domingo, setembro 09, 2012

Redução da tarifa de energia: a mentira como ideologia e arma políticas

Adelson Elias Vasconcellos

Quando FHC escreveu e mandou publicar seu artigo “Herança pesada” teve o cuidado de assinalar que sua crítica focava os dois mandatos de Lula, e que por conta daquela herança, a presidente Dilma estava encontrando dificuldades para governar o país.

Contudo, e afirmamos aqui, parece que Dilma, a soberana imperial, não leu o que estava escrito, tampouco procurou refletir no texto, na sua mensagem e até na forma educada, cordial e respeitosa com que Fernando Henrique a ela dirigiu-se. Tratou de responder de forma afoita e deselegante. Ficasse apenas nestes pontos, vá lá. Mas a soberana imperial não seria imperial se não carregasse nos tons e deixasse vazar o espírito petista que a anima. 

Antes de prosseguir, breves considerações. Para chegar ao poder, o PT adotou algumas táticas de guerrilha. Primeiro, tratou de sabotar todos os governos que o antecederam. Sempre apostou no quanto pior melhor. O segundo passo foi aparelhar, e sempre através de mentiras, os principais sindicatos e centrais. O que se ouve desta gente chega a ser insuportável em termos de idiotices. E não se tente contrapor: são, além de ignorantes, cegos de doer. Insistem em defender verdadeiros atentados ao bom senso, além de exprimirem um analfabetismo doloroso. Só ouvem o que seu comandante em chefe lhes autoriza ouvir.  São verdadeiros zumbis, sem vontade própria, sem capacidade de expressão voluntária e a menor chance de pensarem por si mesmos. Se o chefe falou, tá falado, não se discute e ponto final.

Durante anos o PT vendeu sua utopia socialista. Além de sabotar governos, montar um exército de pálidos jagunços ignorantes a partir de sindicatos e centrais, utilizou a imprensa como veículo de transmissão de sua mensagem de puro analfabetismo. Muitos jornalistas se tornaram celebridades por se curvar às notas e “denúncias” vazadas pelo PT para a imprensa. Hoje, o PT não vê a hora de colocar a mesma imprensa sob os grilhões da censura.

Dentro do pacote, portanto, havia mentira, ilusão e ignorância, além do banditismo explícito de destruir biografias e difamar adversários. Embalando este pacote cafajeste, a grande farsa de sua ética  na política. Pena que poucos perceberam que, em governos estaduais e prefeituras, assumidos por gente petista, instalou-se, ato contínuo, a organização política para o crime. Contratos com empresas de transporte, de recolhimento de lixo, dentre outros, passaram a fazer parte do escoadouro de dinheiro público desviado para alimentar o caixa do partido. 

Foi em cima desta estrutura que o PT cresceu e chegou ao poder. Da turma que o fundou, muitos abandonaram o barco ao se darem conta da canoa furada em que haviam embarcado. Os que não foram difamados pelo próprio partido, acabaram tendo por destino o mesmo fim dado a Celso Daniel. 

Agora, com o julgamento do Mensalão na ordem do dia, muitos se apressam em afirmar, erroneamente, que o PT nada mais fez do que os tucanos já haviam feito em Minas Gerais. Errado. Juntem os contratos de serviços firmados pelas prefeituras e governos estaduais petistas com o que aconteceu no BANCOOP, e vocês encontrarão o embrião do que viria se transformar no maior escândalo da nossa história. E não só isso: não se trata de um simples cooptação desonesta do Poder Legislativo. Tramou-se ali uma verdadeira tentativa de golpe à democracia, roubando a independência de outro poder da república, para subjugá-lo à vontade dos chefões do poder instalado.

Logo que assumiu, Lula que já havia mudado o discurso do partido em sua “Carta ao Povo Brasileiro”, tratou de montar um esquema criminoso de poder.   Foram centenas de golpes de desvios de recursos, e se alguém se der ao trabalho de relacionar as ações da Polícia Federal desde 2003, constatará que, mais de 90% das operações desmantelaram esquemas montados a partir da chegada de Lula ao Poder. Não há um só canto, não há um único ministério em que a Polícia Federal não tenha investigado e desmontado esquemas de corrupção arquitetados e implementados pelo governo do senhor Luiz Inácio. Não se trata de uma questão de opinião, e sim de um fato que está devidamente registrado nas ações da Polícia Federal. É só conferir para se concluir que o PT organizou um governo para o crime. 

Voltemos agora a Dona Presidente. Dentre todos os governos sabotados por Lula e sua gangue, o único a quem ele não se aliou foi o de Fernando Henrique. E não o fez não por questão de antipatia, ou por considerá-lo um mau presidente. Pelo contrário: Lula sabe, mesmo que não externe, que Fernando Henrique é o único que pode calar-lhe a boca com fatos. Lula detesta a verdade, além de ser um ressentido em primeiro grau por ter sido derrotado por FHC, em primeiro turno, nas duas vezes que ambos disputaram juntos uma eleição. Lula odeia FHC não por que ele tenha governado o país, mas porque foi o único que deu ao país uma esperança de futuro.

É por isto que Dilma deveria ou ter se calado, ou ter tido maior respeito não apenas com um ex-presidente, mas com o ex-presidente que colocou o Brasil no caminho certo. Basta observar a estrutura na qual se assentam os postulados da atual economia brasileira e todos eles tiveram origem no governo FHC. E foi graças a estes postulados que, não apenas a hiperinflação foi dominada e a capacidade de investimento do Estado foi restaurada, como ainda criou mecanismos de controle que, hoje, na Europa e Estados Unidos, servem de modelo a ser copiado e adotado. 

Falar de crescimento com distribuição de renda, dona Dilma, como conquista petista? Deixe de ser, asquerosamente mentirosa. FHC preparou o país para crescer, criou uma rede de programas sociais – eram doze programas – dos quais o PT retirou cinco e embalou no Bolsa Família. E mesmo o Bolsa Família só foi possível acelerar seu  número de beneficiados em tempo tão curto, graças ao cadastro de 6 milhões de famílias que Lula encontrou pronto, com dados sobre número de pessoas, idade e sexo das crianças,  endereço, condições de moradia, renda familiar, dentre outros. Distribuição de renda? Basta voltar ao passado para perceber quem, de fato, começou a conceder aumentos reais do salário mínimo. Quer mais? Quando FHC transmitiu a faixa presidencial para seu padrinho, dona soberana imperial, a faixa de isenção do imposto de renda na fonte ia até cinco salários, hoje ela não alcança além de 2,86 salários. E a isto se chama de confisco, e ele foi protagonizado não pelo sociólogo, e sim pelo operário. 

País quebrado estava o Brasil que FHC recebeu. E antes de entregá-lo saneado, deixou em caixa U$ 26 bilhões de empréstimo obtido em condições super favoráveis junto ao FMI. O Brasil não estava, como sua nota mentirosa alega, sob intervenção do Fundo Monetário Internacional coisa nenhuma. E por falar nisto,  o Brasil conseguiu enfrentar a crise internacional justamente por já havia, através do PROER, saneado e regulado o seu sistema bancário e, mesmo assim, quantos bancos, ao tempo de Lula e seu, o Banco Central precisou intervir por má gestão de seus administradores, e por falhas da fiscalização  do  próprio Banco Central?  No PROER não aconteceram picaretagens do tipo Panamericano...

Portanto, Dona Dilma, ter respeito pela verdade é condição básica para qualquer governante tornar-se estadista, coisa da qual Lula, e pelo visto de quem a senhora tenta copiar o mesmo figurino, estão léguas de distância. Fernando Henrique comprometeu seu próprio capital político para fazer o que era preciso para tirar o Brasil do atoleiro em que se encontrava quando ele assumiu, fruto de governantes medíocres que o antecederam e com os quais hoje o PT se acha aliado.

É bom lembrar, por exemplo, que o Brasil só passou a ter crédito limpo no mercado a partir da renegociação da sua dívida conduzido de forma brilhante pelo ex-ministro Pedro Malan. Estávamos quebrados, sem crédito, e já havia praticados dois calotes monstruosos. E isto foi trabalho daquele que vocês, petistas, tanto odeiam, mas muito mais por inveja, sentimento que mede o tamanho da mediocridade dos indivíduos fracos, sem talento, de caráter leviano e mesquinho.

Apagões, dona soberana ? Pois é, ele ocorreu em 2001, fruto de dois anos seguidos de estiagem e que secaram nossos reservatórios. Neste tempo, éramos dependentes de quase 90% de energia hidráulica. Mas ao invés de chorar pelos cantos e transferir culpas e responsabilidades a terceiros, montou-se um gabinete de especialistas que transmitiram para o governo seguinte todo um programa de reestruturação com metas de investimentos, ações e medidas corretivas de curto, médio e longo prazo. Foi este Brasil que Lula recebeu, e não as mentiras e mistificações que vossa excelência engole contadas pelo seu padrinho. 

