terça-feira, setembro 25, 2007

O Acusador

Jânio de Freitas, Folha de São Paulo
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Além de não merecer maior crédito, porque há muito o próprio Lula já esclareceu que seu estoque de credibilidade era fabricado com bravatas e outras enganações, sua entrevista a "The New York Times" é um insulto ao sistema investigatório e judicial brasileiro, portanto ao país mesmo. Bem que mereceria um processo por falta da compostura obrigatória em um presidente. Ou, para estar na moda, digamos que da falta de decoro presidencial.

É no trecho em que defende José Dirceu, mas não pela defesa em si. Lula: "Não acredito que haja qualquer prova de que Dirceu cometeu o crime de que é acusado".
Ou seja, o Ministério Público no Brasil é incompetente e inconfiável. O procurador-geral da República é incapaz e leviano, porque denunciou sem justificaiva o ex-ministro ao Supremo Tribunal Federal. E este tribunal supremo é composto de ministros irresponsáveis, porque decidiram, com base nos elementos insuficientes da denúncia, pelo processo e julgamento de José Dirceu.
O procurador-geral da República não foi apenas nomeado por Lula, foi por ele renomeado para segundo mandato. Seis dos dez ministros do Supremo (maioria absoluta) foram nomeados por Lula. Logo, as palavras de Lula ao NYT não falam só dos nomeados, também ou sobretudo definem as nomeações e seu autor. Mas nem como confissão pessoal são admissíveis em um presidente, e tanto mais se emitidas para conceituações estrangeiras sobre o seu país.

José Sarney padeceu muito por suas referências à "liturgia do cargo" presidencial. Mas a verdade é que se esforçou muito para cumprir tal dever a rigor. As expectativas eram tantas e justificadas, para o que deveria seguir-se à ditadura militar, que até uma expressão adequada excita os ímpetos da insatisfação. Com Lula tem sido o oposto: não faz esforço algum para respeitar o seu cargo, soltando-se em um palavrório infinito que costuma vaguear entre o grotesco e o desprezível.

O Lula que deprecia o sistema investigatório e judicial brasileiro é o Lula cujo ministro da Justiça é esperado hoje da Europa, onde foi exibir a autoridades do Mônaco várias partes do processo condenatório de Salvatore Cacciola. Para quê? Como comprovações da competência e da seriedade do sistema investigatório e judicial brasileiro que condenou o banqueiro fugitivo. E investigou e vai julgar 40 associados a Lula.

Analistas vêem favorecimento da Argentina à Venezuela

Reportagem de Marcia Carmo para a BBC Brasil apresenta uma análise preocupante: a de que o fechamento parcial em uma unidade da Petrobrás na Argentina tenha a mão pesada de Chavez. E análise é feita por argentinos, portanto, com mais probabilidades de estarem, por estarem mais próximos do governo argentino.

Não há nenhuma surpresa nesta facada de Chavez no “amigo Lula”. O venezuelano sempre esteve por trás do índio boliviano Evo Morales na ação de expropriação da Petrobrás na Bolívia, como também comanda processo de eliminação da estatal brasileira no Equador. Isto não é novidade para ninguém, a não ser para Lula que faz tempo esqueceu-se, em sua política externa, de que o presidente do Brasil é ele mesmo, e que por isto, antes de fazer caridade com o chapéu alheio para quem quer mais que nos arrebentemos, deveria zelar pelo interesse do Brasil, e não ficar fazendo proselitismo com os vizinhos que sempre nos deram uma banana.

Talvez um dia, quando já estiver afastado da presidência e volte à realidade do mundo fora do poder, Lula se convença que, neste quesito, esteve muito longe de honrar a tradição histórica brasileira, ou seja, ser amigo de todos sem alinhamentos ideológicos com ninguém, preservando sempre o maior interesse do país.

Veja-se o caso do gasoduto Venezuela-Argentina. Em que ele nos beneficiaria? Em nada. Apenas utilizaria o território nacional, de ponta a ponta, para desaguar no país portenho. Se Chavez quer vender gás para os argentinos, que ele engarrafe e envie pelo correio. Inadmissível é o Brasil continuar levando pontapé no traseiro, enquanto Chavez vai restringindo cada vez mais a ação da Petrobrás em proveito de sua estatal petrolífera.

Segue a reportagem da BBC Brasil.

Dois analistas políticos argentinos disseram nesta terça-feira, em uma coletiva em Buenos Aires, que o governo do presidente Néstor Kirchner quer evitar o crescimento da Petrobras no país para “favorecer” a Venezuela.

Eles comentaram a decisão da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do governo argentino, que decidiu na segunda-feira fechar de “forma parcial e preventiva” diferentes setores de um depósito de combustível da Petrobras na Província de Buenos Aires.

A decisão foi tomada quando a imprensa argentina informa que a Petrobras “disputa” com a estatal ENARSA a compra dos postos de gasolina da Esso no país.

A ENARSA entraria no negócio numa parceria com a petroleira venezuelana PDVSA, como informaram os jornais argentinos.

“A oposição do governo argentino a que a Petrobras compre a Esso é um fato político concreto”, disse Rosendo Fraga, da consultoria Nova Maioria. “E isso deixa claro que a Argentina, nos assuntos concretos e de seu interesse, está jogando a favor e com a Venezuela”, completou.

Para Graciela Römer, da Römer e Associados, a Argentina depende hoje dos “petrodólares” do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez. “E o governo Kirchner fará de tudo para manter esta boa relação com Chávez.”

Comunicado
Segundo a agência oficial de noticias argentina, a Telam, a decisão da Secretaria argentina contra a Petrobras foi tomada por causa de "derramamentos de hidrocarbonetos e perdas visíveis em tanques de depósito".

De acordo com a agência, em "sucessivas inspeções" foram encontrados dez tanques de aproximadamente 20 mil litros cada um "sobre chão natural", além de 75 outros tambores que também estariam em situação irregular.

A Petrobras divulgou um comunicado, nesta terça-feira, limitando-se a informar que está garantido o abastecimento no mercado argentino e que está intensificando o plano de controle “periódico” no setor para resolver “o quanto antes” as observações das autoridades argentinas.

Para Rosendo Fraga, o episódio com a empresa brasileira confirma que “nos últimos meses” a Argentina está “mais perto” da Venezuela do que do Brasil. Na sua opinião, nos quatro anos e meio da gestão Kirchner, a Argentina manteve um “pêndulo” entre os dois países.

“Mas na hora das decisões concretas, a Argentina joga com a Venezuela”, completou, citando como exemplos as discussões sobre o Banco do Sul e do Gasoduto do Sul, além dos biocombustíveis.

“Hoje, a relação da Argentina com a Venezuela é menos ideológica e mais pragmática. Afinal, a Argentina depende dos petrodólares do governo Chávez”, disse Römer.

Desde que decidiu rejeitar as receitas do FMI (Fundo Monetário Internacional), recordam diferentes economistas do país, a Argentina vem “dependendo” da compra de títulos públicos realizadas pelo governo Chávez.

TOQUEDEPRIMA...

***** Argentina fecha parte de refinaria da Petrobras
BBC Brasil

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do governo argentino fechou nesta segunda-feira, em "forma parcial e preventiva", diferentes setores de uma refinaria da Petrobras, no município de Avellaneda, na província de Buenos Aires.

O motivo, segundo a agência oficial Telam, que divulgou a informação, foram "derramamentos de hidrocarbonetos e perdas visíveis em tanques de depósito".

De acordo com a agência, em "sucessivas inspeções" foram encontrados dez tanques de aproximadamente 20 mil litros cada um "sobre chão natural", além de 75 outros tambores que também estariam em situação irregular.

A refinaria afetada fica no chamado Dock Sud, o pólo petroleiro da Argentina, onde, há poucos dias, o governo também mandou fechar uma refinaria da petroleira Shell.

A medida foi suspensa seis dias mais tarde, depois de a Shell se comprometer a concretizar um plano de investimentos de US$ 60 milhões.

A decisão sobre a Petrobras foi divulgada na noite de segunda-feira e a empresa não tinha divulgado nenhum comunicado ou reação à medida.

O governo argentino não divulgou maiores detalhes. Representantes da Petrobras na Argentina afirmaram que a empresa está analisando a decisão.

Segundo os dois principais jornais econômicos da Argentina, El Cronista e Ambito Financiero, a decisão do governo argentino poderia ter sido motivada pela corrente disputa da compra dos postos da Esso na Argentina. Tanto a Petrobras como a estatal Enarsa estariam interessadas no negócio.

***** Meirelles diz que decisão sobre CMPF é política

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira que a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira) depende de uma decisão política. Por esse motivo, segundo ele, não caberia ao BC entrar na discussão.

"Não há dúvida de que decisões fiscais são, em última análise, de ordem política. Mas tem componente técnico. O setor público tem compromissos fiscais de redução do endividamento para que a economia cresça e para que a carga de juros (impacto dos juros na dívida pública) diminua. Mas a definição sobre quais são os tributos e o nível de tributos e de despesas, são decisão, em última análise, da sociedade brasileira representadas no Congresso e pelo Executivo. Não cabe ao BC entrar nessa análise", disse Meirelles a senadores da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa.

Contudo, Meirelles salientou a importância das decisões sobre os custos e benefícios de determinado tributo, versus outro. Segundo ele, esta discussão é da "maior importância para a população". "Mas está sendo muito bem explorada e discutida", disse o presidente do BC.

