Adelson Elias Vasconcellos
Vejam esta foto abaixo. Nela, identificamos o emocionado abraço do presidente chileno a Florencio Ávalos, primeiro mineiro resgatado dentre os 33 que estão soterrados há mais de 60 dias. Durante as horas que antecederam o início do procedimento de resgate, ele se manteve junto com sua esposa em meio ao acampamento dos familiares dos mineiros e não arredou pé até que se completasse a primeira missão de resgate real. Ainda era resgatado o quarto mineiro, o boliviano Carlos Mamani, e o presidente não saíra do acampamento. A cada novo resgatado, o mesmo abraço emocionado, o mesmo sentimento de sóbria e sensível solidariedade. Isso é sentimento de fraternidade, obrigatória quando se trata do chefe da nação.
Florencio Ávalos, o primeiro dos mineiros soterrados a ser resgatado,
abraça o presidente do Chile, Sebastián Piñera
Há poucos dias, escrevemos um artigo no qual listamos alguns dos grandes eventos nos quais o senhor Lula da Silva se mostrou um eterno grande ausente. Foi por ocasião do discurso de Dilma na noite de 03 passado, à noite, após a confirmação pelo TSE de que haveria segundo turno para a eleição presidencial. Logo ele, mais protagonista durante a campanha do que a própria candidata.
Em todos os países, independente da ideologia do governante, a sua presença em momentos de comoção nacional é indispensável e, como disse acima, obrigatória. Ele ali não representa apenas o governo ou o seu partido político, mas toda a sociedade. No caso de Lula, é justamente no momento em que sua presença mais se faz necessária que ele dá as costas e se esconde, se omite, como se, ser solidário, lhe causasse algum tipo de repugnância e imenso constrangimento.
No plano internacional, o comportamento do governo Lula chega a ser repulsivo e vergonhoso, no plano da solidariedade humana. Lembram-se do caso dos pugilistas cubanos durante os jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro? Lula e seu ministro da Justiça não tiveram dúvidas em empurrá-los de volta para as mãos do tirano ditador cubano Fidel Castro, contudo, insiste em abrigar no país gente da laia de um Cesare Battisti, assassino e terrorista italiano, ou Oliverio Medina, representante no Brasil da narcoguerrilha FARC. Recentemente, quis intrometer-se na questão interna de Honduras, abrigando na embaixada brasileira um golpista que quis fraudar a constituição de seu país para se impor no poder. Lula insiste em manter-se amigo e aliado de um clube restrito dos piores ditadores e sanguinários ao redor do mundo. Enquanto a comunidade internacional cobra do Irã maior transparência de seu programa nuclear , permitindo inspeção da Agência Internacional para comprovação de que o seu programa, de fato, se desenvolve para fins pacíficos, Lula monta um circo ridículo que só reduz a significância do Brasil nas principais questões internacionais.
No caso chileno, e da mesma forma, no caso do dissidente chinês vencedor do Prêmio Nobel da Paz, o silêncio e a omissão do governo Lula, convenhamos, é injustificável. Aliás, é até compreensível quando se olha para a maneira como este governo trata das questões internacionais, sempre pela lente da ideologia política, nunca pelo lado da solidariedade humana.
Veja-se, internamente, o caso das famílias dos brasileiros mortos no Haiti, por exemplo. Dez meses após a cerimônia fúnebre na Base Aérea de Brasília, de 21 de janeiro, quando o presidente elogiou em discurso os “destemidos brasileiros” mortos durante o terremoto do Haiti, as famílias dos dezoito militares ainda não receberam um só centavo da prometida indenização de R$ 500 mil para cada uma delas, tampouco a bolsa-educação de R$ 510,00 para dependentes em idade escolar.
Lula prometeu em janeiro amparar as famílias, mas só em 5 de agosto enviou projeto ao Congresso, e não medida provisória, como anunciou.
Os familiares de nove dos heróis mortos, precisaram – veja-se a que absurdo que se chegou - acionar na 15ª Vara Federal, em Brasília, a seguradora e a Fundação Habitacional do Exército.
Em contrapartida, Lula estende sua mão amiga com doações em dinheiro para Cuba, Bolívia, Equador e Paraguai. E mandou US$ 25 milhões aos palestinos. E registre-se: nenhuma destas “caridades” foram para alcançar alguma ajuda humanitária em casos de desastres como o que ocorreu no Chile. Para entornar o caldo de vez, Lula criticou a greve de fome dos presos políticos cubanos, os quais igualou aos criminosos comuns do Brasil – santo Deus! - e se voltou contra a revolta da oposição na eleição iraniana, após a reeleição fraudada de Ahmadinejad. No muro, ofereceu asilo à “adúltera” Sakineh. E agora, cala-se, com o Nobel da Paz a um chinês preso.
A lembrar ainda um caso doméstico: tem município catarinense que, depois de dois anos das tragédias ocasionadas pelas chuvas torrenciais que devastaram parte daquele estado, sequer viram a cor do dinheiro, apesar das promessas. Em campanha, foi ao estado catarinense pedir para extirparem um partido de oposição.
É de se esperar que, quem o vier suceder na presidência da República, resgate um pouco da decência na área das relações exteriores, e, internamente, não se comporte de forma tão repulsiva diante de acontecimentos nos quais, a solidariedade não só é necessária, mas se impõem como obrigatória para a maior autoridade política do país. Para Lula é mais importante financiar, com dinheiro público, a manutenção de regimes totalitários comandados por tiranos assassinos de seu próprio povo e acolher no Brasil a escória, do que se mostrar como pessoa dotada de sentimentos mais nobres, dentre os quais a solidariedade humana, que está acima de qualquer cunho ideológico. Não sei se Lula entende que, mostrar-se mais humano e sensível, pode transparecer para seu público um sinal de fraqueza mas, se pensa assim, e os fatos demonstram que assim seja, equivoca-se solenemente, porque é justamente isso que o faria denotar ter algum traço de caráter... E, neste sentido, Lula permanece como o eterno grande ausente das principais grandes causas, estejam elas localizadas no Brasil ou fora daqui.
Infelizmente, a foto que se guardará de Lula está muito longe de aparentar alguma humanidade como a do presidente chileno que se vê lá no alto. Ela está mais próxima do cachorro louco, conforme se vê abaixo, vociferando contra adversários políticos ou reclamando da imprensa pelos palanques e circos espalhados pelo país afora.
Lula, em discurso de cachorro louco, num comício de campanha, em Campinas, no primeiro turno.





