sexta-feira, março 09, 2007

ENQUANTO ISSO...

Parceiros no bico...



Enquanto isso...


Parceiros na bica...


Perda na poupança será compensada, diz ministro

Fonte: Agência Brasil

A mudança no cálculo da Taxa Referencial (TR), utilizada para reajustar a caderneta de poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), não deve ter grande impacto para os trabalhadores, na avaliação do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Para ele, o impacto da mudança deve ficar em torno de 0,5% ao ano e as perdas serão compensadas por ganhos de outro lado.

"Se ele traz um prejuízo do ponto de vista da poupança e do rendimento do fundo [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço], ele traz uma conquista do ponto de vista das prestações para quem adquire a casa própria com financiamento", afirmou Marinho ao participar, nesta quarta-feira, de reunião da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

O cálculo da TR foi alterado em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN) na última segunda-feira. O minsitro da Fazenda, Guido Mantega, defende que a medida corrige uma distorção, já que tanto a inflação quanto as taxas de juros estão em queda.

Na opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Santos, a mudança aumenta o lucro dos bancos e reduz o rendimento dos trabalhadores que têm seu dinheiro aplicado no FGTS.

A poupança rende 6% ao ano mais a TR. Com a redução da taxa, o rendimento da poupança diminui. O reajuste de financiamentos habitacionais, que também possui em sua composição a taxa, segue a mesma trajetória, o que nesse caso pode significar prestações menores.

A TR é calculada com base na Taxa Básica Financeira (TBF) que, por sua vez, tem como fundamento a rentabilidade média dos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) e do Recibo de Depósitos Bancários (RDB) de prazo de 30 a 35 dias corridos, emitidos por uma amostra composta pelas 30 instituições financeiras com maior volume de captação desses papéis.

COMENTANDO A NOTICIA: Compensada de que jeito, cara pálida ? Será que esta gente de mentalidade tão tacanha imagina que todos os poupadores são adquirentes de casa própria? Então tira-se a rentabilidade de um lado para o outro lado ? Não seria possível compatibilizar os ganhos para ambos os lados ? Mais: vejam quem perde são TODOS os trabalhadores comcarteira, e saldos no FGTS. Quem perde são todos os poupadores que acreditavam que um governo dirigido por “trabalhador” (do passado e aposentado precocemente com apenas 42 anos, diga-se de passagem), cometeria este crime de novo, do modo como Collor já havia feito no início da década de 90. Espero apenas que a imprensa saiba dar oi devido destaque a mais esta traição “governo para os pobres” do senhor Lula. Porque na verdade não acredito que nem os ministros nem tampouco Lula terão a devida coragem de virem a público falar a verdade do que está praticando.

Direitos humanos e antiimperialismo vira-lata

Reinaldo Azevedo

O Departamento de Estado dos EUA divulgou um relatório sobre violação de direitos humanos mundo afora. Foi mal recebido pelos nossos antiimperialistas. O cineasta Arnaldo Jabor explicou por quê: os americanos não se incluíram. Sentaram em cima do próprio rabo. E o Iraque? E os prisioneiros de Guantánamo? A própria secretária Condoleeza Rice reconheceu que seu país não é perfeito, mas disse: “Dentro do nosso sistema, acabamos prestando contas dos nossos atos”. E é verdade. Um soldado americano acaba de ser condenado a nada menos de 100 anos de prisão por abusos praticados no Iraque. Ah, não duvidem: ele vai morrer na cadeia. Mas Jabor não se conformou, não. Comparou George W. Bush a um terrorista.
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O Brasil está na lista, o que deixou o Itamaraty irritado, levando-o a rejeitar o relatório. Vejam só os absurdos: os americanos se atrevem a dizer que há tortura nas cadeias brasileiras, que a polícia por aqui mata a três por quatro, que os direitos humanos estão sendo ameaçados pelo crime organizado e que os violadores, na maioria dos casos, ficam impunes. Não é mesmo um acinte? Uma provocação? Não foi só Jabor, não. Eu também fiquei revoltadíssimo. Quem esses americanos pensam que são para nos dizer essas coisas?
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Primeiro eles precisam dar um tratamento humano aos terroristas em Guantánamo para que a gente possa fazer o mesmo no Brasil tanto com os homens comuns como com os presos comuns, não é mesmo?O que falta ao Brasil? Ora, que a gente saiba odiar com mais determinação George. W. Bush naturalmente. E depois tem uma coisa: cada um com os seus problemas, não é mesmo? Dos nossos torturados, cuidamos nós.É por isso que o Itamaraty, num ato de clarividência, respondeu assim:

“Atitudes e avaliações unilaterais sobre tais temas são inaceitáveis, pois contrariam os princípios da universalidade e da não-seletividade dos direitos humanos". É isso aí. O complexo de vira-lata, a que já me referi hoje, também rosna. Os altivos vão mais longe: “O governo brasileiro reafirma que não reconhece a legitimidade de relatórios elaborados unilateralmente por países, segundo critérios domésticos, muitas vezes de inspiração política". Excelente!

É óbvio que Bush teme a potência brasileira e manipula os dados só para queimar o nosso fIlme.
É bem verdade que o relatório critica, por exemplo, os governos aliados (dos americanos) do Iraque (proximidade com uma milícia xiita terrorista) e do Paquistão (prisões arbitrárias e desaparecimentos). Mas vejam só: o mesmo vale para esses países. Ou os EUA tratam com mais respeito os terroristas ou estarão impedidos de pedir tratamento mais digno, mundo afora, a quem não é terrorista.
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O que sempre me espantou nos antiimperialistas é o seu humanismo inspirado.

TOQUEDEPRIMA...

Ipea vai revisar projeção de PIB para cima em 2007
Da FolhaNews

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisará para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2007 em razão da mudança metodológica do cálculo do PIB pelo IBGE. A informação foi dada pelo economista Fábio Giambiagi, que disse nesta segunda-feira que a previsão ficará abaixo de 4% de crescimento. Pela última estimativa realizada em dezembro pelo órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, o crescimento estimado era de 3,6%. "Vai ser uma revisão para um número abaixo de 4%", disse.
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O economista classificou como "medíocre" o crescimento no país nos últimos 12 anos, quando a variação média ficou em 2,7%. "A cara do crescimento em 2007 vai ser melhor que a de 2006, mas com o mesmo perfil. O sinal de alerta é que não se deve esperar um crescimento como o de 2004." O instituto divulga nesta quarta-feira suas projeções para 2007.

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Japoneses são os que mais lêem blogs, diz pesquisa
BBC Brasil
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TÓQUIO - Cerca de três em cada quatro internautas japoneses têm o costume de ler blogs e fazem isso com uma freqüência média de cinco vezes por semana, de acordo com uma pesquisa realizada pela multinacional de relações públicas Edelman.

O Japão é seguido no ranking, de longe, por outros dois países asiáticos: Coréia do Sul, onde 43% dos internautas dizem ler blogs; e China, onde a parcela é de 39%.

