sábado, outubro 02, 2010

As mentiras de Dilma e sua verdadeira posição sobre o ABORTO

Adelson Elias Vasconcellos

A candidatura de Dilma foi atingida na reta final de campanha por duas informações que lhe custaram votos entre evangélicos e religiosos em geral.

A primeira, de que ela havia dito que nem Jesus Cristo impediria sua vitória no primeiro turno.

A segunda de que ela se dissera favorável à descriminalização do aborto.

Dilma negou as duas informações. Reuniu-se com pastores e padres católicos para desmenti-las. Afirmou que era cristã. Foi ao batizado do neto em Porto Alegre. Mandou que sua assessoria distribuísse fotos dela no batizado.

A primeira informação jamais foi provada. O mais provável é que seja falsa.

A segunda é verdadeira. Foi durante sabatina promovida pela Folha de S. Paulo em outubro de 2007 que Dilma disse ser a favor da descriminalização do aborto.

Dilma defende aborto em Sabatina da Folha de São Paulo

Durante sabatina realizada pela Folha de São Paulo em outubro de 2007, Dilma Rousseff defendeu a desciminalização do aborto.





Dilma e a legalização do aborto.


Bem, fica claro que Dilma mente ao país sobre o Aborto. Ela compreende que se trata de um ato de violência mas, segundo ela própria diz, se trata de questão de saúde pública mais do que uma questão de foro íntimo. Em primeiro lugar, a escolha não é governamental, é individual. Ninguém se submete ao aborto apenas por ser obrigada. Só se dispõe a fazê-lo quem assim quer, portanto, a decisão é de foro íntimo, sim. Quanto ao fato de dar assistência médica para as mulheres que praticam o aborto na rede pública, isto nem é preciso regular. Isto já ocorre no país inteiro. Nenhum hospital ou médico credenciado ao SUS nega atendimento às mulheres que praticaram aborto e tiveram consequências que colocam sua vida em risco.
Minha posição sempre foi e será de ser contrário ao ABORTO. Nada justifica negar a vida a quem quer que seja, e neste ponto, estou plenamente de acordo com os postulados da Igreja Católica. Há o aborto assistido que a legislação brasileira prevê e, afora estes, trata-se de um crime contra quem não pode se defender.

O que entendo que falta ao país, neste como em tantos outros casos, é EDUCAÇÃO. Mas não esta educação chulé que vemos grassando por aí. Mas EDUCAÇÃO de verdade, de orientação e informação, como também falta, a meu ver, mais sentimento religioso – e de todas as religiões - para que as pessoas sejam orientadas sobre os reais valores da nossa civilização. Não aceito esta teoria vagabunda do tal estado laico, porque isto é uma balela que os anarquistas tentam vender à sociedade como forma de desagregá-la e impor uma vida social sem limites, onde ninguém respeita o espaço de ninguém.

Não existe liberdade absoluta. Cada um deve viver em sintonia com seu semelhante, porque se assim não fosse, as sociedades modernas não subsistiriam ao baguncismo.

O que torna o homem moderno diferente de seus ancestrais é justamente este comportamento sincronizado onde as regras do bom convívio são permanentes e em mesmas doses para todo mundo. Educar as pessoas sob tal prisma não é submetê-las aos dogmas desta ou daquela religião, e sim educação para viver harmonicamente em sociedade. Em outras palavraes, significa educar as pessoas para serem CIVILIZADAS.
.
É sob tal perspectiva que entendo que o aborto, assim como tantas aberrações do passado, deve ser discutido em termos de se educar as pessoas a adotarem comportamentos que evitem uma gravidez indesejada, seja pela própria idade da pessoa seja pelas condições econômicas insuficientes para assumirem maternidade ou paternidade sem estarem aptas a isto. Por exemplo, falar-se hoje de duelo, pratica usual na Idade Média, é um absurdo hoje.

Portanto, capacitar as pessoas de informações que as tornem pessoas melhores é o melhor caminho para evitar a que elas se submetam a prática de um crime primitivo de eliminarem uma vida para seu bem estar social. Quem admite o aborto como uma prática não criminosa, o faz por absoluta ignorância e estupidez. Imagine alguém defendendo o aborto, imaginando ela própria privada da vida dentro ainda do ventre materno? Ficará satisfeita em se imaginar sendo expulso do ventre materno, sem possibilidade de defender-se, lhe sendo negado o direito à vida? Fica fácil - e cretino - defender a tese do ABORTO para os outros, enquanto se tem vida. Como pode alguém usufruir de um direito natural, e negá-lo a outros?

Vejam: declaro a minha posição hoje, como o fiz ontem e o farei amanhã, independente de quem defenda opinião em contrário. E isto é ter caráter.

Dilma comete, dentre tantas outras barbaridades, duas graves mentiras: sobre sua posição em relação ao Aborto e, como vimos em post abaixo, sobre a festa antecipada de uma vitória sobre uma batalha que sequer começou. E isto evidencia falta de caráter.

Inadmissível é a pessoa ter discursos diferentes sobre um mesmo tema apenas por conveniência. E precisamente este é o caso de Dilma Rousseff, a exemplo de Lula. A depender do público que a ouve, ela defende ideias e conceitos de ocasião. Mas o fato derradeiro é que ela mente ao país, porque conforme o filme acima demonstrou, ela defende a descriminalização do aborto. Portanto, não são seus adversários que mentem sobre o que ela diz ou disse: é ela própria.

Sem dúvida, trata-se do pior perfil que alguém pode apresentar com a pretensão de governar o país. E é por este perfil que tomará decisões que terão influência direta na vida de 195 milhões de brasileiros. Seria conveniente o eleitor pensar muito bem a respeito.

Dilma diz que a pior parte da campanha foram as "mentiras sorrateiras". É possível perceber, pelos vídeos acima, da parte de quem partiram as mentiras sorrateiras. E quem as pratica antes de eleita, imagine-se do que não seja capaz depois de empossada. 

Atos erráticos

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Em 1986, um pouco antes do lançamento do Plano Cruzado, que daria ao então presidente José Sarney um ano de alta popularidade e ao fim dele uma vitória eleitoral espetacular na eleição de governadores do PMDB em quase todos os Estados, Fernando Lyra (ex-ministro da Justiça) e Fernando Henrique Cardoso (senador) fizeram duras críticas a Sarney. A de FH bem mais contundente, em longa entrevista ao Jornal do Brasil.

Comentário de Lyra entrou para os anais das melhores tiradas da política: "Eu pisei no tomate, mas Fernando Henrique pisou no tomateiro."

Entre o ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, difícil distinguir quem pisou no tomate e quem esmagou o tomateiro.

Impossível decidir quem teve o pior desempenho na história exposta ontem pelo jornal Folha de S. Paulo sobre um telefonema entre Serra e Mendes, ao que tudo indica, ocorrido pouco antes de o ministro pedir vista da ação direta de inconstitucionalidade do PT contra a lei que exige do eleitor apresentação de dois documentos para votar.

Segundo o relato da Folha de S. Paulo, um profissional do jornal estava presente quando Serra pediu para que fosse feita a ligação. Testemunhou quando um assessor passou o telefone dizendo quem era do outro lado da linha e ouviu quando o candidato atendeu dizendo "meu presidente!".

O candidato e o magistrado erraram feio. Um por telefonar, outro por atender. Isso na hipótese de que não tenham conversado sobre o julgamento que transcorria no STF, coisa que jamais se saberá com certeza.

Não conspira a favor do exigido de um magistrado que no curso do julgamento esteja a conversar com uma das partes.

Sim, porque da forma errática como foi posta em debate essa questão da exigência do título de eleitor e mais um documento oficial com fotografia, ficou convencionado que a lei desfavoreceria o PT e, consequentemente, favoreceria o PSDB.

Da parte do candidato, o gesto de telefonar para o ministro durante a sessão é de uma inconveniência ímpar. Até porque dá margem a comentários, interpretações e suposições que de fato foram feitas a respeito do telefonema e obrigaram o ministro a se justificar várias vezes por meio de indiretas na sessão de ontem.

Serra e Mendes foram mal, mas se lhes serve de conforto, não estão sozinhos no que tange à falta de apreço à melhor conduta.

Deixemos de lado o comportamento do presidente da República, por já exaustivamente comentado, e passemos direto aos votos do restante do colegiado no momento em que Gilmar Mendes interrompeu o julgamento: sete votos em favor da ação indireta de inconstitucionalidade.

Todos absolutamente lógicos no tocante à dificuldade que sem dúvida alguma a exigência impõe ao eleitor. Mas naquela sessão não houve a decretação da inconstitucionalidade da legislação. Tampouco isso ocorreu na sessão do dia seguinte (ontem) que concluiu a votação com o resultado de 8 a 2 em favor da não-obrigatoriedade da apresentação do título de eleitor.

