terça-feira, março 05, 2013

Morre o presidente venezuelano Hugo Chávez


O Estado de São Paulo


Morreu nesta terça-feira, 5, aos 58 anos, o presidente venezuelano Hugo Chávez. Ele estava internado em um hospital militar de Caracas após passar dois meses em Cuba tratando um câncer. 

Presente na vida política da Venezuela há pelo menos 20 anos, o tenente-coronel da reserva Hugo Rafael Chávez Frias atraiu ódio e amor da população na mesma medida. Seus partidários o viam como o líder que tirou milhões da miséria e reduziu a pobreza de 42% para 9,5%. Os detratores o descreviam como um caudilho populista que vergou ao limite as regras da democracia, eliminando a independência entre os poderes, manobrando programas sociais em troca de votos e perseguindo a imprensa.

Vida política
Chávez apareceu pela primeira vez no cenário político venezuelano ao tentar derrubar o então presidente Carlos Andrés Pérez em um golpe de Estado frustrado, em 1992. O militar foi preso e cumpriu pena por 2 anos. Em 1998, decidiu aderir ao processo democrático. Organizou uma campanha centrada no contato próximo da população mais pobre e foi eleito com 56% dos votos.

Após assumir o poder, propôs alterar a Constituição em um referendo, do qual saiu vitorioso. Ganhou nova eleição em 2000, com quase 60% dos votos. Em 2002, sofreu uma tentativa de golpe, mas ficou apenas dois dias fora do poder. Dois anos mais tarde, venceria um referendo sobre sua saída da presidência.

Com sua reeleição em 2006 e a disparada do preço do petróleo no mercado internacional, aprofundou seu projeto de poder, batizado de socialismo do século 21. Nacionalizou empresas e ampliou os gastos sociais. Na época, a oposição decidiu boicotar as eleições parlamentares, dando controle total do Legislativo aos chavistas.

Em 2007, consultou os venezuelanos sobre o fim da limitação para a reeleição e sofreu sua única derrota eleitoral, revertida depois num referendo.

Em outubro deste ano, foi eleito para um quarto mandato que o credenciava a permanecer por 20 anos seguidos na presidência da Venezuela. Com 55% dos votos, o líder bolivariano havia prometido, durante a comemoração da vitória, ser “um presidente melhor do que tem sido”. Logo após a vitória, Chávez nomeou o então chanceler Nicolás Maduro como seu vice-presidente.

O câncer
O maior abalo de Chávez ocorreu em 2011, quando descobriu que sofria de um câncer pélvico. Os detalhes da doença e do tratamento nunca foram divulgados.

Chávez passou por quatro cirurgias em um ano e meio, a última ocorreu em dezembro de 2012. O presidente chegou a dizer, em 2011, que estava livre do câncer após ser tratado, mas em dezembro de 2012 anunciou que “células malignas” haviam retornado e ele precisaria de mais uma intervenção cirúrgica.

O líder bolivariano foi a Havana novamente para realizar uma nova cirurgia e retornou para Caracas apenas em fevereiro deste ano. Em dois meses, apenas uma foto do presidente foi divulgada. Com isso, a oposição pressionou o governo diversas vezes para que anunciassem a ausência do presidente e convocassem novas eleições, o que não ocorreu.

Era piada, Mantega?


Adelson Elias Vasconcellos


Questionado sobre o baixo crescimento do pais em 2012, que conseguiu ser pior do que fora em 2011, o ministro se saiu com esta afirmação: 'Foi um ano mais fraco, mas com trajetória de aceleração'

Bem, que a trajetória deverá,  necessariamente, ser de alta, , não   se duvida. Até porque, pior do que os 0,9% só mesmo recessão. E não creio que o governo Dilma trabalhe neste sentido...

Faz tempo que as promessas de Mantega não se cumprem. E, creio ser um sentimento quase unânime, além de o governo errar feio no diagnóstico, erra também na medicação e no tratamento que vem ministrando para a economia brasileira sair do lugar. Para início de conversa, cito um exemplo claro: o governo Dilma não se cansa do discurso das tais desonerações. E isto não faz sentido algum. Vejam: a maioria das tais desonerações foi temporária, com prazo de validade fixado. Produziram alguns resultados pontuais, de curto prazo, nada muito além disso.  Quem conhece bem o manicômio em que se converteu nosso sistema tributário, deve achar graça diante das falsas expectativas alimentadas  discurso do improviso. Sem mexer na essência do sistema, não há desenvolvimento que se sustente, tampouco os investimentos aguardados se produzirão. 

Olhando-se para os dados do PIB divulgado pelo IBGE, podemos concluir que, se de um lado, a desaceleração sofreu uma parada, nada indica que uma possível retomada esteja acontecendo de maneira sustentável. É claro, sabemos bem, o governo Dilma trabalha apenas para produzir resultados positivos para embalar a campanha em 2014.  Não existe um horizonte de longo prazo, já que o projeto da soberana busca apenas o poder pelo poder. 

Mas, por outro lado, há números bastante significativos que deveriam acender o sinal amarelo para equipe econômica, muito embora não acredite que os “diferentes” ministros da Fazenda que circulam em torno da presidente, terão coragem para tocar no ponto certo da questão. Não sei ao certo se covardes porque incompetentes, ou incompetentes por serem covardes. Mantega tentou, pela enésima vez, justificar o PIB fraco com a crise lá fora. Santo Deus, não passa da hora de mudar o discurso?  Mesmo alguns países envoltos em crise conseguiram avançar mais do que o Brasil!!!  

O PIB de 2012, assim como o de 2011, contudo, não podem ser atribuídos como consequência de crise internacional, porque, na verdade, o que existe é crise de excesso de endividamento de alguns países europeus. E só. O resto é demagogia  barata. 