Os Estados Unidos aparecem em quarto lugar, com 27% da população afirmando ler blogs. A pesquisa, que mediu hábitos de leitura de blogs em dez países, não incluiu o Brasil. O japonês, diz a pesquisa, também é o segundo idioma em quantidade de posts em blogs, com 33%, atrás apenas do inglês (39%).

O chinês aparece em terceiro lugar, com 10% do número de posts na blogosfera, de acordo com dados de 2006. O estudo também foi conduzido na Grã-Bretanha, França, Itália, Polônia, Alemanha e Bélgica.

Blogosfera
A pesquisa, que tem como um dos principais objetivos "ajudar as empresas a participar da blogosfera localmente e globalmente", revela outros detalhes desse universo. Segundo o levantamento, os leitores de blogs são em sua maioria jovens e do sexo masculino. Isso só não ocorre no Japão e na Polônia, onde as mulheres são maioria entre os leitores.

Em todos os países pesquisados, o percentual de "formadores de opinião" que lêem blogs é maior do que o do total da população. Em média, diz a pesquisa, dois em cada dez leitores de blogs tomaram algum tipo de atitude como resultado da leitura. No Japão, porém, apenas 18% afirmaram ter agido depois de ler um blog, o menor percentual entre os países analisados.

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Lula mostrará reforma tributária a governadores sem CPMF, diz Mantega
Fonte: Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará aos governadores uma proposta preliminar de reforma tributária, em reunião em Brasília na terça-feira, mas não tem a intenção de discutir uma repartição dos recursos da CPMF com os Estados, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"A CPMF não está na discussão de amanhã, do nosso lado", afirmou Mantega a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda e ser questionado sobre o pleito dos governadores de repartição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira.

"O governo federal tem feito um esforço grande para aumentar o investimento e queremos também encontrar o caminho para ampliar o espaço dos Estados e municípios", disse o ministro.

Mantega acrescentou que o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) já ampliou a capacidade de investimento dos Estados nas áreas de saneamento e habitação, e outras alternativas para estender essas possibilidades serão discutidas "em relação à dívida ativa e precatórios".
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Mantega rechaça críticas sobre aumento da carga tributária
Adriana Fernandes, Estadão online

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu o governo das críticas sobre o aumento da carga tributária. Nesta segunda-feira, a Confederação Nacional dos Municípios distribuiu, no Congresso Nacional, um documento que aponta um crescimento da carga tributária de 38,41% do PIB em 2005 para 39,69% em 2006. Mantega afirmou que a carga tributária do País só aumentou em 2006 por causa do crescimento do nível de atividade, do aumento da fiscalização e da formalização da economia. "Nós só estamos reduzindo alíquota. Me mostre uma alíquota de tributo que nós aumentamos mo ano passado", afirmou.

O ministro afirmou que há uma confusão entre aumento da carga tributária, provocada pela elevação de alíquotas, e aumento da arrecadação, gerado pelo desempenho melhor da economia. "Agora a economia está se comportando melhor. Temos um lucro maior das empresas e aumento da formalização da atividade econômica. Tudo isso gera uma arrecadação maior", ponderou Mantega ao chegar ao Ministério da Fazenda para uma reunião com dirigentes da Ford.

Ele prometeu que assim que o governo puder ampliará a desoneração de tributos. Alertou que antes será preciso ver o resultado da desoneração prevista no PAC de R$ 6,5 bilhões para 2007 e de 11,5 bilhões para 2008.

Mantega lembrou que a Lei Geral das micro e pequenas empresas, que vai entrar em vigor no segundo semestre deste ano, também provocará uma grande perda de arrecadação. O ministro rechaçou as avaliações de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cumpriu a promessa de não elevar a carga tributária durante o primeiro mandato. "O compromisso do presidente está sendo cumprido integralmente", disse Mantega.

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Interferência? Só vale para um lado...
Blog do Noblat

Deixa ver se entendi direito: os órfãos da candidatura de Nelson Jobim a presidente do PMDB acusam o governo de ter interferido na disputa, beneficiando a candidatura à reeleição de Michel Temer. Fê-lo (saudades de Jânio Quadros!) ao chamar Temer para conversar sobre a indicação de ministros pelo PMDB da Câmara. E por deixar claro que o deputado Gedel Vieira Lima (BA) será o próximo ministro da Integração Nacional.

Bem, e quando Lula, a pedido dos senadores Renan Calheiros e José Sarney, topou deixar a reforma ministerial para depois da convenção do PMDB do próximo domingo, ele não interferiu na disputa entre Jobim e Temer, beneficiando o primeiro? Aquela interferência era legítima, saudável, merecedora de aplausos? Essa agora, não?. É isso? Tenha santa paciência...

Na verdade, Lula não deveria ter-se metido antes. Nem depois.

Ajudou Jobim, sim, porque queria alguém de sua confiança na presidência do PMDB. Confia em Jobim, em Temer, não.

Ao ver que Jobim seria derrotado, ajudou Temer, sim. Publicamente, se apartou de um candidato derrotado de véspera.

Jobim & Cia. atribuem a Lula sua derrota. De fato, foram eles que perderam. Reuniram menos votos.

Temer & Cia. não creditam a Lula sua vitória. Ganhariam contra ele.

A Justiça eficiente para aumentar seus próprios salários

Supremo aumenta teto para juízes estaduais.
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Remuneração de magistrados pode passar de R$ 22 mil para até R$ 24,5 mil por mês
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BRASÍLIA - O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu ontem uma liminar suspendendo a validade de um dispositivo constitucional que limitava o teto salarial dos desembargadores estaduais em R$ 22.111. Com a decisão, esses magistrados poderão receber até R$ 24,5 mil por mês, que é o valor da remuneração paga aos ministros do STF. Para os servidores do Judiciário dos estados, o teto continua a ser de R$ 22.111.
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A decisão do Supremo é mais um capítulo da tumultuada novela do teto salarial do Judiciário cuja fixação prometia impor cortes em supersalários pagos atualmente pelo Poder. Ela representa uma nova derrota do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que no início do ano concluiu que os magistrados dos estados deveriam ganhar no máximo R$ 22.111.
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No ano passado, o mesmo CNJ havia entendido de forma diversa, ou seja, que o teto estadual poderia ser de R$ 24,5 mil. No julgamento de ontem, os ministros do STF entenderam que o Poder Judiciário é nacional e que não pode ter discriminação entre as esferas federal e estaduais.
Pela decisão, os desembargadores podem chegar a receber R$ 24,5 mil se tiverem direito a gratificações, por exemplo, por exercício de cargos de direção em tribunais. Mas o salário de desembargador continua em R$ 22.111. Por isso, em tese, a decisão não implicaria em aumento de salário dos desembargadores e dos demais juízes estaduais.
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"Os ministros afirmaram que essa solução é necessária para resguardar o caráter unitário da estrutura nacional (do Poder Judiciário)", afirmou o relator da ação no STF, ministro Cezar Peluso, após o julgamento. O resultado do julgamento, cujo placar ficou em 10 a 1, surpreendeu já que em dezembro do ano passado o plenário do STF concedeu uma liminar para suspender uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que havia fixado o teto remuneratório para os integrantes do MP federal e estaduais em R$ 24,5 mil.
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"A diferença é que o Ministério Público não é uma instituição unitária de caráter nacional e não é regida, em conseqüência, por uma lei orgânica unitária. De modo que eles podem ter diferenças de tratamento. Juiz é uma coisa, ministério público é outra e polícia outra. Justiça estadual é um ramo burocrático do mesmo Poder Judiciário. Diferente do Ministério Público, que pertence a cada Executivo", afirmou Peluso.
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A decisão do STF foi comemorada por dirigentes de entidades representativas de juízes. Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade autora da ação, Rodrigo Collaço, ressaltou que o Supremo reconheceu o caráter nacional da Justiça. "O Poder Judiciário é unitário e nacional e todos têm de ficar submetidos ao mesmo teto, que é R$ 24,5 mil", afirmou. "Existe agora um teto único para magistratura", disse.
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Segundo ele, a decisão tem "conseqüência muito mais política, de afirmação da magistratura estadual como uma magistratura que está no mesmo nível das demais".

