domingo, abril 15, 2007

Leituras de domingo – 2ª edição

Então vamos para a segunda edição do COMETANDO A NOTÍCIA deste domingo:

O apagão das gravadoras

Poupança para os banqueiros

Cresce fogo amigo no governo contra política monetária

Divergência sobre câmbio afasta Gomes de Almeida do governo

O sistema está nu

Toquedeprima

Governo promete pacote de políticas em telecomunicações

ANAC: tempo recorde na liberação para compra da VARIG

Caos ameaça os vôos no Rio

Pequenos ditadores

Toquedeprima

Modelo de Chávez nasceu há 15 anos

Projeto de TV Pública nasce com viés autoritário

Uma no cravo...

As conseqüências do novo PIB

Toquedeprima...

Leituras de domingo – 1ª edição

TOQUEDEPRIMA...

Condenado rouba carro para não chegar atrasado à prisão

IRLANDA - Um presidiário irlandês que tinha sido beneficiado com o direito de passar o fim-de-semana em casa roubou um carro para não perder a hora de se reapresentar à cadeia.
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Trevor Doyle, de 25 anos, dormiu no ônibus e perdeu o ponto que fica próximo à prisão de Shelton Abbey, na cidade de Arklow. Desesperado, cometeu o crime.
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A corte chegou a ficar com pena do bandido, mas no final prevaleceu o peso da Justiça e ele foi multado em 390 dólares (834 reais) por ter sido reprovado no teste do bafômetro.

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Anúncio para atrair turistas mostra imagem de país errado e faz CNN pagar mico

BELGRADO - Um comercial que pretendia promover a Sérvia como destino turístico se transformou no maior mico do país desde o primeiro dia em que a propaganda foi ao ar pela rede de TV norte-americana CNN.
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Além de mostrar imagens chatíssimas, onde só há morros, igrejas e reservas naturais com alguns bichos - mas onde aparentemente não vive um ser humano sequer - o anúncio ainda teve como trilha sonora uma música típica... do Cazaquistão.

É mais ou menos como mostrar o Cristo Redentor ao som da mexicana "La Cucaracha" ou da argentina "Mi Buenos Aires Querido". O Cazaquistão fica a milhares de quilômetros de distância da Sérvia.
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O mico incluiu ainda a exaltação de uma belíssima igreja medieval - que fica na Romênia, do outro lado do rio Danúbio, onde os dois países fazem fronteira.
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O nome da campanha é "Sérvia - Momentos para Lembrar", e é - ou era para ser - o primeiro grande esforço do país para mudar sua imagem diante do mundo desde o fim da guerra na Iugoslávia, em 1999.
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Os responsáveis pelo fiasco afirmaram que vão reeditar a peça, mostrando agora o lado alegre do país, incluindo a gastronomia e a vida noturna da capital, Belgrado. Disseram ainda que a CNN concordou em prolongar a permanência do anúncio no ar para se redimir da gafe - aquela da música do país errado.

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Reforma tributária para incentivar investimentos
O Estado de S.Paulo

"O Brasil está perdendo investimentos da ordem de R$ 20 bilhões por ano por causa de seu sistema tributário complexo, confuso e com regras cada vez mais instáveis. O alerta foi feito pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, ao apresentar a nova proposta de reforma tributária em elaboração pelo governo, que deverá seguir para o Congresso entre julho e agosto."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Atenção Bernardo Appy: a reforma tributária que o país precisa deve contemplar uma substancial redução da carga e uma total simplificação no sistema de arrecadação. Não basta apenas mexer na perfumaria, e no essencial manter tudo como está, inclusive com o governo acenando para a manutenção da CPMF.

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Gazeteiros históricos
Cláudio Humberto

Não é de hoje a falta de disposição dos deputados para o trabalho. Campos Salles, que presidiu o Brasil entre 1898 e 1902, enviou uma carta ao então presidente da Câmara, deputado Xavier da Silveira, em que solicita sua "intervenção" para "obter o comparecimento dos deputados na sessão da Câmara". Campos Salles se queixa em sua carta de 8 de abril de 1901 que "até hoje não temos um Orçamento sequer votado pela Câmara". E adverte: "Nada pode ser mais grave do que isto". Vai mais além: "É preciso não só que (os deputados) compareçam, mas que permaneçam durante a sessão, pois a praga é: entrar por uma porta e sair pela outra".

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MST agora centra críticas na Justiça
De O Globo:

"Em mais um dia de invasões do "abril vermelho", o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou ontem três fazendas no interior de São Paulo e centrou suas críticas na Justiça que, segundo os manifestantes, dificulta a reforma agrária. Para denunciar a morosidade nos processos de imissão de posse das áreas, cerca de 500 famílias se mobilizaram na região de Andradina, interior de São Paulo. Desde terça-feira, sem-terra e organizações de sem-teto fazem ocupações e protestos em 12 estados."

COMENTANDO A NOTÍCIA; Os bandoleiros e moleques do MST e congêneres, continuam impor seu sistema anárquico de vida social. Para eles, a lei é um obstáculo, eles não se enquadram bem num país civilizado. Insisto num ponto: este “movimento” de baderneiros, há muito tempo, mas há muito tempo mesmo, deixou de ser um movimento social. Só não vê quem não quer. Deve ser declarados judicialmente como foras da lei, que é o que realmente são, e deve ser processados pelos crimes que cometem. Esta gente não respeita os limites que uma sociedade livre impõem a todos os seus cidadãos para se viver harmoniosamente.

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Milhares podem ficar sem o Bolsa Família

Só em Alagoas, 2,4 mil famílias podem perder o benefício se não apresentarem os documentos que comprovem que os filhos estão na escola.

Só que esta fiscalização deveria existir sempre. Quando FHC implantou o programa, e ele na época se chamava então Bolsa Escola, esta exigência era indispensável. Lula, vendo no programa, uma maneira de abrir suas asas e usar o programa com fins puramente eleitoreiro, dispensou as “obrigações” para ampliar ao máximo os beneficiados. Afinal, tinha em mente a reeleição, o que acabou se consumando, e como se sabe, o Bolsa Família foi seu cabo eleitoral mais incisivo. Denúncias de irregularidades se ouve já há muito tempo, sem que Lula tomasse providências para coibir os abusos. Agora, obtido a conquista que era a reeleição, Lula trata de por um freio na baderna que ele mesmo ajudou a criar. E o propósito aqui não é de cunho moralista não: acontece que o volume de gastos ou investimentos ditos sociais é muito alto para ser mantido sem que se comprometa os investimentos em outra áreas indispensáveis. Para então não dizer que está “cortando” verbas dos programas, tenta pela “fiscalização” do programa, fazer o corte sem que isto assim pareça.

Mas aguardem as próximas eleições. Voltará tudo a ser como dantes no quartel de Abrantes.

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TRE cassa mandato de senador governista

O senador Expedito Júnior (PR-RO) foi cassado na última quinta-feira pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de seu estado, sob a acusação de compra de votos nas eleições de 2006. O senador anunciou que irá recorrer da decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
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Na denúncia feita pelo Ministério Público, que gerou a cassação, consta que Expedito participou de um esquema de contratação de funcionários da empresa Rocha Vigilância para trabalhar ilegalmente como “formiguinhas”, cabos eleitorais em Rondônia, no primeiro turno das eleições de 2006.
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Os funcionários teriam recebido R$ 100, cada um, para votar em um grupo de candidatos formado pelo governador Ivo Cassol (PPS), a mulher e o irmão do senador, Val Ferreira e José Antônio, respectivamente. Para o MP, estas ações caracterizam compra de votos.
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Em nota oficial, o senador afirmou que a decisão "infelizmente não condiz com a realidade do que foi apurado no processo e que nunca houve envolvimento dele direto, indireto ou mesmo consentido, com os fatos noticiados".
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O TRE-RO vai comunicar a decisão nesta sexta à Mesa do Senado e ao TSE.

As conseqüências do novo PIB

Por Ilan Goldfajn (*), site do Instituto Millenium

Outro dia descobrimos que o produto interno bruto (PIB) do Brasil é aproximadamente 10% maior. Não é fato desprezível. Afinal, o PIB é a medida do total produzido em bens e serviços, que equivale grosso modo à renda anual do País e é um dos indicadores mais relevantes do bem-estar de uma sociedade (outros seriam a distribuição dessa renda, eliminação da pobreza, meio ambiente, etc.). Quase saí para gastar a parte que me pertence. Mas, antes dessa extravagância, percebi que minha renda ou meus gastos não se tinham alterado, nem meu patrimônio. E o futuro me parecia igual, dependendo do mesmo esforço que pretendia despender antes. Desisti da comemoração. Na verdade, deveria ter desconfiado de ganhos que se originam de alterações nos instrumentos de medição (já ‘emagreci’ muito mudando de balança, infelizmente, sem nenhum resultado prático).

Mas no coletivo essa mudança no PIB traz mais ilusões. O crescimento do PIB nos últimos anos foi maior do que o imaginado. Nos anos 2004, 2005 e 2006 esse crescimento foi revisado para 3,7%, 2,9% e 5,7% (de 2,7,%, 2,9% e 4,9%). E tanto a dívida pública quanto a carga tributária são agora menores como proporção do PIB (este último cresceu, enquanto os primeiros se mantiveram constantes). Esse crescimento não indicaria um futuro mais promissor? Qual é o impacto da nova medida do PIB sobre a trajetória de juros? Como fica agora a dinâmica da dívida pública, calcanhar-de-aquiles da economia brasileira nos últimos anos? O Brasil não vai chegar mais rápido ao grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco?

Houve muita manifestação pública sobre as implicações da mudança no PIB. Um ministro de Estado desejou a todos que desfrutem o Pibão, assim no superlativo. Outro ministro comemorou o início do crescimento sustentado, quase revivendo o slogan ‘espetáculo do crescimento’ do começo do governo. Sobre a política monetária, alguns comemoraram que o combate à inflação tenha tido um custo menor que o imaginado em termos de crescimento. E que a estabilidade de preços, na realidade, tenha trazido mais crescimento do que se supunha anteriormente. Os críticos do Banco Central viram o lado negativo, afirmaram que os dados revelaram que a instituição subestimou o produto potencial da economia e que daria para crescer mais sem inflação. Portanto, havia espaço para juros menores.

É relevante analisar primeiro a natureza da mudança. Houve aperfeiçoamento em vários aspectos metodológicos, que enriqueceram o conhecimento da economia brasileira. Foram incorporadas ao cálculo do PIB informações de outras fontes, como os dados advindos da declaração do Imposto de Renda, o censo agropecuário e a última pesquisa de orçamento familiar (para medir o consumo das famílias), entre outras. Como resultado descobrimos que o setor de serviços ocupa 55% da economia (51% na metodologia antiga). E que o consumo do governo tem crescido acima do esperado nos últimos anos, sendo o responsável por parte considerável da revisão do crescimento.