Os magistrados recorreram a critérios de "proporcionalidade" e "razoabilidade" - e não a normas constitucionais - para atender ao que pedia a ação direta de inconstitucionalidade.

Aos partidários que se revoltam ou comemoram a decisão do tribunal convém lembrar que em tese não estava em jogo uma questão eleitoral.

Tanto que no ano passado quando o Congresso votou a emenda à legislação eleitoral nenhum líder partidário discordou e, depois disso, o presidente Lula sancionou a lei.

Só ocorreu ao PT que ela poderia ser prejudicial ao eleitor quando teve certeza de que seria maléfica para a candidatura Dilma. Antes de essa hipótese ser aventada com rigor, até a semana passada não havia reparos a serem impostos à legislação.

Ao Supremo realmente não cabe examinar a motivação, embora coubesse analisar a constitucionalidade e não a conveniência, de todo modo muito pertinente quanto ao mérito da questão.

Confuso? Pois é, como tudo o mais nesta brasileira República federativa.

Entre a obrigação e a devoção

Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Sou grata ao presidente Fernando Henrique Cardoso por ele ter sabido escolher um time de primeira linha para dar ao Brasil o que nunca tivemos: o real, enfim uma moeda.

Acabar com a inflação indecente e cruel de tantos anos foi, depois das leis sociais de Getúlio Vargas, o melhor que nos aconteceu.

Sou grata a ele por ter escolhido um excelente ministério, formado por pessoas de qualidade. Sou grata a ele pelos celulares e telefones que hoje são arroz de festa na casa dos brasileiros. Sou grata a ele pela demonstração que deu ao passar a faixa ao Lula e pelo respeito ao processo democrático, coisa ainda rara entre nós. Pena que o PSDB não lhe tenha sido grato.

Assim como não posso deixar de ser grata aos militares por terem nos proporcionado a possibilidade de falar ao telefone entre os estados sem ter que marcar dia e hora... pegar o telefone e discar do Rio para São Paulo ou Recife assim como quem ligava do Centro para Copacabana, só quem experimentou o drama que eram as comunicações nas décadas anteriores, pode compreender.

Ou como deixar de ser grata ao governador Carlos Lacerda por ter resolvido o gravíssimo problema da falta d’ água no Rio? Ou por ter ligado a Zona Norte à Zona Sul? Só quem viveu no Rio onde de dia faltava água e de noite luz e onde, para ir do Maracanã ao Leblon, era uma longa excursão, se solidarizará comigo.

Todos esses foram perfeitos governantes? Não, longe disso. Alguns até pelo contrário, como os militares ou Lacerda, francamente, que Deus os tenha em sua santa misericórdia.

Como em tudo mais, no comando da nação nem todos foram inteiramente maus, nem inteiramente bons. Todos fizeram algum bem e algum mal ao Brasil. Houve erros e acertos. Outro exemplo: a um grande democrata que nos governou, Juscelino, devemos Brasília. Pois é.

O presidente Lula, por sua vez, acertou ao manter a política econômica do governo anterior. Foi bem sucedido ao adotar os programas sociais que encontrou e vitaminá-los. Foi parte do que prometeu, e cumpriu. Mas, e as outras promessas? O tal país do futuro? Cadê?

Em seu governo camadas inteiras da sociedade brasileira, antes excluídas do mercado consumidor, passaram a ter acesso a bens de consumo como equipamentos eletrônicos, TVs de alta tecnologia, carros, viagens, etc.

Através da concessão de linhas de crédito e de programas sociais que ele só fez ampliar, mas não controlou, o governo Lula criou também uma ilusão coletiva de falsa prosperidade.

Com isso, a nova classe média, a quem falta o principal, educação, passou a acreditar que ascendeu socialmente. A casa pode não ter esgoto, a rua estar um caco, a escola não ensinar, o hospital, quando existe, não ter médicos, “mas eu posso entrar nas Casas Trololó e comprar uma TV de 42 polegadas e por isso amo o Lula!”...

O mais grave é que a nenhuma dessas pessoas, nessas condições, ocorre que, de uma maneira geral, sem saneamento básico, saúde e educação, sua vida não melhorou de forma substantiva.

A ninguém parece ocorrer, também, que um dia a conta disso tudo vai chegar. A verdadeira herança maldita que o Brasil vai receber é essa: o simulacro de prosperidade, sem lastro em um verdadeiro progresso.

Acresce que outro mal maior nos sucedeu: o presidente Lula está convencido que fez o Brasil. Ele se acha a oitava maravilha do mundo, acima do bem e do mal e portanto no direito de nos impingir o que quer. O país é dele e ele nomeia quem quer para tomar conta de seu feudo por breves instantes.

“Eu, ao eleger a presidenta Dilma”! Essa frase diz tudo. É quase um tratado do que é o Lula.

Não vai ser você, nem o Joaquim, nem o João. Quem vai eleger a Dilma vai ser ele. Melhor assim. Quando a conta chegar, e vai chegar, quem vai pagar é ele.

A foto do fim de festa, na Passarela Adoniran Barbosa, em São Paulo, no comício de domingo passado, mostra bem a nossa situação: os olhares, as poses, os pares a bailar e o povaréu lá em baixo, hipnotizado, encantado.

Primeiro a devoção, depois a obrigação, parece ser o lema dos três governos Lula. E que Deus proteja Michel Temer, são meus votos.

Urgência adiada

Míriam Leitão, O Globo

O último debate entre os candidatos a presidente foi frio não por falta de temas e contradições. Foi o retrato final de uma campanha em que o principal ator não era candidato, em que os temas foram contornados por respostas prontas, em que a favorita nas pesquisas só aceitava falar com a imprensa protegida por um pódio com microfones que a afastasse dos jornalistas.

O mais estranho foi a renúncia dos dois candidatos de se perguntarem. Os dois, quando puderam escolher, preferiram perguntar a Marina Silva.

— Isso prova que eles sabem que eu estou no jogo — me disse ela, ao sair.

No final da entrevista, os assessores de Dilma Rousseff garantiram que as pesquisas qualitativas durante o debate registraram a percepção dos participantes de que houve uma polarização entre Dilma e Marina. As pesquisas qualitativas do PSDB registraram, segundo assessores de Serra, que quando Marina crescia tirava votos de Dilma.

Marina Silva declarou ao final que havia conseguido quebrar o plebiscito. O presidente, o verdadeiro centro de decisão de toda a campanha, havia dito que seria uma comparação entre quem tinha feito mais: se Fernando Henrique, se ele. Nisso, Lula se frustrou. Não houve a prova dos nove de que ele seria superior ao adversário que o derrotou em duas eleições. O candidato do PSDB falou de suas realizações, mas dedicou pouco tempo ao período FH, com o argumento de que o melhor era discutir as capacidades de cada candidato e o futuro do país. Marina entrou no meio da conversa e evitou que houvesse apenas esse fla-flu.

Plínio de Arruda Sampaio herdou o "contra tudo isso que está aí", ecoou o velho discurso do PT contra "a dívida", mas fez bem seu papel de provocador, essencial em qualquer campanha. Plínio confunde as dívidas externa e interna, mas levantou um bom número. Disse que o governo Lula deve R$ 1 trilhão e 600 bilhões. É mais ou menos isso. Curioso é que o PT acusava Fernando Henrique de ter deixado uma dívida de R$ 800 bilhões. Plínio não parece ter entendido que os juros podem e devem ser derrubados, mas não pagar significa fazer um plano como o de Collor.

No grupo do PT, o entendimento é que, quando podia perguntar sobre habitação para Dilma e não o fez, José Serra estava jogando a toalha. Afinal, ele tinha feito críticas aos programas habitacionais do governo. Serra discorda. Acha que o tema não permitiria o verdadeiro debate que gostaria de ter com ela.

Dilma ficou na confortável situação de ter o que mostrar e pouco ser cobrada por suas contradições. Houve criação de emprego no período; o país teve dois anos de recessão no governo Lula, mas este ano o Brasil está crescendo forte; o crédito aumentou muito e isso alavancou o consumo, ampliando o otimismo das famílias. Ela contou esses feitos, mas quando é para falar o que está errado no quadro atual do país, ela se comporta, impunemente, como se não tivesse feito parte do governo que a lançou. É capaz de afirmar que a estrutura tributária do país é caótica, sem explicar por que oito anos não foram suficientes para organizar esse caos.

Metade do gasto previsto para ferrovias nos próximos anos é no controvertido trem-bala. Em Belo Monte, os índios xicrim receberam a promessa de ganhar uma rodovia e muitas picapes para compensar o fato de que perderão a hidrovia. Com várias contradições assim, Dilma proclamou as vantagens da hidrovia e da ferrovia. A maioria dos seus números não suporta uma prova dos nove. Mas os seus R$ 40 bilhões investidos em saneamento, que seriam o triplo do gasto no governo Fernando Henrique, trazem um problema, se forem verdadeiros: o governo anterior levou o acesso à rede coletora de esgoto de 48% a 56% dos domicílios. O governo Lula reduziu o ritmo da melhora, passando de 56% para 59%. Os dois não tiveram bom desempenho, mas o de Lula é pior.