Estes 0,9% foram construídos aqui dentro mesmo, por ação direta da má governança, pela insistente cegueira e teimosia burra de se querer alinhar o Brasil às nações mais empobrecidas do planeta. O Brasil deve alinhar-se, por sua riquezas e importância, ao que há de mais desenvolvido e moderno, nunca querer  perfilar-se na catacumba dos bolivarianos e afins.

Uma das causas apontadas por 10 dentre 10 economista e analistas para nosso baixo crescimento é o investimento, ou melhor, a falta dele. Com efeito,  nos últimos anos temos assistido a uma queda gradual, de um lado e de outro. Porém, investimento não pode ser causa para crescimento. Para que o investimento se concretize, e no volume de nossas necessidades, é preciso que se crie ambiente propício capaz de atraí-lo. Já afirmamos em outras vezes, que Dilma Rousseff, por ideologia e conjugada com jumentice, é refratária ao capital privado.  De resto, aliás, todo o petista vê o capital privado como inimigo a  ser repelido, varrido para bem longe. Então, apontem um único país desenvolvido que o tenha conseguido movido por investimentos públicos? Mesmo a China, ditadura socialista declarada, somente cresceu econômica e socialmente a partir do momento em que abriu suas fronteiras ao capital privado. 

Por aqui, nossos governantes tupiniquins, que se abraçam ao socialismo com tanto ardor, querem que os investidores coloquem dinheiro bom em negócios ruins. E por que são ruins? As oportunidades são inúmeras, em todas as direções, mas sem um ambiente adequado ninguém se sente atraído. Vejam nesta e em outras edições a questão dos marcos regulatórios para as áreas de concessões. São pacotes fechados, que sequer passaram por um debate sadio para aparar arestas e reduzir riscos. E, sem ainda terem entrado na pauta de votações pelo Congresso, as medidas provisórias impostas pela presidência, passam por inúmeros sobressaltos, alterações para cá, para lá, sem indicar um rumo certo de onde de pretende chegar. Além disto, e ó o caso do tal trem bala, já se torrou uma fortuna em “estudos e projetos”, sem que se tenha até agora um valor certo do total do investimento, e com regras confusas que se alteram ao sabor do quadrante lunar. 

Assim, se nos faltam investimentos não é por falta de oportunidades e, sim, por absoluta ausência de um ambiente melhor, com regras claras, definidas, permanentes. Vejam o caso do setor elétrico. Sequer as primeiras concessões haviam vencido seus prazos iniciais e o governo já se apressava em rasgar contratos e mudar as regras do jogo. E isto se repete nos aeroportos, portos, rodovias, ferrovias. É sintomático do desespero do governo federal em, além de abrir as portas do BNDES de forma tresloucada,   também esgarçar o Tesouro para cobrir possíveis prejuízos  operacionais. Ora, se o próprio governo já reconhece, a princípio, a possibilidade do prejuízo, quem é o maluco se atreverá nesta empreitada? 

Portanto, o pibinho é resultado apenas da falta de uma política econômica de longo prazo, voltada ao desenvolvimento. Nesta edição, temos aí o peso da enorme carga tributária que a sociedade precisa suportar. Já nem vou entrar no mérito da enorme burocracia que se precisa enfrentar apenas para conseguir abrir e regularizar uma pequena fábrica. Quem se aventurou neste calvário, sabe o custo que isto representa. 
Ou o governo destrava os gargalos que ele próprio criou e outros que ele ajudou a se tornar mais martirizantes, ou não vamos sair do lugar. Poderemos dar alguns soluços aqui,  outros ali, mas nada sem muita sustentação ao longo do tempo.

O mundo não para. Outros países, até com menos estão conseguindo fazer mais. E se insistirmos em ignorar nossas mazelas e afastar de vez este ambiente inóspito ao capital privado, seja nacional ou mesmo internacional, o trem da história cruzará a nossa frente, mais uma vez, sem poder pegar carona. 

Como afirmado em outros artigos e comentários, Dilma Rousseff deveria, antes de tudo, preocupar-se com a herança que irá deixar a quem vier depois, e não com o que recebeu. E aí está talvez o maior erro do PT: tentar comparar governos vividos em tipos diferentes. A comparação que faz justa à história é comparar o Brasil que FHC recebeu com o que entregou à Lula. Tentar apagar oito anos de nossa história como os petistas tentam obsessivamente emplacar, além de vigarice, é tirar deles próprios os melhores indicativos dos caminhos a seguir. 

Tanto isso é verdade que, diante de seus próprios erros, tentam manipular as estatísticas com o propósito de esconder da sua incompetência. A tal contabilidade criativa implementada pelo governo Dilma tem, até aqui, produzido um resultado para lá de ruim: a perda da confiança e da credibilidade no país. 

Quando em 2012, o Credit Suisse previu que a economia brasileira cresceria módicos 1,5%, Guido Mantega afirmou que se tratava “...É uma piada. Vai ser muito mais que isso...”. E completou dizendo que seria muito mais do que isso.  Como vimos, foi ainda menos. Assim, ministro, quem contou a piada sobre o nosso crescimento? Ou será Guido Mantega a própria piada?  

Da Ilha da Fantasia à Ilha do Tesouro


Rolf Kuntz
O Estado de São Paulo

Candidata à reeleição e já em campanha aberta, a presidente Dilma Rousseff precisará de resultados muito melhores que os do último biênio, na economia, para cumprir a missão recebida de seu chefe, publicamente. A tarefa é levar adiante o projeto de poder de seu partido. Para isso ela terá de conseguir mais que um ano de crescimento na faixa de 3% a 4%. Um resultado melhor que a humilhante expansão de 0,9% em 2012 é praticamente certo neste ano. Mas é pouco, depois de um crescimento acumulado de apenas 3,6% na primeira metade de seu mandado.