Cabe analisar o impacto da revisão do PIB sobre aspectos relevantes da política econômica:

Política monetária - Alguns argumentam que a revisão do PIB indica que se estreitou o espaço no futuro para crescimento sem pressões inflacionárias. Mas não há sinais na economia de que estejamos mais perto do crescimento potencial da economia que antes, na medida em que todos os outros dados observados não foram revisados nem alterados. Os dados de inflação (e suas expectativas), o desemprego e outras medidas de grau de utilização dos recursos na economia continuam indicando o mesmo cenário para o futuro. Provavelmente, a revisão dos dados elevou o produto potencial da economia na mesma proporção que o próprio PIB, deixando o hiato de produto (a diferença entre crescimento potencial e PIB) inalterado.

Dinâmica da dívida - A dívida pública como proporção do PIB caiu para 45% (de 50%), o que alguns consideram como indicador de um espaço fiscal mais folgado (isto é, uma queda futura mais acentuada do PIB ou um espaço para redução do superávit primário). No entanto, o esforço fiscal, medido pelo superávit primário, também declinou para 3,9% (de 4,25%) do PIB. Na medida em que o governo já indicou que vai manter a meta de superávit fiscal inalterada (mantendo a queda como proporção do PIB), não há diferenças significativas na dinâmica futura da dívida no Brasil.

Percepção de risco - Na medida em que a trajetória da dívida e a da política monetária deveriam permanecer aproximadamente iguais às anteriores, é de supor que a percepção de risco por parte dos investidores e das agências classificadoras de risco se manteria inalteradas. No entanto, aqui há uma imperfeição no sistema. As tabelas comparativas entre os países dificilmente são homogêneas nas metodologias. Uma mudança de metodologia que venha a melhorar as estatísticas de um país, de fato, será percebida como uma melhora absoluta na economia, e não dentro do contexto de uma revisão estatística.

Em suma, a mudança no termômetro da economia não deveria deixar o paciente mais ou menos saudável. Mas permite uma inferência mais precisa sobre o estado da economia nas áreas em que não há outras informações disponíveis (o que não é o caso da política monetária, em que os dados de inflação, desemprego e capacidade utilizada permanecem os mesmos). E, principalmente, permite uma comparação internacional menos desfavorável ao Brasil em vários aspectos (dívida, carga tributária e crescimento). Seria infeliz que esta mudança estatística louvável levasse alguns a acreditar que as reformas estruturais ou o ajuste no crescimento do gastos públicos fossem dispensáveis para melhorar as futuras condições objetivas (e não só estatísticas) da sociedade brasileira.

(*) Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Investimentos, professor da PUC, e diretor da Casa das Garças.

Uma no cravo…

por Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de SP (*)

Que mês esse de março, hein? Descobrimos que somos 10% mais ricos - pela nova contagem do produto interno bruto (PIB), do IBGE - e que crescemos mais com menos investimentos.

Com a queda do dólar, outro fenômeno do mês, ficamos mais ricos ainda nessa moeda internacional. O PIB já aumentado em reais ainda vale um pouco mais na moeda americana, a que se usa para as comparações internacionais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou: o Brasil já é a oitava economia do mundo.

É pouco. Continuando nessa marcha, se o dólar for a R$ 1, o PIB brasileiro passa folgado dos US$ 2 trilhões e encosta no da França, da Inglaterra, da China. Aí já seremos milionários, entre os cinco mais ricos do mundo.

Já o salário médio real dos brasileiros que trabalham nas seis principais regiões metropolitanas, medida do IBGE divulgada na semana passada, subiu para R$ 1.096,30 em fevereiro. Isso mesmo, uma alta, expressiva, de 6,1% sobre fevereiro de 2006.

O que mostra o valor muito relativo desses números todos.

Pelas novas contas, o Brasil cresceu 3,7% no ano passado, em vez dos 2,9% dos números antigos. Como a taxa de investimento ficou em 16,5% do PIB, ante os 19% anteriores, isso também deu espaço a comemorações: a economia brasileira é mais produtiva, pois cresce mais com menos investimentos.

Verdade.

Mas também é verdade que a economia cresce mais para gerar os mesmos (insuficientes) empregos.

De fevereiro do ano passado para cá - sempre os dados do IBGE - foram gerados 500 mil empregos, elevando para 20,4 milhões o número dos ocupados. Os desocupados permaneceram exatamente no mesmo nível, 2,32 milhões há um ano, 2,32 milhões agora. E é alto o nível geral de desemprego, de 9,9% em fevereiro, mantendo a tendência de uma taxa em torno dos 10%.

Isso significa que a economia está gerando empregos para as pessoas que entram no mercado de trabalho, mas não na quantidade necessária para reduzir o estoque de desempregados. Considera-se, em geral, que a taxa de desemprego de equilíbrio no Brasil seria algo em torno de 5% - metade do que se verifica hoje.

Continuamos, portanto, com o mesmíssimo problema, a baixa capacidade de gerar empregos.

O IBGE trouxe ainda outro dado que permite essa avaliação de uma no cravo e outra na ferradura. O número de empregados com carteira assinada alcançou 54% dos ocupados, um recorde de alta.

Portanto, há formalização em marcha, a boa notícia. Mas isso também mostra que 46% dos trabalhadores continuam nas diversas modalidades de informalidade, sem a sagrada proteção da legislação trabalhista e previdenciária.

Ou seja, reforma trabalhista e previdenciária, para levar alguns direitos e alguma proteção a esse pessoal, continua na ordem do dia.

E as prisões? - Na última sexta, o presidente Lula sancionou a lei que prolonga o tempo de prisão dos condenados por crimes hediondos. Também assinou a lei que considera falta grave o uso de celulares nos presídios.

Muito bem, mas, e a fiscalização? E os presídios?

Não é provocação. Ainda na última semana saíram os números: há 242 mil vagas no sistema prisional para 401 mil presos. Considerando que há 100 mil mandados de prisão não cumpridos, o déficit atual é de 259 mil vagas.

Custo de construção por vaga: R$ 25 mil. Assim, seriam necessários investimentos imediatos de pelo menos R$ 6,5 bilhões, principalmente dos governos estaduais. Mas isso não vai andar sem o apoio e a liderança do governo federal.

Não há dinheiro disponível.

Só para lembrar. Nos Estados Unidos, que têm a maior população carcerária em proporção ao número de habitantes e que conseguiu reduzir os índices de criminalidade, há presídios concedidos a empresas privadas. O setor público paga um tanto por mês por preso e a concessionária tem de entregar o serviço.
Mas eles, lá nos Estados Unidos, não entendem nada disso de segurança, não é mesmo?

Elas por elas - O governo faz superávit primário - uma economia no seu orçamento - para pagar juros e reduzir o endividamento do setor público.

Os três itens, superávit, conta de juros e dívida, podem ser medidos de duas formas: 1) pelo valor absoluto, em reais; 2) pela proporção em relação ao PIB.

Esta última medida é a mais relevante. Considere uma família: se deve 10 e ganha 20, está com sério problema. Se continua devendo 10 e ganha 100, a dívida é quase nada.

Depois da última revisão das contas nacionais, feita pelo IBGE, o valor absoluto do PIB aumentou 10%. Mas o valor em reais daqueles três itens permaneceu o mesmo.

A dívida líquida de todo o setor público fechou fevereiro em R$ 1,076 trilhão. Pelo cálculo antigo, isso representava 49,8% do PIB. Pela nova contagem do IBGE, esse mesmo valor absoluto caiu para 44,6% do PIB.

Obviamente ocorreu a mesma coisa com a medida proporcional do superávit primário: ficou menor. Mas para pagar uma dívida também menor.

O governo federal anunciou na quinta-feira que a meta absoluta de superávit primário deste ano permanece em R$ 95,86 bilhões, mas representando agora 3,8% do PIB (em vez dos 4,25% originais). E isso significa que a política de controle das contas públicas (ou a política de redução do endividamento) manteve o mesmo padrão. Isso porque a dívida pública, que deveria chegar ao final do ano em 47,7% do PIB, já está abaixo dos 45% pela nova contagem.

Se quisesse manter o superávit nos mesmos 4,25% do PIB, o governo deveria fazer neste ano uma economia em torno de R$ 105 bilhões. Disse o ministro Mantega que não vale a pena, porque isso exigiria cortes adicionais de gastos, R$ 10 bilhões. Seria, de fato, muito forte. No Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, estão previstos para este ano investimentos de R$ 1 bilhão em aeroportos.

Mas tem um outro lado. No primeiro bimestre deste ano, as receitas do governo federal, mantendo a tendência dos últimos anos, subiram 13,2% em relação ao mesmo período de 2006.

Ou seja, o ganho de receita pode ser gasto ou pode ser poupado para engordar o superávit primário e matar a dívida mais depressa.


(*) Artigo reproduzido no site do Instituto Millenium

Projeto de TV Pública nasce com viés autoritário

Murillo de Aragão, Blog do Noblat

A posse de Franklin Martins na Secretaria de Comunicação da Presidência da República deu mais clareza ao projeto da TV pública que Lula tem em mente: 1. A equipe responsável pelo assunto trabalha apenas com a decisão de fazer, mas não sabe direito o que fazer; 2. Seu modelo será a BBC de Londres.

Ou seja, como de costume, em vez de lançar uma discussão com base num projeto definido, o PT faz tudo diante da opinião pública, desde o início do processo, o que muitas vezes contribui para dar errado, obrigando ao recuo. Foi assim com o Conselho de Comunicação Social.

A escolha da BBC como inspiração está mais de acordo com a vocação intervencionista do governo, que busca impor ao público seus padrões de comunicação. Isso ocorre justamente quando os ingleses descobrem a necessidade de rever o próprio modelo.

A fórmula americana da PBS parece mais democrática e é considerada padrão de jornalismo de qualidade. O governo financia parte do sistema por meio de verbas previstas no Orçamento (o restante vem do bolso do telespectador), mas não participa da gestão, conduzida por um conselho. Na BBC paga-se ao estado uma mensalidade cara para a renda média brasileira – R$ 534, segundo Franklin.

O tipo de TV pública conduzido pelo governo inglês passou a ser questionado quando a suposta independência da BBC foi rompida em 2003. O repórter Andrew Gilligan ouviu de uma alta fonte da área de inteligência que o governo manipulara o relatório com base no qual o primeiro ministro Tony Blair defendeu a invasão do Iraque. O texto afirmava que Saddam Hussein tinha armas de extermínio.

O governo pressionou o jornalista, ele revelou dados sobre a fonte (rompendo código profissional que a protege) e ela foi rapidamente identificada e exposta è perseguição política. Tratava-se do dr. David Kelly, que acabou se suicidando.

No Brasil, para começo de discussão as empresas de mídia eletrônica lembraram ao presidente que a TV pública já existe: é a rede das 26 emissoras educativas. A julgar pelo tratamento dado às agências reguladoras pelo governo, é difícil imaginar um jornalismo público independente. E sem isso não existe imprensa livre.