Vejamos agora o seu governo, soberana imperial: sem precisar fazer absolutamente nada para por o país nos eixos, quais as grandes reformas para melhorar nosso crescimento foram encaminhadas e implementadas por vossa excelência? Atenção: não valem programinhas molambentos que mais são meras cartas de intenção.  Vai falar de PAC? Então vamos falar de PAC: quantos empreendimentos que ali se encontram tiveram início com Lula? Quantos pertenciam aos governos anteriores a ele, e que tiveram suas obras suspensas e interrompidas em seu primeiro mandato? Por que, senhora Dilma, com as finanças saneadas, com a dívida externa reestruturada, com a estabilidade econômica e institucional conquistadas e atingidas, o Brasil não consegue crescer mais do que seus vizinhos no continente ?   Para não parecer sacanagem nem quero comparar com os demais emergentes, os BRICS, principalmente. Por que, tendo tantos recursos e potencialidades, a educação brasileira vai de mal a pior? Por que a saúde pública está tão deteriorada? Por que nem no governo Lula tampouco no seu, o governo não consegue avançar em saneamento básico?

Vejamos a questão da tarifa de energia elétrica, que a presidente anunciou redução, tanto a residencial quanto a industrial. Tudo muito bem, tudo muito bom, mas diga lá: o que foi reduzida, a tarifa cobrada pelas concessionárias, ou os impostos federais e estaduais? E por que “somente” em 2013? E por que, já que o projeto de redução era discutido desde que vossa excelência assumiu, ele é anunciado às vésperas de eleição, e com a projeção de um benefício apenas no futuro? Claro que o anúncio é eleitoreiro - muito embora houvesse necessidade de redução por praticarmos a tarifa mais cara do mundo -  já que feito há pouco mais de trinta dias das eleições municipais. Faltou transparência, coisa em que este governo, definitivamente, jamais conseguiu ser virtuoso. Por fim, é de se perguntar se a redução impedirá os apagões frequentes em Brasília e no norte e nordeste brasileiros?   

Mas vá, lá, vamos passar por cima de tudo isto, e fazer de conta que a presidente estava imbuída das mais honrosas intenções. Como o diabo mora no detalhe, há um certo “porém” neste anúncio. Querem ver?

Em agosto, publicamos aqui um relatório do TCU, (íntegra aqui), do qual destacamos este trecho:

O TCU (Tribunal de Contas da União) julga hoje se determinará ao governo uma redução bilionária nas contas de energia elétrica dos consumidores provocada por cálculos considerados errados nos reajustes de 2002 a 2010.

A questão se arrasta há sete anos no tribunal.

A estimativa era que no mínimo R$ 7 bilhões tivessem sido cobrados a mais dos consumidores. Mas a conta pode superar R$ 11 bilhões. A tarifa-base que reajusta as contas de energia também deverá ser reduzida com o novo cálculo, tornando os próximos reajustes ainda menores.

Então, a pergunta que fica é, esta redução não seria, por acaso, a justa devolução daquilo que o governo tem cobrado a mais dos consumidores, cuja dívida já foi reconhecida pelo TCU e pelo próprio Ministério de Minas e Energia, que, por sinal, tem se negado, insistentemente, em ressarcir  os prejudicados, no caso nós, consumidores?

Ou seja, se cretinismo fosse pouco para esta gente, eles tentam barganhar votos nas eleições de outubro, com um benefício que, no fundo, nada mais é do que o pagamento de uma dívida da União para com o povo brasileiro!!!! 

Aliás, Dona Dilma é expert neste assunto de negar  pagamentos milionários a que a União é condenada. Ainda no primeiro mandato de Lula, fez questão de deixar a VARIG quebrar por se negar em pagar a indenização bilionária, R$ 4,5 bilhões mais juros e correção, que o governo havia sido condenado, em primeira e segunda instâncias, desempregando mais de 5 mil profissionais de primeira linha, e dando início ao apagão aéreo do qual padecemos até hoje!

Portanto, quem tem o telhado de vidro da soberana imperial, não pode se dar ao luxo de atirar pedras no telhado alheio!

Há alguns anos atrás,  fizemos um longo trabalho de pesquisa sobre as privatizações e, pasme Dona Dilma, elas trouxeram muito mais benefícios do que prejuízos. Sem contar o valor de investimentos, número de empregos gerados, aumento de rentabilidade e produtividade, e elevado aumento no montante de impostos recolhidos. E adivinhe quem se beneficiou destas conquistas? Claro, o governo Lula que deitou falação sobre a geração de empregos, o crescimento das exportações, a elevação da arrecadação federal (com a qual se pagam dívidas e empréstimos e toda a faraônica corte aboletada no poder), criação de novas estatais inúteis, etc, etc. 

Minta para quem tem pouca memória da história recente do país. Minta para quem sequer conseguiu sair das trevas do analfabetismo, fruto de uma política educacional bucéfala e debiloide. Mas não minta, dona Dilma, para quem tem muito viva a informação destes fatos e eventos todos,   para quem viveu e conviveu com eles desde o tempo da ditadura militar, cujo modelo de centralismo estatal o PT vem copiando, inclusive em seu governo. Não fale de privatizações e concessões como se isto fosse um pecado, porque graças a elas o Brasil saiu do buraco e o governo Lula, e o seu mesmo,  conseguem ter abundancia de recursos para gastar, desperdiçar, torrar sem que esta gastança retorne em benefícios diretos para o povo brasileiro.

E faça um favor a si mesma: se deseja ser lembrada por sua passagem pela Presidência de maneira positiva, primeiro tenha apreço à verdade. E, segundo, faça ao menos 10% de tudo o que o governo Lula recebeu de seu antecessor. Pare de enrolar, de tergiversar, de transferir responsabilidades, de jogar sujeiras para debaixo do tapete, seja mais educada com seus subordinados porque eles não são cachorros, provoque um choque de realidade em seu mandato produzindo resultados que consigam ir um pouco além da insignificância dos PIB’s até aqui produzidos.

Não produza, dona Dilma Rousseff, mediocridades num país com as imensas riquezas e potencialidades que o nosso amado Brasil tem. Se a propaganda oficial consegue enganar o povo por algum tempo, o resultado final que ficará registrado na História não terá misericórdia. Ninguém lhe pede para se converter em uma estadista, mas pelo menos que não nos desgoverne ladeira abaixo. Como fazer? Trate a educação das crianças e adolescentes como prioridade máxima. Pare de entupir nossas universidades (cuja maioria é ruim) de analfabetos e semianalfabetos como vem ocorrendo. Investir na qualidade do ensino fundamental e básico é a maior conquista de qualquer governante, e a certeza inabalável de um país muito melhor no futuro.   

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Brazucagem: o alto preço da educação básica desqualificada


Jorge Serrão  
Alerta Total 

$talinácio é um vidente político! Ele previu que o Mensalão interferiria na campanha eleitoral contra o PT. O previsto desgaste de imagem, refletindo negativamente no desempenho dos candidatos, se tornou realidade. A repercussão do julgamento da Ação Penal 470 é mais um caso que confirma o inegável poder de influência a opinião pública (e também publicada) de um assunto que ganha destaque midiático.

Povo atento a decisões de Justiça é uma exceção em países com desqualificada formação educacional básica – na maléfica combinação do baixo (ou nenhum) nível de leitura com a falta de raciocínio lógico-matemático. Mas o interesse no caso do mensalão – despertado pela conveniente e bem programada repercussão de propaganda midiática – também é um indicador de que muita gente já começa a ficar de saco cheio de tanta safadeza – mesmo que não entenda bem ou consiga explicar como, por que e quem promove tanta bandalheira. 

Se a baixaria educacional tivesse reflexos perversos apenas na cidadania já seria uma desgraça pelada. Tão ou mais grave é que ela reflete diretamente no comportamento cultural do brasileiro. Quem não pensa corretamente, com base na Verdade, se torna refém de ilusões e mentiras que afrontam a realidade. Quem embarca em ideologias equivocadas reproduz crendices, ignorâncias, preconceitos erros, inverdades e injustiças. Os valores verdadeiros são corrompidos e se transformam na raiz da corrupção generalizada. Por isso, prospera tão facilmente o sistema do Crime Organizado (servidores públicos se associando a bandidos que se servem da coisa pública para roubar e usurpar a máquina do Estado).

Enfim, um povo cuja maioria não consegue refletir sobre a diferença entre o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o justo e o injusto, encontra dificuldade permanente em ser ético. Assim, a ignorância tupiniquim logo se transmuta em barbárie: inércia, omissão, covardia, medo, egoísmo, violência e terror. O caminho fica escancarado para a prática dos sete pecados capitais básicos: soberba, gula, luxúria, inveja, avareza, preguiça e ira. Na conjuntura de ignorância, os vícios superam a virtude e se espalham por todas as classes sociais.

Os efeitos psicossociais da educação básica desqualificada são ainda mais perversos. Seus reflexos destruidores atingem a vida econômica. Ignorante não produz direito. Pior ainda: em vez de produzir, prefere especular e esperar o resultado (qualquer um que seja obtido). A regra vale para todas as classes sociais. Uns especulam e ganham muito dinheiro. Outros vivem escatologicamente esperando pelo favorzinho estatal (um bolsa isto ou aquilo, um subsidiozinho ou até o resto de algum produto de roubo, tanto faz).

Veja o caso do modelo econômico. A tal da Zelite o aceita por conveniência ignorante. Os esquemas transnacionais mafiosos que dominam nosso Estado, botando no poder fantoches na Presidência da República, no Ministério da Fazenda e no Banco Central, destroem a soberania do Brasil. A safadeza mais escancarada é com a manipulação do câmbio. Este dólar em torno de dois reais – que só flutua no ilusionismo da autoridade monetária que o noticiário amestrado compra por burrice – é o doce veneno que mata quem produz no Brasil. De que adianta produzir e exportar muito, se na hora de receber por tal trabalho o exportador fica com um dólar que lhe permite trocar por poucos reais? Melhor assim, pois o exportador, cansado de ganhar pouco, quebra ou vende o negócio para alguma transnacional - antes que a desgraça programada aconteça. 

