A CRISE NÃO É APENAS AÉREA, MAS DE FALTA DE GOVERNO
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Muitos comentaristas e especialistas quando chamados a falar e opinar sobre a crise aérea brasileira, começam invariavelmente a falar e analisar sobre o acidente do Boeing da Gol, que vitimou 154 pessoas. Porém, e para quem freqüenta este espaço sabe que preferimos sempre começar a partir da hecatombe que se abateu sobre a VARIG e a forma criminosa como o governo Lula tratou esta questão.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Muitos comentaristas e especialistas quando chamados a falar e opinar sobre a crise aérea brasileira, começam invariavelmente a falar e analisar sobre o acidente do Boeing da Gol, que vitimou 154 pessoas. Porém, e para quem freqüenta este espaço sabe que preferimos sempre começar a partir da hecatombe que se abateu sobre a VARIG e a forma criminosa como o governo Lula tratou esta questão.
Muitos se apressam em dizer que o governo federal não deve mesmo por dinheiro público em empresas falidas. Será ? Então não se explicam as centenas de empréstimos que o governo tem aprovado no âmbito do BNDES, muitos dos quais por até serem renovação de empréstimos contraídos e não pagos, e outros, mesmo diante da inadimplência de alguns empresários, o BNDES se apressou em conceder novos empréstimos e financiamentos. Outros, diante do calote, o BNDES resolveu socorrer os devedores com acordos pra lá de camaradas ! E isto tudo sempre noticiamos aqui, inclusive vamos tirar do arquivo e republicar um artigo do jornal O Globo e outro da Revista Exame para que vocês entendem que a omissão de socorro no caso da VARIG tem sua raiz em razão das ações nada patrióticos de um certo lobista que anda tendo muito sucesso na praça, praticando o mais deslavado e descarado tráfico de influência que se tem notícia nos últimos 20 anos, e que teve uma passagem rápida dentro do governo que lhe valeu ter o peso político do qual muitas empresas se valem e se socorrem para obter privilégios, vedado à maioria dos comuns mortais deste planeta.
Com respeito à VARIG, observem o seguinte: no meio do burburinho de socorre - não socorre, o governo federal foi condenado na Justiça, em ação movida pela VARIG, a pagar uma indenização calculada à época em torno de R$ 4,5 bilhões. Isto mesmo: R$ 4,5 bilhões. O governo, logicamente, se negou em pagar e se nega até agora, muito embora todo o peso que se usou para a VARIG abrir mão desta indenização juridicamente já reconhecida. Então o governo havia proposto para a VARIG que ela desistisse da ação, para conceder-lhe o financiamento que pleiteava junto ao BNDES. Vocês sabem de quanto era o financiamento que a VARIG pedia para continuar sobrevivendo e voando com sua excelência de serviços internacionalmente reconhecida e respeitada ? Menos de R$ 200,0 milhões. Ou seja, o governo liberava o financiamento, desde a VARIG desistisse dos R$ 4,5 bilhões. Indecoroso é o mínimo que se pode dizer.
Quando a VARIG já não conseguia mais levantar vôo, e entrou no regime pré-falimentar, o que se viu foi a perda não apenas da frota que ficaria em terra, mas o fechamento de 5.500 postos de trabalho de gente de altíssimo qualificação profissional. Durante anãos a fio a VARIG foi o terminal no qual as maiores e principais companhias aéreas do mundo todo faziam manutenção em suas aeronaves. Seu centro de treinamento de pilotos e o treinamento dado a comissários e comissárias de bordo era referência mundial. Tudo isto o governo Lula enterrou para afagar o lobista amigo e simpático que se favorecesse a TAM.
Vocês por certo estão acompanhando todo o noticiário dos últimos meses sobre a interminável crise aérea brasileira: e por certo, devem ter tomado conhecimento dos problemas de “aeronaves” tanto da Gol quanto da TAM apresentando problemas mecânicos a revelarem deficiências de manutenção, coisa da qual durante décadas jamais se ouviu falar no Brasil. Ao ficar com sua frota presa em terra, a VARIG deixou um vazio na aviação comercial que já vinha num crescendo na média de 10% anuais, que nenhuma outra companhia conseguiria suprir. Isto é um fato do qual o governo pouco fala, e quando o faz, é sempre um pano muito rápido para que as especulações sobre o tratamento dispensado àquela companhia não se tornem inconveniente demais. E não foi apenas em vôo dentro do país, mas principalmente os internacionais.
