sábado, agosto 12, 2006

A pergunta que faltou (Final).

Na entrevista que deu ao Jornal Nacional, o Presidente-candidato Lula acabou sendo beneficiado por um dos muitos escândalos que rechearam este governo. A leitura do relatório final da CPI dos sanguessugas, até pelo volume de envolvidos e indiciados, acabou por atrair muitas atenções e a imprensa precisou dividir-se entre a entrevista e o relatório da CPI. Pode parecer paradoxal ? Não, e veremos que ambos apesar serem correlatos colocam no eleitor algumas questões para pensar antes de definir o seu voto para presidente da república em outubro próximo.

Não fosse por isso, a leitura do relatório, e certamente, o desempenho desastroso de Lula teria repercutido com muito maior intensidade, primeiro por vermos um Lula represado em sua habitual arrogância, aquele seu ar de ser superior, colocado acima do bem e do mal, e para quem a sabedoria principia e se esgota nele mesmo.

E aqui quero destacar dois detalhes: de um lado, se o PCC e suas ondas de violência, acompanharam os momentos de subida de índices de Alckimin nas pesquisas eleitorais, no dia da entrevista ao JN, Lula também teve seu PCC. Não há como dissociar um fato de outro. Já disse inúmeras vezes que as diferentes formas de se desviar recursos do orçamento só se consumam entre duas, pelo menos uma das condições: um Executivo leniente, omisso, que não fiscaliza como deveria e aí a boiada passa toda linda, livre e faceira. Ou quando apesar da fiscalização, há conivência, íntima ligação entre os dois poderes para que os recursos do orçamento possam abastecer arcas desonestas, na ilícita mistura do público com o privado. De outro modo nada feito. Quem tem o dinheiro e a chave do cofre que o guarda é o executivo. Não seria por outra razão que o Ministério da Saúde está sob suspeita, nas administrações de Humberto Costa e de seu sucessor Saraiva Felipi. Interrogado, o chefão do esquema Vedoin isentou o ex-ministro José Serra, uma vez que os primeiros contratos apesar de terem sido assinados em 2001 e 2002, o que não significa que houvesse corrupção naquela época, como os petistas tentam incutir na opinião pública, em nada tinham de irregulares. O esquema só começa com a chegada do PT ao poder. É isto que está dito e é isto que as provas confirmam. O resto é papo furado.

Este escândalo ocupou por meses as atenções de toda a mídia. Dada a sua dimensão, mas principalmente, pela quantidade de envolvidos, num esquema sem precedentes na história do país.

Mesmo assim, as derrapadas de sua excelência não deixaram de ocupar o seu devido espaço. E estranho que numa delas, Lula mais uma vez se assumiu a paternidade de uma obra alheia, e para variar criação do ex-presidente Fernando Henrique. Trata-se da C.G.U. – Controladoria Geral da União, que FHC criou e implantou em 2 de abril de 2001, pela Medida Provisória n° 2.143-3. Aliás, esta fixação, verdadeira obsessão, de Lula em relação à Fernando Henrique já está ficando muito estranha...

Outra homérica derrapada foram as fronteiras do Brasil. “Eu penso que nós precisamos conversar esse assunto com a maior seriedade. Em primeiro lugar, o Brasil tem praticamente 17 mil quilômetros de fronteira, não são 17 metros. São 17 milhões, 7,760 milhões de costa marítima e quase 9 milhões de fronteira seca. Se você tivesse um exército de 3 milhões de soldados, ou a Polícia Federal com 4 milhões, ainda assim você não controlaria toda a nossa fronteira".

Não bastasse ele rasgar a história do Brasil em seus patéticos discursos, acaba de redesenhar nossa geografia. É, coisas de um presidente que não estudou e que não lê. Ou como diria o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog: “Claro! O diâmetro equatorial de todo o planeta é de 12,756 mil km, mas só o Brasil tem 17 milhões de fronteira. Eta gigante adormecido!!! Impávido colosso!!! E ele ainda trata fronteira seca como o oposto de fronteira marítima. Uma pequena confusão? Ligeira. Sobretudo quando ele nos cobra tratar “deste assunto com a maior seriedade”.

