quarta-feira, julho 03, 2013

Medo de inflação e meta fiscal limitam concessões às ruas

Ruth Costas
Da BBC Brasil 

Guido Mantega promete que não haverá cortes de investimentos


De um lado, o mercado financeiro cobra do governo o cumprimento de metas fiscais e mais rigidez no controle da inflação. Do outro, milhares de pessoas ocupam as ruas para pedir melhores serviços de saúde e educação e exigir uma redução das tarifas de transporte público.

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o resultado é um intrincado dilema econômico que será um dos grandes desafios do governo Dilma Rousseff no caminho até as eleições de 2014.

"Temos pressões que a princípio são contraditórias sobre a questão fiscal, embora haja uma convergência na demanda pelo controle da inflação", diz Enestor dos Santos, economista-chefe para mercados emergentes do banco BBVA na Espanha.

"A pressão para um enxugamento dos gastos do governo e temores de uma aceleração dos preços de fato limitam as concessões que o governo pode fazer no curto prazo. No médio e longo prazos, uma solução seria avançar em reformas que economizariam recursos para serem usados em educação e saúde, como a reforma previdenciária ou uma ampliação das parcerias com o setor privado em algumas áreas", opina.

Santos lembra que os protestos ocorrem em um momento delicado para a economia brasileira em função não apenas da recente desaceleração do PIB e do avanço da inflação, mas também de condições externas.
Com os EUA sinalizando que devem desacelerar seu programa de incentivo monetário, fluxos de capitais de curto prazo que nos últimos anos inundaram mercados emergentes começaram a voltar "para casa", o que tem desvalorizado as moedas desses países - entre elas o Real.

Recentemente, a agência de classificação de risco Standard & Poor's também ameaçou rebaixar o rating (nota) da dívida brasileira, alegando perda de credibilidade e piora das contas fiscais do governo.

Medidas
Em meio a tais pressões, encontrar uma maneira de responder às manifestações tornou-se ainda mais complicado. O governo Dilma prometeu destinar R$ 50 bilhões para obras na área de mobilidade urbana, além de fazer melhorias nos sistemas de saúde e educação.

A Câmara dos Deputados aprovou a destinação de 100% dos royalties do pré-sal para esses setores. Mas mesmo que o projeto passe pelo Senado, tais recursos só são esperados para o longo prazo - enquanto as demandas por melhorias parecem ser urgentes.

No início do mês, preocupado como impacto da alta das tarifas de transporte no orçamento das famílias de baixa renda, o governo já havia editado a Medida Provisória 617, que zera o pagamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a receita de empresas de transporte coletivo urbano.

"Isso vale para todas as demandas: consideramos que as desonerações estão de bom tamanho. Se porventura alguma outra desoneração chegar a ser feita, (como) a do diesel, qualquer renúncia será acompanhada de um corte de despesa ou de uma outra tributação para compensar", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o jornal O Globo.

Protesto em Brasília: 
governo entre as pressões das ruas e dos mercados

Em meio às manifestações, porém, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto de lei criando o Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros (Reitup), que expande tal isenção para a aquisição de insumos usados por essas empresas, como óleo diesel, veículos, carrocerias e pneus.

De acordo com o relator do projeto, Lindbergh Farias (PT), se o Reitup for aprovado no plenário, só em tributos federais a renúncia fiscal seria de R$ 4,2 bilhões em 2014 e R$ 4,7 bilhões em 2015.

Não está claro como seriam custeadas tais isenções, mas segundo Mantega, quando necessário o governo preferirá cortar gastos de "custeio da máquina" - e não investimentos. "Há um mês e meio atrás, fizemos um ajuste de 10% no custeio de todos os ministérios. Como não entrou Saúde nem Educação, em outros ministérios o corte foi maior. Aqui (na Fazenda), por exemplo, foi de 20%. E haverá ainda mais cortes em gastos de custeio", disse o ministro.

Solidez
Para Fabiano Bastos, do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, não há dúvidas de que o compromisso do governo com suas metas fiscais ainda é sólido.

"O perigo de que haja um descontrole das contas públicos não existe", diz Bastos, lembrando que a 'responsabilidade fiscal' foi um dos cinco pontos com os quais Dilma se comprometeu em seu primeiro discurso sobre os protestos.

"Essa não deixará de ser uma prioridade, mas no médio e longo prazo o governo certamente terá de avaliar quais serão suas opções para atender as demandas das manifestações com uma situação fiscal de menor folga."

Para Álvaro Martim Guedes, especialista em Administração Pública da Unesp, ao menos na área de educação, melhorias importantes podem ser feitas com ganhos de eficiência e projetos para aprimorar a gestão de recursos.

"Mas o mesmo não pode ser dito na área de saúde, que ainda não se recuperou totalmente da perda de recursos causada pelo fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, extinta em 2008). E o problema é que orçamento de governo é igual cobertor curto: se você cobre a cabeça, aparece o pé", diz Guedes.

Segundo o especialista, para investir nessa área o governo provavelmente precisará de novas fontes de recursos. "Por que não avançar, por exemplo, no projeto de impostos sobre grandes fortunas?", defende.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Os governos podem alegar o que quiserem, mas o fato é que no Brasil recursos não são o problema. O que há é má distribuição destes recursos, seu gasto abusivo em despesas inúteis, principalmente para sustentar um gigantismo estatal injustificável.

Seja pelo governo federal, ou mesmo os estaduais e prefeituras, há sim muita gordura para ser cortada. Se fossem eliminados 1/3 dos privilégios concedidos à classe política em geral, muitas das reivindicações populares poderiam ser aceitas de imediatos, sem colocar em risco a estabilidade fiscal. 

A conversa mole de que o atendimento aos apelos provocariam ou corte de investimentos, ou aumento de impostos, é puro terrorismo dos agentes do Estado para não abrirem mão de seus privilégios, a maioria dos quais absurdos, indecentes e desnecessários. 

Além disto, a resposta que vem sendo dada às manifestações não passam de embromação, já que não ataca as questões principais e que ainda podem contribuir para pressionar ainda mais a inflação, e desequilibrar fortemente as contas públicas.

A afirmação de Mantega de que não haverá corte nos investimentos, é papo furado. Mesmo antes dos protestos, várias foram as áreas que tiveram redução de investimentos nos últimos anos. Os caminhos seriam, portanto, pelo lado dos gastos, corte de investimentos, corte de despesas (a mais recomendável) ou aumento da dívida pública que, aliás, não para de crescer graças a políticas de subsídios e a capitalização dos bancos públicos para expansão desenfreada do crédito. Pelo lado da receita, aumento de impostos. Cortar despesas e remanejar gastos e investimentos seria a opção mais correta, o que nos levaria a uma austera política fiscal.  Mas cadê vontade política e competência para por isto em prática?  