Valor da Petrobras no mercado já caiu R$ 34 bi em 2007

Da Agência Estado

A Petrobras perdeu R$ 34 bilhões de seu valor de mercado neste início de ano, passando de R$ 234 bilhões para R$ 200 bilhões, com a queda de suas ações na Bovespa no período, segundo cálculos da consultoria Economática.

Desde o início de janeiro, as ações da estatal se desvalorizaram em 14%, ante uma queda de 1,73% da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no mesmo período. A Petrobras é considerada a principal responsável pela queda da Bolsa, já que responde por 16% do Ibovespa.

Para analistas, além da queda do preço do barril de petróleo no início de janeiro - que atingiu empresas de petróleo no mundo todo -, a estatal foi prejudicada pelo que o mercado identificou como ingerência política nas ações da empresa.
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“Certamente o fato de a Petrobrás ter anunciado uma revisão de seus investimentos numa sexta-feira à noite, quando o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) seria anunciado na segunda-feira, demonstrou ao mercado essa interferência política no comando da empresa. Se a revisão não foi direcionada, então não sei o que foi”, disse Gustavo Gatass, do UBS, lembrando o fato de que a empresa aumentou o volume a ser investido este ano em pelo menos mais R$ 7,54 bilhões.
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Para Luiz Otávio Broad, da Corretora Ágora, a negociação com a Bolívia, que elevou o preço do gás comprado pelo Brasil do país vizinho, foi outro fator que demonstrou interferência do governo. “Certamente a Petrobrás não teria concordado com esse acordo se não houvesse uma pressão do governo”, diz o analista. Na corretora, as ações da empresa já deixaram a lista dos papéis mais recomendados (top picks), como já vem ocorrendo em outras instituições financeiras. Outro fator lembrado pelos analistas como tendo forte influência na queda das ações foi o desapontamento do mercado com os resultados da empresa no quarto trimestre. O lucro, de R$ 5,2 bilhões, foi 35,8% menor do que no mesmo período do ano anterior, e R$ 1 bilhão menor que média esperada pelo mercado. Além de todos esses fatores, lembra outro especialista, que preferiu não se identificar, há ainda o fato de a companhia - mesmo negando - manter os preços da gasolina e do diesel desatrelados do valor do petróleo no mercado internacional. “Agora isso está favorável para a empresa, porque a gasolina e o diesel aqui estão mais caros do que lá fora. Mas essa resistência em mexer nos preços dos dois combustíveis nos remete diretamente ao risco político inerente a qualquer empresa estatal”, diz.

TOQUEDEPRIMA...

Governos já gastaram oito vezes mais que previsto
Revista Veja online

Os gastos públicos com os Jogos Pan-Americanos deste ano no Rio de Janeiro já são quase oito vezes maiores do que a previsão inicial. Cinco anos atrás, quando divulgaram o orçamento do evento, União, Estado e município calculavam gastar um total de 409 milhões de reais, em valores atualizados pela inflação. Até agora, contudo, já aplicaram 3,2 bilhões de reais no evento, um aumento de 684%.

De acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, o maior aumento nos gastos foi do Estado do Rio, que previa entregar 31 milhões de reais para as obras ligadas aos jogos mas acabará gastando pelo menos 500 milhões. O salto foi de 1.513%. Já a União terá gasto quase onze vezes maior do que o estimado inicialmente, passando de 138 milhões para 1,5 bilhão. As despesas da prefeitura passaram de 239 milhões para 1,2 bilhão.

Benefícios
Os números originais estão num documento oficial entregue pelos governos e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) à Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) em 2002. Questionados pela Folha a respeito do salto nos gastos, União, Estado e município deram explicações diferentes. O governo federal diz que os gastos se justificam pelos supostos benefícios que o Rio terá. A prefeitura diz que o evento será uma "ponte" para sediar uma Olimpíada. E o Estado diz que o projeto do Pan foi melhorado e aumentado.

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A palavra é...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo

BolsaA Bolsa saiu da bolsa, certo? Ou seja, a bolsa de valores, local onde se negociam ações, herdou seu nome do velho saquinho de moedas, confere? Sem parar para pensar, sempre acreditei que fosse assim. Não é. Embora, no fim das contas, seja. Convém explicar.
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Passando pelo latim tardio bursa, pode-se traçar a origem da bolsa-saco até a Antiguidade. Encontraremos por lá o grego búrsa, “pele curtida, couro, odre para guardar vinho”. Já as bolsas de valores, aquelas que ontem começaram a se desmilingüir diante do bafo vindo de Xangai, foram batizadas muito mais tarde com um nome de família, Van der Bürse (em italiano, della Borse), clã de financistas em cuja casa se reuniam nos séculos XV e XVI os comerciantes venezianos. A acepção “lugar de comércio, de negócios” para a palavra italiana borsa aparece registrada pela primeira vez no século XVII, segundo o Houaiss.Charmosa distinção, não? Só não convém exagerar na tese das origens diferentes. Em última análise, a bolsa e a bolsa têm histórias tão entrecruzadas que seria impossível separá-las cirurgicamente. A casa dos Van der Bürse onde se reuniam os antepassados de nossos corretores estressados ficava numa praça ornamentada com uma escultura em que havia três bolsas – na acepção tradicional.
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No fim das contas, é mais ou menos o seguinte: a família Das Bolsas tinha bolsas tão abarrotadas que inspirou as Bolsas, locais feitos sob medida para o pessoal encher – e, como se viu ontem mais uma vez, esvaziar – novas bolsas.

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Mulheres: Menos emprego, menos renda
Da Folha de S.Paulo:

"A participação das mulheres no mercado de trabalho mundial estagnou nos últimos dez anos, e a taxa de desemprego feminino oscilou de 6,1% para 6,6% entre 1996 e 2006, o que significa um aumento de 22,7% -ou 15,1 milhões- no número de desempregadas mundialmente. É o que mostra um estudo realizado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e divulgado ontem, em Genebra.

