quinta-feira, outubro 21, 2010

A mentira que Lula e Dilma contaram, precisa ser punida.

Comentando a Notícia

Vejam o vídeo a seguir, que exibe uma reportagem do Jornal Nacional sobre o episódio da agressão sofrida por José Serra, ontem, no Rio Janeiro. Embora longo, dura cerca de 7 minutos, peço ao leitor a paciência de assisti-lo na íntegra. Ele nos mostra no que o Brasil está sendo transformado, e no que ainda poderá se transformar. Volto para comentar.




Vamos por partes. Não é a primeira, e acho que não será a última vez, que os pré-históricos do PT, tentam de forma truculenta, impedir que um candidato não alinhado ao seu terror, faça algo que é corriqueiro em qualquer país democrático, ou seja campanha política. Ontem, exibimos aqui, os lamentáveis episódios também protagonizados pelos petistas, contra o governador Mário Covas, em São Paulo, em uma greve de professores. E, naquela oportunidade, o senhor José Dirceu, não apenas não condenou a agressão ao governador, como ainda incitou mais violência ainda.

Isto é coisa, como se pode notar, de gente fascista, que não admitem que alguém tenha a “ousadia” democrática de lhes fazer oposição. Lembram do que noticiamos aqui sobre um evento no Ceará e que só não se transformou em pancadaria porque se estava à porta de uma Igreja?

Infelizmente, e quem acompanha eleições no Brasil há alguns anos, sabe ser comum o confronto armado pela militância petista, a sua tropa de choque , as suas SA nazistas como identifiquei aqui, que não conseguem conviver pacificamente numa democracia. Nutrem uma cultura de ódio contra tudo o que não combine com seu figurino e seu ideário.

Não é de hoje que acuso Lula da Silva de incitar a violência nesta campanha eleitoral. Aquilo que costumeiramente ele atribui a seus adversários é por estar em frente ao próprio espelho. Petistas nada tinha que tentar impedir a passagem da militância tucana que acompanhava José Serra. Se ali estavam, e o vídeo não deixa dúvidas quanto ao comportamento violento de seus militantes, é por que queriam cassar confusão além de restringir a liberdade de ir e vir da caminhada do candidato.

Mas falava do incitamento de Lula à violência. Em Santa Catarina, ainda no primeiro turno, em cima do palanque, num total desrespeito e falta de decoro ao cargo de Chefe da Nação que representa, pregou o “extermínio da oposição”. Nesta semana em Goiás, seu discurso foi de uma ferocidade jamais vista pela boca de um presidente que apenas finge ser democrático.

E, se coisa pior ainda não ocorreu nesta eleição, é fruto talvez da candidata governista ainda estar à frente das pesquisas eleitorais. Fosse o contrário, e certamente teríamos coisas muito piores a lamentar.

E, estarrecedor, foi a declaração de Lula, infeliz e pérfida, sobre o episódio. Ao invés de recomendar paz e ordem para sua militância, ao invés até de se desculpar com o adversário político pelo episódio, o que fez o senhor Lula? Tratou de acusar a vítima e acobertar a agressão. É inaceitável para qualquer Chefe da Nação, seja Lula ou seja quem for, posicionar-se desta forma reprovável. Sabe-se que uma jornalista recebeu uma pedrada que foi arremetida, com toda certeza não contra ela, mas contra Serra. Isto exime o chefe da Nação, a de que a pedrada atingiu outra pessoa que não o candidato, de agir com um mínimo de decência e civilidade?

E vou adiante: no dia em que coisa pior venha acontecer nesta campanha, apenas um, um somente será o culpado: LULA. Seus discursos de puro ódio são reprováveis até para quem esteja na oposição, quanto mais para um chefe de Estado que, por dever constitucional, tem a obrigação de governar para toda a sociedade, e não apenas para seu horda de bandoleiros.

Acho que tanto Serra quanto o PSDB não podem se esquivar de irem a justiça contra Lula, contra Dilma – que também embarcou na canoa furada do padrinho – e também do SBT e da Record que exibiram a farsa em seus telejornais, maculando a imagem do candidato tucano. Para estes, o mínimo dos mínimos, um direito de resposta. Da mesma forma, no programa da Dilma, Serra deve ter o direito de responder a acusação infame que lhe foi dirigida por Dilma Rousseff.

Quanto à Lula, bem aqui o buraco é mais em baixo ou mais em cima, como queiram. Qual foi o comportamento de Lula? Macular e ferir a honra de Serra. Bem, neste caso, e por não ser inimputável, o caso de Lula é com a Justiça Criminal. Não pode, mesmo ocupando a Presidência da República, se dirigir a alguém de forma covarde, infame e caluniosa como fez, e ainda mais calcado numa mentira como foi a reportagem do SBT. O mínimo que se espera de um governante, sejam ele quem for, é equilíbrio emocional. A declaração nem a conta de “levado pela emoção da campanha” que possa apelar, é admissível. Lula vestia a roupagem de Presidente, encontrava-se em uma solenidade oficial de governo, e deste modo, não lhe cabia, sem ter a total ciência dos fatos, ter se expressado da forma como fez. Injustificável, reprovável, condenável.

Volto a advertir o Poder Judiciário: ou alguém faz o presidente da república se dar conta de que há limites até para o presidente, ou a anarquia acabará tomando conta do país. E vença quem vencer no dia 31 de outubro, aconselho Lula procurar tratar-se. Esta verborragia toda que exala o fel amargo de seus discursos, é sintomático de uma pessoa perturbada psicologicamente. Isto não é normal. Alijado do poder, acostumado a viver 8 anos sendo paparicado por centenas de puxa-sacos, tendo toda a mordomia do mundo para viver nababescamente, conseguir o indivíduo Lula aceitar a nova situação que lhe será imposta, a de viver como um cidadão normal, poderá representar-lhe um forte choque de realidade capaz de deixá-lo ainda mais perturbado.

Portanto, que o PSDB busque a retratação a que tem direito, para servir como lição para Lula e para Dilma: ninguém pode agredir o estado de direito com a volúpia vil com que ambos se comportaram. O país merece mais respeito. As instituições merecem mais respeito. Os indivíduos merecem mais respeito, mesmo aqueles que versem ideologias políticas diferentes. A lei ainda não discrimina ninguém. E Lula não é dono do país para se colocar acima das instituições, da sociedade e do estado de direito democrático que deve vigorar entre nós. Por que deve ser assim? Porque isto é uma conquista da sociedade brasileira, o patrimônio que o estado de direito democrático representa, a ela pertence,  é um direito natural de todos os brasileiros e brasileiras e não mera concessão do governante de plantão, a quem cabe por dever que o cargo lhe impõem, respeitar, conservar e até fortalecer. Não foi dado a Lula, como governante, o direito de jogar no lixo o patrimônio do povo brasileiro.   


Estava certo em criticar o TSE e o juiz Henrique Neves

Comentando a Notícia

Estava preparando a edição do blog de amanhã, quando encontrei duas notícias. A primeira, a de que a Diocese de Guarulhos vai pedir que o TSE mande devolver o manifesto que, mediante força policial e sob autorização judicial, expedida pelo juiz eleitoral Henrique Neves, lhe foi apreendido, por se tratar de documento da Igreja e não de campanha eleitoral. Estejam certos: vibrei com a notícia. Não apenas ainda existem pessoas certas e honestas neste país, mas pessoas com a coragem e o desprendimento necessários para enfrentar o sistema porco que inunda e enxovalha nossa vida democrática. A depender de mim, sequer deveria ter ocorrida a apreensão, ainda mais pela forma truculenta como foi ordenada.

A segunda, a forma mais corajosa ainda e brilhante com que os advogados da Diocese interpelam a decisão estúpida do juiz Henrique Neves, e desmontam qualquer argumento com o qual o juiz pudesse justificar-se. Esta defesa foi exposta e comentada pelo jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog e, como ele pediu que fosse repassada, tomo a liberdade de publicar a íntegra do seu relato.

Espero apenas que o Tribunal Superior Eleitoral aprenda uma lição que deveria ser um postulado básico para seus membros: a de que nenhuma outra lei brasileira pode estar acima da Constituição. E que fique claro: há cidadãos brasileiros – e ainda bem que os há - que não permitem que se lhe coloquem o cabresto dos tiranos e, se preciso, têm a capacidade de resistirem até aos desmandos provenientes de decisões judiciais descabidas.

Em tempo: por que a tão “zelosa” Justiça Eleitoral, ou até o juiz Henrique Neves, não mandaram ainda apreender os panfletos distribuídos a torto e direito pela igreja chefiada por Edir Macedo, que, além de flagrantemente fazer propaganda à candidata Dilma, é de origem apócrifa? O fato do senhor Edir Macedo e sua igreja serem concessionários de serviços públicos – rádio e televisão – não são impeditivos a que pratiquem campanha eleitoral desbragadamente como vem fazendo? Isto é ou não crime eleitoral? Ou será que a lei deve valer só para um dos lados do processo, e justo aquele que se opõem, politicamente, ao governo do tirano atualmente instalado no Planalto?