Aliás, confusão é coisa que não falta na fala presidencial. E é ainda Reinaldo Azevedo que o define bem em seus comentários sobre a entrevista que logo em seguida sua excelência concedeu à Globo News:

“A coleção de asneiras foi mais modesta, mas estava lá:
- a ética no seu governo “é total e absoluta”;
- algumas pessoas no PT erraram, mas não o PT;
- quando o PT errou, ele se sentiu como Pelé quando soube que seu filho estava envolvido com drogas;
- “quando você é oposição, pode tudo; quando é governo, tem de usar medida provisória”;- negou que a conjuntura externa seja responsável pelo desempenho razoável da economia;
- disse que sua política econômica é absolutamente diferente da de FHC;
E voltou a fazer confusão com o número de empregos criados, afirmando que são 103 mil por mês no seu governo contra 8 mil no de FHC. Conversa. Ele usa números do Caged, que não servem como indicador de emprego e desemprego. Ademais, houve uma mudança de metodologia que infla os índices atuais. Hora de o jornalismo se inteirar sobre essa questão para contraditá-lo e impedi-lo de “faltar com a verdade”. O seu patético momento veio quando Mônica fez uma pergunta na qual ele até poderia pegar carona. Lembrou que ele houvera afirmado haver 300 picaretas no Congresso. Com o escândalo que está aí, diria o mesmo? E aí veio um Lula em estado puro, curtido em 25 anos nos barris de carvalho do PT: “Você não pode querer que um presidente fale a mesma coisa que ele falou há 13 anos em Ron-dô-nia. Eu estava em Ron-dô-nia”. A ênfase parecia implicar que o que se fala em Rondônia não conta. É fato que o Estado vive um mau momento. Mas ainda é Brasil — e como! Com efeito, 13 anos é muito tempo para cobrar uma palavra de Lula. Pensando bem, eu não lhe concedo um miserável minuto de coerência. (
Leia mais aqui).

E, ainda, na mesma entrevista ao Jornal Nacional, Lula cometeu alguns erros e patrocinou mentiras, que para qualquer brasileiro ou brasileira medianamente bem informado, não passaram desapercebidos. Assim, a questão das contas pagas pelo Okamoto, as demissões dos ex-ministros Palocci e José Dirceu, além de citar, num ato falho “...o Brasil cresce o emprego, cresce a economia, crescem as exportações e importações, a única coisa que cai é o salário, digo, é a inflação e os juros que estão caindo.” (grifo nosso).

Se alguém lembra do Lula na oposição, soou estranho quando ele afirmou “Primeiro você deve estar falando de outra pessoa. Eu nunca pedi para que alguém fosse condenado antes de se provar a sua culpa.” Niguém se esqueceu do que vocês fizeram, a relação é imensa.

Mas de tudo o que Lula distorceu, mentiu e derrapou a máxima foi quando afirmou “...O órgão independente onde o procurador-geral foi escolhido por mim sem que eu sequer o conhecesse. Uma demonstração de que o combate à ética significa você permitir que as instituições façam as investigações que possam e precisam fazer...” (o grifo é nosso). Está aí uma coisa com a qual eu concordo em gênero, número e grau com o presidente Lula. Realmente, nunca na história deste país, a ética foi tão combatida, pisoteada, jogada na lama como neste governo. Numa incrível média de 5 escândalos por mês, conforme comentamos no artigo anterior, seria impossível não concordar com a afirmação de Lula.