Ou seja, a fórmula que sendo adotada no país desde 2003 se esgotou. Insistir em sua manutenção só conseguirá trazer mais dificuldades. Assim, as mudanças que estão sendo reclamadas só serão obtidas mudando o comando do governo, e isto só será possível em 2014. 

Um dado que indica que já entramos num período perigoso da perda da credibilidade e até da autoridade do Estado, são os constantes atos de vandalismo e quebradeiras tendo como alvos os prédios públicos, com invasão e tumulto. 

   



Tubarões e peixinhos

Míriam Leitão 
O Globo

Há muito a explicar neste caso do colapso do campo de Tubarão Azul, do grupo OGX. Em maio do ano passado, a empresa fez junto à Agência Nacional de Petróleo a “declaração de comercialidade” do campo. Se era comercial há um ano, como é possível que agora se descubra “que não há tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional”?

O mais espantoso é que os poços de Tubarão Tigre, Tubarão Gato, Tubarão Areia tiveram suas declarações de comercialidade protocolada na ANP em março deste ano. E, subitamente, todos são inviáveis.

Reveses no mundo econômico acontecem, e os brasileiros estão acompanhando os tropeços públicos do grupo. Tomara que ele saia das confusões em que entrou por sua própria forma de gestão, mas, se sair, que o faça adotando novas e mais saudáveis práticas de mercado.

Sobre Tubarão Azul, o único do qual estava extraindo petróleo, a empresa chegou a prever que ele iria produzir 50 mil barris/dia. Agora, de repente, “não há tecnologia capaz”, e o campo pode parar de dar petróleo no ano que vem. Uma reviravolta espantosa.

Para se ter uma ideia, em junho de 2012, a empresa informou, segundo a Reuters, que estava confiante de que poderia extrair de 110 milhões a 150 milhões de barris do campo de Tubarão Azul. Em entrevista, o principal executivo da OGX disse que Tubarão Azul poderia extrair de 40 mil a 50 mil barris/dia. E isso tinha sido resultado de cinco meses de testes. Depois, foram feitas previsões de 20 mil. Quando as previsões encolheram para 5 mil barris/dia, foi trocado o presidente da empresa.

Antes disso, em 22 de maio de 2012, Eike fez uma apresentação para um grupo de 100 investidores em que disse: “Tenho alguma coisa com a natureza, porque onde eu furo, eu acho. Meus projetos são à prova de idiotas. Não são puxadinhos, são projetos para o Brasil.” Foi nesse dia que disse que só não comprou a Vale porque seu pai, Eliezer Batista, lhe disse: “nã, nã, ni, nã, não, aí você não toca.”

A ousadia no empreendedor muitas vezes é qualidade, mas é preciso que uma empresa de capital aberto, quando faz declarações sobre as suas potencialidades, esteja com os pés na realidade. Do contrário, só permite a especulação. Nas grandes oscilações da bolsa, em momentos de volatilidade, os que ganham dinheiro são os grandes, os tubarões. Os pequenos investidores perdem sempre.

A Comissão de Valores Mobiliários disse que não comenta casos específicos e que projeções podem ser feitas por empresas desde que sejam, entre outras coisas, “razoáveis”. Não quis também comentar a operação anunciada ontem, em que R$ 500 milhões serão transferidos da OGX para a OSX. A dúvida que fica é: e quem for acionista da OGX, e não da OSX, terá sua empresa descapitalizada?

A ANP disse que cabe a ela receber a declaração de que o campo é comercial. Que, depois disso, a empresa tem 180 dias para apresentar o plano de desenvolvimento e a Agência tem mais 180 dias para analisar. Como o prazo de 360 dias já se esgotou, a Agência informou que pediu novas informações a OGX e que a empresa tem mais 60 dias para dar as respostas. E foi só. Três meses atrás, foram protocoladas as declarações de que eram comerciais os poços de Tubarão Tigre, Tubarão Gato, Tubarão Areia.

Em julho do ano passado, o empresário disse na presença da presidente Dilma Rousseff que tinha capacidade instalada para produzir 400 mil barris, e a presidente se disse favorável à cooperação entre a OGX e Petrobras. “Ambas podem ganhar muito com as parcerias entre elas”, disse Dilma.

Agora, um ano depois, a incerteza paira sobre o futuro da OGX, que teve perda ontem de 27,5% nas ações, depois de outras quedas ultraprofundas.

Bolsa afunda mais de 4% em pregão marcado por saída de estrangeiros

Veja online

Ações das empresas de Eike Batista, além de Vale e Petrobras, foram alvos de venda maciça de investidores

(Reinaldo Canato) 
Ibovespa: nesta terça, apenas duas empresas
 que compõem o índice tiveram desempenho positivo 

A Bolsa de Valores de São Paulo, a BM&FBovespa, enfrentou um dia de fortes vendas de ativos nesta terça-feira, sobretudo de investidores estrangeiros preocupados com a conjuntura internacional e o desempenho do mercado doméstico brasileiro. No linguajar do mercado financeiro, os estrangeiros estão "vendendo" o Brasil, ou seja, se desfazendo de grandes quantidades de ações de empresas nacionais. O índice Ibovespa chegou a recuar mais de 5%, descolando-se completamente do comportamento das bolsas americanas, cujas perdas foram amenas. O indicador da bolsa brasileira fechou em queda de 4,24%, a 45.228 pontos. Trata-se da pior queda diária desde setembro de 2011 e do menor patamar do índice desde 22 de abril de 2009, quando a bolsa encerrou o pregão aos 44.888 pontos.

A saída de investidores estrangeiros da bolsa vem se intensificando ao longo das últimas semanas. O saldo negativo de recursos externos na Bovespa totalizou 4,07 bilhões de reais em junho, o maior desde os 4,17 bilhões de reais de setembro de 2012, em meio a um cenário global de maior aversão a risco e deterioração das expectativas em relação à economia doméstica. 

Entre as ações mais penalizadas do pregão estavam as das empresas de Eike Batista. Depois de anunciar a suspensão da exploração de três poços e ter seu nível de rating rebaixado para "pré-default" pela Standard and Poor's na tarde desta terça-feira, a petroleira OGX fechou em queda de 19,64%, a 45 centavos, enquanto a mineradora MMX caiu 17,29%, a 1,10 real. As ações da companhia de logística do empresário, a LLX, eram negociadas a 79 centavos, em queda de 11,24%. O giro financeiro do pregão foi de 8,98 bilhões de reais, acima da média diária de 2013, de 7,9 bilhões de reais.