Segue o texto do Reinaldo.

*****

Em sua defesa, Diocese de Guarulhos prova que documento apreendido pela PF é verdadeiro e que texto defende princípios da Igreja, de acordo com a Constituição

Caras e caros, o post ficou um pouco longo. Mas peço que vocês leiam com atenção. Trata-se de um momento sério, grave, da democracia. Trata-se de sabermos se as garantias previstas no Artigo 5º da Constituição, cláusulas pétreas, valem ou não. Leiam e repassem.

*

A Mitra Diocesana de Guarulhos encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral o pedido de revogação da liminar que determinou a apreensão dos impressos que traziam um “apelo” aos brasileiros para que não votassem em candidatos simpáticos à descriminação do aborto. Por ordem do TSE, a Policia Federal apreendeu os folhetos que estavam na gráfica Pana, em São Paulo. Tive acesso ao documento enviado ao tribunal e, confesso, cheguei a sentir vergonha da penúria em que se encontra o estado de direito no Brasil.

O que fez o ministro Henrique Neves da Silva, do TSE, determinar a apreensão?

a) a suposição de que o documento seria falso, já que não contaria com o endosso da CNBB;

b) o suposto crime eleitoral.

É justamente a cristalina contestação dessas duas hipóteses, com fartura de dados, que provocou em mim aquela sensação de vergonha.

Sobre a suposta falsidade do documento, argumenta a Mitra Diocesana de Guarulhos (peço que vocês leiam; é fundamental):

O documento é verdadeiro e foi aprovado pelo CONSER -CONSELHO REGIONAL EPISCOPAL SUL-1, que compreende todo Estado de São Paulo, designado por CNBB-Regional Sul-1, distribuído em 41 Dioceses, na Assembléia Geral, registrada como “II ENCONTRO REGIONAL SUL-1 DAS CDDVs” (Comissões Diocesanas de Defesa da Vida).

A Assembléia aconteceu no dia 03.07.2010 e aprovou o “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, conforme a ATA E A LISTA DE PRESENÇA de todos os Bispos Participantes (does. 22/25).

A convocação da Assembléia foi dirigida para todas as Dioceses. Cada diocese poderia comparecer por seu Bispo ou indicar um representante. Compareceram à Assembléia 57 pessoas. Foram expositores o Padre Berardo Graz (n.7), o Bispo Dom Nelson Westrupp, de Santo André-SP (n.14) e o Bispo Dom José Benedito Simão, de Assis-SP (n.15).

Os Bispos do Regional Sul-1, representados por sua diretoria executiva, composta por 11 Bispos, ratificaram o documento e emitiram a “NOTA DA COMISSÃO EPISCOPAL REPRESENTATIVA DO CONSELHO EPISCOPAL REGIONAL SUL l - CNBB, assinada pelo Presidente do CONSER-SUL-1, Dom Nelson Weistrupp, pelo Více-Presidente. do CONSER-SUL-1, Dom Benedito Beni dos Santos e pelo Secretário Geral do CONSER-SUL-1, Dom Aírton José dos Santos, que “acolhem e recomendam a ampla difusão do ‘APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul l”, em 26.08.2010 (does. 26/27).

Depois de todas as etapas deliberativas e administrativas, documento “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” foi aprovado e determinada a publicação, por emails, no site do Regional Sul-1, em 31.07.2010 (does. 28/29).

Ao contrário do que afirma a representante Dilma e a Coligação Para o Brasil seguir Mudando, não se trata de um “panfleto”, mas de um documento da Igreja Católica. E o documento é verdadeiro.

Tanto é verdadeiro que a própria CNBB-Regionai Sul-1, contratou a impressão dos primeiros 100 milheiros, no formato A-4, frente e verso, na empresa Artes Gráficas Prática Ltda-ME, através da nota fiscal n. 2955 (does. 30/31).

Depois disso, a CNBB-Regional Sul-1 franqueou o documento, para ampla divulgação, como escrito na NOTA, para todas as outras Dioceses e Movimentos de Defesa da Vida que quisessem distribuir para seus fiéis, interessados e defensores da vida, evidentemente no formato e na quantidade que achassem melhor e mediante o custeio das despesas pelas mesmas interessadas.

Dessa forma, foi elaborado o formato que foi apreendido por ordem dessa E. Corte.

O serviço de impressão, inclusive, foi solicitado na MESMA GRÁFICA UTILIZADA PELO PARTIDO DOS TRABALHADORES, PORQUE TINHA O MELHOR PREÇO E CAPACIDADE PARA EXECUÇÃO DO SERVIÇO (Does. 32/33 ).

Destarte, É UM DOCUMENTO OFICIAL DA IGREJA CATÓLICA E DA CNBB-REGIONAL SUL-1, que compreende todo o Estado de São Paulo e tem autoridade para deliberar e expedir documentos em seu nome, orientando os fiéis.

Portanto, a CNBB-REGIONAL SUL-1, ELABOROU E APROVOU O “APELO” E EXPEDIU A “NOTA” recomendando sua ampla e irrestrita divulgação, que a requerente estava seguindo fielmente.

(…)

Sobre a suposto crime eleitoral, argumenta a Diocese de Guarulhos:

A Mitra Diocesana e o Bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini não apoiaram nenhum candidato a deputado estadual ou federal, senador, governador ou presidente. Estão defendendo o Evangelho e a Doutrina Cristã e acompanhando a pregação e orientação do Papa Bento XVI, que desde o início de seu Papado, está alertando os católicos sobre o relativismo.

Relativismo é, por exemplo, votar em algum político que “rouba mas faz”. Se ele rouba, não poderia ser candidato. É mandamento cristão: “NÃO ROUBAR”. Em obediência ao mandamento, os católicos não devem votar em quem rouba.

Relativismo é, por exemplo, aceitar e votar num partido ou político que está empenhado na liberação do aborto. Cristo defende a vida. A Igreja Católica defende a vida. Os católicos defendem a vida. Os cristãos defendem a vida. A vida é o bem maior de todos os seres humanos. “NÃO MATAR” é um mandamento.

O aborto, para os cristãos, consiste na retirada de um ser humano em formação - que será depois uma criança, um jovem, um adulto, um idoso, até chegar à morte -, do útero de uma mulher e jogá-lo na privada, no lixo ou no esgoto.

A Igreja Católica Apostólica Romana segue o Evangelho de Jesus Cristo. Ela e seus sacerdotes - padres e bispos - fazem profissão de fé e estão obrigados a defender esses princípios, em todos os momentos de suas vidas.

Além da questão do aborto, o Código de Direito Canônico obriga o bispo a propor e explicar aos fiéis as verdades.

A CNBB-REGIONAL SUL-1, Mitra Diocesana de Guarulhos e Dom Luiz Gonzaga deram cumprimento aos cânones 386, §1 e §2, assim escritos:

“§1. O Bispo diocesano é obrigado a propor e explicar aos fiéis as verdades que se devem crer e aplicar aos costumes…” §2. Defenda com firmeza a integridade e unidade da fé, empregando os meios que parecerem mais adequados…”.

Temos, então, que o Direito Canônico obriga os Bispos a explicar as verdades e defender a integridade e unidade da fé. Inclusive a verdade sobre o aborto. Dom Luiz cumpriu sua obrigação canônica.

Dom Luiz poderia, inclusive, indicar candidatos, se quisesse. Isso não é proibido. Mas não o fez. Está apenas defendendo princípios. Se os princípios conflitam com os princípios de outras pessoas, partidos ou candidatos, as conseqüências cada um deve assumir para si. Se alguém tem posições contrárias aos princípios cristãos, deve expor e defender essas teses, assumindo a responsabilidade decorrente.

No caso presente, os bispos das 41 dioceses do Estado de São Paulo resolveram emitir um documento que explicasse em quem não votar, tendo como base principal o aborto, ponto que Sua Santidade o Papa Bento XVI vem, exaustivamente, chamando a atenção de todo o povo do mundo.

A vida é dom de Deus, bem indisponível, em qualquer tempo, tanto que auxiliar alguém a suicidar-se é crime capitulado no art 122, do Código Penal. Ninguém pode atentar contra nenhuma vida.

A apreensão dos documentos pertencentes à Mitra Diocesana de Guarulhos, autorizado pela CNBB-REGIONAL-SUl-1, é uma ação discriminatória da candidata Dilma Rousseff e da Coligação para o Brasil Seguir Mudando, que está perseguindo e tentando impedir a Igreja Católica e seus membros de expressar suas convicções religiosas.

Assim, requer se digne V. Exa de revogar a liminar e determinar a devolução de todo o material apreendido, por respeito à Constituição Federal e aos direitos constitucionais pétreos da requerente e de seus membros.

Voltei
A brilhante exposição dos advogados da Mitra Diocesana, João Carlos Biagini e Roberto Victalino de Brito Filho, lembra ainda o que deveria ser corriqueiro na vida pública brasileira: este é um país em que a Constituição garante a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, sendo vedada a censura

O documento da Diocese lembra ainda que todos os dados relacionados no “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, que relacionam o PT e sua candidata à defesa da descriminalização do aborto, são verdadeiros e públicos.