Claro que a imprensa isenta, mas com opinião crítica acentuada, chamou a atenção para todos estes pontos. Mas, quando se pensava que o assunto se daria por encerrado, o deputado cassado José Dirceu resolveu trombetear, dentro do melhor gênero “bateu, levou”. Em seu blog , Dirceu resolveu sair em defesa do companheiro presidente, vejam: “...William Bonner e Fátima Bernardes, na verdade a Rede Globo e o Jornal Nacional, podiam ter nos poupado do vexame de chamar o presidente da República de "candidato". Além de um desrespeito à instituição republicana e simples má educação, Lula é presidente, a Constituição permite que se candidate à reeleição e permaneça no cargo. Logo, é nosso chefe de Estado e de governo. Parece que a Rede Globo está querendo provar que é independente, de quem?” (grifo nosso)

Vamos tentar entender a arremetida furiosa do Dirceu: quando o Jornal Nacional, com os mesmos entrevistadores, fez uma entrevista dentro quase do mesmo tom com Geraldo Alckimin, até digo que bem mais agressiva, o que José Dirceu publicou no blog ? Ele mancheteou com um “Alckmin foi nocauteado e ficou sem respostas no JN”. E no texto, tratou de criticar as respostas, analisar o comportamento do tucano e tentar desmoraliza-lo. Em nenhum momento José Dirceu se dignou em criticar a postura contundente de Bonner e Fátima Bernardes. Já com Lula não pode ? Ué, em primeiro lugar, sr. Dirceu, não houve desrespeito ao fato de chama-lo de “candidato”, porque na verdade era essa a figura que ele vestia na entrevista, a de “candidato”. Ele próprio, em várias ocasiões, disse que não sabia quando era um e quando era outro. Em segundo lugar, as regras eram para candidatos, se ele quisesse não ser assim tratado, e em igualdades de condições com os demais candidatos, que não comparecesse. E acrescente-se que a Globo ainda lhe fez um reverência especial, deslocando seus entrevistadores para o Palácio da Alvorada. Que mais queria senhor José Dirceu, agrados, puxação de saco, bajulação, ora, faça-nos o favor ! Vá comer lingüiça na porta da igreja !
Além disso, senhor José Dirceu, em sua ameaça, ao insinuar que a Rede Globo não é independente, diga-nos com sua arrogância despropositada, amiguinho de ditardorzinho latino: é dependente de quem ou do que ? De uma futura ditadura ao modo petista de governar ? Aprenda, senhor Dirceu, que este país ainda é livre, a constituição não foi rasgada, apesar de ser o desejo do seu amigo presidente, com o propósito espúrio de perpetuar-se no poder. E nela, em momento algum se encontrará nada que não legitime a entrevista feita pela Globo. Até porque você mesmo disse em relação ao seu amiguinho presidente-candidato, em relação à sua atuação “A primeira imagem que ficou é de um presidente muito tenso. Trocou várias palavras, ética por corrupção, milhares por milhões e salário por inflação ...”

O mais estranho é que nem o comitê de campanha nem tampouco o Presidente reclamaram da entrevista, muito menos viram qualquer contundência no seu desenrolar. Aliás, em termos de prepotência todos sabem do José Dirceu é capaz, ainda sua truculência quando se sente contrariado.

O seu grande problema, senhor José Dirceu, que o seu discurso e de todo o seu partido, quando na oposição, foram muito mais duros, contundentes, não perdoando a reputação de quem quer que seja, fosse inocente ou não, tivesse sido ou não julgado. Sua crítica sempre foi ácida, agressiva, deseducada, intimidatória. Durante todo aquele tempo, nunca se viu do seu partido, nenhuma iniciativa para construir. Suas táticas de guerrilhas, suas alianças criminosas, além das sempre suspeitas administrações de prefeituras comandadas pelo PT, não lhe dá moral para atacar quem quer seja. O que este governo federal promoveu, esta é a verdade, foi lotear todos os ministérios, fundações, autarquias e estatais por uma quadrilha que praticou a corrupção com o propósito de desviar dinheiro público para o seu partido. E isto está no processo aberto pelo Procurador Geral da República. Seu partido tudo fez para abafar, amedrontar, barrar, atrapalhar, suspender, criar toda a sorte de impedimentos em todas as investigações. Nenhuma das grandes corrupções investigadas tem a impressão digital de alguém do PT, a não ser na condição de réu.