Além disso, até seus principais assessores devem ter notado um fato evidente para qualquer pessoa medianamente informada: a política centrada no estímulo ao consumo fracassou. Os gastos familiares cresceram pelo nono ano consecutivo, mas foram insuficientes, mesmo somados às despesas do governo, para promover o crescimento industrial. A indústria de transformação, a melhor referência para se examinar o assunto, produziu 2,5% menos que em 2001. Ao mesmo tempo, os preços ao consumidor continuaram subindo velozmente. A inflação em 12 meses, 5,8%, ficou mais uma vez muito longe da meta, 4,5%.

Algo funciona mal nesse quadro e até em Brasília - no Palácio do Planalto e em suas vizinhanças - essa noção começou a difundir-se há algum tempo. Não adianta muito apoiar o consumo quando o problema principal está do lado da oferta. E o lado da oferta, como devem saber até alguns membros do atual governo, só pode responder à demanda se houver capacidade produtiva e competitividade. Isso depende de vários fatores, incluído o investimento em capital fixo, As contas nacionais recém-divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram um cenário de desastre.

O valor investido nesses ativos foi 4% menor, em termos reais, que o do ano anterior. Além disso, o País só investiu o equivalente a 18,1% do produto interno bruto (PIB). No ano anterior havia investido 19,3%. As duas taxas são miseravelmente baixas. Mesmo na América Latina a formação bruta de capital fixo alcança 25% do PIB em vários países. Em economias da Ásia supera 30% e na China tem ficado na vizinhança de 40%.

O investimento tem sido especialmente fraco na infraestrutura. No setor rodoviário, mal tem sido suficiente para a manutenção de um sistema de baixa qualidade. De modo geral, é preciso fazer muito para ampliar e modernizar toda a área de transportes e para isso o governo lançou um programa de logística. A intenção é correta, mas prioridades e critérios são discutíveis e o planejamento, como tem sido normal há vários anos, continua muito abaixo das intenções. A mesma observação vale para os demais componentes da infraestrutura. Não se pode atribuir a um simples capricho do mercado a desvalorização da Eletrobrás. Os investidores são capazes de reconhecer um desastre, como reconheceram no caso da Petrobrás, depredada por um intervencionismo desastroso.

Nada mais natural que a hesitação dos investidores, depois de uma longa e assustadora história de trapalhadas bem conhecidas. Não há como esquecer de um dia para outro a polêmica renovação das concessões do setor elétrico, a questão dos portos sujeitos a regimes e direitos diferentes e os danos causados à Petrobrás por uma gestão politizada. Pode-se alongar a lista com a atuação discutível do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empenhado na criação de "campeões nacionais", envolvido em maus investimentos e dedicado a ações de escasso ou nenhum valor estratégico.

Mas o governo precisa, no mínimo por interesse eleitoral, desencadear uma onda de investimentos e, de modo especial, promover a aplicação de grandes capitais em infraestrutura. Se o esforço der certo, o País terá condições de sair do atoleiro e ganhar impulso para crescer por alguns anos.

Para isso o governo anunciou um programa de US$ 235 bilhões para fortalecimento da infraestrutura e saiu em busca de interessados tanto no Brasil quanto no exterior. Na apresentação em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teve de ouvir perguntas sobre assuntos aparentemente estranhos ao programa: os investidores potenciais estavam interessados em temas como educação e formação de mão de obra, inflação e outros aspectos básicos da gestão pública. O ministro e vários colegas de governo têm sido forçados a afirmar repetidamente um compromisso prioritário com o combate à inflação e com o controle das contas públicas. Por que haverá tantas dúvidas?

Confiança é um ativo precioso e é preciso mantê-lo tão cuidadosamente quanto os equipamentos de um avião. Mas o governo, embora pareça perceber o problema, insiste nas soluções mágicas e voluntaristas, numa reação tipicamente brasiliense. Conhecida há muito tempo como Ilha da Fantasia, um recanto feliz e distante da realidade nacional, Brasília pode tornar-se famosa também como Ilha do Tesouro. A fantasia continua, porém agora turbinada pela imagem de um cofre maravilhoso, capaz de capitalizar mais uma vez o BNDES, adiantar receita a quem investir em ferrovias, transferir fundos para bancos financiarem a infraestrutura, socorrer distribuidoras de eletricidade, conceder mais desonerações a setores escolhidos e levar adiante o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Num ambiente mais prosaico, o governo proporia aos investidores planos coerentes e realistas, sem cometer, entre outras, a tolice de querer tabelar ideologicamente a taxa de retorno (em Nova York, o ministro Mantega tentou corrigir esse erro). Ao mesmo tempo, venderia seriedade, comprometendo-se com a solidez macroeconômica, sem truques e maquiagens. Deixaria claro, por exemplo, o compromisso com a meta de inflação de 4,5%. Com base na fala de Mantega, quem poderia dizer se a meta é essa ou qualquer ponto entre 4,5% e 6,5%?  

O mundo não espera


Rubens Barbosa
O Globo

A ampliação das cadeias produtivas globais e o crescente intercâmbio de partes e componentes está mudando a maneira de tratar as trocas tradicionais de bens e serviços

O processo de globalização vem sofrendo modificações aceleradas com a tendência de concentração da produção de manufaturas em poucos países, e a fragmentação da produção de bens industriais. Nos últimos 20 anos, o comércio das cadeias produtivas (supply chain trade) vem crescendo gradualmente. Trata-se do intercâmbio de bens, investimentos, serviços e tecnologia associado às redes internacionais de produção, que combinam a inovação dos países desenvolvidos com salários baixos dos países em desenvolvimento.

