Alceu Luís Castilho
Emocionado, índio não consegue impor uma fala crítica. Governo fala mais alto no Encontro dos Povos da Floresta.
O representante dos povos da floresta, Jecinaldo Sateré-Maué, bem que tentou impor um tom crítico. Em sua fala emocionada, na abertura do II Encontro Nacional dos Povos da Floresta, ele se dirigiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse:
Emocionado, índio não consegue impor uma fala crítica. Governo fala mais alto no Encontro dos Povos da Floresta.
O representante dos povos da floresta, Jecinaldo Sateré-Maué, bem que tentou impor um tom crítico. Em sua fala emocionada, na abertura do II Encontro Nacional dos Povos da Floresta, ele se dirigiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse:
– Ainda há violência, grilagem e destruição de florestas, da mesma forma que acontecia, senhor presidente, quando o senhor conheceu Chico Mendes.
O líder seringueiro foi um dos organizadores do I Encontro Nacional, em 1989, realizado meses após a sua morte. Foi citado por todos os participantes do evento inaugurado nesta terça-feira, no Teatro Nacional em Brasília.
À fala do representante da Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), uma das organizadoras do evento junto com o Conselho Nacional dos Seringueiros e o Grupo de Trabalho Amazônico, seguiu-se uma leitura de poesia, por um secretário do Ministério da Cultura, e apresentação de músicas indígenas, por Cláudia Tikuna e sua banda.
– Nós vamos preservar a nossa Amazônia, custe o que custar – avisou a artista. – É a terra dos nossos antepassados, que permitiram que a gente estivesse aqui.
Antes, no fim de seu discurso, Sateré-Mawé dissera, mostrando uma frase escrita em sua camiseta: “A natureza é maior que qualquer dinheiro”.
Mas a ministra Marina Silva e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os oradores seguintes e finais, pintaram uma Amazônia quase cor-de-rosa. Exaltaram a demarcação de 10 milhões de hectares de terras indígenas e a diminuição do desmatamento. O único momento em que Lula pareceu identificar algum inimigo, este estava no exterior, de o onde o presidente acabou de chegar, após visitas oficiais:
– Tenho me recusado a aceitar a lição de qualquer governante que diga ao Brasil o que fazer para preservar suas florestas.
Os discursos tiveram as tradicionais brincadeirinhas de Lula e a fala elegante de Marina, que exaltou a visibilidade dos povos da floresta como uma das conquistas dos últimos 20 anos.
Mas em nenhum momento as autoridades fizeram referência aos vilões da floresta: madeireiros, ou plantadores de grãos e soja (citados no discurso de Sateré-Mawé), grileiros ou assassinos de camponeses e índios.
Explica-se. Em sua fala, o líder indígena deixou claro:
– O Brasil não é apenas vítima da mudança climática (um dos temas centrais do evento). Realiza uma grande emissão de carbono, incêndios, desmatamentos.Pouco antes, apontara:
– As obras de infra-estrutura ameaçam a integridade física dos nossos territórios e a perspectiva de desenvolvimento sustentável.
Mudou muito o clima desde Chico Mendes.