Além das empresas X, outras perdas que pressionam o Ibovespa foram as ações da Vale, com queda de 4,36%, a 26,10 reais, e Petrobras, em baixa de 4,76%, a 15,39 reais. As únicas ações que compõem o índice e que fecharam em alta nesta terça foram a da B2W, com ganhos de 6,64%, e a Dasa, em alta de 2,14%.

O resultado da produção industrial também influenciou na queda da BM&FBovespa nesta terça. O indicador recuou 2% em maio ante abril, mas avançou 1,4% ante maio do ano passado, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou. Analistas esperavam queda de, no máximo, 1% na comparação mensal. No acumulado do ano o indicador subiu 1,7%, mas, em 12 meses, caiu 0,5%.
Nesta terça-feira o dólar abriu em alta de 0,36%, cotado a 2,2395 reais. Ao longo do dia, a valorização se ampliou e a moeda fechou cotada a 2,25 reais.

Grupo X - 
Alvo de grande desconfiança por parte de investidores, as empresas do grupo EBX devem seguir pressionando os pregões da bolsa. O Bank of America Merrill Lynch reduziu nesta terça-feira o preço-alvo das ações da OGX de 1,00 real para 10 centavos e reiterou recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para a empresa devido à redução drástica das perspectivas de produção dos seus principais ativos. Entre alternativas possíveis para a empresa, o banco cogita a venda total da petroleira e até mesmo sua liquidação.

As empresas com maior risco de dar calote no mundo

Tatiana Vaz
Exame.com

Telecom Itália lidera levantamento da consultoria de gestão de risco Kamakura. OGX aparece em 3º lugar

FABIO MOTTA/Agência Estado 
Eike Batista: empresa de petróleo do bilionário é a única brasileira do ranking

São Paulo – A consultoria americana de gestão de risco Kamakura Corporation divulgou hoje a lista das dez empresas no mundo com maior risco de dar calote aos credores, ou seja, as que oferecem maior perigo de não pagar suas dívidas. Entre elas, apenas uma brasileira: a empresa de petróleo e gás OGX, do grupo de Eike Batista.

Segundo o levantamento, a Telecom Italia tem o maior risco de "default” entre as empresas listadas no mês de junho. A companhia de telecomunicações italiana tem 13,38% de chances de não honrar seus pagamentos, mostra a pesquisa.

O índice mede o percentual de risco de calote de mais de 32.000 empresas com ações em bolsa em 37 países, em uma fórmula que se baseia no histórico de preço das ações, desempenho da companhia e fatores macroeconômicos dos países em que ela atua.

Entre as dez, seis são da Europa, duas da América do Sul, uma do Canadá e uma da China. Veja, abaixo, a lista completa das dez empresas com maior risco de dar calote. 

Empresa
País
S&P Rating
Probabilidade
de calote - %
Telecom Itália
Itália
BBB-
13,38
Federal Grid
Rússia
BBB-
11,23
OGX Petróleo e Gás
Brasil
B-
9,81
VTB Bank
Rússia
BBB
9,3
Eurobank
Grécia
CCC
8,22
Banf of Communications
China
A-
7,63
Connacher Óleo e Gás
Canadá
B-
7,01
Empresa Distribuidora Y
Estados Unidos
CCC-
6,69
Codere
Espanha
SD
6,58
Koninklijke KPN
Países Baixos
BBB-
6,23

BNDES e Caixa têm maior exposição aos problemas do grupo EBX, diz BofA

 Guillermo Parra-Bernal/Reuters 
Brasil Econômico  

A exposição da Caixa à dívida do grupo EBX
 era de R$ 1,4 bilhão, ou 3,4% do capital exigido do banco

No fim do ano passado, as seis companhias de Eike negociadas em bolsa tinham uma dívida líquida total de cerca de R$ 15 bilhões.

Os bancos estatais Caixa Econômica Federal e BNDES são os mais expostos à dívida do grupo EBX, disse o Bank of America Merrill Lynch nesta segunda-feira (1/7), enquanto investidores avaliam os riscos decorrentes de anos de grandes empréstimos contraídos pelo conglomerado mineiro e energético do bilionário Eike Batista.

Apesar de dados limitados sobre a exposição a empréstimos do grupo, o risco está concentrado em alguns dos maiores bancos do país, disseram em um relatório analistas liderados por Alessandro Arlant. As ações das empresas do grupo EBX afundaram nesta segunda-feira depois que a empresa de petróleo OGX declarou inviáveis vários projetos.

Os analistas concluíram que a exposição está concentrada em cinco bancos brasileiros, a começar pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Caixa Econômica Federal, seguidos dos bancos privados Bradesco SA, Itaú Unibanco e grupo BTG Pactual SA, disseram Arlant e seu time de analistas.

Enquanto Arlant estima que os empréstimos concedidos por esses cinco bancos ao grupo EBX chegam a R$ 9,42 bilhões, o número pode estar subestimado por conta da falta de divulgação dos dados e dificuldades em avaliar quanto dessa exposição tem garantia colateral.

Uma porta-voz do Bradesco não quis comentar o relatório do BofA. Uma porta-voz do BNDES não comentou e alegou que alguns contratos com clientes estão sujeitos ao sigilo bancário. Assessores de imprensa do Itaú, Caixa e BTG Pactual não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Prejuízo colateral
Por anos, Eike Batista deu ações de suas companhias como garantia colateral de empréstimos tomados para construir plataformas de petróleo, desenvolver poços e explorar minério de ferro. Nos últimos meses, contudo, o bilionário mudou de rumo e passou a vender ativos e pagar dívidas para reduzir exigências de garantias colaterais.

No fim do ano passado, as seis companhias de Eike negociadas em bolsa tinham uma dívida líquida total de cerca de R$ 15 bilhões, de acordo com dados da Thomson Reuters.

De acordo com os analistas, o BNDES tinha de longe a maior exposição à dívida do EBX no final de março --um total de R$ 4,9 bilhões, representando 5,8% do capital exigido do banco. O BNDES é a principal fonte de recursos de longo prazo para as empresas brasileiras.

A exposição da Caixa à dívida do grupo EBX era de R$ 1,4 bilhão, ou 3,4% do capital exigido do banco, principalmente à empresa de construção naval do grupo OSX Brasil SA, disse o relatório.

O Bradesco emprestou R$ 1,25 bilhão e o Itaú R$ 1,24 bilhão de acordo com dados relativos ao primeiro trimestre, representando 1,3% e 1,4% do capital exigido, respectivamente.

No caso do BTG Pactual, o banco de investimento controlado pelo bilionário André Esteves, a exposição foi estimada em R$ 649 milhões, principalmente à MPX Energia SA, disse o relatório.