A armadilha da politicagem econômica é ainda mais perfeita para impedir que a moeda estrangeira flutue livremente. O papo furado é com a perguntinha burra: se o dólar subir muito, como a indústria vai conseguir importar os insumos para produzir? Por esta lógica que valoriza sempre o que vem de fora – sem se preocupar cm produzir aqui dentro – é que não se permite o câmbio livre. Cabe até indagar cinicamente: por que o governo não permite que tenhamos contas correntes em moeda estrangeira aqui dentro do Brasil?

Seguindo tal modelo, acontecem dois fenômenos paralelos de destruição econômica. O exportador trabalha muito e ganha pouco, até ser assimilado ou destruído por algum concorrente transnacional. E o brasileiro (produtor ou trabalhador) se torna refém da armadilha “importar (inclusive quinquilharias ou objetos de luxo) é o que importa”. A politicagem econômica é fruto de nossa ignorância. Só uma besta quadrada não enxerga que um país que funciona assim jamais se desenvolverá no pleno emprego dos seus fatores econômicos.

Outro fruto da ignorância é a conivência (ou conveniência) com a corrupção. O Estado brasileiro gasta (muito) mal. Desperdiça-se dinheiro público. Seja com gastos inúteis (em ações de governo que servem para nada) ou pagando caro demais por produtos e serviços. Neste segundo caso, a manobra atende ao Governo do Crime Organizado. Os superfaturamentos ajudam a sobrar dinheiro para pagamento dos generosos mensalões aos políticos ou ocupantes dos podres poderes da nossa imperial república de mentirinha.

Outra característica da cultura da ignorância – talvez a mais perversa. Não temos (ou perdemos ou sequer tivemos?) a noção de Bem Comum, de Coisa Pública. Assim, ao mesmo tempo em que o ignorante pratica o primeiro teorema de Zeca Pagodinho (“deixa a vida me levar, vida leva eu”), ele também executa o primeiro mandamento do egoísta pragmático (“farinha pouca, meu pirão primeiro”). É justamente assim que o pirão desanda quando tal princípio cínico é aplicado na vida pública. A política se reduz a um meio para se locupletar ou roubar, conforme os preceitos da famosa Lei de Gérson (“Eu gosto de levar vantagem em tudo! Certo?”).

Sorte nossa que, em 2014, vem a Copa do Mundo! Os jogos serão disputados com a bola batizado com o pejorativo termo “Brazuca” (com Z de zorra e não com S de sorte). Mas o azar nosso não para nesta disputa. Logo depois do torneio privado da transnacional Fifa, vem a eleição presidencial – cujo processo eleitoral será comandado pelo brilhante e jovem José Dias Toffoli na presidência do Superior Tribunal Eleitoral.

Quem vai disputar a peleja? Pouco importa. Todos os escolhidos serão jumentos criados em nossa subcultura de ignorância para serem comandados pelos padrinhos da Oligarquia Financeira Transnacional, no cassino eleitoral eletrônico do Al Capone. Independentemente de quem vencer o Brasil já está perdido há muito tempo. Nosso País é um excluído do jogo do Globalitarismo. O negócio é investir em nossa ignorância para que continuemos funcionando como uma rica colônia de exploração mantida artificialmente na miséria para servir aos esquemas da tal de “Nova Ordem Mundial”.

A Brazucagem só pode ser superada por uma profunda revolução cultural. Que só será viabilizada se houver investimento verdadeiro na Educação Básica de um povo (de ricos e pobres) mantido na permanente ignorância sobre seu potencial para liderar o processo de transformação do mundo para algo mais humano, fraterno e produtivo. O Brasil é o celeiro (de alimentos e matérias-primas) do Planeta Terra. Só falta ser também o celeiro de novas ideias para a humanidade. Mas, para isso, precisa investir o máximo de recursos públicos na qualificação educacional de seu povo. 

Ainda é possível e vale a pena lutar por tal utopia, apesar dos globalitarismos e brazucagens. Se deixarem – e nós quisermos de verdade – vamos mostrar para a Oligarquia que não somos descartáveis.

Verdade conveniente


Miriam Leitão
O Globo

Quem olhar só os números achará que o governo Barack Obama aumentou o desemprego, o déficit e a dívida. Mas quem sabe o que se passou na história recente americana entende que estourou no colo do presidente uma bomba de efeito retardado. Os republicanos, claro, apresentaram só os números em sua convenção. Os democratas tentaram contextualizar a crise.

Na comparação das duas convenções, um fato salta aos olhos. Os republicanos não levaram o ex-presidente deles. George Bush atrapalharia. Os democratas deram o momento de honra ao ex-presidente deles. Coube a Bill Clinton oficializar a candidatura de Obama num discurso em que esbanjou charme e argumentos. Clinton tem mais popularidade que Obama e sua presença traz a lembrança dos velhos e bons tempos.

Nos anos dourados de Clinton houve quase pleno emprego, a economia aumentou a produtividade, o país teve superávit, a dívida bruta caiu para 54%. Essa herança foi dilapidada por Bush, que teve déficit todos os oito anos, pelos enormes custos das duas guerras que iniciou.

Quem olhar o desemprego e não souber do contexto achará a administração Obama um desastre. A taxa salta de 6% para quase 10% no primeiro ano de governo. Mas isso foi uma crise herdada. Clinton repôs o contexto. Lembrou que nas seis semanas antes de Obama ser eleito o país viveu o pior crash desde a Grande Depressão. E fez outra conta:

— De 1961 para cá, os republicanos governaram o país por 28 anos, e os democratas, por 24 anos. Nesse período, foram criados 66 milhões de empregos: 24 milhões pelos republicanos e 42 milhões pelos democratas.

Ele creditou essa diferença aos valores do Partido Democrata. A diversidade, as oportunidades iguais, a rede social são, disse Clinton, boas para a economia. O que não disse é que Obama conquistou avanços, mas ficou aquém da revolução que prometeu ser.

Na política é assim. Cada um conta sua verdade conveniente. Lá e cá. A briga entre o ex-presidente Fernando Henrique e a presidente Dilma mostrou isso. FH errou ao tentar separar Lula e Dilma. A presidente não estaria em sua cadeira se não fosse Lula. Ela tem inegáveis méritos, mas sem Lula sequer seria escolhida pelo partido.

Quando respondeu, a presidente desafinou. O país não estava sob intervenção do FMI quando FH entregou o governo. Fora pedido um empréstimo ao Fundo para ser quase todo liberado no governo Lula. Era para ajudar a transição. A fuga de capitais era medo do velho programa econômico do PT, em boa hora abandonado. Não havia risco de apagão em 2003. Houve em 2001. Quando Lula assumiu, o problema estava resolvido.

A nota da presidente ataca FH, mas não rebate seus argumentos. Fernando Henrique, por sua vez, ataca a “crise moral”, mas no caso de Eduardo Azeredo o PSDB o defendeu e, na época, o manteve na presidência do partido. Dilma disse que Lula é “um democrata que não caiu na tentação de mudança constitucional que o beneficiasse”. FH carregará sempre o peso de ter aprovado a reeleição no meio do mandato, mas o PT no poder não a aboliu.

Dilma disse ter recebido “uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes”. As reservas eram recorde, a inflação estava sob controle porque foram mantidas as bases do Plano Real de FH. Os investimentos em infraestrutura foram baixos nos dois governos. Agora, se o crescimento era mesmo “robusto”, a culpa do pibinho dos últimos dois anos recai inteiramente sobre ela. E essa ideia não é conveniente para a governante.

Ratos e homens


J.R. Guzzo
Revista Veja

Quando o ex-presidente Lula indicou o nome do procurador Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal, em 2003, aplaudiu a si mesmo por mais esse lance da genialidade política que lhe é atribuída.

Tornava-se, com isso, “o primeiro presidente deste país” a levar um negro à mais alta corte de Justiça do Brasil – o que não é bem assim, pois antes de Barbosa o STF teve dois ministros mulatos, já esquecidos na bruma dos tempos.

Mas o que vale nas coisas da política, em geral, é o que se diz – e o que se disse ali é que havia um plano magistral.

O novo ministro, agradecido pela honra recebida, seria um belo amigo do governo nas horas difíceis. Acontece que os melhores planos, muitas vezes, não acabam em bons resultados; o que decide tudo, no fim das contas, são os azares da vida.

O grande problema para Lula foi que o único negro disponível para ocupar o cargo era Joaquim Barbosa – e ali estava, possivelmente, uma das pessoas menos indicadas para fazer o que esperavam dele.

Para começo de conversa, Barbosa dá a impressão de detestar, positivamente, o rótulo de primeiro “ministro negro” do STF.

Não quer que pensem que está lá para preencher alguma espécie de “cota”; a única razão de sua presença no STF, julga o ministro, são seus méritos de jurista, adquiridos em anos de trabalho duríssimo e sem a ajuda de ninguém.