Olhem aqui, meus caros: o que está em debate é o direito de uma igreja orientar os seus fiéis, direito este que foi suspenso por causa do processo eleitoral. E nada, na Constituição, autoriza tal suspensão. Mais: o argumento de que o documento da Regional Sul I é falso é um escândalo em si mesmo.

Pela primeira vez na história, desde a redemocratização do Brasil, usam-se as eleições para suspender garantias previstas no Artigo 5º da Constituição, cláusulas pétrea, que não podem ser revogadas nem por emenda constitucional.

Façam bom proveito

Adelson Elias Vasconcellos

Não é de hoje que chamo Lula da Silva, a pessoa, não o presidente que é uma instituição da sociedade, não é propriedade do PT nem tampouco de Lula, de cachorro louco. O homem não pode ver palanque que se desespera. Perda a decência, a compostura, o decoro, a moral, os bons modos. Tudo. Joga no lixo qualquer resquício de valor capaz de engrandecer um ser humano.

Pena eu não ter tempo hábil para juntar todos os jornais, recortar todos os seus discursos e, num futuro mais a frente, reuni-los e publicá-los. Acredito que nem ele próprio se convenceria de ser sido capaz de dizer as bobagens e injurias que pronunciou.

Desde que iniciou a campanha neste ano, parece que o diabo tomou conta do corpo e da mente de Lula. Seus discursos destilam não apenas ódio, mas um fel amargo, maldoso, mesquinho, indecente e incandescente. Se a militância petista se deixassem impregnar pelo destempero de Lula, esta campanha teria se transformado em pancadarias físicas em cada esquina. Contudo, Lula ser quem é, os fatos e a história recente estão aí para comprovar, não chega a ser novidade para ninguém. Ninguém que eu digo, aquelas pessoas dotadas de um mínimo de senso crítico, bem centradas, emocionalmente equilibradas. Não estes lacaios que bebem da seiva até se estiver envenenada.

Este destempero de cachorro louco do Lula, por outro lado, impregna os sentidos e o pensamento de sua militância. Já disse: é impossível debater com um petista minimamente num tom civilizado e decente. Visitem alguns sites espalhados pela internet, e deem uma olhada no campo de comentários. Vocês sentirão calafrios com cada coisa que ali se escreve. Esta é, aliás, a principal razão para os bons blogs e alguns sites instalarem um moderador para os comentários. Ninguém gosta de ter seu espaço invadido por lixo moral.

Creio que há uma semana publiquei aqui um acontecimento – o melhor dizer aborrecimento – ocorrido na saída de uma igreja no Ceará quando a militância petista, em razão de ali encontrar-se José Serra, foi para a porta da igreja criar tumulto. Menos mal que, por se tratar de igreja, a turma sossegou o facho e não aumentou a confusão até o ponto de delírio.

Contudo, hoje, no Rio de Janeiro, Serra não teve a mesma sorte. Não havia igreja para impedir que um grupo de selvagens partisse para a pancadaria que só não ficou pior porque a militância tucana preferiu esfriar os ânimos.

Este quadro que vemos nesta campanha representa bem o que tem sido o PT ao longo da história. Na oposição, sabotou e boicotou todos os governos democráticos que o antecederam no poder. Mas não uma oposição equilibrada, decente, feita com princípios legais, etc. O PT sempre apostou no quanto pior, melhor. Mentira talvez seja o traço de caráter mais visível nestas personalidades doentias e pré-históricas.

No poder, já perdemos as contas das lambanças em que a turma se meteu. E não foram pouca coisa, não. Passam de CEM o número de diferentes crimes cometidos por petistas. Tirando a turma do mensalão que, pelo andar da carruagem periga terminar em nada, lá se vão mais de cinco anos e nada do processo andar, nenhum está preso, condenado ou cumprindo pena. Todos leves, soltos e impunes.

Pois bem, aumentando ainda seu teor de raiva e de ódio por ver frustrada sua tentativa de liquidar a fatura à sua sucessão ainda no primeiro turno, Lula não teve dúvidas: se antes já atropelava as leis, agora, ri, faz pouco caso, debocha e ainda mete o pau no TSE. Incita sua militância a partir prô pau. E interrompeu o cumprimento de suas funções de Chefe de governo para, junto com seu ministério, fazerem apenas campanha, dentro e fora do horário de expediente, dentro ou fora dos palácios da república ou de qualquer prédio público. Enviam emails usando sistema federal de ensino superior incitando reitores e professores, afora o uso descarado da estrutura funcional das estatais, além de utilizar o dinheiro do orçamento para cooptar políticos alinhados à oposição. Dane-se a governabilidade, prô inferno o interesse maior do país. O importante é rosetar e delinquir.

No sábado, quando o juiz eleitoral Henrique Neves, de forma reprovável, acatou o pedido do PT para apreensão do manifesto mandado publicar pela Diocese de Guarulhos, com o emprego de força policial, deu a senha que o partido precisava para a bandalheira correr solta. Foi o último capítulo para fechar o círculo da campanha mais asquerosa que o Brasil já assistiu. Nunca, jamais a estrutura do Estado foi tão mobilizada, de forma completamente ilegal, em favor de uma candidatura, como nesta campanha. A culpa é do Lula? Sim, foi ele quem juntou tudo, Estado, governo e partido num mesmo balaio e desandou a atropelar os limites impostos por lei.

Porém, quebrado o equilíbrio que a legislação exige para a legitimação de qualquer eleição livre e democrática, a ilegitimidade desta eleição deve ser imputada apenas a duas instituições: o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral. Ambos se omitiram cínica e vergonhosamente de suas missões. Provavelmente, o senhor Lewandowski, na antevéspera do pleito de 31 de outubro, virá em cadeia nacional fazer algum pronunciamento. De minha parte, desligarei imediatamente. Nada do que este senhor tenha para dizer merece crédito. Nada do que tenha para afirmar tornará menos ilegítima esta eleição, independente de quem a vença. Sua atuação é pífia, ridícula, patética, negligente. No mesmo sentido, a turma do Ministério Público Eleitoral. O que não faltaram nestas eleições foram crimes eleitorais, em todos os níveis e duvido que resulte na condenação dos culpados. DUVIDO.

Podemos resumir no seguinte: a campanha eleitoral foi para as calendas, é o jogo do vale tudo, porque se temos leis neste país, nos faltam pessoas de caráter e coragem para fazê-las cumprir. A autoridade pública responsável por manter a lei e a ordem, se escondeu de si mesma numa leniência imperdoável e vergonhosa.

Não foi a toa não que, nas duas vezes que critiquei o senhor juiz Henrique Neves, lancei a pergunta; do que o Poder Judiciário, principalmente a ala Eleitoral, tem medo em relação ao poder instalado? Ou, que tipo de favorecimento está sendo oferecido para se deixar correr solta a bandalheira e o assalto premeditado e constante às leis? Porque só isso justifica tanta omissão.

Certo dia, escrevi que o brasileiro não aprendeu a valorizar o regime democrático de que desfruta. Não aprendeu a defender sua liberdade, seus direitos e garantias individuais. Assim, talvez precise viver de novo um regime de opressão e bagunça total das instituições para saber compreender a grandeza daquilo que teve e que jogou fora. Dado o cenário deprimente que assistimos, Lula não apenas está comprando a eleição de sua escolhida, mas usou seu governo para comprar a consciência cidadã da maior parte do povo. Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra. Antes dele, Anatole France afirmou que, se cinquenta milhões de pessoas dizem um disparate, aquilo não deixa de ser um disparate. Hitler foi eleito por imensa maioria do povo alemão para chegar ao poder, e Saddam Hussein chegou a gozar de 96% de aprovação. Deste modo, fica visto que nem o povo é dono da razão, tampouco a mentira contada aos milhões a faz se transformar em verdade. Urna nunca foi e jamais será tribunal. E o povo erra, como a história bem o demonstra.

Deixo aqui uma indagação para cada um responder para si mesmo: o PT nasceu dentro de São Paulo. A direção do partido conta com pessoas bastante públicas e conhecidas do povo paulista. Por que será que São Paulo insiste em deixar o PSDB no governo estadual e nunca deu votação maciça para os petistas? Porque alguma forte razão há de ser, e é justamente por saber bem quem eles realmente são...

Mesmo que Serra seja eleito, seu governo nasce sob o signo do ódio com que será visto e tratado por Lula e Cia. Não terá um minuto de sossego e suas iniciativas para correção do que está errado – e isto é o que não falta - serão inapelavelmente boicotadas pelo PT a mando de Lula.