***** STF nega voto secreto no Conselho de Ética do Senado

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu contrariamente ao voto secreto nos processos de cassações no Conselho de Ética do Senado. Nesta terça-feira, ela indeferiu mandado de segurança impetrado pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), que tentava manter o sigilo. O senador é um dos mais fiéis defensores de Renan Calheiros, que enfrenta ainda três processos de cassação.

"É absolutamente urgente e inadiável a concessão, que se conserve o direito do impetrante de se manter sob sigilo o teor do seu voto quanto às conclusões alcançadas pelos relatores nas representações dois, três e quatro (contra Renan) de 2007, bem como nas futuras deliberações", tentou argumentar Lima.

Na próxima quarta-feira (26.09) o Conselho de Ética vai definir se reunirá os três processos contra o presidente do Senado em uma única ação ou se manterá a tramitação individual de cada um.

***** Deputados aprovam prorrogação da CPI do Apagão

Os parlamentares da CPI do Apagão Aéreo na Câmara aprovaram o requerimento apresentado nesta terça-feira pelo PSDB, que pede a prorrogação das apurações por mais cinco dias. O pedido ainda precisa ser aprovado pela presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

"Acredito que o Chinaglia não vai querer ficar com o ônus de a CPI ficar sem relatório. É improvável que isso aconteça", afirmou o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O argumento dos tucanos era de que os parlamentares não teriam tempo hábil para votar o relatório final, visto que foi concedido um pedido de vista ao texto.

O prazo final da CPI estava previsto para o dia 30 deste mês. Pelo regimento interno da Câmara, o presidente da CPI, Marcelo Castro (PMDB-PI), é obrigado a conceder o prazo de duas sessões ordinárias para a votação do relatório. Por isso, a CPI poderia ficar sem a votação do texto.

"A alma de nossa CPI é o relatório, então temos que fazer um apelo ao presidente Chinaglia para que ele autorize a prorrogação", disse Castro.

Marcelo Castro: é melhor esperar sentado. Esta não é e nunca foi a prioridade de Chinaglia. A linguagem deles hoje é a CPMF a qualquer preço, e a impunidade para os companheiros e governo a qualquer custo e esforço.

***** Relatório de CPI não indicia diretores da Anac

O relatório final da CPI do Apagão Aéreo na Câmara não pede o indiciamento dos diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) por responsabilidade na crise da aviação brasileira. Contrariada, a oposição pediu vista ao relatório e ameaça apresentar um documento alternativo.

O relator, Marco Maia (PT-RS), alega que faltaram elementos que comprovassem a culpa dos ex-diretores e diretores da agência. "Esse relator entendeu que deveria encaminhar ao Ministério Público Federal pedido para instaurar processo investigatório para aprofundar a investigação e determinar com precisão a responsabilidade coletiva dos membros da Anac, quando da ocorrência dos fatos em destaque no relatório, bem como de funcionários envolvidos na elaboração da norma", afirmou Maia, que reclamou da falta de tempo para colher os depoimentos necessários.

O relatório desagradou a oposição. PSDB e DEM analisam a possibilidade de apresentar um relatório alternativo no próximo dia 5 de outubro, quando vence o prazo extra concedido para prorrogação dos trabalhos. "Esse relatório é de uma frouxidão que eu nunca vi na minha vida", disse o deputado Vic Pires (DEM-PA). "Isso é uma das maiores pizzas dessa CPI. Não podemos permitir uma coisa dessas", completou o deputado Efraim Moraes Filho (DEM-PB).

***** Tasso: "Sem o fim do voto secreto, não tem negociação"

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que a oposição não aceita fazer acordo para desobstruir as pautas do Senado se não houver compromisso em aprovar o fim do voto secreto. "Sem o fim do voto secreto, não tem negociação", advertiu Tasso.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que primeiro deve ser discutido o projeto que deixa a sessão aberta e não secreta. Só depois é que deveria começar a discussão sobre o fim do voto do secreto. No entanto, Jucá afirmou que a proposta que prevê o afastamento da Mesa Diretora para quem responde a processo deve ser vista com muito cuidado. "Temos que fazer uma triagem", declarou o peemedebista.

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) disse que não haverá diálogo sem que os dois projetos sejam aprovados. "Qualquer acordo passa pela votação das propostas", afirmou Agripino.

Governo inicia fracionamento político da Petrobras

Blog do Josias de Souza
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Derrotado nas urnas de 2006, quando disputou uma vaga no Senado, o petista José Eduardo Dutra (SE) ganhou nesta segunda-feira (24) um consolo de luxo: assumiu a presidência de uma das subsidiárias mais importantes da Petrobras, a BR Distribuidora. Vai gerir a maior rede de distribuição de combustíveis do país –7.200 postos de espalhados por todos os Estados.

Com a posse de Dutra, deflagrou-se o processo de fracionamento político da petrolífera brasileira. No caso da BR (faturamento de R$ 48 bilhões em 2006), a disputa arrastava-se desde abril. Nacos da Petrobras vão ao balcão no instante em que o governo empreende no Congresso uma cruzada para renovar, até 2011, a CPMF.

Em seu retorno à empresa, o petista Dutra, que presidira a estatal nos primeiros anos do governo Lula (2003 a 2005), desalojou Maria das Graças Foster, transferida da BR para a diretoria de Gás e Energia, em substituição a Ildo Sauer.

A posse do político Dutra foi aberta e concorrida. A nata política de Sergipe voou para o Rio de Janeiro, onde a Petrobras está assentada. Integraram-se à caravana do presidente da Assembléia Legislativa sergipana, Ulisses Andrade (PSDB), ao governador do Estado, Marcelo Déda (PT).

Já a posse da engenheira química Maria das Graças ocorreu a portas fechadas. Ela não deu entrevistas. Divulgou-se apenas uma nota. Ildo Sauer, desalojado da diretoria de Gás e Energia depois de comandá-la por quatro anos e meio, perdeu o cargo para Maria das Graças num instante em que se encontra em férias. Despediu-se das funções, na semana passada, por meio de uma carta vazada em tom lamurioso.

O balé político imposto à Petrobras terá novos movimentos nos próximos dias. Premiado com Dutra, o PT deve perder a estratégica diretoria de Exploração e Produção, hoje comandada por alguém que traz o símbolo do petismo enganchado no nome: Guilherme Estrela. Na cadeira de Estrela, deve ser acomodado um apadrinhado do PP, Paulo Roberto Costa, hoje diretor de Abastecimento.Com o deslocamento de Paulo Roberto, urdido pelo Planalto a contragosto da cúpula do PP, a diretoria de Abastecimento não ficará às moscas por muito tempo. Deve ser ocupada por Alan Kardek. Momentaneamente alojado na assessoria da presidência da Petrobras, Kardek é o preferido do PTB do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais).

Não é só: na semana passada, no calor da votação, em primeiro turno, da emenda do imposto do cheque, o Planalto conteve uma rebelião da bancada de deputados do PMDB com uma promessa. Assumiu o compromisso de nomear para a diretoria Internacional da Petrobras, ora chefiada por Nestor Cerveró, um protegido da bancada de deputados do PMDB de Minas Gerais, João Augusto Fernandes.

Em meio às mudanças, sobrevive na presidência da Transpetro, fingindo-se de morto, o ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE). Foi plantado ali, ainda nos tempos de vacas gordas, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cujo prestígio está a caminho do brejo.

O rateio político dos cargos da Petrobras é a face mais nefasta das negociações que mantêm, à custa da distribuição de verbas e cargos, a unidade dos partidos associados ao consórcio governista. O organograma da maior estatal brasileira, com negócios em 27 países, é servido na mesa das barganhas, para aplacar o apetite de congressistas que, sob ameaças de rompimento com o governo, estão sempre pleiteando, exigindo, querendo mais e mais.

Um fenômeno que Dutra, o novo presidente da BR Distribuidora, considera normal: "Desde que a Petrobras existe, sempre a presidência, os diretores, têm o respaldo do governo que está governando. E os governos têm apoio de partidos políticos. O atual governo é de coalizão, e não vejo nenhum problema que estes partidos sejam representados na máquina."

Nesse xadrez macabro, o preparo técnico do indicado –e muitos até o tem—importa menos que sua vinculação ao partido patrocinador da indicação. Era assim nos vários governos que precederam o atual. Sob Lula, continua sendo assim. O que move os partidos? Decerto é o patriotismo, o desejo irrefreável de servir ao país.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Esta é uma das razões pelas quais petistas foram contrários aos processos de privatização das estatais. Pra eles, era a garantia líquida e certa de contarem sempre com uma boca rica a alimentar a sua sede de poder, e se vê poder vagabundo, dos mais ordinários, porque regado a mamatas com amplos benefícios, sem concurso, sem qualificação, sem precisarem sequer trabalhar, porque o Tesouro, leia-se a sociedade, cobriria os déficits e prejuízos provocados pela má gestão fruto da irresponsabilidade e incompetência endêmicas com que sempre se revestiram.

Para esta “categoria” empresa estatal é só aliciar companheiros, não foi feita para dar lucro muito menos para produzir resultados. Não foi à toa que todas as estatais privatizadas, depois em poder da iniciativa privada, passaram a dar resultados e lucros estupendos, porque geridas com competência, zelo e responsabilidade e por pessoas que lá estavam não para se servirem em proveito próprio, mas sim para cumprirem com a função de gestores com responsabilidade social e empresarial.

