Comentando a Notícia
O PT quer o poder para criar estatais a perder de vista e, depois, privatizá-las para os “companheiros” e sindicalistas pelegos.
É a perfeita sincronia da conhecida parceria público-privada: o Estado fornece as estatais, a sociedade o dinheiro dos impostos que serão aplicados nas estatais, e o PT, claro, privatiza os lucros para ...o PT & Cia. Aqui, o palhaço é você, eleitor-contribuinte, que acredita no patriotismo destas aves de rapina.
O Blog está no ar há mais de quatro anos, e neste tempo todo, não há uma única semana, podem pesquisar no arquivo, que a gente não tenha noticiado um escândalo, uma falcatrua, uma corrupção, um desvio de dinheiro público, uma negociata, um superfaturamento. E podem pesquisar ainda: não escapa um único órgão ou ministério do governo Lula. Por onde se olhar, lá se encontrará, com certeza, alguma lambança. E quando nestas ações pouco republicanas tem as garras de algum "companheiro" distraído ou pouco cuidadoso, ah, meus amigos, é batata: as investigações começam e não terminam. Temos o crime, o produto do crime, mas, invariavelmente, não se tem criminosos. O caso Erenice Guerra é o exemplo típico da ação petista: primeiro, centralizam as investigações em algum departamento da Polícia Federal. Depois, seguem o ritual de se prorrogarem os prazos para apresentação do relatório. E nisto vai se enrolando a opinião pública, até surgirem novas trapaças, e o caso acaba caindo no esquecimento. O governo Lula tem uma característica incomum: produz escândalos no atacado, são tantos que a corrupção no Brasil se tornou quase um lugar comum na vida pública do país.
No final de semana, a Revista Época apresentou um reportagem contando-nos mais uma destas parceria público-privadas. De um lado, representando o “público” da parceria, a ministra Dilma, a gerentona que é competente para parecer competente. De outro lado, representando a turma do “privado” Valter Cardeal. A amizade entre ambos é coisa de muito tempo, duas décadas. Cardeal foi o principal auxiliar de Dilma Rousseff no setor elétrico. À época em que Dilma era secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul, Cardeal era diretor da estatal energética gaúcha. Guindada ao posto de ministra das Minas e Energia em 2003, primeiro ano da gestão Lula, Dilma acomodou Cardeal em sua equipe. Ocupa a diretoria de Engenharia da Eletrobras. Nessa função, gerencia o Proinfa (Programa de Incentivo ao uso de Energias Alternativas).
Valter Cardeal, diretor da Eletrobrás enrolado em fraude de € 157 milhões num banco alemão, e Vladimir Muskatirovic, chefe de gabinete da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, acusado de extorsão, têm algo em comum. Cardeal preside o conselho de administração da Norte Energia, empresa bilionária que vai implantar a usina hidrelétrica de Belo Monte, e Muskatirovic é um dos seus mais influentes membros.
Valter Cardeal e Vladimir Muskatirovic foram indicados pela Casa Civil para integrar o conselho de administração da Norte Energia.
Valter Cardeal é tão ligado a Dilma Rousseff que até já se especulou que os dois viviam um romance, o que jamais confirmado.
A usina hidrelétrica Belo Monte, que será implantada porque Lula considera isso “questão de honra”, vai produzir mais de 11.200 MW
Josias de Souza resumiu em seu blog mais este caso de sucesso de uma PPP, estilo PT.
1. Irmão de Valter Cardeal, o empresário Edgar Luiz Cardeal atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica.
2. A energia extraída do vento é justamente um dos alvos do Proinfa, o programa gerido pelo Cardeal da Eletrobras.
3. No PAC 2, o programa que Dilma trombeteia na campanha, foram alocados R$ 9,7 bilhões para investimentos em energia eólica.
4. Edgar, o Cardeal que se move no lado empresarial do balcão, é dono da DGE (Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos).
5. Por meio dessa logomarca, Edgar oferece às empresas projetos para o soerguimento de torres de energia eólica em fazendas.
6. Um de seus clientes é Ricardo Pigatto, sócio de duas empresas do ramo. Contou à reportagem: "Estabelecemos um valor fixo, com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo".
7. A “taxa de sucesso” varia de 0,2% a 10%. É paga sempre que o governo compra a energia produzida ou se o negócio é vendido a terceiros.
Neste domingo (17), Dilma foi instada a comentar a movimentação do Cardeal empresário nas franjas do setor confiado ao Cardeal levado por ela ao governo.
Primeiro, a candidata petista disse: "Essa é uma questão que eles têm de responder".
Depois, tachou a notícia de "estranha, porque ela se desmente no final". Não esmiuçou o raciocínio.
A revista Época já havia ligado Dilma a Cardeal em notícia sobre suposta fraude num milionário empréstimo internacional.
Para Dilma, mera "fofoca". Coisa produzida por uma "central de boatos". A revista informara, em essência, o seguinte:
O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, subsidiária da Eletrobras, cujo conselho de administração é presidido por Cardeal.
Alega que a CGTEE deu garantias falsas para empréstimo de financiamento de usinas de biomassa na região Sul.
Sustenta, de resto, que o conselho presidido por Cardeal, o braço-direito de Dilma, tinha conhecimento da fragilidade das garantias. Ouça-se Dilma:
"Acho bom que, na campanha eleitoral, a gente cuide as fofocas [sic]. Quem está falando isso está beneficiando o banco...”
“...O banco é um banco alemão que, como fez e aceitou um empréstimo com um aval ilegal, está querendo hoje ganhar essa questão [em] que ele errou...”
“...Conseguiu um aval de um diretor que foi demitido. Aí o banco está alegando que as pessoas sabiam. Primeiro porque você não pode ter um aval de um diretor só...
“...Segundo porque aval de pessoas ou de empresas estatais para privados é ilegal. Então o que o banco está fazendo é chorando...”
“...E o que a central de boatos está fazendo, ao invés de defender o Brasil, está defendendo banco estrangeiro".
COMENTÁRIO FINAL:
Dilma Rousseff pode até apelar para a desculpa esfarrapada de que os fatos acima não passam de “fofoca” “gerados pela central de boatos”. Mas convenhamos: há muito mais do que um simples rolo de aval fraudulento. Há episódios que merecem atenção, investigação, apuração e esclarecimento severo. Por aqui o que se denota pelo descrito na reportagem e na junção dos personagens e suas relações, vai muito além de um simples tráfico de influência, que já se caracterizaria em crime. Mas, no presente caso, o crime tem muitos megatons a mais do que um mero tráfico de influência. É preciso que Dilma entenda que, não adianta estrebuchar pedindo investigação sobre as ações do Paulo Preto com o PSDB. Lá, se crime houve, foi contra um partido político. Aqui, não, trata-se de dinheiro público, muito dinheiro público por sinal. Por serem coisas muito distintas, e por este caso envolver dinheiro da sociedade, aqui a investigação se torna muito mais urgente e necessária.