"No entanto, dado o seu tamanho menor em relação aos grandes bancos comerciais, a exposição do BTG era equivalente a 4,3% do total do capital exigido", escreveram Arlant e sua equipe em relatório.

Cinco das seis empresas negociadas em bolsa do grupo EBX perderam mais de 90% de seu valor comparado às máximas, e os bônus da OGX, que foi por anos a principal unidade do grupo EBX, estão sendo negociados a cerca de US$ 0,20.

Eike Batista, um dos mais bem sucedidos empresários brasileiros durante a década de boom das commodities, viu sua fortuna encolher de US$ 30 bilhões para US$ 10 bilhões este ano.



Mais um escândalo na Bolsa e na CVM – a descarada proteção a Eike Batista

Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

As ações de Eike Batista estão derretendo e vale a pena fazer alguma observações sobre a Bolsa, a partir de Mr. Magoo, um personagem de desenhos animados. Era cego, os anjos sempre lhe protegiam e, no final, tudo dava certo. No mercado financeiro e de capitais, também existem os Mr. Magoo. E dentre eles, há aqueles que nada veem; aqueles que veem, mas fingem que não veem; e, finalmente, aqueles que não podem ver, os piores cegos.

“O Ibovespa é o índice mais conhecido do mercado financeiro brasileiro. É calculado e divulgado pela Bolsa de Valores de são Paulo (Bovespa), sem interrupção, desde 1968, não tendo sua metodologia jamais sofrido nenhuma descontinuidade. O processo de seleção das ações obedece ao critério estabelecido pelo índice de negociabilidade. Assim, para compor a carteira, são consideradas as ações mais transacionadas em termos de volume financeiro nos 12 meses imediatamente anteriores à data de atualização da carteira. Esse processo é realizado a cada quatro meses, com a divulgação da nova carteira teórica ocorrendo sempre no primeiro dia útil dos meses de janeiro, maio e setembro. O Índice Bovespa procura medir o comportamento geral de investimento no mercado de ações. A Bovespa calcula e divulga, em tempo real, os valores instantâneos do índice de abertura, máximo, mínimo, médio, de fechamento e de liquidação” – diz a própria BM&F/BOVESPA.

AS VANTAGENS DO ÍNDICE
Portanto, toda companhia aberta almeja que suas ações componham o índice Bovespa. No momento em que uma companhia é selecionada para que suas ações integrem o índice, isto aumenta sobremaneira a liquidez dos ativos, porque os investidores e poupadores individuais (estrangeiros, nacionais, grandes, médios e pequenos) podem, a partir daí, comprar o papel à vista e venderem índice, para, assim, hedgearem as suas operações.

O Hedge, como o próprio nome diz – proteção ou cobertura -, é uma operação que tem por finalidade proteger o valor de um ativo contra uma possível redução de seu valor numa data futura ou, ainda, assegurar o preço de uma dívida a ser paga no futuro. Esse ativo poderá ser o dólar, uma commodity, um título do governo ou uma ação. Os mercados futuros e de opções possibilitam uma série de operações de hedge.

Por que toda companhia aberta almeja que suas ações integrem o índice Bovespa? No momento em que determinada ação foi selecionada para compor o índice Bovespa, o investidor pode proteger o valor desta ação contra uma futura redução vendendo índice. Exatamente por isso, por que essas ações, depois de comporem o índice Bovespa, passam a ter um risco menor para o comprador, em virtude d’eles poderem hedgear a compra delas vendendo índice, é que a liquidez delas aumenta, em razão direta do aumento na procura por essas ações, integrantes do Ibovespa.

MAIS UM ESCÃNDALO
Uma vez explicado o que tinha que ser explicado, agora vêm o escândalo, que espanta tantos quantos dele têm notícia!

Há dois anos, aproximadamente, a OGX conseguiu que suas ações fossem selecionadas pela BM&FBOVESPA para compor o Ibovespa. Ponto para Eike Batista, que conseguiu, como num passe de mágica, aumentar, exponencialmente, a liquidez das ações de sua empresa “X” e construir um castelo. Com as ações compondo o Ibovespa, milhares de investidores estrangeiros e nacionais foram incentivados a adquirirem suas ações na bolsa, engordando, assim, o porquinho das empresas de Mr. X.

Ora, quem iria duvidar da pujança das empresas X se elas compunham o índice da BM&FBOVESPA? Em qualquer Bolsa séria no mundo, as ações que compõem seus índices não prometem simplesmente pujança. São pujantes. E só integram o índice depois de uma análise profunda e técnica, muito comemorada por aqueles – uns poucos – que conseguem alçar o nome de suas empresas ao Olimpo das finanças, o Índice.
Mas o castelo de Mr. X era – e sempre foi – de papel.

EIKE DESABANDO
De lá para cá, ou seja, nos últimos dois anos, a OGX batia R$ 18,21, subiu a R$ 20,00, depois que passou a compor o Ibovespa, e, hoje, enquanto escrevo, está cotada a míseros 0,50 centavos de Real. Caiu, em um dia, mais de 35,00%.

Mas o pior não é isso. O pior é que a BM&FBOVESPA, assiste passivamente a derrocada! Ao invés de reavaliar a OGX  e retirá-la do índice (o que já poderia ter feito em Janeiro e Maio), há 3 meses, a BM&FBOVESPA aumentou o peso da OGX no índice Ibovespa. Brincadeira? Não, realidade! As bolsas do mundo inteiro sobem hoje e a Bovespa cai (agora está a -0,59%), por causa das ações de Mr. X, que continuam a compor o Ibovespa, com um peso ainda maior.

A BM&FBOVESPA não é cega. Ela apenas não pode ver! A Comissão de Valores Mobiliários, Xerife do Mercado, também não é cega. Ela apenas finge que não vê (estar diante do maior escândalo financeiro de fraude do País), postando-se omissa e nada fazendo para suspender a negociação destas ações, com vistas a estancar os milionários prejuízos dos investidores!

O que me espanta, entretanto, é que até eu, que não sou jornalista especializado em economia, vejo! Onde estão os jornalistas investigativos que entendem de economia? Será que nada há a indagar a CVM e a BM&FBOVESPA sobre o assunto?

Ou será que só o farão depois que a OGX virar pó, afetando a credibilidade de uma das maiores bolsas do mundo e de seu índice?

Sorte da CVM e da BM&FBOVESPA que os manifestantes de hoje, que estão na rua, em sua maioria, não entendem dessas complexas maquinações econômicas. Caso contrário, certamente, cabeças iriam rolar! Resta-nos rezar, para que o povo brasileiro, o verdadeiro Mr. Magoo, aquele que não vê porque não vê mesmo, continue a ser protegido pelos anjos.