Marina não perguntou de aborto de propósito, mesmo convencida de que nesse tema sua adversária tem mudado suas declarações conforme a conveniência.

— Não vou provocar uma guerra santa. Cada pessoa tem suas convicções, mas o ideal é que as defendesse. Eu tenho as minhas, mas prefiro, se for eleita, levar o assunto a plebiscito.

Serra não tocou no outro assunto que incomodaria a adversária: o caso de corrupção que estourou na antessala do gabinete ocupado pela então ministra Dilma Rousseff. O candidato do PSDB culpou a natureza do debate, em que parte dos blocos é de temas sorteados. Mas no outro encontro dos quatro, os que trouxeram Erenice Guerra para a cena foram Plínio de Arruda Sampaio e Marina Silva.

Seja qual for a avaliação que cada um tenha do desempenho dos candidatos nessa campanha, o fato é que faltou conversa, diálogo, confronto e propostas exequíveis. A educação foi declarada a prioridade por todos, mas o que se discutiu mesmo é se o PSDB impediu ou não o ensino técnico.

A verdade é que o Brasil acaba de saber que é pior em repetência e evasão do que todos os países do Mercosul. As metas do IDEB para a escola pública no ano de 2021 são de se atingir 5,8 nos primeiros quatro anos, 5,2 nos quatro anos seguintes e 4,9 no ensino médio. Isso é menos do que a escola privada teve em 2005.

Um país em que o governo tem metas tão medíocres e que aceita manter a desigualdade entre escola pública e privada acha mesmo que pode virar potência? Um país assim pode passar por uma disputa presidencial tratando o assunto desta forma? Não foi por falta de urgências que tivemos uma campanha tão superficial.

ENQUANTO ISSO...

Dilma nega que PT e Planalto estejam preparando festa
Tatiana Farah e Geralda Doca, O Globo

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, negou neste sábado que o Palácio do Planalto e seu partido estejam organizando uma festa de comemoração para uma possível vitória sua, em primeiro turno, neste domingo.

O secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, coronel Adauto Gama, confirmou, no entanto, que recebeu na noite de sexta-feira um documento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), pedindo reforço da segurança na Esplanada dos Ministérios.

A informação foi antecipada na noite de sexta-feira pelo Blog do Noblat .

- Ninguém está preparando festa nenhuma. Nós temos imenso respeito pelo processo eleitoral - disse Dilma, que faz caminhada nesta manhã ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Em entrevista ao GLOBO, o coronel Adauto Gama confirmou o pedido do GSI.

- Chegou um documento, pedindo reforço da segurança em virtude de uma provável comemoração - afirmou o coronel.

Ele disse também que não houve qualquer pedido dos organizadores da campanha da candidata nesse sentido:

- A campanha da Dilma não pediu nada para a Secretaria.

O coronel explicou que, pela legislação, qualquer órgão ou pessoa que for fazer uma reunião que leve à aglomeração de pessoas tem a obrigação de informar à Secretaria de Segurança Pública.

Segundo estimativas da PM no DF, são esperadas pelo menos dez mil pessoas no início da Esplanada dos Ministérios, em local próximo à Rodoviária do Plano Piloto. Serão colocados a postos no local um efetivo de mil homens. Haverá também um esquema especial para não prejudicar o trânsito.

Procurada, a assessoria de imprensa do GSI não quis comentar o pedido. Ao longo deste domingo em todo o Distrito Federal, cerca de seis mil policiais estarão nas ruas para acompanhar a votação.

Ao fazer um balanço da campanha, Dilma atribuiu às "mentiras sorrateiras" o momento mais difícil da disputa.

- A pior parte são as mentiras sorrateiras que saíram do baixo mundo da política - afirmou a petista.

A candidata também aproveitou para tentar harmonizar a relação com a imprensa, que segundo ela, faz críticas e tem um papel importante.

- A gente consegue conviver com a crítica e sem nos silenciar. É normal que a gente responda, que a gente também faça as críticas.

Dilma fez um contraponto entre o processo democrático brasileiro e a ditadura, dizendo que "quem viveu sabe o preço que se paga na ditadura".

A petista disse ainda que escolheu São Bernardo para terminar a campanha porque é tradição do PT fazer o encerramento na cidade. O presidente Lula, que tem apartamento na cidade, chegou ao ponto de encontro da caminhada sem falar com a imprensa.


ENQUANTO ISSO...

Governo prepara festa da vitória de Dilma em Brasília

Apesar de faltarem dois dias para o 1º turno das eleições, o Palácio do Planalto já prepara a festa da vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff.

Às 20h de ontem, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal recebeu um fax com o timbre do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República em que se pede reforço da segurança na Esplanada dos Ministérios, onde se pretende comemorar a vitória de Dilma.

“O pedido de segurança foi feito para ser cumprido a partir das 19h de domingo”, confirmou ao blog o secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal, Adauto Gama.

O blog primeiro procurou o secretário de Segurança Pública, João Monteiro. Ouviu dele a confirmação de que recebera o pedido. Ele disse:

- Eu acho que foi do Gabinete de Segurança Institucional da presidência. Mas confirme com o coronel Adauto.

Referia-se ao seu adjunto, o coronel Adauto Gama. Que confirmou ter recebido o fax.


Comentário do Noblat:

Começa mal a candidata que pode se eleger amanhã. Começa mentindo. Ou segue mentindo com desfaçatez.

É impossível que diante da notícia que a contrariou não tenha procurado saber se de fato o Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República pediu reforço policial para a Esplanada dos Ministérios amanhã à noite.

E que procurando saber, não tenha sido informada que o Gabinete pediu, sim.

Pobre do titular do Gabinete, um general respeitável, ministro de Estado como Dilma foi um dia.

Quando os dois eram colegas, o general levou uma descompostura inesquecível de Dilma. Foi humilhado publicamente. Dilma não mudou - exceto na televisão.

Gilmar Mendes põe os pingos nos “is”

Reinaldo Azevedo

No Estadão:

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, nega ter recebido telefonema do presidenciável José Serra (PSDB) na quarta-feira antes de pedir vista no processo sobre a exigência de dois documentos para votar, interrompendo o julgamento que foi retomado na quinta. “Eu não recebi ligação do Serra naquele dia. Isso é fantasia. E aquela coisa de que ele me chamou de “meu presidente” também é fantasiosa”, afirmou, negando o que foi noticiado pela Folha de S. Paulo. “Nós somos amigos e ele nunca me trata assim, nos chamamos pelo nome.” E acrescentou: “Aquela foto da Folha, sei lá o que foi… Serra estava tenso, e sei lá eu se ele não estava ligando para o presidente do Palmeiras?” Para Mendes, “o que é realmente grave” está ficando em segundo plano. “Sabe o que é grave? Grave é ação do Marcio Thomaz Bastos em cima da maioria dos ministros que ele nomeou”, disse, referindo-se ao ex-ministro da Justiça. “Grave é o marqueteiro do PT ter sugerido a mudança. Grave é a Justiça Eleitoral ter investido R$ 4 milhões na prestação de serviço aos eleitores, durante meses, para dizer quais documentos levar, e tudo mudar às vésperas do pleito.” E completou. “Eu disse que ia pedir vistas para pelo menos tentar colocar um pouco de reflexão no processo.”

A hora da verdade

Ruy Fabiano, Blog do Noblat 

Pelo menos dois fatores singulares marcaram a presente campanha eleitoral, distinguindo-a das anteriores. O primeiro foi o engajamento absoluto e sem precedentes do presidente da República, violando com frequência a lei, indiferente e mesmo irônico em relação às sucessivas multas que lhe impôs a Justiça Eleitoral.

O segundo foi o papel confuso que nela desempenhou o Supremo Tribunal Federal, transformando-se em órgão legislador e agente ativo do processo. Dele dependerá, inclusive, o voto final para a contabilização do resultado. Se decidir que a Lei da Ficha Limpa vale, a contagem será uma; se decidir o contrário, será outra.

Haja confusão. De quebra, o STF extinguiu o Título de Eleitor a três dias do pleito, revogando lei aprovada pelo Congresso – e perfeitamente constitucional -, sancionada pelo presidente da República. A lei, proposta pelo PCdoB, exigia que, além do Título, o eleitor apresentasse documento de identidade com foto. O PT engajou-se em sua aprovação. A uma semana do pleito, questionou-a. O STF o atendeu, dispensando o Título de Eleitor.

O mais interessante é que dois dos ministros que votaram pela extinção do Título – Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia – haviam votado três meses antes, no Tribunal Superior Eleitoral, em sentido contrário. Defenderam os dois documentos. Nunca antes neste país, se viu nada parecido, em ambos os casos – no de Lula e no do STF.