O Brasil não é Cuba, que seu amigo ditador matou, torturou, baniu, espancou aos milhares para manter-se no poder. Talvez por tanto andar em companhia do sanguinário Fidel, você esteja deixando se influenciar por ele, achando que pode adotar os mesmos métodos de tortura, censura e autoritarismo no Brasil. Assim você pensa, e mais rápido do que imagina, quebrará a cara. Porque o dia que o Brasil todo descobrir o que se esconde por detrás de suas ações de guerrilheiro, esteja certo, nem com vinte mil cirurgias plásticas serão suficientes para se esconder. Tenha respeito pelo democracia brasileira. E se você se acha tão sapiente quanto poderoso para em rompante prepotentes desafiar quem quer que seja, pelo menos responda-nos:

O Candidato-presidente Lula, disse que companheiros, assessores e ministros erraram sem seu conhecimento, e o que ele os afastou, muito embora se saiba que não foi bem assim. Porém, olhando-se para essência dos erros cometidos, e não, simplesmente, para as pessoas, verificamos que tudo foi feito unicamente para beneficiar o presidente Lula. Diga-nos, então, quem mais, além de Lula, se beneficiou de todos os erros cometidos pelo governo e pelo seu partido ?
E já que você adora direito de resposta e adora afirmar que não lhe dão chances para defender-se, além do tempo necessário para pensar , desfrute aqui de todo o espaço que precisar. Só não vale mentir, tá certo ?

A pergunta que faltou...


Se a Globo quisesse poderia ter não ido ao Palácio Alvorada, porque o Presidente Lula, quando convidado a participar das entrevistas, não havia imposto nenhuma condição extra. A partir da entrevista feita com Geraldo Alckimin, candidato do PSDB, o comitê da campanha de Lula, se assustou. E, fazendo valer a condição de Lula de ser, além de candidato, também ser o presidente da República, quis fazer um joguinho de cartas marcadas. Com o jogo em movimento, tentou impor uma mudança nas regras: Lula aceitava a entrevista desde que a mesma fosse no Palácio da Alvorada, e apenas uma pergunta se reportasse à corrupção e sem referências a nomes. Acertou-se que a entrevista seria no Palácio da Alvorada, apenas. A tentativa de Lula, logo se vê, era valer-se do cargo e pôr seus entrevistadores sob cabresto. Levou o troco na medida certa. E mereceu. E, assim, a Rede Globo se penitenciou da forma como tratou Alckimin. Tentou mostrar sua isenção.

Simplesmente, se quisesse, poderia sequer ter aceito a condição de sair de seus estúdios. Ainda assim, mostrou ao governo Lula e ao PT, que neste país ainda vigora o bom senso, e não se deixou levar pela premeditada ação de ser tolhida em seu trabalho.

Até não seria condenada se, no momento da entrevista, com uma cadeira vazia ao lado de Willian Bonner e Fátima Bernardes, transmitisse a seguinte mensagem: "Boa noite, hoje o Jornal Nacional deveria entrevistar o Sr. Luiz Ignácio da Silva, candidato pelo PT à reeleição. Convidado, consentiram todos os candidatos com as regras estabelecidas, que procurariam ser equânimes para todos os candidatos. Num segundo momento, após já havermos o ciclo de entrevistas, o presidente quis que, no seu caso, fosse realizada no Palácio da Alvorada, com direito a uma só pergunta sobre corrupção e sem referências a nomes. Como isto fere e foge do verdadeiro debate democrático, e quebra a igualdade de condições com os demais candidatos, a Rede Globo de Televisão negou-se em atender as exigências para a entrevista e em respeito aos seus milhões de telespectadores. Desta forma, lamentamos não podermos contar com presença do presidente Lula, renovando o convite desde já para que compareça ao debate previamente marcado para o mês de setembro, e frente a frente com os demais candidatos, ele se proponha debater em igualdade de condições e sem a utilização de seu cargo para levar vantagem, porque esta é a essência do jogo democrático. Boa noite."

