SÃO PAULO - As obras no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foram mal pensadas. Cenário na terça-feira da maior tragédia aérea do País, envolvendo a aeronave da TAM, Congonhas teve primeiro realizadas as reformas internas, para depois iniciar as obras nas pistas. "Ter dado prioridade à estética em vez da segurança parece um equívoco, para não dizer um erro." A avaliação é do docente do Departamento de Transportes da Poli/USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros, para quem as prioridades são alvo de questionamentos.
"Por quê fizeram essa obra nas pistas depois de fazer o terminal de passageiros? Ou seja, você pensa primeiro no conforto dos passageiros ou no conforto da segurança?", disparou o especialista. E emendou: "Com certeza se reclamava muito mais da pista anteriormente. Ou seja, nós demos condições boas de segurança a Congonhas no passado, ou estamos dando só agora (com a reforma)?".
Para Medeiros, numa lista de prioridades, no momento de se efetuar uma reforma a segurança certamente deve estar em primeiro lugar. "A ordem de fazer uma reforma se começa pelo conforto da segurança, ou ela pode ser questionada. Eu acho que poderia ter feito as duas coisas simultaneamente, mas o fato é que as obras das pistas tinham que estar na frente", ressaltou o especialista da USP.
O docente disse também que neste momento é "muito difícil" avaliar as causas do acidente com a aeronave da TAM. Mas afirmou, no entanto, que dava para colocar em pauta evidências mais imediatas. "O acidente ocorre de uma falha do piloto, da aeronave ou da pista. Disso não tem como sair", ponderou. "Supor que o equipamento quebrou ou que o piloto falhou, só poderemos dizer a partir dos dados da caixa-preta da aeronave", acrescentou.
Sobre as especulações que a falta do grooving - ranhuras transversais para drenagem da água - seria a causa do acidente, Medeiros refutou: "Dizer que a causa é a falta do grooving não dá. Dizer que ela prejudicou e atrapalhou o pouso, isso, sim, pode-se dizer, mas temos que esperar as investigações".
O especialista comentou ainda que o Aeroporto de Congonhas tem condições para atender a demanda e não descartou a hipótese de ter sido uma "fatalidade". Mas avaliou, entretanto, que existiam indícios de que algo não funcionava bem. "Tem os pilotos que estavam reclamando que ela estava escorregadia. Mas temos que ver outras alternativas. Havia indício? Havia. Se isso é fato? Temos que esperar para ver".
O acidente que envolveu o Airbus A-320 da TAM entrou para o triste ranking de tragédias aéreas como a pior do País. No total, 186 pessoas estavam a bordo, entre passageiros, funcionários da companhia e tripulantes. Em razão da explosão com o choque no prédio da TAM Express, este número aumenta, pois mais de uma dezena de pessoas estavam no imóvel, num total de vítimas que pode chegar a 200 mortos.
"Por quê fizeram essa obra nas pistas depois de fazer o terminal de passageiros? Ou seja, você pensa primeiro no conforto dos passageiros ou no conforto da segurança?", disparou o especialista. E emendou: "Com certeza se reclamava muito mais da pista anteriormente. Ou seja, nós demos condições boas de segurança a Congonhas no passado, ou estamos dando só agora (com a reforma)?".
Para Medeiros, numa lista de prioridades, no momento de se efetuar uma reforma a segurança certamente deve estar em primeiro lugar. "A ordem de fazer uma reforma se começa pelo conforto da segurança, ou ela pode ser questionada. Eu acho que poderia ter feito as duas coisas simultaneamente, mas o fato é que as obras das pistas tinham que estar na frente", ressaltou o especialista da USP.
O docente disse também que neste momento é "muito difícil" avaliar as causas do acidente com a aeronave da TAM. Mas afirmou, no entanto, que dava para colocar em pauta evidências mais imediatas. "O acidente ocorre de uma falha do piloto, da aeronave ou da pista. Disso não tem como sair", ponderou. "Supor que o equipamento quebrou ou que o piloto falhou, só poderemos dizer a partir dos dados da caixa-preta da aeronave", acrescentou.
Sobre as especulações que a falta do grooving - ranhuras transversais para drenagem da água - seria a causa do acidente, Medeiros refutou: "Dizer que a causa é a falta do grooving não dá. Dizer que ela prejudicou e atrapalhou o pouso, isso, sim, pode-se dizer, mas temos que esperar as investigações".
O especialista comentou ainda que o Aeroporto de Congonhas tem condições para atender a demanda e não descartou a hipótese de ter sido uma "fatalidade". Mas avaliou, entretanto, que existiam indícios de que algo não funcionava bem. "Tem os pilotos que estavam reclamando que ela estava escorregadia. Mas temos que ver outras alternativas. Havia indício? Havia. Se isso é fato? Temos que esperar para ver".
O acidente que envolveu o Airbus A-320 da TAM entrou para o triste ranking de tragédias aéreas como a pior do País. No total, 186 pessoas estavam a bordo, entre passageiros, funcionários da companhia e tripulantes. Em razão da explosão com o choque no prédio da TAM Express, este número aumenta, pois mais de uma dezena de pessoas estavam no imóvel, num total de vítimas que pode chegar a 200 mortos.