Adelson Elias Vasconcellos
O Brasil negou-se em apoiar que uma comissão da OEA fosse à Venezuela como observadora da crise que se abateu sobre o país vizinho. Razão? Nenhuma, ao menos que pudesse ser sólida, justificável, sensatamente defensável.
Ah, mas resolveu dar apoio a uma reunião de chanceleres da tal UNASUL, que nada mais é do que uma instituição criada para dar legalidade ao clube de cafajestes chamado Foro de São Paulo que, como sabemos, congrega a nata dos narcotraficantes sul-americanos a financiarem as ações das esquerdas do continente em seu processo ostensivo de tomada de poder.
Pois bem, no mesmo dia que a tal equipe de chanceleres reuniu-se, Nicolás Maduro, o doido de Caracas, totalizou em sua conta 25 assassinatos em sua sanha endoidecida de calar a oposição de seu país. E qual foi o recado da tal “cúpula”? Uma notinha asquerosa, nojenta, estúpida, de apoio quase incondicional ao ditador venezuelano. O tal do assessor para assuntos internacionais do governo da senhora Rousseff, o não menos asqueroso Marco Aurélio “Top-top” Garcia, andou fazendo sua peregrinação na Venezuela e, sem surpresa alguma, declarou com o ar mais cínico e cretino do mundo, que a crise na Venezuela é apenas fruto de uma ação midiática. Desconheço ações semelhantes na história da humanidade que tenham tido o dom de produzir 28 assassinatos (até agora), centenas de feridos e milhares de prisões arbitrárias.
Assim, como se vê, o governo Dilma, de forma vergonhosa, dá um passo a mais no abismo desonroso com que os petistas vão empurrando a diplomacia brasileira.
Na tal nota da UNASUL, além do blá-blá-blá habitual e vazio de todas as notas diplomáticas, não há uma única referência que recrimine o morticínio que as milícias bolivarianas vem produzindo. Nada. Zero. E o que é pior: tenta culpar as vítimas, que é a população que se opõem ao governo incompetente, pela agudeza da atual crise. Até parece que as panelas e gôndolas vazias dos mercados são fruto de ilusão de ótica. Até parece que a criminalidade assustadora não passa de “ação midiática” como afirmou Garcia, o cínico.
Afirmar que Maduro se esforça para conversar com todas as forças políticas do país é de uma canalhice sem par. Ora, Maduro não conversa coisa alguma: basta alguém contraditá-lo para ele mandar prender. Os meios de comunicação sequer conseguem espaço para divulgar para o mundo o que se passa dentro da Venezuela, e a violência desmedida com que o governo reprime qualquer ação ou manifestação de oposição. Reprime os protestos empregando armas letais.
Na carta que enviou à Maduro, Lula se refere às conquistas do chavismo. Bem que o ex em exercício poderia avivar nossa memória e relacionar quais conquistas. A de uma economia devassada, falida, quebrada? A do maior índice inflacionário do continente? A do desabastecimento até de gêneros essenciais? A da criminalidade fora de controle? A das contas públicas em frangalhos?
Retomo a tal nota da UNASUL. A certa altura, nos deparamos com uma observação que vai além da imaginação, ao expressar preocupação diante de alguma ameaça à independência e à soberania da Venezuela. Ok, gente boa, mas digam lá: qual ameaça? De quem? Isto é querer dar um manto legalista às ações criminosas de um ditador que resolveu investir com o uso de força desproporcional e das armas contra a parcela população descontente com o rumo que o governo vem dando ao país. Que mata, prende julga e condena sem o menor respeito aos direitos humanos aqueles que se aventuram em contestá-lo.
Não faria mal algum a diplomacia brasileira assumir uma posição ao menos de neutralidade, convidando as partes para um diálogo pacífico e conciliador, oferecendo-se até para servir como mediador deste entendimento. Mas, qual?, aí este não seria um governo petista. Esta gente tem lado, e invariavelmente este lado é a do autoritários, dos ditadores, da escória populista quando não fascista também, não importando em qual continente se localizem. Basta acenarem a bandeira da ideologia esquerdista e a partir daí tudo é permitido, inclusive matar, corromper, violar, ultrapassar limites.
Nunca o Itamaraty foi tão vergonhoso, nunca causou tanta repulsa e enxovalhou tanto sua própria história como agora sob o comando petista. E, se um tribunal julgasse Maduro pelos crimes que tem cometido, e muito certamente, o Itamaraty, ao lado de Mercosul e Unasul alinhar-se-iam como coautores destes assassinatos. Ao apoiarem o ditador, estão colocando em suas mãos a munição que ele precisa para matar sua própria gente.