Apesar da imposição covarde, a Rede Globo preferiu contemporizar, e aceitou que a entrevista se realizasse em Brasília. Dali para frente, a Globo, por seus entrevistadores, mostrou e ressuscitou o bom e velho jornalismo, sem parcialidades, sem pender a balança para um ou outro lado. E ao abrir a série de perguntas, Wilian Bonner deu o tom ao dirigir-se à Lula na qualidade de “candidato”, e não como “presidente”. Bingo, Lula sentiu a pancada, mostrou no rosto visivelmente sua irritação e reprovação, e como que se desconcertou. O teatro ensaiado na véspera, não servira para nada. Dali para frente, o rei estava nu. E o que se viu foi um Lula enrolado, acuado, mentindo e dissimulando a rodo, mostrando quê presidente está nos governando desde 01° de janeiro de 2003. Para alguns, pode ter parecido surpreendente, não para mim. Lula é aquilo que se viu na entrevista. E apesar das críticas feitas pelos petistas quanto ao tratamento de “candidato” dirigido a Lula, este sequer pode reclamar, pois ele próprio se confessa que não sabe quando é candidato ou quando é presidente.

Porém, a sacada do dia em favor de Lula, não estava no Palácio da Alvorada, e sim no prédio ao lado, com a leitura do relatório da CPI das sanguessugas, porém disto falaremos na segunda parte deste artigo, quando analisaremos as reações, o dia seguinte à entrevista.

Com relação às perguntas que foram feitas, todas foram direcionadas às principais questões éticas do governo Lula que, ao respondê-las, mostrou-se tenso durante o tempo todo. No fundo, o presidente Lula sabe que, dentre os cerca de 128,0 milhões de eleitores aptos a votar em outubro, ele conta com um exército de invejáveis 40,0/50,0 milhões de desinformados completos. São os sem jornal, sem revistas, sem internet, em resumo, os Sem Informação. Para defender o presidente Lula e seu PT, atualmente, só mesmo ignorando os fatos ou passando por cima deles por interesses suspeitos. Lula sabe disso, e como que para enganar os ignorantes, ao longo de 2006, tem se esmerado em liberação de verbas, aumentos despropositais, inaugurações de coisa alguma, e de alguma coisa às vezes em duplicidade. Ele sabe para quem se dirige em cada gesto, em cada palavra, em cada ataque à oposição – para a qual insiste em denominar como adversários – mas, no geral, sua atuação não deixou a desejar, conhecendo-se o Lula como o conhecemos.

Se poderia até contra-argumentar que Bonner e Fátima deixaram de abordar outras questões, também relevantes, em relação à ética do governo Lula e do seu partido. Mas seria difícil resumi-la em apenas 10 questões. No blog Minuto Político, há uma relação com 190 questões !!! Convenhamos, trata-se de uma super e abundante safra de escândalos, numa impressionante média de 5 ao mês, e que não se poderia resumir no âmbito de 10 perguntas apenas. Mesmo diante da dificuldade, acreditamos que o Departamento de Jornalismo da Globo, conseguiu resumir os principais pontos de interesse geral.

Apesar da tensão e contração do candidato Lula, acreditamos que ele comportou-se exatamente da forma como sempre fez: como contra fatos não há argumentos, Lula acabou enredado, não lhe restando outra alternativa a não ser enrolar, mentir o mais que pudesse, tentar mudar de assunto, evasivo, buscando justificar uma realidade distorcida e sem sentido e nexo com os fatos.O presidente Lula sabe que muitas coisas que seu governo patrocinou não chegam ao grande público. Mas caso pudesse haver algum ruído, tratou de antecipar-se para blindar-se a si e ao seu governo. O Bolsa-Família, assistencialista ao extremo, segura a onda, seguido das generosas doações de dinheiro público para as entidades ditas sociais, que diante disso sentem-se impedidas de protestar diante dos escândalos. Lula tenta mostrar-se distante dos escândalos, e com ações bem articuladas, tenta desmoralizar o Legislativo como um todo, esquecendo-se que as ações ocorridas lá, tiveram iniciativas decorrentes do lado de cá, a começar pelo mensalão. Por isso, a confiança de Lula de que suas ações assistencialistas haverão de calar a grande legião de beneficiados, o exército composto pelos sem informação.