Murillo de Aragão é mestre em Ciência Política e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília e presidente da Arko Advice (Análise Política)

Modelo de Chávez nasceu há 15 anos

Brian Ellsworth, Reuters

CARACAS. Até onde o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pode ir com os esforços de instalar um socialismo inspirado em Cuba no país rico em petróleo? A resposta pode ter sido escrita na sua tentativa fracassada de golpe há 15 anos.

Chávez passou mais de uma década conspirando com outros líderes esquerdistas antes da tentativa de golpe que liderou em 1992. Neste período, ajudou a elaborar uma série de decretos para um governo revolucionário e admitiu que queimou cópias do documento antes de ser preso.

O projeto para um governo revolucionário militar agora parece mais um cronograma para movimentos estatizantes, como a nacionalização de indústrias deste ano. Chávez decretou que as petrolíferas estrangeiras devem entregar o controle de projetos bilionários na bacia do Orinoco até o 1º de maio.

Entre suas metas mais ambiciosas está deixar a administração de bilhões de dólares de petróleo nas mãos de novos conselhos comunitários. Esse seria seu maior esforço de redistribuição de poder desde que assumiu o governo, em 1999.

Os críticos dizem que o plano foi elaborado para eliminar políticos rivais dos governos locais, mas o presidente afirma que o esforço tem raízes na ideologia esquerdista do golpe frustrado. "Poder comunitário, um Estado dedicado à justiça social. Tudo isso vem daqueles dias", Chávez costuma dizer aos aliados.

O venezuelano, que descreve Fidel Castro como inspiração, alcançou quase todas as medidas previstas no documento, incluindo o controle da moeda e dos preços. Através de manobras políticas, obteve também o controle do Congresso e a autorização para governar por decretos. A tomada da empresa de telefonia CANTV este ano encontra eco no decreto número 13 do manual do golpe, que pede a suspensão de toda a privatização.

O manifesto de Chávez antes do golpe de 1992, descrito como uma "utopia concreta", é inspirado nas idéias do herói da libertação venezuelana Simon Bolívar. Os decretos, no entanto, são atribuídos a Kleber Ramirez, guerrilheiro e líder do Partido da Revolução Venezuelana, uma divisão do Partido Comunista.

Para o historiador venezuelano Alberto Garrido, os planos revolucionários do presidente foram subestimados:

- Não há grandes surpresas. É uma questão de ler o que já está escrito.

TOQUEDEPRIMA...

A palavra é...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
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Canonizar
Canonizar é incluir no cânone, no rol – no caso, dos santos –, ou seja, pôr o nome na lista, fazer constar do livro. Do latim eclesiástico canonizare, o verbo é aplicado apenas aos ritos católicos, mas a palavra que está em sua origem, “cânone” ou “cânon” (as duas formas são usadas), tem circulação mais ampla. Do grego kanón, “régua de construção, regras de gramática”, o termo chegou ao latim com o sentido de padrão, norma, e por extensão de catálogo, lista de livros virtuosos que a autoridade – religiosa, claro – considerava modelares. Quando se fala hoje em cânone literário, por exemplo, como o que o crítico americano Harold Bloom escalou em seu livro “O cânone ocidental” (Objetiva), usa-se a palavra em sentido laico, mas facilmente compreensível. Deve-se observar, porém, que o verbo não costuma ir junto. Ninguém diria, a não ser com o intuito de fazer graça, que Bloom canonizou o poeta Fernando Pessoa – para citar o único escritor de língua portuguesa arrolado pelo crítico entre os 26 mais importantes do Ocidente.
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Tudo é possível, menos falar a verdade
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A cúpula do Judiciário paulista quer detonar uma juíza que falou além do que deveria.O Tribunal de Justiça de São Paulo abriu processo administrativo disciplinar contra a juíza Maria Cristina Cotrofe Biasi, por conduta ilícita aos deveres do cargo.Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em fevereiro do ano passado, Maria Cristina criticou a decisão do Órgão Especial que absolveu o coronel da reserva Ubiratan Guimarães pelo massacre do Carandiru.
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Na entrevista, a juíza afirmou que a absolvição foi política e sem justificativa.
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“O julgamento dos desembargadores foi esdrúxulo, uma vergonha. Envergonhou o Poder Judiciário. Fiquei perplexa”.

No corporativismo do Poder Judiciário tudo é admissível, menos alguém praticar o crime de falar a verdade. Ao invés de refletirem na crítica e tentar corrigir seus erros, que se puna a quem critica. Assim, não há como o país sair do atoleiro.

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Igreja quer que jovens se envolvam em ações de caridade

SÃO PAULO - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança amanhã o programa Ação Solidária Floresta que Cresce, com duração de 3 semanas e participação de vários movimentos de jovens da Igreja Católica. Carta da CNBB dirigida a todo episcopado no País explica que a proposta "é simples e concreta: encorajar os jovens a se envolverem em múltiplas e variadas iniciativas de caridade e solidariedade social".

Entre as ações sugeridas estão recolher alimentos, roupas e remédios para os pobres, doar sangue, visitar e assistir doentes ou pessoas idosas, visitar presos, construir casas para os pobres e envolver-se em políticas e ações sociais.
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A iniciativa nasceu tendo em vista o encontro que a juventude católica terá com o papa Bento XVI no dia 10 de maio no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
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A CNBB salientou que teve o cuidado de não sobrepor o programa Ação Solidária Floresta que Cresce à Campanha da Fraternidade, cuja coleta ocorreu no Domingo de Ramos. Cada grupo ou organização que promover iniciativas solidárias deverá, até 6 de maio, enviar os resultados numéricos para uma central de informações em São Paulo. Os organizadores desejam entregar uma carta ao papa relatando essa iniciativa da juventude. A carta da CNBB exorta os jovens a se tornarem promotores locais da iniciativa em todo o Brasil.
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Fidelidade estatística

Como se sabe, o IBGE melhorou todos os índices da economia do Brasil a partir de 2005. O governo Lula já está atento para uma possível modificação nos números de 2007. E já firmou posição. O presidente do IBGE, tem que ser ligadíssimo ao Planalto. (RB)

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E o cretino ainda faz “apelos”
Alerta Total
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Ontem, ainda temendo um novo motim nos aeroportos, Lula fez apelo aos controladores:“A única coisa que peço é que, se quiserem fazer alguma coisa, algum protesto, façam, mas não prejudiquem o povo. As pessoas querem viajar, trabalhar e querem o mínimo de tranqüilidade”.
Lula deu uma de suas tiradas demagógicas, admitindo que a insegurança pela crise aérea nos passageiros também o atinge:
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“Eu, como muita gente, tenho medo de andar de avião. Ando porque sou obrigado. Se você já tem medo, essa tensão é elevada à quinta potência, porque você tem os atrasos dos vôos e não tem as informações corretas, ou seja, as pessoas ficam à beira de um infarto”.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Literalmente, Lula esqueceu que teve gente com infarto em aeroporto brasileiro. Como também fez questão de ignorar que seu vôo nunca sofreu atrasos. O Air Force 51 sempre partiu no horário certo, e Lula nunca precisou fazer fila de espera para embarcar. Portanto, não adianta bancar o cínico, porque isto não convence ninguém, bem como não alivia a culpa de Lula em todo este episódio. Melhor do que ficar fazendo pose e falando mentiras, melhor do que ficar bancando o “preocupado”, seria decentemente tomar as providências sérias que o cargo lhe exige. Além é claro, de continuar ignorando solenemente a falta de investimentos que seu governo praticou sobre o setor de controle de tráfego, bem como parar de se intrometer em disciplina militar causando ainda mais confusão.

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Nem aí

Há 16 meses a Receita Federal retém, na Alfândega do Rio, doações do governo de Taiwan para crianças carentes, avaliadas em US$ 300 mil.

É impressionante o que esta tal “Receita” Federal ADORA causar confusão no país. Alguém deveria avisá-los que quem paga seus salários e privilégios é o povo a quem deveriam servir. Pelo contrário, eles simplesmente ignoram de forma cretina esta verdade. Gente medíocre.

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Cortina de fumaça da Anac
Cláudio Humberto

O casamento da filha de Leur Lomanto, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil, não será lembrado só pela festança em pleno apagão aéreo, com baforadas de charuto de Denise Abreu, também da Anac. Em 2006, Maria Eduarda Lomanto foi exonerada de "cargo de natureza especial" da Câmara, por não trabalhar. E pode ser obrigada a devolver o dinheiro.

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Ficaram mal acostumados com o governo Lula

O ministro de Obras Públicas de Angola, Higino Carneiro, reclamou de atrasos no tapa-buracos das cinco empresas brasileiras em rodovias de Luanda, entre elas a Odebrecht e Camargo Correia. Hum...

Pequenos ditadores

André Petry, Revista VEJA

"O debate sobre o aborto é duplamente positivo: porque é democrático e porque é uma chance, ainda que remota, de virar o jogo"

A sugestão do ministro da Saúde, José Temporão, de que o país faça um debate sobre a descriminalização do aborto, seguido de um plebiscito, já teve efeito esclarecedor: mostrou que quando um punhado de líderes religiosos se une a uns petistas desgarrados a coisa acaba num misto de autoritarismo e arrogância. Desde que o ministro disse em público o que todo mundo já sabia – que o aborto é uma delicada questão de saúde pública –, alguns líderes religiosos, aliados a meia dúzia de petistas, ficaram ouriçados e começaram a tentar interditar o debate, censurar opiniões, impedir a palavra. Não querem discussão, plebiscito, nada. O recado que nos mandam é: calem-se, todos.

Na semana passada, sob o comando do deputado Luiz Bassuma, petista da Bahia, líderes católicos, evangélicos e espíritas saudaram a chegada do ministro a Fortaleza com faixas, cartazes e vaias. Têm o direito de se manifestar e defender a posição que bem entenderem. Só que não estavam ali para marcar posição contra o aborto. Mas contra o debate. Dizem que são defensores do direito à vida, mas não respeitam nem o direito à palavra. Querem apenas calar a todos. O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, disse que a convocação de um plebiscito sobre o assunto é "um absurdo". De novo, a idéia é que ninguém se aprofunde ou se esclareça sobre o tema. O recado é o mesmo: calem-se, todos.

A sugestão de um plebiscito é polêmica. Tem gente contra, tem gente a favor. Tem país que mudou sua legislação sobre o aborto por meio de plebiscito, como o caso mais recente de Portugal. Tem país que mudou na Justiça, como os Estados Unidos, onde o direito ao aborto é garantido por decisão da Suprema Corte desde 1973. Pode-se, portanto, ser contra ou a favor do plebiscito. Contra ou a favor do aborto. Mas interditar o debate é coisa de pequenos ditadores, que se julgam em posição de dizer ao país: calem-se, todos.

A histeria autoritária faz parte do truque. Se houver um debate amplo sobre o aborto, ninguém pode prever qual será a opinião majoritária dos brasileiros. Hoje, de acordo com a pesquisa mais recente do Datafolha, 65% querem que a lei continue como está, permitindo o aborto apenas nos casos de risco de morte para a mãe ou de gravidez decorrente de estupro. No plebiscito do desarmamento, as primeiras pesquisas mostravam que a maioria queria proibir as armas. O resultado final acabou sendo o inverso.

