ATÉ QUANDO ?
Denise Campos de Toledo, Redação Terra
A economia mundial mais uma vez vive o dilema de conviver com preços explosivos do petróleo. Mais recentemente, as cotações, que ultrapassaram a recordista marca dos US$ 80 o barril, foram pressionadas por fatores climáticos, especialmente nos Estados Unidos. Mas o fato é que há, novamente, uma disparidade entre oferta e demanda, que não deve ser equacionada a médio prazo, e pode colocar os preços em patamar ainda superior. Não são poucos os analistas que já consideram bastante provável a cotação entre US$ 85 e US$ 90 o barril para o final do ano.
Vários fatores agem nesse sentido. A oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) inferior à demanda, mesmo com a recente decisão de ampliar a produção diária, justamente, para tentar calibrar os preços em patamar um pouco mais baixo. Na prática, apenas um pouco mais baixo mesmo, já que tem se revelado insuficiente para atender ao consumo crescente, onde mais uma vez, assim como no caso de outras commodities, o crescimento chinês também tem tido papel relevante.
Os Estados Unidos, independentemente das pressões decorrentes de fatores climáticos, como a estação de furacões, lidam com estoques menores e perspectivas de aumento do consumo, até em função da esperada reação da atividade econômica, a partir da mudança da política de juros pelo Federal Reserve. A expectativa é que juros menores possam estimular um crescimento econômico mais acelerado, o que implica aumento do consumo, em geral, e também do petróleo.
As questões políticas sempre presentes continuam contribuindo para pressões adicionais de preços, sendo hoje o Irã um dos principais protagonistas nesse sentido, pelo impasse em torno do programa nuclear do País e possíveis retaliações contrárias.
A economia mundial tem mostrado uma boa resistência às pressões de preços do petróleo. Basta lembrar o temor da época em que as cotações ameaçavam romper o então teto dos US$ 60 o barril. Esse patamar já ficou bem pra trás, nem por isso o mundo viveu pressões inflacionárias mais fortes ou mesmo sobre o nível de atividade. Os alimentos representaram preocupação maior e o crescimento econômico manteve níveis muito satisfatórios.
O Brasil não sentiu os efeitos, até por contar com o álcool combustível como uma alternativa cada vez mais forte ao consumo dos derivados do petróleo. Além disso, a Petrobras mantém a política de não repassar as oscilações externas, pelo menos para os combustíveis que teriam maior impacto sobre o andamento da inflação, como a gasolina.
Essa política pode ser mantida agora. Até o Copom, na ata da última reunião, voltou a considerar a possibilidade de não ocorrerem reajustes dos combustíveis neste ano. Mas até quando dá pra contar com isso, diante das previsões não muito otimistas quanto à evolução dos preços no exterior? A não ser que haja uma mudança importante nos ritmos de expansão da oferta e da demanda, é bem possível que o País tenha que administrar algum reajuste em 2008.
E nesta questão do equilíbrio entre oferta e demanda, não se pode descartar alguma desaceleração do crescimento dos Estados Unidos e de outras regiões, como a Europa. Mas, nesse caso, o Brasil ainda teria outros efeitos colaterais negativos. O comércio exterior do Brasil depende muito da expansão do comércio internacional.
Como se vê, a crise do setor imobiliário americano não é a única nuvem que se pode ver no cenário externo internacional.
Denise Campos de Toledo, Redação Terra
A economia mundial mais uma vez vive o dilema de conviver com preços explosivos do petróleo. Mais recentemente, as cotações, que ultrapassaram a recordista marca dos US$ 80 o barril, foram pressionadas por fatores climáticos, especialmente nos Estados Unidos. Mas o fato é que há, novamente, uma disparidade entre oferta e demanda, que não deve ser equacionada a médio prazo, e pode colocar os preços em patamar ainda superior. Não são poucos os analistas que já consideram bastante provável a cotação entre US$ 85 e US$ 90 o barril para o final do ano.
Vários fatores agem nesse sentido. A oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) inferior à demanda, mesmo com a recente decisão de ampliar a produção diária, justamente, para tentar calibrar os preços em patamar um pouco mais baixo. Na prática, apenas um pouco mais baixo mesmo, já que tem se revelado insuficiente para atender ao consumo crescente, onde mais uma vez, assim como no caso de outras commodities, o crescimento chinês também tem tido papel relevante.
Os Estados Unidos, independentemente das pressões decorrentes de fatores climáticos, como a estação de furacões, lidam com estoques menores e perspectivas de aumento do consumo, até em função da esperada reação da atividade econômica, a partir da mudança da política de juros pelo Federal Reserve. A expectativa é que juros menores possam estimular um crescimento econômico mais acelerado, o que implica aumento do consumo, em geral, e também do petróleo.
As questões políticas sempre presentes continuam contribuindo para pressões adicionais de preços, sendo hoje o Irã um dos principais protagonistas nesse sentido, pelo impasse em torno do programa nuclear do País e possíveis retaliações contrárias.
A economia mundial tem mostrado uma boa resistência às pressões de preços do petróleo. Basta lembrar o temor da época em que as cotações ameaçavam romper o então teto dos US$ 60 o barril. Esse patamar já ficou bem pra trás, nem por isso o mundo viveu pressões inflacionárias mais fortes ou mesmo sobre o nível de atividade. Os alimentos representaram preocupação maior e o crescimento econômico manteve níveis muito satisfatórios.
O Brasil não sentiu os efeitos, até por contar com o álcool combustível como uma alternativa cada vez mais forte ao consumo dos derivados do petróleo. Além disso, a Petrobras mantém a política de não repassar as oscilações externas, pelo menos para os combustíveis que teriam maior impacto sobre o andamento da inflação, como a gasolina.
Essa política pode ser mantida agora. Até o Copom, na ata da última reunião, voltou a considerar a possibilidade de não ocorrerem reajustes dos combustíveis neste ano. Mas até quando dá pra contar com isso, diante das previsões não muito otimistas quanto à evolução dos preços no exterior? A não ser que haja uma mudança importante nos ritmos de expansão da oferta e da demanda, é bem possível que o País tenha que administrar algum reajuste em 2008.
E nesta questão do equilíbrio entre oferta e demanda, não se pode descartar alguma desaceleração do crescimento dos Estados Unidos e de outras regiões, como a Europa. Mas, nesse caso, o Brasil ainda teria outros efeitos colaterais negativos. O comércio exterior do Brasil depende muito da expansão do comércio internacional.
Como se vê, a crise do setor imobiliário americano não é a única nuvem que se pode ver no cenário externo internacional.