas, porque será preciso atender outros interesses, interesses financeiros das companhias aéreas, pondo de lado, como tem sido praxe até aqui, a segurança dos passageiros, a excelência no serviço de atendimento. Em artigo anterior postado mais abaixo, falamos longamente que a crise não começou na queda do avião da Gol, mas na morte da empresa que servia como ponto de referência na aviação comercial do país, a VARIG, e que impunha às demais, como forma de atrair clientes, atendimentos melhores, pontualidade em partidas e chegadas, em aeronaves que, mesmo antigas, face ao serviço de manutenção de primeira qualidade, lhes davam a segurança necessária para a viagem se consumar sem sustos ou percalços.
A tentativa de Lula de falar à nação encontrou problemas sérios. Primeiro, não veio a São Paulo para visitar o local do acidente, tentar consolar familiares dos passageiros vitimados com medo da vaia, síndrome do Maracanã na abertura do Pan. Depois, vinte e quatro horas antes de seu discurso, seu aspone protagonizou uma das mais deprimentes cenas a que se poderia permitir um servidor público, eleito ou não, concursado ou não, mas lá está por imposição do Presidente, em um prédio público festejando uma notícia que poderia aliviar a carga de culpabilidade sobre a atual crise aérea. Deveria ser demitido no dia seguinte. Não foi e não será, será ainda abençoado, e até conta com a simpatia de alguns “colegas” de cretinice que gostariam de ter esboçado o mesmo gesto. Fazem-no apenas simbolicamente, e para toda a nação.
Na mesma de sexta-feira, em solenidade ridícula e dantesca, o Ministério da Aeronáutica medalhou quatro diretores da ANAC/INFRAERO por relevantes serviços prestados na área da aviação. Que o digam os 350 cadáveres vítimas deste “relevantes” serviços. Que a solenidade fosse cancelada, adiada, empurrada mais para frente. Mas faze-lo apenas três dias depois do maior acidente aéreo ocorrido na história do país, medalhando parte da corte responsável pelo caos instalado é um escárnio...
Das medidas anunciadas, uma em especial me chama a atenção: vão fazer uma PPP para a construção de um novo aeroporto. Quanto isto custará e de onde sairá a fortuna ? Com 7,0 bilhões se reformariam os três principais aeroportos paulistas, dando uma vida útil maior e melhorando sensivelmente o afogado tráfego aéreo em São Paulo. E isto poderia ser feito num período de tempo relativamente curto. Até poderiam ir construindo um novo, como calma e sem atropelos, com melhor planejamento, uma vez que ele obrigatoriamente ficará distante do centro da cidade, e necessitará de uma infra-estrutura de transportes complementares inexistente hoje. E isto demanda tempo e dinheiro, tempo que já não temos, e dinheiro que não se sabe de onde virá. Apenas para ver o tamanho da encrenca: no tal PAC, há uma previsão de gastos de R$ 3,0 bilhões de reais para modernização de 20 aeroporto até 2010. Porcaria, não é mesmo? Apenas os três de São Paulo, como dissemos acima, custariam R$ 7,0 bilhões, o que comprova que o PAC é todo aquele pacotinho de enrolação de que estamos falando desde que foi anunciado e lançado por Lula.
As medidas anunciadas para desafogar Congonhas não são nenhuma novidade: há muito tempo que especialistas reclamam por elas. Precisou de uma tragédia para o governo acordar e agir.
Lula disse que outras medidas serão anunciadas nos próximos dias, mas pelo conjunto da obra deste governo, pelo histórico de como tem-se comportado em crises anteriores, provavelmente não se irá muito longe.
Lula demonstraria real interesse em ver solucionada a crise aérea se, dentre as medidas que anunciou, provocasse a substituição da turma que comanda a INFRAERO, ANAC e Ministério da Defesa. Achar que vai solucionar por osmose é pueril. Não vai. Com este gente incompetente que lá se encontra, principalmente os medalhados pela Aeronáutica, a coisa tende a ficar pior. Não basta ter uma boa estratégia de ação se, a equipe encarregada de executa-la for do nível de incompetência e irresponsabilidade que lá se encontra.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Vamos tratar da fala de Lula que, em cadeia de rádio e televisão, tentou fazer seu costumeiro proselitismo, tentou armar seu circo, mas, quero crer, não conseguiu ocupar o espaço que o povo brasileiro esperava que ele ocupasse. No vazio, além da dor e da comoção nacional, fica o sentimento intrigante de que, apesar de já acumular 350 cadáveres, Lula parece não haver aprendido a lição.