Nunca precisou de ajuda da “comunidade negra”, nem da secretaria de igualdade racial, ou coisa que o valha. Também não parece se impressionar, nem um pouco, com gente de origem humilde.

É filho de um pedreiro do interior de Minas Gerais, tornou-se arrimo de família na adolescência e ao contrário de Lula, que não bate ponto desde que virou líder sindical, em 1975, Barbosa começou a trabalhar aos 16 anos de idade e não parou até hoje.

O ministro, além disso, é homem de personalidade notoriamente difícil, sujeita a ásperas mudanças de humor e estoques perigosamente baixos de paciência.

É atormentado por uma hérnia de disco que lhe causa dores cruéis e o obriga muitas vezes a ficar de pé durante as sessões do STF. É, em suma, o tipo de pessoa que se deve tratar com cuidado.

Lula e o PT fizeram justamente o contrário.

Quando Barbosa se tornou relator no processo do mensalão, em 2006, continuaram apostando todas as fichas na histórica impunidade com que são premiados no Brasil réus poderosos e capazes de pagar advogados caros.

Descobriram, agora, que o trabalho de Barbosa puxou as condenações em massa no julgamento do mensalão – e jogou uma banana de dinamite no sistema de corrupção que há dez anos envenena a vida pública no Brasil.

A primeira trovoada séria veio quando o ministro aceitou a denúncia da procuradoria contra os quarenta do mensalão. Na época, o único deles com cabeça foi o ex-secretário-geral do PT, Sílvio “Land Rover” Pereira; não contestou a acusação, foi punido com prestação de “serviços comunitários” e acabou resolvendo seu caso a preço de custo.

Os demais, guiados pelo farol de Lula, preferiram ficar debochando.

Durante todo o tempo, ele sustentou que o mensalão “nunca existiu”. Quando o julgamento começou, disse que não iria acompanhar nada: “Tenho mais o que fazer”.

Delúbio Soares, operador-mor do guichê de pagamento do esquema, afirmou que tudo iria acabar em “piada de salão”.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, garantiu que o povo estava interessado, mesmo, é na novela das 9.

O que queria com isso?

Imaginavam que Joaquim Barbosa, trabalhando como um burro de carga, com a tortura da dor nos quadris e seu temperamento de porco-espinho, estava achando engraçado que o seu esforço era uma palhaçada inútil?

Lula e sua tropa tinham certeza de que o processo iria se arrastar até o Dia do Juízo Final.

O ministro Barbosa, hoje, poderia dizer: “Não contavam com a minha astúcia”.

No caso, sua astúcia foi entender a diferença entre “muito tempo” e “nunca”.

Tudo seria demorado, claro. Mas ele tinha certeza de que terminaria o seu trabalho – e que os 80% de popularidade de Lula, aí, não iriam servir para nada.

Em sua curta obra prima Ratos e Homens, um dos clássicos da literatura populista americana, John Steinbeck se inspira num antigo poema escocês para nos dizer que os mais bem cuidados planos deste mundo, sejam feitos por ratos ou por homens, são coisas frágeis; podem ser desfeitos pela roda do acaso, que é indiferente tanto aos projetos mais humildes quanto aos mais ambiciosos, e só acabam deixando mágoa e dor.

Joaquim Barbosa talvez faça com que os mensaleiros se lembrem disso por muito tempo.

Os tapumes de Dilma


Mary Zaidan
Blog do Noblat

Só insanos poderiam criticar a decisão do governo federal de reduzir o custo da energia elétrica em 16,2% para consumidores residenciais e em 28% para a indústria. Melhor seria, porém, se o anúncio não fosse usado como moeda eleitoral e as novas tarifas começassem a valer já.

A medida foi antecipada em rede nacional de TV pela presidente Dilma Rousseff na noite anterior ao 7 de setembro, exatos 30 dias antes de o país ir às urnas para decidir o futuro de 5.565 municípios.

Mas tudo é para 2013.

O brasileiro paga a sexta conta de luz mais cara do mundo. Só perde para Dinamarca, Alemanha, Noruega, Itália e Suécia. Com impostos e encargos crescentes, que chegam a 45% da cobrança, na última década a energia nos lares subiu 119% e a industrial, 190%. Portanto, a diminuição do preço está longe de ser uma benesse.

Com a redução de tarifas, a ser detalhada na terça-feira em cerimônia no Palácio do Planalto, alivia-se o aperto da produção - emperrada pela associação da crise mundial com a política governamental bipolar de incentivos segmentados e carência de infraestrutura – e distribuem-se bondades aos eleitores.

Cumprindo um script marqueteiro, Dilma anuncia o barateamento da energia para o ano e injeta watts nas campanhas dos seus desde já.

Em favor da presidente, há de se dizer: ela faz a lição de casa direitinho.

Toda a energia de Dilma tem sido canalizada para o pleito que se aproxima. Além de transformar o pronunciamento do dia da Independência em um oba-oba de feitos do governo – algo no ritmo, tom e conteúdo semelhante ao “este é um país que vai pra frente” do regime militar -, assinou nota para contraditar o artigo do ex Fernando Henrique Cardoso, e gravou programas eleitorais para candidatos do PT de São Paulo e de Belo Horizonte.

Para si, poucos momentos sobraram. Só mostrou sua verdadeira cara – e enfezada - no palanque oficial das comemorações do 7 de setembro, em Brasília, onde não disfarçou a irritação com a demora dos desfiles.

Ali, sob a proteção de um aparato nunca antes visto para evitar manifestantes, Dilma, a mais popular número 1 que o país já teve, pode, enfim, ser ela mesmo.

A presidente passou longe dos protestos. Também não ouviu os aplausos. Não leu as faixas das esposas dos militares, perdeu as moças de topless que empunhavam cartazes contra a discriminação da mulher. Apartada pelos tapumes que enfeavam a paisagem da Esplanada, Dilma nada viu.

E nada vê.

Ergueu um tapume imaginário entre o Planalto e a Suprema Corte, como se o mensalão nada tivesse a ver com o governo Lula, do qual fez parte. Do qual defende a herança. 

O totalitarismo veste Armani


Percival Puggina 

A expressão PIG, criada por Paulo Henrique Amorim, prontamente acolhida pelo totalitarismo de terno Armani e seus exércitos, só se explica pela dificuldade de conviver com a crítica, com a oposição, com a fiscalização da imprensa livre, com um judiciário independente e, portanto, com a própria democracia.

O velho totalitarismo tornou-se mestre do disfarce. Durante alguns anos, se fez de morto. Ganhou sapato novo. E chegou ao poder no dia 1º de janeiro de 2003. Hoje, desfila de terno Armani. Se você, leitor, é daqueles que ainda imaginam o totalitarismo parado numa esquina, maltrapilho, barba por fazer, banho por tomar, distribuindo panfletos contra os patrões e seu "sistema", engana-se. O totalitarismo está no poder e sua panfletagem se dá pela web. Conta com um exército de blogueiros e editores de jornais eletrônicos que fazem a mesma coisa de antes com eficiência muito maior. A velha tática da infiltração para aparelhamento, que outrora ocorria de baixo para cima, agora é feita desde cima, onde há dinheiro à vontade.

Totalitarismo por quê? talvez esteja se perguntando o leitor destas linhas. Afinal, dirá, o regime é democrático, há eleições e as regras do jogo político são cumpridas. De fato, mas cuidado com os disfarces. Não espere o totalitarismo, depois dos vexames que passou mundo afora, exibindo ao público toda sua hórrida nudez. Tampouco o imagine entrincheirado numa encosta de morro, brincando de Fidel Castro e Che Guevara. Nada disso. Renovado, tornou-se sutil. Para reconhecê-lo, é necessário estar atento aos detalhes, observar suas principais afeições políticas, verificar quais são os governantes aos quais dedica seus abraços mais calorosos, o que diz nos fóruns onde solta o verbo, ler as leis que patrocina e o desapreço que manifesta ao cristianismo, à família e à economia de mercado.

Poderia desfiar exemplos, contar casos acontecidos em debates de que participei ou assisti. No entanto, meu assunto aqui diz respeito a algo novo, a uma recente evidência do que estou afirmando. Todos sabemos o quanto a manipulação do vocabulário serve aos projetos totalitários. Nada era menos republicano, democrático e popular do que as repúblicas democráticas e populares nascidas no século 20. Na política, o domínio do vocabulário serve esplendidamente à construção da hegemonia e carimba o passaporte do Príncipe para o poder. Gramsci percebeu isso e, aludindo a Machiavel, disse que o novo príncipe é o partido. Pois bem, se o leitor for atento ao que se fala nos blogs e sites de relacionamento para onde convergem milhões de pessoas no país, por certo já deparou com a palavra PIG. Se não sabe o que é isso, eu traduzo. PIG, que também significa "porco" em inglês, é a sigla de Partido da Imprensa Golpista, expressão criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para designar a mídia de oposição ao governo.