À beira do calote: S&P rebaixa rating da OGX após corte de produção

Exame.com
Com informações Estadão Conteúdo

"Acreditamos que a OGX vai precisar de financiamento externo adicional para aliviar o aperto de liquidez no fim de 2013 e início de 2014", prevê a S&P

Divulgação/OGX 
O rebaixamento reflete principalmente o anúncio recente de corte na produção
 da companhia, o que, segundo a agência, vai prejudicar ainda mais a liquidez 
e a performance operacional da OGX

São Paulo - A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating daOGX (OGXP3) para CCC, de B-, com perspectiva negativa. O rebaixamento reflete principalmente o anúncio recente de corte na produção da companhia, o que, segundo a agência, vai prejudicar ainda mais a liquidez e a performance operacional da OGX.

Na segunda-feira, 01, a OGX anunciou a descontinuação da produção dos três poços no Campo de Tubarão Azul ao longo de 2014 e a suspensão do desenvolvimento dos campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia. O campo de Tubarão Martelo agora é o único que deve continuar sendo desenvolvido pela empresa.

"Em nossa visão, essa base menor de portfólio vai prejudicar a performance operacional da OGX, sua liquidez e sua capacidade de alcançar patamares necessários de produção e geração de caixa para cobrir seus níveis de dívida", afirmou a S&P, em relatório.

A agência destacou ainda que a liquidez da OGX vai diminuir ainda mais nos próximos meses com o pagamento de US$ 449 milhões à OSX, devido a cancelamentos de pedidos e revisões de contratos. Ambas as empresas fazem parte do grupo EBX, de Eike Batista. "Acreditamos que a OGX vai precisar de financiamento externo adicional para aliviar o aperto de liquidez no fim de 2013 e início de 2014", prevê a S&P.

Segundo o relatório, a perspectiva negativa do rating reflete a vulnerabilidade maior da OGX ao possível não pagamento de dívidas e sua dependência de condições financeiras e empresariais favoráveis para honrar seus compromissos.

A S&P avaliou como "fraca" a gestão da OGX e afirmou que a capacidade de converter decisões estratégicas em ações construtivas é significativamente menor do que nas empresas concorrentes. "A OGX tem frequentemente revisado para baixo, por vezes muito abruptamente, seus planos de produção", disse a agência. 

Fonte: Dow Jones Newswires.

Produção industrial na gangorra. Após alta, queda de 2%

Valéria Maniero  
O Globo

A produção industrial este ano parece estar numa gangorra. O que se vê até agora é um sobe e desce, uma falta de regularidade que impressiona, como mostra o gráfico abaixo. Em janeiro, o setor teve crescimento de 2,7%; em fevereiro, queda de 2,3%; em março e abril, alta de 0,8% e 1,9%, respectivamente; em maio, recuo de 2%, como o IBGE divulgou hoje. Uma inconstância só.

Essa queda tão forte em maio não era esperada pelo mercado, que achava que a produção encolheria em torno de 1%, mas acabou vindo pior do que a mais pessimista das previsões (-1,7%). 

E as más notícias não param por aí. O IBGE mostrou, por exemplo, que a queda é generalizada. O economista Rafael Baccioti, da Tendências, explicou ao blog que o índice de difusão, que indica o percentual de atividades que tiveram aumento na produção, diminuiu bastante entre abril e maio, de 63% para 22,2%.

- Isso mostra que a redução da produção industrial em maio foi disseminada entre grande parte dos setores de atividade. As principais contribuições negativas partiram da produção de alimentos, máquinas e equipamentos e veículos automotores - diz o economista. 

Mariana Hauer, do banco ABC Brasil, chamou atenção para outro ponto importante: a queda de 3,5% da produção de bens de capital, ou seja, de máquinas e equipamentos, que representam investimento. Depois de quatro meses em alta, esse importante indicador teve queda expressiva. Todas as outras categorias de uso também encolheram, como foi o caso de bens de consumo duráveis (-1,2%); bens intermediários (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1%).

- Mais uma vez, os dados mostram que a situação da atividade industrial ainda é delicada. As quedas não se mostraram concentradas em nenhum setor e foram generalizadas. O crescimento da atividade industrial carece de força e encontra-se oscilando, ainda, próximas aos mesmos níveis, sem mostrar tendência - diz Mariana Hauer, do banco ABC Brasil.

Para o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, os dados da indústria foram decepcionantes e indicam um PIB fraco este ano. Ele estima crescimento de apenas 2,1% em 2013, abaixo das previsões do mercado.

Em nota enviada ao blog, a consultoria LCA diz que o quadro de recuperação irregular e gradual da produção industrial persiste: 

- Essa expectativa é reforçada pelos recentes sinais de crescimento mais contido da economia e comércio mundial e o aumento das incertezas no cenário doméstico, com a escalada de manifestações sociais em todo o país - diz. 



Produção industrial cai 2% em maio

Veja online
Com informações Agência Reuters

Indicador, porém, apresentou resultado positivo no acumulado do ano e na comparação com maio de 2012

(Marcelo Almeida/EXAME) 
Indústria volta a desacelerar 

A produção industrial recuou 2% em maio ante abril, mas avançou 1,4% ante maio do ano passado, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira. Em abril, o indicador subiu 8,4% frente ao mesmo período de 2012, e 1,8% em relação a março.

Com isso, a produção da indústria, um dos setores que tem mais afetado negativamente o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos trimestres, caiu 0,5% no acumulado de 12 meses. Mesmo assim, o dado negativo de maio de 2013 é menor do que o visto nos meses anteriores neste tipo de comparação: janeiro (-2,0%), fevereiro (-1,9%), março (-2,0%) e abril (-1,1%). No ano, porém, somou alta foi de 1,7%. 

O resultado mensal é o pior desde fevereiro, quando a produção caiu 2,3% e também foi pior do que a expectativa de analistas, que apontavam recuo de 1%. Na comparação anual, a expectativa era de avanço de 2,5%.

De acordo com o IBGE, os maiores ganhos de dinamismo foram verificados em bens de capital, sinalizando ampliação dos investimentos, que cresceram 13,3% nos cinco primeiros meses de 2013, e em bens de consumo duráveis (+4,6%), impulsionados em grande parte pela maior produção de automóveis. O segmento de bens intermediários também registrou taxa positiva no acumulado do período janeiro-maio (0,2%), enquanto o setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis reduziu a intensidade da queda entre os dois períodos (-1,0%), mas permaneceu com resultado negativo. 