A força de trabalho feminina atingiu, no ano passado, 1,2 bilhão -a masculina chegou a 1,8 bilhão. O crescimento no número de pessoas empregadas foi parecido, em termos percentuais, para homens e mulheres. Apesar disso, o aumento do desemprego foi relativamente maior entre a população feminina.

Em 2006, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho ficou em 52,4% -dez anos antes, era de 53%. De acordo com a OIT, esse dado pode esconder uma tendência positiva porque as mulheres podem estar fora do mercado de trabalho porque estão estudando mais."

"Se formassem uma nação à parte, as mulheres brasileiras teriam um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ligeiramente maior do que o dos homens. Esse "ligeiramente" só se aplica na frase anterior por causa dos baixos rendimentos delas no mercado de trabalho. Não fosse isso, por causa do avanço maior na escolaridade e da mais elevada expectativa de vida, os homens estariam bem atrás em termos de desenvolvimento humano.

Esse exercício hipotético foi feito a pedido da Folha pelo economista Marcelo Paixão, da UFRJ e do Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais.

Calculando o IDH de homens e mulheres no Brasil seguindo os mesmos critérios utilizados pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no cálculo do índice das nações, Paixão mostrou que o IDH das mulheres ficaria em 0,80, enquanto o dos homens seria de 0,79."

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Bush quer frear '' revolução bolivariana''

De O Globo:

"O presidente George W. Bush desembarca na capital paulista esta noite — iniciando viagem de uma semana que também o levará a Uruguai, Colômbia, Guatemala e México — disposto a iniciar um processo de reaproximação com a América Latina. Conselheiros e assessores da Casa Branca, que participaram das reuniões preparatórias, revelaram que foi feito um mea-culpa sobre o abandono a que a região foi relegada pela política externa de Bush, e que acabou dando espaço para a expansão da revolução bolivariana do presidente Hugo Chávez, da Venezuela. Decidiu-se, então, realizar uma reavaliação de prioridades:

— Concluímos que precisamos passar a limpo o que temos feito na região em termos de engajamento e de auxílio aos setores mais vulneráveis da sociedade, em termos de emprego, de educação, de saúde, e de segurança — disse ao GLOBO um dos participantes daqueles encontros." Leia mais em O Globo.

"Na véspera da chegada do presidente George W. Bush a São Paulo, centenas de mulheres da Via Campesina, a internacional camponesa que unifica movimentos como o MST, a CUT e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), invadiram ontem a maior usina de álcool do país, a Cevasa, em Patrocínio Paulista (SP), controlada pela americana Cargill Agrícola. A entidade também comandou invasões e protestos no Rio, em Minas, no Ceará e em Pernambuco.

A invasão foi um protesto contra a parceria que Bush pretende firmar com o Brasil para a produção de etanol, segundo o representante da Via Campesina no Brasil e líder do MST, João Pedro Stédile. Para os movimentos sociais, o acordo trará destruição ambiental e não produzirá empregos."

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O recorde do café
Radar, Veja online

As exportações brasileiras de café registraram o maior faturamento da história entre março do ano passado e fevereiro de 2007. A receita obtida chega a 3,4 bilhões de dólares. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. A Alemanha foi o principal destino do café brasileiro, seguida pelos Estados Unidos. A paixão dos alemães pelo cafezinho brasileiro tem crescido tanto que no ano passado um empresário chamado Ozan Taner lançou uma rede de cafeterias em Berlim, Munique e Frankfurt chamada "Café do Brasil". A logomarca da rede é idêntica ao do Instituto Brasileiro do Café, extinto no governo Collor.

Secretário: empresas lavam dinheiro de milícias

O secretário da Casa Civil do governo do Rio, Régis Fichtnerm, não tem dúvida de que o esquema de empresas montado pela milícia da favela de Rio das Pedras, no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste, denunciado ontem pelo jornal "O Estado de São Paulo", tem como objetivo lavar dinheiro. "Toda organização criminosa precisa ter o braço da lavagem do dinheiro. Eles recebem dinheiro e como usam o dinheiro? Tem que ter seus laranjas, suas empresas. Todo o crime de quadrilha precisa do esquema de lavagem de dinheiro".

Já o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, mostrou-se mais cauteloso. Ele só foi tomar conhecimento da reportagem no final da tarde, através dos jornalistas. "Temos que ver efetivamente os registros na Associação Comercial, ver quem são estas pessoas. Não podemos ler o nome de uma pessoa aqui e dizer que ela é miliciana. Estas pessoas precisam ser investigadas, precisamos apresentar provas ao Judiciário e para que elas sejam identificadas como milicianas", disse.

Na Assembléia Legislativa, o deputado Marcelo Freixo (Psol), que luta por uma CPI sobre as milícias, afirma que o problema "é o mais importante tema na questão da segurança pública. Ela muda o cenário para pior, porque é o crime organizado, com domínio de território, feito por agentes de segurança pública, muitas vezes com a utilização do aparato da segurança pública. Não é à toa que o próprio Félix de Souza Tostes (policial civil, executado há duas semanas e apontado como chefe da milícia de Rio das Pedras) ocupava cargo na direção da Polícia Civil", diz.

Também a deputada Cidinha Campos (PDT) não tem dúvidas de que o esquema é da milícia e adverte que a investigação não deve se limitar à favela: "Evidente que este esquema é da milícia, só que tem gente cuja ficha demora mais tempo para cair. O secretário parece ter uma ficha mais lenta. Só que no caso da milícia, o buraco é mais em cima, e não mais embaixo. Não começa com quem morreu, mas com os superiores dele", afirma, deixando claro a necessidade de investigar o ex-diretor de Polícia Civil, Ricardo Allack, que manteve Tostes como seu assessor e ainda o condecorou".

A reportagem do jornal mostrava que a milícia de Rio das Pedras não depende apenas das taxas de segurança, pedágios do transporte alternativo ou venda de imagens clonadas das TVs à cabo. Ela criou empresa de turismo, factoring para a compra de cheques pré-datados do comércio, distribuidora de gás. Também controla a cooperativa de vans e a oficina onde elas são consertadas.

Para Fichtnerm isto "é uma demonstração de organização e efetivamente tem que ser investigado. O estado não pode ter medo nem receio de nenhum tipo de organização criminosa. Temos que combater com inteligência, inclusive vendo estes aspectos também dos crimes financeiros". Já Beltrame diz que a investigação é cautelosa: "Se os resultados com relação à investigação sobre a milícia não estão sendo tão rápidos como os senhores querem, é em função da seriedade do trabalho que estamos fazendo", afirmou.