Ora, ora, caros leitores. Se o jogo político está sendo jogado em conformidade com as regras. Se os quartéis estão parados como água de poço tampado. Se não há um único projeto de impeachment tramitando no Congresso Nacional. Se a oposição, escangalhada, em vão procura um líder. Se nenhum movimento de massa faz aquilo que o Partido dos Trabalhadores era useiro e vezeiro nas suas campanha de Fora Sarney, Fora Collor, Fora FHC. Onde, raios, estão os sinais de golpe? A expressão PIG, criada pelo Amorim, prontamente acolhida pelo totalitarismo de terno Armani e seus exércitos, só se explica pela dificuldade de conviver com a crítica, com a oposição, com a fiscalização da imprensa livre, com um judiciário independente e, portanto, com a própria democracia. Voilá! - conforme queríamos demonstrar. Nem precisaria rejeitar tudo isso junto para ser totalitário. A palavra PIG, por fim, me remete às páginas policiais, onde, cotidianamente, se leem matérias sobre crimes passionais cometidos por pessoas que não suportam não serem amadas. Os totalitários tampouco conseguem conviver com quem não lhes presta veneração.

***

Gato por lebre 
Alguém já viu, na propaganda da candidata do PCdoB em Porto Alegre, alguma vez, o símbolo da foice e do martelo? Alguma vez, em destaque, o nome do próprio partido? Eu não vi. O foco está sempre posto no nome da candidata, na letra "M" e no número 65. Por que será? 

E quando algum dos outros candidatos vai apontar para essa escandalosa ocultação que a candidata faz de sua ideologia?

A desorientação energética


Adriano Pires  (*) 
O Estado de S.Paulo

No seu último artigo (Herança pesada, 2/9), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cunhou a expressão "desorientação da política energética", que retrata bem a atual situação do setor de energia no Brasil. Em artigo publicado aqui, no Estado (23/7, B2), chamei de falta de visão estratégica. Essa desorientação energética ou falta de visão estratégica é um dos fatores que explicam o alto custo da energia e estão levando determinados segmentos do setor ao colapso, afastando investimentos privados e incentivando indústrias a irem para outros países.

Senão, vejamos: no segmento de exploração de petróleo, a mudança do marco regulatório após o anúncio do pré-sal trouxe a estagnação e retirou a Petrobrás da rota da excelência.

Trouxe a estagnação porque o novo marco regulatório abandonou o tripé estabilidade regulatória, segurança jurídica e respeito às regras de mercado. Isso fica claro quando o novo marco promove um tratamento discricionário a favor da estatal, dando-lhe um mínimo de 30% dos blocos que forem leiloados no pré-sal e o monopólio da operação, e também não realiza mais leilões. A falta de leilões tirou o Brasil da rota de investimentos das empresas petrolíferas. Voltar a fazer leilões é voltar a colocar o Brasil na rota dos investimentos das empresas petrolíferas. Imaginem quanto dinheiro o País perdeu de arrecadação de bônus de assinatura nos últimos quatro anos - calcula-se algo em torno de US$ 1 bilhão por ano -, quantos empregos deixaram de ser criados e os investimentos privados que poderiam ter sido realizados.

Retirou a Petrobrás da rota da excelência na medida em que promoveu um processo de capitalização da empresa politizado, congelou os preços da gasolina e do diesel e partidarizou a gestão da estatal. Ou seja, usou a empresa como instrumento de política industrial, econômico e político-partidário. Isso tem promovido uma reação dos acionistas minoritários, em especial fundos de investimentos estrangeiros, que já questionam uma presença no Conselho de Administração da empresa, substituindo os atuais que não representariam verdadeiramente os minoritários, e põem em dúvida, também, se a Petrobrás, diante da atual política de preços, terá condições de cumprir o plano de investimentos anunciado para os próximos quatro anos.

No segmento dos combustíveis o estrago é grande e está levando ao colapso. Os números chamam a atenção. De 2009 a 2011 o crescimento do consumo de gasolina foi de 57% e o do diesel, de 27%, enquanto o do etanol caiu 34%. No primeiro semestre de 2012 o consumo da gasolina aumentou 13%; o do diesel, 7%; e o do etanol despencou 17%. As importações de gasolina cresceram 427% quando comparamos os primeiros sete meses de 2012 com os de 2011.

E por que isso ocorreu?

Em resumo, o governo resolveu criar uma política de incentivo à venda de automóveis e não fez nenhum planejamento no sentido de aumentar a oferta de combustíveis, nem os fósseis, tampouco os renováveis. O pior é que essa falta de planejamento fará o Brasil permanecer como importador de combustíveis nos próximos dez anos. Caso o etanol permaneça com a atual fatia de mercado e o consumo de gasolina cresça 4,5% ao ano até 2020, as importações aumentarão em mais de 600%. Esse volume extraordinário de importação de gasolina e diesel está levando a um colapso na logística e infraestrutura do setor e poderá ocasionar um apagão de combustíveis no País. A falta de planejamento também está levando ao fim do etanol, como ocorreu com o álcool nos anos 1990.

O que fazer para reverter essa situação?

A medida principal seria o governo permitir que a Petrobrás adotasse uma política de preços, baseada na tendência dos preços do mercado internacional. Isso incentivaria investimentos privados em três setores: refinarias, terminais de importação de derivados e biocombustíveis. A solução é fácil se houver vontade política.

O mercado do gás natural também sofre com a desorientação energética. O consumo está estagnado nos últimos três anos e a causa principal é o poder de monopólio da Petrobrás. A estatal insiste numa política de preços que torna inviável a competitividade do gás, incentiva a troca por outros combustíveis e, o pior, leva as empresas a mudarem suas instalações para países onde o gás natural é mais barato, como é o caso dos Estados Unidos, do México e da Colômbia, por exemplo. O preço do gás natural está inviabilizando a petroquímica, a indústria de fertilizantes e a de cerâmica, entre outras.

Isso se repete no setor de energia elétrica. Faz sentido que um país onde a quase totalidade da sua eletricidade é gerada com água tenha uma das tarifas mais caras do mundo? E o pior: com a exigência de reservatórios a fio d'água e a insistência em realizar leilões nacionais com a presença de todas as fontes de energia, em que não se capturam o fator localização nem a dispersão regional, isso nos fará perder a nossa vantagem comparativa em relação a outros países pelo fato de termos uma grande diversidade de fontes energéticas, além de levar a custos crescentes na geração de eletricidade.

Tanto o governo anterior como o atual sempre chamaram a atenção para a falta de planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso. O problema é que a solução encontrada pelo governo anterior e pelo atual para a falta de planejamento é criar mais empresas estatais - no anterior, a Empresa de Planejamento Energético (EPE), e agora, no caso das concessões de rodovias e ferrovias, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Não resolveremos a falta de planejamento com a criação de mais estatais, e sim com políticas públicas que respeitem as regras de mercado e os interesses tanto dos investidores quanto dos consumidores. Enquanto isso não for feito, permanecerá a desorientação energética, com suas graves consequências para toda a sociedade.  

(*) Diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE)

Inacreditável: Supremo faz audiência para discutir polêmica sobre racismo na obra de Monteiro Lobato


Aline Leal Valcarenghi 
Agência Brasil


O Supremo Tribunal Federal (STF) vai realizar na próxima terça-feira uma audiência de conciliação para discutir a adoção de livros de Monteiro Lobato pela rede pública de ensino. O caso chegou ao STF por meio de um mandado de segurança apresentado pelo Instituto de Advocacia Racial (Iara) e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto. Ambos afirmam que a obra de Monteiro Lobato tem “elementos racistas”.

Em 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que a obra “Caçadas de Pedrinho” não fosse mais distribuída às escolas públicas por considerar que ela apresentava conteúdo racista. O conselho apresentava trechos da obra para justificar o veto à obra:

“Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão.”
Em seguida, o Ministério da Educação (MEC) recomendou que o CNE reconsiderasse a determinação. O conselho decidiu então anular o veto e indicar que as próximas edições do livro viessem acompanhadas de uma nota técnica que instruísse o professor a contextualizar a obra ao momento histórico em que ela foi escrita.

Com o mandado de segurança, o Iara pretende anular a última decisão do CNE. Eles pedem ainda a “imediata formação e capacitação de educadores” para que a obra seja utilizada “de forma adequada na educação básica”. No mandado de segurança, eles afirmam que o livro “Caçadas de Pedrinho” é utilizado como “paradigma” e que essas regras devem nortear a aquisição, pela rede pública de ensino, de qualquer livro literário ou didático que contenham “qualquer forma de expressão de racismo cultural, institucional e individual”.

*****

Comentário do Carlos Newton / Tribuna da Imprensa:

RACISMO É ISSO AÍ

O Conselho Nacional de Educação que tenta censurar Lobato é o mesmo CNE que queria liberar o Kit Aids para todas as escolas do país. Esse “material escolar” ficou conhecido como “Kit Gay”, porque uma das ilustrações, a bico de pena, mostra dois rapazes fazendo sexo anal, com cara de êxtase, enquanto o sexo papai-mamãe é exibido com a ilustração que mostra um casal como se estivessem dormindo um sobre o outro, sem a menor excitação, vejam que esse pessoal do MEC tem lá as suas preferências, vamos respeitar.

Falta agora proibirem “Tom Sawyer” e “Huckleberry Fiin”, sensacionais personagens infantis de Mark Twain, o romance “A Cabana do Pai Tomás”, de Harriet Beecher Stowe, exibida como novela no Brasil, o filme “E o vento levou…” e o clássico “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães. E que ninguém comente a beleza do musical “Carmem Jones”, com Sammy Davis Jr. no papel de “Sporting Life”.

Como diz o genial cartunista Alpino, “estão querendo legalizar o racismo no Brasil…”

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Creio que a definição do cartunista Alpino resume toda esta questão. Acrescentaria apenas que, em alguns, a idiotia e a estupidez parecem não encontrar limites...