Só 12 de 27 setores industriais cresceram até maio, diz IBGE

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Mônica Ciarelli, Estadão Conteúdo

A alta de 1,7% apurada pela indústria no período está concentrada basicamente em três segmentos: veículos automotores, máquinas e equipamentos e refino de petróleo

REUTERS/Paulo Whitaker 
A pesquisa divulgada nesta terça-feira, 02, pelo instituto revela que 
apenas 12 dos 27 ramos industriais cresceram no acumulado do ano

Rio de Janeiro- A produção industrial em 2013 tem sido carregada por poucas atividades, o que tem limitado o crescimento. A avaliação foi feita hoje pelo o gerente da Coordenação da Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo.

"Esse é um fator de preocupação dado que a maior parcela da indústria apresenta retração", disse.

A pesquisa divulgada nesta terça-feira, 02, pelo instituto revela que apenas 12 dos 27 ramos industriais cresceram no acumulado do ano, sendo que a alta 1,7% apurada pela indústria no período está concentrada basicamente em três segmentos: veículos automotores (14,3%), máquinas e equipamentos (9,2%) e refino de petróleo (4,2%).

Os dois primeiros foram ajudados por desonerações de impostos pelo governo, enquanto o refino tem ampliado a produção para diminuir a necessidade de importação do insumo.

"A queda da produção em maio foi um resultado bem negativo, especialmente pelo perfil disseminado (entre as categorias)", disse. Entretanto, Macedo destacou que o saldo da indústria no ano é positivo, com a produção rodando em um ritmo mais elevado do que no final do ano passado.

Aneel aprova ampliação da hidrelétrica Santo Antônio

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Com informações Agência Reuters

Foi estabelecido, porém, que Santo Antônio terá que ceder lastro equivalente a 24,3 megawatts (MW) médios de garantia física à usina vizinha, a hidrelétrica Jirau

Germano Lüders/EXAME 
Foi estabelecido, porém, que Santo Antônio terá que ceder lastro equivalente 
a 24,3 megawatts (MW) médios de garantia física à usina vizinha, a hidrelétrica Jirau

Brasília - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira o plano de expansão da capacidade da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), após seguidos adiamentos da decisão.

Foi estabelecido, porém, que Santo Antônio terá que ceder lastro equivalente a 24,3 megawatts (MW) médios de garantia física à usina vizinha, a hidrelétrica Jirau. A condição é uma espécie de compensação, já que os concessionários de Jirau argumentavam que o aumento da capacidade de Santo Antônio - que elevará sua cota no reservatório - pode limitar os planos de aumento da produção de Jirau.

O plano de Santo Antônio é instalar seis novas turbinas na hidrelétrica, elevando sua potência instalada de 3.150 para 3.569 MW.

Aneel fixa prazo para Copel entregar cálculos de tarifa

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Anne Warth, Estadão Conteúdo

O prazo para a companhia foi estabelecido nesta terça-feira, 2, pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino

Divulgação 
O reajuste foi suspenso a pedido da própria empresa, que, no entanto, até agora,
 não entregou à Aneel um pedido formal para retificar os cálculos e diferir parte do reajuste

Brasília - A Copel (CPLE6) tem até o fim da semana para apresentar cálculos alternativos ao reajuste de tarifas, aprovado no último dia 20 pelo órgão regulador, com efeito médio de 14,61%.

O prazo para a companhia foi estabelecido nesta terça-feira, 2, pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino.

O reajuste foi suspenso a pedido da própria empresa, que, no entanto, até agora, não entregou à Aneel um pedido formal para retificar os cálculos e diferir parte do reajuste.

Rufino afirmou que o prazo final formalmente não existe, mas a Aneel considera prudente que o assunto seja resolvido até o fim desta semana. "Se isso não acontecer, vamos suspender o efeito suspensivo", informou. Nesse caso, se a Copel decidir não aplicar o reajuste médio de 14,61%, perde o direito de diferir a perda nos próximos reajustes.

"Se nós incorporarmos um diferimento no processo tarifário, ela não reajusta integralmente agora e pode reservar esse valor como item financeiro para os próximos reajustes", disse o diretor.

"Mas se nós restabelecermos o nível do reajuste no patamar que foi feito, como é tarifa-teto, ela e qualquer outra empresa sempre podem cobrar, dentro de certas regras, um valor menor do que o autorizado. Mas aí é um desconto incondicional, que não pode ser recuperado depois."

Rufino esclareceu ainda que a Copel pode aplicar qualquer índice de reajuste inferior ao aprovado, desde que respeite as regras de classe - um único desconto para a classe dos grandes consumidores, por exemplo.
"Ela tem que tratar isonomicamente a mesma classe consumidora. Pode dar um desconto de 10% para todos, ou 10% só para residencial, por exemplo. Mas não pode dar 5% para uma indústria A e 10% para uma indústria B."

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Antes mesmo que completar um ano do “ato revolucionário” de baixas tarifas de energia elétrica, provocando a redução da rentabilidade das empresas, porém mantendo o enorme peso de tributos incidente sobre o consumo – razão maior para seu alto preço -, o governo Dilma praticamente terá anulado o benefício graças aos reajustes que vem sendo autorizados. 

É claro que ninguém poderia ser contra à redução das tarifas de energia. Porém, as críticas foram feitas quanto a forma adotada pelo governo que desconsiderou contratos em vigor, capacidade de reinvestimento na melhoria e expansão da rede, manutenção das estações e subestações. 

O que mais pode simbolizar o modo inadequado escolhido para a redução se percebe com o que se passa na Eletrobrás, que entre outros arranjos, se obrigou a criar um programa de demissão voluntária para reduzir em 5 mil  funcionários seu quadro técnico. 

Conforme dissemos à época, a gordura que permitiria uma redução até maior da que foi  praticada, se localizava na carga tributária que saltou de 21,6% em 2002, para incríveis 48,0% em 2012. Tivesse reduzido esta carga à metade, e por certo, não teria criado um completo desarranjo no setor elétrico, além de empurrar uma desnecessária conta bilionária para o Tesouro Nacional bancar. 

Aneel aprova reajuste da Celtins para 139 municípios

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Anne Warth, Estadão Conteúdo

Para os consumidores residenciais, o aumento será de 10,45%, e para grandes consumidores, de 12,96%

REUTERS/Ina Fassbender
Celtins: a companhia atende 506 mil unidades
 consumidoras em 139 municípios do Tocantins

Brasília - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou há pouco reajuste para as tarifas da Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins (Celtins), com efeito médio a ser sentido pelos consumidores de 11,09%.

Para os consumidores residenciais, o aumento será de 10,45%, e para grandes consumidores, de 12,96%.

As novas tarifas vigoram a partir de 4 de julho. A companhia atende 506 mil unidades consumidoras em 139 municípios do Tocantins.