Voltemos a Lula. Seu poder de transferência de votos não pode ser questionado, sobretudo quando acrescido do uso desmedido da máquina administrativa. Sua candidata, Dilma Roussef, sozinha, não teria chances. Perderia para Plínio de Arruda Sampaio.

Lula a inventou, abdicando da condição de chefe de Estado para reassumir a de chefe de partido. Ao pedir que votassem em Dilma como se fosse nele próprio, não agiu muito diferente do ex-governador Joaquim Roriz, que disse o mesmo ao lançar sua esposa, Weslian Roriz, candidata em seu lugar ao governo de Brasília.

A diferença é que o casamento de Lula com Dilma é apenas político. Mas o princípio da terceirização em ambos os casos é o mesmo – e cargo público eletivo não é terceirizável.

Ainda que não vença no primeiro turno, como chegou a parecer inevitável, Dilma vai para o segundo como franca favorita, e não será fácil barrá-la. Lula continuará ocupando todos os espaços para elegê-la, não hesitando em engajar a máquina do governo na campanha. Se a Justiça não o inibiu até aqui, é improvável que o faça agora.

Já José Serra, provável oponente de Dilma na eventualidade de um segundo turno, conta, para reagir, com a adesão efetiva de seus correligionários, que, ao longo do primeiro turno, preocuparam-se mais em garantir a própria eleição que em ajudá-lo.

Todos temiam afrontar a popularidade de Lula e escondiam o presidenciável tucano. No segundo turno, esse risco não existe mais e isso fará muita diferença. Não é casual que Lula se empenhe tanto em decidir a eleição no primeiro turno. Segundo turno é outra eleição, com variáveis bem distintas.

O crescimento de Marina Silva, tirando votos de Dilma, preocupa o PT. Independentemente do que Marina disser, a maioria de seus eleitores – 51%, segundo o Datafolha -, se alinhará com Serra. E ela, que deixou o governo Lula em atrito com Dilma, terá dificuldades políticas em voltar ao leito anterior.

As eleições estão aí – e a hora da verdade vale não apenas para os candidatos, mas também para os institutos de pesquisa, cujo protagonismo na campanha foi outro fenômeno sem precedentes. É hora de conferir.

Lula aposta em vitória de Dilma no 1º turno e critica adversários, prá variar...

Gustavo Porto e Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

Em entrevista após mais de uma hora de carreata, Lula voltou a criticar

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, 2, ao encerrar a campanha eleitoral, que a candidata Dilma Rousseff (PT) "tem muita chance de ganhar as eleições no primeiro turno". Após carreata pelas ruas de São Bernardo do Campo (SP) ao lado de Dilma, Lula ironizou ainda a campanha dos adversários. "Apenas nós fizemos campanha de rua, comícios, porque os outros candidatos utilizar apenas o espaço na televisão, certamente preocupados em não ter a receptividade do povo que nós tivemos", afirmou.

Numa tumultuada entrevista após mais de uma hora de carreata, Lula voltou a criticar também setores da imprensa. O presidente disse que o País da "lições ao mundo de democracia e de liberdade de imprensa", mas que "é uma pena que tem gente que confunde liberdade com autoritarismo de imprensa". "Alguns senhores que não se deram conta que as pessoas da senzala estão dentro da casa grande agora e que as pessoas precisam conviver democraticamente na diversidade", completou.

Em carro aberto, Lula e Dilma percorreram cerca de três quilômetros das ruas centrais de São Bernardo do Campo, berço político do presidente e do PT. A carreata saiu da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade já presidida por Lula e terminou na igreja Matriz do município, outro local simbólico nas lutas sindicais das décadas de 1970 e 1980.

Antes da carreata, a candidata ao Senado Marta Suplicy (PT) subiu no carro que levaria Lula e Dilma e se posicionou no lugar reservado à primeira-dama Marisa Letícia. Quando o presidente e a candidata subiram no veículo, Marta foi "convidada" a ir para o carro onde estavam o também candidato ao Senado Netinho de Paula (PC do B) e seu ex-marido, senador Eduardo Suplicy (PT). Marta demonstrou irritação em ter de deixar o veículo principal.

Assim como na campanha, nas ruas de São Bernardo Lula comandou a festa petista. O presidente, no entanto, não escondeu um certo cansaço, ao contrário de Dilma, sempre sorridente. Em um trecho do percurso, Lula e Dilma se assustaram com fotógrafos que subiram em várias marquises para obterem imagens. "Gente, vai cair, sai daí!", alertou Dilma. A candidata e Lula passaram boa parte do trajeto segurando uma bandeira do Brasil.

Campanha e futuro -
Além de apostar na vitória de Dilma, Netinho e Marta e de defender a idade de Mercadante para o segundo turno em São Paulo, Lula disse, aos jornalistas, que viajou mais durante a campanha de sua ex-ministra, que em 2006, quando foi reeleito. Ao lado de Mercadante, o presidente criticou os quase 16 anos de governo tucano em São Paulo e criticou a falta de política social do Estado. "É uma vergonha que depois te tantas décadas no poder eles não apresentem nenhuma política social para São Paulo", afirmou.

Lula afirmou ainda que sairá do governo "com a consciência tranquila que nós não fizemos tudo que era necessário fazer, mas fizemos muito mais do que já foi feito em qualquer outro momento da história do Brasil" e que terá "problemas" após deixar o cargo. "No dia 1º de janeiro será problema. Muita festa para a posse da Dilma e espero que do Aloisio Mercadante", disse "Para mim vai ser uma incógnita, porque não sei o que vai acontecer a partir do dia 2, pois vou levantar de manhã não vou ter mais ninguém para xingar", concluiu.

O presidente vota amanhã entre 9 horas e 10 horas na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo e deve seguir para Brasília (DF), onde acompanhará, ao lado de Dilma, a apuração.

Cabral minimiza relação com terceirização de empresa de Fachada

Com texto Italo Nogueira, Folha de São Paulo, vejam a interessante “defesa” do senhor Cabral: ao invés de negar o crime, apela para uma desculpa ridícula com base na “terceirização”, etc. Não adianta, eles não mudam sua delinquência e hipocrisia.

*****

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato à reeleição, afirmou ontem que não é sua responsabilidade se a empresa de fachada contratada por sua campanha "terceirizou, quarteirizou" o serviço.

Cabral atribuiu a denúncia da coligação de Fernando Gabeira (PV), adversário na pelo governo do Rio, à Procuradoria Regional Eleitoral a "desespero de perdedor". O caso foi revelado ontem pela Folha.

"Quando contratamos uma empresa para fornecer, verificamos se o CNPJ dela é ativo. O CNPJ era ativo. Ela forneceu, entregou o material, e nós pagamos. Se ela terceirizou, 'quarteirizou' não é problema nosso. Nós pagamos a empresa, ela entregou o material", disse.

A sede da Soroimpress, que recebeu da campanha R$ 33.450, indicada à Receita Federal fica em um prédio em construção em Sorocaba. No local, ninguém nunca ouviu falar da empresa.

Questionado se poderia voltar a contratar a empresa, afirmou: "Não dá mais para ser contratada. Já acabou a campanha". Cabral lidera as pesquisas com 58% das intenções de voto.

Gabeira afirmou que a contratação deste tipo "em qualquer lugar do mundo invalidaria uma candidatura".

"Ele estava tão confiante na sua situação que pode se dar ao luxo de usar uma empresa fantasma, com o CNPJ nos seus cartazes, e achar que não ia acontecer nada."

Festival de denúncias de compra de voto

No Amapá: PF reforça segurança no Estado
Cirilo Junior, Folha de São Paulo

A Justiça Eleitoral do Amapá recebeu 80 denúncias de compra de votos e de abuso de poder econômico no Estado. De acordo com o procurador eleitoral José Cardoso Lopes, a tendência é que as tentativas de compra de voto aumentem até amanhã (3), dia da votação.

"Acho que vai piorar. À medida em que a eleição se aproxima e a disputa é muito intensa, deve haver um aumento na tentativa de atos ilícitos", firmou Lopes. Segundo ele, o número de denúncias triplicou em relação à eleição anterior, em 2008.

Cerca de 200 homens da Polícia Federal estão nas ruas do Estado, principalmente em Macapá. Outros 50 homens, das tropas federais, são esperados na tarde deste sábado para ajudar na fiscalização das eleições. O grupo será deslocado para o Oiapoque, mas poderá ser remanejado para outras localidades, em caso de necessidade.

Uma das denúncias de tentativa de compra de voto recebidas afirma que cabos eleitorais do grupo político do governador Pedro Paulo Dias (PP) e do candidato ao Senado Waldez Goés (PDT) estariam cadastrando moradores de bairros pobres da capital e prometendo entregar cestas básicas a partir das 2h deste domingo.

Dias e Góes foram presos no início de setembro na Operação Mãos Limpas, acusados de chefiar o esquema de corrupção no Estado.

