sábado, abril 14, 2012

Criador do termo Bric não vê ‘guerra cambial’


Leandro Modé
O Estado de S. Paulo

Jim O’Neill, do Goldman Sachs, discorda do ministro da Fazenda, Guido Mantega

SÃO PAULO - Conhecido globalmente por ter inventado o termo Bric (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China), o presidente da Goldman Sachs Asset Management, Jim O’ Neill, mantém-se otimista com as perspectivas para a economia brasileira. Mas, ainda que de forma cautelosa, faz reparos a atitudes práticas e retóricas do governo Dilma Rousseff.

A começar pela guerra cambial, "descoberta" e propalada mundo afora pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não concordo (com Mantega) quanto à guerra cambial", afirmou, durante conversa com jornalistas nesta terça-feira, em São Paulo.

"A maioria dos países deve perseguir uma política econômica que seja consistente com metas domésticas. No caso do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), há um mandato legal para manter a inflação baixa e o desemprego mais baixo possível. Ou seja, não é foco do Fed o valor do dólar no mercado", argumentou.

Assim como o Fed, O’ Neill avalia que os bancos centrais das outras duas grandes economias desenvolvidas em crise - Europa e Japão - também têm agido para corrigir problemas domésticos. "Portanto, não vejo uma guerra cambial. Aliás, usar a palavra guerra me parece um tanto perigoso, uma vez que remete à guerra comercial que se seguiu à Depressão dos anos 30 do século passado. Isso sem falar das próprias guerras reais."

O’Neill citou a Alemanha como um país que conseguiu manter o dinamismo do setor industrial apesar da valorização de sua moeda - antes o marco, e agora o euro. "A Alemanha tem se saído brilhantemente",disse. "Mostra que uma moeda forte não é necessariamente algo ruim."

O presidente da Goldman Sachs Asset Management disse que é difícil definir qual o tamanho ideal do setor industrial em uma economia.

"Tomemos como exemplo os Estados Unidos. A indústria do país enfraqueceu nos últimos anos, mas, em compensação, algumas das principais empresas mundiais são americanas: Apple e Facebook, que são e também não são do setor manufatureiro."

O debate sobre desindustrialização, observou, não é exclusividade do Brasil neste momento. "O Reino Unido do pós-crise está obcecado com o aumento do tamanho da indústria."

Para O’Neill, o Brasil deveria se concentrar em três pilares para fortalecer a indústria: pesquisa e desenvolvimento, inovação e um mercado de trabalho mais flexível. O protecionismo, alertou, é um caminho a se evitar.

Ele evitou falar explicitamente que medidas recentes do governo brasileiro se encaixam no conceito. Mas deixou clara sua posição. "Não se conseguem benefícios econômicos duradouros protegendo-se da competição. O exemplo da Alemanha mostra que concorrência é algo bom."

Mesmo com essas ressalvas em relação à conjuntura global e brasileira, O’Neill se mostrou otimista com as perspectivas para a economia nacional.

"O Brasil pode crescer 4%, se não mais, nos próximos cinco anos." Para este ano, a Goldman Sachs Asset Management projeta expansão de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB), número superior à média do mercado - que tem oscilado ao redor dos 3%.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A gente sabe que a tal guerra cambial tão propalada pelo governo Dilma é apenas uma fumaça criada para encobrir suas incompetência e omissão. Mesmo o pacote lançado para incentivar a indústria brasileira, não passa de mais do mesmo. Medidas que só servem para agradar a torcida mas que não resolverão nossa perda de competitividade provocado por um governo sem rumo, sem projetos, sem foco.  

O exemplo citado por O'Neill, a dinâmica indústria alemã é bem oportuno: em 2011, apesar de suportar praticamente sozinha a crise na Europa, ainda assim, a Alemanha cometeu a façanha de cresceu mais do que o Brasil. Só isto já demonstra o vazio dos discursos de Dilma Rousseff e Guido Mantega.