Aneel aprova reajuste da Eletropaulo Metropolitana

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Anne Warth, Estadão Conteúdo

Para os consumidores residenciais, o aumento será de 0,43%, e para os grandes consumidores, haverá uma queda de 0,87%

Getty Images 
Segundo a Aneel, o processo de revisão tarifária da Eletropaulo 
foi feito com atraso, o que gerou um crédito para os consumidores

Brasília  - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 2, o reajuste nas tarifas cobradas pela Eletropaulo Metropolitana, com efeito médio zero a ser sentido pelos consumidores.

Para os consumidores residenciais, o aumento será de 0,43%, e para os grandes consumidores, haverá uma queda de 0,87%. As novas tarifas vigoram a partir de 4 de julho.

Segundo a Aneel, o processo de revisão tarifária da Eletropaulo foi feito com atraso, o que gerou um crédito para os consumidores.

A companhia atende 6,5 milhões de unidades consumidoras na região da cidade de São Paulo.

Governo reduz valor mínimo para trem-bala. Neste ritmo, Dilma ainda vai pagar para alguém tocar o projeto.

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Luci Ribeiro e Eduardo Rodrigues, Estadão Conteúdo

O valor da outorga pelo direito de explorar o serviço, atualmente estimado em R$ 27,6 bilhões, vai cair em torno de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões

Marcos Santos/USP Imagens 
O valor mínimo da outorga do Trem de Alta Velocidade (TAV)
 foi reduzido de R$ 70,31 para R$ 68,08/Trem.KmEquivalente

Brasília - O governo federal decidiu reduzir de R$ 70,31 para R$ 68,08/Trem.KmEquivalente o valor mínimo da outorga do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, o trem-bala.

O novo valor é uma das alterações feitas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no edital de licitação do trem-bala, cuja versão modificada está disponível nesta terça-feira, 02, no site da Agência.

Com essa decisão, o valor da outorga pelo direito de explorar o serviço, atualmente estimado em R$ 27,6 bilhões, vai cair algo como R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.

Pelo texto do edital, as propostas serão julgadas pelo critério da maior oferta para a administração, ou seja, será considerada a melhor proposta aquela que oferecer o maior valor pela outorga. Esse valor será ofertado pelas concorrentes na sessão pública do leilão, prevista para o dia 19 de setembro na sede da BM&FBovespa às 14 horas.

O novo texto do edital mantém a tarifa-teto, que não poderá ser superior a R$ 0,49 por quilômetro e será atualizada pelo IPCA quando o trem entrar em operação.

E, apesar do atraso no leilão, cujo última tentativa havia sido para 29 de maio deste ano, o prazo para entrada em operação comercial do trem-bala também foi mantido para o fim de junho de 2020, com a entrega da infraestrutura para a concessionária dos trens um ano e meio antes, em janeiro de 2019.

TEIMOSIA ARROGANTE: Edital do trem-bala muda e deve atrair mais investidores

Danilo Fariello 
O Globo

Governo eleva taxa de retorno prevista para operação de 6,32% para 7%, o que reduz valor que operadora pagará aos cofres públicos

BRASÍLIA — O governo elevou a taxa de retorno prevista para o leilão de operação do Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, de 6,32% para 7%. Segundo edital publicado nesta terça-feira, as propostas deverão ser entregues em agosto e o leilão está previsto para 19 de setembro.

Hélio Mauro França, coordenador do programa do TAV na Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a mudança do retorno reflete uma atualização da metodologia de cálculo de 2008 até 2012, período em que as condições mundiais para investimentos em infraestrutura se agravaram diante da crise internacional.

A mudança da Taxa Interna de Retorno (TIR) reduz o valor da outorga, ou seja, o custo que a operadora do trem-bala terá de pagar ao governo pelo uso da infraestrutura. Essa taxa era de R$ 70,31 por quilômetro andado por cada trem e caiu para R$ 68,08. Dessa forma, o valor total a ser pago ao longo dos 40 anos de concessão fica reduzido de R$ 31,085 bilhões em valor presente para R$ 30,009 bilhões. Ganhará o edital quem oferecer mais outorga para o governo.

Com a mudança, a taxa de rentabilidade do projeto para um eventual sócio investidor do operador sobre de 11,57% para 13,6%, o que estimula os parceiros nacionais a entrar no projeto, segundo França.

— As mudanças são técnicas e, de certa forma, atendem desejo e interesse dos investidores no sentido de reduzir valor da outorga e melhorar TIR dos acionistas. Querendo ou não, mudamos dois pontos percentuais e reduzimos valor da outorga.

Outra mudança no edital do TAV é do critério para seleção e desempate dos lances dos consórcios. Antes, o critério levava em conta a capacidade técnica do operador em levar ganhos ao projeto de infraestrutura, reduzindo custos, por exemplo. O critério foi criticado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por conta da sua subjetividade. Agora, o desempate será dado pelo prazo de experiência do operador no ramo, o que favorece os japoneses, que já têm um Trem de Alta Velocidade (TAV) desde 1964.

O governo agora foi mais claro também sobre o que é exatamente um trem-bala: aquele que atinge pelo menos 300 quilômetros por hora no trecho entre Rio e São Paulo, que deverá ser prioridade para os operadores. A terminologia do TAV indicava que poderiam entrar no critério operadores com capacidade de fazer viagens a 250 km/h.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sei não, mas acho que todas estas facilidades que estão sendo oferecidas, ainda não serão capazes  de atrair a simpatia dos investidores.  Daqui a pouco, o governo Dilma acabará pagando para que algum trouxa, ao menos,  aceite tocar o projeto de construção e implantação.  Este trem bala está se transformando em trem fantasma, tamanha a confusão que envolve o projeto. Aliás, o governo já conseguiu chegar a um número próximo da realidade em relação ao total do investimento? 

A jornalista Míriam Leitão manifestou desta forma em relação à estúpida teimosia arrogante de Dilma Rousseff em relação à insistência com o trem-bala: 

Transporte público: trem-bala não é prioridade
A ANTT republicou hoje em seu site o edital revisado do trem-bala. O custo inicial era de R$ 12 bi, hoje, está em torno de R$ 36 bi, mas já há especialistas em logística falando em R$ 60 bi. Mas qual é a prioridade? Investir no trem-bala ou em mobilidade urbana de forma mais moderna, em transporte público nas grandes cidades? 

Fazer mais metrô, por exemplo, seria uma maravilha, há também cidades caminhando para fazer mais VLTs (veículos leves sobre trilhos).

Governar é escolher. Um trem rápido ligando São Paulo ao Rio seria uma boa ideia, mas estamos engargalados com a mobilidade urbana. Os brasileiros não aguentam mais.