A ampliação das cadeias produtivas globais e o crescente intercâmbio de partes e componentes está mudando a maneira de tratar as trocas tradicionais de bens e serviços. Ao ficar de fora do circuito das cadeias produtivas globais, a maioria dos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, passa a concentrar suas exportações em commodities e suas exportações de manufaturados tornam-se cada vez mais reduzidas.

A incorporação das cadeias de produção global nos mega-acordos de livre comércio, como o eventual acordo EUA-União Europeia, representa um desafio adicional, pois traz de volta preocupações geopolíticas para o comércio internacional. Considerações de política externa levam as duas regiões a tentar superar diferenças comerciais em função de interesses comuns para a prevalência de suas normas internacionais e valores e para a contenção da China.

A OMC procura regular e facilitar o intercâmbio tradicional — que diz respeito a bens produzidos em um determinado país e vendidos em outro — com regras que dificultem ou eliminem as barreiras na fronteira (tarifas) e visem a penalizar a competição desleal (subsídios e dumping) com medidas compensatórias. As novas regras do comércio das cadeias produtivas começam a ser definidas fora da OMC de forma "ad hoc" nos acordo de comércio regional (como o dos EUA com países da Ásia e com a Europa), tratados bilaterais de comércio e de investimento.

O Brasil, sem estratégia de negociação comercial e com dificuldades para criar um mercado regional para seus produtos, integrados em uma cadeia produtiva regional com os demais países, a exemplo do que ocorre na Ásia e na Europa, está cada vez mais isolado e dificilmente poderá beneficiar-se dessas novas tendências do comércio internacional.

Se a política do governo Dilma visando ao fortalecimento da indústria nacional der certo, sem o Brasil estar integrado ao dinâmico intercâmbio da cadeia produtiva global, o máximo que o país pode almejar no longo prazo é manter a produção industrial para o mercado interno.

O governo declara ter uma “politica comercial cautelosa” por não querer abrir mão de seu projeto nacional de desenvolvimento e por julgar que, tendo uma indústria diversificada, não deve se engajar nos acordos de cadeias produtivas, que levariam a alguma especialização no contexto produtivo.

O mundo não vai esperar o Brasil. Ou o Brasil recupera o tempo perdido e reformula sua estratégia de negociação comercial externa, ou vai se tornar cada vez mais isolado no mundo real do comércio global e de investimentos.

Lincoln 51, com pouco uso.


Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Um dia de festa, 30 anos da CUT, muita comemoração. O ex-presidente Lula estava no clima da festa, animado, comemorando. Fez um discurso inebriante.

1 - Sobre seus adversários: "Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições". Talvez por isso fossem adversários. Se quisessem que Lula ganhasse as eleições, não seriam seus adversários, seriam aliados. Ou talvez nem quisessem que ele ganhasse, mas estavam no PMDB e aproveitaram para ganhar junto.

2 - Sobre si mesmo: "Eu ando lendo muito agora". Claro, claro. E o professor Delfim Netto está emagrecendo, e o prefeito ACM Neto está ficando mais alto.

3 - Sobre imprensa e História: "Eu fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860. Igualzinho bate em mim". Para os lulistas, ao cooptar congressistas para votar a Abolição, Lincoln fez o mesmo que o Governo do PT: usou a única maneira possível de garantir a governabilidade. Só que Lincoln para aprovar a libertação dos escravos, sem sequer pensar - um político das antigas, sem "capitão do time", sem Delúbio, sem Boy, sem PMDB - em coisas mais modernas e permanentes, como por exemplo o Mensalão.

Mas, justiça seja feita, o ex-presidente Lula só tratou de temas políticos. As piadas que surgiram, comparando-o a um automóvel vermelho Lincoln 51, de alto consumo, ou aos cigarros Lincoln, que tiveram seu momento de glória e logo sumiram, ainda antes que se soubesse que cigarro faz mal, foram criadas por aqueles que "não queriam que ele ganhasse as eleições". 

Coisa muito injusta.

Compostura, compostura
A presidente da República e dois ex-presidentes batem boca em público sobre quem fez mais ou estudou menos, temas que não interessam a mais ninguém exceto a eles. Não é preciso recorrer a Christine Yuffon nem aos códigos de comportamento do Itamaraty para definir do que se trata: é falta de bons modos. 

Cidade muda
O apresentador José Luiz Datena e o repórter Agostinho Teixeira, da Rede Bandeirantes, informaram que as unidades básicas de saúde da Prefeitura de São Paulo estão sem o kit glicemia, essencial para diabéticos. Há gente que vai morrer ou sofrer lesões irreversíveis por falta desse kit; mas, com certeza, vão dar um jeito de botar a culpa no ex-prefeito Gilberto Kassab, que embora aliado é de outro partido. 

O problema mais sério é que, de acordo com documento escrito enviado à Bandeirantes por servidores públicos indignados, eles estão proibidos de falar sobre o tema ou de admitir que haja falta dos kits. Lembra a época da ditadura militar, em que a Censura proibiu a notícia da epidemia de meningite que atingia São Paulo. O prefeito Fernando Haddad, PT, continua mudo. Mas mudo apenas neste assunto. Com Gabriel Chalita, acusado de receber propina de grupos empresariais quando era secretário da Educação, Haddad tem falado.

Voa, dinheiro
Ligue a TV: propaganda eleitoral de Governos estaduais, muito mal disfarçada em "publicidade institucional". Propaganda eleitoral do Governo Federal, explicando que não há mais miséria no Brasil (aquele sujeito que mora na rua e pede esmola ao caro leitor não passa de ilusão de óptica). O gasto dos Estados com publicidade aumentou 37% em oito anos - neste período, foi de R$ 10,5 bilhões. A verba de publicidade do Governo Federal ultrapassa R$ 1 bilhão por ano.

