sábado, abril 14, 2012

A competição predatória da aviação comercial


Adelson Elias Vasconcellos

 As companhias TAM e GOL, juntas, encerraram 2011 com um prejuízo recorde de 1 bilhão de reais. Não é pouca coisa, a tal ponto que a GOL já reduziu número de voos e agora também está reduzindo seu quadro de pessoal.

Na raiz deste prejuízo está um dos maiores absurdos que vi cometerem no Brasil. A interferência estúpida de um governo em uma atividade totalmente privada. E uma interferência, ATENÇÃO para o detalhe, em que apenas ele, o governo, é quem lucra. Dentro desta ótica criminosa instalada pelo PT desde chegou ao poder, primeiro trataram de destruir a VARIG, e até hoje este mesmo governo não pagou um centavo da fortuna a que foi condenado na Justiça a pagar para aquela companhia. O valor corrigido, hoje, deve girar em torno de 7 a 9 bilhões de reais.  A dívida que derrubou a empresa era metade disto. Contudo, havia dentro do poder a estratégia de liquidar as empresas e empresários que não se ajustassem ao novo modelo de relações entre o governo petista e a iniciativa privada.  

A forma como o governo Lula provocou, primeiro,  a falência  da própria VARIG e, segundo, aquele vergonhoso leilão de cartas marcadas, é um destes crimes que mereceria por na cadeia o governo Lula em peso, em razão das manobras espúrias com que se portaram na questão.

Obtido o intento de quebrar a maior referência brasileira de qualidade de serviços no mundo, tratou-se de entregar quase o monopólio total da aviação comercial brasileira nas mãos da TAM e da GOL, mas como uma condicionante: redução dos preços das passagens aéreas abaixo do custo. Durante anos, as duas, mas principalmente a GOL, praticaram uma competição absolutamente predatória, afastando o crescimento de outros concorrentes, mas se autodestruindo lentamente. O prejuízo de agora é apenas uma consequência deste processo.

 Esta condicionante tinha um objetivo: fazer com que o número de passageiros aumentasse de forma astronômica, porque isto interessava à propaganda do partido. E isto só foi possível porque o governo interferiu de maneira também criminosa nos órgãos de fiscalização e controle. Não falo apenas da ANAC, mas de todo o sistema. 

A anarquia que ainda hoje o país assiste estupefato, o verdadeiro descalabro que os brasileiros precisam enfrentar em diferentes aeroportos do país, tudo é resultado desta política cafajeste implementada pelo governo Lula e cujo mentor principal chama-se José Dirceu, e que a atual presidente Dilma Rousseff apenas deu seguimento e aprofundou. 

Até pode ser que a GOL venha receber um cachê pela contribuição que deu à propaganda do partido. Mas não me surpreenderia que ela fosse deixada de lado como um produto descartável. Mas, não há dúvida, está pagando caro por ter se alinhado à escória política que comanda o país. E o que é pior, quem acabará sofrendo ainda mais será o distinto público, pela redução no número de voos e a depreciação na qualidade do serviço prestado pela companhia que, aliás, nunca foi dos melhores. 

O que se noticiou recentemente sobre as tais lanchas do Ministério da Pesca em que, depois de assinado, o PT exigiu a retribuição do “favor” na forma de doação ao partido, e que o próprio empresário achacado confirmou, é apenas uma pequena amostragem de como o petismo interfere na vida empresarial do país. 

Em todos os governos pelos quais passaram e passam, seja federal, estaduais e municipais o método segue rigorosamente o mesmo roteiro. Concedem-se favores especiais em contratos com o governo da hora, para a contrapartida ao caixa do partido em forma de doação mas que, na verdade, nada mais do que é o pedágio ou “taxa sucesso” a que as empresas se submetem.  Se a gente observar bem as centenas de escândalos protagonizados pelos governos petistas, em todos os níveis, vai identificar sempre esta rotina. E o mais interessante é que a Polícia Federal só reúnem provas contra os adversários do partido. Já as mutretas dos companheiros só surgem por conta de parte da imprensa independente que ainda resta... 

A seguir a o texto da Mariana Barbosa, Folha online. Volto para concluir.:

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Gol demite 131 pilotos e comissários em ajuste de operação

Como parte do já anunciado processo de reestruturação, a Gol está demitindo nesta segunda-feira 131 tripulantes (86 pilotos e 45 comissários).

As demissões estão acontecendo em um hotel situado nas proximidades do aeroporto de Congonhas.

Os cortes se somam a outros desligamentos realizados por meio de licenças não remuneradas (46) e demissões voluntárias (28). No total, 205 tripulantes (pilotos e comissários) devem deixar ou se afastar da empresa.

Depois de registrar um prejuízo de R$ 710 milhões no ano passado, a Gol está ajustando a sua operação para um cenário de crescimento menor. Além das demissões, a empresa reduziu a sua malha diária de voos domésticos em 80 a 100 voos, de um total de 900 voos.

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CONCLUSÃO:
Além da competição predatória, a falta de critérios para a fixação de tarifas é um espanto. Neste final de semana, TAM e GOL mais uma vez estão oferecendo passagens com tarifas abaixo do custo, apesar do enorme prejuízo em 2011, e da GOL já ter cortado pessoal e deixado de atender alguns trechos no país. 

Esta  falta de critério na exploração dos clientes, que atinge níveis absurdos na aviação civil,  pode ser constatada neste exemplo: quem mora no Rio e quiser passar o feriadão do Dia do Trabalho em Ilhéus (BA), a 1.002km de distância, terá de pagar à TAM R$ 3.732,52 por passagem ida e volta, mas só se quiser retornar às 9h45. Para voltar às 16h58, o preço sobe a R$ 4.486,52. No mesmo período, paga-se um pouco menos pela passagem Rio-Paris, ida e volta (R$ 3.727,50), ou menos da metade (R$ 1.714,47) Brasília-Miami.

Muito boazinha com empresas aéreas, a Agencia Nacional de Aviação Civil diz que “paga quem quer” no atual regime de “liberdade tarifária”.

O Procon lava as mãos, abandonando o consumidor, e informa que cabe à Anac fiscalizar a exploração sem limites das empresas aéreas.

Altos preços revelam a necessidade de abrir novas linhas para outras empresas, mas a mão amiga da Anac (leia-se governo petista) garante o mercado para a TAM.

Uma coisa é certa: este filme não terminará bem. E adivinhem quem pagará pelo prejuízo?

Apagão nunca mais. Lembram desta frase?


Adelson Elias Vasconcellos

Pois bem, em novembro de 2010, Lula e Dilma Rousseff proferiram esta sentença na inauguração de parque termelétrico movido a gás natural em Manaus.

Numa referência indireta ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e numa sinalização de que o tema será constante na campanha eleitoral deste ano, Lula e Dilma ressaltaram que o governo atuou de forma preventiva e planejou investimentos na área energética desde 2003.
Agora vejam a foto abaixo:

NA ENTRADA DA AGÊNCIA, 
O AVISO: "SEM PREVISÃO DE RETORNO"



As fotos acima foram publicadas na página do Cláudio Humberto, com o seguinte comentário. Volto depois:

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Brasília nem precisava participar do movimento que propõe uma hora sem energia, chamando atenção ao "aquecimento global". Os cortes de energia são tão frequentes e de tal maneira prolongados que, não por acaso, a estatal de energia CEB foi considerada uma das piores distribuidoras do País. Nesta segunda-feira, a capital voltou a sofrer apagões. Um deles alcançou grande parte da quadra 511 Norte, dando pretexto a uma agência do Banco do Brasil para fechar as portas. Na fachada, o aviso escrito a mão: "Prédio sem energia, sem previsão de retorno". E outro cartaz improvisado, os endereços de outras quatro agências do BB a serem procuradas pela clientela desavisada.

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É isto aí: em plena segunda feira, dia 02 de abril de 2012, em plena capital federal, a agência do maior banco público do país precisou passar pelo constrangimento de fechar suas portas, sem previsão de que iria reabrir, por falta de energia elétrica. E atentem: se o leitor estiver em dúvida quanto a situação crítica dos apagões rotineiros que Brasília pergunte a qualquer morador da capital federal. 