Sendo eleita Dilma, e mesmo que receba 99,99% dos votos, não terá legitimidade para ser reconhecida como presidente do Brasil. Tanto ela quanto Lula e todo o ministério de seu governo, avançaram de forma vil sobre o estado de direito, sob as benções cúmplices da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. Os apoios políticos, conforme vimos informando ao longo da semana, são fruto de barganha financeira com o dinheiro da sociedade que está sendo usado não para o benefício da população, mas para comprar o passe livre do apoio cúmplice e fraudulento de um “tô contigo e não abro”. Assim, nem estas eleições são livres, dado os conchavos desenhados no submundo da política rasteira, nem são democráticas, dado que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral rasgaram sua missão e razão de ser, permitindo que o poder instalado mandasse para o inferno o estado de direito. Se, como o próprio Lula diz, que o povo já vive na merda pelos investimentos em saneamento que seu governo não fez, mas mentiu e gastou o dinheiro mesmo assim, a política se transformou na própria merda que encharcou, asfixiou e naufragou as instituições democráticas do Brasil. Não é apenas caráter que faltam aos homens públicos, de todos os níveis. Faltam-lhes, também, o senso moral, a decência e a responsabilidade para com a sociedade que está obrigada a sustentar-lhe, e com retorno ZERO.

Que façam bom proveito.

O mestre deu a partida

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Em entrevista ao jornal espanhol El País no início deste ano, o presidente Luiz Inácio da Silva manifestou convicção na vitória. "Dificilmente perco essa eleição", disse, a despeito de o adversário à época apresentar vantagem nas pesquisas.

Lula sabia do que estava falando: da disposição de usar e abusar de todos os métodos - quase infinitos - à disposição de um presidente da República para cavar o êxito que o levaria a bater recordes históricos de transferência de votos e a lograr espaço de honra no panteão dos presidentes eleitoralmente mais bem-sucedidos do Brasil.

Para isso decretou que sua prioridade absoluta no último ano de mandato seria eleger Dilma Rousseff. Paralisou o governo, mobilizou toda a administração na perseguição dessa meta, rasgou a Constituição, violou todas as regras da boa conduta, atacou violentamente a todos que enxergou como adversários.

Tão violentamente que governadores aliados ao governo e eleitos no primeiro turno criticaram direta e abertamente o presidente, atribuindo à sua conduta agressiva a perda dos votos suficientes para eleger Dilma no dia 3 de outubro passado.

Não é de estranhar, portanto, a atitude dos manifestantes petistas que ontem agrediram o candidato José Serra durante um ato de campanha na zona oeste do Rio de Janeiro.

Em 2002 o presidente recém-eleito Luiz Inácio da Silva agradeceu ao presidente que deixava o posto, Fernando Henrique Cardoso, a correção da atitude neutra à qual atribuiu, junto com a eficiência da Justiça Eleitoral, a sua eleição.

Oito anos depois, o presidente Lula faz o oposto do que considerava o melhor para o Brasil. Desqualifica a Justiça, afronta a legislação e usa de maneira escabrosa a máquina pública; sem freios nem disfarces.

Não há outra conclusão possível: Lula só leva em conta o que é melhor para si, já que passados esses anos certamente fez a conta de que a "correção" de FH fez o antecessor não eleger o sucessor.

Como não quer correr o risco, Lula apropria-se indevidamente do patrimônio público, comete todas as infrações à sua disposição, leva o governo para a ilegalidade e ainda se vangloria como quem dissesse que vergonha é roubar e não poder carregar.

O pior para ele é que com tudo isso ainda pode perder. O melhor para o País já foi feito quando o eleitorado criou esse espaço de confrontação final. Do qual o presidente da República abusa sem nenhum escrúpulo, aparentemente com a concordância do Ministério Público.

A tropa que entrou em choque com a campanha tucana no Rio fez o que o mestre ensinou: vale tudo e mais um pouco para tentar ganhar a eleição.

Mal contada.
O inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal de várias pessoas ligadas ao tucano José Serra ainda não esclareceu de todo o caso, mas já permite uma constatação: é falsa a versão de que aquelas violações resultaram de um esquema maior de compra e venda de sigilo dentro da Receita, conclusão que o governo acha menos grave que a motivação eleitoral.

Pois bem: pelo que diz Amaury Ribeiro (o jornalista que contratou a quebra de sigilo), a razão foi política. Segundo ele, em 2009 foi a São Paulo a custa do jornal Estado de Minas, onde trabalhava à época, para recolher dados para "proteger" o então governador de Minas, Aécio Neves.

Meses depois, alguém do PT roubou dele as informações e montou um dossiê para tentar prejudicar os tucanos.

Por enquanto a história não fecha direito e, pelo já visto, pode reservar emocionantes revelações.

Por exemplo: por que o jornal Estado de Minas mandou um repórter a São Paulo coletar dados com objetivo de "proteger" o então governador? E proteger do quê, de uma ofensiva de José Serra? Quem pagou pela quebra do sigilo: o jornal, o governo do Estado ou Amaury? Se Amaury foi roubado, o que fazia na reunião com o setor de "inteligência" da pré-campanha do PT onde se negociavam as informações que viriam a fazer parte do dossiê entregue em junho de 2010 ao jornal Folha de S. Paulo?

Golpe do Pré-Dilma

Sebastião Nery

RIO - Em 1954, Etelvino Lins, governador de Pernambuco, lançou a candidatura do general Cordeiro de Farias para seu sucessor, pelo PSD, contra João Cleofas, da UDN. Dizia-se que a eleição seria decidida pelo apoio do Partido Comunista, então muito forte em Recife e Olinda.

Surpreendentemente, o Partido Comunista apoiou Cleofas, udenista, usineiro e conservador, restos de velhas divergencias de Luis Carlos Prestes com Cordeiro, seu companheiro na Coluna Prestes. Mas deixaram o documento público para ser lançado nos últimos dias e causar mais impacto

Etelvino
Etelvino, experiente policial, que tinha sido delegado e era apelidado de “reitor da universidade da rua da Aurora”, onde funcionava a polícia, planejou um golpe em cima do apoio do PC a Cleofas.

Preparou uma edição fraudada da “Folha do Povo” com a manchete: - ”Prestes recomenda voto em branco”. Editado o jornal, igualzinho às outras edições da “Folha do Povo”, com material internacional da linha do PC, trechos de artigos publicados em edições anteriores, organizou um enorme esquema de distribuição para a própria polícia e grupos de menores jornaleiros fazerem a entrega numa só noite.

Prestes
Quando a edição verdadeira da “Folha do Povo”, com a palavra de ordem da direção do partido para o voto em Cleofas estava pronta e só faltava entrar na máquina para rodar, Etelvino mandou desligar toda a luz de Recife, uma noite inteira.

Os comunistas, desesperados, precisavam lançar o jornal na rua no dia seguinte, e, naquela mesma noite, as direções intermediárias do partido, os principais militantes, os outros jornais, a população de Recife e Olinda receberam a edição falsa com Prestes mandando votar em branco.

Sem DDD, sem acesso a Prestes, a campanha de Cleofas e a grande imprensa de Pernambuco não conseguiram desmentir a tempo a mentira.

Ganhou Cordeiro.

Pre-Sal
Algumas vezes Lula já apareceu nas TVs e jornais com as mãos e a cara meladas de petróleo do pré-sal e a Petrobrás anunciando que, por motivos técnicos e de segurança, “a exploração comercial do pre-sal só começaria no fim do ano ou começo do próximo ano”.

Agora, na véspera do segundo turno, o mesmo Lula e a mesma Petrobrás, em um comício em São José dos Campos, informaram que “a exploração comercial do pré-sal na área de Tupi, na Bacia de Santos, foi antecipada para entre os dias 27 e 29 de outubro” (Globo).

Por força da lei, a campanha eleitoral tem que terminar na sexta-feira, 29. Sábado não pode haver mais nada. Lula quer dar o golpe do prè-sal: transformar um ato publico de governo, na sexta-feira, no ultimo comício da campanha de Dilma. As TVs e jornais darão repercussão no sábado, misturando o pré-sal com Dilma e a oposição ficará impedida de contestar qualquer coisa, porque o dia 30 é véspera da eleição.

A Justiça Eleitoral vai permitir mais esse escárnio contra a lei? Lula pode tudo? Como dizia Janio, é um Judiciário ou um hímen complacente?

Bispos
Lula e Dilma estão histéricos contra os bispos da CNBB-2 e 1 (São Paulo e Rio) que assinaram nota dizendo que não se deve votar em quem “não é a favor da vida e é contra a proibição do aborto”. Conseguiram ordem judicial e apreenderam a nota numa gráfica de São Paulo autorizada pelo bispo de Guarulhos, porque “igreja não pode se meter em política”

Aqui nas esquinas da minha casa, na praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, dezenas de homens e mulheres distribuem 1,5 milhão de exemplares da revista “Folha Universal”, da “Igreja Universal” do Bispo Macedo, com a ultima capa inteira pedindo voto para Dilma. E com foto.

O “bispo” Macedo pode. Ele compra e paga em dólar.

Juventude
O governo diz que salvou o pais. A “Folha de S. Paulo” conta:

- “Cresce a taxa dos jovens entre 18 e 20 anos que não estudam nem trabalham. Eram 22,5% em 2001 e chegaram a 24,9% em 2009”.