Feia, antipática... 
A médica Virgínia Soares, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico, em Curitiba, é antipática, autoritária, grosseira. Até agora é isso que foi provado contra ela. Está presa sob a acusação de comandar um esquema de assassínios de doentes. Dizia-se que queria se livrar de doentes do SUS para abrir espaço a clientes particulares, mais lucrativos. A base do pedido de prisão é, como de hábito ultimamente, o "grampo" de seus telefonemas. E já se comprovou que a degravação dos grampos é tendenciosa: onde a médica diz, por exemplo, a palavra "raciocinar", a transcrição aponta "assassinar".

...portanto é culpada
A médica é culpada ou inocente? Não dá para saber, neste momento. Mas está clara a tendência do inquérito: quem troca "raciocinar" por "assassinar", numa frase absolutamente audível, ou age de boa-fé (o que indica que está tão convencido da culpa da pessoa que está investigando que até comete atos falhos), ou não - e, nesse caso, o inquérito não vale o papel em que está impresso. Dizem que, como pessoa, a médica é desagradável - e daí? Por isso deve ser presa?

O problema dos "grampos" é grave: a Polícia grava, transcreve, interpreta. Se a defesa pede acesso à gravação, até consegue. Num caso a que este colunista teve acesso, empresas especializadas pediram quatro anos para decupar as milhares de horas de gravação. Está na hora de gente do ramo estudar o que se pode fazer. 

Novidade no ramo
O novo diretor da Polícia Técnica e Científica do Estado de São Paulo não é um legista, como seria o habitual. Nem um delegado. É um psiquiatra. Estranho? É; mas não mais estranho do que um engenheiro e político, lutando contra vários processos judiciais, na Secretaria da Saúde da cidade de São Paulo. 

É Brasil.

Não é a chuva


Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Enterrar a fiação, o que evitaria a maior parte dos problemas, é mais caro e complicado. Sabe como é: tem que fazer o projeto, edital, licitação, tocar a obra... E assim tudo cai, digamos, na normalidade do caos

Tem saído nos jornais: chuvas deixam São Paulo no caos. É verdade que os moradores estão sofrendo além da conta, quer estejam circulando pela cidade com seus carros ou nos ônibus e metrô, quer estejam em casa ou no trabalho. Três fatores criam a confusão: semáforos desligados; alagamentos nas ruas; falta de energia. Então, tudo culpa da chuva, certo?

Errado.

Semáforos, por exemplo. Eles poderiam ter a fiação enterrada ou a fonte de energia e os sistemas de controle automático protegidos por caixas blindadas. Isso não é nenhuma maravilha da tecnologia, algo revolucionário. Existe em qualquer cidade organizada. E tanto é acessível que já há projetos para a instalação desses equipamentos em São Paulo, e isso faz tempo. Se não avança, é culpa dos administradores — não da chuva.

Quanto aos alagamentos, ocorrem por falta de algum serviço ou obra, esta já prevista. Podem reparar. Sempre aparece alguma autoridade municipal ou estadual dizendo que a enchente aqui será resolvida com um piscinão, ali com a canalização de um córrego, em outra rua com a simples limpeza dos bueiros, e assim vai. De novo, sabe-se o que é preciso fazer, mas não se faz. Também não é culpa da chuva.

A falta de energia é outro estrago. Caem postes, desabam árvores, fiações são destruídas, transformadores pifam. Um amigo conta a situação na sua rua: os galhos de uma árvore cresceram muito e encostaram no transformador; quando chove com vento, os galhos vão batendo no transformador, já molhado, até desligá-lo. Sempre acontece isso.

Ora, por que não podam a árvore? Porque é preciso uma autorização formal da prefeitura, o que significa uma solicitação formal, um trâmite formal, a visita pessoal de um fiscal. Não sai antes da próxima chuva.
Podem reparar: em toda queda de árvore, sempre aparece um morador para dizer que aquilo era esperado, que já havia sido solicitada a poda ou a retirada.

De novo, não tem nada a ver com a chuva.

E, convenhamos, qual a dificuldade de cortar uma árvore, além da incompetência dos administradores públicos? Claro que é preciso ter controle, mas do jeito que é a burocracia, funciona assim, como dizem as pessoas: se quiser fazer tudo dentro da lei, não consegue nunca. Já quem vai por fora, só é apanhado se der o azar de o fiscal estar passando ali ou se fizer um estrago muito grande. A multa é pesada, mas os administradores não são punidos por não terem feito o que deveriam.

Enterrar a fiação, o que evitaria a maior parte dos problemas, é mais caro e complicado. Sabe como é: tem que fazer o projeto, edital, licitação, tocar a obra. É verdade que já existem projetos para se fazer isso em várias regiões da cidade, mas, veja bem, só chove forte mesmo em algumas semanas, por que gastar tanto dinheiro e tanta energia nisso? Um dia a mais ou um dia a menos de caos não mata a cidade.

E assim tudo cai, digamos, na normalidade do caos. Chover é da natureza, não é mesmo? Então...

Os moradores estão se virando. Na última grande chuva, terça passada, aconteceu um milagre. No rush do começo da noite, o trânsito estava livre por toda parte, parecia feriado. Os rádios e as tevês haviam alertado para a chuva e, assim, o pessoal tratou de sair mais cedo, adiou compromissos ou deixou para mais tarde.

Os prejuízos não foram eliminados, mas como não houve sofrimento imediato, os administradores ficaram tranquilos e elogiaram a reação ordenada da população.