Outra coisa por exemplo Hugo Chavez não faz em relação a estatal venezuelana do petróleo. A empresa está afundando cada vez mais, em razão do uso canalha com que o aprendiz de ditador conduz os negócios daquela companhia. E sempre guiado pelo proveito político pessoal.

Desemprego seguro e uma justificativa delinqüente

Técnicos do governo atribuem ao aumento do número de pessoas que trocam de emprego para botar a mão no FGTS já com perspectiva de rápida recolocação, a projeção de crescimento dos gastos com o seguro-desemprego em 52% até o final do governo Lula, em 2010. A conta vai chegar a R$19,5 bilhões.

Ah, mas esta conta não fecha, mesmo ! O governo está tentando aplicar mais uma desculpa esfarrapada e da pior maneira possível, isto é, apelando para a delinqüência. Senão, vejamos: olhem para as estatísticas dos empregos com carteira assinada como cresceram nas contas do governo. Ora, para receber o seguro-desemprego a pessoa não pode ter a carteira do trabalho assinada pelo período mínimo de seis meses, certo ? Ora, a ampliação de empregos formais não fecha e não combina com o aumento do seguro-desemprego. Se mais gente está sendo empregada com carteira assinada, a tendência natural seria que houvesse queda no seguro desemprego, e não ao contrário, como está ocorrendo, e de maneira absurda como está acontecendo em 2007. Assim, se o seguro desemprego está aumentando fantasticamente, é sinal de que o desemprego está aumentando e não de modo inverso como apregoa o governo federal. Que possa haver algum esquema de colossal safadeza por detrás do aumento ds benefícios pagos, até pode ser, conforme comentamos ontem. Mas pelo caminho cretino que o governo está tentando justificar.

Brasil, um País de todos. Mas só na lei

O Tribunal Regional Federal da 2ª. Região manteve decisão da Justiça Federal do Rio, obrigando a União, o Estado e o município do Rio a fornecerem de graça o remédio Kaletra e outros utilizados no tratamento da Aids, reivindicados por um grupo de soropositivos. O Rio e a União alegaram não ter o dever legal de dar o remédios gratuitamente, mas prevaleceu o artigo da Constituição Federal: "a saúde é direito de todos e dever do Estado", e que cidadãos com poucos recursos financeiros têm direito a tratamento médico eficaz e gratuito.

Eis aí uma das razões para a saúde pública no país haver regredido tanto. O programa implantado por José Serra, no governo FHC elogiadíssimo no mundo inteiro, não discriminava quem quer que fosse, bastando que o benefício fosse concedido o cidadão ser soro-positivo. E ação do governos federal e do Rio é tão desumana que sequer merecem crítica. Merecem o repúdio mesmo. Menos mal que a Justiça desta feita fez vingar a lei constitucional. Quando a Justiça funciona, de forma equânime, atenta ao espírito da lei, quem ganha é país como um todo. Pena que nem sempre seja assim. Pena mesmo!!!

Discurso otimista abafa Amazônia real

Alceu Luís Castilho

Emocionado, índio não consegue impor uma fala crítica. Governo fala mais alto no Encontro dos Povos da Floresta.

O representante dos povos da floresta, Jecinaldo Sateré-Maué, bem que tentou impor um tom crítico. Em sua fala emocionada, na abertura do II Encontro Nacional dos Povos da Floresta, ele se dirigiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse:

– Ainda há violência, grilagem e destruição de florestas, da mesma forma que acontecia, senhor presidente, quando o senhor conheceu Chico Mendes.

O líder seringueiro foi um dos organizadores do I Encontro Nacional, em 1989, realizado meses após a sua morte. Foi citado por todos os participantes do evento inaugurado nesta terça-feira, no Teatro Nacional em Brasília.

À fala do representante da Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), uma das organizadoras do evento junto com o Conselho Nacional dos Seringueiros e o Grupo de Trabalho Amazônico, seguiu-se uma leitura de poesia, por um secretário do Ministério da Cultura, e apresentação de músicas indígenas, por Cláudia Tikuna e sua banda.

– Nós vamos preservar a nossa Amazônia, custe o que custar – avisou a artista. – É a terra dos nossos antepassados, que permitiram que a gente estivesse aqui.

Antes, no fim de seu discurso, Sateré-Mawé dissera, mostrando uma frase escrita em sua camiseta: “A natureza é maior que qualquer dinheiro”.

Mas a ministra Marina Silva e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os oradores seguintes e finais, pintaram uma Amazônia quase cor-de-rosa. Exaltaram a demarcação de 10 milhões de hectares de terras indígenas e a diminuição do desmatamento. O único momento em que Lula pareceu identificar algum inimigo, este estava no exterior, de o onde o presidente acabou de chegar, após visitas oficiais:

– Tenho me recusado a aceitar a lição de qualquer governante que diga ao Brasil o que fazer para preservar suas florestas.

Os discursos tiveram as tradicionais brincadeirinhas de Lula e a fala elegante de Marina, que exaltou a visibilidade dos povos da floresta como uma das conquistas dos últimos 20 anos.

Mas em nenhum momento as autoridades fizeram referência aos vilões da floresta: madeireiros, ou plantadores de grãos e soja (citados no discurso de Sateré-Mawé), grileiros ou assassinos de camponeses e índios.

Explica-se. Em sua fala, o líder indígena deixou claro:

– O Brasil não é apenas vítima da mudança climática (um dos temas centrais do evento). Realiza uma grande emissão de carbono, incêndios, desmatamentos.Pouco antes, apontara:

– As obras de infra-estrutura ameaçam a integridade física dos nossos territórios e a perspectiva de desenvolvimento sustentável.

Mudou muito o clima desde Chico Mendes.

A Petrobras segura o preço dos combustíveis.

ATÉ QUANDO ?

Denise Campos de Toledo, Redação Terra

A economia mundial mais uma vez vive o dilema de conviver com preços explosivos do petróleo. Mais recentemente, as cotações, que ultrapassaram a recordista marca dos US$ 80 o barril, foram pressionadas por fatores climáticos, especialmente nos Estados Unidos. Mas o fato é que há, novamente, uma disparidade entre oferta e demanda, que não deve ser equacionada a médio prazo, e pode colocar os preços em patamar ainda superior. Não são poucos os analistas que já consideram bastante provável a cotação entre US$ 85 e US$ 90 o barril para o final do ano.

Vários fatores agem nesse sentido. A oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) inferior à demanda, mesmo com a recente decisão de ampliar a produção diária, justamente, para tentar calibrar os preços em patamar um pouco mais baixo. Na prática, apenas um pouco mais baixo mesmo, já que tem se revelado insuficiente para atender ao consumo crescente, onde mais uma vez, assim como no caso de outras commodities, o crescimento chinês também tem tido papel relevante.

Os Estados Unidos, independentemente das pressões decorrentes de fatores climáticos, como a estação de furacões, lidam com estoques menores e perspectivas de aumento do consumo, até em função da esperada reação da atividade econômica, a partir da mudança da política de juros pelo Federal Reserve. A expectativa é que juros menores possam estimular um crescimento econômico mais acelerado, o que implica aumento do consumo, em geral, e também do petróleo.

As questões políticas sempre presentes continuam contribuindo para pressões adicionais de preços, sendo hoje o Irã um dos principais protagonistas nesse sentido, pelo impasse em torno do programa nuclear do País e possíveis retaliações contrárias.

A economia mundial tem mostrado uma boa resistência às pressões de preços do petróleo. Basta lembrar o temor da época em que as cotações ameaçavam romper o então teto dos US$ 60 o barril. Esse patamar já ficou bem pra trás, nem por isso o mundo viveu pressões inflacionárias mais fortes ou mesmo sobre o nível de atividade. Os alimentos representaram preocupação maior e o crescimento econômico manteve níveis muito satisfatórios.

O Brasil não sentiu os efeitos, até por contar com o álcool combustível como uma alternativa cada vez mais forte ao consumo dos derivados do petróleo. Além disso, a Petrobras mantém a política de não repassar as oscilações externas, pelo menos para os combustíveis que teriam maior impacto sobre o andamento da inflação, como a gasolina.

Essa política pode ser mantida agora. Até o Copom, na ata da última reunião, voltou a considerar a possibilidade de não ocorrerem reajustes dos combustíveis neste ano. Mas até quando dá pra contar com isso, diante das previsões não muito otimistas quanto à evolução dos preços no exterior? A não ser que haja uma mudança importante nos ritmos de expansão da oferta e da demanda, é bem possível que o País tenha que administrar algum reajuste em 2008.

E nesta questão do equilíbrio entre oferta e demanda, não se pode descartar alguma desaceleração do crescimento dos Estados Unidos e de outras regiões, como a Europa. Mas, nesse caso, o Brasil ainda teria outros efeitos colaterais negativos. O comércio exterior do Brasil depende muito da expansão do comércio internacional.

Como se vê, a crise do setor imobiliário americano não é a única nuvem que se pode ver no cenário externo internacional.

Biopiratas saqueiam riquezas da Amazônia

Chico Araújo, site Agência Amazônia

Biopiratas agem clandestinamente na Amazônia. Coletam solo, àgua, essências de plantas e microorganismos.

