terça-feira, outubro 19, 2010

O enfraquecimento institucional do país e falta de coerência do TSE.

Adelson Elias Vasconcellos


O jornal O Globo nos informa que o PT pediu ao TSE que investigue panfletos contra Dilma. Ótimo, só tem uma coisa: quais panfletos são contra Dilma?

Se o partido se refere ao panfleto mandado imprimir e depois distribuído pela Diocese de Guarulhos, é bom tomar cuidado: aqui, já publicamos a íntegra do documento e pelo que contém, está claro tratar-se tão somente de um manifesto de cunho religioso (acesse a  íntegra do manifesto aqui). Nada além disto. Nele não se encontra uma única vírgula mentirosa, caluniadora ou sequer agressiva contra a ex-ministra. Creio que a campanha está promovendo uma total cegueira na turma do PT porque estão lendo uma coisa que não foi escrita.

Além disto, o manifesto foi mandado fazer por uma entidade que não é fantasma e é totalmente apartidária. O nome dos responsáveis pelo texto lá se encontram de forma clara e reconhecida. Tanto que o Bispo de Guarulhos, conforme reportagem do Estadão que transcrevemos na edição, se desculpa com o dono da gráfica pelos contratempos que seu pedido acabou provocando. E o faz inclusive por áudio conforme link que também disponibilizamos. Outra razão alegada pela tropa de choque da SA nazista, quero dizer, petista, é que uma sócia da gráfica seria vinculada ao PSDB. E daí? Qual o crime? Ela pode ser filiada a qualquer partido, seja ele PSDB, PT, PMDB, DEM, PV, PC do B, que não lhe tira o direito de trabalhar. Sua empresa é do ramo gráfico, e age dentro da legalidade. E o faz de tal forma, conforme informamos abaixo, que aceitou imprimir material de campanha também para políticos petistas. Vamos seus valentes, apontem neste caso, uma única ponta solta do novelo. Uma só. Simplesmente, não há!!!

Portanto, além de leviana, a acusação frontal feita pelo deputado José Eduardo Cardozo é de uma sordidez só justificada pelo destempero compreensível de quem se julgava já vencedor em primeiro turno na corrida presidencial, e vai precisar amargar uma disputa bem mais acirrada do que então imaginava. Afinal, todo o segundo mandato de Lula foi dedicado, exclusivamente, com este propósito. Toda a máquina pública, as políticas públicas, os projetos e programas de governo foram direcionados para o resultado das urnas, e não para o benefício direto da população brasileira. Não alcançando este intento, e vendo que a disputa está cada dia mais equilibrada, não é difícil que um e outro dirigente petista comecem a ver chifres em cabeça de cavalo e lance mão do receituário petista de campanhas eleitorais que prevê, dentre outros “recursos”, a formação de dossiês, a plantação de notinhas anônimas e caluniosas contra adversários políticos, acusações da suprema fantasia do reino da maldade, para, num primeiro momento, ocultar do eleitorado seus próprios crimes, e, ato contínuo, denegrir e desqualificar seus adversários perante a opinião pública, de maneira sórdida e infame. É do senhor Cardozo esta afirmação imbecil:

"É indiscutível a relação política da proprietária da gráfica com o PSDB, seja diretamente, seja pela relação de parentesco com um dos coordenadores da campanha do candidato José Serra. Os fatos são graves e temos indícios veementes de onde vem a central de calúnias e boatos para atingir a nossa candidatura”.

Já o mesmo não se pode dizer da CUT, por exemplo, que teve tirado de circulação, também por decisão do TSE, uma edição de seu jornal, aliás mantido com publicidade de estatais – Petrobrás e Banco do Brasil - onde claramente faz campanha eleitoral desbragada em favor de Dilma Rousseff. “Censura!” berrou a turma da CUT. Errado. Trata-se de ilegalidade já que a lei proíbe que sindicatos, centrais sindicais e estatais pratiquem campanha eleitoral a favor de quem que seja. A CUT, é bom lembrar, é mantida com dinheiro público proveniente do imposto sindical cobrado dos filiados. E é neste sentido, o de se evitar o abuso do poder político e econômico, que a CUT, por lei, está proibida, a exemplo das demais centrais e sindicatos, de fazer propaganda eleitoral. E, mesmo proibidos por lei, TODOS os sindicatos ligados à CUT fazem escancaradamente propaganda eleitoral, e sempre pendendo para um lado só. Cadê o Ministério Público Eleitoral? Fazendo o quê que não cumprem com sua obrigação, ou também estarão dominados?

Como também, e neste quesito até agora o silêncio do TSE é inconcebível – e até diria suspeito- é proibido que o presidente da república utilize o seu horário de expediente para fazer campanha política, como o senhor Lula, já por duas ocasiões, suspendeu sua agenda de Chefe de Governo, para gravar propaganda para o horário eleitoral de Dilma. Como, ainda, e de novo o TSE se mantém negligente, é vedado o uso de prédios públicos para tratar de campanha eleitoral como o senhor Lula tem sido useiro, tanto que, logo após encerrado o primeiro turno, reuniu a bancada governista com o comitê de campanha de Dilma para tratar em horário de expediente, dentro do Palácio, sobre estratégias de campanha para o segundo turno.

Assim, se o PT quer que o TSE investigue os tais panfletos da Diocese de Guarulhos está no seu direito de pedir, contudo, não pode querer cobrir-se com o manto sagrado da lisura, porque tem sido ele próprio o maior atropelador da legislação eleitoral, sendo Lula seu maior representante na delinquência,  a ponto até  de debochar, em seus discursos, contra as decisões judiciais e os limites legais a que está submetido.

Porém, e novamente volto a levantar minhas suspeitas em relação a conduta do TSE, é inadmissível o jogo de dois pesos e duas medidas que estão sendo empregados. Contra a gráfica, o TSE destacou a Polícia Federal para fazer a apreensão. No caso da CUT, o TSE enviou um “fax” para comunicar sua decisão. Qual é, hein? Lanço no ar novamente a pergunta: do que o TSE tem medo em relação ao governo Lula? Que tipo de favorecimento está sendo oferecido para, de um lado, ser negligente em relação ao comportamento do próprio Lula e sua turma, e de outro lado, se emprega força policial contra ações absolutamente legais e dentro da ordem.

Sem dúvida, fica cada dia mais visível o favorecimento que as decisões do TSE contemplam o senhor Luiz Inácio de um lado, e, de forma oposta,  punindo com extremo rigor o outro lado, muito embora, a lei seja igual para ambos. Há conteúdo de sobra para o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral intervirem em desfavor da candidatura de Dilma Rousseff: o repetido  descumprimento da legislação eleitoral, o uso abusivo e ilegal da máquina e dos recursos públicos, a utilização de prédios públicos em horários de expediente, com a presença de vários ministros de estado, mas com o propósito de ali se praticar política partidária em período eleitoral, até o uso imoral de verbas previstas no orçamento cuja liberação fica condicionada ao apoio à candidatura governista, a proibição, na Bahia, conforme veremos amanhã, de emissoras de rádio incluírem em sua programações as inserções obrigatórias do candidato da oposição, e, todo este conjunto de ilegalidades, dada a omissão e negligência tanto do TSE quanto, principalmente, do Ministério Público Eleitoral,  estão caracterizando a ilegitimidade do pleito. Não se pode mais falar em “igualdade de condições”, dado os acontecimentos que se assiste nesta campanha presidencial, diuturnamente,  seja para o primeiro ou para o segundo turno. Lula e Dilma subiram no palanque há pelo menos dois anos, e não se notou a menor reação tanto de um órgão quanto de outro.

Querem um exemplo bem claro do quão difusa foi a decisão do TSE, de responsabilidade do juiz Henriques Neves? Ao sustentar sua decisão pela apreensão do manifesto dea Diocese de Guarulhos, em dado momento, escreveu:

“(...)Toda publicidade eleitoral deve ser realizada com a indicação dos dados de quem é o responsável pela confecção, quem contratou e a respectiva tiragem(...)"

Primeiro, senhor juiz Henrique Neves, não se trata de publicidade eleitoral coisíssima nenhum. Mostre-nos em que trecho do manifesto isto está estampado. Segundo, que os autores estão bem identificados, e deles não se tomou conhecimento quem fez questão de ler o manifesto pela metade. E não apenas estão identificados os autores, bem como se sabe e se reconhece de quem partiu o pedido para a confecção do Manifesto. Terceiro, também é público e notório que a tiragem foi de 2,1 milhões de cópias, sendo 1,1 milhão distribuídas no primeiro turno, e o restante destinado a ser distribuído neste período de segundo turno.

Vou mais longe: mostre-nos onde está caracterizada alguma acusação injuriosa em relação à candidata Dilma, ou não serão verdadeiros os fatos ali narrados de forma cronológica e informativa?

Repito e reafirmo a crítica que lhe fiz na primeira vez: sua decisão é deprimente e tem o dom de enxovalhar princípios e direitos que deveriam ser de seu conhecimento. Ao dar abrigo a uma leitura porca e enviesada de um manifesto de orientação religiosa, estes princípios e direitos foram solenemente ignorados e vilipendiados, e se estabeleceu não apenas pela decisão, mas pela forma truculenta como se determinou a apreensão do material, uma verdadeira selvageria e ação de perseguição e intolerância religiosa. Em contraponto, e em relação à propaganda – esta sim, PROPAGANDA - estampada em jornal da CUT, é esquisito saber que, primeiro, a determinação judicial tenha percorrido o caminho mais longo – via fax – para chegar ao destino, dando assim tempo suficiente para dispersar a referida publicação, tornando impossível sua apreensão, como ainda não se tenha utilizado a mesma truculência empregada em relação ao manifesto da Diocese de Guarulhos. Há alguma razão lógica para, decisões judiciais iguais, seguirem comportamentos tão diversos? Ou estamos diante do famoso dois pesos, duas medidas?

E vejam o modo debilóide e grotesco com que o irresponsável pela "Revista do Brasil", Paulo Salvador se refere à decisão do TSE, classificando-a como "absurda" e que se trata de "censura de Serra". Ele sabe que o que fazia era ilegal, ele sabe que o TSE agiu, neste caso, dentro da lei, que a decisão está juridicamente bem amparada, mas, mesmo assim, o cretino acusa Serra de fazer censura. É o fim da picada.



Por isso, é fácil perceber que, do ponto de vista, institucional, o Brasil desde 2003, regrediu pelo menos cinquenta anos. Recuperar o tempo perdido e recompor o que tem sido destruído de forma preconcebida e metódica, não será uma tarefa das mais fáceis. Uma das pragas do aparelhamento do Estado foi justamente a de haver incutido e implantado uma cultura em que o estado de direito, mais e mais, está se tornando irrelevante para a elite político-sindical assentada no poder. Desfazermo-nos deste lixo cultural ainda vai nos custar muita dor de cabeça, podem acreditar. Melhor seria se esta derrocada tivesse um ponto final agora, porque quanto mais tempo passar, maior o prejuízo e mais custoso será o trabalho de recuperação.

Gráfica também fez material para o PT

Cristina Christiano, Diário De São Paulo

Local onde foram apreendidos 1,1 milhão de folhetos da Igreja contra o aborto foi contratado para imprimir ‘santinhos’ de candidatos petistas

A Gráfica Pani, onde a Polícia Federal apreendeu cerca de 1,1 milhão de panfletos da Igreja contra o aborto, no último domingo, teve entre seus principais clientes, nestas eleições, candidatos do Partido dos Trabalhadores.

Entre eles Paulo Teixeira e Simão Pedro, eleitos, respectivamente, deputados federal e estadual, e a Mulher Pera, do PR, que integra a coligação com o PT.

Igrejas católicas, evangélicas e budistas também estão entre os clientes assíduos. “Trabalho para quem me paga e tem crédito”, diz o contador da gráfica, Paulo Ogawa, pai do dono e marido da sócia da empresa, Arlety Satico Kobayashi. Ela, conforme o DIÁRIO noticiou ontem, é filiada ao PSDB.

“A Arlety nunca foi militante. Ela se filiou ao partido dos tucanos em 1991, quando trabalhava no gabinete do irmão, Paulo Kobayashi, na presidência da Assembleia Legislativa”, explica Ogawa. A empresária também é irmã do tucano Sergio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha do candidato tucano José Serra.

“O Sérgio foi um dos maiores opositores do meu casamento com a irmã dele e, por isso, há 20 anos que não conversamos”, conta Ogawa. “Para ficar comigo, ela se desvinculou do gabinete do Paulo, meu grande amigo, porque disse que não queria chupim partidário.”

Arlety é funcionária concursada da Assembleia desde 82 e, hoje, trabalha no departamento de finanças. “Por ironia, lá é um reduto do PT”, comenta.

Bispo de Guarulhos pede desculpas por 'transtornos'

Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo

D. Luiz Gonzaga ligou para dono de gráfica onde foi impresso material acusando PT de ser favorável ao aborto

O empresário Paulo Ogawa, proprietário da Editora Pana, disse que ontem cedo d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, telefonou para ele pedindo desculpas "pelos transtornos causados". Domingo, às 6 da manhã, a Polícia Federal apreendeu no galpão da gráfica, no bairro do Cambuci, 1 milhão de cópias do panfleto Apelo a todos os brasileiros e brasileiras.

Segundo Ogawa, o bispo colocou à disposição dele um advogado. Ele disse que recebeu ligação do suposto assessor da CNBB 1, Kelmon Luiz de Souza, "um fanático", informando que o pagamento de R$ 30 mil pela impressão será realizado dia 5. "A diocese vai pagar", informou Ogawa.

A busca na gráfica foi determinada pelo ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deferiu medida cautelar pleiteada pelo PT. "O conteúdo do panfleto caracteriza, em uma primeira análise, peça de propaganda eleitoral negativa", assinalou o ministro. "Nos termos da legislação eleitoral atual, as igrejas não podem contribuir com publicidade em favor ou contra candidatos."

Ogawa relatou que, inicialmente, um lote de 100 mil panfletos foi encomendado. Por e-mail a Alexandre, filho do empresário, Kelmon formalizou o pedido dia 15 de setembro com emissão de fatura em nome da diocese. O serviço foi orçado em R$ 3 mil. A diocese cogitava 20 milhões de cópias, mas Ogawa se propôs a imprimir 2 milhões. "Eu sabia que era alguma coisa sobre aborto, mas é uma posição da Igreja que considero válida e tem a minha simpatia. Sou contra o aborto", disse. "Sabia que ia dar muvuca quando o PT soubesse. Era um folheto com a assinatura de três bispos e responsabilidade de d. Luiz. Não vou duvidar."

Ele revelou que com os panfletos seria entregue às paróquias cópia de uma carta de D. Luiz que pedia imediata distribuição do material. "Com os nossos cordiais cumprimentos em Cristo, estamos enviando o presente lote de material da nossa campanha contra o aborto", diz o texto. "Os impressos foram produzidos graficamente por conta e ordem da nossa Diocese, sem valor comercial." O bispo observa que a Igreja Católica "goza de imunidades tributárias concedidas pela Constituição".

Ogawa disse que também produziu jornais para candidatos do PT, Paulo Teixeira e Simão Pedro, reeleitos deputados federal e estadual, e para a Mulher Pera, que candidatou-se a deputada pelo PTC. Ele negou vínculo com o PSDB e que tenha sido assessor de José Serra na Saúde. "O PT está procurando pelo em ovo. Nunca tive vínculo político. Sou apartidário. Nunca pedi uma nomeação. É mais uma lorota."

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Em áudio obtido pelo Estado, d. Benedito Beni dos Santos afirma que o material apreendido em gráfica do Cambuci reflete a opinião da Igreja.

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Em tempo: Esta postagem foi originalmente publicada  hoje pela manhã. Porém, para dar clareza na sequência de posts e melhor elucidar o comentário que faremos no post seguinte, estamos republicando neste trecho do blog.

PT pede que TSE investigue panfletos contra Dilma

Marcelle Ribeiro e Tatiana Farah, O Globo

O PT pediu ontem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigue quem encomendou a impressão de panfletos apócrifos com texto que recomenda o voto em candidatos contrários à descriminação do aborto e com críticas à posição do partido sobre o tema. Sábado, a Polícia Federal apreendeu um milhão de panfletos na Editora Gráfica Pana Ltda, na capital paulista, após o TSE conceder pedido de liminar ao partido.

Uma das sócias da gráfica é Arlety Satiko Kobayashi, filiada desde 1991 ao PSDB e irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra.

- Temos denunciado toda uma central de calúnias nos subterrâneos da campanha. Até DVDs e CDs têm sido distribuídos. Pedimos a instauração de dois inquéritos, disse o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT), um dos coordenadores da campanha da petista Dilma Rousseff.

Um desses inquéritos pede a apuração da impressão e distribuição dos panfletos; o outro solicita a investigação de denúncia publicada nos jornais "Correio Braziliense" e "Estado de Minas", de que estaria sendo feita uma campanha de telemarketing, focada em eleitores de Marina Silva (PV), com denúncias e calúnias contra o PT e Dilma.

- Há indícios veementes de que esses panfletos podem ter sido produzidos pelos adversários. A central de boatos parece que agora aponta para quem é o autor, disse Cardozo:

- Os panfletos não têm as formalidades exigidas pela legislação. É algo que nos parece ilegal. Quem tem recursos para pagar uma campanha cara como essa?

Segundo Paulo Ogawa, marido de Arlety e responsável pela gráfica Pana, a encomenda dos panfletos foi feita por Kelmon Luis de Souza, que se apresentou como representante do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini. Ogawa disse que essa foi a segunda encomenda feita pela diocese.

Em nota à imprensa, os bispos da Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disseram que "não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor".

Afirmaram ainda que não patrocinam a "impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos".

O bispo de Guarulhos não retornou as ligações feitas pelo GLOBO.

Ogawa disse ter falado por telefone com Dom Luiz Gonzaga ontem, e este teria afirmado que a encomenda, no valor de R$ 30 mil, vai ser paga, mesmo após a apreensão:

- Afirmaram que vão pagar. Falei com o bispo, e ele pediu desculpas pelo transtorno da apreensão. Depois, passou a palavra ao assessor dele, João Carlos, que disse que o advogado da diocese estaria à disposição da gráfica, - disse Ogawa.

Ogawa negou ter qualquer ligação partidária e disse que, apesar de sua esposa ser filiada ao PSDB, ela nunca foi militante. Arlety, segundo Ogawa, está há uma semana nos Estados Unidos.

O líder da bancada petista na Assembleia Legislativa, Antonio Mentor, disse que Ogawa trabalhara no Ministério da Saúde. Mas Ogawa disse que nunca teve nenhum cargo público.

A campanha de José Serra informou, por meio de sua assessoria, que, na ânsia de querer obter provas contra o candidato tucano, os petistas se referiram a um homônimo de Paulo Ogawa.

Sindicato dos aeroportuários defende voto em Dilma

Erich Decat, Blog Noblat 

Apesar de as entidades sindicais serem proibídas por lei de gastarem dinheiro em benefício de um candidato A ou B, o Sindicato Nacional dos Aeroportuários apresenta na página principal do site uma cartilha em que defende o voto em Dilma (PT), candidata à sucessão de Lula.

O texto foi criado após o I Congresso Nacional dos Trabalhadores Aeroportuários ocorrido em março deste ano em Tamandaré, Pernambuco. Em homenagem ao local do evento a cartilha recebe o nome de "Carta de Tamandaré"

Entre as resoluções aprovadas pela entidade - que é ligada à CUT – está o item 8 que diz:

“Mobilizar a base aeroportuária em torno da pré-candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República do Brasil, entendendo caber a ela o comando da continuidade das políticas implantadas pelo presidente Lula, por um Brasil ainda mais justo para o nosso povo”.

Procurado pelo blog, o presidente da entidade, Francisco Lemos, negou que o sindicato esteja fazendo campanha de Dilma.

“Não é campanha. Apenas entendemos que o projeto de Dilma é o mais próximo do que defendemos do que o projeto do candidato Serra. Não temos nem que discutir a proposta do Serra que é a favor da privatização”, ressaltou.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Bem que o senhor Francisco Lemos perdeu uma ótima oportunidade de ficar de bico calado para não dizer  besteira. Esta gente parace ignorar completamente o senso do ridículo. Pedir votos para uma candidata específica não é fazer campanha? É o que, então, seu safado, propaganda ou, como se dizia antigamente, "reclame publicitário"? E, mesmo assim, meu senhor, não pode. A lei eleitoral proíbe que sindicatos façam propaganda eleitoral, entendeu? Vê se toma jeito, cidadão!!!

Banco do Brasil e Petrobras custeiam revista da CUT pró-Dilma

Banco do Brasil e Petrobras custeiam revista da CUT pró-Dilma

Folha de São Paulo

Proibida de circular pela Justiça Eleitoral pelo conteúdo favorável à campanha de Dilma Rousseff (PT), a edição deste mês da "Revista do Brasil", vinculada à CUT (Central Única do Trabalhador), teve anúncios pagos por Petrobras e Banco do Brasil, informa reportagem de Silvio Navarro, publicada nesta terça-feira pela Folha .

A estatal e o banco confirmam que são anunciantes da revista, mas se recusaram a informar o valor repassado.

Ontem, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Joelson Dias determinou a interrupção da circulação da revista, cuja tiragem é de 360 mil exemplares mensais.

OUTRO LADO
Responsável pela "Revista do Brasil", Paulo Salvador afirma que a decisão do TSE é "absurda" e que se trata de "censura de Serra".

O Banco do Brasil disse que "os critérios para veiculação de anúncios estão ancorados no relacionamento com os públicos da revista, de interesse para qualquer instituição bancária".

A Petrobras diz que "veicula anúncios e campanhas publicitárias em diversos meios de comunicação" para fortalecer sua imagem.

Editoria de Arte/Folhapress

TSE suspende distribuição de jornal da CUT

Lauro Jardim, Veja online




O ministro Joelson Dias suspendeu na madrugada de hoje a distribuição do Jornal da CUT e da Revista do Brasil por terem conteúdos favoráveis à Dilma Rousseff. A decisão do TSE atende à ação da coligação de José Serra segundo a qual entidades sindicais, financiadas com dinheiro público e do trabalhador, são proibidas por lei de fazer campanha.

Com oito páginas, datado de 28 de setembro, o jornal da central sindical é recheado de reportagens elogiosas à Dilma e negativas a Serra. Referindo-se à petista, a publicação estampa na capa: “Ser mulher não basta”. No editorial, o presidente da CUT, Arthur Henrique, afirma ainda que as “urnas devem confirmar a vitória da primeira mulher”.

Às 3h15, Joelson Dias determinou a notificação da CUT e da Gráfica Atitude para que e deixassem de distribuir as duas publicações. Exigiu que a central também as retirassem do site. Uma hora depois, o TSE não conseguiu citar por fax a entidade e a gráfica. Até agora ainda há um link para baixar todo o jornal na página inicial da CUT.

Um ponto final sobre panfletos, manifestos e propaganda ilegal

Comentando a Notícia


Sábado, critiquei acidamente o juiz eleitoral, Henrique Neves, pela decisão de mandar, através da Polícia Federal, apreender um manifesto de orientação religiosa, escrito, redigido e mandado confeccionar pela Diocese de Guarulhos. Não me afasto um milímetro sequer do que disse naquele artigo (clique aqui para acessar o arquivo).

Pois bem, os posts que seguirão dão bem a mostra do que está no país, mostram bem como nas nossas instituições se instalou uma perigosa cultura de se ignorar o estado de direito para agradar o poder. E isto é um retrocesso que, se não estancado a tempo, conduzirá o país, inevitavelmente, para uma instabilidade institucional. Já vi este filme por isso posso julgar que os mesmos elementos estão presentes no cenário político brasileiro novamente.

Mas leiam as notícias na sequência dos fatos. No fim, faço um apanhado geral e, como sempre, comento sem ficar em cima do muro. Mostro a realidade perigosa que está bem diante dos nossos olhos . É possível reverter? Sim, mas vai nos custar tempo e dor de cabeça. Contudo, é o único meio que temos de resistir e não sermos tragados pelo mau tempo que aproxima rápido.

Amanhã, faremos a mesma coisa em relação ao golpismo em marcha e trataremos da questão Paulo Souza e o por quê do desespero petista em levar este caso às últimas consequências. Não é para prejudicar a campanha de José Serra num primeiro momento. Claro o propósito final é atingi-la o mais que puder. Mas no caso do Paulo Souza a ação da tropa visa muita mais proteger-se partindo para o ataque. Pena que nem todos são os idiotas que eles imaginam.

A difícil missão de Dilma Rousseff

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

"Dilma faz isso, Dilma faz aquilo... Dilma, corta o cabelo! Dilma se maquia mais rosadinha! Dilma você está sem emoção, tem de passar mais verdade... Dilma, seu sorriso não está sincero... Dilma isso, Dilma aquilo..."

(Coitada da pobre senhora que, canhestramente, segue as ordens do patrão e dos petistas que a usam para ficar eternamente em seus buraquinhos ou para realizar o que seria a torta caricatura de um vago socialismo, que não passa de uma reles aliança com a banda podre do PMDB.)

"Dilma, não fale nada de novo sobre aborto que você já deu uma entrevista na TV e agora não adianta desmentir. Dilma, ajoelha, isso, sei que está cansada, mas ajoelha e faz cara de religiosa devota de Nossa Senhora Aparecida; Dilma, eu sei que você é ateia, que para você a religião é o ópio do povo, mas, dane-se, ajoelha e reza, mas não fica com a cara muito em êxtase feito uma madre Teresa de Calcutá, não, que eles desconfiam. Dilma, levanta e vai confessar e comungar, mas não conte tudo ao padre, não, porque esses padres de hoje não são confiáveis e podem fazer panfletos. Dilma isso, Dilma aquilo!... Sei que foi duro para você, bichinha, ser preterida pela Marina, tão magrinha, uma top model do seringal , sabemos de tudo que você tem sofrido, mas você é uma revolucionária e tem de aguentar as intempéries para garantir os empregos de tantos militantes que invadiram esse Estado burguês para "revolucionar" por dentro. Viu, Dilma? Feito ensinou aquele cara italiano, que os comunas vivem falando, o tal de Gramsci... só que nosso Gramsci é o Dirceu.... ah ah... Você tem de esquentar minha cadeira ate 2014, pois você acha que vou ficar de pijama em São Bernardo?"

Aí, chegam os marqueteiros, escondendo sua depressão, pois o segundo turno não estava em seus planos de tomada do poder:

"Dilma, companheira, esculacha bem o FHC e o Serra , pois você pode inventar os números que quiser, porque ninguém confere. Diz aí que nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria! Claro que é mentira, pô, mas diz e esconde que foi o governo do FHC que inventou o Bolsa Família e negue com todas as forças se disserem que o Plano Real tirou 30 milhões da faixa de pobreza, quando acabou com a inflação. Esqueça no fundo de tua mente que a inflação só ameaçou o Plano Real quando Lula barbudo ia vencer... Mas, quando o Duda escreveu a cartinha do Lulinha "paz e amor", a inflação voltou ao normal.

Dilma, você tem de negar em todos os debates que o PT tentou impedir o Plano Real no STF, assim como não assinou a Constituição de 88 para não compactuar com o "Estado burguês"; todos têm de esquecer que fomos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que demos força a todos os ladrões que pudemos para manter as alianças para nosso poder eterno, pois as ordens do companheiro Dirceu ("sim, doutor Dirceu, como está? Estamos ensinando aqui à dona Dilma suas recomendações...") eram: atacar tudo do governo FHC, mesmo as coisas inegavelmente boas. Dilma, afirme com fé e indignação que as "privatizações roubaram o patrimônio do povo", mesmo sabendo que a Vale, por exemplo, quando foi privatizada em 97 valia 8 bilhões de reais e que hoje vale 273 bilhões, que seu lucro era de 756 milhões e que agora é de 10 bilhões, que seus empregados eram 11 mil e que agora emprega 40.000. Mesmo sabendo que a Embraer entregava 4 jatos em 97 e que agora entrega 227, que a telefonia não existia na Telebrás e que agora quase todos os brasileiros têm celular. Não podemos divulgar, mas a telefonia privatizada aumentou o número de telefones em 2.500 por cento... Isso. Mas, não diga nada... Pode citar número quanto quiser que ninguém confere... diga que os municípios têm saneamento básico, quando metade deles não tem esgoto nem água tratada, depois de nossos oito anos no poder... Pode dizer o que quiser. Viu o belo exemplo do Gabrielli, que ousou dizer que o FHC queria que a Petrobras morresse de inanição e que o Zylberstajn era a favor da privatização do pré-sal"? Ninguém contesta, mesmo sendo publicado o que FHC escreveu na época, dizendo que "nunca privatizaria a Petrobras". Diga sempre que a culpa é das "elite", que o povão do Bolsa acredita... Dilma, faz isso, faz aquilo... Dilma, sobe no palanque, desce do palanque..."

(Eu acho que Dilma é uma vítima. Uma "tarefeira" do narcisismo de Lula. Agora que Dilma não tem mais certeza de que vai vencer, seu semblante é repassado por uma vaga inquietude. Gente autoritária odeia dúvidas, porque a dúvida não é "de esquerda"; a dúvida é coisa de pequenos burgueses - como dizia Marx: "Pequeno burguês é a contradição encarnada." Lula também odeia dúvidas...Ele fica retumbante quando vitorioso, mas sua cara muda com fracassos. Lembram do seu pior momento, quando explodiu o mensalão?

Agora Lula está deprimido de novo, o PMDB está angustiado, querendo trair, como mostra a cara do candidato a vice-presidente, o mordomo inglês de filme de terror... Lula teme a derrota, como se caísse de volta na linha de pobreza que ele diz que interrompeu. Talvez no fundo, Dilma tema a própria vitória, porque terá de aguentar o PMDB exigindo coisas, Força Sindical, CUT, ladrões absolvidos, renunciados, cassados, novos corruptos no poder, novas Erenices, terá de receber ordens do comissário do povo Dirceu, terá de beijar e gostar do Sarney, Renan, Collor, seus aliados. Vai ter de beijar com delícia o Armadinejad, o beiçudo leão de chácara Chávez, o cocaleiro Evo, com o MST enfiando bonés em sua cabeça, vai ter de aturar as roubalheiras revolucionárias dos fundos de pensão que já mandaram para o Exterior bilhões em contas secretas.

Coitada da Dilma - sendo empurrada com a resignação militante, para cumprir ordens, tarefas, como os militantes rasos que pichavam muros ou distribuíam panfletos. Dilma às vezes dá a impressão de que não quer governar... Ela quer sossego, mas não deixam...

Como é que fazem isso com uma senhora?

Partidarização de estatais e dirigismo

O Globo, Editorial

A ida para o segundo turno da candidata oficial, Dilma Rousseff, quando a sua campanha já havia preparado a festa da vitória em Brasília, tornou mais agressivo — ou “assertivo” — o embate nesta fase final das eleições.

Como em 2006, por certo devido à inspiração do principal cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula, coloca-se no centro da mesa o assunto das privatizações empreendidas na Era FH, numa tentativa de apresentar o candidato tucano, José Serra, como vendilhão do “patrimônio do povo brasileiro”.

E, tanto quanto em 2006, o nome da Petrobras anda de boca em boca. Até mais do que em 2006, pois ainda se está durante a aprovação legislativa da conversão do modelo de exploração do pré-sal de um sistema de concessão — exitoso, tanto que permitiu a descoberta da nova fronteira de produção — para o modelo de partilha, mais ao gosto da ideologia estatizante que ampliou espaços no segundo governo Lula.

Mas não estamos em 2006, e, depois de quatro anos de ampliado o aparelhamento da máquina pública, de denúncias de corrupção em estatais, a velha tática ressurge ainda mais caricata.

Deve ter sido grande a frustração do patrono de Dilma ao não ter conseguido, do alto de cerca de 80% de popularidade, transferir os votos necessários para a ex-ministra liquidar as eleições no primeiro turno. Faltou pouco, mas faltou.

A gana do lulopetismo para vencer o pleito a qualquer custo ampliou-se. E assim facetas já expostas da Era Lulopetista ficam mais explícitas.

Não são fatos isolados que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, militante petista de carteirinha, transforme a maior empresa da América Latina em comitê eleitoral de Dilma, enquanto o presidente da Vale, Roger Agnelli, decida falar de maneira aberta o que se sabe há tempos: “Tem muita gente procurando cadeira (a dele).

E normalmente é a turma do PT.” Tem-se, sem subterfúgios, aspectos marcantes do lulopetismo, principalmente na segunda gestão de Lula: a partidarização de estatais e o dirigismo na economia, que sequer respeita a privatizada Vale.

Como a ex-estatal tem, no conjunto de acionistas de peso, fundos de pensão de companhias públicas (Previ/Banco do Brasil e Petros/Petrobras), são desfechadas pressões fortes para que Agnelli coloque dinheiro da empresa — logo, de todos os acionistas — em certos projetos que atendem apenas a interesses de aliados políticos do lulopetismo.

Esses fundos são o braço financeiro bilionário de corporações sindicais, com enorme influência no mundo dos negócios, e, por tabela, nas finanças da política partidária. São arma eficiente no modelo de capitalismo de estado sonhado por viúvas de Geisel que transitam por Brasília.

O uso da Petrobras é conveniente não apenas pelo peso da empresa, mas pelo que representa no imaginário da sociedade. Balela imaginar que venha a ser privatizada algum dia.

O candidato José Serra tem razão quando diz que a Petrobras e tantas outras precisarão ser reestatizadas, pois foram privatizadas por interesses de grupos políticos e corporações variadas.

Um processo pelo qual os Correios, outrora estatal símbolo de eficiência, foram destroçados por esquemas como o montado dentro da companhia por Erenice Guerra e apaniguados de políticos.

Gasta-se um tempo precioso de debates já em si amarrados para discutir um não problema. Serve apenas para dar ideia de como estes grupos lutam para não deixar de usufruir do “patrimônio do povo brasileiro”.

Conversa de surdos

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Muita gente pergunta quem foi melhor no debate de domingo na Rede TV! Independentemente de ter visto ou não o programa. Isso acontece sempre, as pessoas querem saber a opinião do outro, mas, sobretudo, querem conferir se a sua própria "está certa".

Há dois tipos de avaliação: o conjunto do debate e o desempenho de cada um dos candidatos. Em ambos as respostas são tão óbvias que chega a ser um tanto constrangedor externá-las como fruto de análise especializada.

Se comparado com os de "antigamente", até a década dos 90, o debate foi ruim, como todos os outros, à exceção do anterior, na Band. Naquele, Dilma Rousseff deu um choque de animação ao ser mais incisiva nas cobranças ao adversário.

No domingo a candidata amenizou o tom e a falta de novidade levou o debate para o terreno já bastante conhecido do público: aquela coisa aborrecida, arrastada e com discussões muitas vezes absolutamente ininteligíveis para a maioria das "pessoas humanas".

Serra quer explicar as coisas da forma "correta", raramente faz a tradução política do assunto, o que prejudica o entendimento de quem acompanha as cenas como um campeonato de sacadas e tiradas. É assim que a gente vê esse tipo de programa, avaliando quem desferiu o melhor golpe, instante a instante.

Nenhum dos dois é bom nisso. Mas se o defeito do candidato do PSDB é excesso de apego ao "concreto" daquilo que está sendo abordado, o de Dilma é sua total incapacidade de se fazer acompanhar no desenrolar do raciocínio.

E olhe que melhorou muito desde que fazia plateias inteiras cochilarem durante suas apresentações de projetos do governo.

Dilma Rousseff simplesmente não fecha os raciocínios. Tampouco inicia um pensamento de maneira a se conectar em linha reta com a questão posta.

No domingo, nem ela nem Serra responderam ao mediador Kennedy Alencar quais eram os defeitos e qualidades de cada um e do adversário. Foi uma tentativa de sair da ladainha sobre saúde, educação, infraestrutura, assuntos cujas abordagens são completamente previsíveis.

Ambos correram para a segurança da saída pela tangente. Tradução possível: nenhum dos dois acha que tem defeitos ou qualidades nem sabe avaliar sob esses critérios o oponente.

Daí em diante foi a obviedade de sempre: o tucano infinitas vezes superior em todos os quesitos, o que de resto seria diferente apenas se a petista fosse um fenômeno de talento natural para a política e conseguisse com isso superar as diferenças de vida, experiência e perfil existentes entre dos dois.

Trata-se de um artificialismo retórico destinado exclusivamente a alimentar o mito da neutralidade, apontar equilíbrio de desempenho entre os candidatos.

Nesse último debate, para a petista ainda pesou a desvantagem do efeito do resultado do primeiro turno e aí Serra, reanimado, joga com vontade de acertar; Dilma, abatida, joga com pânico de errar.

Roupa nova.
José Serra gostaria muito de ter o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga no ministério caso seja eleito presidente.

Mas não para cargo na área econômica: Serra daria a Armínio a pasta da Educação.

A origem.
Os rapazes e moças do PSOL vão desculpar, mas "voto crítico" não quer dizer nada. Apoiam Dilma e ponto final. O adjetivo visa a justificar o partido por causa da posição crítica em relação do governo Lula.

Mas a urna não aceita meio termo: voto é voto e o PSOL não precisa de justificativa para escolher em quem recomendar apoio. Ponto fora da curva seria o alinhamento ao PSDB com quem não guarda qualquer identidade.

Na gangorra.
Sergio Cabral está para Dilma no segundo turno como Aécio Neves esteve para Serra no primeiro: jura que apoia, mas não prova.

Sobre as ideias econômicas atuais de Dilma Rousseff: conversão genuína ou o santo nome em vão ?

Bolívar Lamounier, Portal Exame

O momento pitoresco do debate de ontem ficou por conta da candidata governista. Foi quando Dilma Rousseff pediu direito de resposta por ter Serra supostamente afirmado que ela seria a favor da inflação.

A comissão incumbida de examinar tais recursos prontamente negou-lhe o direito de resposta, deixando claro que nada vira de ofensivo na fala de Serra.

Mas em si, fora do contexto do debate, a questão não deixa de ser interessante. Permitam-me aqui uma digressão, a título de background.

Partidos soi-disant de esquerda não perdem noites de sono por causa da instabilidade de preços. Ao contrário, entendem que a estabilidade é uma preocupação monetarista, reacionária etc etc.

Aventuro-me até a dizer que a opção deles - obviamente não explicitada – é em geral contra a estabilidade, no pressuposto de que a inflação cria condições favoráveis à ”mobilização das massas”.

A garfada nos salários intrínseca a todo processo inflacionário não passa de um detalhe … Do ponto de vista partidário, quanto pior, melhor.

Num ambiente econômico estável, os assalariados facilmente se entregam a ambições pequeno-burguesas como a de fazer carreira, proporcionar bons estudos aos filhos e adquirir casa própria ; alguns chegam ao disparate de quererem se estabelecer como pequenos empresários.

Não estou atribuindo tudo isso ao PT, mas, na questão específica da estabilização, ele mesmo fez questão de evidenciar sua posição . Ao Plano Real, lançado durante o governo Itamar Franco, ele deu cerrado combate .

Oficialmente, os petistas vaticinavam o fracasso e denunciavam o sentido “anti-popular” da iniciativa conduzida pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, e como em outros momentos importantes dos últimos 30 anos, eles se posicionaram para auferir dividendos políticos e não para compartilhar responsabilidades.

Considerando que Dilma Rousseff se ‘educou’ politicamente em ambientes de extrema-esquerda, pode-se conjecturar que o seu pitoresco pedido de resposta tenha decorrido de algum incômodo epidérmico com o tema da inflação. Mas esta hipótese é simplista. Veja-se o caso do deputado Michel Temer, que de esquerda não tem nada : pois ele não declarou algum tempo atrás que “uma inflaçãozinha não faz mal a ninguém” ?

O que importa é portanto o pensamento econômico de Dilma Rousseff em sua condição atual de candidata à presidência.

No dia 9 de maio deste ano, o economista Rogério Werneck publicou no Estadão este interessante relato :

“Na semana passada, a candidata foi cuidadosamente preparada para deixar boa impressão junto a investidores em Nova York. [No] evento de que participou, (…) evitando qualquer referência ao ministro Guido Mantega, [a candidata] ressaltou a importância que sempre atribuiu à condução prudente da política fiscal.

“Externou ainda seu reconhecimento ao excelente trabalho que vem sendo prestado ao País por Henrique Meirelles. E sublinhou seu inarredável compromisso com metas de inflação cadentes e a manutenção da autonomia operacional do Banco Central (BC)”.

“Quem quer que tenha acompanhado as posições defendidas por Dilma Rousseff ao longo dos últimos cinco anos deve ter ficado boquiaberto diante do recém-estreado discurso da candidata.

“Há uma mudança impressionante, por exemplo, em relação ao que se viu no final de 2005, quando a já então ministra-chefe da Casa Civil [...], permitiu-se declarar que melhor seria ter inflação de 15% ao ano e recursos mais fartos para investimento”.

“Há também contraste gritante com a forma aguerrida com que, também em 2005, a ex-ministra comandou o torpedeamento da proposta de contenção da expansão de gastos correntes feita pelo então ministro Antonio Palocci.

“Ou ainda com suas declarações do final de 2007, quando afirmou que qualquer esforço de contenção de gastos seria deixado para o próximo mandato presidencial, que “o popular choque de gestão não leva(va) a nada” e que o grande mérito do PAC era ter feito o País romper com a tradição de contenção fiscal”.

Como se vê, o relato de Rogério Werneck é altamente esclarecedor. Que a ex-ministra, antes de desembarcar em Nova York, se converteu a teses econômicas que antes não apoiava, não cabe pois qualquer dúvida.

E oxalá sua conversão tenha sido genuína, pois assim, no caso de ela ser eleita, o país estará em tese protegido contra o risco de um monumental retrocesso. Estará a salvo da instabilidade que o assolou durante três décadas, até o Plano Real.

Durante os anos 80 e começo dos 90, como é arqui-sabido, a economia brasileira esteva à beira da desorganização total. Os chamados planos “heterodoxos” (Cruzado, Bresser, Collor e outros) conseguiam frear a inflação por um curto período, mas ela recrudescia poucos meses depois.

Enquanto não se livrasse desse problema, o Brasil não teria como retomar o crescimento, não receberia investimentos como recebe hoje, e muito menos teria como encetar programas consistentes no sentido de reduzir a desigualdade e a pobreza.

Esta é a verdade elementar que certas pessoas, por ignorância ou má-fé, se recusam a reconhecer.

Uma perfeita parceria público-privada: Dilma e Cardeal

Comentando a Notícia

O PT quer o poder para criar estatais a perder de vista e, depois, privatizá-las para os “companheiros” e sindicalistas pelegos.

É a perfeita sincronia da conhecida parceria público-privada: o Estado fornece as estatais, a sociedade o dinheiro dos impostos que serão aplicados nas estatais, e o PT, claro, privatiza os lucros para ...o PT & Cia. Aqui, o palhaço é você, eleitor-contribuinte, que acredita no patriotismo destas aves de rapina.

O Blog está no ar há mais de quatro anos, e neste tempo todo, não há uma única semana, podem pesquisar no arquivo, que a gente não tenha noticiado  um escândalo, uma falcatrua, uma corrupção, um desvio de dinheiro público, uma negociata, um superfaturamento. E podem pesquisar ainda: não escapa um único órgão ou ministério do governo Lula. Por onde se olhar, lá se encontrará, com certeza, alguma lambança. E quando nestas ações pouco republicanas tem as garras de algum "companheiro" distraído ou pouco cuidadoso, ah, meus amigos, é batata: as investigações começam e não terminam. Temos o crime, o produto do crime, mas, invariavelmente, não se tem criminosos. O caso Erenice Guerra é o exemplo típico da ação petista: primeiro, centralizam as investigações em algum departamento da Polícia Federal. Depois, seguem o ritual de se prorrogarem os prazos para apresentação do relatório. E nisto vai se enrolando a opinião pública, até surgirem novas trapaças, e o caso acaba caindo no esquecimento. O governo Lula tem uma característica incomum: produz escândalos no atacado, são tantos que a corrupção no Brasil se tornou quase um lugar comum na vida pública do país.

No final de semana, a Revista Época apresentou um reportagem contando-nos mais uma destas parceria público-privadas. De um lado, representando o “público” da parceria, a ministra Dilma, a gerentona que é competente para parecer competente. De outro lado, representando a turma do “privado” Valter Cardeal. A amizade entre ambos é coisa de muito tempo, duas décadas. Cardeal foi o principal auxiliar de Dilma Rousseff no setor elétrico. À época em que Dilma era secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul, Cardeal era diretor da estatal energética gaúcha. Guindada ao posto de ministra das Minas e Energia em 2003, primeiro ano da gestão Lula, Dilma acomodou Cardeal em sua equipe. Ocupa a diretoria de Engenharia da Eletrobras. Nessa função, gerencia o Proinfa (Programa de Incentivo ao uso de Energias Alternativas).

Valter Cardeal, diretor da Eletrobrás enrolado em fraude de € 157 milhões num banco alemão, e Vladimir Muskatirovic, chefe de gabinete da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, acusado de extorsão, têm algo em comum. Cardeal preside o conselho de administração da Norte Energia, empresa bilionária que vai implantar a usina hidrelétrica de Belo Monte, e Muskatirovic é um dos seus mais influentes membros.

Valter Cardeal e Vladimir Muskatirovic foram indicados pela Casa Civil para integrar o conselho de administração da Norte Energia.

Valter Cardeal é tão ligado a Dilma Rousseff que até já se especulou que os dois viviam um romance, o que jamais confirmado.

A usina hidrelétrica Belo Monte, que será implantada porque Lula considera isso “questão de honra”, vai produzir mais de 11.200 MW

Josias de Souza resumiu em seu blog mais este caso de sucesso de uma PPP, estilo PT.

1. Irmão de Valter Cardeal, o empresário Edgar Luiz Cardeal atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica.

2. A energia extraída do vento é justamente um dos alvos do Proinfa, o programa gerido pelo Cardeal da Eletrobras.

3. No PAC 2, o programa que Dilma trombeteia na campanha, foram alocados R$ 9,7 bilhões para investimentos em energia eólica.

4. Edgar, o Cardeal que se move no lado empresarial do balcão, é dono da DGE (Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos).

5. Por meio dessa logomarca, Edgar oferece às empresas projetos para o soerguimento de torres de energia eólica em fazendas.

6. Um de seus clientes é Ricardo Pigatto, sócio de duas empresas do ramo. Contou à reportagem: "Estabelecemos um valor fixo, com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo".

7. A “taxa de sucesso” varia de 0,2% a 10%. É paga sempre que o governo compra a energia produzida ou se o negócio é vendido a terceiros.

Neste domingo (17), Dilma foi instada a comentar a movimentação do Cardeal empresário nas franjas do setor confiado ao Cardeal levado por ela ao governo.

Primeiro, a candidata petista disse: "Essa é uma questão que eles têm de responder".

Depois, tachou a notícia de "estranha, porque ela se desmente no final". Não esmiuçou o raciocínio.

A revista Época já havia ligado Dilma a Cardeal em notícia sobre suposta fraude num milionário empréstimo internacional.

Para Dilma, mera "fofoca". Coisa produzida por uma "central de boatos". A revista informara, em essência, o seguinte:

O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, subsidiária da Eletrobras, cujo conselho de administração é presidido por Cardeal.

Alega que a CGTEE deu garantias falsas para empréstimo de financiamento de usinas de biomassa na região Sul.

Sustenta, de resto, que o conselho presidido por Cardeal, o braço-direito de Dilma, tinha conhecimento da fragilidade das garantias. Ouça-se Dilma:

"Acho bom que, na campanha eleitoral, a gente cuide as fofocas [sic]. Quem está falando isso está beneficiando o banco...”

