Adelson Elias Vasconcellos
Durante seus oito anos de governo, o ex-presidente em exercício, Lula, jamais perdeu oportunidade para avacalhar com um governo que o antecedeu e que lhe entregou um país melhor, economicamente estável, com indicadores sociais em franca recuperação e melhoria.
Mesmo ainda na oposição, uma de suas bandeiras desfraldadas foi a crítica costumeira e criminosa, porque calcada em mentiras, contra as privatizações. Estas privatizações, e já escrevemos vários artigos contestando vírgula por vírgula as mentiras que Lula contou, não apenas trouxeram o Brasil para a modernidade, mas provocaram uma avalanche de investimentos geradores de empregos e renda. E tanto foram todas elas executadas dentro da lei, que o PT não conseguiu – por mais que quisesse – reverter nenhuma das privatizações e concessões. Mas continuou, apesar disso, a mentir para o país, criticando e condenado algo que o tempo mostrou os enormes ganhos para o país.
Dentre as concessões, contudo, o governo resolveu agir para mudar as regras do jogo. Primeiro, no campo elétrico. As mudanças provocaram um resultado retumbante: conseguir travar os investimentos no setor. O Brasil se tornou escravo do regime de chuvas. Se os reservatórios secarem a níveis mínimos, precisaremos ligar todo o sistema termoelétrico - mais caro e mais poluente - para não haver apagão geral. E a se registrar: este sistema termoelétrico, que age como um colchão de segurança, é uma das heranças que Lula condenou do governo FHC. Durante oito anos, Lula não instalou nada.
Já no seu segundo mandato, Lula resolveu mexer nas concessões de rodovias. Sua crítica retumbante para o modelo FHC, é que a tarifa de pedágio era alta demais. Ele, Lula da Silva, iria mostrar ao mundo um modelo novo em que os resultados de rodovias de primeiro mundo, seriam bancados com pedágios baratinhos.
Quando o pacote “modernoso” nasceu e veio à luz, fui um dos primeiros a criticá-lo. O sistema proposto simplesmente não fechava. Não tinha como dar certo. Por quê? Porque a tarifa não cobriria os investimentos necessários para se ter as tais estradas de “primeiro mundo”.
A começar pelo fato de que não se estabelecia para os trechos licitados, nenhuma meta de investimentos. Ficava tudo por conta do concessionário, desde que ele cobrasse “pouco”. Também não se impunha nem metas de qualidade tampouco a oferta de serviços e manutenção indispensável. Era um nada vezes nada, desde que o pedágio fosse baratinho.
Assim, pergunto: dos trechos licitados no governo Lula, quantos se encontram em condições de “primeiro mundo”? NENHUM. São estradas com buracos dentro de buracos, sem manutenção de nenhuma espécie, sem serviços assistenciais aos usuários. Continuam no estado em que se encontravam antes da concessão, mas com um acréscimo significativo: cobram pedágios por um serviço que não prestam. Assim, diante do fracasso a constatação é óbvia: o modelo é um fracasso retumbante, tal qual havíamos previsto.
Durante meses, Dilma resolveu mexer no modelo Lula de concessões. Se dizia antes e ainda se diz, que o modelo agora vai funcionar. O que há de diferente agora é que há metas de investimento. Os pedágios continuam baratinhos, vence o leilão quem propor a menor tarifa, mas há uma inovação: para que o pedágio tenha seu menor preço, o governo impôs uma tal taxa de retorno, em níveis pecaminosos. De novo, o pacote não fecha.
Em primeiro lugar, o preço do pedágio não pode ser imposto, por ser ele o ponto final do processo. E qual processo? Há um investimento inicial que deve ser realizado, para que as rodovias tenham condições de trafegabilidade e segurança. É preciso um recapeamento todo novo, o que exige um trabalho de engenharia que barato não é. Depois, recuperar as chamadas “obras de arte” que são pontes e viadutos, a maioria em estado precário por falta de manutenção ao longo dos anos. Depois, vem a sinalização, indispensável à segurança. Depois, serviço de apoio aos motoristas, câmeras e central de vigilância, além dos postos de pedágio. A implantação de tudo isto exige investimentos altos, como altos também são os custos de manutenção.
Considerando o tempo de contrato – 30 anos -, a necessária recuperação do investimento só se dará se os pedágios estiverem compatibilizados aos custos e investimentos. E, claro, dentro da planilha, se deverá colocar um percentual de lucro para as concessionárias, que precisam manter seus custos fixos e variáveis.
E o que o governo propõe neste sentido? Uma taxa fixa de retorno. Ou seja, em plena era capitalista o governo quer tabelar o lucro das empresas, imaginando criar algo inédito no mundo: capitalismo sem lucro. Conclusão: o modelo proposto tem tudo para dar errado, mais uma vez. Fica claro que o governo não aprendeu com seus próprios erros.
É claro que tal constatação de fracasso só será percebida dentro de alguns anos, quando se irá medir os resultados. Mas até lá, o governo irá tentar dar demonstrações de competência exibindo, como trunfo, um modelo cujos resultados serão frustrantes, porém percebidos somente depois das eleições, seguindo assim o mesmo discurso mentiroso de 2007.
Há um modelo em vigor que é exemplo de sucesso que são algumas das estradas paulistas, as melhores do país. Com algum arranjo aqui outro ali, o modelo poderia ser transportado para o restante do país. Porém, como foi um modelo concebido por governo do PSDB, então se parte para o preconceito, descartando-os como modelo ruins. Quem perde é o país que continuará trafegando por estradas ruins, mal conservadas, sem um mínimo de segurança, sem sinalização, sem serviços assistenciais aos usuários. Mas como cobrarão pedágios baratinhos e quem pariu o monstro foram governos petistas...
E, mesmo que nos próximos leilões, chovam propostas e investidores, diante do que o governo propõe, nada garante que teremos estradas melhores. Assim, faz sentido a afirmação de Raul Velloso, veja post mais abaixo, quando afirma que “...Em benefício do usuário, cabe visar não às menores tarifas imagináveis, mas, sim, às menores tarifas possíveis.”