Pela manhã, militantes foram às ruas de Macapá em carreatas e passeatas de apoio aos candidatos ao governo do Estado.

A passeata organizada pela campanha do governador Pedro Paulo Dias chegou a interromper o trânsito nas ruas da cidade.

Partidários do candidato a senador João Capiberibe (PSB), barrado pelo TSE com base na lei da Ficha Limpa, circulavam por Macapá com camisetas onde se lia a inscrição "Capi é candidato sim".

Uma manifestação do movimento Eleições Limpas, organizado pelo Ministério Público Federal, CNBB e outras ONGs, atraiu apenas cerca de 30 pessoas. Do alto de um caminhão de som, o líder do movimento, Edinaldo Batista, orientava as poucas pessoas que o ouviam a não se deixarem corromper e as estimulava a denunciar tentativas de compras de voto.

O grupo surgiu este ano, inspirado na operação Mãos Limpas do governo federal. "Vamos ter um vale tudo eleitoral de hoje para amanhã, com tentativas de compra de votos e pessoas sendo coagidas", disse Batista.

*****

No Acre: Polícia apreende cestas básicas e lista com nomes de eleitores
Freud Antunes, Folha de São Paulo

A Polícia Federal, em parceria com a Polícia Civil, apreendeu na quinta-feira (30) 17 cestas básicas em Sena Madureira (a 190 km de Rio Branco).

Na ação, também foi encontrada uma lista com nomes de eleitores.

Não foram divulgados os nomes dos possíveis envolvidos na irregularidade.

Em Sena Madureira, a PF também encontrou uma camionete da prefeitura que estaria transportando eleitores. O caso também está sendo averiguado, pois os delegados ainda não sabem se foi crime eleitoral.

O TRE informou hoje que houve aumento na quantidade de denúncias registradas pelo disque-denúncias. A maior parte é referente a compra de votos. Antes, era registrada uma média de 40 ligações para denunciar o abuso econômico e a compra de votos. Nesta semana, o número de ligações chega a 70 por dia.

*****

No Maranhão:PF investiga pagamento de contas em troca de votos
Hudson Corrêa, Folha de São Paulo

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar compra de votos por meio de pagamentos de contas de água e luz no Maranhão.

Segundo a procuradora regional Eleitoral, Carolina da Hora Mesquita, que requisitou a abertura de inquérito, há indícios de crime eleitoral.

A Folha publicou na edição deste sábado que as contas continham endereços de um bairro onde moram pessoas de baixa renda.

Nas ruas do bairro, havia cartazes da governadora Roseana Sarney (PMDB), candidata à reeleição, e de Ricardo Murad, cunhado da peemedebista, que disputa vaga de deputado estadual.

A campanha de Roseana não se manifestou.

Em uma lotérica no centro de São Luís, foram pagas centenas de contas, entre R$ 30 e R$ 70, que somaram R$ 29 mil nos dias 16 e 28 de setembro.

Com três caixas operando, foram necessárias duas horas para efetuar os pagamentos.

Conforme a reportagem apurou, o dono da lotérica relatou que mais R$ 28 mil seriam pagos, o que totalizaria R$ 57 mil, mas a pessoa que trazia a contas recuou.

Desde a semana passada, a Folha apurava o caso, porém um blog e jornais ligados à candidatura de Roseana tentaram intimidar a repórter Elvira Lobato, que estava em São Luís.

O blog é o de Décio Sá. Neste sábado, Sá afirmou em sua página apenas ter dado "a informação que o jornal [Folha de S.Paulo] preparava outra matéria tentando atacar a candidata Roseana".

"Para provar que estava falando a verdade publiquei o telefone dela [repórter]. Se a partir daí, ela começou a receber telefonemas e mensagens com ameaças não é problema meu", afirmou.

"Por causa das restrições impostas pela legislação eleitoral", o blog deixou em julho o site do Grupo Mirante, da família Sarney, onde estava hospedado.

Mais que num candidato, milhões de brasileiros votarão na democracia

Augusto Nunes, Revista Veja

Na última semana de setembro, o avanço da necrose moral que devasta o Brasil de Lula foi exposto pela imprensa com perturbadora nitidez. No último debate da campanha presidencial, os quatro candidatos fizeram de conta que disputam uma prefeitura no interior da Noruega ─ e contornaram cuidadosamente as vastidões infeccionadas do país que pretendem governar.

Os sherloques da Polícia Federal investigam o escândalo da Receita Federal, que inclui o estupro do sigilo fiscal da filha de José Serra, com a animação de um guarda-noturno aposentado. Na Globo, o candidato do PSDB prometeu criar uma Guarda Civil Nacional. Nenhum integrante do bando de Erenice Guerra dorme na cadeia. Dilma Rousseff, que apadrinhou a transformação da Casa Civil numa Casa da Mãe do Israel Guerra, caprichou na pose de Mãe dos Pobres e inaugurou mais um colossal ajuntamento de casas imaginárias.

Os gatunos do Amapá e do Tocantins, depois de duas noitadas na gaiola, estão de volta à campanha da aliança governista, ao palanque de Dilma Rousseff, à chefia da administração estadual e ao comando da quadrilha. Marina Silva, que se nega a enxergar o mensalão, prometeu consertar o Brasil com a ajuda do que há de melhor em partidos que só recrutam o que há de pior. Os inimigos da liberdade de imprensa agora conspiram em parceria com blogueiros estatizados e analfabetos funcionais homiziados em sindicatos de jornalistas. Plínio de Arruda Sampaio, ainda estacionado em 1917, ensinou que os caminhos do futuro são os becos sem saída do passado.

Pela vontade unânime dos candidatos, o Brasil real não foi convidado para o debate. Por vontade de José Serra e seus marqueteiros, a oposição não compareceu ao estúdio da Globo. Como tem feito Lula há oito anos, como ela própria faz há oito meses, Dilma Rousseff pôde mentir com o atrevimento de quem sabe que não ouvirá reparos nem ressalvas. Dispensada de perguntas constrangedoras pelo principal adversário, poupada de cobranças políticas entaladas na garganta de todos os brasileiros decentes, a Doutora em Nada voltou a recitar que a dupla de sumidades que não sabe construir sequer uma frase está concluindo a construção da primeira superpotência tropical.

Sempre torturando a verdade e o português com a crueldade de um serial killer americano, a candidata que deve explicações sobre incontáveis delinquências e casos muito mal contados vestiu a fantasia de credora. Entre um “tem de tê” e um “vô precisá resolvê”, perdida sem bússola na selva das palavras, a representante do governo que mantém metade da população brasileira sem tratamento de esgoto ousou, no meio do debate, cumprimentar o padrinho, e cumprimentar-se, pelos avanços no sistema de saneamento básico em adiantado estado de decomposição.

O que houve com Serra para renunciar ao confronto? Premiado com a adversária que todo candidato pede aos deuses da política, por que um currículo respeitável evitou o duelo com um prontuário escurecido por inquietantes pontos de interrogação? É um falso enigma. Na raiz da estratégia absurda está o imenso equívoco seminal: a oposição oficial acredita em tudo o que dizem o Grande Pastor e seus devotos ─ que não acreditam numa palavra do que dizem.

Enquanto Lula ataca todos os adversários todo o tempo, os companheiros espalham que partir para a ofensiva só apressa a derrota. Serra acredita nisso. Fernando Henrique Cardoso será lembrado como o presidente que liquidou a inflação e tirou a economia da UTI. O chefe e os chefiados reprisam a fraude da herança maldita. Os tucanos se recolhem ao silêncio. A queda de Dilma nas pesquisas só pode ter decorrido das bandalheiras em que se meteu, mas a aliança governista segue ensinando que brasileiro não dá importância a bandidagens. Serra acredita nisso.

Seja qual for o vencedor, nenhum terá chegado à Presidência por competência política e densidade eleitoral. Os brasileiros entusiasmados com Dilma Rousseff e José Serra não bastariam para garantir uma vaga na Câmara de Vereadores de Carapicuíba. Abstraídos parentes, amigos e vizinhos, todos os eleitores de Dilma votam em Lula. E multidões de eleitores escolheram Serra para que o país não seja derrotado pela eternização da Era da Mediocridade, assaltado pela tribo dos cínicos e subjugado pela seita dos liberticidas.

Mais que num candidato, milhões de brasileiros votarão na democracia.

O eleitorado e a militância

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

Terminado o pleito, das duas uma: ou a militância sairá mais forte, ou mais revoltada. Sua periculosidade é a mesma nos dois casos.

A diferença entre eleitorado e militância é a que existe entre um gás e um sólido. O primeiro pode concentrar-se num ponto por alguns momentos, mas acabará se dispersando no ar espontaneamente. O segundo só pode ser movido do lugar mediante algum esforço, proporcional à sua massa e peso.