Biopiratas alemães, norte-americanos, holandeses e de várias regiões da Europa estão entrando clandestinamente na Amazônia para fazer bioprospeção de solo, água e a coleta ilegal de essências de plantas e de microorganismos. Eles ingressam no território brasileiro a partir da cidade colombiana de Las Piedras, localizada nas imediações da Vila Bittencourt, que fica entre as sedes dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, no Amazonas. O Exército mantém um pelotão na região.

Os biopiratas utilizam os rios Putumayo e Caquetá, em território colombiano, para ingressar no Brasil. Após cruzar linha de fronteira da Colômbia com o Brasil, esses grupos usam lanchas voadeiras para navegar e fazer tranqüilamente suas prospecções às margens dos rios Japurá, Iça e Juruá, no médio Solimões.

A ação dos biopiratas foi relatada, ontem, com detalhes à Agência Amazônia, pelo zootecnista José Leland Juvêncio Barroso. Analista ambiental do Ibama cedido ao governo do Amazonas, Leland conta que, nos últimos dois anos, houve um crescimento do tráfego de estrangeiros ao longo dos rios da região. Segundo ele, isso ocorreu após o governo da Colômbia intensificar o abate de aviões suspeitos na fronteira com o Brasil.

“Antes, eles ingressaram no Brasil em hidroaviões, se embrenhavam na selva por vários dias e saiam daqui lavando tudo que o que queriam”, recorda Leland. Hoje, com medo de terem seus aviões abatidos, os biopiratas mudaram de tática. Utilizam os rios e se valem da pouca fiscalização em vários pontos da fronteira brasileira para coletar o que bem entendem.

Rastreamento Segundo o relato de Leland, a ação desses grupos não tem se limitado somente à coleta de material genético da Amazônia. Eles fazem o rastreamento por GPS (Global System Position) de áreas com indício de jazidas de minérios e fazem filmagens nesses locais. Peixes ornamentais da região estão sendo contrabandeados em grande quantidade via Colômbia.

“Nesse imenso vazio geográfico, que é a fronteira do Brasil com a Colômbia, a pessoa faz hoje o que bem entender e a hora que quiser, porque não há fiscalização dos órgãos federais”, diz José Leland. Ele conta, por exemplo, que a pessoa navega até três pelos rios da região sem encontrar uma moradia.

Para mudar esse quadro, o zootecnista diz que a solução é a intensificação das operações de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal (PF) na região. “Hoje, essas operações têm sido muito esparsas, o que deixa os biopiratas bem à vontade para agir”, lembra.

Exército em ação
Depois de informado sobre o caso, o Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus (AM), garantiu que o Exército está atento a toda e qualquer movimentação suspeita naquela região da fronteira. Segundo o chefe do Centro de Comunicação Social do CMA, tenente-coronel Alex Vander, a denúncia de Leland é muita grave e será averiguada em conjunto com a PF.

Segundo o coronel, toda vez que surge um fato como esse o Exército aciona a Polícia Federal, já que o controle da presença de estrangeiros em território brasileiro é atribuição daquela força policial. Além de avisar a PF, o Exército ainda apóia as operações do órgão, fornecendo aviões, veículos, lanchas e até pessoal.

O coronel Alex Vander garante que é praxe do Exército auxiliar os demais órgãos de seguranças e fiscalização sediados nas regiões de fronteiras. “Fazemos isso porque temos consciência do importante papel da Amazônia para o Brasil e o mundo”, ressalta o militar. E acrescenta: “Os brasileiros de fora da região precisam conhecer melhor a Amazônia, e também defendê-la”.

ENQUANTO ISSO...

Piratas da Amazônia
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Biopiratas alemães, americanos, holandeses e de outros países da Europa entram clandestinamente em lanchas voadeiras no Brasil para a prospecção de solo, água e coleta ilegal de essências de plantas e microorganismos, denunciou ao site Agência Amazônia (www.agenciaamazonia.com.br) o zootecnista do Ibama José Leland Barroso. Eles evitam abate aéreo do governo colombiano entrando pelos rios Putumayo e Caquetá, de onde contrabandeiam peixes ornamentais. Também rastream por satélite e filmam jazidas minerais. O Comando Militar da Amazônia garantiu que "está atento".
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Enquanto isso...
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La Nación diz que "privatização" da Amazônia é boa notícia.

A intenção do governo brasileiro de regulamentar a exploração privada em partes da floresta amazônica foi bem avaliada pelo diário argentino Lá Nación. Na edição desta terça-feira, o jornal afirma que as concessões "podem ser uma boa notícia".
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Segundo o texto, "a falta de desenvolvimento nas regiões da selva termina fomentando a destruição". "Por isso se licitarão áreas da selva. O trabalhador sem emprego ou renda se converte em mão de obra para operações ilegais. Quando manter a selva de pé é um bom negócio, a destruição se detém. O ambientalismo pragmático talvez seja mais eficiente do que as utopias", conclui.A reportagem comenta que o governo brasileiro pretende arrendar, nos próximos meses, 220 mil hectares no Estado de Rondônia. "O grande problema da Amazônia é a falta de fiscalização", afirma o jornal. "Por isso, 70% do arrecadado com a licitação se destinará aos órgãos de fiscalização da selva. Segundo o Greenpeace, cada fiscal é responsável por uma área do tamanho da Suíça."

Só que o jornal não disse para quem a notícia era boa. Para o Brasil decerto não é. E entende-se o porquê de não dizerem, pela denúncia da Agência Amazônia faz...

No post seguinte, o artigo completo da Agência Amazônia. Agora comparem com o discurso de “vossa excelência” hoje na ONU, em que o distinto apresentou números defasados sobre o desmatamento, que, em 2007, voltou a subir. Ou seja, o camarada não se envergonha nem de mentir para um público internacional...

Política tributária e eliminação de direitos constitucionais

O Estadão On Line publica um artigo sobre as críticas feitas pelo jurista e economista Ives Gandra Martins à política tributária do desgoverno do mentecapto ditador de Garanhuns. Retornamos para comentar.

"O jurista e economista Ives Gandra da Silva Martins fez duras críticas à política tributária do governo, após participar de uma reunião do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que debateu a CPMF.

Na avaliação dele, o que o governo considera eficiência de fiscalização trata-se de eliminação do direito de defesa garantido pela Constituição. Por outro lado, destacou Gandra, quando o governo deve ao contribuinte, interpõe embargos para evitar o trânsito em julgado, e mesmo após o trânsito em julgado, recusa-se a pagar as dívidas e deixa milhares de cidadãos esperando por anos o pagamento de precatórios.

“Existem duas classes de cidadão no Brasil. Aqueles que são os detentores de poder, a quem tudo é dado, e os escravos da gleba, que são os cidadãos, como nós, obrigados a sustentar os detentores do poder, que confundem interesses particulares com interesse público", disse ele.

"E nós, como escravos da gleba do século 21, estamos na mesma posição, com esse nível de carga tributária, daqueles agricultores que os senhores feudais tinham, que produziam tudo e podiam no máximo sobreviver, enquanto os senhores feudais ficavam com tudo que eles produziam. É o que está acontecendo com o contribuinte brasileiro", acrescentou.

Para o jurista, a penhora online é uma violação do direito dos contribuintes, pois o governo tem acesso aos recursos do devedor antes mesmo de obter uma decisão final da Justiça. "Que eficiência de fiscalização, quando essas questões ainda não foram decididas pelo Poder Judiciário?", questionou. "Por outro lado, quando eles perdem, entram ad infinitum com embargos de declaração para que não transite em julgado. Então o instituto de transito em julgado, que daria ao contribuinte o direito de receber de volta, desapareceu, porque a ordem é a seguinte: recebemos antes, não devolvemos nunca."

Gandra prevê que a situação deve se agravar com a alteração do conselho de contribuintes. "Serão transformados em câmaras homologatórias das instruções normativas do secretário da Receita, porque quem é tributarista, da parte do contribuinte, não pode participar, e o governo põe seus melhores conhecedores de direito tributário nessa composição", avaliou.

Projeto
Ele citou ainda um projeto que será enviado ao Congresso pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que permitirá a execução antes que um processo chegue à Justiça. "Poderão penhorar um bem, mandar o bem a leilão, receber os recursos, e se o cidadão vier a discutir em juízo e ganhar, devolverão não o valor do bem, mas o valor do leilão, que representa normalmente um terço, um quarto do valor do bem", disse.

"O Brasil tem dois princípios que regem o direito tributário: o da legalidade, que todos nós aprendemos nos bancos acadêmicos, e o da ilegalidade eficaz, que, com esses processos, faz com que a Receita bata recordes de arrecadação. Aquilo que se chama eficiência da fiscalização eu chamo de eliminação do direito de defesa. Na Constituição está como ampla defesa, o adjetivo é extremamente forte. E desde que nós temos a constituição de 1988, a Receita Federal, sistematicamente, através de todos os secretários, tem reduzido esse direito de defesa", opinou.

Na reunião do Conjur, o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, André Rebelo, apresentou um estudo que mostra os problemas da CPMF e prova que o governo poderia abdicar dos recursos do tributo reduzindo a Selic e adotando medidas de corte do gasto público. "A CPMF é um tributo regressivo, ou seja, quem ganha menos paga proporcionalmente mais, que impacta nas finanças públicas e no valor da taxa de juros. O governo acaba tendo que praticar uma taxa de juros mais alta pela existência da CPMF", disse.