Esperou-se 73 horas para que o presidente da nação desse o ar de sua graça, e falasse aos brasileiros sobre a comoção que atingiu o país de norte a sul.
O presidente americano, no dia seguinte ao assassinato de dezenas de alunos numa universidade, compareceu ao campus para um ato in memoriam. Da mesma forma Jacques Chirac fez na França quando milhares de jovens promoveram um quebra-quebra danado por causa da lei do primeiro emprego. Na Espanha não foi diferente. Quando Madri foi atingida por um atentado terrorista, o primeiro-ministro dirigiu-se ao povo pela TV, e o rei e a rainha foram no dia seguinte visitar os feridos.
Isto representa dizer que um governante realmente preocupado não apenas com sua imagem política, mas principalmente com o bem estar dos cidadãos do país que governa, não se esconde atrás de boletins e comunicados oficiais lidos por auxiliares próximos. Demonstrar sentimentos não é uma coisa que se faça por procuração delegada a alguém. Se faz pessoalmente, dando a cara a tapa se for preciso, mas nunca por intermediários. Ao aparecer na noite de sexta feira, Lula sequer conseguiu demonstrar algo espontâneo. Reservou-se em ler um discurso preparado de antemão por assessores de imprensa. As palavras tinham um sentido, a expressão e o tom da voz outro, totalmente diferentes. O homem acostumado a ser espirituoso em cima de um palanque em véspera de eleição, não soube ser convincente ao externar uma emoção de dor. Ali estava apenas para cumprir um papel do protocolo oficial.
Não conseguiu ser convincente em atribuir ao seu governo os desmandos que fizerem a crise aérea a crise da morte, da dor, da humilhação, do constrangimento. Passou ao largo da crise, anunciando medidas vazias, que ainda demandarão tempo para serem consumadas, porque será preciso atender outros interesses, interesses financeiros das companhias aéreas, pondo de lado, como tem sido praxe até aqui, a segurança dos passageiros, a excelência no serviço de atendimento. Em artigo anterior postado mais abaixo, falamos longamente que a crise não começou na queda do avião da Gol, mas na morte da empresa que servia como ponto de referência na aviação comercial do país, a VARIG, e que impunha às demais, como forma de atrair clientes, atendimentos melhores, pontualidade em partidas e chegadas, em aeronaves que, mesmo antigas, face ao serviço de manutenção de primeira qualidade, lhes davam a segurança necessária para a viagem se consumar sem sustos ou percalços.
A tentativa de Lula de falar à nação encontrou problemas sérios. Primeiro, não veio a São Paulo para visitar o local do acidente, tentar consolar familiares dos passageiros vitimados com medo da vaia, síndrome do Maracanã na abertura do Pan. Depois, vinte e quatro horas antes de seu discurso, seu aspone protagonizou uma das mais deprimentes cenas a que se poderia permitir um servidor público, eleito ou não, concursado ou não, mas lá está por imposição do Presidente, em um prédio público festejando uma notícia que poderia aliviar a carga de culpabilidade sobre a atual crise aérea. Deveria ser demitido no dia seguinte. Não foi e não será, será ainda abençoado, e até conta com a simpatia de alguns “colegas” de cretinice que gostariam de ter esboçado o mesmo gesto. Fazem-no apenas simbolicamente, e para toda a nação.
Na mesma de sexta-feira, em solenidade ridícula e dantesca, o Ministério da Aeronáutica medalhou quatro diretores da ANAC/INFRAERO por relevantes serviços prestados na área da aviação. Que o digam os 350 cadáveres vítimas deste “relevantes” serviços. Que a solenidade fosse cancelada, adiada, empurrada mais para frente. Mas faze-lo apenas três dias depois do maior acidente aéreo ocorrido na história do país, medalhando parte da corte responsável pelo caos instalado é um escárnio...