Quem é que tem mais direito à vida?

por José Nêumanne, no Estadão
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Há uma semana, em Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perpetrou uma rima pobre e infeliz ao definir a tragédia da violência como mera “questão de sobrevivência”. Como aquela do Raimundo com o “vasto mundo” do poema de Carlos Drummond de Andrade, além de capenga, ela não é solução para nada. Pois, por mais que as condições de vida do agente da violência sejam duras, e ninguém vai ser impiedoso a ponto de negá-las ou não notá-las, não há justificativa ética para alguém eliminar outrem para obter um prato de comida ou um par de tênis. Nem isso deveria justificar o gesto fatal nem o presidente e tantos outros que militam em partidos ditos de esquerda e pretendem exercer a compaixão pelos pobres e desvalidos da Terra têm condições de explicá-lo. O Direito admite ser legítimo alguém, para evitar morrer, matar. Mas estender a legítima defesa ao extremo de tornar a morte alheia um meio de subsistência é um absurdo humano, moral, lógico e jurídico.
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Não será justo atribuir esse deslize presidencial, o mais infeliz entre muitos, a uma manifestação de desumanidade, descaso e insensibilidade à dor de milhões de vítimas da brutalidade nossa de cada dia. Ele não é carola, mas notoriamente católico, como milhões de nós. Portanto, deve ter ouvido algumas vezes que o verdadeiro seguidor da palavra de Jesus Cristo oferece uma face quando o inimigo esbofeteia a outra. O trecho do Evangelho de Lucas que trata do perdão é talvez o mais belo do Novo Testamento inteiro. Mais que belo, ele instituiu o princípio do amor, desconhecido à época e magnificamente tratado por São Paulo, particularmente ao pregar a prioridade da caridade sobre todas as virtudes, na Primeira Epístola aos Coríntios. O amor é lindo, o amor constrói, foi a caridade descrita e defendida pelo apóstolo que fundou a civilização ocidental moderna. Mas até este belo conceito precisa ser relativizado para que seja possível o convívio social civilizado, fora da barbárie, cujas trevas as Escrituras Sagradas ajudaram a dissipar.
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E é em nome dessa civilização do amor e, sobretudo, do direito sagrado e inviolável à vida humana que este escriba pretende nestas linhas alertar para a importância do que Lula falou sobre tema tão profundo, mas de forma tão ligeira. Pois a palavra do presidente ecoa uma série de mitos e preconceitos que, em nome dos nobres sentimentos em relação aos desvalidos e excluídos, termina por ocultar as verdadeiras motivações da mão que fere, apedreja, tortura e mata.
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Sua Excelência e muita gente boa que milita em seu partido ou serve em seu governo acreditam ser possível inserir muitos dos protagonistas dos crimes brutais que envergonham o gênero humano no primado da necessidade. Não o crêem por mal, mas crêem mal. O que motivou a rima infeliz foi a execução do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, arrastado preso ao cinto de segurança do carro roubado da mãe em ruas de subúrbios do Rio. Presos os malfeitores, sua condição social de brasileiros remediados, com lares estruturados, alguns deles membros de famílias que freqüentam templos de seitas cristãs, ditas evangélicas, na moda na periferia das metrópoles nacionais, renegou a falsa noção de que os autores de atos brutais assim teriam de ter sido expulsos de famílias desfeitas e despejados diretamente em calçadas e sarjetas.
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Recentemente, o mapa do crime no Brasil detectou a interiorização da ação delinqüente, desafiando a crença comum de que o caos metropolitano é a única cultura em que sobrevivem os micróbios da endemia da estupidez humana. É claro que a violência urbana existe. Como persistem os conflitos rurais. Mas o crime hoje é um negócio como outro qualquer, uma indústria do lucro, da qual usufrui não apenas quem viola a lei, mas também quem teoricamente tem a obrigação de reprimi-lo. A excelente reportagem de Marcelo Auler anteontem, na capa do caderno Metrópole, sobre os lucros auferidos pelas milícias nas favelas cariocas, não deixa dúvidas quanto a isso.
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Assim sendo, o que as palavras do chefe do governo, autorizado pelo voto popular a permanecer no comando do Estado, devem provocar, mais que repúdio, será um debate sobre o que as motivou. Mortos João Hélio e Alana Ezequiel, de 13 anos, colhida por uma bala perdida num tiroteio entre policiais e bandidos em território do samba, esta na mesma idade em que, em São Paulo, Priscila Aprígio se tornaria paralítica, os políticos falam em exumar das gavetas do Congresso cem projetos que ali jazem. Mais que reduzir a maioridade penal, contudo, urge discutir por que é politicamente correto admitir o direito que se dá ao bandido, venha de que ambiente social vier, de dispor da vida alheia como meio para a própria subsistência. Por que homens de bem, como o presidente da República, seu ministro da Justiça, vários governadores de Estado e parlamentares vivem a tentar entender a motivação de quem aperta o gatilho, sem dar a mesma atenção a quem o disparo priva das dores e dos prazeres da existência?
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Como se queixou o colega Alexandre Garcia em comentário para a TV, o malogro de nosso Estado de Direito no exercício que lhe cabe do monopólio da força legítima por delegação da sociedade se deve ao fato de este se empenhar na luta contra o crime, entidade vaga e mais difícil de ser atingida, e não no combate ao criminoso. Aí está o nó górdio da questão capital: em vez de só se esforçarem para entender o brasileiro que mata para viver, nossos estadistas deveriam evitar que aumente o número das vítimas de sua violência. E, sobretudo, respeitar os milhões de heróis anônimos que, enfrentando as mesmas vicissitudes dos que delinqüem, vivem honesta e pacificamente do suor do próprio rosto, o que, aliás, também preconizava o santo padroeiro desta metrópole cruel.

Mantega diz que mudança na TR corrige distorção

Fonte: Investnews

O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou, em reunião extraordinária realizada ontem à noite, o cálculo da Taxa Referencial (TR), utilizada na remuneração da poupança. A medida provocará uma redução no rendimento da poupança.

Nesta terça-feira, ao comentar a decisão do CMN, do qual é presidente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a decisão corrige uma distorção, já que tanto a inflação quanto as taxas de juros estão caindo.

"Todas as taxas de juros estão caindo. A TR tem que acompanhar. Ela é uma taxa móvel e foi feita para refletir uma parte da inflação", explicou o ministro.

De acordo com Mantega, a poupança hoje é um dos ativos que mais vai render no mercado por causa da sua composição. A poupança é um investimento isento de imposto de renda e da taxa de administração e rende 6% ao ano mais a TR. "A poupança está ganhando bastante na comparação com um ano, dois ou três atrás", disse.

A TR é calculada com base na Taxa Básica Financeira (TBF) que, por sua vez, tem como fundamento a rentabilidade média dos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) e do Recibo de Depósitos Bancários (RDB) de prazo de 30 a 35 dias corridos, emitidos por uma amostra composta pelas 30 instituições financeiras com maior volume de captação desses papéis.

Mesmo com a correção, o ministro garantiu que a poupança ainda é uma aplicação "das mais atraentes". "É um ativo que não corre risco e dá uma bela rentabilidade", afirmou.

