Adelson Elias Vasconcellos
Olha, ou governo brasileiro começa a aceitar que a crise existe, que ela já chegou por aqui, primeiro no ramo financeiro, e agora se espalhando pela economia real e produzindo estragos que vão nos afetar fortemente, ou quando quiserem agir, já será tarde.
Faz bem o governante não esparramar, afoito, o pânico no país. Contudo, dada sua responsabilidade, deve agir para que os estragos sejam os mínimos possíveis. Para tanto, será preciso encarar as questões de frente e sem mentiras.
Tudo bem que o Grande Chefe esteja sentado em cima de sua popularidade e não queira perder seu cacife político. Contudo, não se admite que, ao preço dele manter sua popularidade, arraste o país para uma crise pior do que ela realmente é.
Bem antes da crise financeira chegar ao Brasil, tanto as contas públicas sofriam ameaças quanto a balança comercial dava sinais de enfraquecimento em relação ao superávit, sempre crescente, e com o qual o país já experimentava antes de Lula assumir, especificamente, desde março 2001.
A deterioração que se percebia, repito, desde antes da crise, se dava em parte, pelo altos juros praticados internamente e fixados pelo governo federal. Atraídos pela remuneração singular, investidores estrangeiros (e mesmo nacionais) investiam pesado na compra de títulos do Tesouro. Através do ingresso maciço de dólares os quais somados aos das exportações, isto provocava uma valorização da moeda brasileira além da conta. Com tal política, pouco a pouco, a pauta de exportações brasileira foi-se fixando muito mais nas comodities, com preços elevados em razão do grande consumo mundial, do que em manufaturados que foram perdendo competitividade no mercado mundial. Várias vezes o governo foi alertado para o vertiginososcrescimento das importações em percentuais bem superiores ao das exportações. A tendência era, a partir de um dado momento, o superávit iniciar sua queda, o que de fato acabou acontecendo, até chegarmos agora em janeiro e, conforme anunciado, o superávit se transformou em déficit.
Claro que o governo apontará a crise mundial como a culpada. É fácil, não é mesmo? Joga-se a culpa sempre para outros. Porém, voltem no tempo e consultem aqui mesmo no arquivo do COMENTANDO A NOTÍCIA, e vocês constatarão que, desde o primeiro mandato de Lula, estamos repetidamente alertando para a questão. Consultem e pesquisem os arquivos de jornais e revistas, e vocês também constatarão que muita gente já falava do real perigo de Lula, antes mesmo de encerrar seu reinado, ter de conviver com déficits na balança comercial. E sequer havia sinais exteriores de crise, quanto mais conviver com seus efeitos como agora.
E não apenas isto: voltem também no tempo e constatem quantos alertas foram dados para a necessidade do governo reduzir seus gastos, aproveitar tanto as reservas que acumulava quanto os recordes sucessivos de arrecadação de impostos para promover uma indispensável reforma tributária, tornando o custo Brasil bem menor, e pelo qual transferiria competitividade para os produtos nacionais no comércio mundial. Mas, qual, este é um governo que tem azia de ler jornais... Do alto do “vamos bem, obrigado”, exibindo elevados índices de popularidade, a arrogância falou mais alto. Imaginava-se que estivéssemos isentos do perigo externo, esquecendo de que nos beneficiávamos enormemente do crescimento econômico internacional. Na cabeça desta gente, os números eram muito bons, os indicadores apontavam para o paraíso, como nuncadantez, os recursos não cessavam de entrar e abarrotar os cofres públicos. Portanto,...
Já com a crise instalada e com crédito externo reduzido a zero, o governo federal ainda arrogante, deu de ombros entendendo que a “marolinha” seria passageira e não nos afetaria. Primeiro, foram as empresas brasileiras que, por acreditar na economia brasileira (e mundial), apostaram num real forte e levaram um tombo colossal. Mereceram inclusiva uma chamada de atenção do Grande Chefe que, inversamente, as acusou de agirem contra a moeda brasilseira. Além disto, os bancos brasileiros, não todos, mas um grande número, se habituaram a tomar dinheiro lá fora, a juros reduzidíssimos e aplicavam internamente em papéis do governo que insistia em pagar juros nas nuvens. Ou, incentivados pelo próprio governo, abriram seus caixas para concessão de créditos subsidiados.