As próximas eleições vão opor, à solidez maciça e ao peso formidável da maior militância organizada que já houve no País, a substância gasosa de um eleitorado espremido às pressas, anarquicamente, num recipiente que vaza por todos os lados. A militância, adestrada para praticar com boa consciência todos os crimes necessários à eternização da sua liderança no poder, já deixou claro que considera qualquer tentativa de divulgar esses crimes um atentado contra a democracia e - nestes termos - "contra a liberdade de imprensa".

Não se espantem com a enormidade desta última alegação. Ela só mostra que a inversão revolucionária de sujeito e objeto já se automatizou na mente das massas militantes ao ponto de tornar-se uma segunda natureza.

Nenhuma dose de fatos e argumentos pode nada contra isso. Nada pode contra isso o julgamento passageiro e difuso de milhões de eleitores. Militância não é uma tendência de opinião: é uma força física.

O problema, portanto, não é saber quem vai ganhar as eleições: é saber se essa força pode ser controlada pela mera pressão de um gás. Terminado o pleito, das duas uma: ou a militância sairá mais forte, ou mais revoltada. Sua periculosidade é a mesma nos dois casos.

Digo isso por um motivo muito simples.

Um partido político existe para concorrer a cargos eletivos, ocupá-los durante um tempo e ceder o lugar aos partidos adversários quando derrotado nas eleições. Cabem nessa definição o PSDB, o DEM, o PMDB e algumas outras agremiações.

Mas a militância petista e pró-petista nasceu e se constituiu com objetivos infinitamente mais amplos que os de qualquer desses partidos. Ela atua em todos os fronts da vida social e cultural, visando à mutação completa e irreversível da sociedade -- o que implica o controle definitivo, e não temporário, monopolístico, e não compartilhado, dos meios de ação política. Ela não ocupa espaços pelo período de uma gestão, como um candidato eleito: ocupa-os de uma vez para sempre, tomando como ameaça "golpista" qualquer veleidade

de removê-la do território que foi conquistado.

Se vencer, o esquema petista vai com toda a certeza proceder ao "salto qualitativo" que está preparando há mais de duas décadas, para substituir, ao governo de transição (que assim se autodefine o governo Lula nas discussões internas do partido), o começo da "construção do socialismo".

E se perder? Um partido político derrotado prepara-se para a revanche nas próximas eleições: a militância revolucionária, na mesma hipótese, simplesmente se mobiliza para defender as posições ocupadas, para assegurar que o resultado das eleições não venha a abalar em nada o poder de que desfruta, no governo e fora dele.

Ora, uma das expressões mais claras desse poder é o domínio que a militância exerce sobre o funcionalismo público federal. O governo pode mudar de mãos, mas o Estado vai continuar petista. Um presidente antipetista terá de escolher: ou vai governar cercado de inimigos, que farão tudo o que puderem para boicotar suas ordens, ou vai tentar demolir a máquina militante que se apossou do Estado.

Na primeira hipótese, será assombrado noite e dia pelo espectro da paralisia e do fracasso. Na segunda, vai enfrentar greves, invasões incessantes de prédios públicos, arruaças de toda sorte e eventualmente a possibilidade de uma insurreição armada.

Graças ao Foro de São Paulo, esta última hipótese é hoje muito mais viável do que na década de 60, não só no Brasil como na América Latina inteira. As quadrilhas guerrilheiras da época, frouxamente articuladas pela OLAS, Organização de Solidariedade Latino-Americana, eram apenas bandos de crianças, se comparadas ao poderio monstruoso da maior organização político-criminal já montada no continente (sob a proteção da mesma mídia que a ingrata agora acusa de golpista).

O que me pergunto é se políticos que morrem de pavor ante a simples hipótese de ser suspeitos de "direitismo" estão preparados para enfrentar qualquer coisa de mais perigoso que uma disputa eleitoral ordeira e pacífica. Se não estão, preparem-se. Vencendo ou perdendo as eleições, preparem-se.

Lembrai-vos de Hitler

Theófilo Silva (*), Blog da Maria Helena R. R. da Silva

Adolf Hitler, ditador da Alemanha e segundo homem mais perverso da história (o campeão é Josef Stalin), disse em seu livro, Minha Luta, algumas palavras que merecem ser lembradas neste momento: “a propaganda, sim, é preciso fazer dela um ato de fé, a fim de que não se possa distinguir mais o que pertence ao terreno da imaginação e o que constitui a realidade.” Para dar ainda mais força a essa afirmação, Hitler encontrou em Joseph Goebbels, um gênio tão depravado quanto ele, alguém com capacidade para por essas palavras em prática. Goebbels, o homem propaganda, que ajudou a construir a imagem de Hitler, também cunhou outra frase exemplar: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Por que estou trazendo para a superfície o pensamento desses monstros das profundezas, que deveriam ser esquecidos? Por uma razão: estamos em período eleitoral e, mais do que nunca, é preciso alertar os eleitores sobre o poder que a propaganda tem na construção da imagem de um candidato. Ocorre que, alguns políticos por terem o dom da palavra vivem de uma imagem falsa, construída com artifícios cuidadosamente preparados para iludir os inocentes úteis. Úteis aos seus propósitos.

Como identificar esses filhotes de Hitler? Dissimulados, mentirosos, corruptos – alguns são psicopatas - e preocupados apenas consigo mesmos? Esses homens e mulheres que pretendem administrar nossos destinos, que usam de todos os artifícios para conquistar nossos votos? Será que há um jeito de evitar que erremos tanto ao votar? A Lei eleitoral tenta oferecer aos eleitores uma maneira de mostrar os candidatos como eles realmente são. No entanto, o marketing caro utilizado na política, muito bem feito, consegue mascarar muito bem esses farsantes. Infelizmente, a Internet calha bem para esses candidatos, adeptos da máxima de Goebbels. Eles espalham tantos factoides e mentiras pela mídia que o cidadão tende a achar que é verdade o que eles dizem que fazem.

Eu diria que uma maneira razoável de identificar melhor um político é saber como são suas relações: como pai, marido, filho. Se é um chefe compreensivo; se é muito ambicioso (tipo que pisa no pescoço da mãe para alcançar seus objetivos); se tem amigos... É difícil fazer isso quando se mora noutra cidade e se escolhe um governador, por exemplo! Mas, se você valoriza seu voto, não custa nada tentar saber como é esse candidato enquanto pessoa. Os que já têm fama de corruptos, é porque são corruptos mesmo: esqueça-os. A questão é identificar os mascarados.

Na verdade, esses sujeitos criam um tipo: Coitado, Justiceiro, Ético, Professor etc. Tudo muito bem construído. Vistos de perto, muitas vezes, são individualistas, gente que não dá um copo d’água a ninguém. Lembro que Hitler forjou sua imagem, pintando um sofrimento e uma vida de privações muito maior do que realmente teve. Hitler ao chegar ao poder livrou-se de seus amigos, irmãs, parentes, vizinhos, professores.

Não estou dizendo que estamos ameaçados por ditadores, apenas que existem pequenos Hitlers escondidos atrás de uma falsa reputação. Lamento dizer isso, mas corruptos são dotados de encanto pessoal. São profundamente convincentes e aplicam a máxima de Goebbels com toda intensidade que lhes é possível. Precisamos parar essas pessoas.

Lembrar-se de Hitler diminui as chances de mais tarde, arrependido, você dizer, como o velho Rei Duncam traído pelo barão de Cawdor, em Macbeth: “Não existe arte que possa ver no rosto a alma de um homem”. Não se iludam, muitos políticos não são o que parecem!

(*) Theófilo Silva é autor do livro “A Paixão Segundo Shakespeare”.

Sucessor herda País com menor capacidade de fazer investimentos

Patrícia Campos Mello, O Estado de São Paulo

Gastos do governo bateram recorde este ano, com alta de 11,8%, o que piora a situação fiscal na gestão do próximo presidente

Os gastos do governo bateram recorde de crescimento este ano - tiveram alta de 11,8%, o maior aumento dos últimos 12 anos. Segundo estudo elaborado pelo especialista em finanças públicas Raul Velloso, o ano de 2010 (contabilizando apenas os oito primeiros meses) só perde para 1998, último ano de descontrole fiscal da fase pré câmbio flexível.

Para Velloso e outros analistas, o cumprimento da meta de superávit primário de 3,3% este ano só não está ameaçado porque o governo vem recorrendo a manobras contábeis envolvendo empréstimos do Tesouro para o BNDES e, agora, o recursos da capitalização da Petrobrás. Mas especialistas são unânimes ao dizer que o próximo presidente terá um enorme abacaxi fiscal em mãos, que compromete sua capacidade de fazer investimentos necessários para a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Para resolvê-lo, não será suficiente eliminar desperdício ou reduzir gasto de custeio, terá de ser revista a política de reajustes reais do salário mínimo. Mas esse assunto é radioativo na campanha eleitoral. Um bom exemplo é José Serra, candidato do PSDB, que prometeu 13o para o Bolsa Família, aumento do salário mínimo para R$ 600 e reajuste de 10% na aposentadoria.

