Ricardo Setti, Veja online
(Foto: Mário Angelo / Sigmapress / Folhapress)
TROPA DE CHOQUE --
Invasores do Pinheirinho, orientados pelo PSTU, se armam para enfrentar
a PM diante da iminente desocupação do terreno determinada pela Justiça
Amigos, publicada em VEJA em 1 de fevereiro de 2012, esa reportagem de Carolina Rangel mostra como os incidentes ocorridos durante a desocupação de terreno invadido em Pinheirinho, distrito de São José dos Campos (SP), integra uma estratégia eleitoral do PT.
Confira, que vale a pena.
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A batalha de São Paulo
A estratégia do PT em São Paulo é a velha e provada AgitProp leninista. Coloque os miseráveis na rua e agite até a polícia bater neles. Fotografe, filme e exiba nas eleições como prova de que o governo é cruel
Se ainda havia dúvidas de que a disputa eleitoral deste ano pela prefeitura de São Paulo será uma batalha sangrenta, dois episódios ocorridos no final de janeiro de 2012 cuidaram de dissipá-las.
O primeiro teve origem na desocupação de um terreno invadido em São José dos Campos, a sétima maior cidade do estado. Conhecida como Pinheirinho, a área de 1,3 milhão de metros quadrados pertence à massa falida da Selecta, empresa do megatrambiqueiro Naji Nahas.
Em 2004, ergueu-se lá um acampamento que, com o passar dos anos, se transformou em um amontoado de barracos e casas improvisadas. Rapidamente, o lugar passou a atrair, além de famílias pobres, traficantes e usuários de drogas. Tão degradado ficou que, hoje, grande parte dos moradores de São José acha que ele está para a cidade como a Cracolândia está para São Paulo.
Pesquisa exibida pelo prefeito Eduardo Cury, do PSDB, aponta que 92% dos habitantes de São José dos Campos querem o fim do Pinheirinho. Desde o início da invasão, a área está sob o “comando” informal de lideranças do PSTU. O partido tomou para si a “administração” do acampamento, que contava com 3 mil moradores.
(Foto: Vanessa Carvalho / New Free / Folhapress)
O prefeito Gilberto Kassab tenta escapar dos
manifestantes na saída da Catedral da Sé
Em meados de janeiro, quando a desocupação do terreno pela Polícia Militar já era iminente, esse exército de miseráveis, orientado pelo grupo de um ex-candidato a vereador pelo PSTU conhecido por Marrom, posou para fotógrafos emulando um esquadrão da Tropa de Elite – em sua versão Brancaleone.
A imagem, de uma teatralidade patética, serviu para dar uma mostra tanto da irresponsabilidade das lideranças do PSTU quanto da falta de originalidade de seus métodos.
Cenas gravadas que viram artilharia eleitoral
Em 2008, em meio à corrida pela Prefeitura de São Paulo, policiais civis sindicalizados entraram em greve e tentaram invadir a sede do governo do Estado, numa investida organizada com a ajuda do deputado Paulinho da Força, do PDT. O governador era José Serra, do PSDB. Os policiais tiveram de ser contidos pela PM num confronto que deixou 32 feridos e foi fartamente explorado pela campanha do PT, cuja candidata era a atual senadora Marta Suplicy.
Em março de 2010, quatro dias antes de Serra deixar o cargo de governador para disputar a Presidência, o sindicato dos professores do Estado, filiado à CUT, organizou um ato com milhares de pessoas na Avenida Paulista para pedir um aumento de 34%. Fecharam as duas pistas da avenida, mas não houve confronto com a polícia.
Duas semanas depois, os manifestantes voltaram à carga. Mais de 7 000 deles se dirigiram ao Palácio dos Bandeirantes, ameaçando invadir o local. Para barrá-los, a polícia sacou os cassetetes. Nove professores e sete policiais ficaram feridos. As cenas, devidamente documentadas, tiveram o mesmo destino das anteriores: viraram artilharia eleitoral.