Falta de ambição atrapalha educação no Brasil


Gustavo Ioschpe
Revista Veja

Melhorar o sistema de ensino precisa ser parte de um projeto nacional

 (Alessandro Shinoda/Folhapress) 
ALUNOS PRESTAM PROVA DO ENEM - 
No Brasil, há uma estranha percepção de que recompensar 
os melhores e mais aplicados seria romper o éthos republicano. 
Aqui se mira abaixo do que se deveria

Fui fazer faculdade nos Estados Unidos em 1995 e depois voltei para mais dois anos de mestrado lá. Saí mais otimista em relação ao Brasil do que quando cheguei. Até aquela época, o contato com os EUA se resumia a férias, filmes e encomendas trazidas de viagem. Sob esse prisma, o país parecia uma Terra Prometida, onde tudo era bom e barato e as pessoas, ricas e civilizadas. Se era assim na média, imaginei que depararia com verdadeiros super-homens nas universidades Ivy League para as quais me dirigia. Felizmente, eu me decepcionei. Meus colegas americanos eram muito mais ignorantes e superficiais do que eu imaginara. E, fora as questões intelectuais, me chamou a atenção seu desajuste emocional. Parecia que todo mundo estava ou brigado com os pais, ou tomando antidepressivos ou indo a festas para beber até cair. Muitas pessoas se encaixavam nas três categorias. Se esse pessoal conseguiu construir a potência hegemônica do planeta, pensei eu, nós também podemos. Yes, we can!

A volta ao Brasil depois de oito anos foi, porém, surpreendente. Porque era (e segue sendo) claro que o país se divide em dois grupos. Um é cosmopolita, aguerrido, preparado e ambicioso. Gente que tem fome, que quer competir com o que há de melhor no mundo. Ayrton Senna. O outro é provinciano, malemolente, com baixa instrução, acomodado. Um pessoal que está satisfeito com o que a vida lhe deu. Macunaíma. Impossível quantificar construtos tão subjetivos, mas diria sem medo de errar que o segundo grupo é muito mais numeroso do que o primeiro.

Prova indireta disso é que os slogans dos presidentes democraticamente eleitos nas últimas décadas - portanto, afinados com a mentalidade coletiva - pertencem quase todos ao segundo grupo. Sarney: “Tudo pelo social”. Itamar: “Brasil, união de todos”. Lula I: “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Lula II: “Brasil, país de todos”. Dilma: “País rico é país sem pobreza”. Todos esses olham para dentro e para trás: o foco é sanar desigualdades, incluir, corrigir os erros do passado, glorificar o que temos. Com exceção do “Avança, Brasil” de FHC, ninguém faz menção ao mundo exterior ou ao futuro, ninguém almeja tornar o Brasil aquilo que, até por suas dimensões e riquezas naturais, ele deveria naturalmente querer ser: uma potência mundial.

Compreender e explicar essa acomodação está além deste espaço e deste colunista, mas as consequências desse espírito são claras: ficamos muito abaixo do que poderíamos ser. Tanto a literatura acadêmica (disponível em twitter.com/gioschpe) quanto a minha experiência de vida têm me mostrado que a gana individual - perseverança, resiliência, ambição - é fator fundamental no sucesso de uma pessoa, aliada à qualidade de sua formação. Não faltam inventividade e persistência ao brasileiro: o problema é que os sonhos de muitos compatriotas são bem mais acanhados do que poderiam ser. Alguém já disse que o homem prudente é como o bom arqueiro: mira sempre um pouco acima do alvo. O Brasil já mira abaixo do que deveria, e portanto acaba alcançando ainda menos do que ambiciona.

Em nenhum lugar esse rasgo da nossa psique está mais aparente e imbricado com uma complexa relação de causalidade do que em nosso sistema educacional. Se a nossa pouca ambição já vem de família, certamente ela é muito reforçada em nossas escolas. Em um perfil do professorado brasileiro traçado pela Unesco e pelo MEC, 75% dos professores declararam preferir a igualdade à liberdade. O objetivo da nossa escola é homogeneizar, não desenvolver talentos. Um levantamento de 2007 do Inep, o órgão de pesquisas do MEC, identificou 2 553 alunos superdotados na educação brasileira. Para identificar menos de 3 000 superdotados em uma rede de mais de 50 milhões de alunos é preciso um esforço consciente de cegueira. Eis aí uma diferença básica entre o que vivi em escolas brasileiras e universidades americanas: aqui, o bacana era o cara que não estudava, baladeiro, safo. O aluno aplicado é “nerd”, otário. Lá, assim como em outros sistemas educacionais de ponta, valorizado é o aluno que estuda muito e tira ótimas notas. Nos EUA, os melhores alunos entram para honors lists; na Alemanha, há sistemas educacionais diferentes para aqueles com ambições acadêmicas mais altas; na China, os alunos são ranqueados e precisam de boas notas para adentrar as melhores escolas e, depois, as universidades. Aqui, o histórico escolar da pessoa não importa. O jogo é zerado no momento da entrada para a universidade, decidido por meio de um único teste (vestibular ou Enem). No Brasil, há uma estranha percepção de que recompensar os melhores e mais aplicados seria romper o éthos republicano. Nossos professores descreem de seus pupilos: só 7% deles acreditam que quase todos os seus alunos chegarão à universidade, segundo questionário da Prova Brasil 2009. Nosso desastre educacional também desestimula ambições ao tirar do brasileiro o preparo intelectual que é o pré-requisito para voos mais altos. Pesquisa do Inaf mostra que 74% dos adultos brasileiros não são plenamente alfabetizados. Com esse despreparo, sonhar muito alto pode ser sinal de doença psiquiátrica.

A má educação causa a falta de ambição e é também causada por ela. Nos países que deram grandes saltos, a educação não foi percebida como um fim, mas como parte de um projeto nacional. China do século XXI, Coreia da década de 70, Estados Unidos dos anos 30, Japão do pós-guerra: nesses e em outros casos, os países perseguiam um sonho de grandeza. A educação não era o ponto de chegada, mas parte da ponte até o futuro glorioso. Parte do nosso problema é que, ao não termos um projeto nacional inspirador, a educação deixou de ser uma questão dos brasileiros e se tornou propriedade dos professores e funcionários. Alguns deles têm espírito público e generosidade e fazem o melhor que podem para os seus alunos e, consequentemente, o país. Mas a maioria acaba se acomodando em um sistema que não incentiva o mérito, nem pune o demérito; as únicas causas que defendem são as suas próprias.

Mas será que precisamos ser mais ambiciosos? O Brasil já apareceu nas primeiras posições em levantamentos internacionais de felicidade. Os céticos dirão que optamos por menos ambição e desenvolvimento em troca de mais bem-estar, sociabilidade e alegria. Acho essa uma falsa dicotomia. É possível ser simultaneamente desenvolvido e alegre. Na última pesquisa Gallup sobre felicidade mundial, realizada de 2005 a 2011, os dez primeiros colocados eram todos do Primeiro Mundo e os dez últimos, subdesenvolvidos. Sou cético quanto à qualidade de uma escolha tomada em situação de pobreza intelectual como a que temos no Brasil. Longe de mim sugerir que analfabetos não devam poder decidir sobre a vida deles. Democracia e liberdade são valores supremos. Mas seria demagógico supor que a qualidade das decisões que uma pessoa toma não muda com melhorias radicais de instrução. Pesquisas mostram que pessoas mais instruídas fumam menos e são mais saudáveis. Finalmente, não creio que seja lógico ou ético optar pelo nosso atual patamar de desenvolvimento, quando ele significa que tantos milhões de pessoas estariam condenadas a uma vida indigna, da mais absoluta privação. Eu não teria problema de viver em um Brasil que, a exemplo da França, optou por reduzir a semana laboral, trocando riqueza por lazer e família - desde que o Brasil chegue ao patamar da França, em que há riquezas acumuladas para bancar a “preguiça” e validar a decisão de pegar leve. O Brasil ainda não chegou lá. Temos um caminho longo. Convém mirar mais alto do que vimos fazendo.

O foco nas dificuldades de aprendizado


Editorial
O Globo

O problema específico da perda de rendimento escolar no decorrer do ensino fundamental degrada a qualidade do ciclo médio e requer atenção especial

O aperfeiçoamento de políticas educacionais tem sido uma preocupação suprapartidária, por sobre governos. No plano federal, é visível uma linha lógica de evolução entre as administrações FH e Lula, nas quais se sucedem avanços na universalização da matrícula no ensino fundamental e na definição estratégica da necessidade de melhorias substanciais na qualidade da escola pública do ciclo básico. É essencial o consenso na sociedade brasileira em torno da prioridade à Educação. Mas não basta para os objetivos, na área, serem alcançados.

Nos últimos quatro mandatos presidenciais, houve, ainda, o desenvolvimento de uma série de testes, exames nacionais e indicadores, ferramentas imprescindíveis em diagnósticos e definição de metas. O que, no passado, se inferia — a baixa qualidade do ensino —, hoje é mensurado, bem como os alvos a serem atingidos.

À medida que novas informações são processadas, melhoram os diagnósticos e, em alguns aspectos, o quadro se mostra mais grave do que parecia. Exemplo recente é a constatação, feita a partir do Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico), de que o rendimento do aluno cai enquanto ele se aproxima do ensino médio, a fase final do ensino básico.