O debate é duplamente positivo: porque é democrático e porque é uma chance, ainda que remota, de virar o jogo. Seria ótimo se os brasileiros ampliassem o direito ao aborto. Ótimo para o Brasil e para as brasileiras, sobretudo para as mais pobres. Ninguém desconhece que, com dinheiro, se faz aborto em boas clínicas clandestinas no país. Sem dinheiro, é o caos. Por isso, 220.000 mulheres são atendidas por ano nos hospitais públicos em função de complicações decorrentes de abortos espontâneos ou voluntários. Por isso, é um assunto de saúde pública.

É difícil que haja plebiscito. Mais difícil ainda é que, em havendo, o aborto seja ampliado. Mas, no fim, teríamos ao menos o prazer de dizer: não, não nos calamos.

Caos ameaça vôos no Rio

Sérgio Pardellas e Lorenna Rodrigues , Jornal do Brasil

Relatórios recentes do Centro de Controle de vôo de Brasília (Cindacta-1), obtidos pelo Jornal do Brasil, revelam a situação caótica do setor responsável por controlar o tráfego aéreo do Rio de Janeiro. Faltam operadores no turno de pernoite (das 22 h às 6h), há problemas de comunicação com profissionais que respondem por outras regiões e o sistema de controle apresenta seguidas falhas que, alertam os documentos, podem comprometer a segurança dos vôos em todo o Estado.

Neste ano foram registrados casos em que aviões desapareceram do radar de controle e ocorreu também a chamada "duplicidade de pistas", quando a imagem de uma aeronave aparece duplicada no monitor.

No dia 27 de janeiro, segundo "Relatório de Perigo" redigido por um operador responsável pela região do Rio de Janeiro, uma falha de comunicação "poderia ter culminado em um incidente grave de tráfego aéreo" envolvendo aviões da GOL e da TAF Linhas Aéreas. Havia a informação preliminar de que as duas aeronaves voavam na mesma altitude. Mas, segundo o documento, os controladores não conseguiam identificar a altura exata do avião da GOL.

"Não avistávamos o tráfego do GLO1950. Só passamos a visualizar com o anticolisão. Avistávamos somente algumas pistas primárias", diz o texto.

No mesmo dia, o controlador relata que foi instruído por outro setor a pedir que uma aeronave da TAM mudasse de altitude, de 350 mil para 370 mil pés. Mas o comandante do vôo manteve a altitude, sob a alegação de que seguia orientação de outro controlador. A sorte é que não havia, naquele momento, nenhum aparelho sobrevoando àquela altura.

"O fato aqui descrito é lugar comum. Já foi relatado. É fator contribuinte para incidentes e acidentes."

Em outro "Relatório de Perigo", datado de 8 de fevereiro deste ano, o controlador alerta para a necessidade de mais operadores-radar no turno das 22h as 6h, período em que, segundo ele, o volume de tráfego é igual ou superior aos de outros turnos. De acordo com a descrição, o caso é gravíssimo e exige solução imediata. A situação do setor responsável pelo controle de vôo do Rio de Janeiro, acrescenta, é a mais crítica.

"Tipifico o caso de poucos operadores e a incompatibilidade do tráfego noturno e diurno aos descansos necessários aos controladores como gravíssimo. Sugiro atuações rápidas a este caso. Este relato é mais crítico na região RJ".

No dia 14 de março foi registrado outro caso considerado grave pelos controladores, no setor que cuida dos vôos que partem e desembarcam no Rio. De acordo com relato do supervisor da região RJ, "detectamos em todas as pistas o código asterístico". O símbolo aparece quando os aviões desaparecem do radar de controle. Na linguagem dos controladores, o sistema deixou de avistar o alvo. As falhas nos radares, dizem os especialistas no controle do tráfego aéreo, tornam os vôos menos seguros.

Fatos como esses têm levado o controlador a executar procedimentos alternativos na tentativa de obter maior segurança nos vôos. Por isso, a necessidade de controle do fluxo de aviões em todo o país e os constantes atrasos, justificam.

- Essa situação é uma rotina no trabalho. Nós sabemos que os equipamentos não estão bons e que as frequências não funcionam, enquanto a Aeronáutica continua falando que está tudo perfeito. É um jogo de interesse - disse um controlador de Brasília que trabalha há mais de 20 anos no Cindacta 1, e temendo represálias, preferiu não se identificar.

Os chamados "Relatórios de Perigo" são escritos em papéis timbrados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes (Sipaer). Os documentos, segundo o órgão, devem ser baseados em fatos ou experiências pessoais e não precisam ser assinados pelo controlador, a não ser que haja o interesse de saber quais medidas foram tomadas. O objetivo dos relatos é aumentar a segurança de vôo.

Há também os boletins de ocorrências operacionais que servem para relatar situações de menor gravidade. O JB teve acesso a 10 boletins envolvendo o setor responsável pelo Rio de Janeiro. Dois deles com data de 22 de novembro de 2006. No primeiro, o supervisor da região RJ informa que, quando os radares de Três Marias (MG) e Couto (TO) estavam inoperantes, ocorreram perdas e falhas de detecção no radar em seis quadrículas - subdivisões de setores do radar. No outro, o controlador alerta para a ocorrência da multiplicação de aviões da GOL e TAM. As duas aeronaves apareciam duplicadas no sistema, como se estivessem ocorrendo quatro vôos. As duplicações de pista, informou o documento, podem causar transtornos no espaço aéreo devido porque o controlador deixa de saber qual informação do radar é a correta.

Procurada, a Aeronáutica tentou desqualificar os documentos. Disse que, a despeito da linguagem técnica e do timbre oficial, não teria como atestar a veracidade dos relatórios de perigo, uma vez que eles poderiam ser "escritos por qualquer pessoa".

- O que podemos assegurar é que o controle do espaço aéreo é absolutamente seguro - disse a assessoria do Comando da Aeronáutica.

Anac: tempo recorde liberação para compra da Varig

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atendeu ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concedeu no tempo recorde de uma semana, terça-feira à noite, a autorização prévia para que a Gol adquira a VRG Linhas Aéreas, a nova Varig. A agência não fez qualquer restrição ao negócio.
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A compra da Gol foi anunciada na quarta-feira da semana passada pelo presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, após audiência com Lula no Palácio do Planalto. Na ocasião, Constantino entregou a Lula os documentos relativos ao contrato de compra. Os novos donos da Varig precisavam da aprovação da Anac para fazer a transferência efetiva das ações da companhia aérea.

Na segunda-feira, Constantino também entregou à agência o plano de negócios da nova empresa. Esse documento começou a ser analisado pela diretoria da Anac na reunião de terça-feira à noite. A aprovação do plano de negócios é necessária para que seja homologada a fusão das empresas.

A Gol pagará US$ 320 milhões pela nova Varig, sendo US$ 98 milhões em dinheiro US$ 275 milhões em ações preferenciais da sua própria emissão. A empresa também vai assumir a responsabilidade por R$ 100 milhões de debêntures de 10 anos emitidas pela Varig. A Gol já anunciou que planeja manter as duas empresas concorrentes e promete manter a marca nos mercados doméstico e internacional.

O negócio ainda tem que passar pelo julgamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que avaliará seu impacto na concorrência do setor aéreo. Ontem, a assessoria do Cade informou que a Gol ainda não protocolou a operação nos órgãos de defesa da concorrência.

As empresas têm 15 dias, após a assinatura do documento que caracteriza a venda, para submeter o negócio da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e na Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda e ao Cade. Não há prazo previsto para a operação ir à julgamento do Cade.

Negócios milionários como este são analisados em conjunto pelas duas secretarias para economizar tempo e antes do julgamento do Cade. A legislação antitruste determina um prazo de 60 dias para que o conselho dê a sua palavra final, no entanto, qualquer pedido de informações ou apresentação de dados pelas empresas suspende a contagem do prazo automaticamente, o que significa que a análise pode demorar mais tempo.

Como o governo já apressou a análise da Anac, contudo, é possível que também venha a pressionar as secretarias e o Cade para agir com mais rapidez. Obrigatoriamente, qualquer fusão ou aquisição de empresas que faturam mais de R$ 400 milhões no Brasil ou detém participação de mais de 20% de um mercado tem que ser submetida ao Cade.

BRA
A BRA admitiu ontem que está negociando a compra de novas aeronaves, mas preferiu não dar maiores informações, uma vez que as mesmas estão em pleno andamento. A companhia também não negou que esteja conversando especificamente com a Embraer uma encomenda de 30 a 50 jatos dos modelos 170 ou 190, conforme informou relatório divulgado ontem pelo banco de investimentos Bear Stearns. A companhia aérea confirmou ainda o interesse em obter financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

TAM
O presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, afirmou ontem que a companhia tem interesse nas rotas internacionais da Varig que não estão sendo operadas atualmente. O prazo para encerrar a concessão destas rotas vai até meados de junho. Segundo o executivo, o maior interesse recai sobre as linhas para a Europa, com destaque para Paris e Londres, além desses dois destinos, a empresa também visa a segunda freqüência da Varig para Frankfurt. No caso da América Latina, o interesse está focado no México.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Se você, leitor, desconfiar de que algo de “podre” nesta história toda, fica tranqüilo: sua desconfiança tem razão de ser. Há muita história mal contada, e a suspeita de que o Planalto tenha participação na tramóia toda, não se trata de nenhuma leviandade.

Diretamente, o governo forçou a barra para a VARIG quebrar. Não apenas por fechar-lhe as portas do BNDES, o mesmo financiador que o governo Lula não impõem limites quando se trata de financiar parceiros canalhas do tipo Evo Morales. Mesmo financiador para quem não há limites para financiar amigos suspeitos. E, diretamente, mesmo sendo intimidado judicialmente, se negou a pagar a dívida ainda do tempo de Sarney, de mais de 4,0 bilhões de dólares, sabendo-se que esta dívida representava mais de 50% do passivo daquela companhia aérea. Porém, não se descuidou na cobrança de seus créditos perante a própria VARIG. Além disto, as ações exercidas pela INFRAERO e ANAC contra a VARIG não são apenas desonestas, são criminosas.

Por tudo isso, vale a recomendação para a leitura da coluna do Diogo Mainardi na Revista Veja e aqui reproduzida. Clique aqui e tire suas conclusões. Sem duvida, este é o governo do crime organizado, com altos lucros e gordas comissões. (Clique
aqui)

Governo promete pacote de políticas em telecomunicações

Lorenna Rodrigues , Jornal do Brasil

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem que terminará neste mês um projeto de políticas públicas para o setor de telecomunicações. O plano, de longo prazo, indicará as políticas do governo para questões como a licitação de freqüências para internet banda larga sem fio (Wimax), para a terceira geração de celulares (3G) e outras tecnologias para inclusão digital.