COMENTANDO A NOTICIA: Papo furado de Mantega. Quando a era (e foi) a pior aplicação e seus rendimentos mal cobriam a inflação, ninguém se importou. Quem perdia era o aplicador, cuja imensa maioria é formada de gente humilde e pessoas da classe média. Agora, que a poupança tendia a ser uma aplicação mais atraente, favorecendo a imensa parcela da população que faz uma poupança para emergências ou para compra de algum bem de maior valor para fugir aos absurdos juros dos crediários e das financeiras, eis a tungada cretina do governo sobre quem, via de regra, não pode se defender da avassaladora ganância de um Estado que detesta que o povo possa melhorar seu padrão de vida, sem lhe assaltar ainda mais o bolso. E o pior: de forma unilateral, não respeitando aqueles que já mantém sua poupanças ao longo de tantos anos de sacrifícios. Por que o assalto não se dá então sobre os que abrirem poupança a partir de agora ? Será que já não bastou o assalto do famoso Plano Collor ? este governo ainda tem coragem de arvorar-se de governo para os pobres !!!

Agricultores familiares buscam mercados no exterior

Fonte: Agência Brasil

Produtos orgânicos, como doces e geléias de frutas raras, como umbu, suco de tangerina, polpa de açaí e cachaças envelhecidas estão gerando emprego e renda para agricultores familiares brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agário (MDS), de agosto do ano passado a janeiro deste ano, o Brasil exportou cerca de 9,5 mil toneladas de produtos orgânicos.

Na última semana, o MDS levou 13 representantes de associações e cooperativas à maior feira de produtos orgânicos do mundo, a Biofach, na cidade de Nuremberg, na Alemanha. Com isso, o ministério quer gerar mais oportunidades de negócios para os agricultores familiares.

Segundo João Batista, técnico da área de agroindústria da Secretaria de Agricultura Familiar do MDS, os produtos orgânicos brasileiros têm boa aceitação no mercado internacional. "Secularmente, os americanos e europeus usaram pesadamente agrotóxicos. Já nós temos várias regiões e solos que ainda não estão contaminados", disse ele.

Para João batista, a qualidade do solo e as técnicas da agricultura familiar qualificam o produto brasileiro. "Já se sabe que aqui, quando se olha, principalmente a agricultura familiar, que tradicionalmente sempre usa poucos insumos químicos, é muito mais fácil ter uma certificação do produto orgânico, de um produto que não tem agroquímicos", ressaltou.

O produtor Pedro Marangoni, de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, disse que a feira foi importante para divulgar os produtos orgânicos brasileiros e garantir mercado externo. "A gente está buscando justamente esta fonte de comercialização, para que o produtor possa ficar seguro. Para ele saber que, se produzir, tem onde colocar (o produto)", afirmou Marangoni, que preside a Associação dos Produtores Orgânicos das Águas dos Rios Paraná e Piquiri.

No Brasil, cerca de 20 mil agricultores trabalham com produtos orgânicos, sendo que 80% são agricultores familiares.

Contribuintes: problemas com Super Receita

Da Agência Brasil

No primeiro dia de atendimento do posto integrado da Receita Federal do Brasil, em Brasília, a mudança não agradou todos os contribuintes que tentaram atendimento da Previdência Social. Os que procuraram os serviços da Receita Federal não tiveram problemas. Segundo a chefe de atendimento do posto, Marlene Cambraia Viana, o sistema de informática da Previdência está sendo adaptado. “Precariamente a gente está funcionando, não estamos deixando de atender”, afirmou.
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A advogada Maria Cândida Costa, por exemplo, saiu do posto reclamando que não conseguiu parcelar um débito com a Previdência. "O sistema está fora do ar e não tem previsão de voltar ao normal. Saí sem resolver meu problema”, afirmou Maria Cândida.
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Maria Cândida não sabia que o posto integrado começaria a funcionar nesta segunda. Por isso, acabou indo à antiga agência da Receita Previdenciária, para então descobrir que o atendimento tinha sido transferido para outro local. “Agora vou aguardar. Acho errado também não ter telefone para a gente ligar e saber que dia pode retornar. Esse tumulto com tudo misturado também é ruim. Há fila única de atendimento para depois distribuir novamente (os contribuintes entre Receita Federal ou Receita Previdenciária), para depois ter que aguardar novamente”, reclama.
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Já o funcionário público Carlos Couto que foi ao posto regularizar a declaração de imposto de renda não enfrentou problemas. “O atendimento foi normal, mas acho que essa unificação vai atrasar o atendimento de um órgão e o do outro”, afirmou. O coordenador de transição da Receita Federal do Brasil, Marcos Noronha, afirmou que foi coincidência a existência de falhas no sistema da Previdência, no dia de início de funcionamento do posto integrado. "Esse problema não tem nada a ver com a integração. Também estava ocorrendo em outras unidades. A expectativa é que hoje mesmo seja resolvido”, disse o coordenador. A chefe de atendimento ainda não tem expectativa de aumento de público no posto. Atualmente, são cerca de 1,3 mil serviços por dia. O número de funcionários aumentou de 30 para 50. No Brasil, há dez postos que foram integrados durante a vigência da medida provisória que criava a Receita Federal do Brasil. Mas a MP, editada em julho de 2006, perdeu a validade por não ter sido apreciada pelos senadores a tempo. Em dezembro do ano passado, foi publicado decreto presidencial assegurando a continuidade da estrutura de funcionamento da Receita Federal do Brasil.
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Já o projeto de lei que cria a chamada Super Receita foi aprovado no Congresso no último dia 13. A lei deve ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 16 e entra em vigor a partir de dois de maio de 2007.

TOQUEDEPRIMA...

Aldo rebate Chinaglia
Da coluna Painel, da Folha de S.Paulo:

"Aldo Rebelo (PC do B-SP) decidiu responder às estocadas recebidas de Arlindo Chinaglia (PT-SP) em razão da aposentadoria de R$ 12.847,20 concedida a José Janene (PP-PR), expoente do mensalão. "Foi uma decisão administrativa", diz. "Se o novo presidente não concorda, pode revogá-la." Trata-se de uma provocação e tanto. Quem conhece a história sabe que Chinaglia não tem a menor intenção de incomodar Janene, de quem se aproximou em 2005 -foi escalado pelo governo para manter sob vigilância o então líder do PP, que vira e mexe ameaçava contar o que sabia. O canal entre ambos é tão conhecido na Câmara que aliados já haviam aconselhado Chinaglia a deixar Aldo em paz. Mas, diante das reações à aposentadoria, o presidente achou melhor empurrar a conta."

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Topa tudo

O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) mandou avisar ao presidente Lula que ocupando a Integração não será empecilho e topa comandar as obras da transposição do São Francisco, mesmo a Bahia sendo contrária.

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Brasil terá dois PIBs para 2006
Fonte: INVERTIA

O ano de 2006 terá duas taxas para o Produto Interno Bruto (PIB). A primeira será divulgada na quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas a variação será válida por apenas um mês. No dia 28 de março, será apresentado um novo PIB do País para o ano passado, que será considerado oficial.

A expectativa de analistas econômicos é que a mudança eleve a variação do crescimento econômico tanto de 2006 com também de anos anteriores.