Só que infelizmente não é apenas Brasília quem vem sofrendo. Manaus, apesar da bazófia imbecil de Lula continua enfrentando apagões seguidos, quase diários.

O Rio Grande do Sul enfrenta uma crise de abastecimento terrível, a tal ponto que tem sido preterido por inúmeras indústrias de lá instalarem, por conta, justamente, da falta de capacidade para atender a atual demanda. 

E olhe que, diferente de 2000 e 2001, quando a falta de chuvas provocou o esvaziamento dos reservatórios, obrigando o país a racionar o consumo de energia, nos últimos anos o que não tem faltado são chuvas abundantes. 

Quanto aos tais planos que Lula diz que o seu governo implementou desde 2003, pura mentira. Ele apenas deu seguimento ao planejamento que já pronto e estruturado do governo anterior. 

Exemplo de incompetência, a usina Termelétrica de Cuiabá tinha revertido o déficit na geração de energia do Estado do Mato Grosso até que...

...o governo Lula aceitou, passivamente, que Evo Morales, presidente da Bolívia, chutasse o traseiro do Brasil e mandasse às favas o contrato que havia assinado para fornecimento de gás natural. Não apenas alterou o cálculo dos preços de fornecimento, como ainda, deixou, simplesmente, de fornecer gás para a usina de Cuiabá, que culminou com o fechamento da usina. Há certos bairros em Cuiabá em que os apagões são diários, sem previsão de quando serão extintos.  

E, depois de nove anos de poder, o resultado da incompetência de um  governo cujo valor maior tem sido mentir descarada e incansavelmente para o país, é que os apagões continuam fazendo do cotidiano brasileiro. 

Tudo quanto já se disse aqui em relação ao tal PAC, mais e mais se confirmam: não passa de um plano acelerado de corrupção. De um lado, foi construído com 90% de obras em andamento recebidas do governo anterior. E não apenas se acelerou o tempo de obra parada e atrasada, como ainda se aceleraram os custos. 

Apagão nunca mais? Só se for de competência e capacidade de governar.

Comissão aprova fim de 14º e 15º salários a parlamentares. Tudo bem, mas e o imposto sonegado?


Comentando a Notícia

Leiam texto de Gustavo Gantois, para o Portal Terra. Comentaremos em seguida:

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A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou nesta terça-feira o fim dos 14º e 15º salários que parlamentares recebem. O fim do benefício, que rende até R$ 58 mil a deputados e senadores, ainda tem de passar pelo plenário do Senado para valer efetivamente.

O relatório do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi aprovado por unanimidade. O texto agora vai à Comissão da Mesa Diretora, responsável por assuntos administrativos da Casa. Ali, o projeto é tratado internamente e não há reunião pública para decidir se a matéria vai ou não ao plenário.

O projeto prevê que os deputados e senadores recebam apenas duas ajudas de custo durante todo o mandato, uma no início e outra no fim. Hoje, os dois salários extras são pagos anualmente. Nos oito anos de mandato, o custo com o pagamento dos extras no Senado é de R$ 34,6 milhões. A Câmara dos Deputados gasta, em quatro anos, R$ 109,6 milhões. No caso específico dos senadores, além de receberem os extras, eles não pagam Imposto de Renda.

O senador Benedito de Lira (PP-AL) foi um dos que mais atacou o benefício durante a sessão da CAE. "Temos de receber salário de fevereiro a dezembro, que é quando estamos aqui de fato", disse o senador. Outro que atacou o benefício foi Valdir Raupp (PMDB-RO). "Não acho justo o tratamento diferenciado com o recebimento de remunerações adicionais. Nós, senadores, já contamos com os nossos salários normais", afirmou o senador governista.

A movimentação para acabar com o 14º e o 15º não está restrita ao Senado. Na semana passada, a Associação dos Servidores do Ministério Público Federal (ASMPF) entrou com um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da regalia. Para a associação, o benefício concedido a deputados e senadores fere a Constituição e atenta contra o princípio da isonomia, sendo inconstitucional.

O caso está nas mãos do ministro Ayres Britto, que assume a presidência do STF no mês que vem. A assessoria do STF não soube informar se o pedido de liminar já foi julgado pelo ministro.

O pagamento dos extras também ocorre em algumas unidades da federação, como no Distrito Federal. No mês passado, a Câmara Legislativa da capital aprovou a extinção dos benefícios que eram pagos aos deputados distritais.

******* COMENTANDO A NOTICIA:
No dia 26 de março, transcrevemos reportagem da revista IstoÉ, “Senado sonegador” (íntegra aqui), em que se informava que cada senador deixara de pagar por ano em imposto de renda R$ 14.428,00, resultando em uma dívida de cada para com o Leão em R$ 115.344. Seriam, ao final do mandato, R$ 9,3 bilhões que deixaram de ser recolhidos em impostos, que incidiram sobre os 14° e 15° salários, e que não foram pagos desde 1995, quando a regalia foi criada. 


Ora, duvido que qualquer um deles vá, um belo dia, recolher um centavo que seja desta dívida. E até acho que, não apenas por pressão da sociedade, mas como artimanha para tentarem escapar da cobrança, suas excrescências estejam abrindo mão da regalia imoral dos tais 14º e 15º salários. 

Porém, seja por uma questão de justiça, seja uma questão de isonomia em relação aos demais cidadãos que trabalham neste país, a Receita Federal não deve deixar de cobrar e, em caso de inadimplência, executar as dívidas inclusive com penhora de bens. Não pode haver cidadãos de primeira e segunda classe. A lei é igual para todos, até para estas nulidades. 

Sem hotéis, campanha incentivará cariocas a hospedar participantes da Rio+20. É assim que eles querem bancar Copa e Olimpíadas?


Comentando a Noticia

Convenhamos, diante de uma notícia destas só podemos chegar a conclusão do quanto o Brasil está despreparado para sediar eventos internacionais de grande magnitude. 

A campanha lançada pelo prefeito carioca Eduardo Paes, é a verdadeira assinatura de um atestado de incompetência. 

O texto é de Ludmilla De Lima, para O Globo.

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Paes diz que ainda estuda detalhes da proposta, com lançamento previsto até o início de abril


LUIZ ACKERMANN / O GLOBO 
Preparação da Rede Hoteleira para Rio+20. 
Na foto, camareira arruma quarto do Hotel Royalty

RIO - A menos de três meses da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a prefeitura planeja fazer uma campanha para que cariocas hospedem pessoas de fora durante o encontro, de 13 a 22 de junho. O prefeito Eduardo Paes diz que ainda estuda detalhes da proposta, com lançamento previsto até o início de abril. Um dos motivos que levará o prefeito a fazer o pedido à população é a falta de infraestrutura hoteleira suficiente para abrigar 50 mil cadastrados pela ONU, mais os milhares de visitantes que vêm ao Rio discutir os rumos do planeta. Para garantir acomodação a todas as delegações, o comitê organizador da Rio+20 bloqueou (espécie de pré-reserva) apartamentos em hotéis no interior do estado.

Até agora, são 120 delegações e 80 chefes de estado ou de governo confirmados. Outras comitivas devem desembarcar no Rio, pois representantes dos 193 países-membros da ONU foram convidados. O comitê calcula que parte dos grupos, além da imprensa e do público, tenha que se hospedar fora da capital. Por isso, a agência de viagens que representa o comitê, a Terramar, tem negociado com hotéis de cidades como Angra dos Reis, Mangaratiba e Petrópolis.

Pelos dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), o município do Rio conta hoje com 33 mil quartos, incluindo albergues, hotéis e três mil unidades em motéis. No entanto, nem todos estarão disponíveis para o público da conferência — uma reedição da Rio-92 vinte anos depois.

No momento, restam poucas vagas: a taxa de ocupação na cidade para o período da conferência, segundo a ABIH-RJ, já atinge 94% em toda a rede hoteleira. Do percentual, 80% estão relacionados à conferência.

Estratégia foi usada em Copenhague
No Centro, 100% dos quartos já estão reservados para o evento. Na Barra, em São Conrado, em Ipanema e no Leblon, a taxa é de 92%; no Leme e em Copacabana, 91%, e no Flamengo e em Botafogo, 94%. Tanto os hotéis cinco estrelas da cidade quanto os de três e quatro estrelas estão com ocupação de 94%.

O presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, explica que é comum durante grandes eventos as comitivas ficarem hospedadas em outras cidades:

— Em qualquer cidade do mundo, durante grandes eventos, cidades periféricas, a cerca de 120 quilômetros de distância, são usadas para abrigar visitantes.

O secretário estadual de Turismo, Ronald Ázaro, concorda:

— Niterói e Petrópolis, por exemplo, são opções a menos de duas horas do Rio. Búzios e Cabo Frio têm mais de 12 mil vagas que podem ser usadas durante a conferência. A solução (para a hospedagem durante a Rio+20) está dentro do Estado do Rio.

Angra dos Reis, localizada a 157 quilômetros do Rio; Mangaratiba (100 quilômetros) e Petrópolis (68 quilômetros) já têm hotéis com pré-reservas para a conferência.

O economista Sérgio Besserman, presidente do grupo de trabalho da prefeitura para a Rio+20, lembra que essa estratégia foi usada em Copenhague, capital da Dinamarca, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, há dois anos.

— No carnaval se hospeda muito mais gente no Rio. A grande maioria em casas e apartamentos alugados. Mas, como agora é uma conferência internacional, a demanda vai para os hotéis, os quartos cinco estrelas — afirma Besserman, destacando a campanha que será anunciada pelo prefeitura como uma forma de criar mais acomodações.

A ABIH-RJ discute com os hotéis cinco estrelas o compromisso de disponibilizar 70% das vagas (2.898 quartos, ou 4.542 leitos) exclusivamente para a cúpula da Rio+20.

Diante da grandiosidade da programação da ONU, outros eventos marcados para junho foram transferidos para outras cidades ou adiados, para liberar o Riocentro e desafogar a rede hoteleira. Superintendente do Rio Convention & Visitors Bureau, Paulo Senise cita o caso do Congresso Internacional de Odontologia, que traria 3.000 pessoas ao Rio, mas acabou saindo da agenda da cidade.

— Tivemos que desaconselhar a realização de eventos no mesmo período. Um congresso de enfermagem dos Estados Unidos, que traria mil pessoas, será transferido para outra data. E o principal evento que impedia a realização da Rio+20, o Congresso Internacional de Odontologia, foi para Foz do Iguaçu — diz Senise.

O Expo Rio Móbile, evento anual da indústria de móveis e alta decoração, precisou mudar de data a pedido do Riocentro e do governo brasileiro. Prevista para acontecer de 19 a 23 de junho, a feira foi adiada para 24 a 28 de julho. A expectativa de público é de 4 mil pessoas.

Muito além dos limites da capital
A Rio+20 irá além dos limites da capital. A agência de turismo oficial da conferência, que faz as reservas para as delegações da ONU, tem adotado como medida de precaução o bloqueio de até 100% das vagas de hotéis no interior. O objetivo, segundo a Coordenação de Imprensa e Comunicação da Rio+20, é assegurar hospedagem para as delegações, incluindo as que ainda devem confirmar viagem ao Rio. Localizado em Itaipava, distrito de Petrópolis, o Bomtempo Resort já fechou contrato com a agência, que reservou todo o estabelecimento para o período entre 19 e 23 de junho. São 34 quartos, com capacidade para cem pessoas.

E está em negociação a reserva do resort para a semana anterior, preparatória da Rio+20.

— Petrópolis é uma opção viável de hospedagem durante eventos no Rio, que tem hoje um excesso de procura. Dependendo do ponto em que você está no Rio, quem sai de Petrópolis chega até mais rápido ao destino — afirma o proprietário do resort, Rogério Elmor.

No bairro do Retiro, também em Petrópolis, o Riverside Park Hotel, de três estrelas, foi 100% bloqueado para as mesmas datas. Gerente do grupo, Fabiano Barros conta que um prédio de apartamentos alugados para temporada mantido pelo hotel em Itaipava, de nível quatro estrelas, também está todo pré-reservado. São 15 quartos em Itaipava e 31, no Riverside, onde é possível hospedar 78 pessoas.

O eco resort Hotel do Bosque, em Angra dos Reis, é outro que está fechado para a Rio+20. São 94 apartamentos, com capacidade para cerca de 400 hóspedes. O resort Portobello, em Mangaratiba, também negocia com a agência.

O pacote do governo é pura repetição


Miriam Leitão
O Globo

O governo anunciou ontem um novo plano — mais um da série — para beneficiar a indústria. A medida com alcance mais estrutural é a mudança da forma de cobrança da contribuição das empresas para a Previdência. A possibilidade de pagar 1% sobre o faturamento bruto agora está aberta a um número maior de setores. O pacote reduz ainda mais os juros do BNDES e amplia ou renova as renúncias fiscais.

A presidente Dilma Rousseff disse que a desoneração da folha salarial, com a mudança da forma de recolhimento ao INSS, não provocará aumento do déficit da Previdência. “O Tesouro Nacional compensará toda a queda de arrecadação causada por isso.” Isso tem efeito meramente contábil porque de qualquer maneira se entrasse na conta como déficit da Previdência ele seria coberto pelo Tesouro.

Aliás, o Tesouro é o pagador de todas as promessas. É o que vai transferir mais dinheiro ao BNDES. É o que vai cobrir o subsídio dos juros, a equalização de taxas, as renúncias fiscais. O Tesouro é o caixa forte do seu, do meu e do nosso dinheiro. O que aconteceu ontem foi mais uma distribuição dos recursos públicos.

A presidente Dilma criticou os juros altos e os spreads altíssimos no país, dizendo que “tecnicamente é difícil explicar os spreads do Brasil”. É mesmo difícil. Sobre o regime automotivo, o novíssimo, que incluiu mais vantagens para quem fica e barreiras para os de fora, Dilma disse que isso é devido ao “aumento estarrecedor das importações de carros” que estariam “canibalizando o nosso mercado, que é o quarto do mundo”.

Na verdade, a maior parte das importações é feita pelas próprias montadoras. É difícil imaginar que elas estejam canibalizando elas mesmas. O mais provável é que tenham exibido ao governo um número de aumento das compras — incluindo as delas — e depois pedido barreira contra os concorrentes externos.

Foram criados 19 conselhos de competitividade. Eles nada mais são do que os conselhos setoriais que já existiram em vários governos.

Organizarão os pedidos de benefícios para cada setor. O ministro Fernando Pimentel disse que responderia de antemão aos “críticos desavisados” que estariam “saudosistas do modelo autoritário”. Para o ministro, os conselhos são mais democráticos do que as decisões tomadas por meia dúzia de tecnocratas.

A memória não é mesmo o forte do atual governo. Os militares criaram um sem número de conselhos setoriais e nomearam representantes empresariais para diversos deles, como o Conselho de Desenvolvimento Industrial, que administrava, com os empresários, o conceito de “similar nacional”. Havia empresários até no que cuidava da moeda: o Conselho Monetário Nacional.

Foi a grande farra do lobby. Assim o país concentrou renda, abriu o balcão de negócios que beneficiou escolhidos do regime, fechou a economia, criou reservas de mercado e produziu inflação. Não foi nada democrático. Para atender aos interesses coletivos é preciso bem mais do que criar conselho setorial e nomear empresários.

O ministro Pimentel promete que desta vez os conselhos defenderão a inovação, e o país fará um esforço realmente forte de aumento da competitividade. Tomara.

Abece diz que sobretaxa a importações é lamentável


Exame.com
Colaboração de Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

"Considero lamentável que uma medida de indiscutível cunho protecionista seja anunciada como estímulo à indústria nacional", disse o presidente da Abece

Wilson Dias/ABr
Ramalho ainda prevê uma avalanche de processos internacionais
 contra a sobretaxação de importados

São Paulo - O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho, classificou como "lamentável" a medida anunciada nesta terça-feira pelo governo federal que sobretaxa importações. De acordo com Ramalho, que foi secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior(MDIC) de 2005 a 2010, aumentar a cobrança do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre produtos importados é uma medida protecionista que levará a questionamentos da comunidade internacional.

"Considero lamentável que uma medida de indiscutível cunho protecionista seja anunciada como estímulo à indústria nacional", disse Ramalho à Agência Estado, logo após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que as importações sofrerão um aumento de PIS/Cofins correspondente às alíquotas de desoneração da folha de pagamento oferecida a 15 setores.

