Brian Ellsworth, Reuters
CARACAS. Até onde o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pode ir com os esforços de instalar um socialismo inspirado em Cuba no país rico em petróleo? A resposta pode ter sido escrita na sua tentativa fracassada de golpe há 15 anos.
Chávez passou mais de uma década conspirando com outros líderes esquerdistas antes da tentativa de golpe que liderou em 1992. Neste período, ajudou a elaborar uma série de decretos para um governo revolucionário e admitiu que queimou cópias do documento antes de ser preso.
O projeto para um governo revolucionário militar agora parece mais um cronograma para movimentos estatizantes, como a nacionalização de indústrias deste ano. Chávez decretou que as petrolíferas estrangeiras devem entregar o controle de projetos bilionários na bacia do Orinoco até o 1º de maio.
Entre suas metas mais ambiciosas está deixar a administração de bilhões de dólares de petróleo nas mãos de novos conselhos comunitários. Esse seria seu maior esforço de redistribuição de poder desde que assumiu o governo, em 1999.
Os críticos dizem que o plano foi elaborado para eliminar políticos rivais dos governos locais, mas o presidente afirma que o esforço tem raízes na ideologia esquerdista do golpe frustrado. "Poder comunitário, um Estado dedicado à justiça social. Tudo isso vem daqueles dias", Chávez costuma dizer aos aliados.
O venezuelano, que descreve Fidel Castro como inspiração, alcançou quase todas as medidas previstas no documento, incluindo o controle da moeda e dos preços. Através de manobras políticas, obteve também o controle do Congresso e a autorização para governar por decretos. A tomada da empresa de telefonia CANTV este ano encontra eco no decreto número 13 do manual do golpe, que pede a suspensão de toda a privatização.
O manifesto de Chávez antes do golpe de 1992, descrito como uma "utopia concreta", é inspirado nas idéias do herói da libertação venezuelana Simon Bolívar. Os decretos, no entanto, são atribuídos a Kleber Ramirez, guerrilheiro e líder do Partido da Revolução Venezuelana, uma divisão do Partido Comunista.
Para o historiador venezuelano Alberto Garrido, os planos revolucionários do presidente foram subestimados:
- Não há grandes surpresas. É uma questão de ler o que já está escrito.
CARACAS. Até onde o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pode ir com os esforços de instalar um socialismo inspirado em Cuba no país rico em petróleo? A resposta pode ter sido escrita na sua tentativa fracassada de golpe há 15 anos.
Chávez passou mais de uma década conspirando com outros líderes esquerdistas antes da tentativa de golpe que liderou em 1992. Neste período, ajudou a elaborar uma série de decretos para um governo revolucionário e admitiu que queimou cópias do documento antes de ser preso.
O projeto para um governo revolucionário militar agora parece mais um cronograma para movimentos estatizantes, como a nacionalização de indústrias deste ano. Chávez decretou que as petrolíferas estrangeiras devem entregar o controle de projetos bilionários na bacia do Orinoco até o 1º de maio.
Entre suas metas mais ambiciosas está deixar a administração de bilhões de dólares de petróleo nas mãos de novos conselhos comunitários. Esse seria seu maior esforço de redistribuição de poder desde que assumiu o governo, em 1999.
Os críticos dizem que o plano foi elaborado para eliminar políticos rivais dos governos locais, mas o presidente afirma que o esforço tem raízes na ideologia esquerdista do golpe frustrado. "Poder comunitário, um Estado dedicado à justiça social. Tudo isso vem daqueles dias", Chávez costuma dizer aos aliados.
O venezuelano, que descreve Fidel Castro como inspiração, alcançou quase todas as medidas previstas no documento, incluindo o controle da moeda e dos preços. Através de manobras políticas, obteve também o controle do Congresso e a autorização para governar por decretos. A tomada da empresa de telefonia CANTV este ano encontra eco no decreto número 13 do manual do golpe, que pede a suspensão de toda a privatização.
O manifesto de Chávez antes do golpe de 1992, descrito como uma "utopia concreta", é inspirado nas idéias do herói da libertação venezuelana Simon Bolívar. Os decretos, no entanto, são atribuídos a Kleber Ramirez, guerrilheiro e líder do Partido da Revolução Venezuelana, uma divisão do Partido Comunista.
Para o historiador venezuelano Alberto Garrido, os planos revolucionários do presidente foram subestimados:
- Não há grandes surpresas. É uma questão de ler o que já está escrito.