Vox Populi (1)
Nas vésperas do primeiro turno, o Vox Populi dava 55% para Dilma e 23% para Serra. Dilma teve 47% e Serra 33%. De tão desmoralizado, foi descontratado pela Bandeirantes e pelo PT, que contratou o Ibope. Agora, o Vox Populi volta dando 51% para Dilma e 39% para Serra.

É um caso de Pinel ou de Bangu? E mal perguntando : quem compra essa gente é o governo, o PT ou os dois juntos?:

Vox Populi (2)
José Eduardo Dutra encontrou ontem José Eduardo Cardoso:

- Você viu a ultima pesquisa do Vox Populi?

- Não. Alguma novidade?

- Ela confirma a vitoria de Dilma no primeiro turno.

PV-2
Primeiro, foi o encontro, em São Paulo, do PV-1 (o Partido Verde da Marina). Depois, no Leblon, no Rio, o encontro do PV-2 (o Partido das Verbas). Tirante Niemeyer e mais um ou outro, o resto era tudo gente atrás de verbas para teatro, cinema, vender livros ao Ministério da Educação, etc.

A gestação do ataque a Serra começou com a agressão sofrida por Mário Covas

Augusto Nunes, Veja online





As milícias companheiras que agrediram fisicamente o candidato José Serra reprisaram em escala nacional a metodologia que o partido utiliza em âmbito estadual desde a virada do século. Na temporada grevista de 2000, o deputado federal José Dirceu, presidente nacional do PT, decidiu que as imunidades parlamentares se estendiam ao Código Penal ─ e fuzilou com o ímpeto que faltou ao guerrilheiro de araque o artigo 286: “Incitar, publicamente, a prática de crime”.

Foi o que fez ao afirmar que os adversários tucanos “têm de apanhar nas ruas e nas urnas”. Dias depois, o governador Mário Covas foi acuado e agredido por professores grevistas acampados na Praça da República, em São Paulo. Em 2010, como comprova o mesmo vídeo, a história se repetiu. Em outra manifestação nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, Maria Izabel Noronha, presidente do sindicato dos professores estaduais, incitou a plateia a transformar em alvo o governador José Serra. “Nós estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, gritou a companheira Bebel.

O segundo vídeo mostra o que aconteceu a Covas ─ e poderá acontecer a Serra caso os manifestantes tomem ao pé da letra a palavra-de-ordem da dirigente. A lei prescreve a pena de três a seis meses, ou multa, para quem incide no crime de incitação ao crime. Veja as cenas e responda: Dirceu merecia ou não a curta temporada na cadeia? E Bebel? Merece ou não merece?

Revejam em seguida as cenas do ataque a Serra. O elogio da radicalização recitado pelo chefe da tropa nos comícios diários deu nisso. Lula quer erradicar a oposição. Os milicianos parecem convencidos de que o método mais eficaz é o da eliminação física.






As marcas da máfia

O Estado de São Paulo

Quatro anos depois das primeiras evidências levantadas pelo Ministério Público do Estado sobre graves irregularidades na Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Bancoop), o promotor José Carlos Blat denunciou à Justiça, na terça-feira, o atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e cinco outros possíveis envolvidos. Vaccari presidiu a entidade entre 2005 e fevereiro último, depois de participar de sua diretoria desde a sua fundação - por Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT -, em 1996. O promotor pediu abertura de processo criminal contra o petista por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Dos principais escândalos que enlaçam companheiros do presidente Lula, é o segundo a chegar ao Judiciário. O primeiro foi o do mensalão, que tramita a passos lentos no STF. Outros mais recentes ou descobertos há pouco - a quebra do sigilo fiscal de aliados e familiares do tucano José Serra e as traficâncias da família da então ministra Erenice Guerra, a sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil - estão em fase de investigação ou sindicância. Pelo que parece ter sido apurado há suficiente material para levar os casos aos tribunais. O conjunto da obra retrata os padrões de atuação da máfia que se guia pela mentalidade do "é tudo nosso" - ou seja, do PT.

Desses múltiplos delitos, o da Bancoop foi o que fez mais vítimas diretamente - os 3 mil cooperados que caíram no conto da casa própria a preços 40% inferiores aos do mercado e mais 5 mil que não conseguem quitação ou escritura. Eles compraram na planta e foram pagando a prestações imóveis que jamais lhes seriam entregues, ou foram entregues sem condições de serem ocupados ou revendidos. Dos 55 empreendimentos oferecidos pela cooperativa, apenas 14 foram concluídos. Dezoito nem saíram do papel. Mas o dinheiro entrou. Os dirigentes da Bancoop, a começar de Vaccari, são acusados de deixar um rombo de R$ 168 milhões nas contas da entidade. "Uma parte foi para o PT", sustenta Blat.

Assim como o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, chamou a turma do mensalão de "sofisticada organização criminosa", o seu colega paulista concluiu que "a quadrilha que se estabeleceu na direção da Bancoop contava com sofisticada manipulação de dados dos balanços contábeis". Empresas fantasmas, por exemplo, teriam sido criadas para transferir dinheiro da cooperativa - sugado dos incautos mutuários - para bolsos pessoais e campanhas eleitorais petistas. No que deve ser a ponta de um iceberg, Blat identificou um repasse de R$ 200 mil para o PT. Provavelmente não se chegará a saber o total, parte dele provindo de saques em dinheiro na boca do caixa, somando R$ 31 milhões.

O escândalo da Bancoop voltou à tona enquanto surgiam novas informações sobre a tentativa de montagem de um dossiê contra o candidato José Serra - para o que se destinariam, afinal, as cópias das declarações de renda extraídas do Fisco - e o alcance das movimentações do grupo de Erenice Guerra no âmbito do governo. Segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal apurou que um jornalista ligado à pré-campanha de Dilma Rousseff, Amaury Ribeiro Júnior, encomendou a um despachante, por R$ 12 mil, a compra de dados sigilosos de parentes de Serra e membros do PSDB. O PT custeava a hospedagem do jornalista em Brasília. Fim da fábula de que ele servia a rivais tucanos de Serra.

Já a sindicância do governo sobre o grupo de Israel Guerra, filho da ex-ministra, parece ter feito algum progresso, embora não fique pronta antes do segundo turno. Verificou-se que a patota de Israel usou também funcionários e equipamentos da Secretaria de Assuntos Estratégicos e do Gabinete de Segurança Institucional, ambos da Presidência da República, em suas operações de lobby. Um novo nome suspeito de envolvimento com o esquema é o do assessor da Casa Civil, Gabriel Laender. Procurador de Justiça no Espírito Santo, advogara para a empresa da qual o marido de Erenice era diretor. No ano passado, passou a trabalhar no governo. Quem o nomeou foi Dilma Rousseff.

Os nazistas estão nas ruas! Serra é agredido no Rio. O chefe da facção é o presidente da República

Reinaldo Azevedo

Quando aquele grupo de fascistas foi constranger os donos da gráfica Pana — que imprimia o material da Diocese de Guarulhos e que também havia trabalhado para petistas —, afirmei que as tropas de assalto dos nazistas estavam nas ruas; comparei a ação do grupo aos métodos da Sturmabteilung, a SA de Ernst Röhm, do tempo em que o nazismo não havia ainda se profissionalizado. Exagero? Eu apenas submeto a uma projeção aquilo que no petismo é ainda incipiente, imaginando, a partir de dados que eles próprios me fornecem , até onde podem chegar.

Hoje, um destacamento da Sturmabteilung (SA) agrediu o tucano José Serra. Agressão física mesmo! O candidato caminhava com partidários e aliados pelo calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, quando se deparou com um grupo de militantes petistas, organizado com a finalidade exclusiva de constranger os tucanos e lhes tirar o direito constitucional de ir e vir. O pessoal da SA tentou impedir a passagem da social-democracia. Houve enfrentamento. Uma bobina de papel atingiu a cabeça de Serra, que chegou a ficar um pouco zonzo e teve de ser atendido no hospital Sorocaba. Pedras foram lançadas contra o grupo, que era acompanhado por repórter que cobriam a caminhada.

Quem é o (i)rresponsável por isso? Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República, cuja retórica de palanque simula uma guerra. Foi ele que, ao abandonar qualquer princípio de decoro a que sua condição obriga, ao renunciar à liturgia própria do cargo para se dedicar à campanha eleitoral mais rasteira, arrastou a disputa para o confronto de rua. Com uma diferença: só os seus brutamontes agridem.

Hoje, exercendo o seu papel predileto, o de vítima, Lula anunciou que a Polícia Federal está investigando ligações de telemarketing contra Dilma. Espero que a PF não esteja, também ela, a serviço do PT. Ou Lula não vai pedir que a polícia investigue os panfletos apócrifos contra Mônica Serra encontrados no QG petista?

Recorrendo à única metáfora em que consegue se expressar com alguma clareza teórica, afirmou: “O jogador que quer disputar um título mundial, ele não vai ficar rebolando dentro do campo. Ele vai jogar para marcar gol. Ele vai tirar a bola do adversário. Agora, isso tem de ser feito, mas o baixo nível que a campanha está tomando é uma coisa”. Não sei o que quer dizer direito, mas o certo é que esse jogo não supõe tentar quebrar a cabeça do adversário.