Ele afirmou que embora a disputa na Câmara e no Senado pela não-prorrogação da CPMF seja dura, é possível vencê-la com o apoio de parlamentares indecisos. "A falta ou abstenção de um senador no dia da votação implica em apoio à não-prorrogação. Acreditamos que o governo vai ter dificuldade de juntar os 49 votos", declarou.

Rebelo lembrou ainda que a população pode saber o posicionamento do parlamentar em quem votou nas eleições a respeito da CPMF por meio do painel instalado na fachada na Fiesp e pelo site www.contraacpmf.com.br, onde também é possível assinar um manifesto contra a prorrogação do tributo. "Convido todos a passarem aqui na Avenida Paulista, número 1.313, e dar uma conferida se o seu parlamentar está a favor ou contra, e a entrar no site, olhar o placar e votar contra a CPMF. Já temos mais de 1,2 milhão de assinaturas e contamos com o apoio e o voto de todos", finalizou."
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Ives tocou no ponto certo, faltando acrescentar que, proximamente, quem estiver devendo, mesmo que ainda esteja recorrendo à Receita Federal, terá seu nome incluso no cadastro de devedores do SERASA. A ganância usurpadora do governo Lula se tornou uma violência à sociedade brasileira. A gastança sem limites e sem critérios é praticada, principalmente, para pura ostentação e esnobismo, de forma leviana e criminosa, e representa bem o lixo de gentalha que chegou ao poder e acha que agora é dono do país e dos brasileiros. Que pode sugar toda a energia fruto do trabalho honesto, para sustentar na ociosidade os gigolôs ordinários e vagabundos agarrados às tetas do Tesouro Nacional. O governo Lula regrediu o país ao tempo da derrama portuguesa do século 18. Tornaram-se os gigolôs da Nação, e aqueles que trabalham e produzem são obrigados a rodar bolsinha para o delírio doentio e patológico destes energúmenos.

Olha, se a gente brincar, a cambada ainda manda todo os “contrários” para cadeia e nos deixam por lá apodrecendo, sem julgamento. É impressionante o terrorismo e as ilegalidades que este bando de criminosos está cometendo. O doloroso é sabermos que não se pode contar com o Poder Judiciário, praticamente capenga, onde vez por outra pinta alguma decisão em favor da população. O governo Lula é, sem tirar nem por, uma ditadura civil, que colocou todo o Legislativo de quatro, subjuga o Poder Judiciário, e escraviza a nação da qual solapa os direitos mais elementares, um deles o de defender-se. Quando Lula, de forma canalha e cínica diz ainda não acreditar que Dirceu seja criminoso, por que não foi julgado e condenado, que a todos se deve conceder o amplo direito de defesa está se referindo à corja mancomunada a ele. Principalmente os neo-alinhados, que representam o que há de mais degradante da política nacional, tipo os quércias, sarneys, barbalhos e demais bandoleiros cretinos com os quais se acumpliciaram na extorsão e astúcia.

O Tribunal de Contas da União não dá conta de apontar a corrupção abusiva e imoral que é cometida por Lula e seus capangas em todos os cantos do governo federal, vimos que sequer este governo de larápios respeita estatísticas sobre os doentes acometidos por lepra, até falsificando grosseiramente os dados de reforma agrária incluindo ações do tempo da ditadura, dos governos Sarney e Fernando Henrique. Vamos repetir: Lula e seus cupinchas já instalaram a ditadura civil no Brasil, carregada nos tons do esquerdismo debilóide e vagabundo que o mundo em boa hora varreu para a lata do lixo, por representar o atraso do atraso. Falta “apenas” enterrar o estado de direito, que, a continuar no ritmo atual, não demorará muito para ser decretado.

Defendendo o indefensável...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Já não era sem tempo que "alguém" fosse publicar alguma coisa do tal Mário Schmitt. No blog Alerta Total (link abaixo), o escritor escroque escreveu um artigo em que “tenta” defender sua “obra prima”. A começar pelo título, “O livro didático que a Globo quer proibir”, trata-se de um emaranhado de argumentos tentando mistificar a realidade dos fatos. Começa auto-proclamando seu texto pornográfico e chulo, como sendo didático. Longe disso conforme se viu pelos trechos já publicados pela imprensa. Continua com a balela de que Kammel, ou a Globo, quer proibir o livro. Parece que o “sábio” não se deu conta do seguinte: primeiro, que ninguém quer proibir coisa alguma, ele pode escrever e mandar publicar as porcarias que entender ou achar melhor. Se ele gosta de mentir para si mesmo, é problema de sua exclusiva falta de consciência. Segundo, ensino é uma coisa séria, e em nome de uma linguagem acessível aos jovens, não se pode, com dinheiro público, reduzir a linguagem à sua expressão de mais baixo nível.

Quer ele goste ou não, sua visão de história é distorcida, e seus argumentos, para se dizer o mínimo, são fajutos e falsos. Mesmo que o conteúdo contemple o leitor com algumas verdades como ele próprio argüiu, e são poucas e raras, isto não pode ser conduzido para uma sala de aula como livro de referência. Indesculpável, também, o mau português, seja no vocabulário ou nos erros gramaticais imperdoáveis para uma obra didática. Quanto ao contexto, a visão é particular, e por ser "polêmica" deveria merecer de parte do MEC uma melhor avaliação. Assim, reunindo-se as mentiras, e são incontáveis, o mau português, a gramática distorcida e jogada no lixo pelo autor, JAMAIS tal livro deveria receber a pecha de “Livro Didático”, muito menos nele ser investido um centavo do dinheiro público.

No Globo online há uma nota sobre o que disse o ministro da Educação sobre o polêmico compêndio de cretinices históricas:

Haddad: 'MEC não pode adotar postura de censor'
Demétrio Weber - O Globo

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu na quarta-feira o sistema de avaliação do livro didático, mas admitiu que cogita tornar pública a lista de obras reprovadas. Hoje a lista é mantida em sigilo. Haddad ressalvou que teme arranhar a imagem dos autores. Ao comentar a distribuição pelo governo do livro "Nova História Crítica" (Editora Nova Geração), que apresenta conceitos maniqueístas sobre socialismo e capitalismo - como mostrou artigo do jornalista Ali Kamel na terça-feira - e ficará fora da lista de compras de 2008, o ministro disse que a avaliação pode conter imperfeições. Mas afirmou que o atual sistema é responsável pela melhoria das obras didáticas no país. Para Haddad, os livros devem suscitar o debate.


Para ficar claro: ninguém está impondo censura à ninguém e nem tampouco à obra alguma. Contudo, o ministro não consegue convencer que ou qias critérios são empregados para seleção de livros didáticos que são capazes de deixarem chegar às mãos das crianças obras que, a rigor, mereceriam o repúdio imediato. Porque o ministro deve reconhecer: a obra do sr. Schimitt é de uma colossal distorção histórica, e inteiramente tratada com um texto de estilo duvidoso, grosseiro, desrespeitoso e sórdido para com fatos e pessoas.

Cabe ao MEC, e disto o ministro não se pode se furtar, ser rigoroso na escolha e nos critérios que balizarão esta escolha, uma vez que se trata de fornecer conhecimentos para quem pela primeira vez tomará conhecimento de fatos e personagens históricas, e não podem ficar indefesas diante da mistificação, sob pena e risco de ter sua educação totalmente distorcida e, deste modo comprometida.

O fato de "professores" escolherem o livro didático para uso como material de referência, está longe de ser um método democrático. Demonstra sim que o MEC está longe de ser o parâmetro condutor do processo de ensino. Quem avaliou os professores para saber que competência técnica tinham para determinar quais livros os alunos deveriam usar? A considerar-se o nível de ensino ter regredido nos últimos doze anos, pois na última avaliação ele tornou-se pior do que era em 1995, já se vê o quanto o MEC anda na contramão de suas funções. Tanto professores quanto alunos devem seguir uma orientação superior, de quem vê o ensino por um linha reta, sejam nos métodos, nos meios e nos currículos, e não unicamente pelos "atalhos" do achismo, quando alguém quer impor sua vontade distorcida e particular sobre o todo.

Deste modo, colocar como livro de referência, "obras" com conteúdo impróprio pela linguagem empregada como pela mistificação dos fatos históricos, é sim empregar um processo de lavagem cerebral. A criança precisa receber uma orientação básica e adequada ao seu entendimento. Mais adiante, de posse das ferramentas próprias, que a escola lhe forneceu, se ela opta por esta ou aquela ideologia, isto será uma escolha sua, pessoal. Mas, antes, ninguém está autorizado a lhe emprestar como ferramenta apenas uma única "versão" dos fatos, e isto não é ensino, como sabemos.

O texto do senhor Mário Schmitt depois tenta atropelar tudo num saco de gatos e, bafejando no suor da delinqüência e da ignorância, beira ao ridículo em tentar desqualificar a crítica, sem contudo, jamais justificar as baboseiras que escreveu. Que ele ame Mao, Fidel, Hitler, Stalin e tantos outros facínoras e assassinos sanguinários, isto é lá problema dele. Mas não tente criar na mente em formação de jovens suas preferências psicopatas. Não tente insuflar uma geração a adotar por regra mental seu desvio psicossomático. A crítica de Kammel se ateve no terreno exclusivamente dos textos desvirtuados de sua realidade. Jamais partiu para o terreno da desqualificação ou da ofensa como Schimitt várias vezes escorregou levianamente em sua abordagem de defesa.

