Folha de São Paulo
O economista e ex-diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo) David Zylbersztajn classificou de "exploração eleitoral sórdida" uma manobra da campanha de Dilma Rousseff (PT) para usá-lo como munição contra o presidenciável José Serra (PSDB).
A uma semana, em debate promovido pela TV Bandeirantes, Dilma disse que Zylbersztajn "é a favor da privatização do pré-sal". Ele foi chamado de "principal assessor energético de Serra".
Em entrevista nesta segunda-feira à Rede Mobiliza, braço virtual da campanha tucana, o economista refutou mais uma vez as acusações.
Zylbersztajn --que nega ser assessor do tucano-- disse que estava em Itu (SP) para o festival de música SWU quando recebeu uma ligação, no domingo passado. Ficou sabendo, então, que tinha entrado no rol de personagens da corrida presidencial.
"Estava em plena [rodovia] Castelo Branco. Parecia pegadinha, né. Enfim, foi uma surpresa", afirmou.
Ao investir contra Zylbersztajn, Dilma segue fiel à estratégia petista de colar em Serra o estigma de "candidato das privatizações".
O economista rechaçou a possibilidade de privatizar a Petrobras --o que o PT alardeia que os tucanos farão, caso Serra seja eleito. Defendeu, no lugar, a manutenção do modelo de concessões em vigor desde 1997.
Nessa concepção, há licitação pelo direito de exploração, o que obriga a Petrobras a competir com multinacionais em leilões do governo.
O atual governo prefere o modelo de partilha, em que a estatal tem participação mínima de 30% --grupos estrangeiros não são vetados dos consórcios, mas o interesse diminui.
Para Zylbersztajn, "a Petrobras não pode ser objeto de demagogia".
O modelo defendido pelo governo, em sua opinião, "gera incerteza" e "afasta competidores".
"Na minha opinião, futuro não é bom. Supostamente, [a Petrobras] é a única operadora. As outras são empresas quase acessórias."
"Quanto menos competição, pior", disse à Rede Mobiliza.
Ele também acredita que o protagonismo da Petrobras abre uma "janela para a corrupção". Cuidadoso para não infligir no PT a pecha de corrupto, disse que isso poderia acontecer "em qualquer governo".
Zylbersztajn comentou que, sozinha, a estatal "não seria capaz de atender a demanda que o Brasil precisa".
Segundo ele, "a Petrobras melhorou muito" desde que adotou o modelo de concessões.
"Quando você é monopolista, se acomoda, é normal. Nunca vai se preocupar em ser melhor do que o outro", disse.