Para Ramalho, o tema do protecionismo ganhou, no plano Brasil Maior, dimensão mais relevante do que a discussão sobre estímulo à produção nacional e investimentos. Em sua avaliação, sobretaxar importações vai, em vez de estimular a indústria nacional, prejudicar a produção no País, já que, diz, cerca de 80% do que é importado pelo Brasil corresponde a insumos e componentes para a própria indústria. "Em última análise, essa medida vai prejudicar a própria indústria brasileira", afirmou.

Ramalho ainda prevê uma avalanche de processos internacionais contra a sobretaxação de importados. "O Brasil vai ser tachado de protecionista e vai sofrer processos lá fora. O País fica vulnerável a ações e retaliações da comunidade internacional". Ele informou ainda que a Abece não entrará na Justiça contra a medida anunciada nesta terça-feira, mas que isso não impede que empresários que se sentirem prejudicados optem por esse caminho.

Das velhas interventorias ao governo por interposta pessoa: será o Benedito?


Bolívar Lamounier
Exame.com

Em novembro de 1937, ao implantar a ditadura, Getúlio Vargas substituiu os governadores eleitos por “interventores”.

Os nomes de vários deles são até hoje familiares, e não só por  terem se tornado comuns  em placas de ruas, mas porque  os interventores, usados por Getúlio para enfraquecer os esquemas dominantes nos estados, deram origem a oligarquias ainda mais robustas. Exemplos: Adhemar de Barros em São Paulo, Benedicto Valadares em Minas Gerais, Amaral Peixoto no Rio de Janeiro, Agamenon Magalhães em Pernambuco,Pedro Ludovico em Goiás, Góes Monteiro em Alagoas.

Era uma tecnologia política curiosa, mas não original. Diversos  impérios da antiguidade recorreram a tal expediente. Naquela época, as interventorias da ditadura Vargas chamavam-se satrapias; o interventor era o sátrapa. Não por acaso, o termo sátrapa tem sentido altamente pejorativo, o que também ocorre com “interventor” no caso brasileiro.

Getúlio não queria dizer pão-pão, queijo-queijo que iria acabar com a federação e instituir um Estado unitário. Assim, os estados continuaram a se chamar estados, e não províncias.

No livro Estado e Partidos Políticos no Brasil (Editora Alfa-Ômega), Maria do Carmo Campello de Souza ensinou que “o sistema de interventorias pouco ou nada interferia com os pilares econômicos do poder político nos estados, nem era esse o seu intuito. Não obstante, enfraquecia as antigas situações, na medida em que o interventor, embora ligado à elite estadual, não devia a ela sua permanência no controle do estado,mas sim ao beneplácito do Executivo federal” (pág.88).

Mesmo dourando a pílula, como fez Getúlio, “soluções” desse tipo são obviamente inviáveis em regimes democráticos; dê-se-lhe  o nome que se quiser, o governante que atropela a federação e impede a disputa política normal no interior de cada estado haverá de cheirar mal. Regimes baseados na imposição serão sempre  conhecidos como ditaduras.

Mas um problema de certa gravidade começa a aparecer quando a prática se torna impositiva sem a alteração de uma vírgula  sequer  nos dispositivos constitucionais  que definem o regime. Práticas camaleônicas: líderes populistas são useiros e vezeiros nisso. Creio que até dormem pouco, pois certamente gastam um tempo enorme concebendo disfarces  maliciosos para  impor   seus objetivos, abastardando o funcionamento normal da democracia.

Não chegarei a afirmar que um processo desse tipo esteja plenamente configurado no Brasil, mas  potencial para tanto, é óbvio que existe. Potencial, entenda-se, é algo que pode vir a se realizar, que tem condições de se realizar, mas que não necessariamente se realizará.

Entre tais condições,  duas podem ser  facilmente identificadas. Primeiro, a fase atual do país não chega a ser brilhante no que tange ao funcionamento das instituições e ao vigor dos valores democráticos.

Não podendo me estender  aqui sobre os diversos entroncamentos que levam a isso, contento-me em mencionar a pandemia de corrupção, a liquefação dos partidos, a camisa-de-força e a consequente  penúria de debates a respeito da política econômica e, por último, mas não menos importante, a debilidade da oposição no Congresso Nacional.   O   economista André Leite tem dito que a democracia brasileira está se transformando num “parque temático”. Dói-me admitir que  ele talvez tenha razão;   tenho sofrido por não poder contestá-lo a plenos pulmões, como seria meu desejo.

A segunda condição chama-se Luís Inácio Lula da Silva. Com sua imensa popularidade, sua capacidade de articulação e o mando inconteste que exerce sobre seu partido, o ex-presidente  obviamente está tomando gosto pelo “dedaço”. Foi assim que ele agiu na eleição presidencial e é  assim que vem agindo em relação à eleição municipal de São Paulo.

Minha tese é polêmica, bem o sei, mas, por favor, não me venham com a lenga-lenga da “contestação golpista”. Em 2010, eu  não me cansei de criticar  o modo de agir e a concepção de democracia de Lula, mas a partir da eleição eu não fiz contestação alguma à legitimidade do mandato de Dilma Rousseff. Nenhuma ressalva, em nenhum momento.  Por abominável que o processo tenha sido, não contesto o resultado de  uma eleição limpa e livre; observadas estas condições, as urnas falam mais alto.

Agora estamos em 2012. Mal comparando, estamos começando a assistir o  que um romancista chamou de “recurso ao método” . Ao método lulo-digital, se assim o posso chamar. Um repeteco, evidentemente, do dedaço de 2010. Meu entendimento é o mesmo. Se o indicado for eleito em eleições limpas e livres, de mim ninguém ouvirá uma palavra sequer contra o resultado.

Nenhuma contestação  no sentido jurídico, formal, constitucional – bem entendido. Isto não  me obriga a calar quanto  à substância, ou seja, ao procedimento propriamente político. Nem tudo que  é válido à luz  da legislação se coaduna com o espírito da democracia.

Por defeituosas que as democracias reais possam ser,  existe  no processo eleitoral de  praticamente todas elas  uma expectativa salutar:  a de um embate entre candidatos com luz própria.

Há também a expectativa  - variável, obviamente, segundo o cargo em disputa – de um lastro apreciável de competência  e  experiência.  O  respeito ao eleitor  é um dos fundamentos de tal expectativa. Em se tratando de uma megalópole – a maior da América do Sul-, será necessário dizer mais  alguma coisa?

Criador do termo Bric não vê ‘guerra cambial’


Leandro Modé
O Estado de S. Paulo

Jim O’Neill, do Goldman Sachs, discorda do ministro da Fazenda, Guido Mantega

SÃO PAULO - Conhecido globalmente por ter inventado o termo Bric (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China), o presidente da Goldman Sachs Asset Management, Jim O’ Neill, mantém-se otimista com as perspectivas para a economia brasileira. Mas, ainda que de forma cautelosa, faz reparos a atitudes práticas e retóricas do governo Dilma Rousseff.

A começar pela guerra cambial, "descoberta" e propalada mundo afora pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não concordo (com Mantega) quanto à guerra cambial", afirmou, durante conversa com jornalistas nesta terça-feira, em São Paulo.

"A maioria dos países deve perseguir uma política econômica que seja consistente com metas domésticas. No caso do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), há um mandato legal para manter a inflação baixa e o desemprego mais baixo possível. Ou seja, não é foco do Fed o valor do dólar no mercado", argumentou.

Assim como o Fed, O’ Neill avalia que os bancos centrais das outras duas grandes economias desenvolvidas em crise - Europa e Japão - também têm agido para corrigir problemas domésticos. "Portanto, não vejo uma guerra cambial. Aliás, usar a palavra guerra me parece um tanto perigoso, uma vez que remete à guerra comercial que se seguiu à Depressão dos anos 30 do século passado. Isso sem falar das próprias guerras reais."

O’Neill citou a Alemanha como um país que conseguiu manter o dinamismo do setor industrial apesar da valorização de sua moeda - antes o marco, e agora o euro. "A Alemanha tem se saído brilhantemente",disse. "Mostra que uma moeda forte não é necessariamente algo ruim."

