Marcos Sakamoto (*) – Brasil Econômico
Nos últimos meses, uma das grandes discussões que ganhou força refere-se aos crescentes indícios de um novo processo de desindustrialização no Brasil. Dois fatores são apontados por economistas e especialistas como os principais impulsionadores deste movimento: o dólar desvalorizado e o alto custo de produção.
Com a taxa de câmbio oscilando na casa de R$ 1,60, concorrer com produtos importados acaba tornando-se questionável. O cenário atual do empresário brasileiro conta ainda com a forte carga tributária, juros altos e elevadíssimos custos internos, como logística, energia etc.
Diante de tantos pontos negativos, torna-se mais vantajoso para as indústrias arcar com os impostos sobre importação e trazer produtos e equipamentos produzidos em outros países.
Os chamados segmentos de média-alta e alta tecnologia são os que mais sofrem com todo este cenário, uma vez que precisam e dependem de inovações. Como representantes do setor de Tecnologia da Informação, estamos atentos a este processo e trabalhando em alternativas para desoneração o setor.
Investir em pesquisa e desenvolvimento é a chave para que possamos ter uma indústria forte e competitiva. Mesmo em momentos difíceis como o atual, buscar manter os projetos voltados para a inovação é a única alternativa para que, no futuro, a nossa indústria não fique novamente ultrapassada e em uma corrida interminável para tentar manter certa competitividade.
No mundo globalizado, as empresas de TI que não inovam acabam condenadas a prestar serviços, cuja demanda foi gerada pelas inovações produzidas por outras empresas. Precisamos reverter este processo. E há medidas possíveis!
Em 2005, por exemplo, para incentivar a produção e o desenvolvimento da indústria de hardware no Brasil, o governo promoveu um processo de desoneração. A chamada MP do Bem, que foi prorrogada até 2014, isenta muitos produtos de informática de impostos como PIS e Cofins.
Com isso, computadores, impressoras, roteadores e outros produtos de informática tiveram o seu processo produtivo barateado e incentivaram a inclusão digital.
Em um momento delicado como este, outros segmentos precisam de medidas semelhantes, com ações que contribuam para desonerar a produção e incentivar o investimento em pesquisa e desenvolvimento.
Para as empresas de TI, uma boa alternativa é buscar os programas de subsídio à inovação.
Internamente, há os recursos disponíveis em instituições como a Finep. Já no mercado externo, é possível aproveitar as iniciativas de cooperação para pesquisa e desenvolvimento, como as chamadas "Plataformas Tecnológicas".
Entre elas, podemos ressaltar a Plataforma Tecnológica Ibero-Brasileira (que visa projetos de inovação entre empresas brasileiras e espanholas) e a BraFIP (Brazilian Future Internet Platform, focada em projetos entre empresas, institutos de pesquisa e universidades brasileiras, em conjunto com instituições equivalentes de qualquer país da União Europeia).
Os projetos de inovação das nossas empresas são a garantia de um futuro mais competitivo e promissor. É preciso mantê-los e buscar apoio para superarmos estes períodos mais delicados da nossa indústria.
(*) Marcos Sakamoto é presidente da regional paulista da Associação de Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro)