José Paulo Kupfer, Estadão.com
A inadimplência dos consumidores, segundo o indicador da Serasa, continua em alta. São cinco meses seguidos numa batida altista. Em setembro em relação a agosto, a alta da inadimplência foi de 1,6% – a maior desde 2000. Na comparação com setembro de 2009, houve uma elevação acima de 15% nos atrasos.
O aumento da renda e a expansão do emprego, de acordo com os analistas da Serasa, estão segurando os índices de inadimplência. Mas, a tendência do endividamento é de aceleração. Por enquanto, nada descontrolado, mas a evolução dos índices não deixa de preocupar.
Como relação do PIB, o volume de crédito na economia ainda não chegou a 50%. É um índice baixo, comparado com outros países. Há espaço para crescer, desde que a ritmo mais moderado. O problema – e a preocupação – é, justamente, com a velocidade da expansão do crédito.
Essa aceleração é estimulada pela competição dos bancos pelos candidatos aos financiamentos. A coisa começou com a atuação dos bancos públicos no mercado, em meio à crise financeira, quando o setor privado entrou em paralisia. Para não continuar perdendo mercado, os bancos privados foram à luta.
Como a rentabilidade do negócio é alta, em razão dos juros nas nuvens, além de defender sua fatia, os bancos resolveram turbinar o mercado. E estão, nas análises e na concessão de crédito, deixando de lado, progressivamente, os critérios mais rigorosos.
O resumo da ópera é que uma bolha de crédito pode estar em formação. Mais um problema para o próximo governo, no início do mandato.