Tudo considerado, temos um exemplo acabado do que é atraso e subdesenvolvimento. Sabe-se onde vai dar errado, sabe-se como prevenir, há capacidade técnica e recursos para fazer, e não se faz.

Infelizmente, não acontece só em São Paulo. Ou a seca do Nordeste, por exemplo, é uma surpresa?

Normal
Também deu na imprensa: o Brasil está colhendo safra recorde de grãos. Em consequência, aumentou o preço do frete da fazenda até os portos.

Normal?

Só se for normal esta outra história: a Valec, estatal encarregada da construção de ferrovias que ajudariam a escoar a safra, está sem trilhos para tocar as obras. Problemas na licitação.

Outra: em 2006, a Petrobras pagou US$ 1,18 bilhão por uma refinaria no Texas. Um ano antes, a vendedora, uma companhia belga, havia desembolsado US$ 42,5 milhões pela mesmíssima refinaria.

O Ministério Público está no caso, mas a estatal ainda não julgou necessário vir a público com alguma explicação. Como se tivesse sido um negócio normal.

Tributos equivalem a 36,27% do PIB em 2012, diz IBPT


Exame.com
Beatriz Bulla, Estadão Conteúdo

Para a instituição, o baixo resultado do ano passado, de 0,9% de expansão do PIB na comparação com 2011, e a alta arrecadação ocasionaram o aumento da carga tributária


Pelas contas do IBPT, cada brasileiro pagou R$ 8.230,31 
em tributos ano passado, R$ 460,37 a mais do que em 2011

São Paulo - A carga tributária brasileira correspondeu a 36,27% do Produto Interno Brutoem 2012, calculou o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No ano anterior, o estudo apontou uma participação de 36,02% do PIB. Em 2000, a porcentagem era de 30,03%, pelos mesmos cálculos.

Para a instituição, o baixo resultado do ano passado, de 0,9% de expansão do PIB na comparação com 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a alta arrecadação ocasionaram o aumento da carga tributária.

Em 2011, a arrecadação do País tinha chegado a R$ 1,49 trilhão. No ano passado, avançou para R$ 1,59 trilhão. Em termos nominais, conforme o IBPT, a arrecadação tributária variou 7,03% e o PIB 6,26%

"O IBPT havia previsto uma pequena queda da carga tributária de 2012, mas a surpreendente arrecadação de novembro e dezembro e o fraco desempenho do PIB resultaram em novo recorde histórico", disse nesta segunda-feira, em nota distribuída à imprensa, o presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.

Para ele, as desonerações no ano passado "não afetaram" a arrecadação.

Na participação do PIB, a única esfera de governo em que a arrecadação tributária respondeu por porcentagem menor em 2012 foi a federal - 25,38%, o que é 0,01 ponto porcentual menor do que em 2011. Tributos estaduais responderam por 8,96% (uma alta de 0,19 ponto porcentual) e municipais, 1,93% (0,07 ponto porcentual mais em 2012).

Em variação porcentual, os tributos federais foram os que menos cresceram no ano passado ante 2011, com aumento de 6,22%. Os municipais subiram 10,53% e os estaduais, 8,64%. Em valores, a arrecadação de tributos federais foi R$ 65,38 bilhões maior em 2012, a de estaduais cresceu R$ 31,38 bilhões e a elevação dos tributos municipais foi de R$ 8,11 bilhões.

O item que registrou o maior crescimento, em valores, de 2011 para 2012 foi o INSS - Previdência Social. Foram arrecadados R$ 30,73 bilhões a mais de um ano para o outro. Na sequência, apareceram o ICMS (aumento de R$ 28,48 bilhões), Cofins (R$ 16,39 bilhões) e o Imposto de Renda (R$ 14,33 bilhões).

Pelas contas do IBPT, cada brasileiro pagou R$ 8.230,31 em tributos ano passado, R$ 460,37 a mais do que em 2011. Foram arrecadados no País R$ 4,36 bilhões diários, ou mais de R$ 50 mil por segundo.

Metodologia
A instituição esclareceu que há diferenças entre as metodologias utilizadas para calcular a carga tributária nacional, o que pode gerar diferentes resultados. No caso do IBPT, são considerados todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo (tributos mais multas, juros e correção).

Além disso, para levantamento das arrecadações estaduais e do Distrito Federal são considerados dados do Confaz, das secretarias estaduais de Fazenda e da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Para analisar as arrecadações municipais, entre outros fatores, a instituição acompanha os números divulgados por 1.425 municípios nos Portais da Transparência.

No caso da análise feita pela Receita Federal, assinalou o IBPT,são desconsiderados os valores recolhidos a título de multas, juros e correção monetária, nem são computadas as contribuições corporativas e custas judiciais, entre outras diferenças.

Os países que mais cobram impostos das empresas


Lilian Sobral
Exame.com

Brasil fica em quarto lugar no ranking elaborado pela KPMG International; Índia é o país com menos tributos

Impostos em alta
São Paulo – Um ranking elaborado pela KPMGInternational mostrou que o Brasil é o quarto país entre as principais economias mundiais que mais cobram impostos de suas empresas. Para elaborar o ranking, a consultoria utilizou um indicador batizado de TTI, ou Total Tax Index (algo como índice total de tributos).
O estudo “Alternativas Competitivas de 2012, relatório especial: foco nos tributos” avaliou taxas sobre lucros, custos trabalhistas e outros tributos. A medição, feita para 14 países, utilizou como base os tributos nos Estados Unidos (100%) e mostrou, percentualmente, quanto os países cobram de suas empresas em relação aos impostos americanos. O Brasil marcou 142,6% nessa escala, ou seja, 42,6 pontos percentuais a mais que os Estados Unidos.