A intenção é evitar problemas como o que ocorreu quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tentou licitar freqüências para Wimax e esbarrou nas políticas de inclusão digital do governo.

- Se um dia a Anatel disse que não nos consultou porque não tínhamos políticas definidas, estava certa, mas agora teremos - disse o ministro, depois de audiência pública no Senado.

Em setembro do ano passado, a licitação de Wimax foi interrompida por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), que contestou os preços mínimos fixados no processo. Antes disso, o próprio ministro havia ameaçado intervir na Anatel para garantir que freqüências fossem separadas para programas de inclusão digital. O novo plano será enviado à Casa Civil, e cada política será executada por de decreto presidencial.

Ontem, Costa também disse que será criado um comitê gestor com a participação da sociedade para o novo projeto de televisão pública do governo. O comitê será responsável pela programação e conteúdo da TV Pública. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que o veículo não será "chapa-branca".

- Gente puxando o saco não dá certo. Temos que divulgar a informação como ela é, sem pintar de cor-de-rosa, mas também sem pichá-la.

TOQUEDEPRIMA...

Lula participa de cúpula na Venezuela
Do G1, com informações da AFP

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que receberá Luiz Inácio Lula da Silva na próxima segunda-feira (16) para lançar a pedra fundamental do complexo petroquímico que será erguido conjuntamente por Brasil e Venezuela.

"Hoje acabam de me confirmar, Lula vem na segunda-feira e vamos colocar a primeira pedra no leste venezuelano para construir um complexo petroquímico entre Brasil e Venezuela", disse Chávez, que não citou o local de instalação do complexo petroquímico (deve ficar em Barcelona, 220 km a leste de Caracas).

A assessoria do Palácio do Planalto informou ao G1 que Lula estará na Venezuela nos dias 16 e 17 de abril, mas não confirmou se o presidente participará do lançamento. Segundo a assessoria, está previsto que Lula participe de asssinatura do acordo para construção do complexo petroquímico.

Lula viaja para Venezuela para participar nos dias 16 e 17 de abril da I Cúpula Energética Sul-Americana, prevista para a ilha venezuelana de Margarita. No dia 16, Lula se reúne com seus colegas sul-americanos, enquanto, no dia seguinte, acontece a reunião da cúpula.

O Brasil, por intermédio da Petrobras, já participa do projeto chamado Orinoco Magna Reserva, junto à estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), para certificar reservas de petróleo extrapesado em uma faixa de 55.314 km².

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Desaprovação sobe na forma de combate à pobreza
Estadão
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A boa imagem e o prestígio pessoal do presidente Lula não influem tanto na impressão do eleitorado quanto ao que vem sendo feito nas áreas sociais, nas quais a pesquisa CNI/Ibope traz até algumas surpresas. Por exemplo, vem aumentando o total de brasileiros que desaprova o modo como o governo combate a fome e a pobreza - justamente a menina dos olhos e razão do sucesso eleitoral do presidente. Esses descontentes eram 30% em setembro de 2006 e subiram agora para 42% (11 pontos menos que os 53% que aprovam). O fenômeno se repete na avaliação das áreas de educação e saúde: os 37% de desaprovação de setembro saltaram para 44% (a aprovação, aqui, é de 52%).
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A percepção das iniciativas adotadas na segurança pública melhorou um pouco, mas a desvantagem do governo continua grande. Em setembro, 68% reprovavam essas políticas. O índice caiu cinco pontos, para 63%, que continua sendo um patamar alto.
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Outras más notícias se registram nas tabelas em que o Ibope pergunta sobre impostos, inflação e meio ambiente. Chegam a 65% os brasileiros que desaprovam o governo na política tributária (eram 68% em setembro). A desaprovação do combate à inflação está em 46% - mas esse índice é melhor que a média histórica, em torno de 52%. Nas políticas contra o desemprego, 55% desaprovam o governo. A política para a taxa de juros é condenada por 57%. Na área de meio ambiente, a desaprovação vence por 50% a 42%.

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Cardápio das Olimpíadas de Pequim tem "bife de ferro" e "fezes fritas"
Do G1, com informações da AFP

cidade de Pequim, que se prepara para receber visitantes do mundo todo durante as Olimpíadas de 2008, já corrigiu ou trocou, desde o ano passado, 6.530 placas de orientação e de localização nas ruas da cidade. Elas tinham instruções escritas em um inglês incompreensível.

A administração municipal vai agora atacar as mensagens erradas em banheiros públicos, museus e cardápios.
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Alguns casos são cômicos, outros são enigmáticos. Há ainda aqueles capazes de deixar qualquer turista embaraçado ou até preocupado, como o restaurante que oferece "fried crap" (fezes fritas) e o local de eventos para minorias étnicas rebatizado de "Racist Park" (Parque Racista).
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"Creio que já progredimos bastante corrigindo as traduções das placas", disse Liu Yang, representante municipal da campanha de recepção aos turistas.

"Estamos nos concentrando em lugares públicos relativos à vida, trabalho, estudo ou viagem de nossos amigos estrangeiros."
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Serão inspecionados 129 museus e inúmeros restaurantes, que, além do já citado "fried crap", estão oferecendo pratos como "cow bowel in sauce" (intestino de vaca no molho), "corrugated iron beef" (bife de ferro ondulado) e "acid food" (comida ácida).

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Salvem as baleias
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Uma notícia causou alvoroço entre os técnicos do IBAMA. O governo dos EUA deu sinais que no mês que vem, durante a 59º reunião da Comissão Internacional da Baleia (IWC), no Alaska, pode vir a apoiar um antigo pleito dos governos do Brasil, Argentina e África do Sul pela criação de um santuário baleeiro no Atlântico Sul. A proposta dos três países, apresentada pela primeira vez em 1999, proíbe completamente a caça às baleias da Linha do Equador até a Antártica, onde existe santuário semelhante.
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A idéia do santuário enfrenta fortíssima oposição liderada por Japão e Noruega. Os japoneses, inclusive, pretendem apresentar na reunião propostas no sentido inverso, ou seja, de expansão das cotas de caça. Um dos alvos do governo daquele país são as baleias jubarte, que está na lista de espécies ameaçadas de extinção pelo IBAMA. Estima-se que existam hoje apenas 25.000 baleias jubarte em todo o mundo. Nos anos 70, a população era de 150.000 dessas baleias.

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Vovó vendia maconha para sustentar seu vício no bingo
Do G1, com agências

Uma senhora de 62 anos, que tinha como único pecado aparente gastar seus trocados no bingo da cidade, foi condenada a três anos de cadeia e a uma multa de 150 mil dólares (320 mil reais). O "probleminha" da vovó é que, para sustentar seu vício pelo jogo, ela vendia droga. Muita droga.

Depois de receber uma denúncia anônima, a polícia do Arizona, nos Estados Unidos, flagrou Leticia Villareal Garcia com a quantidade impressionante de 97 quilos de maconha no porta-malas.
Jurando inocência, a idosa disse ao juiz que não tinha idéia de como todo aquele fumo foi parar no seu carro. Disse também que no dia anterior havia emprestado o carro ao padrinho de seu filho. O advogado alegou que ela foi usada como "mula cega".

Dona Leticia contou também que sempre joga no bingo, e de vez em quando fatura alguns milhares de dólares. Bem mais do que os 275 dólares que ela recebe por mês de uma neta caridosa.

O promotor Doyle Johnstun não engoliu a história. "Ela é viciada em bingo. Isso explica por que uma pessoa tão amável acaba se envolvendo em um crime como esse."

O juiz ia condená-la a 12 anos e meio de prisão, mas o promotor pediu para aliviar a pena - por causa da idade e da ficha limpa da vovó traficante.

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O Sistema Está Nu

Por Adriana Vandoni . Prosa & Política
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O espaço aéreo brasileiro é gerenciado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, responsável também pelo treinamento, fiscalização e execução do controle aéreo e pela defesa aérea brasileira. A INFRAERO é quem administra os aeroportos, 66 dos 81 existentes no país estão sob controle da empresa, além de 32 terminais de carga.
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Mas quem efetivamente executa a função são os Controladores de Tráfego Aéreo, porém, esta profissão não existe no Brasil, não é reconhecida, nem regulamentada. Apenas a atividade existe. Neste ponto começa a salada. A função é exercida por Sargentos da aeronáutica, por civis funcionários públicos estatutários, vinculados a aeronáutica, que são os DACTAs, e por civis, funcionários públicos, CLTistas da INFRAERO.
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Primeiro ponto: se a profissão não existe, como pensar em uma desmilitarização? Não seria melhor antes criar e regulamentar? Essa discussão em torno da desmilitarização ou não é apenas “encheção” de lingüiça.
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O controle aéreo brasileiro tem sido cada vez mais militarizado, não por uma questão estratégica ou natural, mas pela necessidade, para suprir a falta de pessoal capacitado, pois os baixos salários, a estrutura deficiente para o trabalho e a imensa pressão, têm provocado uma grande evasão de profissionais capacitados. Os Controladores que abandonam a profissão, o fazem exatamente no momento em que atingem a experiência plena de trabalho, entre cinco a dez anos de carreira. Este quadro tem se agravado nos últimos cinco anos, com o conhecimento do governo federal.Para suprir essa evasão de pessoal são escalados os Sargentos, que tentam sim realizar um bom trabalho, mas sem a estrutura necessária. Mas eles não têm escolha, recebem a missão de operar equipamentos deficientes, controlam um tráfego além da capacidade e trabalham além da jornada estabelecida pelos organismos internacionais. Os que tentam reclamar ou questionar a situação, são reprimidos, inclusive com punições disciplinares, transferências indesejadas e assim por diante.
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Acontece aqui uma simples distorção de formação. Os Sargentos são preparados e treinados para a defesa do espaço aéreo. É apenas uma questão de foco, não é por maldade ou por irresponsabilidade, apenas e tão somente o foco. Defesa e não Controle.
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Após o acidente que matou 154 pessoas, os controladores do CINDACTA 1 estavam atônitos, perplexos e chocados com o ocorrido, quando um oficial, em discurso para a turma que estava assumindo o setor após o acidente disse: “Chega de choradeira, vamos lá, menos dois pra controlar, ficou melhor!” O oficial não disse isso por insensibilidade, mas porque assim aprendeu que se deve fazer em casos de baixa durante uma guerra. A sua missão é levantar o moral da tropa para que esteja preparada para o próximo ataque inimigo. Só que não estamos em guerra e os controladores não estão em uma missão militar.
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O oficial não está errado, ele cumpre sua missão e coloca em prática seu treinamento. Errado está o governo reativo, omisso, irresponsável, e eu diria até mais, diria que o governo é assassino, pois esperou morrer 154 pessoas para escutar o grito dos controladores. Enquanto isso, o “bibelô” do Ministério da Defesa tenta minimizar a crise dizendo que tudo isso não passa de “rotina” em “países em desenvolvimento”. Conversa fiada. É pura falta de planejamento, compromisso, responsabilidade, competência, etc., etc. e etc. Em mais de sei meses de crise o que vimos foram reuniões, formação de Grupos de Trabalho, “puxão de orelha” do Presidente... nossa, como ele é firme!...tudo encenação. De concreto nenhuma medida foi tomada. O governo está inerte, os passageiros continuam correndo riscos e os controladores, pressionados a aceitar a porca situação de trabalho, são responsabilizados quando algo dá errado.
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As informações acima foram obtidas através de conversas que mantive com controladores, da ativa ou não. E foi durante um dessas conversas que um deles me definiu com a mais absoluta perfeição a situação brasileira: O SISTEMA ESTÁ NU

Divergência sobre câmbio afasta Gomes de Almeida do governo

Fernando Exman, Jornal do Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem mudanças na sua equipe de assessores. Júlio Sérgio Gomes de Almeida deixa a Secretaria de Política Econômica, que será comandada por Bernard Appy, até então secretário executivo da pasta. Ex-ministro da Previdência Social, Nelson Machado sucederá Appy. Mantega disse que não pretende realizar mais trocas. Até a semana passada, havia a expectativa de que Appy e os secretários da Receita Federal, Jorge Rachid, e do Tesouro Nacional, Tarcísio de Godoy, fossem substituídos.