Quanto a qualificação dos professores que escolheram os livros do sr. Schmitt, e dos quais se louva tanto o “sábio”, como o que conta são os resultados, vale o registro acima sobre a qualidade de ensino: não conseguimos em 2006 sermos e termos alunos melhor qualificados do que tínhamos em 1995, e vale dizer, que lá o padrão já era baixo. Portanto, sem querer atacar ninguém, não acredito que esta qualificação de que se gaba tanto o sr Schimitt tenha lá sua validade. Além do que, cada professor deve ater-se à sua especialidade. Quando ao conteúdo geral, para tanto há outros profissionais de ensino, que não apenas os funcionários do MEC, com qualificações muito melhores, teoricamente ao menos, e a quem deveriam confiar a seleção dos tais livros didáticos. Não apenas pela faixa etária de alunos que será atendida, mas também porque o volume de dinheiro público é bastante volumoso para investido em qualquer porcaria que se auto-proclame de livro didático.

Assim, como o MEC já retirou os volumes de sua lista, é de esperar, pelo menos duas coisas: que os tais livros não fiquem sendo distribuídos por debaixo dos panos, o que representaria sim um crime, bem como que seus prejuízos sobre os que já o receberam sejam ínfimos.

Reafirmamos que ensino é coisa séria. Ela deve guiar-se da forma mais republicana possível, pautando-se pela verdade, pela retidão, pela qualificação. Não se lhe pode misturar ‘ideologias políticas, porque neste caso se está diante dos tempos em que fascismo, nazismo, comunismo e outras seitas canalhas padronizavam a “educação” de seus jovens nas fornalhas da lavagem cerebral. E isto tem um nome, e não é educação.

Para quem quer se deliciar sobre as bandalheiras do Mário Schimitt em sua auto-defesa, o link é este aqui.

E quem pagará pelo prejuízo ao País e aos alunos?

A reportagem é do Estadão:

20 milhões de alunos da rede pública usaram livro que condena propriedade privada

A coleção de livros didáticos Nova História Crítica, do autor Mario Schmidt, já foi usada nos últimos dez anos por mais de 20 milhões de estudantes no País. O livro foi rejeitado neste ano pela avaliação do Ministério da Educação (MEC) e tem sido acusado de veicular propaganda ideológica. Segundo a Editora Nova Geração, responsável pela publicação, foram comprados e distribuídos a escolas de todo o País 9 milhões de exemplares nos últimos anos. Como o governo só compra livros didáticos a cada três anos, o exemplar deve ser repassado para os colegas mais novos duas vezes, ou seja, é usado por três alunos.Segundo o ministério, 50 mil escolas receberam a coleção desde 1998. Na compra feita pelo MEC em 2005, ela representava 30% - a maior parte - do total de livros de história escolhidos. A opção pelo livro é feita pelos próprios professores a partir de um guia do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) do MEC. Nele, há uma avaliação de especialistas de universidade federais contratados para o serviço.

"Esse livro é o maior sucesso do mercado editorial didático dos últimos 500 anos", diz o editor da Nova Geração, Arnaldo Saraiva. Ontem, a editora e o autor divulgaram carta conjunta sobre o artigo do jornalista Ali Kamel publicado no jornal O Globo, na terça-feira (reproduzido na pág. A2 desta edição), que transcreveu trechos da coleção. "Não publicamos livros para fazer crer nisso ou naquilo, mas para despertar nos estudantes a capacidade crítica de ver além das aparências e de levar em conta múltiplos aspectos da realidade", diz o comunicado. Procurado, Schmidt não quis dar entrevistas.

A coleção, com livros para alunos de 5ª a 8ª séries, menciona que a propriedade privada aumenta o egoísmo e o isolamento entre as pessoas e que o Movimento dos Sem-Terra (MST) se tornou um importante instrumento na luta pela justiça social no Brasil. Além disso, critica o acúmulo de capital da burguesia e faz elogios ao regime cubano (veja trechos acima). No comunicado divulgado ontem pelo autor e pela editora, eles afirmam haver também no livro trechos que falam de maneira crítica sobre o socialismo e o comunismo. "A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. (...) Quem criticava o governo ia para a prisão", informa a publicação para a 8ª série.

"O problema do livro do Schmidt é que ele não propõe um debate historiográfico, além das incorreções e do preconceito", afirma o professor de metodologia de ensino de história da pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Alexandre Godoy. Ele diz ainda que as incorreções identificadas pela equipe de avaliação do PNLD na coleção Nova História Crítica, como "erro conceitual", "doutrinação ideológica" e "incoerência metodológica" também aparecem na maioria dos livros didáticos recomendados pelo MEC. "Não existe um livro ideal, livre de ideologia", afirma Godoy.Para a docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello, não se pode pensar que somente a posição ideológica pode ter orientado a escolha dos professores pelo livro. "Critérios como divisão e sugestão de exercícios costumam ser levados em conta." Para ela, o maior problema do ponto de vista educacional é a propaganda ideológica, porque a escola deve ser um espaço para os alunos formarem consciência histórica. "Eles têm de conhecer os fatos para compreender o mundo e a própria vida."

"Esse autor é bem aceito nas escolas porque tenta uma aproximação com a linguagem adotada pelos jovens, mas acaba caindo em uma abordagem rasa", diz a pedagoga e autora do livro de história da Série Brasil, da Editora Ática, Maria Lima. Sua tese de doutorado na USP discutia justamente as relações entre língua escrita e consciência histórica em produções textuais para crianças e adolescentes.

Para ela, o maior problema da coleção Nova História Crítica é a superficialidade. Além disso, ela acredita que o autor peca ao tentar brincar com algumas informações importantes e a ironia não fica clara. Na página 65 do livro da 8ª série, por exemplo, a legenda de uma imagem é a seguinte: "Crianças levam flores para o doce papai Stalin. ‘Salve a infância!’ Obra de propaganda do governo soviético." No trecho, faltam elementos para explicar a ironia, o que pode prejudicar uma compreensão crítica dos alunos, acredita.

TRECHOS
Página 65:
"A propriedade privada separava mais ainda as pessoas uma das outras. Porque um grupo de pessoas tinha boas propriedades e vivia bem, e as outras ficavam com poucas coisas e viviam mal. A propriedade privada aumentava o egoísmo e o isolamento entre as pessoas"

Página 191:
"O MST tornou-se um importante instrumento na luta pela justiça social no Brasil do começo do séc. XXI. Seu objetivo é simples: a reforma agrária. Ou seja, terra para quem trabalha no país onde há tanta terra nas mãos de quem não trabalha"

Página 109:
"E como foi que a burguesia inglesa conseguiu acumular tanto capital? Financiando os ataques corsários (piratas), traficando escravos, emprestando dinheiro a juros, pagando salários miseráveis... Vencendo guerras, comerciando, impondo tratados..."

Página 225:
Cuba é um país pobre que conseguiu bons resultados no campo da educação e da saúde. Por que o Brasil, que tem uma economia mais industrializada e uma renda per capita superior à cubana, ainda não alcançou esses resultados?"

MEC bate recorde de compra de livros

Renata Cafardo, Estadão

Maior comprador do mundo, ministério adquiriu grande parte dos 152 milhões de exemplares vendidos no País

O mercado do livro didático no País chegará ao fim de 2007 com um recorde de 152 milhões de exemplares comprados para uso em salas de aula de escolas públicas e privadas. O crescimento em relação a 2002, ano com o maior número de vendas até então, é de 5%. O Ministério da Educação (MEC) praticamente sustenta esse mercado de R$ 1,3 bilhão e é considerado o maior comprador de livros do mundo.

Isso porque são raros os países em que a aquisição é feita de maneira centralizada como aqui. O governo compra livros para todas as escolas públicas do Brasil , o que significa adquirir 80% do total de coleções comercializadas no mercado ano a ano. O processo é realizado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Criado em 1995 no governo Fernando Henrique Cardoso, o sistema atraiu atenção nesta semana por ter recomendado por anos uma coleção de história com ideologias socialistas.
O restante dos livros didáticos vai para escolas particulares. O preço pago pelo MEC é 10% do cobrado de instituições privadas e pais de alunos. Os 128 milhões de livros que chegarão ao ensino fundamental e médio em 2008 custaram R$ 746 milhões ao governo, R$ 5,80 por unidade, em média.
Por causa do PNLD, recaiu sobre o MEC a responsabilidade de deixar mais de 20 milhões de alunos estudarem com a coleção Nova História Crítica, de Mario Schmidt. Elas aprenderam que Mao Tsé-tung foi “grande estadista” e a burguesia busca o lucro pessoal. O livro integrava o guia de obras recomendadas desde 1998. “O ministério não contrata avaliadores. O processo de avaliação não envolve servidores do MEC”, disse ao Estado o ministro da Educação, Fernando Haddad.