As metas de 2011 para o ciclo básico como um todo foram atingidas, mas o último Ideb aconselha mais atenção com o ensino médio. Não parece pequeno o impacto negativo provocado nele por alunos mal formados no ensino fundamental. Estatísticas colhidas pelo GLOBO junto ao Inep, instituto de pesquisa do MEC, sobre o aprendizado de matemática e português, e não apenas na rede pública, dá a medida do problema: apenas 17% dos alunos terminam o fundamental com um domínio adequado na ciência dos números e 27%, na língua nacional.

Por estado da Federação, os índices referentes à matemática ficam mais expressivos: varia de preocupantes 27% e 25% a proporção de estudantes com razoável formação no fim do ensino fundamental, em Minas Gerais e Brasília, as melhores taxas, a irrisórios e dramáticos 6% e 5% no Maranhão e no Amapá, os piores estados.

Conclui-se que existe uma necessidade crucial de secretários de Educação enfrentarem a questão. É necessário tratar para que não haja perda de rendimento escolar no decorrer da primeira parte do ensino básico e, ao mesmo tempo, acelerar o aprendizado dos alunos que já se encontram no ensino médio.

A tecnologia para isto está disponível. Organizações de cunho social como a Fundação Roberto Marinho e o Instituto Ayrton Senna têm experiência no ramo. A cidade do Rio de Janeiro obtém bons resultados neste tipo de trabalho.

Combater a queda no rendimento escolar parece requerer ações específicas. E quanto mais cedo, melhor, para que os estudantes mais velhos não fiquem condenados a pagar o alto preço de uma formação deficiente.

2 problemas e 3 toques para educação no Brasil


Amanda Previdelli
Exame.com

Em ranking global de competitividade, o país amarga com notas pífias quando o quesito é educação – tanto pública quanto particular

Tiago Lubambo

São Paulo – A verdade é que quando se fala em educação, o Brasil passa vergonha lá fora. Em uma escala de 0 a 7, a nota é 2,6 para o Brasil quando se fala de educação primária, o que nos deixa em 126º lugar em um ranking com 144 países. A qualidade educacional em geral ficou com nota 3, deixando o país em 116º lugar.

A avaliação foi feita pelo Fórum Econômico Mundial, que publicou um ranking detalhado de competitividade global. O Brasil ficou em 48º lugar geral e perdeu muitos pontos por causa das notas decepcionantes na área de educação.

“O Brasil é a sexta maior economia do mundo, subimos no ranking, mas esse resultado deixou a desejar”, afirma Erik Camarano, diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC) que, em parceria com a Fundação Dom Cabral, coordenou as pesquisas brasileiras.

Para Camarano, que investigou cada critério com base em “entrevistas com executivos no Brasil inteiro e números brutos, com dados completos que são publicados”, a principal problemática do país está no ensino fundamental. “Países que cresceram mais são os que mais investiram nessa área, esse é um dos pilares essenciais”, diz.

Na visão do diretor-presidente do MBC, a educação no Brasil piora com o tempo, e por dois motivos: “Falta inclusão, há muita criança fora da escola e as que estão na escola têm um desempenho muito baixo”, afirma.

Para ele, isso gera problemas para as empresas no Brasil, que acabam tendo um custo maior em capacitação e treinamento dos profissionais.

Mas qual seria a solução para o problema educacional no Brasil? Camarano é veemente: “A figura do diretor das escolas é subvalorizada aqui. A escolha tem de ser profissionalizada e esse funcionário tem de passar por uma capacitação”, diz. O coordenador da pesquisa ainda afirma que o diretor precisa ter um perfil de gestor, não ser eleito por amigos. E completa: “Um bom professor pode ser um péssimo diretor”.

Camarano defende também que haja uma avaliação externa sistemática: “É um mito dizer que não dá para medir o desempenho do professor, basta ter uma avaliação externa. Um aluno que vai bem indica um professor que trabalha bem”. Para completar, ele se diz a favor de um “sistema de remuneração de meritocracia”. “Hoje você trata igualmente os desiguais. Precisamos de metas ousadas e precisamos valorizar aqueles que atingem essas metas”, diz.

Engenheiros – 
Um dos critérios da pesquisa foi a qualidade do ensino de ciência e matemática. O Brasil ficou com nota 2,6 e em 132º lugar. Camarano aproveitou para comentar que o país forma um percentual baixo de engenheiros e profissionais que vão buscar inovações tecnológicas.

“Não é fácil resolver esse problema. Estive nos Estados Unidos recentemente e lá há vídeos incentivando o estudo da engenharia, colocando engenheiros como profissionais da inovação. Aqui o cool, por causa da internet, é a comunicação, o marketing”, disse.

Liberdade de ensinar e de aprender


Miguel Nagib (*)
Mídia Sem Máscara

A única forma de proteger os estudantes da ação abusiva dos seus mestres militantes – os chamados “despertadores de consciência crítica” – é dar aos alunos os meios de que eles necessitam para se defender.

Quando a Gazeta do Povo publicou, em 18 de junho, artigo de minha autoria denunciando a propaganda eleitoral petista em sala de aula (clique aqui para ler), eu tinha certeza de que acabaria aparecendo alguém para defender essa prática em nome da “liberdade de ensinar” do professor, garantida pelo artigo 206 da Constituição Federal. Não deu outra: no dia seguinte estava lá, na coluna do leitor, a lembrança da mencionada garantia constitucional.

Ocorre que, ao lado da liberdade de ensinar, o art. 206 da CF também assegura a liberdade de aprender, e é evidente que a doutrinação ideológica e a propaganda eleitoral em sala de aula constituem uma forma de cerceamento dessa liberdade fundamental dos estudantes. Juridicamente, é nisso que consiste a doutrinação ideológica e a propaganda política em sala de aula: um abuso da liberdade de ensinar em detrimento da liberdade de aprender.

Que se trata de uma conduta ilícita, não há dúvida. Que o fenômeno tomou conta das escolas em todo o Brasil, também não: basta dar uma olhada no imenso volume de provas acumuladas no site www.escolasempartido.org. Resta saber como enfrentar o problema – o que fazer para que a liberdade de aprender dos estudantes não seja sufocada pelo abuso da liberdade de ensinar dos professores?

Considerando a impossibilidade de se saber, a cada momento, o que acontece no espaço fechado das salas de aula, a única forma de proteger os estudantes da ação abusiva dos seus mestres militantes – os chamados “despertadores de consciência crítica” – é dar aos alunos os meios de que eles necessitam para se defender. Para isso, é preciso informá-los dos direitos compreendidos na sua liberdade de aprender. Com esse objetivo, o Escola sem Partido vem defendendo a afixação, em todas as salas de aula das últimas séries do ensino fundamental e de todo o ensino médio, de um cartaz com os seguintes “deveres do professor”:

O professor não abusará da inexperiência, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para esta ou aquela corrente político-ideológica, nem adotará livros didáticos que tenham esse objetivo.

O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, religiosas, ou da falta delas.

O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.

Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

E, por fim, o professor não criará em sala de aula uma atmosfera de intimidação, ostensiva ou sutil, capaz de desencorajar a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus, nem permitirá que tal atmosfera seja criada pela ação de alunos sectários ou de outros professores.

Conscientizar os estudantes dos direitos compreendidos em sua liberdade de aprender é uma questão de estrita cidadania. Peça à sua escola ou à escola de seu filho que mande imprimir e afixar nas salas de aula cartazes contendo essa relação de deveres. Se ela se recusar, procure o Ministério Público. Se precisar de ajuda, conte conosco.

Publicado no jornal Gazeta do Povo.

(*) Miguel Nagib, advogado, é coordenador do site Escola sem Partido  - www.escolasempartido.org.

Ouça também a entrevista de Miguel Nagib sobre  doutrinação nas escolas: "O MP não pode fingir que não está vendo"



Protecionismo e mediocridade


O Estado de S.Paulo

Mais uma vez a mediocridade venceu e o Brasil continuará disputando na retranca o jogo do comércio internacional, como se a sua indústria tivesse voltado à menoridade e fosse irremediavelmente incapaz de enfrentar a concorrência. A decisão de ampliar as barreiras protetoras foi anunciada pelo governo um dia depois de publicados os números da balança comercial. De janeiro a agosto o valor total exportado foi 4,8% menor que o de um ano antes. O importado ficou 0,7% abaixo do registrado em 2011 em igual período. O problema é a crise externa, insistiu o governo, e sua reação, tão simplista quanto o diagnóstico, foi o aumento do protecionismo. A medida foi sacramentada terça-feira em reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Com o novo lance protecionista, as alíquotas de cem produtos, antes na faixa de 12% a 18%, foram elevadas para 25%. Em vários casos a restrição é duplicada, porque a medida vale também para mercadorias já protegidas por medidas antidumping. Até outubro mais uma centena de itens poderá entrar na lista. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificou a iniciativa com uma alegação singela: a crise global gerou excesso de oferta, a competição tornou-se mais intensa, os preços caíram e muitos procuram o mercado brasileiro para desencalhar seus produtos. Isso é visto, naturalmente, como grave ameaça às indústrias do Brasil.