De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, a situação inusitada de dois PIBs para um mesmo ano ocorrerá por causa da mudança na metodologia de cálculo do indicador.

Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, as mudanças - incluindo todos os anos desde 1995 - não serão grandes e não deverão mudar a avaliação sobre o desempenho econômico.

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Procurador vai pedir à PF mais investigação sobre dossiegate
Hudson Corrêa, da Agência Folha
O procurador da República em Cuiabá (MT) Mário Lúcio Avelar pedirá mais investigação da PF (Polícia Federal) sobre o dossiegate, que envolveu petistas na compra de dossiê contra políticos tucanos.
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Após parecer, na sexta passada, do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o inquérito sobre o caso voltará à Justiça Federal de Mato Grosso. Souza recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a anulação do indiciamento do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) no inquérito.
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"A tendência é pedir mais investigação", disse Avelar, que tentará chegar à origem de R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil, apreendidos pela PF em setembro passado, em São Paulo.
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O dinheiro seria usado, segundo a PF, na compra do dossiê que comprometeria tucanos com a máfia dos sanguessugas.
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Com a volta do inquérito a Mato Grosso, Avelar ficará responsável pela denúncia contra os demais indiciados no caso. O inquérito foi remetido no fim de dezembro ao STF porque Mercadante, como senador, tem foro privilegiado.
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A PF havia indiciado por crime eleitoral o senador e o tesoureiro dele na campanha ao governo de São Paulo.

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TCU de olho na mudança das licitações
Cláudio Humberto

O Tribunal de Contas da União vai acompanhar de perto a tramitação no Congresso do projeto do governo Lula que muda as licitações. O TCU identificou fraudes em mais de mil licitações por cartas convites em prefeituras brasileiras. Agora, o presidente Lula quer estimular a realização de pregões eletrônicos em todas as esferas do governo federal.

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Controle do governo sobre o Bolsa Família é precário
Da Folha de S.Paulo:

"O Ministério do Desenvolvimento Social recebe hoje apenas 70% dos dados sobre freqüência escolar dos beneficiados com o Bolsa Família, o que equivale a 11,4 milhões de crianças. A União ignora se 4,9 milhões de alunos cumprem as exigências do programa.

Segundo dados divulgados pelo próprio ministério, o governo federal é informado precariamente pela maior parte dos municípios brasileiros sobre a freqüência escolar e o cumprimento das exigências de saúde dos beneficiados pelo Bolsa Família -duas contrapartidas impostas pelo programa para manter os repasses.

A situação atinge inclusive as capitais: nove delas enviaram dados de menos da metade das famílias beneficiadas. Em Maceió, por exemplo, foram enviados dados de apenas 29% das crianças inscritas no programa que freqüentam a escola.

Têm perfis parecidos Salvador e Macapá (30%), João Pessoa (39%), Vitória (40%), Cuiabá (45%), Recife (43%), Porto Velho (46%) e Aracaju (41%)."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Nenhuma surpresa. O que menos importa ao governo Lula é perder seus clientes eleitorais...

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O homem vem ai…
Xico Sá, NoMínimo

Semana quentíssima em São Paulo: o homem vem ai… sim, tem Bush e protestos a valer na sexta. Dos estudantes nem tanto, já não possuem esse poder de fogo todo, mas a bronca virá dos sem-teto e dos sem-terra, movimentos que ainda conseguem fazer um justo barulho por estes tristes trópicos. Além do alvo gringo, esses grupos também têm os seus motivos para cobrar promessas de seu Luiz Inácio. Sim, claro, vai sobrar também para o Lula, independentemente dos acertos comerciais com os EUA. Semana de arromba mesmo, sem se falar na paranóia da segurança norte-americana, sempre temente a Alá e aos seus homens suicidas. E você, amigo, o que faria se pudesse ficar frente a frente com o George W.?

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Passivo partidário
Radar, Veja online

Não está sendo tão simples quanto parecia a transformação do PFL em Partido Democrata. Além da questão da sonoridade do nome - "pedé", em francês, é pederasta - o deputado Ronaldo Caiado chegou ontem à reunião dos líderes com mais um problema. Ele consultou o TSE e foi informado de que não há impedimento algum caso algum grupo queira, após a mudança, criar um partido qualquer chamado PFL. Caiado resolveu fazer a consulta após saber que um grupo político de Goiás está pensando em reativar o velho PL, que virou PR.

De como damos sopa ao azar

Demóstenes Torres (*), Blog do Noblat

Em abril de 2003 o presidente Lula lançou o Plano Nacional de Turismo. Com a modéstia habitual, à época qualificou a medida não como uma semente lançada ao solo fértil de que tanto se admirou Pero Vaz de Caminha. Ali estava sendo plantada uma árvore pronta para dar frutos. No horizonte imediato, o Plano seria capaz de nos igualar a França e a Espanha, países que mais faturam com turismo no mundo. O presidente tinha uma idéia que o Plano faria o País tão atrativo que chegou a mencionar o que cidadão que fosse passear em Granada ou Madrid daria uma escapadinha e desceria no aeroporto do Galeão. Pensei comigo, por quê não inserir no roteiro Guriatã?

Lula enxergava 2007, data final de vigência da iniciativa. Aqui estamos e na semana passada o Fórum Econômico Mundial divulgou o Índice de Competitividade para Viagem e Turismo. Dos 124 países analisados, o Brasil ocupou a 59ª posição, apesar do, reconheça-se, competente ministro Mares Guia. Um dos quesitos avaliados que mais contribuíram para jogar o país na lona foi justamente a falta de estratégia para o setor. Em relação à infra-estrutura de transporte, o Brasil é o pior avaliado. Até Madagascar tem estradas melhores do que as nacionais. Quando o estudo analisa o critério de segurança, o País despenca na tabela e se posiciona na 90ª posição.

O Plano Nacional de Turismo não foi além do papel e, como chegou ao fim, já tem um sucessor. Turismo no Brasil: 2007-2010 é o nome da iniciativa fantástica que dará suporte às perspectivas auspiciosas do próximo quadriênio. Condições não faltam para isso. O nosso sistema de tráfego aéreo é um estímulo confortável para o europeu ou o asiático fazer o turismo de aeroporto. O dinamarquês que esperava passar pela experiência fantástica de dormir em plena selva Amazônica terá a oportunidade de vagar a noite na sala de embarque. Planejar é essencial, mas nada como um choque de realidade para entender que desenhar cenários não significa alterar uma tendência.

O Brasil tem um produto turístico interessante devido à sua enorme diversidade ambiental e cultural, mas está longe de oferecer o equipamento necessário para torná-lo efetivamente atrativo. Tanto que o país patina há pelo menos uma década na casa dos 4 milhões de visitantes. Estou falando do enorme risco do cidadão ser vítima de latrocínio logo depois de desembarcar no País. Da possibilidade de ser contaminado por coliformes em um delicioso banho de mar. Da temeridade de um estrangeiro trafegar pelas rodovias. Da falta de preparação da mão de obra. Do lixo a céu aberto e do aparelho estatal corrompido. Tem samba, mas tem também arrastão e uma estrutura de serviços desorganizada pela falta de plano diretor.

