Adelson Elias Vasconcellos
Não é de hoje que chamo Lula da Silva, a pessoa, não o presidente que é uma instituição da sociedade, não é propriedade do PT nem tampouco de Lula, de cachorro louco. O homem não pode ver palanque que se desespera. Perda a decência, a compostura, o decoro, a moral, os bons modos. Tudo. Joga no lixo qualquer resquício de valor capaz de engrandecer um ser humano.
Pena eu não ter tempo hábil para juntar todos os jornais, recortar todos os seus discursos e, num futuro mais a frente, reuni-los e publicá-los. Acredito que nem ele próprio se convenceria de ser sido capaz de dizer as bobagens e injurias que pronunciou.
Desde que iniciou a campanha neste ano, parece que o diabo tomou conta do corpo e da mente de Lula. Seus discursos destilam não apenas ódio, mas um fel amargo, maldoso, mesquinho, indecente e incandescente. Se a militância petista se deixassem impregnar pelo destempero de Lula, esta campanha teria se transformado em pancadarias físicas em cada esquina. Contudo, Lula ser quem é, os fatos e a história recente estão aí para comprovar, não chega a ser novidade para ninguém. Ninguém que eu digo, aquelas pessoas dotadas de um mínimo de senso crítico, bem centradas, emocionalmente equilibradas. Não estes lacaios que bebem da seiva até se estiver envenenada.
Este destempero de cachorro louco do Lula, por outro lado, impregna os sentidos e o pensamento de sua militância. Já disse: é impossível debater com um petista minimamente num tom civilizado e decente. Visitem alguns sites espalhados pela internet, e deem uma olhada no campo de comentários. Vocês sentirão calafrios com cada coisa que ali se escreve. Esta é, aliás, a principal razão para os bons blogs e alguns sites instalarem um moderador para os comentários. Ninguém gosta de ter seu espaço invadido por lixo moral.
Creio que há uma semana publiquei aqui um acontecimento – o melhor dizer aborrecimento – ocorrido na saída de uma igreja no Ceará quando a militância petista, em razão de ali encontrar-se José Serra, foi para a porta da igreja criar tumulto. Menos mal que, por se tratar de igreja, a turma sossegou o facho e não aumentou a confusão até o ponto de delírio.
Contudo, hoje, no Rio de Janeiro, Serra não teve a mesma sorte. Não havia igreja para impedir que um grupo de selvagens partisse para a pancadaria que só não ficou pior porque a militância tucana preferiu esfriar os ânimos.
Este quadro que vemos nesta campanha representa bem o que tem sido o PT ao longo da história. Na oposição, sabotou e boicotou todos os governos democráticos que o antecederam no poder. Mas não uma oposição equilibrada, decente, feita com princípios legais, etc. O PT sempre apostou no quanto pior, melhor. Mentira talvez seja o traço de caráter mais visível nestas personalidades doentias e pré-históricas.
No poder, já perdemos as contas das lambanças em que a turma se meteu. E não foram pouca coisa, não. Passam de CEM o número de diferentes crimes cometidos por petistas. Tirando a turma do mensalão que, pelo andar da carruagem periga terminar em nada, lá se vão mais de cinco anos e nada do processo andar, nenhum está preso, condenado ou cumprindo pena. Todos leves, soltos e impunes.
Pois bem, aumentando ainda seu teor de raiva e de ódio por ver frustrada sua tentativa de liquidar a fatura à sua sucessão ainda no primeiro turno, Lula não teve dúvidas: se antes já atropelava as leis, agora, ri, faz pouco caso, debocha e ainda mete o pau no TSE. Incita sua militância a partir prô pau. E interrompeu o cumprimento de suas funções de Chefe de governo para, junto com seu ministério, fazerem apenas campanha, dentro e fora do horário de expediente, dentro ou fora dos palácios da república ou de qualquer prédio público. Enviam emails usando sistema federal de ensino superior incitando reitores e professores, afora o uso descarado da estrutura funcional das estatais, além de utilizar o dinheiro do orçamento para cooptar políticos alinhados à oposição. Dane-se a governabilidade, prô inferno o interesse maior do país. O importante é rosetar e delinquir.
No sábado, quando o juiz eleitoral Henrique Neves, de forma reprovável, acatou o pedido do PT para apreensão do manifesto mandado publicar pela Diocese de Guarulhos, com o emprego de força policial, deu a senha que o partido precisava para a bandalheira correr solta. Foi o último capítulo para fechar o círculo da campanha mais asquerosa que o Brasil já assistiu. Nunca, jamais a estrutura do Estado foi tão mobilizada, de forma completamente ilegal, em favor de uma candidatura, como nesta campanha. A culpa é do Lula? Sim, foi ele quem juntou tudo, Estado, governo e partido num mesmo balaio e desandou a atropelar os limites impostos por lei.
