Danilo Fariello e Marcio Beck
O Globo
O número só perde para o mega-apagão de Itaipu, no ano de 2009
BRASÍLIA e RIO - No ano passado, o consumidor brasileiro ficou em média, 18,65 horas sem luz, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O número só perde, na série histórica desde 2000, para o ano de 2009, quando houve o mega-apagão de Itaipu. Em 2011, o número médio de horas no escuro foi de 18,40 (esse índice é conhecido como DEC).
Embora o número de horas sem luz do brasileiro tenha aumentado no ano passado, o número de interrupções caiu pelo quarto ano consecutivo, segundo a Aneel, para 11,1 vezes ao longo do ano (índice conhecido como FEC).
Isso significa que, apesar de menos apagões, eles duraram mais. Enquanto o número de interrupções ficou abaixo do teto máximo estabelecido pela Aneel, pelo quarto ano seguido, o número de horas sem luz rompeu a barreira máxima estabelecida pela agência.
Como meio de compensar os consumidores pelas horas que fica sem luz, desde 2010 as distribuidoras têm de ressarcir aqueles que ficam no escuro além do limite tolerado. No ano passado, o valor de compensações foi o maior já registrado, de R$ 415 milhões.
Esse dinheiro é devolvido nas contas de energia como forma de desconto para os consumidores nas faturas seguintes àquelas em que os apagões superam o limite.
Embora o valor em compensações tenha sido recorde, o número de consumidores que a receberam caiu, aponta a Aneel. Em 2011, foram 105 milhões de consumidores a serem compensados e, no ano passado, foram 93 milhões.
Piora na área da Light
Os moradores da cidade do Rio atendidos pela Light passaram em média 3,61 horas em dezembro passado. O período médio de falta de luz foi o maior já registrada para este mês pela concessionária, justamente no ano em que a temperatura do verão carioca superou um recorde que durava 28 anos e chegou a 43,2º C – condições em que os aparelhos de ar-condicionado e os ventiladores deixam de ser luxos para se tornarem necessidades.
Segundo os dados mais recentes entregues pela concessionária â Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a média das interrupções no fornecimento de energia elétrica cresceu em relação às 2,09 horas de 2011, como antecipou O GLOBO. Foi o segundo pior resultado mensal registrado desde que a Aneel passou a compilar os dados, em 2000, atrás apenas de novembro de 2009, quando houve 5,36 horas de “apaguinhos”.
Com isso, a empresa terminou o ano, mais uma vez, descumprindo o limite máximo imposto pela Aneel, o que deverá lhe render mais uma punição. A concessionária somou 18h09min, quase o dobro das 9,37
Devido às falhas no abastecimento, provocadas por fatores dos mais diversos, a Light fechará o ano tendo que restituir aos consumidores R$ 46.565.853,87. O valor é quase 50% maior que o das compensações de 2011, que somaram R$ 31.838.745,67. A quantidade destas compensações, no entanto, aumentou 9,5%, passando de 4.673.141 para 5.117.222.
Apesar da ligeira queda, o valor ainda é quase o dobro do registrado em 2010, quando a devolução entrou em vigor e passou a constar como item discriminado na conta de luz, segundo informação da Aneel. Foram R$ 15.281.586,70 em 4.060.639 compensações.
Já a Ampla, que atua em 66 municípios do Rio de Janeiro, conseguiu melhorar os seus indicadores, na média das regiões onde atua. O DEC da Ampla caiu de 19,24 horas em 2011 para 16,93 horas no ano passado. Já o número de interrupções (FEC) caiu de 9,83 para 9,04 vezes, na média.
A ENF, de Nova Friburgo, também conseguiu melhorar seus indicadores de continuidade, com DEC em 9,17 horas e FEC em 7,6 vezes.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Em discurso de campanha, na semana passada, Dilma criticou aqueles que previram racionamento e este não aconteceu. Ora, não aconteceu por obra das chuvas que elevaram os níveis dos reservatórios, e não por conta de alguma ação do governo. De fato, os níveis estiveram abaixo de seu nível histórico, e tanto é que todas as térmicas tiveram que ser acionadas (e ainda permanecem) para evitar o racionamento que era, sim, eminente. E o custo desta estrutura emergencial, acabou por anular os tais descontos que Dilma anunciou em cadeia nacional de rádio e televisão.
Portanto, aqueles que criticaram o sistema elétrico e a forma como o governo o gerencia, tinham razão em alertar as autoridades para as nossas deficiências. É bom lembrar que, tivessem o país crescido o quanto o próprio previra no início de 2012 e, certamente, o racionamento teria acontecido em razão do maior consumo elétrico que aquele crescimento demandaria.
Assim, esta demagogia barata e ordinária não tem sentido. Até porque o tal pacote lançado no ano passado, provocará em futuro imediato, desequilíbrios muito sérios no setor elétrico. É esperar para ver. Vemos acima que tem sido contínuo o aumento de horas sem energia. Isto por si só é um mau sinal. Representa a insegurança ainda presente no setor elétrico brasileiro e pode se tornar, no curto e médio prazos, sério entrave ao nosso crescimento.