Dentre as mentiras da noite, uma diz respeito à criação da CGU - Controladoria Geral da União.Uma vez mais, ele assume a paternidade de algo criado pelo ex - Presidente Fernando Henrique, tal o Bolsa Família. A CGU foi criada no dia 2 de abril de 2001, pela Medida Provisória n° 2.143-31, inicialmente, denominada Corregedoria-Geral da União (CGU/PR). Teve, originalmente, como propósito declarado o de combater, no âmbito do Poder Executivo Federal, a fraude e a corrupção e promover a defesa o patrimônio público. Quase um ano depois, o Decreto n° 4.177, de 28 de março de 2002, integrou a Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) e a Comissão de Coordenação de Controle Interno (CCCI) à estrutura da então Corregedoria-Geral da União. O mesmo Decreto n° 4.177 transferiu para a Corregedoria-Geral da União as competências de ouvidoria-geral, até então vinculadas ao Ministério da Justiça.

A Medida Provisória n° 103, de 1° de janeiro de 2003, convertida na Lei n° 10.683, de 28 de maio de 2003, alterou a denominação para Controladoria -Geral da União, assim como atribuiu ao seu titular a denominação de Ministro de Estado do Controle e da Transparência. Mais recentemente, o Decreto n° 5.683, de 24 de janeiro de 2006, alterou a estrutura da CGU, conferindo maior organicidade e eficácia ao trabalho realizado pela instituição.

Do mesmo modo, o presidente Lula meteu os pés pelas mãos quanto as demissões de José Dirceu e Antonio Palocci. Abaixo a carta-resposta de Lula, que enterra de vez outra das tantas mentiras de Lula:

“Querido Zé,
Recebi seu pedido de afastamento das funções de chefe da Casa Civil. Decidi aceitá-lo, louvando seu desprendimento pessoal. Só pessoas de sua grandeza são capazes desses gestos. Compartilho seu sentimento de que esta decisão permitirá a você melhor defender nosso governo, nosso partido e sua própria pessoa.Como parlamentar brilhante que é – um dos líderes políticos mais importantes e respeitados da República – você poderá, na casa do povo brasileiro, desfazer as infundadas acusações lançadas por aqueles que querem desconstruir nossa história e nosso projeto de mudança social.Esta é a ocasião para expressar meu apreço por sua lealdade, dedicação, competência e honestidade no trato da coisa pública, como ministro-chefe da Casa Civil.
É também a ocasião para reiterar minha amizade e gratidão por tudo o que fez pelo povo brasileiro em nosso governo.
Como você mesmo diz em sua carta, a luta continua.
Luiz Inácio Lula da Silva”
Fonte: Minuto Político.

Da mesma forma como mentiu quando disse que seu governo está investigando tudo. Em tudo, ao contrário, colocou sua tropa de choque no Congresso ou para impedir o início das investigações, ou para coagir testemunhas e esconder fatos, barrar, atrapalhar e até impedir que as investigações se tornassem de conhecimento público. Assim foi no mensalão, que estourou pela propina recebida de um funcionário dos Correios e pelas delações abertas de Roberto Jefferson, e a última, a dos sanguessugas, que seguiram para uma CPI devido à determinação de Fernando Gabeira e Raul Jungmann. Do contrário, teria sido abafada. Sem falar do até agora não esclarecido do ex-prefeito Celso Daniel, um crime aguardando o momento certo para ser enterrado.