A crítica exposta aqui não vale apenas para o Itamaraty. Vale, também, para todos quanto se dizem democratas de berço, que adoram encher a boca para falar sobre direitos humanos. E, à exceção da parcela independente da imprensa brasileira, não se lê e não se ouve um único parlamentar do país repudiar o que se passa no país vizinho. Este monte de ONGs chupa cabras de dinheiro público, que adoram vociferar em favor dos bandidos tupiniquins, até agora mantém um silêncio constrangedor. Que as esquerdas se calem, ou enviem cartas, como fez Lula, de apoio à Maduro, até se compreende: elas adoram beber o sangue de quem se opõem à sua ideologia. Mas e outros, ONGs, OAB, partidos de oposição, nada têm a dizer? Não vão se manifestar?
Palhaçada com dinheiro público
A comitiva de Dilma que foi ao Chile para a posse da presidente Bachelet, pagou por quartos de hotel que não usou. O Itamaraty não informou valor, que pode chegar a mais de R$ 124 mil, segundo site do hotel. É de se perguntar: precisava torrar dinheiro público com tamanha displicência?
Como se vê, está sobrando dinheiro neste governo, mas faltando responsabilidade.
Um pacote difícil de entender
Eram cinco distintos cavalheiros sentados à frente de um grupo de jornalistas, tentando explicar um pacote que nem eles têm as respostas. Em razão das dificuldades do mercado elétrico brasileiro para fazer frente ao custo maior provocado pelo uso das térmicas, face a longa estiagem que esvaziaram os reservatórios das hidrelétricas, o governo editou uma série de medidas para amenizar os prejuízos das concessionárias. Trata-se de um senhor pacote de R$ 12 bilhões, valor que não cobrirá o prejuízo que, conforme informamos aqui, é de cerca de R$ 32 bi. O que ficou claro é que o governo usará de todos os meios de que dispõem para impedir aumento nas tarifas de energia em pleno ano eleitoral. Seria um verdadeiro desastre e esvaziaria o discurso de palanque.
Estranhamente, o governo continua insistindo que parte da conta será pelos consumidores, parte pelo Tesouro. Até parece que o Tesouro usa outro dinheiro que não aquele que recolhe dos impostos que todos pagam!!!
Mas por que o pacote é confuso? Bem, parte do rombo, R$ 4 bi o governo diz que será bancado pelo Tesouro. E de onde o Tesouro vai tirar a grana? Segundo Mantega, de aumento de impostos. Quais? Ou ele nem sabe ou não confessa que é para não assustar a sociedade. O mais certo é que não saiba coisa nenhuma.
Outra parte, R$ 8 bi, será coberto por empréstimos bancários a juros de mercado. Quem fará os empréstimos? Uma empresa que precisará mudar seu estatuto social, porque, no momento, está impedida de fazê-lo. O bonitinho da história é que estes empréstimos e seus juros serão descontados nas tarifas a partir de 2015. Ao fim e ao cabo, fruto da imprevidência e do mau planejamento do governo Dilma, a gerentona, todos pagam consumidores, contribuintes, empresas. E é bom que todos que comecem a rezar e fazer promessas a São Pedro para voltar a encher os reservatórios das hidrelétricas, do contrário, se 2015 repetir 2014 em matéria de falta de chuvas, a coisa ficará muita feia.
Porém, tudo está sendo empurrado para depois das eleições. O custo desta brincadeira, já se sabe, afetará o bolsos de todos nós, consumidores ou não. Se a gente quisesse praticar alguma maldade, poderia dizer que, de forma inédita, anunciou-se um estelionato eleitoral com um ano de antecedência. Mas sabemos que, em consequência do mau gerenciamento pelo governo do setor elétrico, fruto ainda da desastrada medida de redução de tarifas a custa da menor rentabilidade das concessionárias, conjugada a necessidade de se usar quase que 100% da geração térmica, o mercado se desestabilizou por completo. Agora, vamos pagar o preço desta incompetência. Infelizmente, sempre será a sociedade a pagar pelos erros e imprevidência de seus governantes. Afinal, foi ela quem escolheu estes governantes.
Mas ainda voltaremos ao tema para comentar sobre as medidas em si, onde o que se tem de certo são apenas incertezas. É muita trapalhada em tão pouco tempo. Aliás, em 2010, dissemos que este poste escolhido por Lula viveria de luz apagada.
Ação entre amigos (do poder)
Com o pacote de hoje, de um lado, o governo acena com ajuda às concessionárias cuja rentabilidade ele trucidou em setembro de 2012. Mas também as velhas raposas do poder estão ganhando muito dinheiro com a crise do setor elétrico. Segue informação do Cláudio Humberto em Diário do Poder
Amigos do governo controlam as termelétricas
A compra de mais de R$ 1 bilhão por mês de energia de termelétricas, movidas a combustível poluente importado, faz a festa das empresas proprietárias e coincide com o boicote da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do governo à energia limpa, inclusive hidrelétrica. Dois dos grandes donos de termelétricas são um grupo ligado à família Sarney e Eike Batista, cuja falência os amigos do PT tentam evitar.