O presidente da Goldman Sachs Asset Management disse que é difícil definir qual o tamanho ideal do setor industrial em uma economia.

"Tomemos como exemplo os Estados Unidos. A indústria do país enfraqueceu nos últimos anos, mas, em compensação, algumas das principais empresas mundiais são americanas: Apple e Facebook, que são e também não são do setor manufatureiro."

O debate sobre desindustrialização, observou, não é exclusividade do Brasil neste momento. "O Reino Unido do pós-crise está obcecado com o aumento do tamanho da indústria."

Para O’Neill, o Brasil deveria se concentrar em três pilares para fortalecer a indústria: pesquisa e desenvolvimento, inovação e um mercado de trabalho mais flexível. O protecionismo, alertou, é um caminho a se evitar.

Ele evitou falar explicitamente que medidas recentes do governo brasileiro se encaixam no conceito. Mas deixou clara sua posição. "Não se conseguem benefícios econômicos duradouros protegendo-se da competição. O exemplo da Alemanha mostra que concorrência é algo bom."

Mesmo com essas ressalvas em relação à conjuntura global e brasileira, O’Neill se mostrou otimista com as perspectivas para a economia nacional.

"O Brasil pode crescer 4%, se não mais, nos próximos cinco anos." Para este ano, a Goldman Sachs Asset Management projeta expansão de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB), número superior à média do mercado - que tem oscilado ao redor dos 3%.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A gente sabe que a tal guerra cambial tão propalada pelo governo Dilma é apenas uma fumaça criada para encobrir suas incompetência e omissão. Mesmo o pacote lançado para incentivar a indústria brasileira, não passa de mais do mesmo. Medidas que só servem para agradar a torcida mas que não resolverão nossa perda de competitividade provocado por um governo sem rumo, sem projetos, sem foco.  

O exemplo citado por O'Neill, a dinâmica indústria alemã é bem oportuno: em 2011, apesar de suportar praticamente sozinha a crise na Europa, ainda assim, a Alemanha cometeu a façanha de cresceu mais do que o Brasil. Só isto já demonstra o vazio dos discursos de Dilma Rousseff e Guido Mantega.

Jornalistas protestam contra voto ‘antimídia’ do Brasil na Unesco


Gabriel Manzano
O Estado de S.Paulo

Governo brasileiro rejeitou resolução das Nações Unidas por mais segurança a profissionais de imprensa

Entidades ligadas à defesa da liberdade de imprensa protestaram nesta terça-feira, 3, contra a decisão do Brasil de rejeitar uma resolução das Nações Unidas destinada a dar mais segurança aos profissionais de imprensa em todo o mundo. "Estamos consternados por ver que uma oportunidade histórica para tomar medidas concretas nessa área tenha sido frustrada", disse nos EUA o diretor do Comitê de Proteção aos Jornalistas, Guillén Kaiser.

Além do CPJ, também a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o International News Safety Institute (Insi) disseram-se "decepcionados" ao saber que o Brasil, ao lado de outros quatro países - Cuba, Venezuela, Índia e Paquistão - derrubou numa reunião da Unesco em Paris, no final de março, o texto básico de um novo Plano de Ação da ONU sobre Segurança dos Jornalistas. O assunto, e com ele um amplo pacote de garantias a jornalistas em todo o mundo, ficam adiados por pelo menos um ano - o comitê encarregado só se reunirá de novo em 2013. Só de um ano para cá morreram no Brasil cinco jornalistas - e 21 desde 1992.

Kaiser, do CPJ, definiu como "desconcertante" o fato de a decisão contra o plano ter partido justamente de um país que divide com os Estados Unidos o comando da Parceria Governo Aberto, que reúne mais de 80 nações na defesa da transparência nos atos de governo. Para Marcelo Moreira, diretor do International News Safety Institute (Insi), a decisão brasileira "é negativa, porque impede a criação de projetos que possam investir em programas antiviolência" no País.

"Procedimentos". 
Em sua defesa, o Itamaraty afirmou que não é contra o plano mas o rejeitava devido a procedimentos irregulares. Primeiro, não aceitava votar sem ser ouvido e nem aprovar um texto que já chegou pronto à assembleia. Além disso, e contrariando a maior parte das estatísticas conhecidas, os diplomatas brasileiros alegam que "a grande maioria dos casos (de morte de jornalistas) verificados no Brasil não guarda relação direta com o exercício da atividade". Em nota, a Abraji "lamenta a decisão (...) porque entende que as supostas imprecisões do documento são menores diante de sua importância e sua oportunidade". O plano, chancelado por dezenas de países, "daria relevância" ao tema na sociedade e "seria mais um estímulo para a responsabilização e punição dos assassinos", diz a entidade.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Creio não haver surpresa nenhuma no fato do governo petista não ter chancelado o acordo. Trata-se, como se lê acima, de ato em favor da democracia, da liberdade de expressão, coisas que as esquerdas, comandadas pelos canalhas do PT, nutrem verdadeiro ódio. Assim, no que puderem agir para criar dificuldades ao trabalho jornalístico sério e independente não medirão esforços em fazê-lo. Para esta escória a única imprensa que conta é a chapa branca, a que só sabe dizer amém.

Medidas para indústria repetem receita iniciada em 1930


Sílvio Guedes Crespo
Estadão.com

As medidas do governo para a indústria não diferem muito de uma antiga fórmula iniciada nos anos 1930 e retomada diversas vezes, observa Alcides Leite*, que escreve abaixo:

***** 
Já faz alguns anos que importantes analistas e empresários alertam o governo sobre o risco de desindustrialização do País. Segundo eles, a valorização do real, os altos impostos, a carência de infraestrutura e o preço elevado dos insumos prejudicam a competitividade da indústria nacional.

Embora tudo isso encareça os produtos brasileiros, o problema real é a falta de uma política industrial consistente. Na nossa história, os poucos setores que se tornaram globalmente competitivos, como o de aviação, com a Embraer, foram os que resultaram de decisões estratégicas do governo.

Mas casos como esse foram exceções. A regra sempre foi a substituição de importações, taxando a mercadoria estrangeira e incentivando a produção dentro das fronteiras nacionais. Isso funcionou por um certo período. De 1930 a 1980, a indústria brasileira foi uma das que mais cresceu no mundo. Mas, após as duas crises do petróleo na década de 1970, o País quebrou, junto com parte de suas empresas. Conheça abaixo os momentos que marcaram a atuação do Estado brasileiro na área industrial.

Vargas, JK e os militares
Na primeira metade do século 20, principalmente após o início do governo Getúlio Vargas (1930), o País deu prioridade à implantação da indústria de base. A fundação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Petrobrás e do BNDE (o S de social só foi acrescentado mais tarde) são importantes marcos deste período.

Na segunda metade do século passado, o governo passou a priorizar a indústria de transformação. A administração Juscelino Kubitschek (1956-1961) incentivou a entrada de montadoras de automóvel, que se instalaram especialmente no ABC paulista, trazendo consigo indústrias de autopeças. Também nesta época houve desenvolvimento no setor de eletrodomésticos. Durante o governo Geisel (1974-1979) foi dada prioridade para o setor de petroquímico e de energia elétrica.

Crise da substituição de importações
A admirável expansão industrial entre 1930 e 1980 foi impulsionada, sobretudo, pela substituição de importações, defendida pelos economistas da Cepal (Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe), liderados pelo argentino Raul Prebisch e pelo brasileiro Celso Furtado.

O Brasil dificultava a importação de produtos industrializados e oferecia financiamento público para implantação da indústria no País. Naquela época os juros internacionais e o preço do petróleo eram muito baixos. O endividamento externo valia a pena.

Em 1979, no entanto, a situação mudou. O preço do petróleo e os juros internacionais disparam, o que atingiu em cheio países que dependiam da importação dessa commodity e do financiamento externo, como o Brasil. Nossa dívida era alta e, com o aumento dos juros no mundo, a situação financeira do governo federal entrou em colapso.

Levou mais de quinze anos para que o Brasil pudesse superar as dificuldades geradas pela crise do petróleo. Somente após a implantação do Plano Real é que a economia brasileira se estabilizou. A partir daí, o governo deu prioridade para as reformas administrativas e econômicas (governo FHC) e para a expansão das políticas sociais (governo Lula). Não foi, no entanto, desenvolvida nenhuma política industrial para substituir a já ultrapassada política de substituição de importações.