É normal a queda de preços num cenário de estagnação. O ministro da Fazenda deve saber disso. Mas nem todo produto exportado para o Brasil chega ao País com preços excepcionalmente baixos. Além disso, a indústria brasileira já era protegida, antes da nova decisão da Camex, por impostos mais altos que os da maior parte dos países concorrentes. O problema é obviamente de outra ordem.

O governo deveria preocupar-se muito mais com os custos e com a produtividade da economia nacional do que com os preços dos concorrentes. Para os casos de concorrência fora das regras internacionais, há os remédios previstos em acordos, como as medidas antidumping, já usadas no País. Para surtos de importação causadores de danos, pode-se recorrer a salvaguardas temporárias, também reguladas internacionalmente.

Fora dos casos de legítima defesa, a adoção de barreiras tem efeitos muito limitados e perigosos para o País. Alíquotas elevadas e outros meios de proteção afetam o jogo no mercado interno, mas são insuficientes para tornar as empresas mais competitivas no exterior. A opção pelo protecionismo é também uma opção pelo passado, quando raras indústrias se aventuravam no mercado internacional.

Quando essa política prevalece, as empresas tendem a se acomodar no ambiente interno, beneficiadas pela reserva de mercado, e abandonam os esforços para se tornar mais produtivas e mais capazes de oferecer produtos de qualidade internacional. O Brasil viveu essa experiência durante muito tempo.

Espetáculo semelhante está em cartaz na Argentina, onde os empresários da indústria há muito tempo decidiram, com o apoio do governo, abandonar os esforços para competir internacionalmente. O Brasil tem suportado boa parte dos custos desse espetáculo, como exportador sujeito a barreiras intermináveis e importador empenhado na política de boa vizinhança.

O governo anunciou também a intenção de retomar, juntamente com o Mercosul, as negociações de um acordo comercial com a União Europeia e de iniciar conversações com o Canadá. As negociações com os europeus emperraram várias vezes. A oposição argentina à redução de barreiras à importação de bens industriais tem sido um dos principais entraves.

Com a recaída protecionista de boa parte da indústria brasileira, fica difícil imaginar como poderão progredir as novas negociações. Curiosamente, os industriais brasileiros conhecem seus principais problemas de competitividade e sabem da responsabilidade do governo por boa parte deles (impostos, logística, burocracia, educação, etc.). Mas preferem acomodar-se atrás das barreiras a pressionar as autoridades para adotar políticas mais sérias a favor da eficiência. As autoridades agradecem.

O servilismo do Partido da Imprensa Governista (PIG)


Ricardo Noblat  

O PIG (Partido da Imprensa Governista) começou a descer o pau no ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão.

Por quê?

Por que o desempenho de Barbosa até aqui desagrada ao PT?

Por que ele foi nomeado ministro por Lula, mas procede com a independência que se espera de todo juiz?

Naturalmente, o PIG (Partido da Imprensa Governista) não alega tais razões. Se o fizesse seria repelido por seu próprio patrão.

O PIG (Partido da Imprensa Governista) apenas argumenta que ele está sendo rigoroso demais.

Compara-o com inquisidores da Idade Média que torturavam e matavam inocentes.

Ora, o ministro não julga sozinho. E os demais ministros não são uns bundas-moles. Pelo contrário.

(Bem, alguns podem ser. Mas o coração desses bate pelo PT. Ou lhe deve favores.)

Por 9 x 1, Joaquim foi derrotado quando pediu a condenação de uma das ex-diregentes do Banco Rural, Ayanna Tenório.

As decisões do Supremo no caso do mensalão estão sendo tomadas por larga maioria.

O PIG (Partido da Imprensa Governista) não precisava ser tão servil. E burro.

Para economista, Brasil de Dilma está fadado a crescimento medíocre


Patrícia Campos Mello
Folha de São Paulo

O Brasil está fadado a ter crescimento medíocre no governo Dilma Rousseff, porque o modelo econômico dos últimos anos está esgotado. Esse é o argumento do economista Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, no artigo "O Contrato Social da Redemocratização e seus Limites", publicado na revista "Interesse Nacional".

No momento em que se debate se a desaceleração da economia é conjuntural ou estrutural --o PIB cresceu menos de 1% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2011--, o artigo gerou discussão nos meios econômicos.

O crescimento no período Lula foi calcado na redução do desemprego e na elevação da capacidade utilizada, dois fenômenos que não voltarão a ocorrer, diz Pessôa, que é colunista da Folha.

Ele afirma que, de 2005 até hoje, o crédito e o aumento da renda real das classes menos favorecidas alimentaram o consumo e foram o combustível do crescimento.

A taxa de crescimento de consumo e investimento somados --taxa de absorção-- ficou acima da taxa de crescimento da produção.

Esse modelo chegou a um limite, porque eleva salários, corrói a competitividade e gera desindustrialização. "E Dilma é mais ideológica, faz a leitura de que a indústria é um setor especial, não vai permitir que a desindustrialização continue avançando."

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, é uma das vozes discordantes. "A ideia de que o modelo dos anos anteriores estaria esgotado não me convence", escreveu Borges em artigo na Folha semana passada.

"Primeiro, porque aqueles que advogam essa tese apontam que esse modelo teria se esgotado por ser baseado apenas em expansão do consumo, sem a contrapartida do investimento. Mas os próprios dados do IBGE mostram que esse não foi o caso: o peso do investimento no PIB, que foi de pouco mais de 16% na média de 2000 a 2007, saltou para cerca de 19% na média de 2008 a 2011."

Para Alexandre Schwartsman, professor do Insper e ex-diretor do Banco Central, o modelo só foi efetivo enquanto houve ganhos crescentes nos preços de commodities --que em 2011 atingiram um pico histórico.

"Com a desaceleração global, não vamos manter esses ganhos ano após ano", diz o colunista da Folha. "O modelo não está necessariamente esgotado, mas com a nova realidade, ficamos com um crescimento bem abaixo do teto de 3%, em vez de 4,5%."

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e fundador da Gávea Investimentos, concorda com Pessôa.

"É natural e desejável que o consumo cresça, e que parte desse crescimento ocorra através do crédito, mas sem exageros. No entanto, o crescimento da demanda precisa vir acompanhado do crescimento da oferta, o que não vem acontecendo em ritmo suficiente para manter o crescimento do PIB em 4-5% ao ano", disse à Folha.

Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias é de 43,4% da renda.

JUROS
No texto, Pessôa diz que uma das grandes bandeiras da presidente --a redução da taxa de juros-- tem seus efeitos superestimados. Segundo ele, a redução do custo de rolagem da dívida pública terá impacto pequeno.

O setor público paga cerca de 5% do PIB de juros. Descontada a correção monetária e a tributação sobre os juros, os ganhos não passariam de 1,5% do PIB. "O efeito não é desprezível, mas não é a salvação da lavoura que vem sendo anunciada."

Mais à esquerda, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vê simplismo nessa conclusão.

"A queda da taxa de juros vai gerar outros benefícios além da economia com o pagamento, os bancos estão criando novos instrumentos financeiros mais compatíveis com financiamento de longo prazo, que terão impacto no crescimento", diz.

No artigo, Pessôa também afirma que, a série de medidas de desoneração e conteúdo nacional adotadas pelo governo nos últimos anos para estimular a indústria e o consumo reduzem a eficiência e produtividade.

Segundo Schwartsman, o governo tenta usar o mesmo remédio aplicado após a crise de 2008 --mas dessa vez não está funcionando.

"Em 2008, as medidas de estímulo tiveram mais efeito porque saíamos de um nível de desemprego mais alto e utilização de capacidade mais baixa. Agora, a eficácia dessas mesmas medidas, que o governo tentou usar novamente, é limitada."

Luiz Fernando de Paula, presidente da Associação Keynesiana Brasileira e Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), discorda.

"Dada a conjuntura atual, de forte tendência a desindustrialização, é melhor do que nada. Fundamental é mexer no binômio taxa de juros alta/câmbio apreciado, combinado com uma política industrial inteligente que estimule exportações de maior valor agregado."

Economistas à esquerda e à direita concordam em um ponto: o novo pacote de concessões anunciado pela presidente Dilma, caso bem executado, vai no caminho correto --aumentar investimentos, a capacidade de oferta da economia brasileira.

Ao contrário das medidas de estímulo dos últimos meses --mais focadas em aumentar o consumo com reduções de impostos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O blog ainda retornará ao tema investimentos mas antes precisamos fazer uma ressalva a uma das informações contidas na reportagem. O economista Bráulio Borges afirma que o investimento no PIB teria atingido, em 2011,  a 19,0%. A informação não procede: na verdade este percentual de 19% foi o pico. Atualmente, o investimento já caiu para 18%.

Mas também há de se ressaltar que este crescimento "fabuloso" dos investimentos, de 16 para 19%, e agora em 18%,  não representa nem o próprio crescimento do PIB no período, nem tampouco o crescimento, em termos reais, da arrecadação federal. Está longe disto. Isto só vem demonstrar que, podendo investir mais, o governo petista deu preferência à gastança desenfreada, sem retorno ou benefício direto para a população.    

Em tempo: a média consolidada de investimentos dos países emergentes está acima de 25% do PIB. Portanto, ao invés de festejar, temos é que lamentar a perda enorme de oportunidades para dar sustentabilidade ao crescimento do país, justamente por falta de projetos e atenção demasiada à prioridades erradas.