1) França
TTI: 179,7%
Em meio a uma série de dificuldades econômicas emudanças no sistema tributário, a França subiu entre os países que mais cobram tributos, especialmente por uma folha de pagamentos mais pesada, apontou o estudo.

2) Itália
TTI: 152,9%
A pontuação do país aumentou 23,3 pontos entre a última pesquisa, realizada em 2010, e o estudo deste ano. Parte disso aconteceu porque a Itália aplicou em 2010 incentivos tributários para novos negócios, medida que já venceu.

3) Japão
TTI: 152,3%
A análise da KPMG apontou que o Japão lançou um grande esforço para reduzir os impostos sobre lucros entre 2012 e 2015. Essas medidas, porém, acabaram sendo anuladas pela apreciação da moeda japonesa nos últimos dois anos, que aumenta o custo em dólares de outras taxas no Japão, e por um aumento modesto nos custos trabalhistas.

4) Brasil
TTI: 142,6%
A KPMG chamou atenção para o fato de que o Brasil cobra de suas empresas mais impostos do que outras economias de alto crescimento econômico, como a Rússia, China, Índia e México. Roberto Haddad, sócio da área de Tributos Internacionais da KPMG no Brasil, comenta que o resultado sinaliza que a alta carga tributária é um dos principais componentes na composição do custo Brasil.

Outro destaque sobre o país é que o Brasil não permite dedução total dos impostos de gastos com Pesquisa e Desenvolvimento. Algumas empresas que investem nessa categoria podem deduzir até 80% de seus custos com estudos e inovação, mas mesmo nesses casos, ainda sobra uma margem de 20% não dedutíveis, o que aumenta a carga total de impostos.

5) Austrália
TTI: 125,1%
O país registrou o maior aumento entre os países pesquisados, com adição de 44,3 pontos entre o resultado de 2010 e deste ano. Além de uma apreciação da moeda australiana (que aumenta o custo em dólares dos tributos), o país fez mudanças em uma lei de incentivo para pesquisa e desenvolvimento implementada em 2011.

6) Alemanha
TTI: 122%
O país reduziu um pouco sua pontuação. Na última pesquisa da KPMG, a Alemanha marcou 124,1% de TTI em relação ao país-base do estudo.

7) Estados Unidos
TTI: 100%
O país tem a taxa de referência para o ranking. Assim, sua posição muda ao longo dos anos de acordo com os dados dos outros países. A pesquisa apontou que nos Estados Unidos a diferença entre a cidade que mais cobra impostos (São Francisco) para a que menos cobra (Cincinnati) é de 25,8 pontos.

8) Países Baixos
TTI: 77,2%
Embora esteja na lista dos 10 mais, o país cobra menos tributos do que os Estados Unidos, país que nivela a pesquisa. Com um sistema de cobrança bem centralizado, a diferença de carga de impostos entre a cidade que mais cobra e a que menos cobra é pequena, de apenas 0,5 ponto.

9) Reino Unido
TTI: 73,3%
A carga de tributos cobrada no país diminuiu 14,8 pontos entre a última pesquisa e a mais recente, maior queda entre os países pesquisados. A variação é efeito, principalmente, de mudanças de regra para uma menor cobrança de impostos sobre lucros das empresas. As regras já reduziram em 2% esses encargos e devem promover uma nova redução de 3% até 2014.

10) Rússia
TTI: 71,7%
Assim como Índia, China e Brasil, a Rússia entrou no estudo neste ano e não há assim comparação com a pesquisa anterior. Além dos países do ranking, Índia, Canadá, China e México também foram pesquisados e são os quatro países da ponta contrária, que menos cobram impostos de suas empresas.

Produtividade é o 'calcanhar de Aquiles' do Brasil


Veja online
Com Estadão Conteúdo

Estudo do Conference Board mostra que produção média por trabalhador nos últimos 15 anos ficou bem abaixo à dos demais países emergentes

 (Mauricio Lima/AFP) 
Produtividade do trabalhador brasileiro 
regrediu 0,3% no ano passado, segundo o Conference Board

O crescimento da economia do Brasil nos últimos anos não foi suficiente para a produtividade do país melhorar e igualar o desempenho conseguido por outros emergentes. De acordo com um estudo do Conference Board, a economia brasileira cresce em um ritmo mais forte do que a produção média por trabalhador. 

A produtividade média do brasileiro subiu 0,4% por ano no período entre 1996 e 2005, bem abaixo do que conseguiram os outros países que formam o Bric (Rússia, China e Índia). No grupo dos emergentes avaliados pelo estudo, todos apresentaram desempenho melhor: Rússia, com expansão média da produtividade de 3,8% por ano, Índia (+4,3%) e China (+7,1%), além de México (+1,4%), Indonésia (+1,1%) e Turquia (+4,6%).

Segundo o Conference Board, a produtividade dos brasileiros melhorou entre 2006 e 2011, quando, na média, o indicador subiu anualmente 2%. Mesmo com essa reação, o ritmo continuou aquém do observado em outras grandes economias emergentes: Rússia (+3,4%), Índia (+5,9%), China (+10,4%) e Indonésia (+3,1%). O desempenho brasileiro, porém, foi melhor nesse período que o da Turquia, que cresceu média de 1% por ano, e o do México, com expansão anual de 0,5%.

No fim desse segundo período, a produtividade brasileira começou a desacelerar. Em 2011, o índice brasileiro cresceu 0,7%, abaixo da média de 5,9% dos emergentes e também inferior a todos os outros países da comparação. Em 2012, o índice teve queda de 0,3%.