Brasil competitivo
Os setores mais competitivos hoje são justamente aqueles que foram agraciados no passado com decisões políticas estratégicas. Conheça algumas delas:

- A agropecuária nacional tornou-se uma das maiores e mais eficientes do mundo graças em grande parte ao trabalho inovador dos pesquisadores da Embrapa (empresa pública fundada em 1973);

- A técnica de prospecção de petróleo desenvolvida pela Petrobrás (iniciada em 1977) tornou o país uma referência internacional nesta área;

- O Pró-álcool, programa iniciado em 1975, é hoje a maior experiência de utilização de combustível automotivo renovável do mundo;

- A Embraer, fundada em 1969 e privatizada em 1994, é hoje a maior fabricante de aeronaves para voo regional do planeta.

Schumpeter
Os quatro exemplos acima corroboram a tese do famoso economista Joseph Schumpeter, que afirmava ser a inovação o grande motor do desenvolvimento econômico de um país. Foi ele quem cunhou o termo “destruição criadora” para definir o sistema capitalista. Para Schumpeter, o sistema é cruel e impiedoso para aqueles que não estão dispostos a inovar, a se reinventar a todo momento.

Para superar a atual crise da indústria de transformação brasileira não basta reduzir o custo Brasil e desvalorizar o real. Isso ajuda momentaneamente, mas não resolve o problema; apenas adia o colapso. É necessário que o governo, o setor empresarial e setor acadêmico se unam em torno de um plano industrial focado nos produtos e nas atividades que se tornarão centrais ao longo das próximas décadas, como biotecnologia, energia renovável e engenharia de materiais. Cabe ao governo comandar esse processo de formulação e implantação de uma verdadeira política industrial no Brasil.

* Alcides Leite, colaborador do Radar Econômico, é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e inspetor-analista concursado do Banco Central. Autor de “Brasil: A trajetória de um país forte”. Com esta postagem, ele inicia a série Teoria na Prática, em que dará o contexto histórico e teórico dos principais fatos relacionados à economia brasileira hoje.

Salgado Filho, um hospital assassino no Rio de Janeiro


Pedro do Coutto
Tribuna da Imprensa

Absolutamente incrível, revoltante e repugnante o que aconteceu em 2010 no Hospital Salgado Filho, da rede Municipal de Saúde, em torno do qual desfiou-se uma verdadeira teia assassina, resultado, para dizer o mínimo, do descaso da Prefeitura para com a vida humana. A tragédia ocorreu há dois anos. Até hoje o prefeito Eduardo Paes nada fez. Não tomou qualquer providência. Omisso.

Posição insensível, aparentemente cômoda. Custou 363 vidas de pacientes internados na CTI daquela unidade que carrega um nome ilustre, mas desonrado pelos responsáveis das mortes em série.Reportagem excepcional de Vera Rosa, O Globo de domingo, dia primeiro, revela que, há dois anos, de 854 pacientes internados no Centro Intensivo, morreram 363 de janeiro a dezembro. Índice superior a 40%. Essa taxa não se verifica nem no corredor da morte das prisões da Califórnia.

A velocidade da tragédia foi de quase uma pessoa por dia.Especialistas ouvidos pela repórter consideram normal uma percentagem de 5% ao ano. Jamais 45 pontos. As fotos que acompanham a matéria, pelo que se pode interpretar do texto, foram da UERJ, uma vez que a Universidade, em agosto do mesmo ano de 2010, alertou a Secretaria de Saúde para os problemas de ventilação inadequada que se desenrolavam. Alertou e fotografou.

O tema, manchete principal da edição de O Globo, foi extensamente debatido na mesa dirigida por Haroldo de Andrade Júnior, domingo, Rádio Tupi. Como era de prever, centenas de telefonemas de ouvintes indignados. Não é para menos. A morte que ceifou 363 contribuintes há 24 meses pode atingir qualquer um a qualquer momento.

No sábado, a reportagem da Rede Bandeirantes, por exemplo, mostrou pessoas vítimas de derrame cerebral não encontrando um médico sequer no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Caxias. A cena dramática teve repetição em outras unidades. Quando conseguem ser atendidos, pacientes são colocados em macas pelos corredores.

Enquanto isso predomina, para recorrer à imagem de Fritz Lang, no andar de baixo, a corrupção e o silêncio disparam nos porões da consciência humana. Não no andar de cima, o que classificaria os ladrões junto a políticos e empresários dignos. O roubo e a omissão, sua grande aliada, encontram-se no subsolo da vida na direção do esgoto.

Basta ler, na mesma edição de O Globo, reportagem de Carla Rocha, publicada em outra página, mas também como chamada na primeira.Ela sustenta que a Rufolo, uma das empresas envolvidas no escândalo denunciado pelo Fantástico, dá as cartas na administração. E chega ao ponto de exercer influência na nomeação de dirigentes de diversos outros hospitais. Nem Freud explica. Só comprometimento.

Repete-se a obra de Goethe, Doutor Fausto, aquele que vendeu a alma ao diabo para recuperar a juventude e adquirir riqueza.De fato só a corrupção pode traduzir tal comportamento que ameaçadoramente se generaliza pela administração pública do Rio de janeiro e do país.

Pois o trabalho de Vera Rosa decorreu de uma iniciativa do Ministério Público Estadual, não por parte do prefeito Eduardo Paes ou do governador Sérgio Cabral. O MPE tomou a iniciativa por sua própria decisão.E, possivelmente, não tendo sido levado a sério, deslocou o plano de sua indignação para a imprensa, tornando-se manchete do principal jornal do Rio, que forma entre os quatro mais influentes do país: A Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor. São os outros três cujas páginas repercutem com intensidade. Da mesma forma a revista Veja. Por sinal, esta que está nas bancas, publica novo escândalo ocorrido na área do Ministério da Saúde.

A sequência escabrosa de indignidades e roubalheiras parece não conseguir chegar ao fundo do poço. Talvez, como na peça de Tennessee Williams, porque esse poço não tenha fundo. Praticados os roubos, os ladrões vão rezar. Hipócritas.

A revolução do Big Data


Rennan Setti
O Globo

Nova fronteira de mercado, tecnologia de análise extrema com cruzamento de dados já movimenta US$ 70 bi

RIO - Você vai ao mercado com o objetivo de comprar apenas o que falta para o jantar e, ao passar pelo corredor de produtos de higiene, seu celular o surpreende com uma mensagem. O remetente é a própria varejista, que deseja chamar sua atenção para o desodorante em promoção na prateleira ali do lado. O SMS não diz, mas a rede sabe que o seu estoque do produto está mesmo no fim e que, há duas semanas, você escreveu no Facebook o quanto gostava da marca. Se a precisão da mensagem lhe é espantosa, prepare-se: a tecnologia que cruza dados dessa forma já existe, representa um mercado direto estimado em US$ 70 bilhões e está invadindo empresas e governos no Brasil e no mundo — o que deve elevar à enésima potência a possibilidade de ganhos com o uso dessas informações. A promessa é de revolução em várias áreas da economia e até na ciência — além de uma renovada discussão sobre privacidade.

Trata-se do Big Data, termo de mercado para o conjunto de soluções que analisa informações em variedade, volume e velocidade inéditos até hoje. Ferramentas desse tipo surgiram no fim da década passada, mas este ano o conceito extrapolou de vez os limites da academia e dos setores de TI. Isso porque o preço para armazenamento de dados está despencando e diversas ferramentas baratas ou gratuitas para lidar com tamanho volume informações estão surgindo.

O uso dessa nova tecnologia tem vasta abrangência. No último Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi publicado um estudo mostrando como o Big Data pode ser uma arma contra problemas socioeconômicos. E até Brad Pitt tem contribuído para sua popularização: o filme “Moneyball (O Homem que mudou o jogo)”, que protagoniza, conta a história da mais famosa aplicação do conceito: o gerente de um time de beisebol que usa o Big Data para reunir um elenco de primeira linha sem gastar muito.

