Exame.com
Para o ministro da agricultura, Wagner Rossi, o país está pronto para participar da ampliação da oferta de alimentos
Brasil quer participar da ampliação da oferta mundial de alimentos (Cristiano Mariz)
O Brasil destina parte do seu excedente agrícola a 180 países
O governo brasileiro viu com bons olhos o acordo aprovado pelo G20 nesta quinta-feira para tentar conter a expressiva volatilidade dos preços das commodities agrícolas. De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as novas diretrizes não significam controle de preços – possibilidade que chegou a ser cogitada no passado por alguns integrantes do bloco, sobretudo os europeus –, mas sim melhores condições para ampliar a oferta de alimentos.
“Isso (o novo acordo) não significa que venhamos a controlar os preços”, disse o ministro da agricultura, Wagner Rossi. “O único mecanismo que existe para reduzir os preços é ampliar a oferta de alimentos”. Rossi desembarcou em Paris nesta terça-feira para participar das reuniões do G20 – a primeira com titulares das pastas de agricultura de todos os países do grupo, que respondem por 85% da produção agrícola mundial.
A decisão coincide com a posição do governo brasileiro, que é favorável à criação de instrumentos que ajudem a garantir a segurança alimentar. “Estamos dispostos a ampliar a nossa participação na oferta de alimentos, em condições justas, mas sem imposição de barreiras”, argumentou Rossi.
Para o ministro, a especulação é uma das grandes vilãs do alto preço das commodities. “Não se deve deixar pontas soltas porque uma financeirização das commodities pode gerar especulação”, admitiu.
O Brasil tem se destacado pela defesa de uma regulação mais eficiente das transações financeiras que têm como base contratos que envolvem produtos agrícolas, pois estes tendem a aprofundar tendências de alta ou de baixa das cotações que são intrínsecas a esta atividade – em suma, essas operações ampliam a volatilidade dospreços. Da mesma forma, o país é ferrenho opositor de propostas para o controle de preço, como imposição de limites e formação de estoques reguladores, pois esses instrumentos, em última instância, poderiam inibir a produção. Ampliar a oferta é tida pelo governo brasileiro como fator crucial para solucionar a crise existente hoje no segmento.
Outro fator benéfico do acordo ao Brasil é o fato de que o país é um dos poucos do mundo com condições de ampliar a oferta de produtos agrícolas para abastecer o mercado interno e também garantir suprimento a outros mercados. Atualmente, o Brasil destina parte do seu excedente agrícola a 180 países. “Quando há competição justa, o país ganha nove em cada dez disputas”, apontou Rossi.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não há dúvida que o Brasil tem muito o que comemorar. E isto se dá pela excelência da nossa agropecuária, uma das mais competitivas do mundo. Quanto maior for a demanda mundial por alimentos, e esta tendência parece irá se manter por muito tempo, mais o Brasil ganha. Aliás, é o único no mundo com capacidade para ampliar sua atual participação.
Porém, convém o ministro Wagner Rossi ficar atento: se as alterações que parte do governo de que ele participa vingarem, alterando a estrutura do texto do deputado Aldo Rabelo sobre o novo Código Florestal, o país verá esta participação se reduzir drasticamente. E não pensem que a Natureza sairá ganhando, porque até a possibilidade prevista no texto de se reflorestar e recuperar áreas degradadas, irá para o espaço. E muito pouco ainda restará para se ampliar a atual área plantada, dado o engessamento que as alterações produzirão no novo código. Tem gente que prefere comer capim feito boi no pasto, do que alimentos sadios.
Portanto, que o Ministro da Agricultura se precavenha e não caia no truque que se está formando em torno da atividade rural brasileira. Aqui, se a turma do barulho representada pelas ongs picaretas e cretinas espalhadas pelo país, a maioria das quais estrangeiras, que não tem coragem de produzirem o mesmo ruído em seus países de origem, conseguir vingar suas teorias de estupidez e imbecilidade, quem perderá de imediato serão os mais pobres, dada a consequente redução na oferta de alimentos cujo impacto inicial será brutal aumento de preços.