E o nó se dá pela falta de ótica do governo Lula da importância da aviação comercial na modernização e progresso de um país. Quem usa o espaço aéreo? São executivos de grandes empresas, investidores que viajam em busca de oportunidades para novos negócios, e claro, toda uma classe de profissionais liberais que saem a trabalho, políticos de todos os níveis e turistas, nacionais e estrangeiros. Ter uma infra-estrutura aeroportuária bem solidificada e segura, é uma porta aberta para estes novos negócios, para expansão dos já existentes, para os turismo. E tudo isto deságua em novos empregos, novos negócios, aumento de renda, numa rica combinação de fatores positivos que parece o governo não ter se apercebido. Para ele, usa avião somente a elite, aquela que faz turismo irresponsável, quando na verdade todo o turismo, em sua essência sempre teve mais de cultura do que de qualquer outra coisa.
A conjugação do assassinato imoral da VARIG, com o compadrio praticado na ANAC e INFRAERO culminou nisto que estamos assistindo: uma crise sem hora certa para acabar, porque Lula não parece ter aprendido as lições, parece não ter real interesse em resolver o problema, e não conta ao seu lado com gente minimamente competente e responsável para dar sustentação à ações necessárias e inadiáveis. Sem expulsar este gentalha relapsa e incompetente de seu lado, Lula vai empurrar o problema com a barriga sem jamais chegar a um resultado satisfatório. E não vamos descartar novos desastres. O nível da aviação comercial no Brasil baixou muito, perdeu referência, perdeu tecnologia, perdeu qualidade, e muito do que se tinha formado em décadas, hoje está ou na Europa, ou nos Estados Unidos, ou até na China. Ou seja, exportamos mão de obra de altíssima qualidade e padrão internacionais a troco de coisa alguma. O governo Lula expulsou do Brasil o seu melhor investimento em mão de obra do ramo aeronáutico civil. Fez sua opção pela mediocridade, como de resto tem sido esta sua opção em várias outras frentes.
E vamos agradecer a Deus pelo fato da EMBRAER não ser mais empresa estatal. Assim como tantas outras empresas privatizadas, graças ao que são empresas de primeira linha ocupando espaços cada vez maiores no competitivo mundo globalizado. Imaginem as empresas de telefonia nas mãos do petê, ou a siderurgia, apenas para ficarmos nestes dois exemplos. Se a aviação comercial ao governo compete apenas fiscalizar e controlar o espaço aéreo já virou a bagunça e a anarquia em que se encontram, imaginem o que não teriam feito com os demais setores privatizados. Estaríamos comemorando à volta à era da pedra lascada, com comunicações através de sinais de fumaça, andando de charrete e transportando em lombo de mulas. O atraso mental e tecnológico desta gente tacanha são de doer, mas eles se entendem como “modernosos”.
Daí porque, e falaremos disto no próximo post, a fala de Lula diz muito menos do que deveria. Ela é o sinal claro de novas emoções e novas tragédias não estão afastados do nosso dia a dia. Estamos muito mais próximos de novos apagões aéreos do que contarmos com uma moderna e eficiente infra-estrutura aeroportuária no país. Apesar dos 350 cadáveres, Lula ainda não aprendeu a lição. E o caos ainda rondará por um bom tempo os céus do Brasil. A opção feita é pelo atraso, pela mediocridade, pelo aparelhamento, pelo retrocesso, pelo relaxamento, pela omissão, pela irresponsabilidade. Com tais valores não há como avançarmos, não há como progredir. Infelizmente, o segundo mandato deste governo terminará só daqui a três anos e meio. Até lá vamos ter que suportar muito choro e ranger de dentes. Pobre Brasil !