De acordo com Mantega, Gomes de Almeida apresentou pedido de demissão no dia 2.

- Ele prestou relevantes serviços e pediu demissão por motivos pessoais.

O ministro negou que críticas de Gomes de Almeida ao Banco Central, divulgadas ontem, tenham motivado a demissão. O ex-secretário disse que a valorização do real em relação ao dólar, estimulada pelo que classificou de mais alta taxa de juro do mundo, causa desemprego e prejudica a indústria nacional.

- O Júlio já falou como se estivesse fora do governo. Ele já tinha pedido demissão.

Antes de ir para o governo, Gomes de Almeida era diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A indústria de transformação tem sido a maior prejudicada pela queda do dólar. O ministro demonstrou insatisfação com as declarações do ex-secretário. Disse que a atuação do BC está correta. Provas disso, argumentou, são a queda do risco-Brasil, o crescimento da economia, a redução contínua dos juros e a inflação sob controle.

Mantega disse que Appy continuará na coordenação da reforma tributária e fará avançar as reformas institucionais que garantirão o desenvolvimento sustentável do país. Appy já comandou a Secretaria de Política Econômica no primeiro mandato do presidente Lula.

COMENTANDO A NOTICIA: Na verdade, Gomes de Almeida foi e acredito que permanecerá crítico da política cambiam do governo Lula. Tanto ele, quanto nós. Trata-se de uma política pedradora em relação à economia nacional. Tanto é prejudicial em relação ao comércio externo, uma vez que permite a entrada de bugigangas que fecham fábricas e acabam com empregos de pequenos e médias indústrias, quanto tira fora da pauta de exportações produtos tradicionais do país como calçados e têxteis. Além disto, força o Banco Central ao acúmulo desnecessário de reservas.

A crescente valorização da moeda real em relação ao dólar torna-se ainda mais perigosa em decorrência e, segundo Gomes de Almeida, quando combinada com a política de juros. Posição correta ao nosso ver, uma vez que isto é que tem forçado uma entrada excessiva de dólares no país e,esta entrada, mais tem sido em função dos juros do que da balança comercial. É bom lembrar que no financiamento de dívida pública, o ingresso de dólares é desonerado de impostos. Por isso, tem sido praxe vender-se títulos de dívida externa para trocá-los por títulos de dívida interna, por remunerarem melhor. E neste ponto, Gomes de Almeida está absolutamente. Esta tem sido a perversa equação que força a depreciação da moeda americana frente ao real, com as conseqüências danosas para investimentos em produção e manutenção e sobrevivência das indústrias no país, assim como nos tornamos exportadores de capitais para investimentos produtos no exterior além de excelentes exportadores de emprego ...

Cresce "fogo amigo" no governo contra política monetária

BRASÍLIA - O modelo econômico que o Banco Central (BC) usa para calcular as projeções de inflação e definir o rumo da taxa de juros está errado e leva o Comitê de Política Monetária (Copom) a alcançar um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo da meta de 4,5% fixada pelo governo, impedindo uma redução mais rápida dos juros.

Essa avaliação está sendo feita por economistas do governo que defendem a retomada da discussão do processo de queda dos juros pela Câmara de Política Econômica, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo uma fonte envolvida nas discussões, o modelo do BC não reflete o que está acontecendo na economia. "As ações do Banco Central indicam que eles estavam perseguindo uma inflação abaixo da meta", disse a fonte, ressaltando que o importante, no sistema de metas de inflação, é perseguir o centro da meta para dar previsibilidade aos agentes do mercado financeiro.

"Se o BC não persegue a meta, aumenta a incerteza e nunca se sabe se é inflação de 2,5% ou 6,5%", afirma a fonte, em uma referência ao teto e piso da banda dentro da qual a meta pode ser dada por cumprida. A avaliação é que o problema cambial existente hoje no Brasil torna urgente a mudança do modelo para impedir uma desvalorização mais acentuada do dólar frente ao real.

É que o processo de queda lenta da taxa básica, a Selic, influenciado pelo modelo de cálculo das projeções de inflação do BC, acaba atraindo para o País dinheiro de investidores em busca dos altos ganhos proporcionados pelos juros brasileiros.

Esse movimento tem ajudado a derrubar as cotações da taxa de câmbio. "Se o câmbio furar a barreira de R$ 2, temos que estar preparados", disse a fonte. A expectativa é de que a substituição de Afonso Bevilaqua por Mário Mesquita na diretoria de Política Econômica do BC deve favorecer o debate sobre as mudanças.

De acordo com as fontes, o problema mais evidente do modelo do BC é verificado nas projeções de preços administrados, consideradas excessivamente pessimistas pelo próprio mercado. Enquanto os analistas esperam que os preços administrados, como combustíveis, telefones e energia elétrica, subam 3,7%, em média, neste ano, o BC, no último relatório de inflação, divulgado na semana passada, informou que esperava elevação de 4,5%.

Com a correção do modelo, a expectativa é de que a taxa de juros possa cair de forma mais acentuada, sem que o BC precise tomar ações preventivas para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%.

Poupança para os banqueiros

João Baptista Herkenhoff (*), Jornal do Brasil

Noticia a imprensa que R$ 2 trilhões estão aguardando, nos bancos, o resgate de depositantes em cadernetas de poupança.

Esse dinheiro foi usurpado dos poupadores através de artimanhas contábeis do chamado Plano Bresser, concebido pelo banqueiro Bresser Pereira.

Depois de longa espera, os cidadãos prejudicados poderão ser ressarcidos do prejuízo. Mas o prazo para ingressar na Justiça, pedindo a reparação do dano, termina em 31 de maio próximo.

Milhares de brasileiros têm direito ao ressarcimento do golpe de que foram vítimas. A imensa maioria dos lesados é constituída de pequenos poupadores: operários, donas-de-casa, viúvas, crianças cujos pais depositavam nas contas um dinheirinho para que o filho recebesse o valor acumulado quando se tornasse adulto.

O prazo para o poupador procurar a Justiça, a fim de pleitear o dinheiro que lhe cabe, é fatal. Como sou jurista, tenho de usar a expressão "dinheiro que lhe cabe", para me referir a essa quantia a crédito do poupador. Não posso escrever "dinheiro que lhe foi roubado". Porque roubo, para o jurista, é um crime definido pelo Código Penal, em termos rígidos. Exige grave ameaça ou violência contra a pessoa ofendida.

O homem comum, que não está obrigado ao linguajar do jurista, pode chamar isso de roubo, sim.

Pois bem. Para onde irá o dinheiro que não for reclamado pelos poupadores, no prazo determinado?

Por alguns momentos, reconheço-lhe, caro leitor, o direito de dar vazas a sua inteligência e imaginar para onde irá esse dinheiro que você, que não é jurista, acha que foi roubado do poupador.

Ora, ora, adivinhei seu pensamento. Você acha que irá para o Tesouro Nacional. Seu raciocínio é bom.

Ah, sim, você, que está sempre preocupado com os problemas sociais, imagina que esse dinheiro será aplicado em programas em favor de crianças e adolescentes, para evitar que se extraviem nas sendas do crime.

Muito bem, professora. Seu palpite é também digno de elogios. Você está a pensar que esse dinheiro será empregado na educação.

E, finalmente, você, meu amigo, porteiro do edifício onde moro, você que é muitíssimo arguto na capacidade de pensar, embora não tenha concluído o curso primário. Você acha que o dinheiro será empregado no saneamento, pois o bairro onde você mora não tem rede de esgotos.

Infelizmente, todos vocês estão equivocados. O dinheiro que não for reclamado pelos poupadores irá para o bolso dos banqueiros. Exatamente isso. Neste país que, em algumas situações, parece obra de ficção macabra, o dinheiro do povo humilde vai escoar nas gordas contas dos banqueiros.

Acho que nunca vou escrever um romance. Meu estilo não é adequado a esse atraente gênero literário. Mas se algum dia viesse a escrever um romance, o bandido desse romance - suponho que todo bom romance deve ter um bandido - o bandido desse romance seria um banqueiro.

(*) João Baptista Herkenhoff, professor de direito e escritor

O apagão das gravadoras

Jotabê Medeiros, Estadão

Nas últimas semanas, o mundo antigamente conhecido como 'indústria fonográfica' vem experimentando diversos abalos. O 'apagão das gravadoras' aponta para mudanças inexoráveis e definitivas: estão em derrocada os dias de glória e opulência das companhias; xeque-mate na existência do suporte físico da música (o CD); caiu em desuso a figura do diretor-artístico, antes poderoso criador de mitos e tendências; o sistema de comércio de música digital é a nova fronteira, e nela o direito do autor tem sido uma batalha dura e desigual.Estão em queda os altos salários nas companhias de discos, e uma nova geração de executivos substitui os velhos ícones da indústria. Na Universal, caiu na semana passada o lendário executivo Max Pierre, diretor-artístico da gravadora, havia 30 anos no ramo. Baixas vendagens dos últimos discos de Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho, produções de alto custo, teriam culminado na sua demissão.
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Na EMI Brasil, caiu Marcos Maynard e subiu Marcelo Castello Branco (que já passou pela Sony e Universal e a Ibero). A Warner demitiu Cláudio Condé e trouxe Sérgio Affonso, novo comandante da major a partir deste mês.
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Essa luta pela sobrevivência das combalidas gravadoras é visível por diversos sintomas. Entra em cena a queima de estoques, a qualquer custo. Desde a semana passada, a Warner Music Brasil está oferecendo seu conteúdo, no formato digital, a preços promocionais. Mais de 140 mil músicas estarão disponíveis por R$ 1,89, incluídos acervos de jazz, música erudita, pop e rock.
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A EMI Music também foi longe: anunciou esta semana que vai colocar canções à venda no iTunes, o comércio on line da poderosa Apple. Com um detalhe: sem o DRM (Digital Rights Management), a tecnologia que impedia a cópia. O acordo gerou reação ontem da União Européia, que acusa a Apple e as gravadoras de monopólio musical.
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Contra a 'sangria', medidas drásticas. A Universal Music, por exemplo, estuda reduzir drasticamente seu catálogo, de 46 mil tapes análogos. O que é mais alarmante: o resto, o que não coubesse nessa seleção, teria de ser destruído. A empresa confirma. 'Isso é feito regularmente em todas as companhias do mundo e aqui não deveria ser diferente', informou a Assessoria de Imprensa da Universal.'Com a chegada da música on line, esperava-se que o preço do CD caísse, o que nunca aconteceu. A pessoa que gastava todo seu dinheiro em CDs migrou para a internet, que é muito melhor. Mas eu acho que o formato físico, CD e DVD, vai sobreviver para coisas especiais, caixas e edições especiais', disse ao Estado o guitarrista Joe Perry, do Aerosmith, a primeira grande banda a dispor música na rede, em 1994.