Lembro de, na época, ter criticado o exagero desta política em razão de que estávamos criando uma bolha de crescimento que poderia, a qualquer momento, explodir. Sempre defendi que o crescimento do país deveria ser bancado com o crescimento da massa salarial e nunca do crédito apenas, ainda mais se concedidos da forma como se praticou no Brasil.
Pois bem, o governo ignorou todos os alertas e continuou apostando, perigosamente, que a economia mundial continuaria vigorosa ad eternum. E, apesar dos indicadores apontarem para direção contrária, o governo brasileiro continua remando contra a maré. Nossos juros continuam nas nuvens, o governo continua apostando em gastos e inchaço da máquina pública, a reforma tributária continua esquecida, a indispensável reforma tanto das leis do trabalho quanto a previdenciária continuam simplesmente ignoradas.
Querem mais exemplos de que este governo ainda não está preparado para enfrentar uma crise de dimensões mundiais? O Grande Chefe, desde 2008, não cansa de repetir que os juros precisam baixar, que os spreads bancários no país estão muito altos, etc., etc. etc. Contudo, estamos em fevereiro de 2009, e o spread bancário no Brasil continua 11 vezes maior ao que é cobrado no restante do planeta. E sabem quem pratica os spreads mais altos no país? Pois então, são os bancos públicos. E não só isso: as taxas dos serviços bancários, a cada dia, se tornam um verdadeiro assalto ao bolso magro do contribuinte! A quem cabe regular tudo isto? Ao Banco Central de um lado, e ao Ministério da Fazenda, de outro. Por qual razão ou razões o Banco Central e o Ministério da Fazenda não atuam no sentido de coibirem os excessos, os abusos, os assaltos? Reclamar só não resolve. Agir, dar bom exemplo e, principalamente, fiscalizar, não fariam mal algum. Pelo contrário...
É fácil para o Grande Chefe subir no palanque e adotar um discurso no mínimo cínico, para não dizer outra coisa. Ainda hoje, com toda a empáfia de que se reveste, declarou: “Governantes precisam acelerar obras do PAC para gerar emprego”. Nem diga !!! Até parece que não foi ele quem criou o PAC, até parece que não é senão sua própria ministra-chefe da Casa Civil quem gerencia e pilota o programa que, como vimos ontem, continua com 62% de suas obras empacadas. E, ainda, como se não bastasse, se comporta esquecendo de quem é a responsabilidade na liberação de recursos !!!
O problema, como se vê, é que este governo, por incompetência e omissão, vem contribuindo para o país sofrer com a crise mais do que deveria. Todas as causas estão aí expostas para que ele se debruce sobre elas e busque ações que minimizem os efeitos. Porém, teima em seguir remando contra a corrente.
Não sou dos que apostam no quanto pior, melhor. Esta tática é ferramenta com a marca registrada do PT quando oposição. Adoraria aqui elogiar o comportamento do governo. Instrumentos não lhe faltam. Recebeu um país saneado, e viveu um período de total prosperidade econômica mundial que repercutiu internamente e está na raiz de seus índices de aprovação. Tivesse aproveitado o tempo e as oportunidades e, por certo, o Brasil enfrentaria a crise bem mais ajustado e com efeitos bem reduzidos. Agora, ao invés de tomar a frente para que possamos executar a travessia com menores percalços, insiste no dramalhão da marolinha. Teima em se comportar com se nada estivesse acontecendo. Há questão de uma semana, anunciou, com toda a pompa, investimentos bilionários para a Petrobrás, sem a menor noção do que estava fazendo. O presidente da estatal, hoje, já começou a ensaiar um discurso diferente, afirmando que, provavelmente, precisará rever aquele volume todo.
Olha, ou governo brasileiro começa a aceitar que a crise existe, que ela já chegou por aqui, primeiro no ramo financeiro, e agora se espalhando pela economia real e produzindo estragos que vão nos afetar fortemente, ou quando quiserem agir, já será tarde.
Faz bem o governante não esparramar, afoito, o pânico no país. Contudo, dada sua responsabilidade, deve agir para que os estragos sejam os mínimos possíveis. Para tanto, será preciso encarar as questões de frente e sem mentiras.