A avaliação das centenas de obras que se candidatam a fazer parte do guia foi descentralizada depois dos primeiros anos do programa, quando professores iam a Brasília para analisar os livros, conta o ex-ministro Paulo Renato Souza. Hoje, uma universidade federal fica responsável por avaliar cada disciplina. A própria instituição chama para o trabalho doutores, professores da rede pública e especialistas de vários Estados. Nenhum deles pode ter ligação com editoras.
Dois professores opinam sobre cada coleção, sem saber quem é o colega que faz o mesmo e, principalmente, sem ter idéia de que livro está avaliando. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cuida para que as coleções sejam enviadas a eles sem capa ou identificação do autor. As opções aprovadas formam um guia, com base no qual os professores da rede pública escolhem o livro que desejam utilizar. “Se não for avaliação por pares, o programa está fadado ao fracasso e vamos reinaugurar a censura no Brasil”, diz o ministro.

Como são sempre grupos diferentes que analisam as obras a cada ano, uns acabaram liberando e outros, rejeitando a Nova História Crítica. “Deveria ser montada uma comissão do MEC para uma olhada geral nos livros aprovados, porque tem muito professor que faz bobagem”, diz Paulo Renato. “Esse programa conseguiu colocar livros de qualidade e baratos nas escolas. Esse fato não pode deixar a imagem de que o PNLD é ruim”, rebate o presidente da Associação Nacional do Livro Didático, João Arinos.

E Tio Rei não vai perder o mindinho...

Reinaldo Azevedo

O que foi que Tio Rei escreveu para seus “reinaldetes” (como disse aquela editora esquisita de livros esquisitos) na quarta-feira, no post das 18h01? Isto aqui, vejam: “Não tenho os números, não, e deixo a curiosidade para os repórteres investigativos. Eu só investigo advérbios e derivações impróprias. Mas aposto o mindinho — e não o perderei por distração — que o estado brasileiro está entre os que mais compram livros no mundo. É isto mesmo: amamos tanto a cultura e a educação, que nos entregamos a este luxo. Ora, à medida que se cria essa demanda, aparece a oferta de mercadorias, não é? Numa área dominada pela ideologia vagabunda e pelo corporativismo, entrega-se a professores a tarefa de escolher o livro didático. O “clamor público” chega ao MEC, que faz, então, a seleção. Santo Deus! Acaba dando nisso que estamos vendo.” No post, citava uma frase da grande Ayn Rand: “A diferença entre um estado benfeitor e um estado totalitário é uma questão de tempo”. Bingo!

A repórter Renata Cafardo informa no Estadão deste domingo: “O mercado do livro didático no País chegará ao fim de 2007 com um recorde de 152 milhões de exemplares comprados para uso em salas de aula de escolas públicas e privadas. O crescimento em relação a 2002, ano com o maior número de vendas até então, é de 5%. O Ministério da Educação (MEC) praticamente sustenta esse mercado de R$ 1,3 bilhão e é considerado o maior comprador de livros do mundo. Prometo continuar investigando idéias. Sabem o que isso significa? O governo compra 80% das coleções postas no mercado ano a ano. Dá para imaginar o poder do MEC junto a essas editoras?

As obras são previamente avaliadas por professores etc e tal. Parece que falta é rigor — e um corpo estável de técnicos que, afinal, respondam por um programa bilionário. O jornal traz, por exemplo, uma boa entrevista com a historiadora Margarida Maria Dias de Oliveira, que supervisionou a equipe que acabou rejeitando, para 2008, a coleção Nova História Crítica, de Mário Schmidt, aquela que transformou Mao Tse-Tung num homem amado pelas mulheres... Ela vai ao ponto: “(...) uma certa noção de esquerda simplificada, ortodoxa, está ultrapassada. Isso era comum nos anos 80, quando vivíamos o fim da ditadura e a redemocratização. Esses livros fizeram muito sucesso. No afã de se contrapor à historia tradicional da ditadura, um marxismo mais simplificado chegou às escolas.” No dia 20 de junho, num post das 5h01, escrevi aqui: “Quando professor, fiz alunos do primeiro ano do colégio lerem um capítulo de Casa Grande & Senzala, evidenciando como eram difíceis as condições de vida nos primeiros tempos da colônia, também para os senhores de engenho. Ficaram surpresos. Estavam convencidos de que eram todos nababos ou bichos-papões. Em regra, os livros de história, contaminados pelo submarxismo, criminalizam a história do Brasil.”

Mas nem tudo vai bem. Não sei se só para honrar uma concepção vesga de “outro lado”, de “pluralidade”, um terceiro texto do Estadão sobre o mesmo assunto, assinado por Elisangela Roxo, traz depoimentos de pais e professores que gostam da coleção Nova História Crítica. Incrível: não há um só depoimento contrário. Fala-se em dar uma “outra visão” da realidade. Como a coleção é, assumidamente, um panfleto socialista, forçoso seria, então, haver o panfleto capitalista...

Por que o jornalismo precisa ainda cair nessa esparrela? Quer dizer que a pluralidade supõe agora transformar três ou quatro opiniões numa espécie de contraponto àqueles que estão pedindo só um pouquinho de rigor científico na abordagem histórica? Será que devemos fazer uma assembléia em Capão Redondo para votar se o amor de Schimidt pela Revolução Cultural chinesa deve ou não ser financiado pelo estado e servido às crianças?

O cacoete gramatical

Gastão Reis Rodrigues Pereira, empresário e economista, Jornal do Brasil

Dispomos, no Brasil, do Índice Nacional de Alfabetização Funcional (Inaf). Ele nos informa que apenas 27% da população brasileira podem ser considerados funcionalmente alfabetizados. Aquele tipo de indivíduo capaz de ler e entender, por exemplo, um manual de instruções. Levando-se em conta que, no final do Império, tínhamos 20% de alfabetizados, pessoas que recebiam uma educação dita elitizada e portanto de boa qualidade, é razoável supor que elas fossem funcionalmente alfabetizadas.

Pergunta incômoda: por que esse avanço tão medíocre de apenas 7 pontos percentuais na alfabetização funcional em mais de um século republicano? Convido o leitor a me acompanhar no esclarecimento desse mistério. Em especial nesta era do trabalhador do conhecimento, em que 77% da riqueza produzida são explicados pelo capital intangível (capital humano e qualidade das instituições formais e informais) contra apenas 5% dos capitais naturais (recursos naturais) e 17% dos chamados capitais produtivos (bens de capital: máquinas e equipamentos).

Na época em que estudei na Universidade da Pensilvânia (1977- 1981), certa feita fui convidado por um judeu americano a comemorar o Dia de Ação de Graças em sua casa. Segundo ele, a língua explicaria boa parte dos avanços de um povo face aos demais. Sua explicação da riqueza e pobreza das nações não me convenceu. Anos depois, eu me dei conta de que não é propriamente a língua de cada povo que faz a diferença, mas o modo como é ensinada.

Tomemos uma aula de inglês num filme inglês ou americano. Os professores estão sempre debatendo um texto com os alunos, focados na análise e interpretação dos mesmos. Ou estão discutindo as redações feitas pelos alunos. Eu não me lembro de uma cena nesses filmes dedicada ao estudo da gramática inglesa. Isto se explica pelo fato de o inglês ser uma língua quase simplória em matéria de gramática quando comparada, por exemplo, à sofisticação e complexidade gramatical do português. O fato de a melhor gramática em língua inglesa ter sido escrita por um holandês dá bem a medida do apreço de americanos e ingleses por sua gramática.

Recentemente, uma sobrinha e seu marido, que viveram quatro anos na Inglaterra, manifestaram-me sua surpresa com a ignorância dos ingleses em matéria de sua própria gramática. Essa suposta falha jamais os impediu de formar pessoas intelectualmente articuladas e bem sucedidas economicamente no país e no exterior.

Quem está certo em matéria de gramática, nós ou eles? Já foi dito que, se os analfabetos legionários romanos, que recebiam um treinamento militar de 14 anos antes de entrarem em combate, tivessem de aprender as sutilezas gramaticais do latim, Roma não teria tido tempo de conquistar o mundo. A grande diferença a favor de quem dedica a maior parte do tempo a ler e a interpretar textos é que está fazendo um exercício fundamental na nobre arte de aprender a pensar ao acompanhar o raciocínio dos autores. Por outro lado, a ênfase, muito comum nos povos de língua inglesa, no desenvolvimento da expressão escrita dos alunos, os obriga a pensar a partir deles mesmos. Este enfoque está em linha com a sociedade do conhecimento, tornando essas pessoas aptas a tirar pleno proveito de seus frutos. Não é esse, entretanto, o dever de casa que vem sendo feito por nossas escolas públicas.

Se, para Simone de Beauvoir, "escrever é um ofício que se aprende escrevendo", podemos afirmar que pensar é um ofício que se aprende exercitando o pensamento. O caso de Machado de Assis ilustra bem esse ponto crucial. Ele não caiu na armadilha gramatical que o ensino tradicional da língua portuguesa nos arma. Autodidata, leu muito, escreveu muito, pensou muito e nunca deu muita atenção à gramática em si. Ela veio como conseqüência natural de quem se tornou um mestre do pensamento sutil. Essa opção não o impediu de ser nosso maior escritor e de produzir literatura de primeira.

Dentre as muitas loucuras que temos cometido em nosso sistema educacional, como a aprovação automática dos alunos, ainda dedicamos tempo demasiado à gramática em detrimento da arte e ciência de aprender a pensar, ou seja, de ler e escrever bem. Muita atenção dada à forma e pouca à substância.