Matérias do domingo

TOQUEDEPRIMA...

Faltou reciprocidade

No grande jantar que uniu o PMDB ao presidente Lula, o líder da bancada na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), falou durante quarenta minutos. Começou destacando a importância da união do partido, mas se estendeu badalando o gênio, a arte, a grandiosidade, o brilho, a liderança, a sabedoria e o tirocínio político do Grande Guia do Planalto. Na hora de citar os grandes líderes presentes, Lula lembrou um a um. Mas cometeu a indelicadeza de esquecer exatamente o deputado Henrique Eduardo Alves.

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Mensalão – o retorno
Lauro Jardim, Radar, Revista VEJA
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Um novo inquérito para investigar o mensalão está na praça. Corre em segredo de Justiça. Sua abertura foi autorizada no mês passado pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF, a pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza.

Enquanto isso...
José Dirceu passou os últimos dias no México. Esteve com um dos seus clientes, Carlos Slim, o homem que só tem menos bilhões de dólares que Bill Gates.

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Aeroporto de Congonhas funcionará em três horários

O Aeroporto de Congonhas funcionará em três horários diferentes durante as obras de reforma da pista principal, que está prevista para começar em 14 de maio e deve terminar em 28 de junho. De segunda a sexta-feira, ficará aberto das 5h30 à meia noite, aos sábados das 6 às 23 horas e, aos domingos, das 7 horas à meia-noite. Os horários foram definidos em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado nesta sexta-feira (13).

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FAB: pindaíba e pane seca

O pouso de emergência de aviões Tucano na estrada perto de Boa Vista (RR), provocando o acidente que matou um piloto, pode ter sido causado por falta de combustível. Com a FAB na pindaíba, os aviões teriam sido abastecidos abaixo da margem de segurança obrigatória. O Comando da Aeronáutica negou a possibilidade enfaticamente: "seria precipitado" definir a causa do acidente, já que as investigações não foram concluídas.

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França recomenda cuidados a turistas no Brasil
De O Globo:

"O governo da França elaborou uma cartilha para o turista francês que visita o Brasil, na qual faz uma série de recomendações e alertas, como a orientação para que o visitante ande sempre com uma nota de R$ 50 e a entregue, sem hesitar, em caso de assalto. Outra recomendação é que o francês evite turismo nas favelas do Rio. Os conselhos estão na página da embaixada da França no Brasil.

A cartilha faz alertas sobre como o turista deve se comportar não só no Rio, mas também em São Paulo, Recife, Brasília e Região Norte. O texto pede que o francês seja discreto e evite sinais exteriores de riqueza, como jóias e roupas de valor."

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Breve panfleto a favor dos lixeiros
Xico Sá, NoMínimo
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Os lixeiros estão em greve em SP. Os lixeiros têm sempre razão. Danem-se os motivos “políticos”, se é que existem, danem-se os comentários que dão conta de um certo incentivo patronal. Experimentem um dia manipular os restos e sobras da cidade, experimentem por apenas uma hora meter a mão nas 15 mil toneladas diárias da merda desta megalópole, experimentem sentir o dia inteiro aquele cheiro de laranja podre envenenada.
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Os lixeiros têm sempre razão na história. Qualquer salário é pouco para um lixeiro. Eles deveriam ganhar pelo menos dez salários mínimos. E ainda seria pouco. Porque um lixeiro é mais necessário do que qualquer iluministazinho metido a sábio. Mais necessário do que qualquer executivo. Do que qualquer burocrata do serviço privado ou público. Populismo da minha parte? Pode ser, felizmente não sou da classe média que herdará só o cinismo! Como diria o velho Kurt Vonnegut, no seu “Matadouro 5″, coisas da vida!
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[Post scriptum: a saga do silêncio dos feirantes, prometida aqui para este sábado, vai ao ar neste domingo, com uma baciada de maluquices do Kassab e muitos gritos dos senhores pregoeiros!]
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Newton Cardoso acusado de agressão pela mulher
De O Globo:

"A deputada federal Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG) denunciou à polícia o marido, o ex-governador de Minas Newton Cardoso (PMDB), por agressão física. Em depoimento, Maria Lúcia disse que chegou em casa, no bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte, na quinta-feira, e tentou conversar com Newton, que, segundo ela, estava muito irritado. Ela disse que estava saindo da sala quando foi puxada pelos cabelos e agarrada no pescoço, que tinham marcas de unhas.

A filha do casal, que presenciou toda a cena, socorreu a mãe e foi com ela para o Departamento de Investigações, por volta das 19h de quinta-feira. Maria Lúcia disse aos policiais que não foi a primeira vez que foi agredida por Newton Cardoso. Em outra ocasião, ele a ameaçou com uma tesoura e, em outra briga, seu nariz foi quebrado, disse."

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Saldo positivo, por enquanto
Lauro Jardim, Radar, Revista Veja
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O ex-presidente da Funasa Paulo Lustosa teve uma boa notícia na semana passada. O Tribunal de Contas da União (TCU) aplicou-lhe uma multa de 10.000 reais. A punição foi por causa de uma transferência de 1 milhão de reais para o governo do Piauí quando a eleição já corria solta, em julho do ano passado – o que é proibido por lei. Ao contrário do que parece, foi boa notícia, sim. A ruim é que esse é só o começo. O TCU terá nos próximos meses chumbo muito mais grosso contra Lustosa, recém-afastado da Funasa.

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As injustiças do processo político
Luiz Antonio Ryff, NoMínimo

Em reunião com parlamentares do PMDB, o presidente Lula defendeu o deputado Jader Barbalho (PA) e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), que respondem a diversos processos. Acusado de desvio de dinheiro público, o paraense chegou a ser preso pela Polícia Federal. E Jucá responde a processo sob acusação de oferecer fazendas fantasmas como garantia para empréstimo.- (Eles) São exemplos de pessoas progressistas que foram injustiçadas no processo político.

Realmente, o processo político é mesmo muito, muito injusto.

Sem opinião sobre o aborto

O governo ficará em cima do muro quando o assunto for a descriminalização do aborto.

Foi o que Lula disse aos líderes do governo na Câmara, no Senado e no Congresso hoje, em reunião no Palácio do Planalto.

Quando os projetos que tramitam no Congresso chegarem à votação, o governo não terá posição formada.

- Isso é uma questão religiosa, é de cada um. Em hipótese alguma o governo vai se meter nisso -, afirmou o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE).

COMENTANDO A NOTICIA: Se para o grande público parecerá que o governo se mantém em cima do muro, fica a pergunta: se era para ser isento, por conta do que o governo trouxe o assunto para o debate ?

“Ah, porque o governo se interessa pela população. E isto independe de sua própria opinião”. Balela. Na verdade, o governo do PT está mentindo. A descriminilização do aborto fazia parte do programa de governo do Lula já em 2006. Durante a campanha, quando perceberam a furada, retiraram a idéia do programa. Vejam lá no site do partido. Faz parte de seu programa sim, especialmente da tal “Secretaria da Mulher”... A senhora Feghalli, no Rio de Janeiro, já defende a idéia, oficialmente, há muito tempo. O que fez o Temporão quando assumiu o Ministério da Saúde ? Saiu por aí pregando a necessidade de liberar o aborto no Brasil. O que, na verdade, fez o partido e o governo agora recuarem, e se manterem na defensiva com ares hipócritas de “isenção”, foi a pesquisa divulgada mostrando que aproximadamente dois terços da população brasileira é contrária a liberação da prática criminosa. E também, porque o ministro em solenidades públicas passou a ser hostilizado pela população.

Também seguindo o mesmo raciocínio leio que o jornalista Reinaldo Azevedo, vê neste “recuo” um ato de covardia de Lula, que aliás, não seria o primeiro, tampouco não será o último.

A seguir o pensamento do Reinaldo:

Uma questão de covardia
O Planalto manda dizer que não vai se posicionar sobre a questão do aborto: “O tema é da consciência religiosa de cada um", afirmou o líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Depende da consciência e dos princípios de cada um. Não é uma coisa de governo", desconversa o líder na Câmara, José Múcio (PTB-PE). Conversa mole. O discurso oficial é pró-aborto. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não esconde a sua simpatia. A secretaria da Mulher faz campanha aberta pela descriminação, e o PT tem um documento em que defende a prática e classifica de reacionários e preconceituosos os que a ela se opõem. O que Lula tem é uma brutal covardia política. Não quer comprar briga com ninguém. Por que ele não dá a sua opinião? Comanda um partido majoritariamente pró-aborto e se esconde atrás de uma suposta isenção de estadista. Gostaria de vê-lo realmente dizendo o que pensa, enfrentando corajosamente dois terços dos brasileiros.”

Desembargador estava na mira

Cláudio Humberto

O desembargador José Eduardo Carreira Alvim, preso pela Polícia Federal, brigou com os colegas porque teria sido preterido para presidir o Tribunal Regional Federal, no Rio. Ele era o vice. Alvim é acusado de conceder liminares contra decisões que nem sequer tinham sido tomadas - os "recursos futuros" que estão na origem de sua prisão. Em junho de 2006, mandou liberar 900 máquinas caça-níqueis de casas de bingo de Niterói.

Carreira Alvim também deu liminares em "recursos futuros" para a Cia Siderúrgica Nacional (CSN) e Refrigerantes do Rio de Janeiro (Coca-Cola).

O desembargador preso beneficiou também a fábrica de cigarros American Virginia, fechada pela Receita Federal por contumaz sonegação.

A prisão do ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal do Rio pode revelar laços perigosos de advogados e outros desembargadores com a máfia dos combustíveis e a sonegação.

Irritado por não ser eleito presidente do TRF, Carreira Alvim pediu a palavra no tribunal e acusou um colega de não pagar um aluguel de que era fiador.

A Assembléia Legislativa do Rio deu em 2002 o título de cidadão honorário ao desembargador Carreira Alvim.