Tudo bem que o Grande Chefe esteja sentado em cima de sua popularidade e não queira perder seu cacife político. Contudo, não se admite que, ao preço dele manter sua popularidade, arraste o país para uma crise pior do que ela realmente é.
Bem antes da crise financeira chegar ao Brasil, tanto as contas públicas sofriam ameaças quanto a balança comercial dava sinais de enfraquecimento em relação ao superávit, sempre crescente, e com o qual o país já experimentava antes de Lula assumir, especificamente, desde março 2001.
A deterioração que se percebia, repito, desde antes da crise, se dava em parte, pelo altos juros praticados internamente e fixados pelo governo federal. Atraídos pela remuneração singular, investidores estrangeiros (e mesmo nacionais) investiam pesado na compra de títulos do Tesouro. Através do ingresso maciço de dólares os quais somados aos das exportações, isto provocava uma valorização da moeda brasileira além da conta. Com tal política, pouco a pouco, a pauta de exportações brasileira foi-se fixando muito mais nas comodities, com preços elevados em razão do grande consumo mundial, do que em manufaturados que foram perdendo competitividade no mercado mundial. Várias vezes o governo foi alertado para o vertiginososcrescimento das importações em percentuais bem superiores ao das exportações. A tendência era, a partir de um dado momento, o superávit iniciar sua queda, o que de fato acabou acontecendo, até chegarmos agora em janeiro e, conforme anunciado, o superávit se transformou em déficit.
Claro que o governo apontará a crise mundial como a culpada. É fácil, não é mesmo? Joga-se a culpa sempre para outros. Porém, voltem no tempo e consultem aqui mesmo no arquivo do COMENTANDO A NOTÍCIA, e vocês constatarão que, desde o primeiro mandato de Lula, estamos repetidamente alertando para a questão. Consultem e pesquisem os arquivos de jornais e revistas, e vocês também constatarão que muita gente já falava do real perigo de Lula, antes mesmo de encerrar seu reinado, ter de conviver com déficits na balança comercial. E sequer havia sinais exteriores de crise, quanto mais conviver com seus efeitos como agora.
E não apenas isto: voltem também no tempo e constatem quantos alertas foram dados para a necessidade do governo reduzir seus gastos, aproveitar tanto as reservas que acumulava quanto os recordes sucessivos de arrecadação de impostos para promover uma indispensável reforma tributária, tornando o custo Brasil bem menor, e pelo qual transferiria competitividade para os produtos nacionais no comércio mundial. Mas, qual, este é um governo que tem azia de ler jornais... Do alto do “vamos bem, obrigado”, exibindo elevados índices de popularidade, a arrogância falou mais alto. Imaginava-se que estivéssemos isentos do perigo externo, esquecendo de que nos beneficiávamos enormemente do crescimento econômico internacional. Na cabeça desta gente, os números eram muito bons, os indicadores apontavam para o paraíso, como nuncadantez, os recursos não cessavam de entrar e abarrotar os cofres públicos. Portanto,...
Já com a crise instalada e com crédito externo reduzido a zero, o governo federal ainda arrogante, deu de ombros entendendo que a “marolinha” seria passageira e não nos afetaria. Primeiro, foram as empresas brasileiras que, por acreditar na economia brasileira (e mundial), apostaram num real forte e levaram um tombo colossal. Mereceram inclusiva uma chamada de atenção do Grande Chefe que, inversamente, as acusou de agirem contra a moeda brasilseira. Além disto, os bancos brasileiros, não todos, mas um grande número, se habituaram a tomar dinheiro lá fora, a juros reduzidíssimos e aplicavam internamente em papéis do governo que insistia em pagar juros nas nuvens. Ou, incentivados pelo próprio governo, abriram seus caixas para concessão de créditos subsidiados.
Lembro de, na época, ter criticado o exagero desta política em razão de que estávamos criando uma bolha de crescimento que poderia, a qualquer momento, explodir. Sempre defendi que o crescimento do país deveria ser bancado com o crescimento da massa salarial e nunca do crédito apenas, ainda mais se concedidos da forma como se praticou no Brasil.
Pois bem, o governo ignorou todos os alertas e continuou apostando, perigosamente, que a economia mundial continuaria vigorosa ad eternum. E, apesar dos indicadores apontarem para direção contrária, o governo brasileiro continua remando contra a maré. Nossos juros continuam nas nuvens, o governo continua apostando em gastos e inchaço da máquina pública, a reforma tributária continua esquecida, a indispensável reforma tanto das leis do trabalho quanto a previdenciária continuam simplesmente ignoradas.
