Adelson Elias Vasconcellos
Nesta reta final de campanha eleitoral, e vendo faltarem apenas uns poucos dias para a definição de quem sucederá Lula da Silva, talvez a frase que, no país inteiro, mais se pronunciará será: “ainda bem que acabou”. Nem vou me entreter com os crimes eleitorais que Lula praticou e ainda praticará até 31 de outubro. Afinal, ele fazer o que faz, talvez não seja caso para nos surpreender: Lula é quem é, e ponto final. O surpreendente é a omissão vergonhosa da Justiça Eleitoral, esta sim, responsável, em última instância, pela lama em que se transformou a campanha. Mas disso já tratamos. Vale ver e analisar outras questões decorrentes da campanha eleitoral.
A maior destas questões, e quero crer a maior de todas, é o estado de abandono total a que está relegado o governo federal. Lula autorizou-se a si mesmo e a todos os seus ministros, para entrarem de cabeça em favor de sua candidata. Resultado: tudo o que depender de decisão federal, terá que esperar o fim do pleito, para ser resolvido ou decidido. E dane-se futebol clube, a governabilidade, a decência, o interesse maior do país.
Contudo, vale a pergunta: o país merece tamanha leviandade e irresponsabilidade? Não, lógico que não, porque questões básicas de saúde pública, por exemplo, não podem esperar, por serem vitais. Dela depende, muitas vezes, a vida ou a perda dela. São já dezenas de casos que temos no Rio de Janeiro de mortes por conta da omissão da rede pública: dada a urgência com que as pessoas necessitam receber tratamento ou atendimento médico, precisam ingressar na Justiça para, mediante um mandado judicial, conseguirem o urgente atendimento. E, como tem ocorrido amiúde, nem com ordem judicial os doentes são socorridos a tempo.
Antes de prosseguir, é preciso observar um aspecto relevante: se antes o centralismo federal já era danoso para o país, por demandar perda de tempo e dinheiro para decidir sobre determinadas questões regionais, a partir de Lula este centalismo está beirando as raias do absurdo. Muito embora sejamos uma república, a cada dia este regime mais e mais falece e desaparece da cena política brasileira. Diga-se, por inteira justiça, ser uma herança maldita ainda dos tempos de Getúlio e que o tempo não apagou. Anos mais tarde, na ditadura militar, o centralismo se acentuou ainda mais chegando aos nossos dias, onde Lula apenas aprofunda ainda mais.
Retomo o enfoque. Saúde pública e política partidária nunca deveriam se cruzar. Não é o que ocorre, contudo, neste governo. Temporão fazia campanha no Rio, enquanto a superbactéria matava no Distrito Federal, e já se espalhava por outros estados. Precisou fazer uma reunião de emergência para que o caso recebesse a devida atenção, não, sem antes, ocorrerem mortes. E o fez premido pelas circunstâncias: ficaria mal para a candidata oficial um descuido descomunal na reta final de sua campanha.
A notícia que saiu hoje no Estadão, e que vocês puderam conferir abaixo, é o exemplo típico dos males que o centralismo com a mistura indigesta e funesta que uma campanha eleitoral pode causar.
Até certo tempo atrás, as secretarias de saúde dos Estados tinham autonomia para a aquisição de medicamentos de alto custo para que estes fossem distribuídos na rede do SUS. Há cerca de um ano, em nome do barateamento de custos, o Ministério da Saúde resolveu centralizar estas compras. O resultado que se vê hoje é o desabastecimento e, coincidência ou não, ela ocorre em maior volume em São Paulo, justo o estado de origem do candidato da oposição. De seu turno, o Ministério do Temporão comemora haver economizado dinheiro aos cofres da União. Pergunto: a que custo?
Será que uma vida, de qualquer brasileiro, vale tanta cautela quanto a economia de alguns míseros reais? Há questão de um mês reproduzimos aqui reportagem da Revista Época, narrando a tragédia vivida por um adolescente por conta da porcaria de um aparelho, cujo preço médio é de R$ 520,00 e que o governo federal simplesmente não forneceu por queria fazer uma tomada de preços para escolher o mais barato. Pode? No Brasil da era Lula, pode. No país em que se gastam e se torram milhões de reais em tanta porcaria, em lençóis egípcios para a residência oficial, por exemplo, mas que se nega a liberação de R$ 520,00 para o aluguel (nem era compra) de um aparelhinho capaz de salvar uma vida é um despropósito sem paralelo e sem justificativa. Que droga de noção de responsabilidade e de respeito para com a população, da qual se tomam 40% de tudo que ganha, para bancar uma fortuna em desperdícios e ostentação de toda ordem, e se nega à mesma população o direito básico que é VIVER!!!
Agora, para castigar o povo paulista que escolheu para governador alguém que não era do time do presidente, e que ainda fornece um candidato à oposição do poste que Lula quer impor ao país, então se deixa de atender um compromisso assumido pelo Ministério do Temporão, colocando a vida das pessoas em risco só por puro rancor, ressentimento ou vingança? Acaso paulista não paga os mesmos impostos? Acaso os paulistas deixaram de ser brasileiros com os mesmos direitos e garantias do que o restante do país? Por que o preconceito? Por que o tratamento desigual?
Isto é o que dá dá misturarem saúde pública com campanha política. Perde-se a noção do dever republicano. Perde-se, sobretudo, a dignidade e a vergonha na cara. Faz tempo, mas muito mais agora do que nunca, que o senhor Lula está merecendo receber um duro recado da sociedade: a de que ele não é dono do país. Foi eleito para ser presidente da República e não chefe de gangue partidária. Foi eleito para governar o Brasil e não para estender a mão para ditadores e assassinos.
Portanto, que o Ministério da Saúde, ou por iniciativa do seu ministro (ir)(responsável ou por ordem de seu chefe, cumpra com suas obrigações. A vida humana não pode esperar que, assuntos menores como o são os de política partidária sejam resolvidos, para ser protegida e resguardada. Nem o senhor Temporão tampouco seu chefe, Lula, tem o direito de disporem da vida humana a seu bel prazer ou segundo os seus caprichos pessoais e repugnantes.
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