O episódio do Pinheirinho obedeceu ao mesmo script.
No dia seguinte à desocupação, o secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, apressou-se em acusar o governo estadual de ter transformado o lugar em uma “praça de guerra”. AAgência Brasil, controlada pelo governo federal, chegou a divulgar que a operação policial havia deixado mortos, “inclusive crianças”, e que a PM havia perseguido os invasores até dentro de uma igreja, onde teria jogado bombas.
Mais tarde, atribuiu as falsas informações a um advogado.
(Foto: André Dusek / AE)
MEU GAROTO --
O ex-presidente Lula faz sua primeira aparição num ato político
desde que foi diagnosticado com câncer para prestigiar Haddad,
candidato do partido em São Paulo
A velha cilada eleitoral do PT e seus satélites
Na quarta-feira, 25 de janeiro, um certo “Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho”, formado por integrantes do PSTU, do PSOL e sindicalistas petistas filiados à CUT, fez sua estreia pública num espetaculoso ataque ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Na saída de uma missa na Catedral da Sé, o prefeito foi cercado por um grupo que, portando adesivos onde se lia “Somos todos Pinheirinho”, gritava “assassino!” – o fato de Kassab ser prefeito de São Paulo e absolutamente nada ter a ver com São José não significou, obviamente, nada para o grupo.
Kassab teve de ser escoltado por seguranças em direção ao seu carro, que foi chutado e esmurrado pelos manifestantes. A PM interveio – e um novo estoque de cenas da “polícia fascista” de São Paulo se materializou. Com esses dois episódios, o PT e seus partidos satélites repetem uma velha cilada eleitoral.
E o PSDB, como sempre, cai nela feito um patinho.
(Foto: Clayton de Souza / AE)
Ano de eleição, ano de confusão
Em 2008, o sindicato dos policiais civis, liderados pelo deputado Paulinho da Força (PDT),
organizou uma greve e tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes.
A PM reagiu e conteve os manifestantes
A importância que o PT dá às eleições para prefeito de São Paulo pôde ser atestada na cerimônia em que Fernando Haddad, o candidato do partido ao posto, se despediu do Ministério da Educação.
Numa inequívoca demonstração do empenho que pretende dedicar à causa, o ex-presidente Lula fez lá sua primeira aparição pública desde que começou a tratar um câncer na laringe, em agosto.
Para o PT, a vitória nas eleições municipais de São Paulo significa um passo decisivo para chegar ao governo do Estado – até agoral, e há 17 anos, um terreno inexpugnável para o partido. O PT ocupou a prefeitura de São Paulo por duas vezes: em 1989, com Luiza Erundina, e em 2001, com Marta Suplicy – já o governo do Estado se mantém desde 1995 sob o comando do PSDB.
(Foto: José Silva / Folhapress)
Em 2010 foi a vez dos professores serem usados para pressionar o governo
Além de seu peso óbvio, o governo paulista tem uma importância política estratégica.
Todo governador tem uma grande influência na eleição de prefeitos. Em São Paulo, o PSDB domina 205 das 645 prefeituras do estado, quase 32% do total. Com isso, criou uma área de influência fortíssima sobre o maior colégio eleitoral do país. … graças a ela que os tucanos costumam ser os mais votados no estado em toda eleição presidencial.
Em outubro de 2010, por exemplo, José Serra teve 41% dos votos no estado, contra 37% de Dilma Rousseff.
Esse capital político foi crucial para que o PSDB conseguisse levar o seu candidato para o segundo turno. O PT é o partido mais votado nas regiões Norte e Nordeste e acredita que, se tomar São Paulo, alcançará esse posto também no Sudeste.
Nesse quadro, seria praticamente impossével que uma candidatura de oposição ameaçasse a permanência petista no Planalto. O PT já pôs as suas tropas em campo. E mostrou que, por São Paulo, está pronto para ir à guerra.