“...O banco é um banco alemão que, como fez e aceitou um empréstimo com um aval ilegal, está querendo hoje ganhar essa questão [em] que ele errou...”

“...Conseguiu um aval de um diretor que foi demitido. Aí o banco está alegando que as pessoas sabiam. Primeiro porque você não pode ter um aval de um diretor só...

“...Segundo porque aval de pessoas ou de empresas estatais para privados é ilegal. Então o que o banco está fazendo é chorando...”

“...E o que a central de boatos está fazendo, ao invés de defender o Brasil, está defendendo banco estrangeiro".

COMENTÁRIO FINAL:

Dilma Rousseff pode até apelar para a desculpa esfarrapada de que os fatos acima não passam de “fofoca” “gerados pela central de boatos”. Mas convenhamos: há muito mais do que um simples rolo de aval fraudulento. Há episódios que merecem atenção, investigação, apuração e esclarecimento severo. Por aqui o que se denota pelo descrito na reportagem e na junção dos personagens e suas relações, vai muito além de um simples tráfico de influência, que já se caracterizaria em crime. Mas, no presente caso, o crime tem muitos megatons a mais do que um mero tráfico de influência. É preciso que Dilma entenda que, não adianta estrebuchar pedindo investigação sobre as ações do Paulo Preto com o PSDB. Lá, se crime houve, foi contra um partido político. Aqui, não, trata-se de dinheiro público, muito dinheiro público por sinal. Por serem coisas muito distintas, e por este caso envolver dinheiro da sociedade, aqui a investigação se torna muito mais urgente e necessária.

Ludibriando os católicos

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

O PT sempre foi a encarnação viva de um catolicismo de fancaria, concebido para ludibriar os fiéis e induzi-los a trabalhar pelo avanço do comunismo.

Ao ver que ia perdendo o apoio da Igreja à sua protegida Dilma Roussef, cujo abortismo radical e persistente nem os desmentidos de última hora, nem as abjetas e blasfematórias encenações de fé católica da candidata puderam camuflar, o sr. Presidente da República, em desespero, decidiu recorrer ao crime eleitoral explícito: usando o Estado como instrumento de chantagem, ameaçou romper a concordata do governo brasileiro com o Vaticano caso o eleitorado católico se recuse a continuar sendo otário do PT, como o foi servilmente durante tantas décadas por obra e graça de comunistas vestidos de bispos. O próprio Lula, algum tempo atrás, reconheceu que devia sua carreira política ao eleitorado católico, que aqueles bispos e a mídia cúmplice haviam logrado enganar cinicamente, encobrindo o programa comunista e abortista do PT com a imagem beatificada e perfumada de "Lulinha Paz e Amor".

O fim da farsa, embora tardio e parcial, não só privou Dilma Roussef da anunciada vitória no primeiro turno, mas serviu para desmascarar a autoridade religiosa postiça de tantos sacerdotes e prelados que só entraram na carreira eclesiástica para aí realizar o programa estratégico de Antonio Gramsci: esvaziar a Igreja de todo o seu conteúdo espiritual e usá-la como dócil instrumento da política comunista. A Teologia da Libertação é o braço mais ativo desse programa e, como ninguém ignora, o catolicismo de Lula - e do PT em geral - é o da Teologia da Libertação. Não o de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não deixa de ser útil lembrar que a Igreja, desde sua fundação, teve de lutar menos contra os seus inimigos ostensivos do que contra os seus falsificadores. Tal é, aliás, a definição de "heresia", palavra que hoje tantos usam sem conhecer-lhe o significado: não qualquer doutrina anticatólica, ou não católica, e sim a falsa doutrina católica oferecida indevidamente em nome da Igreja. Lembrem-se disso quando algum professorzinho aparecer alardeando que a Igreja "perseguia doutrinas adversas". Heresia não é divergência de idéias, é crime de fraude. Da Antigüidade até hoje, gnósticos, arianistas e tutti quanti jamais hesitaram em fingir-se de católicos para vender, sob roupagem inocente, as idéias mais opostas e hostis aos ensinamentos de Cristo. Com freqüência, obtiveram nesse empreendimento sucessos espetaculares, embora passageiros. Ainda no século XIX praticamente todos os seminários da França e da Alemanha ensinavam, com o nome de teologia católica, uma pasta confusa de idéias cartesianas, iluministas e românticas, na qual os jovens aprendizes, iludidos pelos prestígios intelectuais do dia, não enxergavam nada de maligno. Foi só a decisiva intervenção do Papa Leão XIII que acabou com a palhaçada, mediante a bula "Aeterni Patris" (1879), que restaurou o ensino da teologia católica tradicional. Se quiserem uma boa resenha desses fatos, leiam a obra em quatro volumes de Etienne Couvert, "De la Gnose à l'Ecumenisme" (Éditions de Chiré, 1989).

No século XX, à medida que o movimento neotomista inaugurado por Leão XIII reconquistava o prestígio intelectual da Igreja, os eternos falsários abdicaram temporariamente da propaganda aberta e voltaram-se, em massa, para a estratégia da infiltração discreta, praticada em escala industrial a partir da década de 30 graças à iniciativa da KGB (leiam o depoimento de Bella Dodd em "School of Darkness": há cópias circulando pela internet). Foi só em 1963, no Concílio Vaticano II, que, sentindo-se protegidos pela atmosfera de mudança, voltaram a vender impunemente, ao público geral, seus simulacros de cristianismo.

A fundação do PT e toda a sua carreira de crimes inigualáveis não foram senão a extensão remota desses fatos a um país periférico. O PT sempre foi a encarnação viva de um catolicismo de fancaria, concebido para ludibriar os fiéis e induzi-los a trabalhar pelo avanço do comunismo.

Não espanta que a própria entidade que personifica esse catolicismo ante o público seja, ela própria, uma fraude publicitária: a CNBB fala em nome da Igreja e posa, ante os fiéis, como expressão suma da autoridade eclesiástica, mas não é sequer uma entidade da Igreja, é uma simples sociedade civil sem lugar nem função na hierarquia católica. Os bispos, individualmente, têm autoridade para falar em nome da Igreja. A CNBB, não. Quando a CNBB repreende um bispo, ela falsifica e inverte a hierarquia. Está na hora de os fiéis, em massa, tomarem consciência disso.

Sabem por que o PT é contra a privatização de estatais?

Comentando a Notícia

A notícia foi publicada no blog do Ricardo Setti, Veja online. Retorno em seguida para comentar.

Pessoal anti-privatização, vocês viram o que está acontecendo em Goiás?

Alô, alô, amigos do blog contrários às privatizações, sempre defendidas por mim. Vocês viram o que aconteceu em Goiás, e que está no centro das discussões do segundo das eleições para governador?

Pois é, a estatal estadual de distribuição de energia elétrica Celg foi tão bem administrada que o governador Alcides Rodrigues (PP), aliado do presidente Lula, teve que apelar para um “empréstimo-ponte” de nada menos que 3,7 bilhões do governo federal para não ir à breca.

E ainda vai levar 700 milhões emprestados da Caixa Econômica Federal vocês viram para quê? Para pagar o ICMS que vinha caloteando ao governo estadual.

Não seria muito mais lógico se, em vez de manter empresas que devoram dinheiro público, o governo de Goiás aplicasse esses 4,4 bilhões no que realmente é função do estado — saúde, segurança pública, educação, melhoria do Judiciário, e por aí vai?

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Dia 15 de outubro, no artigo O MENSALÃO DO LULA E UM PARTIDO A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, clique aqui, detalhamos o caso acima, e um caso ocorrido no Piauí, demonstrando que Lula se utiliza de verbas públicas, o PAC é o maior exemplo, para cooptar apoio político. Acessando o artigo vocês entenderão a mecânica da lambança toda.

O que vale aqui ressaltar é o rumoroso caso da CELG. Todas as concessionárias que foram privatizadas, de um modo ou de outro, vão se virando sem depender da “torneira” do Tesouro. As que ficaram em poder do Estado, por não precisarem ser eficientes para sobreviver, acabam comprometendo a gestão financeira da empresa e seus rombos acabam caindo no colo dos consumidores que, no fundo, pagarão pela incompetência e descaso de maus administradores públicos. E é aí que entra a desgraçeira das empresas estatais: primeiro, se transformam em imenso cabide de empregos para os afilhados políticos. Como normalmente estes “afilhados” não tem a menor qualificação para ocuparem coisa alguma que lhes exija responsabilidade, trabalho e competência, apesar dos altos ganhos e privilégios que usufruem, quem paga é a saúde financeira das empresas, provocando a prestação de um péssimo serviço ao público usuário, e os rombos acabam cobertos pelo Tesouro, ou seja, pela sociedade.

Acreditem, no fundo, toda a discussão de petistas em relação às privatizações tem oculto os propósitos canalhas de aparelhamento da máquina pública em proveito deles próprios e, por extensão, dos sindicatos pelegos agregados. Não tem nada a ver com a “defesa do patrimônio público” coisa nenhuma. Isto é conversa mole para enganar a torcida. O que eles defendem mesmo é a defesa do patrimônio deles.

Todas as empresas privatizadas, isto vem ocorrendo desde o final da década de 80, conforme já explicamos aqui, eram deficitárias, isto é, gastavam mais do que arrecadavam. Os prejuízos sempre cobertos pelo Tesouro. Em razão do descalabro, tínhamos endividamento crescente, falta de investimento público e inflação.

A fórmula que hoje o PT defende com unhas e dentes, é cópia fiel e autêntica da que foi praticada pelo regime nas décadas de 60 e 70, e que culminaram com o país vivendo uma desigualdade sem precedentes, precisando decretar moratória por falta de capacidade de pagamento da dívida e uma estagnação que durou 25 anos.

