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Em pronunciamento, presidente defende legitimidade do seu governo e acusa aliados de Hosni Mubarak pelos problemas do país
Asmaa Waguih/Reuters
Opositores ao governo acompanham pronunciamento
do presidente egípcio Mohamed Mursi na TV
O presidente do Egito, Mohamed Mursi, afirmou nesta terça-feira que vai continuar a defender a legitimidade de seu governo, em um pronunciamento transmitido pela TV. Com palavras dramáticas, afirmou que pretende proteger essa legitimidade com sua vida. “Se o preço de salvaguardar a legitimidade for o meu sangue, então estou preparado para sacrificar o meu sangue para assegurar a legitimidade dessa terra. Não se deixe enganar. Não caia na armadilha. Não abandone essa legitimidade. Eu sou o guardião dessa legitimidade”, disse, em um discurso que durou quase uma hora. “Eu não tenho opção. Eu assumi a responsabilidade e vou continuar assumindo”, acrescentou Mursi, que é membro da Irmandade Muçulmana.
Em resposta ao ultimato dado pelos militares para que se chegue a um consenso com opositores que encerre a crise política no país, Mursi disse que já tentou o diálogo anteriormente, sem sucesso. Pouco antes do pronunciamento, o presidente havia rejeitado o ultimato – que termina nesta quarta-feira – e pedido que fosse retirado. Em uma mensagem publicada na página da Presidência no Twitter, ele “insistiu em sua compreensão sobre a legitimidade constitucional e rejeitou qualquer tentativa de desvio”. Ele não deu nenhuma indicação de que deixará o poder, compartilhará o poder ou convocará eleições antecipadas.
Mursi ressaltou que é o primeiro presidente democraticamente eleito no país e que as eleições foram livres e representativas do desejo popular. E culpou aliados do ditador Hosni Mubarak pelos problemas do país. “Remanescentes do antigo regime e sua falta de vontade de seguir em frente tentam manter o Egito em um impasse – isso é inaceitável”.
Um porta-voz militar disse que as Forças Armadas não vão comentar as declarações do presidente até a tarde desta quarta - quando termina o ultimato. Uma fonte opositora não identificada pela agência Reuters classificou o pronunciamento de "chamado à guerra civil" e acrescentou que os protestos pacíficos vão continuar.
O presidente disse que continua aberto ao diálogo e enviou uma mensagem: “Eu envio uma mensagem de amor e uma mensagem de agradecimento a todo o povo do Egito, não importa qual a sua posição”.
A fala de Mursi vem em mais um dia de protestos. Em meio a temores de uma guerra civil, os militares estão de prontidão. Desde a última semana, às vésperas do aniversário de um ano da posse do presidente, milhares de pessoas foram às ruas para pedir sua renúncia. No entanto, apoiadores de Mursi também se manifestaram e confrontos entre as duas partes foram registrados. Só nesta terça, sete pessoas morreram em conflitos no Cairo.
"Mursi - fim de jogo - fora", era a frase projetada num edifício na lotada Praça Tahrir, lotada de manifestantes. O luminoso fazia uma contagem regressiva para o fim do prazo dado pelos militares.
O presidente ressaltou ainda em seu discurso a necessidade de evitar que ela caia em um “túnel escuro”, usando as mesmas palavras empregadas pelo Exército para justificar a possibilidade de intervenção para resolver a crise no país. A medida seria tomada para impedir que o Egito entrasse em um “túnel escuro”.
Entenda o caso
1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