A retórica do presidente sempre foi e continua a ser a de um chefe de facção. E sua tropa de choque está nas ruas obedecendo, na prática, ao comando do chefe.

BANCOOP: o paraíso fiscal (e ilegal) da máfia petista

Comentando a Notícia

Texto de Flávio Ferreira, para a Folha de São Paulo (ver post abaixo), informa que o promotor José Carlos Blat apresentou à Justiça denúncia contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, sob a acusação de envolvimento em desvios da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) em favor de ex-dirigentes da cooperativa e para o caixa dois do partido.

Nos posts abaixo, vocês têm a narrativa completa de como se construiu e se manteve o paraíso fiscal do PT, de onde provinham recursos para compor não apenas caixa 2 de campanha, mas, principalmente, para bancar operações (compra de dossiês, por exemplo) de terrorismo eleitoral que, em casos como este, exigem dinheiro ilegal, muito dinheiro.

A BANCOOP, por conta destas operações fraudulentas, acabou lesando dezenas de famílias que um dia sonharam com sua casa própria e que, apesar do pagamento, ficaram na mão. E atenção: os lesados não gente da eleite, ricos empresários. São gente simples que Lula jura defender. Nem por isso, impediu que dezenas de famílias fossem roubadas e engenadas.

O que me espanta é o fato da pouca repercussão que o assunto teve na imprensa, uma vez que este grave crime foi cometido por gente graúda do PT e em favor do partido.

Também, vocês vão ver que, apesar das ameaças e pressão sobre o promotor, sua tenacidade e, acima de tudo, sua honestidade e ética profissionais, conduziram a investigação com uma dedicação impressionante, reconstituindo um crime que atinge o PT em cheio.

E não pensem que este paraíso fiscal que alimentou o caixa 2 das campanhas petistas seja mera transgressão. Coisa menor que todos os partidos fazem. A coisa é muito pior e revela um pouco do que também se passa – pelos mesmos métodos – no covil que a Casa Civil foi transformada no governo Lula, e por seus três ocupantes, inclusive a candidata governista, Dilma Rousseff. Sobre a atuação desta senhora, já fiz aqui um relato bem detalhado dos inúmeros casos mal resolvidos em sua administração. José Dirceu, que lhe antecedeu no posto, era o chefe da quadrilha do mensalão. Mas Dilma soube aperfeiçoar um sistema de tráfico de influência como nunca antes se ouvira falar. Não por acaso, Erenice Guerra, seu braço direito e sucessora, precisou ser rifada para não comprometer a campanha eleitoral da “amiga”.

Como afirmo no artigo com que encerrarei a edição de hoje, dado o enorme número de ilegalidades cometidas pela campanha de Dilma, esta eleição não cheira apenas a fraude: cheira a ilegitimidade. O Brasil vai ter que suportar tragar uma presidente que lhe está sendo empurrado goela abaixo, sem saber de quem se trata e do que já fez em passado recente e remoto. É preciso que a sociedade saiba que, quem vai governar, não é Lula, nem a mulher que o Lula escolheu. É Dilma Rousseff, sem maquiagens, sem botox marqueteiro, e quem lhe dará suporte político é um partido que age nas sombras do poder, e nele se mantém às custas de dinheiro criminoso, e ações ilegais.

Bancoop: engenheiro revela as instruções para desvio

Comentando a Notícia

Segue texto da Veja online. Comento em seguida.

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Em depoimento prestado ao Ministério Público, Ricardo Luiz do Carmo, engenheiro responsável pelas obras da Bancoop, afirmou que, durante a campanha eleitoral de 2002, foi chamado até a sede da cooperativa, onde recebeu instruções para recolher de empreiteiros contribuições financeiras para campanhas eleitorais do PT.

O engenheiro afirmou ter se negado a abrir conta corrente em seu nome para recebimento de tais doações. No depoimento, Carmo relata que os dirigentes da Bancoop afirmaram o seguinte: “Se as doações fossem feitas pelos empreiteiros, após as eleições presidenciais e caso Lula fosse escolhido, a Bancoop e os empreiteiros seriam beneficiados com mais empreendimentos e obras”.

O engenheiro afirmou que deu aval a notas fiscais frias. Contou também que os empreiteiros se dirigiam até a Caixa Econômica Federal, realizavam saques e repassavam os valores em dinheiro para Hélio Malheiro, então presidente da entidade.

Carmo contou que viu na sede da Bancoop uma nota fiscal da Mizu, uma das empresas investigadas no caso, no valor de 500.000 reais emitida em razão de consultoria de construção civil. “(...) O que o depoente estranhou, porque tal valor estava sendo pago enquanto os empreiteiros recebiam muito menos, isto quando tais empreiteiros recebiam da Bancoop(...)”, relata o depoimento.

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*****COMENTANDO A NOTÍCIA:
Talvez, na hora em que a sociedade tome consciência, de quem está sendo empossado na presidência, seja tarde demais. Contudo, e porque urna não é tribunal, os crimes permanecerão todos aí, a espera que um Poder Judiciário leniente resolva condenar e punir os criminosos.

O alvoroço todo que Lula, seu ministério e a militância partidária estão fazendo nestes últimos dias, criando fantasmas e tornando “fatos” o que não passa de intriga e calúnia, é o com o propósito específico de, no berro, ocultar seu longo rosário de crimes. Alguns destes crimes, inclusive, que vieram à tona na última semana como a extorsão dentro da Casa Civil (covil igual nunca se viu) a um deputado, as relações perigosas e criminosas do Cardeal da Dilma, além das violações de sigilo que se tenta, agora, mudar o curso da história, ligando um crime do comitê de campanha a um inventado interesse de Aécio em complicar a vida de Serra. Isto, aliás, tem a cara do PT. Nas reportagens e artigos que aqui publicamos sobre o histórico de dossiês petistas, gente que esteve enfronhada nos crimes, contou em detalhes e minúcias sobre a capacidade destes bandoleiros em praticar crimes e fazer parecer que os culpados foram outros, quando não muito, as próprias.

De minha parte já disse que façam bom proveito. Do jeito que se encontram as instituições brasileiras, não vejo, no curto prazo, meio do país se livrar do partido organizado para o crime e instalado no poder. Como, ainda, diante de uma classe política impregnada de corrupção e uma sede e volúpia insaciáveis de se servir e se beneficiar do Estado ao invés de pôr ele trabalhar, não vejo um claro caminho de saída.

É evidente que parte da sociedade não rendida, nem vendida, que não se submeteu ao regime militar, também não se submeterá a república de bananas que o PT está implantando, um arremedo de democracia representativa, sem poderes divididos - já que concentrado em uma única instituição - porque, de resto, todo o restante está sem força de reação diante do inimigo da democracia e das liberdades e garantias individuais.

Leiam as reportagens e conheçam um pouco dos meandros criminosos pelos quais o PT se articula para se manter no poder. É bom lembrar, e isto a reportagem da Veja não deixa a menor dúvida: o dinheiro criminoso já alimentou as campanhas de Lula em 2002 e 2006.

Nos links de reportagens sobre o tema já publicados pelo blog. (Aqui, aqui e aqui.)

Segue o texto da Folha sobre a apresentação da denúncia à Justiça.

Promotor apresenta denúncia contra tesoureiro do PT por desvios da Bancoop

O promotor José Carlos Blat apresentou à Justiça denúncia contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, sob a acusação de envolvimento em desvios da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) em favor de ex-dirigentes da cooperativa e para o caixa dois do partido.

Blat está divulgando a acusação formal na CPI da Bancoop, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ele disse que Vaccari e os outros ex-dirigentes acusados formaram uma "organização criminosa".

Segundo o promotor, os denunciados usaram várias empresas que tinham como sócios ex-diretores da cooperativa para cometer as irregularidades.

Blat afirmou que os acusados usaram cerca de R$ 100 mil para pagar hospedagens em hotel de luxo de espectadores para a etapa brasileira da Formula 1 em São Paulo.

Ele disse ainda que os desvios e prejuízos causados pelos acusados à Bancoop somam R$ 170 milhões. Os ex-dirigentes foram denunciados por lavagem de dinheiro e 1.633 operações que configuraram estelionato.

Segundo Blat, também há indícios de repasses indevidos da cooperativa para um centro espírita e uma instituição de caridade. Se a Justiça aceitar a denúncia, os acusados passarão a ser réus em um processo criminal.

BANCOOP: A casa caiu

Laura Diniz, Revista Veja


O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa

Montagem sobre foto
Jose Meirelles Passos/ Ag. O Globo

NÃO É SÓ A BARBA QUE LEMBRA O ANTECESSOR
João Vaccari, o novo tesoureiro do PT, é o homem por trás do esquema Bancoop,
diz o Ministério Público

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína (veja depoimentos abaixo). Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002." Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE). Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais.

Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006. Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República (veja o quadro). VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula. Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."

Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas. Entre os cheques em poder do MP, por exemplo, está um em que a empresa Mizu, de "consultoria contábil", doa 7 000 reais a um certo Centro Espírita Redenção, em 2003. Muitas vezes, dirigentes da Bancoop nem se preocuparam em usar as empresas "prestadoras de serviços" que montaram com o objetivo de sugar a coo-perativa para esconder sua ganância. O MP encontrou quatro cheques da Bancoop, totalizando 35 000 reais, para uma ONG de Luiz Malheiro em São Vicente dedicada a deficientes auditivos – curiosamente, o mesmo endereço do centro espírita. Os cheques foram emitidos entre novembro de 2003 e março de 2005.

Tanta lambança, aliada a uma gestão ruinosa, fez com que a Bancoop mergulhasse num estado de pré-liquidação. Em 2004, com Lula já eleito, Luiz Malheiro foi pedir ao "chefe" Berzoini, então ministro do Trabalho, "ajuda" para reerguer a cooperativa. Quem relatou o episódio ao MP foi seu irmão, Hélio Malheiro. Em 2008, dizendo-se sob ameaça de morte, Hélio Malheiro ingressou no Programa de Proteção à Testemunhas da secretaria estadual de justiça de São Paulo, no qual se encontra até hoje. Em dezembro de 2004, depois que Luiz Malheiro já havia morrido, a "ajuda" chegou à Bancoop. Com apoio de Berzoini e corretagem da Planner (investigada pela CPI dos Correios sob a acusação de ter causado um prejuízo de 4 milhões de reais ao fundo de pensão da Serpro), a cooperativa associou-se a um Fundo de Investimentos em Direito Creditórios (FIDC), entidade que negocia recebíveis, e captou 43 milhões de reais no mercado – 85% dos papéis foram adquiridos por fundos de pensão de estatais controlados por petistas ligados ao grupo de Berzoini e Vaccari. O investimento resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Federal por suspeita de que os fundos de pensão teriam sido prejudicados para favorecer a Bancoop.

O PROMOTOR BLAT
"A Bancoop virou organização criminosa"

João Vaccari Neto é do tipo que se orgulha de ser chamado de "um petista histórico", o que, no jargão do partido, significa, entre outras coisas, que ganhou boa parte da vida dirigindo entidades de classe e do partido. Aos 19 anos, começou a trabalhar como escriturário do Banespa. Ficou lá apenas dois anos. Depois disso, entrou no sindicato de sua categoria e nunca mais pegou no pesado. Participou de três diretorias da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi secretário de relações internacionais da entidade e presidiu o Dieese. Atuou sempre como braço de apoio de Berzoini, a quem sucedeu na presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998. Apesar de não ter a projeção política do amigo, Vaccari conquistou a amizade de Lula, coisa que Berzoini jamais conseguiu obter. Vaccari, como mostra agora a investigação do MP, tem mais em comum com seu antecessor, Delúbio Soares, do que a barba grisalha. E, como Freud Godoy, está mergulhado até os últimos e ralos fios de cabelo no escândalo dos aloprados (veja o quadro abaixo).

Há duas semanas, um juiz de primeira instância contrariou de-cisão do Tribunal Superior Eleitoral e determinou a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por suposto recebimento ilegal de doação de campanha. A sentença, que colocou em risco a segurança jurídica, foi suspensa. Na semana passada, o TSE divulgou as regras que vão orientar as eleições deste ano. São medidas moralizadoras, que incluem a obrigatoriedade da divulgação de quaisquer processos ou acusações criminais que pesem sobre o candidato e que dificultam manobras de doadores que tenham por finalidade esconder a origem do dinheiro. Tudo isso mostra quanto o país está interessado em aprimorar seu sistema de financiamento eleitoral e proteger-se dos efeitos tão deletérios como conhecidos que sua distorção pode causar. Ao indicar pessoalmente alguém com o prontuário de João Vaccari para tomar conta das finanças do PT e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente Lula sinaliza que, ao contrário do resto do Brasil, não está nem um pouco empenhado em colaborar na faxina.

O PAVOR DO DESPEJO
"O sindicato sempre foi um defensor da minha classe. Por isso, na hora de fazer um financiamento com eles, não tive dúvidas. Comecei a pagar um apartamento de 45 000 reais em 1997. Suei para honrar as prestações. Vendia coxinha e bolo para complementar a renda. Esse imóvel representava muito para a minha família. Onde morávamos, meus filhos dormiam na sala. Em 2000, quitei o apartamento e nós nos mudamos. Seis anos depois, porém, passei a receber boletos com o valor de 470 reais. Eles diziam que precisavam cobrir gastos excedentes. Até pagaria, se pudesse. Mas a minha renda era de 600 reais. Em 2008, a Bancoop entrou com uma ação de despejo contra mim. Ela não foi concluída, mas, desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes."
Maria de Fátima Bonfim, de 55 anos, bancária aposentada

CALOTE DUPLO
"Conheci a Bancoop em 2004, quando vi uma placa de propaganda em frente a um terreno vazio. Eles iriam construir um imóvel perto da minha casa. Achei a oportunidade ótima: o preço era bom e a instituição tinha credibilidade. Demos nossa economia de 10 000 reais de entrada e passamos a pagar as prestações. Alguns meses depois, porém, desconfiei do empreendimento. Eu passava em frente ao terreno e não via nenhum pedreiro lá. Diziam sempre que a construção estava para começar. Não acreditei e consegui transferir o dinheiro que havia investido para outro imóvel deles. Dessa vez escolhi um local cuja construção já estava pela metade. Como fui inocente... Esse imóvel também nunca foi concluído. Empatamos 80 000 reais nessa história. Não confio mais nas instituições."
A advogada Tânia de Oliveira, de 42 anos, com o marido, Heleno, e a filha Helena

SEM FORÇAS
"Aos 43 anos, decidi dar um grande passo: comprar meu primeiro imóvel. Usei os 20 000 reais que havia juntado e entrei no financiamento de um apartamento de 60 000 reais. As prestações eram metade do meu salário. Um dia, recebi uma cobrança extra de 1 800 reais. Seria a primeira de muitas. Tive de tirar um empréstimo bancário. Em dois anos, estava endividado, mas havia quitado meu imóvel. Sentia-me orgulhoso – jamais atrasei uma parcela. Mas em 2005, enquanto esperava o sorteio das chaves, soube que a Bancoop não estava honrando seus compromissos com muitos cooperados. Eu era um deles. Meu imóvel nunca saiu do chão. No início, briguei, participei de protestos vestido de palhaço. Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças."
Oscar Costa, 52 anos, bancário aposentado

Uma pergunta que continua no ar

Quem deu o dinheiro para o dossiê dos aloprados? Entre os envolvidos, Vaccari era o único sentado numa montanha de reais


Patricia Santos/AE
A TROCO DE QUÊ?
Lacerda (à dir.) ligou para Vaccari uma hora depois de
entregar o dinheiro que pagaria o dossiê

João Vaccari Neto e Freud Godoy, envolvidos agora no esquema Bancoop, já atuaram juntos em passado recente. Pelo menos é o que sugere o registro dos telefonemas trocados pela dupla às vésperas do estouro do escândalo dos "aloprados" – como ficaram conhecidos os petistas apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha que tentou comprar um dossiê supostamente comprometedor para tucanos durante a campanha presidencial de 2006. No caso de Vaccari, então presidente da Bancoop, os vestígios de participação no caso guardam cheiro de tinta fresca. Foi para ele que Hamilton Lacerda – na ocasião coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante – telefonou uma hora antes de fazer a entrega de parte do 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê.

O episódio teve início quando a família de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, ofereceu a petistas documentos que supostamente comprometeriam tucanos. Deles, faria parte uma entrevista em que os Vedoin acusariam o candidato do PSDB, José Serra, de envolvimento na máfia que distribuía dinheiro a políticos em troca de emendas ao Orçamento para compras de ambulância. Ricardo Berzoini, então presidente do PT, foi acusado de ter dado a autorização para a compra do dossiê. Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, seriam os encarregados de pagar os Vedoin com o dinheiro levado por Hamilton Lacerda. Valdebran e Gedimar foram presos pela PF num hotel Íbis, em São Paulo, depois de terem recebido o dinheiro de Lacerda e antes de entregá-lo aos Vedoin. Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, e Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho, também estiveram envolvidos no episódio. Eles tentaram negociar com a revista Época uma entrevista em que os Vedoin fariam falsas acusações de corrupção contra Serra. A entrevista acabou sendo publicada pela revista Istoé.

Nas investigações que se seguiram à prisão de Valdebran e Gedimar, a PF identificou uma intensa troca de telefonemas entre os envolvidos, incluindo diversas ligações de Berzoini para a empresa Caso Sistemas de Segurança, hoje em nome da mulher de Freud Godoy. Godoy seria o contato de Gedimar no alto escalão do PT. Quanto a Vaccari, bem, até onde se sabe, era o único dos aloprados que estava sentado sobre uma montanha de dinheiro, a Bancoop. O fato de Hamilton Lacerda ter ligado para ele logo depois de ter cumprido a sua missão faz fervilhar a imaginação dos que até hoje se perguntam: de onde, afinal, veio o dinheiro dos aloprados?