Desde 1998, último ano para o qual o Tesouro fornece dados comparáveis, os gastos do governo não pararam de crescer, com exceção dos anos atípicos de 2003, que teve arrocho, e de 1999, após acordo com o FMI. Entre 1997 e 2010, os gastos terão crescido, em termos reais, 135,6%, e o PIB real, 49,3%, quase três vezes mais que o PIB.

“Este ano, a não ser que criem alguma solução mágica para encaixar os resultados na meta, ela não vai ser cumprida, o que abala a credibilidade fiscal”, diz Velloso. Para cumprir a meta de superávit primário de 3,3% do PIB este ano, o governo terá de dobrar seu atual superávit de 1,3% do PIB, considerando-se os últimos doze meses, pois desde o final do ano passado que o superávit total vem “rodando” ao redor de 2% do PIB. Para isso, o governo vai contar com uma contribuição de US$ 30 bilhões do processo de capitalização da Petrobrás para o superávit primário, manobra que vem sendo criticada.

Segundo Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que fez um estudo recente com Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas do Rio, não há crise fiscal iminente. “Mas para conseguir investir o que será necessário, principalmente diante dos grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, o governo terá de ou aumentar a carga tributária, que já é sufocante em cerca de 36% do PIB, ou reduzir o superávit primário e elevar endividamento, ou aumentar ainda mais o que usa de poupança externa.”

Hoje em dia, como os gastos públicos não param de crescer, o governo “despoupa”, ou seja, contribui negativamente para a poupança do País. Dos cerca de 14% do PIB de poupança global do Brasil, a média do governo foi de -1%, e o resto vem do setor privado. Entre 70 e 74, a poupança pública era de 5,8% do PIB. Como a poupança interna não é suficiente, o País recorre à poupança de outros países para financiar seu crescimento, o que aparece no déficit em conta-corrente, que deve chegar a 2,5% do PIB este ano.

O grande problema é que não vai ser fácil cortar gastos. O candidato do PSDB, José Serra, fala em reduzir ineficiências e combater desperdícios para cortar os gastos do governo. “Muita gente acha que se pode economizar muito cortando gasto de custeio, mas essas despesas vêm até caindo em relação ao PIB”, diz Mansueto. “O que vem crescendo de forma muito forte é a Previdência e os gastos sociais, mais sensíveis ao salário mínimo.” Segundo estudo de Mansueto e Pessoa, mais de 70% do crescimento do gasto público de 1999 a 2009 vêm do INSS (ligado à valorização do salário mínimo) e expansão dos gastos sociais (incluindo a Bolsa Família). Portanto, quem for lidar com o problema fiscal terá de mexer em temas explosivos - como a política de valorização real do salário mínimo. “Se fosse gasto de custeio, era mais fácil, todo mundo é a favor de cortar”, diz o economista. “Mas cortar gasto social e Previdência é muito impopular.”

Segundo o economista, o governo deveria cortar gastos com pessoal para abrir espaço no orçamento para investimentos. Senão, vai acabar fazendo mais investimentos com maior endividamento - é o que está fazendo ao emprestar dinheiro para o BNDES repassar com juros baixos a empresas e infraestrutura.

O Tesouro faz emissões de dívida pública, empresta os recursos para o BNDES, que empresta para obras de infraestrutura. Isso não aumenta a dívida pública líquida no curto prazo, só a bruta. Mas, no longo prazo, terá de se refletir a diferença do custo - Tesouro capta à taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano, e o BNDES empresta a taxas muito mais baixas. Essa diferença é um custo para o governo que será refletido em algum momento. E há também subsídios orçamentários - o Tesouro cobre a diferença de juros em empréstimos preferenciais. Quatro anos atrás, o Tesouro não emprestava para os bancos públicos. Agora, tem R$ 250 bilhões em empréstimos.

A Fazenda diz que o aumento da formalização dos trabalhadores vai naturalmente aumentar a arrecadação, sem necessidade de aumentar a tributação, e com isso manterá a relação dívida-PIB em queda, apesar do aumento contínuo dos gastos públicos. “Mas não há garantia disso”, diz Mansueto. Para ele, a prioridade do governo é crescer a qualquer custo, com ou sem poupança. “A estratégia de menor risco seria aumentar a poupança pública para investir.”

A grande ausência

Celso Ming, Estadão.com

A política econômica foi o maior cabo eleitoral do governo nestas eleições e, no entanto, foi a principal ausência dos debates entre os candidatos.

Também em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito porque sua candidatura estava identificada com o sucesso de um fenômeno econômico de alta relevância, o Plano Real. Mas, na época, pelo menos houve enfrentamento. O PT, por exemplo, caiu na esparrela de proclamar nos palanques que o Plano Real era uma enganação ou, na expressão do então assessor de Assuntos Internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia, não passava de um “Rolex fabricado no Paraguai, com corda pra só um dia”. A população votou a favor do Plano e o resultado foi FHC oito anos na Presidência.

DILMA E SERRA -
E a economia? (Foto: Bruno Domingos/Reuters)

Agora, no entanto, não houve nenhum debate econômico. Até mesmo o candidato da oposição José Serra, que desde 1995 vem pregando que a atual política econômica está errada, preferiu não cutucar a colmeia que produziu tanto mel para a candidata da situação.

A rigor, não houve debate nenhum, nem sobre economia nem sobre temas relevantes para a sociedade como educação, saúde e segurança. Desde o tempo das eleições diretas não se via tanta falta de substância e discussões tão chochas.

Nenhum candidato foi duramente questionado sobre as questões econômicas que estão todos os dias nos jornais: os juros na Lua, o câmbio derretendo, o insuportável custo Brasil, o rombo das contas externas e da Previdência Social…

Ninguém explicou como o País vai arrumar tantos recursos para os programas de investimento que já estão em curso: para o pós-sal, pré-sal, PAC, trem-bala, obras da Copa e da Olimpíada…

Na sexta-feira, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, avisou que, em 2011, o investimento não será superior a 21% do PIB. Ou seja, é insuficiente para garantir o crescimento econômico e, portanto, do emprego, de 5% ao ano. Nenhum dos candidatos chegou a dar uma pista sequer sobre como equacionar a dramática insuficiência de poupança do Brasil e como evitar que o atual surto de avanço do PIB morra logo aí, como voo de galinha.

A percepção de que os bons resultados na economia foram decisivos tanto para a escalada do presidente Lula nas pesquisas de avaliação de governo como para a disparada da candidata Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto tem pelo menos um lado bom: mostrou para os políticos que em matéria de macroeconomia não se pode inventar.

Em 2002, quando se preparava para a campanha eleitoral, o PT bem que tentou romper com tudo o que vinha sendo construído. Foram alguns dos seus maiorais, já no governo a partir de 2003, que tentaram impor a reação à tal “herança maldita”. Mas foi a continuação das linhas mestras da política econômica adotada no período de oito anos imediatamente anterior e também a brilhante decisão do presidente Lula de cumprir os compromissos da Carta ao Povo Brasileiro, de 2002, que produziram os frutos econômicos e eleitorais que estão sendo colhidos agora.

É improvável que algum aventureiro pretenda mexer nessa equação de sucesso eleitoral. Mas isso não basta. O que passou, passou, como diz a velha canção. Agora, é preciso garantir o futuro.

Mesmo sem debates, o eleitor está votando automaticamente “na política econômica que está aí”. Mas não tem como escolher seus candidatos, porque não sabe o que eles pensam.

Confira:


Grandes saltos. Não dá para dizer que as exportações estejam fazendo feio. Numa época de crise global, nos nove primeiros meses de 2010, cresceram nada menos que 28,9% sobre igual período do ano passado.

É a despesa pública. O problema é que as importações estão avançando mais ainda: 45,1%, no período. É um desempenho que só em parte tem a ver com o dólar barato. Tem mais a ver com a disparada do consumo interno, que por sua vez é consequência do avanço das despesas públicas e do crédito.

Dinheiro inventado

Míriam Leitão, O Globo

O governo decidiu confundir a todos. Aproveita a pouca paciência que as pessoas têm em relação ao assunto "contas públicas" para criar um rolo compressor que está tornando os números vazios de significado. A conta baterá sobre nós contribuintes. As despesas aumentaram este ano 17,2%; a dívida emitida para capitalizar a Petrobras, por mágica, virará receita do governo.

Dívida é dívida; receita é receita. Toda pessoa sabe disso. Mas não as estatísticas do governo. Como uma sucessão de truques fiscais, o Ministério da Fazenda está tornando artificialmente superavitárias as contas públicas.