Há muito tempo o PT no governo e o Presidente Lula deixaram de lado a coerência com sua história. Quando na oposição, o PT queria cadeia até para simples suspeitos. Hoje, Lula não se constrange em ir para o palanque alinhado com ex - Presidente Sarney que ele chamou de ladrão, em São Paulo a Orestes Quércia, em Minas com Newton Cardoso e em Belém, com Jader Barbalho. Bem como, um partido cuja cúpula diretiva toda caiu por envolvimento direto com a corrupção, não pode ficar posando de bonzinho achando que isto tratou-se apenas de erros eventuais. E vários acusados além de não serem punidos pelo próprio partido, ainda pretendem se candidatar novamente agora. E novamente negou-se em responder quem são os supostos traidores. Seriam os que traíram a pátria, desviando recursos, ou os que traíram o PT, delatando o esquema? Neste tópico, aliás, o PT tem uma história um pouco nebulosa: dentre os expulsos do partido, constam apenas aqueles que se rebelaram à ideologia. Por corrupção, ninguém foi mandado embora. Não é estranho ?

Mas, a meu ver, faltou uma e mais importante pergunta, e que poderia ter sido a última ou a penúltima:

Candidato Lula, o senhor disse que companheiros, assessores e ministros erraram sem seu conhecimento, e o que o senhor os afastou, muito embora se saiba que não foi bem assim. Porém, olhando-se para essência dos erros cometidos, e não, simplesmente, para as pessoas, verificamos que tudo foi feito unicamente para beneficiar o senhor. Candidato, além do senhor, quem mais se beneficiou de todos os erros cometidos em seu governo e pelo seu partido ?

Acreditem, seria a única para a qual ele não saberia responder: porque apenas ele foi o grande e único beneficiado, e sendo assim, todas ações tinham o propósito e faziam parte da estratégia do seu governo para beneficiar o presidente Lula. Impossível alguém de sã consciência achar que ele é inocente. E o que mais lamento é que até hoje, esta questão, que é o foco central de todo o governo Lula, em tudo aquilo de pior fez e continua fazendo, foi a que menos se ouviu falar, ou sobre ela se escreveu. Aqui, Lula, realmente, ficaria sem saída. Porque a questão do crime não é apenas o benefício financeiro que ele rende. Não precisa sequer estar configurado qualquer aspecto econômico- financeiro. Ele é criminoso, de um lado ou por negligência e ou por omissão, e de outro, por ter sido o beneficiário maior e final de todos os atos praticados. Se tivessem seguido por esta rota...

De qualquer forma, o roteiro está desenhado. A oposição já sabe o que fazer. Já tinha errado lá atrás quando poderia ter aprofundado mais e ter tirado a credibilidade perante a opinião pública do governo Lula, que foi eleito para governar o Brasil sob a bandeira da ética e da moralidade. Ao andar no sentido contrário, traiu o voto que houvera recebido. Na segunda parte deste artigo vamos analisar as repercussões da entrevista, o dia seguinte e o impacto para o governistas, oposicionistas e opinião pública.

Leituras recomendadas - 8

Das modernas formas de tirania
Claudio Shikida (Do Instituto Millenium)

Não há um brasileiro que, pobre ou não, nunca tenha entrado, ao menos uma vez, na Internet. Computadores existem em lanchonetes como a McDonald’s, em colégios privados e públicos, ou mesmo nos tais cyber-cafés. A Internet possui diversas alternativas de comunicação entre as pessoas. Quer saber mais sobre o Instituto Millenium? Venha a esta página. Quer elogiar? Clique em “fale conosco”. Quer reclamar? Idem. Deseja conversar com alguém? Mande um e-mail. Ou entre no Google Talk. Ou no MSN Messenger. Ou vá bater papo em uma sala de chat.

O parágrafo acima, aposto, estará desatualizado em cinco anos: a criatividade humana, como disse Julian Simon, é nosso último e mais importante recurso produtivo. Diante das adversidades, o ser humano cria. Claro, cria-se para o bem ou para o mal (além de criar estas categorias de “bem” e “mal”). Aposto até que Hayek, um admirador da criatividade humana, pensou em escrever, um dia, algo como: “crio, logo existo”.
(Texto completo aqui)
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