Porém, quebrado o equilíbrio que a legislação exige para a legitimação de qualquer eleição livre e democrática, a ilegitimidade desta eleição deve ser imputada apenas a duas instituições: o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral. Ambos se omitiram cínica e vergonhosamente de suas missões. Provavelmente, o senhor Lewandowski, na antevéspera do pleito de 31 de outubro, virá em cadeia nacional fazer algum pronunciamento. De minha parte, desligarei imediatamente. Nada do que este senhor tenha para dizer merece crédito. Nada do que tenha para afirmar tornará menos ilegítima esta eleição, independente de quem a vença. Sua atuação é pífia, ridícula, patética, negligente. No mesmo sentido, a turma do Ministério Público Eleitoral. O que não faltaram nestas eleições foram crimes eleitorais, em todos os níveis e duvido que resulte na condenação dos culpados. DUVIDO.
Podemos resumir no seguinte: a campanha eleitoral foi para as calendas, é o jogo do vale tudo, porque se temos leis neste país, nos faltam pessoas de caráter e coragem para fazê-las cumprir. A autoridade pública responsável por manter a lei e a ordem, se escondeu de si mesma numa leniência imperdoável e vergonhosa.
Não foi a toa não que, nas duas vezes que critiquei o senhor juiz Henrique Neves, lancei a pergunta; do que o Poder Judiciário, principalmente a ala Eleitoral, tem medo em relação ao poder instalado? Ou, que tipo de favorecimento está sendo oferecido para se deixar correr solta a bandalheira e o assalto premeditado e constante às leis? Porque só isso justifica tanta omissão.
Certo dia, escrevi que o brasileiro não aprendeu a valorizar o regime democrático de que desfruta. Não aprendeu a defender sua liberdade, seus direitos e garantias individuais. Assim, talvez precise viver de novo um regime de opressão e bagunça total das instituições para saber compreender a grandeza daquilo que teve e que jogou fora. Dado o cenário deprimente que assistimos, Lula não apenas está comprando a eleição de sua escolhida, mas usou seu governo para comprar a consciência cidadã da maior parte do povo. Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra. Antes dele, Anatole France afirmou que, se cinquenta milhões de pessoas dizem um disparate, aquilo não deixa de ser um disparate. Hitler foi eleito por imensa maioria do povo alemão para chegar ao poder, e Saddam Hussein chegou a gozar de 96% de aprovação. Deste modo, fica visto que nem o povo é dono da razão, tampouco a mentira contada aos milhões a faz se transformar em verdade. Urna nunca foi e jamais será tribunal. E o povo erra, como a história bem o demonstra.
Deixo aqui uma indagação para cada um responder para si mesmo: o PT nasceu dentro de São Paulo. A direção do partido conta com pessoas bastante públicas e conhecidas do povo paulista. Por que será que São Paulo insiste em deixar o PSDB no governo estadual e nunca deu votação maciça para os petistas? Porque alguma forte razão há de ser, e é justamente por saber bem quem eles realmente são...
Mesmo que Serra seja eleito, seu governo nasce sob o signo do ódio com que será visto e tratado por Lula e Cia. Não terá um minuto de sossego e suas iniciativas para correção do que está errado – e isto é o que não falta - serão inapelavelmente boicotadas pelo PT a mando de Lula.
Sendo eleita Dilma, e mesmo que receba 99,99% dos votos, não terá legitimidade para ser reconhecida como presidente do Brasil. Tanto ela quanto Lula e todo o ministério de seu governo, avançaram de forma vil sobre o estado de direito, sob as benções cúmplices da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. Os apoios políticos, conforme vimos informando ao longo da semana, são fruto de barganha financeira com o dinheiro da sociedade que está sendo usado não para o benefício da população, mas para comprar o passe livre do apoio cúmplice e fraudulento de um “tô contigo e não abro”. Assim, nem estas eleições são livres, dado os conchavos desenhados no submundo da política rasteira, nem são democráticas, dado que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral rasgaram sua missão e razão de ser, permitindo que o poder instalado mandasse para o inferno o estado de direito. Se, como o próprio Lula diz, que o povo já vive na merda pelos investimentos em saneamento que seu governo não fez, mas mentiu e gastou o dinheiro mesmo assim, a política se transformou na própria merda que encharcou, asfixiou e naufragou as instituições democráticas do Brasil. Não é apenas caráter que faltam aos homens públicos, de todos os níveis. Faltam-lhes, também, o senso moral, a decência e a responsabilidade para com a sociedade que está obrigada a sustentar-lhe, e com retorno ZERO.
Que façam bom proveito.