Fotos Celso Junior/AE

ALOPRANDO
Lorenzetti (à dir.) e Gedimar (À ESQ.): a trapalhada terminou
m prisão. Mas agora eles estão livres, leves e soltos



PT tenta adotar no Ceará teses da Confecom sobre controle da mídia

Carmen Pompeu - O Estado de São Paulo

Projeto que cria Conselho de Comunicação Social foi aprovado na Assembleia por unanimidade e vai sanção do governador

A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, por unanimidade, projeto que cria o Conselho de Comunicação Social do Estado (Cecs). Conforme o texto, o conselho vai integrar a Secretaria da Casa Civil do Estado, tendo por finalidade formular e acompanhar a execução da política estadual de comunicação, exercendo funções consultivas, normativas, fiscalizadoras e deliberativas.

De acordo com autora do projeto, deputada Rachel Marques (PT), a proposta foi formulada a partir das deliberações das conferências estaduais e da 1.ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). "Na Confecom foi proposto que o conselho seja órgão integrante da Secretaria da Casa Civil do Estado e que seja formado pelo poder público, sociedade civil/usuários e empresários", justificou Rachel.

Programa de Dilma. Entre as resoluções aprovadas pela 1.ª Confecom, promovida por iniciativa do governo federal, estavam iniciativas patrocinadas por setores do PT, cujo objetivo é estabelecer o controle dos meios de comunicação. Suas teses chegaram a integrar o programa de governo da presidenciável petista, Dilma Rousseff, apresentado ao TSE por ocasião do registro de sua candidatura, mas foram retiradas.

Segundo Raquel, o objetivo da criação do conselho é formular e acompanhar a execução da política estadual de comunicação, dentro do que estabelece a Constituição sobre liberdade de expressão. Para entrar em vigor, ainda precisa ser sancionada pelo governador Cid Gomes (PSB).

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, Claylson Martins, disse que vai trabalhar para viabilizar a atuação do conselho, por meio de audiência a ser marcada com o governador Cid Gomes (PSB). A Câmara Municipal de Fortaleza também poderá propor a criação de um conselho municipal com as mesmas finalidades, segundo antecipou o vereador Acrísio Sena (PT).

As vantagens da privatização satanizada por Dilma

Ricardo Setti, Veja online 

Privatização da Telebrás: benefícios para o país

A privatização continua, na atual campanha eleitoral, sendo satanizada pela presidenciável Dilma Rousseff (PT), que “acusa” o adversário José Serra (PSDB), como se se tratasse de um crime, de haver sido “cúmplice” das privatizações — altamente benéficas para o país — realizadas nos governos dos presidentes Itamar Franco (1992-1995) e, sobretudo, Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

Serra, por sua vez, embora tenha passado a admitir que as privatizações existiram e até a dar bons exemplos de seus bons resultados — como a radical, extraordinária melhora de que o país se beneficiou no campo da telefonia –, ainda foge do tema como o vampiro da luz.

É uma pena que o debate se trave em termos tão rasteiros, primários, quando o que os dois candidatos deveriam estar discutindo, para começo de conversa, qual deve ser o papel do estado no Brasil.

DISCUSSÃO AUSENTE DA CAMPANHA: PARA QUE DEVE SERVIR O ESTADO? — Deve o estado focar-se no que, desde o início do conceito de “estado nacional”, tem sido sua função — entre muitas outras funções, propiciar antes de mais nada segurança aos cidadãos (o direito à vida e à incolumidade física), garantir as liberdades públicas, aprovar e fazer cumprir as leis, arrecadar impostos e combater a sonegação, administrar justiça (Judiciário), promover e universalizar educação e saúde públicas de qualidadevia e fiscalizar, mediante agências reguladoras, áreas importantes de atividades como energia, telecomunicações, saúde, planos de saúde etc?
Ou, além de tudo isso, deve também produzir bens e serviços — coisa que nenhum estado avançado no mundo tem hoje como objetivo?

Essa discussão não está se travando onde deveria ser travada: nos debates Dilma x Serra.

Então, como parte do dever da imprensa, e neste modesto espaço, o blog vai começar a fazê-la para seus leitores.

Pretendo aprofundar o tema, com dados e cifras concretos, em futuros posts.

IMPULSIONOU O REINO UNIDO E A ESPANHA — Por hoje, defenderei a privatização com instrumento de transformação que levou progresso e modernidade onde quer que tenha sido bem aplicado, a começar pelo Reino Unido que, de potência em frangalhos, decadente e de economia obsoleta, em meados dos anos 70, foi novamente catapultado a ator central na cena econômica mundial, passando pela Espanha, país que estava à margem da história e, com a redemocratização, a partir de 1976/7/8, deu um exemplo ao mundo de transição de uma ditadura para uma democracia. Adicionalmente, a partir dos 14 anos de governo do socialista Felipe González (1982-1996), lançou mão da privatização para tornar-se uma economia próspera e dinâmica, quase um “tigre europeu” — até ser atingida pela crise financeira global de 2008, que já é uma outra história.
Cosipa: antes da privatização,
um prejuízo diário de 1 milhão de dólares

ALGUMAS VANTAGENS DA PRIVATIZAÇÃO — Por hoje, então, citarei algumas vantagens da demonizada privatização com a qual o governo:

1. Livra-se do peso representado por milhares de funcionários de cada estatal — salários, contribuição ao INSS e/ou ao fundo de pensão da empresa e todos os demais encargos trabalhistas.

2. Livra-se dos prejuízos que a maioria delas provocava, poupando o Tesouro Nacional. A Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), estatal federal situada em Cubatão (SP), causava em 1993, no período anterior à sua privatização, um prejuízo diário — repito, diário — de 1 milhão de dólares ao tesouro, além de estar sucateada e obsoleta.

Com sua privatização, e também da Companhia Siderúrgica Nacional e outras, o Brasil é hoje forte competidos no mercado mundial de siderurgia, empresas brasileiras adquiriram concorrentes no exterior, inclusive nos Estados Unidos, e as exportações do setor enriquecem a balança comercial brasileira e arrecadam fortunas para o Tesouro.

3. Livra-se da necessidade de investir constantemente em novas tecnologias, novos equipamentos e tudo o mais que envolve a manutenção da competitividade. Como a maioria das estatais não gera resultados suficientes para investir, lá vai novamente o Tesouro Nacional comparecer. Depois de privatizada, a ex-estatal Embraer, cujas necessidades de investimento o governo não tinha como ataender, é um dos quatro gigantes mundiais na fabricação de aviões e tem fábrica até na China.

Depois da privatização,  a Embraer virou um dos
quatro gigantes mundiais na fabricação de aviões

4. Livra-se necessidade de, com frequência, investir simplesmente para manter o controle acionário da empresa a cada vez que ela necessita aumentar o capital.

5. Livra-se da influência política sobre a empresa: políticos sempre querem cargos gordos em estatais, e como regra regal não indicam os mais competentes, mas os que mais atenderão aos interesses do respectivo partido ou corrente política. Vejam o caos e a corrupção que grassa nos Correios, empresa até há poucos anos exemplar e altamente valorizada pelos brasileiros em pesquisas de opinião.

6. Vê a empresa, mais próspera, mais ágil, mais eficaz, criar mais empregos privados. Essa massa salarial vinda da iniciativa privata ajuda a aumentar o consumo, recolhe corretamente a contribuição para o INSS e contribui para fazer girar mais rapidamente a economia.

7. Passa a arrecadar, e muito, impostos — inclusive o imposto de renda — que as empresas atrasavam, sonegavam ou não propiciavam, quando davam prejuízo, sem todos os ônus que representa precisar gerir uma empresa que não é atividade-fim do estado.

Todos os recursos resultantes do que o governo deixa de investir e de perder produzindo bens e serviços por meio de suas empresas, somado ao que ele embolsa com a venda das empresas, serve para reduzir a dívida pública — objetivo primordial das privatizações em todos os países sérios — e o capacida a investir, agora sim, no que são os objetivos finais e verdadeiros da ação estatal: segurança, Justiça, saúde, educação e por aí vai.

Funcionário da CSN conta como a empresa, privatizada, melhorou
Amigos, acabo de receber comentário do leitor Maury (vou omitir o sobrenome), ex-funcionário da ex-estatal Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda (RJ), que aborda o post publicada acima e que fala por si mesmo.

Ele certamente poderia citar muitos outros benefícios da privatização da empresa, que, após uma fase de desconfiança e de agressividade, é hoje apoiada por toda a comunidade de Volta Redonda, incluindo sindicatos e lideranças que antes a combatiam. Vejam que disse o Maury:

“Concordo plenamente com seu comentário, principalmente em relação à Companhia Siderurgica Nacional, à qual servi durante 15 anos.

No meu dia a dia, via o desperdicio de material, o espantoso almoxarifado para peças de reposição.

Hoje em dia é tudo exugado, ela paga os impostos previstos ao governo e não houve desemprego e sim acomodações, pois quem foi demitido por ela voltou a trabalhar nela através de empreiteiras, muitas vezes com melhor salário.”