Querem mais exemplos de que este governo ainda não está preparado para enfrentar uma crise de dimensões mundiais? O Grande Chefe, desde 2008, não cansa de repetir que os juros precisam baixar, que os spreads bancários no país estão muito altos, etc., etc. etc. Contudo, estamos em fevereiro de 2009, e o spread bancário no Brasil continua 11 vezes maior ao que é cobrado no restante do planeta. E sabem quem pratica os spreads mais altos no país? Pois então, são os bancos públicos. E não só isso: as taxas dos serviços bancários, a cada dia, se tornam um verdadeiro assalto ao bolso magro do contribuinte! A quem cabe regular tudo isto? Ao Banco Central de um lado, e ao Ministério da Fazenda, de outro. Por qual razão ou razões o Banco Central e o Ministério da Fazenda não atuam no sentido de coibirem os excessos, os abusos, os assaltos? Reclamar só não resolve. Agir, dar bom exemplo e, principalamente, fiscalizar, não fariam mal algum. Pelo contrário...
É fácil para o Grande Chefe subir no palanque e adotar um discurso no mínimo cínico, para não dizer outra coisa. Ainda hoje, com toda a empáfia de que se reveste, declarou: “Governantes precisam acelerar obras do PAC para gerar emprego”. Nem diga !!! Até parece que não foi ele quem criou o PAC, até parece que não é senão sua própria ministra-chefe da Casa Civil quem gerencia e pilota o programa que, como vimos ontem, continua com 62% de suas obras empacadas. E, ainda, como se não bastasse, se comporta esquecendo de quem é a responsabilidade na liberação de recursos !!!
O problema, como se vê, é que este governo, por incompetência e omissão, vem contribuindo para o país sofrer com a crise mais do que deveria. Todas as causas estão aí expostas para que ele se debruce sobre elas e busque ações que minimizem os efeitos. Porém, teima em seguir remando contra a corrente.
Não sou dos que apostam no quanto pior, melhor. Esta tática é ferramenta com a marca registrada do PT quando oposição. Adoraria aqui elogiar o comportamento do governo. Instrumentos não lhe faltam. Recebeu um país saneado, e viveu um período de total prosperidade econômica mundial que repercutiu internamente e está na raiz de seus índices de aprovação. Tivesse aproveitado o tempo e as oportunidades e, por certo, o Brasil enfrentaria a crise bem mais ajustado e com efeitos bem reduzidos. Agora, ao invés de tomar a frente para que possamos executar a travessia com menores percalços, insiste no dramalhão da marolinha. Teima em se comportar com se nada estivesse acontecendo. Há questão de uma semana, anunciou, com toda a pompa, investimentos bilionários para a Petrobrás, sem a menor noção do que estava fazendo. O presidente da estatal, hoje, já começou a ensaiar um discurso diferente, afirmando que, provavelmente, precisará rever aquele volume todo.
Num dia anuncia corte “provisório” em suas despesas, noutro amplia o Bolsa Família, patrocina a realização do Fórum em Belém e renova o compromisso assumido quanto ao inchaço da máquina pública.
Ou o governo do Grande Chefe encara a crise como de fato ela é, grave, profunda, sem prazo para acabar, e de recuperação lenta e difícil para todos, ou corre o risco de, primeiro, jogar fora os ganhos econômicos obtido com enorme sacrifício a partir de 1995. E, se tal ocorrer, não adianta procurar culpados externos, eles estão dentro do Planalto, e desde 2003...Afinal, o sacrifício deve ser cumprido por todos, inclusive e principalmente, o próprio governo federal.
Ou o governo do Grande Chefe encara a crise como de fato ela é, grave, profunda, sem prazo para acabar, e de recuperação lenta e difícil para todos, ou corre o risco de, primeiro, jogar fora os ganhos econômicos obtido com enorme sacrifício a partir de 1995. E, se tal ocorrer, não adianta procurar culpados externos, eles estão dentro do Planalto, e desde 2003...Afinal, o sacrifício deve ser cumprido por todos, inclusive e principalmente, o próprio governo federal.