Como é possível a emissão de título que é dívida, vira capitalização do BNDES, aumento de capital da Petrobras e, no fim, entra no caixa do Tesouro como receita? Pois foi essa mágica que ele fez desta vez. Diariamente, sai um truque desses da cartola do Ministério da Fazenda. Todos eles juntos escondem que o governo está gastando demais. Além disso, o Brasil está perdendo um dos avanços das últimas décadas, que foi o aumento da transparência das contas públicas. Hoje, já é impossível seguir uma série histórica de superávit primário, porque ele mede coisas diferentes; não se confia mais na dívida líquida, porque ela virou biombo que esconde o aumento da dívida bruta.

Esse assunto nos diz respeito diretamente. Transparência em gasto público é democracia. Ajuste fiscal não é burrice, como diz Dilma Rousseff, é sensatez. Sem ele, o contribuinte será chamado a pagar mais ao governo.

O regime fiscal do país mudou neste final do governo Lula. O equilíbrio comemorado nos anos Palocci começou a mudar lentamente, mas o regime fiscal se transformou radicalmente durante a crise. O abalo externo foi usado como pretexto para uma licença para gastar e para maquiar números. Assim está sendo feito um superávit primário para inglês ver, mas que não pode enganar a nós mesmos que pagamos a conta.

Veja-se o que foi feito no caso da Petrobras. A União emitiu dívida de R$ 75 bilhões para capitalizar a Petrobras; R$ 30 bilhões foram entregues ao BNDES. O banco pegou esses papéis e pôs na Petrobras para acompanhar o aumento de capital. Os outros R$ 45 bilhões foram transferidos diretamente para a estatal como aumento de capital da União.

Primeira parte da mágica é dizer que essa emissão de título não entra na conta da dívida líquida. A mentira que pregam aqui é dizer que se trata de um empréstimo e que o BNDES, um dia, vai pagar. E se vai pagar, ficam elas por elas. O problema é que o governo se endivida a 10,75% por ano por um prazo curto, e o BNDES, se pagar, o fará nas calendas. Esses R$ 30 bilhões não são empréstimo, como não foram os R$ 180 bilhões que o governo já pôs no banco desde a crise.

A segunda parte da mágica é a seguinte: a União vendeu cinco bilhões de barris de petróleo para a estatal, que levará décadas para tirá-los do fundo do mar, e há poucas informações técnicas sobre a existência, possibilidade de exploração e custo real desses barris.

Na terceira parte, a Petrobras devolve os R$ 75 bilhões como pagamento ao Tesouro desses barris futuros. A diferença entre os R$ 45 bilhões que foram dados para a Petrobras e os R$ 30 bilhões que passaram pelo BNDES virarão receita em setembro. Essa é a melhor parte da mágica: um papel que saiu por uma porta e entrou por outra. Papel de mil e uma utilidades: era dívida, deixa de ser, aumenta o patrimônio do BNDES, aumenta a participação que a União tem na Petrobras e ainda vai virar milagrosamente receita em setembro.

Por que o governo faz essa circunavegação fiscal? Para esconder o fato de que está gastando de forma espantosa. Em 2009, era a tal política anticíclica. Gastar para evitar a crise. O ciclo mudou, a gastança continua. E não é verdade que está gastando para aumentar os investimentos. O setor público federal continua investindo em torno de 1% do PIB apenas.

O superávit conseguido em agosto, de R$ 4 bilhões, só é superávit, porque as estatais anteciparam dividendos no valor de quase R$ 7 bilhões. Um dos truques é assim: o governo vendeu ao BNDES dividendos da Eletrobras. Isso entrou como aumento de capital do banco para emprestar mais. O banco pagou esses dividendos ao Tesouro e — kabrum! — virou receita em agosto.

Esses contorcionismos fiscais são diários e vão transformando em circo a contabilidade oficial brasileira. Está ficando difícil entender. Esse caminho de esvaziar os indicadores de significados é o escolhido pela Argentina para a inflação. É um perigo. As verdades econômicas não desaparecem por causa das falsificações.

O economista Alexandre Marinis gosta de usar os dados da Receita Líquida total (receita, menos as transferências para estados e municípios). Ele derruba com dados a tese de que os gastos foram para aumentar investimentos.

Por essa medida, o superávit primário caiu de 15,8% da receita em outubro de 2008 para 6,7% em julho de 2010. Os investimentos cresceram apenas de 3,9% para 4,8%. "Os dados mostram que toda a economia gerada com a redução do superávit primário foi queimada com pessoal, previdência e custeio, ao invés de aplicada em investimentos num país com uma infraestrutura à beira do colapso", diz ele, num relatório. Em reais, a queda do superávit em 12 meses foi de R$ 91 bilhões para R$ 45 bilhões no período.

No mês que vem, o governo vai "bombar" o superávit primário com essa receita inventada, inexistente, fruto de ilusionismo fiscal. Na hora que a conta chegar ao nosso bolso, ela será real e concreta.

Vejam que maravilha é o Fundo Soberano de um país que pensa no futuro: a Noruega

Ricardo Setti, Veja online
A plataforma petrolífera Statfjord A,
situada no mar do Norte a cerca de 200 quilómetros da costa norueguesa

VEJA mostrou recentemente alguns truques contábeis com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, permite gastança ao governo enquanto, tecnicamente, mantém as contas públicas em ordem.

No meio dos coelhos retirados da cartola, figura o uso de 18 bilhões do chamado Fundo Soberano – uma massa de recursos teoricamente destinado a fazer investimentos no exterior para defender o país de futuras crises financeiras – para comprar ações de empresas estatais.

Agora, o governo decidiu realocar a dinheirama do Fundo Soberano para tentar conter a valorização do real.

Ou seja, em vez de pensar no futuro, aqui no velho e bom Brasil pensamos em resolver o imediato, em fechar o caixa. Enquanto isso, um pequeno país de menos de 5 milhões de habitantes, como a Noruega, utiliza com sabedoria o mar de petróleo existente sob suas águas territoriais. Já juntou, desde os anos 90, um gigantesco Fundo Soberano de 464 bilhões de dólares – o segundo maior do mundo, logo após o de Abu Dhabi. O destino do dinheiro: as futuras gerações.

O Fundo Soberano norueguês tem dois objetivos fundamentais:

1) fortalecer a previdência social nas próximas décadas, para fazer frente ao progressivo envelhecimento da população e a diminuição da proporção entre pessoas ativas e aposentados;

2) Preparar o país para o declínio na produção de petróleo e, bem mais adiante, para o fim das reservas nas águas geladas do Mar do Norte.

SUPERÁVIT E DESENVOLVIMENTO HUMANO – O que alimenta o fundo são os impostos pagos pelas petroleiras, o dinheiro embolsado pelo governo norueguês por concessões a empresas privadas para exploração de petróleo no Mar do Norte e os dividendos que recebe por sua participação acionária na estatal petrolífera StatoilHydro (que não detém monopólios).

Vamos aproveitar para lembrar que a Noruega ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano, elaborado pela ONU a partir dos dados sobre expectativa de vida, educação e renda per capita dos países.

E, além de seu belíssimo Fundo Soberano, em plena era de questionamento do modelo de estado de bem-estar social, o país se dá ao luxo de proporcionar a seus cidadãos benefícios como 10 meses de licença-maternidade com salário integral para mães com emprego.

Em contraste com quase todos os países ricos pesadamente endividados, a Noruega ostenta um orçamento superavitário e destina mais de 1% de seu PIB em ajuda a países pobres, enquanto a poderosa Alemanha, por exemplo, separa 0,4% para essa finalidade, e os Estados Unidos – mesmo depois de uma puxada para cima determinada pelo presidente Barack Obama – apenas 0,2%.

Governo enxuga gelo ao usar dinheiro do Fundo Soberano para comprar dólares

Ricardo Setti, Veja online

O governo vai burramente enxugar gelo com a política de utilizar o Fundo Soberano – teoricamente um capital amealhado para fazer investimentos no exterior – para comprar dólares, visando deter a queda do valor da moeda americana, e consequentemente tentar brecar a valorização do real.

Real valorizado, sabemos, encarece as exportações brasileiras e causa problemas à balança comercial.

A política de usar o Fundo Soberano é burra – além de constituir um desvio nas finalidades do Fundo – porque o Fed, o Banco Central americano, acaba de anunciar que passará a adotar “medidas de flexibilização monetária” para fazer frente ao modesto crescimento da economia dos Estados Unidos.

Por “medidas de flexibilização monetária” entenda-se a emissão de títulos públicos para captar dólares – provavelmente centenas de bilhões de dólares – a serem injetados na economia do país mais rico do mundo.

Essa injeção se refletirá nos parceiros comerciais dos EUA, como o Brasil, que já é alvo de uma enxurrada de dólares, razão da contínua desvalorização da moeda americana e da alta do real.

O caixa do Fundo Soberano – equivalente a 18 bilhões de dólares – não vai adiantar nada diante desse cenário.

Por comparação, vou mostrar em outro post o que faz um pequeno, mas rico país, a Noruega, com seu Fundo Soberano.