Brasil lidera ranking de impostos sobre trabalhadores


Lilian Sobral
Exame.com

Pesquisa da UHY mostrou que, no Brasil, empregadores pagam 57,56% de um salário em impostos, enquanto média mundial é de 25%

Wilson/Getty Images


São Paulo – A rede internacional de contabilidade e consultoria UHY divulgou um rankingque mostra que o Brasil é o país que mais cobra impostos sobre funcionários. O estudo analisou 25 países onde a empresa atua.

Segundo a pesquisa, a média mundial de custos extras é de 25% dos salários anuais cobrados em impostos. No Brasil, esse percentual passa para 57,56%.

Como algumas taxas podem variar de acordo com o salário pago nos países, a pesquisa elaborou rankings para salários anuais de 30 mil dólares, 75 mil dólares e 300 mil dólares. O Brasil liderou (e ficou bem acima da média mundial) nas três categorias.

Para a faixa mais alta, por exemplo, a pesquisa mostrou que o Brasil tem uma carga de impostos 40 vezes superior a mais baixa, da Dinamarca. Enquanto os empregadores dinamarqueses pagam 4.332 dólares por ano em impostos por funcionário que recebe 300 mil dólares, no Brasil, o custo extra é de 172.667 dólares.

Confira os três rankings elaborados pela UHY:

Posição
País
Custo extra para salário de US$ 30 mil
Percentual sobre salário
Brasil
US$ 17.267
57,56%
Itália
US$ 15.544
51,84%
França
US$ 12.836
42,79%
Eslováquia
US$ 10.560
35,20%
República Tcheca
US$ 10.200
34%
Espanha
US$ 10.020
33,40%
Áustria
US$ 9.357
31,19%
China
US$ 9.263
30,88%
Romênia
US$ 8.421
28,07%
10º
*Japão
US$ 7.738
25,79%
11º
*Alemanha
US$ 7.263
22,81%
12º
*México
US$ 6.788
22,63%
13º
Rússia
US$ 6.319
21,06%
14º
*Austrália
US$ 5.249
17,50%
15º
Holanda
US$ 4.867
16,22%
16º
Israel
US$ 4.221
14,07%
17º
Malásia
US$ 3.804
12,68%
18º
Nigéria
US$ 3.600
12%
19º
Irlanda
US$ 3.225
10,75%
20º
*Canadá
US$ 2.745
9,15%
21º
*Estados Unidos
US$ 2.652
8,84%
22º
Reino Unido
US$ 2.486
8,29%
23º
Emirados Árabes
US$ 2.182
7,26%
24º
Dinamarca
US$ 1.632
5,44%
25º
Índia
US$ 1.101
3,67%
Média dos BRICs
US$ 8.488
28,29%
Média global
US$ 6.757
22,52%

*Valor pode mudar entre estados


Posição
País
Custo extra
para salário de
US$ 75 mil
Percentual sobre salário
Brasil
US$ 43.167
57,56%
Itália
US$ 37.374
49,86%
França
US$ 32.277
43,04%
Áustria
US$ 23.392
31,19%
República Tcheca
US$ 22.774
30,36%
Eslováquia
US$ 21.687
28,92%
*Japão
US$ 19.345
25,79%
Espanha
US$ 17.847
23,80%
*Alemanha
US$ 15.810
21,08%
10º
*Austrália
US$ 13.122
17,50%
11º
Romênia
US$ 12.684
16,91%
12º
Holanda
US$ 11.749
15,67%
13º
Rússia
US$ 10.819
14,43%
14º
*México
US$ 10.206
13,61%
15º
China
US$ 9.263
12,35%
16º
Malásia
US$ 9.204
12,27%
17º
Nigéria
US$ 9.000
12%
18º
Reino Unido
US$ 8.582
11,44%
19º
Irlanda
US$ 8.063
10,75%
20º
Israel
US$ 7.147
9,53%
21º
*Estados Unidos
US$ 6.182
8,24%
22º
*Canadá
US$ 5.242
6,99%
23º
Emirados Árabes
US$ 4.772
6,35%
24º
Índia
US$ 2.753
3,67%
25º
Dinamarca
US$ 2.082
2,78%
Média dos BRICs
US$ 16.500
22%
Média global
US$ 14.582
19,44%

*Valor pode mudar entre estados


Posição
País
Custo extra para salário de US$ 300 mil
Percentual sobre salário
Brasil
US$ 172.667
57,56%
Itália
US$ 146.523
48,86%
França
US$ 124.062
41,35%
*Japão
US$ 77.379
25,79%
*Austrália
US$ 52.488
17,50%
Áustria
US$ 45.870
15,29%
República Tcheca
US$ 43.024
14,34%
Reino Unido
US$ 39.294
13,10%
Malásia
US$ 36.204
12,07%
10º
Nigéria
US$ 36.000
12%
11º
Rússia
US$ 33.319
11,11%
12º
Irlanda
US$ 32.250
10,75%
13º
Romênia
US$ 27.197
9,07%
14º
Eslováquia
US$ 23.487
7,83%
15º
Emirados Árabes
US$ 19.177
6,38%
16º
Espanha
US$ 17.847
5,95%
17º
*Alemanha
US$ 17.817
5,94%
18º
*México
US$ 15.831
5,28%
19º
*Estados Unidos
US$ 12.283
4,09%
20º
Holanda
US$ 11.749
3,92%
21º
Índia
US$ 11.010
3,67%
22º
Israel
US$ 10.985
3,65%
23º
*Canadá
US$ 10.079
3,36%
24º
China
US$ 9.263
3,09%
25º
Dinamarca
US$ 4.332
1,44%
Média dos BRICs
US$ 56.565
18,85%
Média global
US$ 41.206
13,74%

*Valor pode mudar entre estados