Tenho conversado com vários especialistas em logística. Até agora, não consegui encontrar nenhum que dissesse que a prioridade é o trem de alta velocidade. Conheço vários outros projetos que são mais importantes, mas o governo encasquetou com este. Parece que, em alguns temas, a presidente Dilma não ouve os argumentos contrários por mais convincentes que sejam.

Vale lembrar que já houve três tentativas de leilão do trem de alta velocidade, mas todas elas fracassaram por falta de interessados.

Edital aumenta valor do contrato do trem-bala em R$ 2,5 bilhões

Luci Ribeiro e Eduardo Rodrigues  
Agencia Estado

Empresa operadora poderá ter ganhos adicionais com exploração de espaços em trens e estações

BRASÍLIA -O valor do contrato de operação do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro aumentou em quase R$ 2,5 bilhões.

Com isso, as receitas que poderão ser obtidas ao longo de 40 anos pelo concessionário que vencer o leilão, marcado para 19 de setembro, passaram de R$ 241,7 bilhões para R$ 244,1 bilhões.

Receitas extras. De acordo com o edital revisado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), publicado no site da Agência, além dos recursos com as passagens, a concessionária do trem-bala poderá contar com receitas extraordinárias, explorando outros serviços complementares ao transporte de passageiros e mesmo o espaço nas estações.

A tarifa-teto com passagens foi mantida no texto do edital em R$ 0,49 por quilômetro (mais a correção pelo IPCA).

De acordo com o contrato, a ANTT terá direito a 9% dessa receita líquida extraordinária, que será revertida para a modicidade tarifária.

O valor da outorga pelo direito de explorar o serviço, atualmente estimado em R$ 27,6 bilhões, vai cair algo como R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.

Esse valor será ofertado pelas concorrentes na sessão pública do leilão, prevista para o dia 19 de setembro na sede da BM&FBovespa às 14 horas.

O novo texto do edital mantém a tarifa-teto, que não poderá ser superior a R$ 0,49 por quilômetro e será atualizada pelo IPCA quando o trem entrar em operação.

E, apesar do atraso no leilão, cujo última tentativa havia sido para 29 de maio deste ano, o prazo para entrada em operação comercial do trem-bala também foi mantido para o fim de junho de 2020, com a entrega da infraestrutura para a concessionária dos trens um ano e meio antes, em janeiro de 2019.

Veja como é a cabine de direção de um trem-bala:



Inacreditável: por meta fiscal, imposto pode subir

João Villaverde e Adriana Fernandes
O Estado de S. Paulo

Mesmo com cortes nas despesas previstas para este ano, governo já admite que terá de elevar impostos para fazer superávit primário 

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto e a equipe econômica bateram o martelo de que é preciso "cortar na carne" e promover um novo bloqueio, da ordem de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, nas despesas previstas para este ano. Mas, diante da enorme dificuldade dos técnicos de encontrar gordura no Orçamento, a presidente Dilma Rousseff decidiu que será necessário aumentar impostos.

A ordem no governo é perseguir, a todo o custo, a meta de poupar o equivalente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o pagamento dos juros da dívida pública. Este é o cerne do "pacto pela responsabilidade fiscal", o primeiro dos cinco compromissos públicos anunciados por Dilma na semana passada como resposta às manifestações de rua que tomaram o País em junho.

Em busca de despesas para cortar e de receitas para engordar os cofres públicos, o governo federal deve deixar em segundo plano uma das promessas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de melhora no modelo de negócios das empresas: a simplificação e unificação do PIS e da Cofins. Os dois são, neste momento, o alvo preferencial dos técnicos nos estudos sobre quais tributos podem ser elevados. A decisão é delicada, uma vez que o governo passou dois anos e meio fazendo justamente o contrário.

Onde cortar. Pressionada a dar um choque de credibilidade para a política fiscal, a equipe econômica enfrenta dificuldades para fechar o corte adicional de despesas do Orçamento. Algumas propostas já foram levadas pelos técnicos a Mantega, mas o espaço fiscal para fechar as contas é bastante reduzido. Segundo fontes, o novo contingenciamento terá de ser maior do que R$ 15 bilhões, mas o problema agora é como achar a equação adequada. A avaliação que ganha força é de que um valor menor do que R$ 15 bilhões não resolverá o problema da credibilidade. "Temos um abacaxi para descascar", admitiu um técnico do Ministério da Fazenda.

O governo deve bloquear emendas dos parlamentares, diminuir gastos com pessoal e restringir ainda mais as despesas com passagens aéreas e outros gastos de custeio dos ministérios, autarquias e demais órgãos federais. Dessa forma, economistas do governo avaliam ser possível bloquear entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões do Orçamento. Existem cerca de R$ 7 bilhões em emendas de parlamentares ainda à disposição. Esse é o volume que restou após o primeiro corte, anunciado no fim de maio pelo governo federal, de R$ 28 bilhões.

Há espaço também para reduzir as previsões de despesas de pessoal, gastos com seguro-desemprego e subsídios. A atual reprogramação já tirou R$ 2 bilhões do funcionalismo e o governo pode tirar ainda mais, pois a presidente tem sido firme nessa área.

Arrecadação. 
Do lado da arrecadação, o governo deve ainda subir as previsões de receitas previdenciárias, como fez em 2012. O cenário mais otimista, na avaliação da área técnica, é o de um crescimento real das receitas de 4%, ante a estimativa anterior entre 3% e 3,5%. Esse desempenho pode ser ainda maior caso o governo eleve a tributação sobre alguns setores. O projeto que cria um regime especial de tributação para o setor de transporte coletivo rodoviário urbano, aprovado ontem no Senado, deve receber o sinal verde de Dilma. Segundo análises preliminares, os técnicos avaliam que as passagens podem ficar cerca de 10% mais baratas, em média. No entanto, como a renúncia fiscal é relevante, o regime só deve entrar em vigor em 2014, segundo apurou o Estado.

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, deu pistas ontem ao deixar uma audiência no Congresso: "Qualquer aumento de renúncia, neste momento, é uma dificuldade para o governo poder enquadrar dentro do esforço fiscal que estamos fazendo. Vamos avaliar com mais cuidado, mas eu vejo dificuldades".

Colaborou Laís Alegretti 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É com elevação de impostos que o governo Dilma pretende recuperar credibilidade, atrair investidores e acelerar o crescimento do PIB? Depois não sabe por que caiu nas pesquisas de opinião!!!

Se o governo fizer um levantamento SÉRIO, responsável, encontrará em sua longa e interminável de despesas gorduras para podar. Pode começar pelo tamanho do seu ministérios, pela redução de cargos de "confiança", e até pelo seu próprio gabinete.   

E mais: se dona Dilma não quiser ver o povo nas ruas novamente, que abandone de vez esta intenção de "elevar impostos"!!!!