Comentando a Notícia
A notícia foi publicada no blog do Ricardo Setti, Veja online. Retorno em seguida para comentar.
Pessoal anti-privatização, vocês viram o que está acontecendo em Goiás?
Alô, alô, amigos do blog contrários às privatizações, sempre defendidas por mim. Vocês viram o que aconteceu em Goiás, e que está no centro das discussões do segundo das eleições para governador?
Pois é, a estatal estadual de distribuição de energia elétrica Celg foi tão bem administrada que o governador Alcides Rodrigues (PP), aliado do presidente Lula, teve que apelar para um “empréstimo-ponte” de nada menos que 3,7 bilhões do governo federal para não ir à breca.
E ainda vai levar 700 milhões emprestados da Caixa Econômica Federal vocês viram para quê? Para pagar o ICMS que vinha caloteando ao governo estadual.
Não seria muito mais lógico se, em vez de manter empresas que devoram dinheiro público, o governo de Goiás aplicasse esses 4,4 bilhões no que realmente é função do estado — saúde, segurança pública, educação, melhoria do Judiciário, e por aí vai?
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Dia 15 de outubro, no artigo O MENSALÃO DO LULA E UM PARTIDO A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, clique aqui, detalhamos o caso acima, e um caso ocorrido no Piauí, demonstrando que Lula se utiliza de verbas públicas, o PAC é o maior exemplo, para cooptar apoio político. Acessando o artigo vocês entenderão a mecânica da lambança toda.
O que vale aqui ressaltar é o rumoroso caso da CELG. Todas as concessionárias que foram privatizadas, de um modo ou de outro, vão se virando sem depender da “torneira” do Tesouro. As que ficaram em poder do Estado, por não precisarem ser eficientes para sobreviver, acabam comprometendo a gestão financeira da empresa e seus rombos acabam caindo no colo dos consumidores que, no fundo, pagarão pela incompetência e descaso de maus administradores públicos. E é aí que entra a desgraçeira das empresas estatais: primeiro, se transformam em imenso cabide de empregos para os afilhados políticos. Como normalmente estes “afilhados” não tem a menor qualificação para ocuparem coisa alguma que lhes exija responsabilidade, trabalho e competência, apesar dos altos ganhos e privilégios que usufruem, quem paga é a saúde financeira das empresas, provocando a prestação de um péssimo serviço ao público usuário, e os rombos acabam cobertos pelo Tesouro, ou seja, pela sociedade.
Acreditem, no fundo, toda a discussão de petistas em relação às privatizações tem oculto os propósitos canalhas de aparelhamento da máquina pública em proveito deles próprios e, por extensão, dos sindicatos pelegos agregados. Não tem nada a ver com a “defesa do patrimônio público” coisa nenhuma. Isto é conversa mole para enganar a torcida. O que eles defendem mesmo é a defesa do patrimônio deles.
Todas as empresas privatizadas, isto vem ocorrendo desde o final da década de 80, conforme já explicamos aqui, eram deficitárias, isto é, gastavam mais do que arrecadavam. Os prejuízos sempre cobertos pelo Tesouro. Em razão do descalabro, tínhamos endividamento crescente, falta de investimento público e inflação.
A fórmula que hoje o PT defende com unhas e dentes, é cópia fiel e autêntica da que foi praticada pelo regime nas décadas de 60 e 70, e que culminaram com o país vivendo uma desigualdade sem precedentes, precisando decretar moratória por falta de capacidade de pagamento da dívida e uma estagnação que durou 25 anos.
A seguir, um trecho do artigo contando direitinho a tramoia armada para salvar uma estatal deficitária.
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Este é o verdadeiro mensalão do Lula, e seu uso demonstra claramente que o PAC tinha e tem outros objetivos, totalmente alheios ao interesse do país: ele financia a manutenção do poder, e não o desenvolvimento do país, que passou a ser de menor importância.
Querem outro exemplo? Hoje, em Goiânia, o governador Alcides Rodrigues (PP) e o candidato lançado por ele no primeiro turno, Vanderlan Cardoso (PR), anunciaram, com direito a muita festa, que no segundo turno apoiarão Iris Rezende (PMDB) ao governo de Goiás e Dilma Rousseff (PT) à sucessão de Lula.
Tudo bem, se não fosse por uma incômoda coincidência. Ontem, o mesmo Alcides estava em Brasília para outra reunião. Junto com Lula, assinou acordo que garantiu uma injeção de R$ 3,7 bilhões em dinheiro do governo federal na combalida CELG, a empresa de distribuição de energia de Goiás.
Dinheiro emprestado pela Caixa Econômica Federal. Com juros camaradas, 20 anos para pagar e dois anos de carência. Ou seja, conta para o próximo governador pagar.
Na sexta-feira da semana passada, Alcides e Vanderlan haviam se encontrado com Lula. Na ocasião, ficou decidido que a CELG receberia o dinheiro. Também foi combinado que o governador e seu candidato se bandeariam para o palanque de Dilma.
O anuncio oficial do apoio a Dilma e Iris, no entanto, só aconteceu depois da assinatura dos papéis do empréstimo. Sintomaticamente, o ex-secretário da Fazenda de Alcides, Jorcelino Braga, testemunhou a cerimônia de Brasília. Braga foi escolhido como marqueteiro da campanha de Iris no segundo turno.
O caso da CELG é uma das grandes questões da campanha de Goiás. Tanto Iris quanto seu adversário no segundo turno, Marconi Perillo (PSDB), já governaram o Estado. Perillo debita na conta do PMDB as dificuldades da empresa.
No discurso que fez durante a assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou “gestões anteriores” do Estado pelas dificuldades da empresa.
Em agosto, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou uma lei que proibia o governo de usar o dinheiro do empréstimo federal para quitar débitos da CELG com o ICMS.
O governo Lula achou uma forma de contornar a proibição. Alem dos 3,7 bi para o governo do Estado, emprestou R$ 700 milhões para a própria CELG. Dinheiro que será usado para... quitar os débitos com o ICMS.
Na prática, o dinheiro faz uma escala na empresa e vai para os cofres do governo estadual e das prefeituras.
Em Goiás, as pesquisas indicam, para preocupação de Lula, o crescimento não apenas de Perillo, mas também de José Serra.