A seguir, um trecho do artigo contando direitinho a tramoia armada para salvar uma estatal deficitária.

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Este é o verdadeiro mensalão do Lula, e seu uso demonstra claramente que o PAC tinha e tem outros objetivos, totalmente alheios ao interesse do país: ele financia a manutenção do poder, e não o desenvolvimento do país, que passou a ser de menor importância.

Querem outro exemplo? Hoje, em Goiânia, o governador Alcides Rodrigues (PP) e o candidato lançado por ele no primeiro turno, Vanderlan Cardoso (PR), anunciaram, com direito a muita festa, que no segundo turno apoiarão Iris Rezende (PMDB) ao governo de Goiás e Dilma Rousseff (PT) à sucessão de Lula.

Tudo bem, se não fosse por uma incômoda coincidência. Ontem, o mesmo Alcides estava em Brasília para outra reunião. Junto com Lula, assinou acordo que garantiu uma injeção de R$ 3,7 bilhões em dinheiro do governo federal na combalida CELG, a empresa de distribuição de energia de Goiás.

Dinheiro emprestado pela Caixa Econômica Federal. Com juros camaradas, 20 anos para pagar e dois anos de carência. Ou seja, conta para o próximo governador pagar.

Na sexta-feira da semana passada, Alcides e Vanderlan haviam se encontrado com Lula. Na ocasião, ficou decidido que a CELG receberia o dinheiro. Também foi combinado que o governador e seu candidato se bandeariam para o palanque de Dilma.

O anuncio oficial do apoio a Dilma e Iris, no entanto, só aconteceu depois da assinatura dos papéis do empréstimo. Sintomaticamente, o ex-secretário da Fazenda de Alcides, Jorcelino Braga, testemunhou a cerimônia de Brasília. Braga foi escolhido como marqueteiro da campanha de Iris no segundo turno.

O caso da CELG é uma das grandes questões da campanha de Goiás. Tanto Iris quanto seu adversário no segundo turno, Marconi Perillo (PSDB), já governaram o Estado. Perillo debita na conta do PMDB as dificuldades da empresa.

No discurso que fez durante a assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou “gestões anteriores” do Estado pelas dificuldades da empresa.

Em agosto, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou uma lei que proibia o governo de usar o dinheiro do empréstimo federal para quitar débitos da CELG com o ICMS.

O governo Lula achou uma forma de contornar a proibição. Alem dos 3,7 bi para o governo do Estado, emprestou R$ 700 milhões para a própria CELG. Dinheiro que será usado para... quitar os débitos com o ICMS.

Na prática, o dinheiro faz uma escala na empresa e vai para os cofres do governo estadual e das prefeituras.

Em Goiás, as pesquisas indicam, para preocupação de Lula, o crescimento não apenas de Perillo, mas também de José Serra.







A candidata que sonha com a telefonia estatizada ainda não chegou ao século 21

Augusto Nunes, Veja online

Dilma Rousseff recita de meia em meia hora que o processo de privatização da telefonia foi mais que um erro: foi um crime contra a nação, tramado por traidores da pátria a serviço de Fernando Henrique Cardoso. Se em 1998 fosse ela a presidente, proclama a candidata do PT, o setor estaria até hoje sob o controle do Estado. Pode-se deduzir, portanto, que caso chegue à chefia do governo tentará desfazer o que foi feito. Dilma sonha com a telefonia estatizada.

Nos debates do segundo turno, José Serra precisa mostrar aos eleitores — sobretudo aos jovens que já nascem com um celular na mão e um telefone fixo ao lado do berço — como era o Brasil da Telebrás, da Telesp, da Telerj e de outras teles eternizadas na memória de quem conviveu com tais siglas como símbolos da inépcia, da corrupção, da barganha política, do preenchimento de cargos de direção pelos critérios do compadrio e da pouca vergonha. A paisagem que deixa Dilma grávida de nostalgia incluía, por exemplo, o monumento ao primitivismo resumido nestas duas páginas da edição de 4 de dezembro de 1994 do jornal O Estado de S. Paulo.

(Clique nas imagens para ampliá-las)



Parece mentira: no tempo dos mamutes estatais, anúncios de compra e venda de linhas fixas, ofertas de aluguel de mesas de PABX e negócios congêneres inundavam quatro ou cinco páginas dos classificados de domingo. Nas áreas urbanas especialmente congestionadas, um aparelho custava mais de 3.000 dólares. A existência de linhas adicionais encarecia o preço de qualquer apartamento. A posse de aparelhos telefônicos era declarada no imposto de renda. Quem não tinha dinheiro para enfrentar o mercado anabolizado pelo excesso de demanda devia conformar-se com dois ou três anos de espera na fila dos “planos de expansão”.

Se ressuscitasse por aqui em julho de 1998, quando foram privatizados os paquidermes estatais, Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, imaginaria que o século 19 não chegara ao fim. Havia 16,6 milhões de aparelhos fixos. Hoje passam de 50 milhões. Celular era coisa de americano ou extravagância de bilionário. Hoje todo brasileiro tem um. Graças à concorrência, os preços dos aparelhos e das ligações estão permanentemente em queda. A privatização da telefonia tornou o Brasil extraordinariamente mais moderno.

A aprendiz de candidata afirma que os eleitores terão de escolher, no segundo turno da disputa presidencial, entre o novo Brasil e o velho. Verdade. O antigo é o da mulher que pilota uma máquina do tempo que só viaja para trás. Ideologicamente, a cabeça da militante Dilma Rousseff continua estacionada em 1968. A discurseira sobre a privatização da telefonia reafirma que a visão da administradora ainda não enxergou o século 21.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Para vocês terem uma pálida idéia da grande mentirosa que é Dilma Rousseff, quando esta senhora fez parte do secretariado do Governo do PT no Rio Grande do Sul, ao contrário do que prega, ela trabalhou intensamente pela privatização da CRT - Cia Rio Grandense de Telecomunicações. E só não logrou êxito por não levaria "vantagens" adicionais, ou o que hoje se convencionou chamar de "taxa de sucesso". Leiam reportagem que publicamos aqui no blog - clique aqui.  O problema desta gente é sempre apostarem que suas mentiras serão aceitas por todos sem contestação, por acreditarem que ninguém no Brasil tem memória.  

Avião citado por Dilma na TV opera em fase de ‘teste’

Josias de Souza, Folha.com

Divulgação


Chama-se “Projeto Vant” o plano elaborado pelo governo para dotar a Polícia Federal de veículos aéreos não-tripuladas de fabricação israelense.

Nos dois primeiros debates presidenciais do segundo turno, Dilma Rousseff referiu-se à iniciativa como se os aviões já estivessem guarnecendo as fronteiras do país.

Era lorota. Em verdade, o Brasil dispõe de um único avião do gênero. Encontra-se no município paraense de São Miguel do Iguaçu. Opera em fase de testes.

O Ministério da Justiça levou ao seu portal na web uma nota de esclarecimento. Em vez de corroborar Dilma, o texto a constrange. Informa o seguinte:

1. O ‘Projeto VANT’ foi à pista em dezembro de 2007. O objetivo era o de “dotar o Departamento de Polícia Federal de uma ferramenta de inteligência para monitoramento da fronteira brasileira”.

2. Só em 29 de outubro de 2009 foi assinado o primeiro contrato. Prevê o “treinamento teórico” de pilotos brasileiros em Israel.

3. Em 31 de dezembro de 2009, celebrou-se o segundo contrato. Inclui o início da operação efetiva da aeronave e treinamento no Brasil.

4. No total, o projeto envolve investimentos de R$ 655 milhões. Prevê-se que estará concluído em 2014, último ano do mandato do próximo presidente.

5. Estima-se que, nessa época, a PF vai dispor de 12 aviões israelenses para monitorar “todo o território nacional”.

6. Por ora, há em território nacional uma mísera aeronave. Estacionada numa base no Paraná, realizou 271 horas de vôo na região da Tríplice Fronteira.

7. Fez-se, segundo o Ministério da Justiça, o “mapeamento georeferenciado da fronteira brasileira, com identificação de pontos críticos”.

8. Em sua nota, o ministério refere-se aos vôos já realizados como “treinamento prático”. Coisa destinada a identificar criminosos e rotas do crime.

9. Apenas 13 policiais federais, “entre operadores de sensores e pilotos”, foram capacitados até o momento.

10. Selecionaram-se outros 20 agentes da PF para compor o quadro de uma primeira “base Vant”, a ser implantada em Foz do Iguaçu (PR).

11. Só daqui a um mês, depois da eleição de segundo turno, a PF receberá, em Israel, mais duas aeronaves.

12. Quanto à primeira, o texto do ministério não deixa dúvidas sobre a serventia: “Segue em operação no Brasil a primeira aeronave de testes”.

Ou seja, o que Dilma vendera como algo em franca operação não passa, por enquanto, de um piloto de testes. Se tudo correr como previsto, o sucessor do sucessor de Lula colherá os frutos.

Menos recursos do FAT para qualificação profissional. E o que foi feito do dinheiro?

Geralda Doca, O Globo

O montante de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) destinado à qualificação profissional caiu 68,6% entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre 1994 e 2002, foram gastos com treinamento R$ 2,4 bilhões (valores nominais), contra R$ 753,5 milhões na gestão petista.

O número de trabalhadores beneficiados também recuou drasticamente, de 13,330 milhões para 1,049 milhão.

O gasto médio anual com treinamento de trabalhadores saiu de R$ 300,7 milhões para R$ 94,1 milhões, em valores nominais, na comparação entre os dois governos.

O valor aplicado recuou de R$ 157,4 milhões em 2002 para R$ 45,4 milhões em 2003, pior ano da gestão petista. Os números constam de fontes oficiais (relatórios gerencial e de gestão do FAT e SIAFI).