Para terminar, uma história ilustrativa dessa incapacidade de produzir gente equipada para a sociedade do conhecimento: o caso real de uma amiga empresária que resolveu implantar em sua indústria a ISO 9000, um conjunto de normas que formam um modelo de gestão da qualidade em todo o processo produtivo e administrativo. Pois bem, em determinado momento, a implantação da ISO 9000 em sua empresa empacou. Somente bom tempo depois é que ela se deu conta de que a grande maioria de suas funcionárias era funcionalmente analfabeta, apesar de terem pelo menos oito anos de escolaridade. Teve de parar a implantação da ISO por quase um ano para alfabetizá-las funcionalmente e só então concluí-la com êxito.

Conclusão: uma tristeza e uma alegria. A tristeza é constatar o grau de desperdício e incompetência do sistema educacional público que, após oito anos, não consegue fazer com que seus alunos sejam capazes de ler e entender um manual de instruções. A alegria é ver que pessoas já adultas, quando submetidas a um ensino de qualidade, respondem à altura, desautorizando qualquer explicação idiota de incapacidade congênita de aprender. Lição final: é urgente elevar substancialmente nosso Inaf. E há como.

A nossa corrupção e a deles

Por Demétrio Magnoli, O Globo

A então deputada Angela Guadagnin (PT-SP) entregou-se, de corpo e alma, à defesa dos "mensaleiros" nas comissões e no plenário da Câmara. No fim, quando um colega de partido beneficiou-se da onda de absolvições, ela protagonizou a "dança da impunidade", que lhe valeu fama instantânea e custou-lhe a reeleição. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), operando sob instruções do Planalto, engajou-se furtivamente na missão de reverter intenções de voto favoráveis à cassação de Renan Calheiros. No fim da sessão clandestina, na qual o Senado absolveu o homem das vacas milagrosas, emergiu um Mercadante pálido, que, balbuciando, declarou seu voto de abstenção e, contra as evidências, negou seu engajamento na cabala de votos.

Mercadante não se distingue de Guadagnin por seus atos, mas unicamente por se envergonhar deles - ou, numa interpretação cínica, por um cálculo eleitoral superior. Tanto quanto a deputada dançarina, o senador imprimiu à sua biografia política o credo indelével segundo o qual é tolerável a conversão do mandato popular num passaporte para o tráfico de interesses e a fabricação de patrimônios privados.

O PT não absolveu sozinho o pecuarista milagreiro - e nem todos os senadores do partido se curvaram ao credo de Mercadante. Mas o partido de Lula soldou a maioria parlamentar que hasteou nas sombras a bandeira do escárnio. Das entranhas do partido que acusava e condenava numa única sentença, brandindo a espada de fogo da "ética na política", nasceu um partido que tudo tolera e justifica - e que, hoje, em nome da coerência, teria de recusar o processo de impeachment de Fernando Collor.

Coerência é o que busca o ministro Tarso Genro, quando declara que seu partido cometeu o erro histórico de se apresentar como o guardião solitário da "ética na política". Na tardia retratação, há algo mais que a marca inconfundível do oportunismo. De fato, a política democrática não comporta uma narrativa do confronto da virtude contra o vício, cuja lógica exclui o horizonte da alternância de poder. O jogo democrático se faz, na maior parte do tempo, pelo exercício da razão instrumental, que inclui a negociação, a conciliação e a acomodação de legítimos interesses eleitorais.

A retratação de Genro veicula uma reivindicação razoável. O PT quer ser avaliado à luz dos critérios comuns da política democrática - não pelos parâmetros inatingíveis da ética absoluta que cobrava dos outros. Mas há um limite para o exercício da razão instrumental, que é o respeito à regra legal e à integridade das instituições. Esse limite foi, uma vez mais, ultrapassado.

Coerência é também o que busca, por um outro caminho, a filósofa petista Marilena Chaui. No auge da crise do "mensalão", Chaui teceu o discurso da negação, que proporcionou aos petistas um ponto de fuga teórico. Ela explicou que o balcão tentacular de negócios não existia, a não ser na forma de uma "construção fantasmagórica da mídia". Agora, depois que o STF aceitou a denúncia contra a quadrilha do "mensalão", a filósofa cortesã reformou seu diagnóstico, mas apenas para fabricar uma peça de delinqüência intelectual em dois atos.

O primeiro ato é uma filosofia da corrupção: "Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e FHC." O segundo é uma corrupção da filosofia: "Mas o PT e seu presidente operário, como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante? Que ousadia absurda! Os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único e construíram a imagem do governo mais corrupto da História do Brasil." Descontadas as inverdades óbvias, Chaui está dizendo que corrupção é destino e que nos resta escolher entre a corrupção viciosa dos outros e a corrupção virtuosa dos seus.

O círculo se fecha e uma coerência se refaz. A virtude é uma imanência do PT e de Lula: reflete as essências do partido e de "seu presidente operário", que não podem ser contaminadas pelas suas ações. Os virtuosos estavam certos quando, com ou sem evidências, denunciavam o vício - pois isso abreviava a chegada da virtude ao poder. Os virtuosos estão certos quando, contra todas as evidências, protegem a corrupção no seu meio e no meio dos aliados - pois disso depende a continuidade da união entre a virtude e o poder.

Na operação de cabala de votos, Mercadante não disse aos colegas que o homem das vacas quentes e das notas geladas é inocente, mas que sua cassação correspondia a um interesse da oposição e a uma tentativa de desestabilizar o governo. A sua razão instrumental não tem limites. É que, na nova ordem da filosofia, poder é virtude.

Paulo Bernardo e a CPMF: debate vergonhoso

Reinaldo Azevedo

Por Evandro Fadel, no Estadão. Volto depois:

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta segunda-feira, 24, , em Curitiba, que, além do interesse político, há participação de sonegadores em movimentos que defendem o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Não podemos generalizar, mas não tem dúvida de que por trás do clamor que a sociedade faz para que se baixe a carga tributária, é evidente que tem o movimento político para desestabilizar as contas do governo e conseqüentemente tentar prejudicar o Lula ou coisa parecida; e não tem dúvida de que tem também a parcela daqueles que sonegam e que vêem a CPMF com ódio porque é uma espécie de dedo-duro da sonegação", afirmou.

Bernardo esteve em Curitiba para uma palestra sobre a Realidade Econômica Brasileira a funcionários e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, em comemoração aos 60 anos da entidade. Numa semana em que a Câmara dos Deputados tenta um esforço concentrado para concluir a votação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição que prorroga a contribuição, o ministro rechaçou insinuações sobre barganhas.

“Quem está falando isso é o pessoal da oposição, principalmente o PSDB e o PFL, que agora se chama DEM. Mas eles inventaram essa CPMF. Não sei se eles fizeram essas barganhas quando criaram e renovaram por três ou quatro vezes a CPMF, mas eu posso dizer que nós não estamos fazendo nada que possa envergonhar o País", acentuou.

"Nós estamos discutindo um programa e falando de maneira clara e transparente que precisamos da receita e queremos aprová-la porque é importante." O ministro voltou a afirmar que o governo não tem como abrir mão da receita prevista de R$ 39 bilhões no próximo ano, proveniente do desconto de 0,38% de cada movimentação financeira. "A discussão que temos de fazer é como podemos aproveitar o momento positivo de crescimento econômico e fazer um movimento de redução gradativa da carga tributária", propôs. "É uma cobrança que a sociedade faz, de maneira justa, e o governo aceita esse debate."Ele disse não ver a mesma disposição nos opositores. "O que vemos é que a oposição fechou questão: é contra", afirmou. No entanto, Bernardo também demonstrou a mesma obsessão governamental. "Nós temos que proteger a posição do governo de votar a favor", disse. "Provavelmente vamos ter que decidir no voto e talvez não seja a melhor alternativa."

Voltei
Eis aí. Até o ministro Paulo Bernardo, que é bem mais discreto em matéria de chicana petista, não resiste, não é? Olhem lá. Em vez de assumir o que ele deveria, então, considerar um erro pretérito do PT (a rejeição à CPMF), não! Atribui a contribuição a seus adversários políticos. Síntese: no que a cobrança tem de ruim (a sua reputação), ele atribui à oposição. No que tem de bom (a arrecadação), aí a coisa é com o PT. Mas não é só.

Segundo Bernardo, os sonegadores estariam por trás do clamor contra o imposto. É uma confissão? E quando o seu partido era contra? Buscava desestabilizar o governo, agia a serviço dos sonegadores ou havia algo de convicção?Um debate nestes termos é absolutamente inaceitável. A partir de agora, se a oposição ceder, estará vestindo as duas carapuças: ou agia a serviço de sonegadores ou só apostava no “quanto pior, melhor”. O mais espantoso desse debate é que, na Câmara, quem deu susto no governo foi a base aliada, que exigiu compensações para votar. No Senado, a questão evidente é Renan Calheiros.
Mas a coisa não acaba aí: se Barnardo estivesse interessado em combater a sonegação, poderia sugerir, sei lá, uma alíquota de 0,05%. Que tal? O caráter fiscalizador da CPMF permaneceria. Mas há mais. Se a contribuição está sendo usada para monitorar a movimentação de dinheiro, então já ninguém entende mais que ela seja “provisória”, certo? Ou os sonegadores voltariam a ser beneficiados em 2011?
Os termos em que o governo debate o assunto são vergonhosos!