‘Pré-sal existe por causa do Big Data’
O executivo de operações da EMC, Pat Gelsinger, diz que o mercado global de Big Data já movimenta US$ 70 bilhões por ano — sem contar inestimáveis ganhos nos negócios. A consultoria IDC estima que o segmento crescerá quase 40% ao ano entre 2010 e 2015, mas considera um patamar de US$ 16,9 bilhões ao fim desse período. A tecnologia envolve tanto dinheiro porque soluciona um problema inadiável para a economia, o da quantidade de dados digitais. O volume deve crescer do atual 1,8 zettabyte para 7,9 zettabytes em 2015, prevê a IDC. Zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes.

A centelha dessa revolução é a proliferação de plataformas que geram dados como nunca. São celulares, GPS, redes sociais, câmeras e sensores dos mais diversos tipos. Grande parte da informação gerada é classificada de não-estruturada: ou seja, não é facilmente computável, costuma ser criada pelo ser humano, não por máquina. Até pouco tempo, essa informação só podia ser compreendida por pessoas. Com o Big Data, as máquinas aprendem a lê-la. Essa é, nas palavras de especialistas, a beleza do conceito.

— Nos últimos 50 anos, a evolução do mercado de TI se deu apenas no “T” da sigla, a tecnologia. Com o Big Data, é chegada a hora de o “I”, de inteligência, guiar o avanço — afirmou Alexandre Kazuki, diretor de marketing da divisão da HP Brasil que cuida de Big Data.

Se o Big Data está dando os primeiros passos no mundo, a tecnologia ainda engatinha no Brasil, na avaliação de Kátia Vaskys, diretora de Bussiness Analytics da IBM. Ela cita a forma como a maioria das empresas brasileiras monitora suas marcas nas redes sociais:

— Aqui costuma-se contratar um time de estagiários para isso. Isso é basear a estratégia de marketing na intuição, mas não há intuição que resista a tanta informação! Há uma ferramenta tecnológica para fazer isso com muito mais precisão e em tempo real.

A aplicação por aqui está restrita a setores como varejo, financeiro (análise de risco), telecomunicações e petrolífero, mas começa a chegar à mídia.

A Renner usa o Big Data para monitorar em tempo real o fluxo de mercadorias da loja ao cruzar dados de localização GPS dos caminhões dos fornecedores com os níveis dos estoques, contou o diretor de TI Leandro Balbinot. A rede também acompanha a aceitação dos produtos nas redes sociais. E já imagina outros usos, como a possibilidade de reorganizar uma loja com base em dados meteorológicos. Exemplo: se, nas últimas chuvas, os clientes compraram mais calças ou acessórios, a rede pode dar destaque a esses itens quando os primeiros pingos caírem.

— Apesar de o uso no Brasil ainda ser pouco maduro, a expectativa é enorme. Temos um dos principais mercados de internet no mundo, sobretudo de redes sociais, o que é crucial para a adesão ao Big Data — observou Maurício Prado, gerente geral de servidores da Microsoft Brasil.

— Só sabemos que o pré-sal existe por causa do Big Data e da economia da nuvem — resumiu Patrícia Florissi, CTO da EMC para as Américas.

Isso porque a tecnologia agiliza o processamento de dados sísmicos captados pelas sondas que procuram petróleo no fundo do mar. Como são milhões as variáveis, o trabalho exige intermináveis simulações de imagens, e só o Big Data é capaz de dar conta do trabalho em um tempo razoável.

Visando a esse mercado, a gigante EMC está construindo no Parque Tecnológico do Fundão um centro de pesquisas totalmente dedicado ao uso de Big Data para a indústria do petróleo. Ele ficará pronto em no máximo dois anos e empregará 35 pesquisadores. A companhia vai investir R$ 100 milhões no país nos próximos quatro anos.

Polícia chega antes do crime
Há também iniciativas brasileiras na seara governamental, aceleradas pela proximidade da Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor em maio. Uma parceria do Ministério do Planejamento, do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da PUC-Rio disponibilizou na web dados abertos dos mandatos do governo Lula.

A massificação do Big Data, porém, enfrenta obstáculos. O maior deles é com a privacidade. Mas, para Karin Breitman, da PUC-Rio, os cientistas não devem “censurar” pesquisas:

— É uma questão ética. Cabe à sociedade impor limites à aplicação da ciência e da tecnologia, mas os pesquisadores precisam trabalhar na ponta.

Outro problema é a escassez de profissionais com habilidades em matemática, estatística e computação. O Big Data levou as empresas a uma disputa frenética por esse perfil e tornou a IBM a maior empregadora de matemáticos PhDs no mundo. O instituto McKinsey prevê que faltarão até 190 mil desses profissionais em 2018 nos EUA.

— Já há carência desse profissional no Brasil. Se houver uma explosão do Big Data, teremos problemas — advertiu Kazuki, da HP.

Apesar dos desafios, a expectativa é enorme. A “Economist” escreveu que o Big Data pode transformar modelos de negócio de empresas centenárias. A RollsRoyce, cita, deixaria de vender turbinas para alugá-las, cobrando pelo uso. Sensores e o histórico do cliente dariam o preço.

Patrícia Florissi, da EMC, diz que ainda é incipiente o uso da presciência da tecnologia. Por exemplo: como são capazes de entender imagens, softwares de Big Data poderiam monitorar as câmeras de uma cidade e acionar a polícia antes de um crime acontecer com base em padrões que antecedem assaltos e assassinatos. Sairíamos de “Moneyball” para cair em “Minority Report” — com os prós e contras disso.

Em entrevista, Merkel rejeita lição de Dilma


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À revista Manager-Magazin, a chanceler alemã diz que, antes de pedir para que países ricos reduzam o chamado "tsunami monetário", Dilma deveria reduzir os juros no Brasil; "se meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou pedir que não faça"

Foto: Divulgação

A chanceler alemã Angela Merkel deixou o tom diplomático de lado e atacou ontem os conselhos de Dilma Rousseff sobre a gestão da crise. "Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem obrigado apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente", disse Merkel em entrevista à revista Manager-Magazin.

A resposta da chanceler da Alemanha se refere às críticas da presidente do Brasil que acusou os países ricos, especialmente europeus e americanos, de estarem provocando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas. Segundo Dilma, a ação provoca dois efeitos : torna os produtos dos países ricos mais competitivos artificialmente, e cria bolha de ativos. "Todo mundo vai tratar de tsunami (monetário) no mundo…eu, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o BIS, que é o Banco de Compensações Internacionais, que mostra que é impossível com US$ 8,8 trilhões e no caso específico da União Europeia, com US$ 1 trilhão, o que acontece ? Acontece que a política monetária expansionista destes países produz um efeito extremamente nocivo, porque desvaloriza de forma artificial as moedas", disse Dilma.

Num discurso diante de uma plateia de empresários na abertura da maior feira de tecnologia do mundo – a CeBit, no início de março, Merkel rebateu as críticas na presença de Dilma: "Nós (ela e Dilma) vamos discutir a crise e as preocupações de cada uma. A presidente falou que está preocupada com um “tsunami de liquidez”. Do nosso lado, nós estamos olhando onde estão as medidas protecionistas unilaterais".

Agora, a Alemanha aponta o dedo para as deficiências do Brasil.

Riscos vividos


Miriam Leitão
O Globo

Começa a haver desabastecimento na Argentina, a inflação é crescente, apesar de manipulada, e o governo quer controlar a imprensa. Mas, 30 anos depois, a Argentina em nada lembra o país devastado econômica e politicamente que entrou na guerra por um delírio do ditador.

A presidente, Cristina Kirchner, disse que a Guerra das Malvinas não foi decisão do povo argentino. Não foi. Coube ao povo apenas pagar a conta, como sempre.

O então ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ramiro Saraiva Guerreiro, vestiu o robe e foi falar com os jornalistas. Ele admitiu no seu livro de memórias que foi uma das raríssimas surpresas que teve em sua vida profissional. “Acostumei-me a prever com razoável precisão como os Estados se comportariam na cena internacional.”

O chanceler brasileiro em 1982 estava voltando de uma viagem à China, passara por 13 fusos horários, e dormiu em Nova York. Foi acordado pelo porta-voz Bernardo Pericás, que lhe disse: “Ministro, a Argentina invadiu as Malvinas, e os jornalistas brasileiros que o acompanharam à China gostariam de ouvir seus comentários.”