Das medidas anunciadas, uma em especial me chama a atenção: vão fazer uma PPP para a construção de um novo aeroporto. Quanto isto custará e de onde sairá a fortuna ? Com 7,0 bilhões se reformariam os três principais aeroportos paulistas, dando uma vida útil maior e melhorando sensivelmente o afogado tráfego aéreo em São Paulo. E isto poderia ser feito num período de tempo relativamente curto. Até poderiam ir construindo um novo, como calma e sem atropelos, com melhor planejamento, uma vez que ele obrigatoriamente ficará distante do centro da cidade, e necessitará de uma infra-estrutura de transportes complementares inexistente hoje. E isto demanda tempo e dinheiro, tempo que já não temos, e dinheiro que não se sabe de onde virá. Apenas para ver o tamanho da encrenca: no tal PAC, há uma previsão de gastos de R$ 3,0 bilhões de reais para modernização de 20 aeroporto até 2010. Porcaria, não é mesmo? Apenas os três de São Paulo, como dissemos acima, custariam R$ 7,0 bilhões, o que comprova que o PAC é todo aquele pacotinho de enrolação de que estamos falando desde que foi anunciado e lançado por Lula.
As medidas anunciadas para desafogar Congonhas não são nenhuma novidade: há muito tempo que especialistas reclamam por elas. Precisou de uma tragédia para o governo acordar e agir.
Lula disse que outras medidas serão anunciadas nos próximos dias, mas pelo conjunto da obra deste governo, pelo histórico de como tem-se comportado em crises anteriores, provavelmente não se irá muito longe.
Lula demonstraria real interesse em ver solucionada a crise aérea se, dentre as medidas que anunciou, provocasse a substituição da turma que comanda a INFRAERO, ANAC e Ministério da Defesa. Achar que vai solucionar por osmose é pueril. Não vai. Com este gente incompetente que lá se encontra, principalmente os medalhados pela Aeronáutica, a coisa tende a ficar pior. Não basta ter uma boa estratégia de ação se, a equipe encarregada de executa-la for do nível de incompetência e irresponsabilidade que lá se encontra.
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Ontem aqui afirmamos que, desta crise, três personagens acrescentaram em definitivo em suas biografias, marcas que jamais se apagarão: Marta Suplicy, politicamente se enterrou com seu relaxa e goza, Marco Aurélio Garcia, com seu top-top-top deverá viajar doravante em jatinhos da FAB. Duvido que tenha coragem de aparecer em algum aeroporto brasileiro. Vai sentir de perto a repulsa do povo brasileiro ao seu gesto obsceno, leviano e canalha. E Lula, tanto no primeiro, quanto no segundo mandato, terá duas tragédias aéreas, filhas da crise, para marcá-lo em definitivo. Em sua fala presidencial, Lula disse que fará o impossível para debelar a crise. Quem vai acreditar nisto, se o que era possível, dentro do tempo exato que era possível, o que era possível não foi feito ? Agora, na pressa, premido pelas circunstância, pressionado pela opinião pública, fazer o impossível ? Impossível. Se já fizesse o que é possível, e não é pouco, já estaria de bom tamanho. Por exemplo, por que não demitiu seu assessor Marco Aurélio pela deselegância, desrespeito e obscenidade ? Por não demitiu os Zuanazzis, Denises e Waldires ? Fizesse isto, e estaria dando um recado certo para a nação de que realmente está interessado em acabar com a crise.
Deste modo, como dissemos no início, nos cinco minutos que esteve em cadeia de rádio e televisão, acabou falando muito e não dizendo absolutamente nada, o que, em se tratando de Lula e seu governo, não nos é nenhuma surpresa. Este governo adora soltar foguetes em dias de festa. Mas adora se acovardar quando deve enfrentar crises: quando a competência e a responsabilidade se acham ausentes, não há marqueteiro que dê jeito na pilantragem, principalmente por sobre os escombros de uma tragédia com dezenas de mortos ...