O tema da qualificação profissional foi discutido pelos candidatos à Presidência da República, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no debate promovido domingo pela Rede TV e Folha de São Paulo.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Eis aí mais uma caixa preta do governo Lula merecedor de uma investigação séria e profunda. Sabe-se que o dinheiro do FAT foi usado para muita corrupção e desvio de dinheiro público. E ainda que fizesse bem menos, como ficou constatado, houve muito convênio fantasma com desvio de finalidade. Cadê o dinheiro? Cadê a devida prestação de contas?

Como sempre se disse este é um governo ótimo de discurso, de autopromoção e, como poucos, ótimo para caluniar e difamar adversários. Mas de serviço...bah! Ruim que dói!!!

ENQUANTO ISSO...

Ministros atacam gestão de Serra na Saúde
Agência Estado e Cássio Bruno

RIO - O que deveria ser a apresentação e a discussão do programa de governo na área da saúde da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, no Rio, transformou-se em palco para ataques contra o adversário da petista, José Serra (PSDB), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em encontro realizado na Associação Atlética Banco do Brasil, no Leblon, com a presença do vice na chapa de Dilma, Michel Temer, três ministros do governo Lula centraram fogo contra os tucanos, além de pedirem empenho na reta final da campanha de Dilma a uma plateia formada por servidores públicos, sindicalistas, diretores de hospitais e deputados da base aliada. Dilma não foi ao evento.

- Quem é que sabe o programa de saúde do adversário? É um gigantismo de mutirões de varizes e atendimento ambulatorial. Até 2002, os programas eram desconectos e de muito marketing - disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Temporão afirmou que ainda foi Lula quem fez a licença compulsória, com a quebra de patente, para a produção nacional do medicamento Efavirenz para o tratamento da Aids. O ministro desafiou Serra:

- O Serra nos debates diz frases de efeito e não explica nada. O desafio a comparar qualquer indicador em qualquer nível. Nós fizemos muito mais.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, seguiu o mesmo tom:

- Não são 13 dias de boatos, de mentiras, de campanha rasteira que vão tirar a energia dessa militância.

O tema aborto não estava entre nos 13 itens. Na entrevista, depois do evento, Temporão justificou dizendo que o aborto nunca esteve entre os itens e, sim, a garantia ao acesso da população a métodos anticoncepcionais e informações sobre doenças sexualmente transmissíveis nas escolas para, assim, haver uma visão laica do estado.

- Como no Brasil a questão do abortamento só se dá em dois casos específicos por lei (estupro e gravidez de risco), o SUS tem que estar preparado para atender e acolher as mulheres que, por algum motivo, necessitam de atendimento médico. Disso não vamos abrir mão. É uma questão de saúde pública.

Padilha: "nosso lema é a defesa da vida"
Sem citar a palavra aborto, Padilha pediu os cerca de 350 pessoas na reunião que levassem às ruas "o debate em defesa da vida":

- Vamos colocar no local adequado o debate em defesa da vida, que é o nosso lema. Se o importante é nascer, nenhum governo fez mais para que as mulheres e as crianças tenham o direito de nascer nesse país.

A ministra Nilcea Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, apelou para o convencimento de eleitores indecisos. Ela se disse "frustrada" em relação ao rumo tomado pela campanha no segundo turno.

Humberto Costa, coordenador do programa de saúde de Dilma, leu surperficialmente 13 projetos da petista para o setor. A lista prevê melhorias na infraestrutura da rede de atenção à saúde, iniciativas para a prevenção de doenças e a atenção integral à saúde das mulheres conforme as Políticas Nacionais de Direitos Sexuais e Reprodutivos e de Planejamento Familiar.

Costa atacou Serra:
- A verdade tem que vencer o ódio. Os adversários rebaixaram a discussão política,

Todos defenderam a volta da CPMF. Temer, por sua vez, evitou polêmica, mas fez comparações entre governos Lula e FH em relação à política internacional:

- Quando Lula assumiu, o Brasil tinha uma reserva internacional de US$ 29 bilhões. Agora, são US$ 270 bilhões. Deixamos de ser devedor para ser credor do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O encontro começou às 17h40m. Os secretários estadual e municipal de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes e Hans Dohmann, respectivamente, também participaram. Alguns deputados petistas foram ao local com carros oficiais, como Gilberto Palmares.

- O motorista só me trouxe. Vou embora de táxi - ressaltou o parlamentar, apesar de o veículo permanecer no estacionamento em boa parte do encontro.

No fim, Dilma mandou por vídeo uma mensagem, que foi transmitida num telão:

- Convoco todos vocês a fazer um grande esforço nessa reta final da campanha para não permitir o retrocesso no país e na saúde para que possamos garantir a todos um sistema de saúde digno, que seja um forte instrumento de defesa da vida.

Enquanto isso...

Mais 3 morrem no RJ aguardando leitos em hospitais

Além da aposentada Magna Lúcia dos Santos, 61 anos, enterrada nesta segunda-feira, a briga envolvendo as secretarias de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e de São João de Meriti fizeram, no sábado, mais vítimas da falta de atendimento médico. Solano Lopes, 77 anos, morreu no sábado na UPA de Jardim Iris, onde estava internado desde o dia 9, com quadro de infarto agudo do miocardio e insuficiência cardíaca congestiva. Nesta segunda-feira, outras duas pessoas morreram ao aguardar por leitos nos hospitais do Estado.

A exemplo de Magna, a família de Solano tinha uma decisão judicial, assinada pela juíza Cláudia Maria de Oliveira Motta, determinando que a prefeitura e o Estado providenciassem a remoção do paciente para uma unidade pública ou particular "dotada de recursos para o pronto atendimento", sob pena de multa diária de R$ 500,00.

Na decisão, assinada no dia 13, a juíza diz que o problema de Solano "já não mais apresenta sabor de novidade", porque "a distribuição de feitos desta natureza, apenas neste juízo, é suficiente para revelar a carência do munícipe relativa ao direito à saúde". Ele morreu a 1h30 de sábado e foi enterrado no final da tarde do mesmo dia.

O secretário municipal de Saúde, Iranildo Campos Junior, disse que não teve tempo hábil para atender a intimação judicial no prazo previsto de 24 horas, porque a procuradoria do município só foi citada na sexta-feira. Segundo a assessoria da prefeitura, foram enviados pedidos de vagas a Central Reguladora do Estado, diariamente desde 10 de outubro.

"Falaram que ele teria que fazer um cateterismo, mas que a família tinha que procurar um hospital, porque não havia meios de transferi-lo para outra emergência. Resumindo: mataram o meu marido", afirmou a viúva de Solano, Maria Helena da Conceição dos Santos.

Outros casos
Mais dois pacientes morreram nesta segunda-feira. Edio Cavalheiro, 79 anos, estava internado em São João do Meriti desde o dia 9 e sofria de insuficiencia hepática, cardíaca e renal e Ana do Rosário Santos, 86 anos, que deu entrada no dia 14 no Posto 24h da Vila São João e só pela manhã foi levada para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracaruna.

A filha de Magna Lúcia, Patrícia Santos de Almeida, disse durante o enterro de sua mãe que ela morreu vítima do descaso do Estado. "A verdade é que ela não recebeu o socorro necessário, ficou à míngua, agonizando. Isso revolta, porque a gente se sente impotente, já que nem mesmo o mandado judicial adiantou. A saúde no Rio é um descaso total e absoluto. Quantas pessoas mais morrerão naqueles postos de saúde, que não têm estrutura para receber pacientes graves?", afirmou.

Contraponto
A Secretaria de Saúde de São João de Meriti divulgou nota na noite de domingo afirmando que o posto de saúde da Vila São João solicitou, no dia 13 de outubro, um leito em UTI para Magda Lúcia à Central de Regulação de Vagas do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria, "desde o dia 13 a solicitação era reiterada diariamente para a liberação da vaga", que não foi atendida.

O superintendente de Regulação de Leitos do Estado, Carlos Alberto Chaves disse em entrevista ao RJTV que os casos de urgência devem ser encaminhados diretamente aos hospitais. "A primeira coisa a se fazer em pacientes de gravidade, crítico, é levar para uma unidade de referência. Não liga para a Central em hipótese nenhuma", afirmou.

Segundo o telejornal, nesta segunda-feira, após saber da declaração da Central de Regulação, o secretário de Saúde de São João de Meriti levou três pacientes para o Hospital de Saracuna para comprovar que o atendimento não era realizado. Sem saber que era gravado, o chefe da emergência disse que ia fazer o exame em um dos pacientes, mas que ele não poderia ficar ali. "O Estado está querendo jogar na gente uma responsabilidade que não é nossa", disse Iranildo Campos Junior.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Se esta “quadrilha” de ministros hipócritas e salafrários se preocupassem mais em cumprir com as funções dos cargos em que foram empossados, do que em fazer campanha eleitoral ilegal, bancada com dinheiro público, plantando mentiras e inventando calúnias, e muito provavelmente não haveria tanta gente morrendo por falta de atendimento na rede pública de saúde. Por pior que tivesse sido o desempenho de Serra quando Ministro da Saúde – e não foi, tanto que sua gestão foi premiada pela UNESCO e o programa Anti-Aids foi considerado exemplar no mundo todo - pelo menos as pessoas tinham atendimento hospitalar adequado e não precisavam recorrer à justiça para que um hospital público as acolhesse.

Discurso demagógico não salva a vida de ninguém, como também, muito mais do que discursos imbecis, o que conta são os resultados, quesito em que o governo Lula, no campo da saúde pública, como se tem visto de uns tempos para cá, é tão vergonhoso e deprimente que nem com mandado judicial as pessoas conseguem ser atendidas e acabam morrendo.