Ele não teve tempo de pensar, mas definiu com precisão milimétrica o que fazer: apoiar a Argentina, mas não a guerra.

Estava fora de questão brigar com os argentinos. Fora longo o trabalho de recompor as relações, afastar as desconfianças, e firmar o acordo que pacificou a região desde o início da construção da Usina de Itaipu.

Brigar com a Inglaterra, não havia por quê. O ministro disse então aos jornalistas que o Brasil apoiava o direito da Argentina sobre o arquipélago desde 1833, quando, na regência, o nosso ministro plenipotenciário em Londres avisou à corte de St. James que o país era contra a invasão das ilhas pelos ingleses. Ao mesmo tempo, defendia solução negociada.

Foram dias tensos para a diplomacia brasileira. Em maio, o presidente, João Figueiredo, tinha viagem marcada aos Estados Unidos, que apoiaram imediatamente a Inglaterra. Não ir seria entendido como gesto político. Ir seria uma inutilidade, porque só haveria um assunto, Malvinas.

Ele foi e deu um recado: “Se houvesse algum ataque ao território continental argentino, os latino-americanos, que estavam dando apoio à Argentina em sua reclamação, mas evitando agir como se se tratasse de uma agressão britânica ao continente que os obrigasse à ação de defesa coletiva, seriam provavelmente forçados a reagir muito além de suas intenções.” A história foi contada por Guerreiro em seu livro “Lembranças de um empregado do Itamaraty”.

Havia muitos riscos para o Brasil naquele conflito. Um era ter que tomar partido. Quando um avião britânico pousou no Galeão, a Argentina queria que a aeronave fosse retida até o fim do conflito; os ingleses, que ela fosse liberada imediatamente. O avião foi retido por um tempo que não significasse uma afronta aos ingleses, mas que fosse um recado aos argentinos de que o Brasil não ajudaria a Inglaterra.

O Brasil temia uma vitória argentina porque isso fortaleceria o governo de Galtieri. Ele seria louco o suficiente para arranjar outro inimigo externo. E o Chile já estava escalado, pela disputa no Estreito de Beagle.

Havia generais nos governos daqui e de lá, mas aqui o processo de abertura estava bem adiantado. Na Argentina, havia uma devastação em todos os sentidos. A ruína econômica pousava sobre 30 mil mortos e desaparecidos. 

Galtieri achou que a guerra o salvaria. Foi deposto, e o país pôde abreviar o tempo até a democracia. Margaret Thatcher saiu popular da guerra e se reelegeu.

Trinta anos depois, o que faz a Inglaterra continuar mantendo a posse das ilhas? Eles dirão que assim querem os kelpers, mas Hong Kong foi devolvida à China, após 100 anos de controle, sem qualquer consulta popular. O compromisso feito pela China de manter “um país, dois sistemas” está cada vez mais fraco.

Devolveram Hong Kong porque temem a China, não o fazem com as Malvinas porque não temem a Argentina. Os kelpers são descendentes dos ingleses transplantados para lá desde a ocupação em 1833. Em Hong Kong, a maioria é de origem chinesa mesmo.

Mas o tamanho do país reclamante foi o mais decisivo.

E de quebra tem petróleo no pedaço. Quanto? Há controvérsias sobre quantidade e qualidade do produto, mas cinco empresas prospectam na área, todas britânicas: Falkland Oil & Gas, Rockhopper Exploration, Desire Petroleum, Borders & Southern, Argos Resources. A Rockhopper Exploration é que está em estágio mais avançado e calcula-se que produzirá a partir de 2016, e ao longo de 20 anos, um total de 448 milhões de barris nos campos que explora. Ao todo, fala-se, segundo o “Telegraph”, em potencialmente 4,7 bilhões de barris.

De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal inglês, o governo argentino ao elevar o tom de suas reclamações contra a dominação britânica no arquipélago quer assustar os investidores e impedir que as companhias consigam financiar seus investimentos.

A tensão entre os dois países vai continuar. Um olhar 30 anos atrás revela que aquele não foi apenas um conflito extemporâneo. A região correu mais risco do que ficou na lembrança.

O melhor é negociar, lembrando que a Inglaterra fica a 12.735 quilômetros de distância do arquipélago. A Argentina, a apenas 482.

Maioria dos brasileiros não conhece e-books


Exame.com
Colaboração de Daniella Jinkings, Agência Brasil 

Dos 30% que já ouviram falar em e-books, 82% nunca leu um livro eletrônico

Divulgação/Amazon
Nos Estados Unidos, a venda de e-books supera a de livros impressos

Brasília – A leitura de livros digitais, também conhecidos como e-books, ainda é pouco disseminada no país. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada hoje (28) pelo Instituto Pró-Livro mostram que 70% dos entrevistados nunca ouviram falar dos livros eletrônicos que podem ser lidos em equipamentos como tablets (computadores de prancheta) e e-readers (livros digitais).

Dos 30% que já ouviram falar em e-books, 82% nunca leu um livro eletrônico. De acordo com o levantamento, as pessoas que têm acesso aos livros digitais ou leram pelo computador (17%) ou pelo celular (1%). A maioria dos leitores (87%) baixaram o livro gratuitamente pela internet, desses, 38% piratearam os livros digitais. Apenas 13% das pessoas pagaram pelo download.

Os leitores aprovam o formato eletrônico dos livros digitais, segundo a pesquisa. A maior parte dos entrevistados lê de dois a cinco livros por ano. No entanto, mesmo que muitos sejam adeptos dos livros digitais, a maioria dos leitores acha difícil a extinção do livro de papel.

Os livros digitais são mais populares entre o público de 18 a 24 anos. A maioria dos leitores de e-books pertence à classe A e tem nível superior completo. De acordo com a pesquisa, 52% dos leitores são mulheres e 48% homens.

O levantamento avaliou que a leitura de livros digitais no Brasil é considerada uma tendência. Nos Estados Unidos, a venda de e-books supera a de livros impressos. De acordo com a Associação Americana de Editores, as vendas dos livros digitais cresceram 117,3%, em 2011. Ainda segundo a associação, o mercado cresceu mais de 100% em três anos.

Pipoca tem mais antioxidante que frutas e vegetais. OBA!!!


Veja online

Quando preparada sem adição de gordura, a pipoca pode ser benéfica à saúde

(Thinkstock)
Nutrição concentrada:
uma porção de pipoca tem mais polifenóis do que frutas e vegetais

Comer pipoca todos os dias pode fazer bem à saúde. Pelo menos é o que indica uma pesquisa apresentada neste domingo durante o encontro da Academia Americana de Química — maior sociedade científica do mundo. De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Scranton, na Pensilvânia, a pipoca tem uma concentração de polifenóis, um antioxidante benéfico à saúde, maior do que frutas e vegetais.

O estudo foi conduzido por Joe Vinson, pioneiro em analisar a composição de substâncias saudáveis em alimentos como chocolate e castanhas. Segundo ele, os polifenóis estão mais concentrados na pipoca porque o salgado tem somente 4% de água, aproximadamente. Em frutas e vegetais, a substância se dilui nos 90% de água que compõe esses alimentos.

O pesquisador descobriu ainda que a casca da pipoca – aquela parte mais escura, que às vezes fica presa entre os dentes – detém as maiores concentrações de polifenóis e de fibras. 

De acordo com Vilson, a quantia de polifenóis presente em uma porção de 33 gramas de pipoca é de mais de 300 miligramas, frente aos 160 miligramas de uma porção de 80 gramas de uma fruta qualquer. Com isso, a ingestão de 100 gramas de pipoca por dia pode suprir 13% do ideal de ingestão diária de polifenóis.

Preparo – 
Por outro lado, fazer a pipoca com muito óleo, usar manteiga ou colocar muito sal, podem transformá-la em uma bomba de gordura. As pipocas de micro-ondas também não são recomendáveis. De acordo com o pesquisador, elas têm duas vezes mais calorias do que as feitas no vapor.  "As pipocas preparadas em vapor têm as mais baixas taxas de calorias", diz Vinson.

Vinson alerta que, obviamente, a pipoca não substitui a necessidade de ingestão de frutas e vegetais em uma dieta saudável e balanceada. Esses alimentos contêm vitaminas e nutrientes fundamentais para a saúde que não estão presentes na pipoca.