COMENTANDO A NOTICIA: Esta é apenas uma pontinha do imenso iceberg. Há muito COMENTANDO A NOTICIA tem enfatizado a necessidade de se investigar a ação de alguns juízes e desembargadores, cujas sentenças têm sido muito mais do que suspeitas.
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Somos críticos contumazes do Poder Judiciário, muito mais por sua lerdeza, muito mais por seu corporativismo e o nepotismo (que de resto encontra-se em todas as esferas de poder público no Brasil), muito mais, também, por sua estrutura palaciana em detrimento de seus serviços que afastam a imensa maioria dos brasileiros. O Poder Judiciário brasileiro tornou-se o abrigo das elites econômicas e políticas do país, não raro muito mais para beneficiá-los com o manto sagrado da impunidade.

Há casos sim de corrupção e de ligações com o crime organizado, mas isto não quer dizer que o Poder Judiciário como um todo esteja infestado por este vírus. Porém, se a Polícia Federal tiver vontade de coibir o crime no país, e por fim as teias que o ligam com o poder público, há sim muitos juízes e desembargadores passíveis de investigação. E o caminho natural, sem dúvida, é partirem das sentenças que são expedidas muitas vezes de maneira estranha em benefício não da lei e da ordem, mas sim para a perpetuação de criminosos em suas práticas.

É desejo de todos os brasileiros terem acesso a uma Justiça digna do nome bem como ela como instituição acaba tornando-se o baluarte na defesa dos direitos e garantias individuais. Portanto, o clima de suspeição sobre a instituição não pode paira em momento algum, para ela não perca sua legitimidade e acabe se afastando de real função constitucional. E a maneira de evitar este mal, é sem dúvida, dela afastando aqueles todos que não estão à altura do papel que o Poder Judiciário deve respeitar e responder. Que a limpeza e purificação do sistema comece e tenha curso livre. Porém, é preciso sempre ter em mente, que não pode a PF ser usada para desmoralizar e enfraquecer a instituição, como é o desejo subterrâneo do poder executivo comandado pelo partido de trambiqueiros. Espera-se que o mesmo vigor investigativo, e isenção e justiça é claro, se faça nos demais poderes, nos quais o que não faltam são criminosos para todos os gostos e fins.

Esquema invencível

Olavo de Carvalho, filósofo , Jornal do Brasil

Quaisquer que sejam as razões dos controladores de vôo - e elas sem dúvida existem - uma coisa é óbvia: no momento em que militares prestam menos obediência a seus comandantes do que a agitadores sindicais, estamos em pleno estado pré-insurrecional, alimentado pelo governo para desmantelar o que resta das Forças Armadas e substituí-las por tropas paramilitares a serviço do Foro de São Paulo.

Quem quiser acreditar na sinceridade do recuo do senhor presidente da República, que acredite. As reservas de crédito desse cidadão parecem aumentar na proporção direta do seu invejável repertório de fintas e rodeios.

A comparação com os dias finais do governo Goulart é puramente eufemística: naquela época a sociedade civil organizada - incluindo a mídia - era maciçamente conservadora, a direita tinha porta-vozes do calibre de um Carlos Lacerda, a Igreja Católica não era comunista, Jango não tinha o respaldo internacional que tem Lula, não havia uma militância esquerdista armada e adestrada com as dimensões do MST e sobretudo as Forças Armadas tinham líderes de verdade, investidos de prestígio histórico.

Hoje a situação da esquerda é tão confortável que já nem mesmo os políticos rotulados de direitistas têm a coragem de fazer ao governo uma oposição ideológica genuína, limitando-se a críticas administrativas menores, com o máximo cuidado de não ferir os preconceitos esquerdistas sacralizados por três décadas de falatório unânime. E mesmo esse direitismo residual, atrofiado, tímido, masoquista, já parece excessivo e intolerável à autoridade imperante, que conta os dias à espera de extirpá-lo como quem corta uma verruga.

Passar para o esquema petista o controle do espaço aéreo é apenas o complemento inevitável da apropriação, já totalmente consumada, do controle do tráfego rodoviário pelas tropas do MST. Fazer isso agora ou daqui a pouco dá na mesma. A técnica da revolução gramsciana é adiar a etapa insurrecional até o momento em que o adversário esteja tão fraco que já nem valha a pena matá-lo. Até lá, é preciso alternar sabiamente a ousadia na ocupação de espaços e o fornecimento de anestésicos para amortecer cada novo escândalo. O timing e o cálculo das dosagens têm sido perfeitos. Até aqueles que se revoltam contra o estado de coisas só conseguem expressar seu desconforto nos termos da retórica esquerdista, infringindo a regra número um da arte do debate - não falar na língua do inimigo - e assim fornecendo à esquerda mais uma vitória ideológica a cada miúda vantagem político-eleitoral que obtêm.

Ditando as regras do jogo, o esquema que nos domina é invencível. Mais um pouquinho de relutância covarde em partir para a oposição ideológica franca, e a oportunidade de fazê-lo terá ido embora para sempre.

Pergunta horrorosa: no momento em que a hierarquia militar é flagrantemente quebrada, onde estão os nossos oficiais ditos "nacionalistas"? Não se diziam os primeirões a defender a honra das Forças Armadas? Por que todo o silêncio imemorial dos sepulcros caiados baixou repentinamente sobre esse grupo de tagarelas incansáveis?

Marte também vive 'aquecimento global'

Da Reuters

Alterações na radiação solar provocam mais nuvens de poeira e fortalecem ventos. Planeta esquentou cerca de 0,65ºC entre os anos 70 e os anos 90.

O planeta Marte enfrenta sua própria versão de mudanças climáticas -- alterações na radiação solar vêm provocando mais nuvens de poeira e fortalecendo os ventos, fenômenos esses provavelmente responsáveis por derreter a calota de gelo do pólo sul do planeta, afirmaram cientistas na quarta-feira (04).

Pesquisadores observam há anos as mudanças na superfície de Marte, estudando pequenas diferenças nos padrões de claridade e escuridão surgidas ali. Essas mudanças na luminosidade costumavam ser atribuídas à presença de poeira, mas, até agora, o efeito dela sobre a circulação dos ventos e sobre o clima não era claro.

Lori Fenton, cientista da Nasa (agência espacial dos EUA), e seus colegas, em um artigo publicado na edição desta semana da revista "Nature", agora acreditam que as variações na radiação verificada na superfície de Marte alimentam os ventos fortes responsáveis por provocar gigantescas tempestades de areia, prendendo o calor e elevando a temperatura do planeta.

Com base nas mudanças na luz refletida pela superfície do planeta -- uma medida conhecida como o albedo de um objeto --, os cientistas concluíram que o planeta esquentou cerca de 0,65ºC entre os anos 70 e os anos 90, o que pode explicar o recente recuo na calota de gelo do pólo sul de Marte.

Na Terra, vários tipos de gases (entre os quais o dióxido de carbono) lançados na atmosfera prendem a radiação infravermelha, provocando o chamado efeito estufa e alterando o clima do planeta. Em Marte, o fenômeno é resultado da poeira vermelha.

A equipe de Fenton comparou os mapas térmicos elaborados nos anos 70 pela sonda Vinking, da Nasa, com mapas traçados duas décadas mais tarde, pela sonda Global Surveyor. Os cientistas verificaram que grandes faixas da superfície do planeta haviam ficado mais escuras ou mais claras nas últimas três décadas.

Essas mudanças no albedo tornaram os ventos mais fortes, o que fez com que mais poeira ficasse em suspensão circulando pelo planeta. A poeira, a seu turno, intensifica ainda mais os ventos, gerando um círculo vicioso.

"Os resultados obtidos sugerem que as documentadas mudanças no albedo afetam as recentes mudanças climáticas e os grandes padrões climáticos de Marte", escreveu a equipe de Fenton. Os cientistas acreditam que as mudanças no albedo devem ser uma parte importante das futuras pesquisas sobre a atmosfera e as mudanças climáticas.

COMENTANDO A NOTICIA: Também somos favoráveis que o homem tenha mais responsabilidade para com o planeta. Que preserve suas florestas, rios e mananciais. Que faça melhor escolhas no momento de usar o solo e cuide de seus oceanos. Que dê tratamento adequado ao lixo. Porém, não somos alinhados às bestas apocalípticas do fim dos tempos.

Inúmeros artigos de especialistas sérios já foram aqui reproduzidos, como também somos críticos severos contra as madeireiras sedentas de lucros e o garimpo irresponsável em sua maioria que destrói a natureza e deixa atrás de si uma natureza morta e condenada.

Nesta questão dos “cientistas” quanto ao aquecimento da Terra, temos, porém, nossas reservas. Na década de 70, lembro bem porque era garoto, a preocupação era justamente contrária a atual. Temia-se pelo esfriamento do planeta, a ameaça era de uma nova era glacial. Sabemos que a natureza vive seus ciclos. E que as variáveis que afetam diretamente seu comportamento nada tem a ver com a falta de juízo dos “çeres humanos” como muitos onguistas estão a espalhar.

A notícia da Reuters acima reproduzida, dá bem conta disto. Marte também vive seu período de aquecimento. E pelo que se sabe lá não atividade humana a corromper as leis naturais e afetando o clima. Trata-se apenas e unicamente da atividade solar. E pergunta-se: parte deste aquecimento na Terra também não seria derivado dos mesmos efeitos que em Marte se verifica? Afinal, é sempre bom lembrar, o sol deles é o mesmo nosso. Portanto, se afeta Marte, por que não afetaria a Terra ? Por isso, um pouco de cautela e reserva é sempre melhor quando se trata de previsões para os próximos cem anos. Afinal, se os caras estiverem errados, qual deles estaria vivo para responder pela besteira que disse e pelo terror instalado?

Corte não impede obra de r$ 14 mi no STF

Agência Estado

Em pleno corte de gastos, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai fazer uma ampla reforma, avaliada em até R$ 14 milhões, para melhor acomodar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e funciona há menos de dois anos em um andar do STF. O governo havia determinado um contingenciamento de R$ 744 milhões no Judiciário, mas o poder anunciou que faria o corte de R$ 217 milhões.

O CNJ, pela proposta inicial, deveria ser um órgão de assessoria, com os conselheiros ganhando apenas uma ajuda de custo a cada reunião, mas seus membros já ganham salários iguais aos do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Conselho foi criado com o objetivo de moralizar e controlar a atuação administrativa e financeira do Judiciário.

A obra ainda não começou, mas funcionários de alguns setores do tribunal que serão atingidos pela reforma estão de mudança para um prédio afastado do centro de Brasília.

O secretário-geral do CNJ, Sérgio Tejada, defende a reforma, alegando que as instalações atuais do Conselho estão muito apertadas e que o prédio que passará por obras tem sérios problemas elétricos. Mas Tejada já antecipa: a reforma de R$ 14 milhões vai resolver o problema apenas provisoriamente.

Ele observou que em breve serão realizados concursos pelo CNJ e pelo STF para recrutamento de cerca de 300 novos servidores para as duas instituições. "Estamos com dificuldades de alojar o pessoal que temos hoje. Imagina a hora que tivermos esse pessoal (do concurso)", afirmou