Ninguém paga caro para sofrer, para ter direitos ignorados, para ser enganado, para embarcar rumo ao paraíso em um bateau mouche ou visitar um sítio do Patrimônio Histórico da Humanidade e encontrar uma paisagem decadente. Escapa da esfera do pretensioso e trafega pela arrogância, quando um presidente fala de árvore que já nasce frondosa e com frutos pendentes às pencas quando o País é cheio de terra arrasada em todos os setores. Não existe produto turístico acabado sem saneamento, sem política de conservação ambiental, sem um sistema de informação eficiente, sem segurança pública, sem capacidade de mobilização em caso de catástrofe, sem serviços adequados e infra-estrutura competente.

O Brasil não possui nada disso, mas tem um plano. Um não. Dezenas deles e slogans confortáveis para dar caráter publicitário às iniciativas simuladas. E nada como melhorar um programa de governo por intermédio da mudança de nomenclatura. Veja que apesar de ter recursos naturais fantásticos, o País possui uma avaliação péssima do Fórum Econômico Mundial quanto às políticas de conservação do meio-ambiente, o que o rebaixa neste quesito para a 75ª posição. É tudo muito lindo e concupiscente, no entanto impróprio ao banho, menores impunes matam para roubar, o sistema do tráfego aéreo é uma temeridade, as instituições são corrompidas e o usual por aqui é ir reclamar ao bispo. Podíamos estar na rota do turismo mundial. Preferimos dar mais uma colher de sopa ao azar.

(*) Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (PD-GO)

Meta de adição de biodiesel ao diesel será antecipada

O Brasil deve antecipar para 2010 a meta de 5% de acréscimo de biodiesel ao diesel comum estabelecida para 2013. A previsão é do coordenador do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, Arnoldo de Campos. O programa foi lançado em 2005. Hoje, existem 11 usinas em operação no País, com capacidade de produção anual de 640 milhões de litros de biodiesel.

Outras 13 usinas estão em fase final de construção, já com pedidos de autorização de funcionamento junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Quando as 24 usinas estiverem operando, o que deve ocorrer ainda no primeiro semestre, serão 1,3 bilhão de litros de biodiesel disponíveis no mercado de combustíveis.

"Isso é quase o dobro do que é necessário para cumprir os 2% de biodiesel a ser adicionado ao diesel, previstos para janeiro de 2008. Ou seja, um ano antes, nós estamos conseguindo uma capacidade mais que suficiente para atender a meta estabelecida. E como a produção está num ritmo crescente, isso nos coloca num horizonte de antecipar a meta de 5% que deveria ser alcançada em 2013 para 2010", calcula Arnaldo de Campos.

Além de produzir um combustível menos poluente, o programa de biodiesel deverá permitir também que o Brasil deixe de importar diesel derivado de petróleo. Hoje, o consumo de diesel no Brasil é de cerca de 40 bilhões de litros e, 5% disso, ou seja, 2 bilhões de litros, são importados.

"Hoje, estamos perto da metade do que importamos que já pode ser substituída pelo biodiesel e, em breve, quando chegarmos aos 5% de biodiesel na composição do diesel, vamos substituir 100% da importação de diesel", diz Campos.

Até o fim do ano, quando o programa de biodiesel estiver com 24 usinas em operação e com mais um leilão para compra do produto realizado, ele estima que 60% da produção do biocombustível seja proveniente da soja e, 20%, da mamona.
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Os 20% restantes terão como matéria-prima oleaginosas como a palma, o dendê, o amendoim, a canola, o girassol, o algodão e ainda o sebo bovino. "A mamona e o girassol vão entrar com maior força a partir do segundo semestre, quando vamos a colher a segunda grande safra de mamona e a primeira de girassol que está sendo plantada neste início de ano."

Para o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), empresa que presta consultoria em economia da indústria energética, a soja é a melhor oleaginosa para compor o biodiesel. Ele acredita que outras culturas tendem a ter uma participação marginal na produção do biocombustível.

"A principal matéria-prima tem que ser plantada em grande escala, o resto vai ser sempre uma contribuição marginal. Agora, diferente do programa do álcool, que só aceita a produção a partir da cana-de-açúcar, a planta do biodiesel é flex, ou seja, aceita outras fontes e sempre vai ter um pouco delas", analisa Pires.

Japão também quer parceria no etanol

JBIC poderá financiar entrada da Petrobras na produção de álcool

O Japan Bank for International Cooperation (JBIC) poderá ser o grande financiador do projeto conjunto da Petrobras, Mitsui e outras empresas brasileiras e japonesas de produzir etanol em larga escala no Brasil e exportar para o Japão.

Em cerimônia nesta segunda-feira, representantes do JBIC se comprometeram a estudar projetos para plantio de cana-de-açúcar, construção de usinas e logística para transporte de álcool, a fim de viabilizar a produção de 3,5 bilhões de litros do combustível a partir de 2011. Desse total, 90% serão destinados ao mercado japonês.

Já parceiro em projetos da estatal brasileira nas áreas de produção, exploração, refino e gasodutos, o banco japonês não divulgou os valores possíveis de financiamento, mas, de acordo com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o custo para atingir a meta de produção gira em torno dos US$ 8 bilhões, incluindo todas as etapas.

A estatal estuda com a Mitsui 40 projetos de novas usinas, onde teria participação minoritária, com previsão de início de produção entre dois e três anos.

"O JBIC vai aprofundar a análise de oportunidades para empresas japonesas investirem no Brasil com prioridade no etanol. Podem entrar na plantação, na construção das plantas, na logística", informou Costa, negando que existam conversas sobre construção de navios para exportar o biocombustível.

"Não houve discussão sobre isso (novos navios), nossas exportações têm sido feitas com nossa frota", afirmou. Para este ano, a Petrobras prevê exportar 850 milhões de litros de álcool, para Venezuela, Nigéria e outros países ainda em negociação.

O JBIC já financiou US$ 6,5 bilhões em projetos da Petrobras desde o final da década de 1990. A estatal ainda deve entre US$ 3 a US$ 4 bilhões ao banco, informou o diretor Financeiro Almir Barbassa.

Chinaglia: votação da reforma política em 4 meses

Denise Madueño, Estadão online

A reforma política deverá voltar a estaca zero na Câmara. Depois de colocar a proposta na pauta de votação do plenário na semana passada, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), sinalizou nesta sexta-feira que a votação deverá ficar para daqui a três ou quatro meses e que o projeto deverá ser retirado para reiniciar a discussão novamente. "É uma proposta equilibrada. Dá-se um prazo curto, reabre a discussão. Todos poderão participar e, ao final, vamos votar", disse o presidente da Câmara.

Segundo Chinaglia, a idéia, que será discutida com os líderes na próxima semana, é apresentar novamente o projeto que já foi aprovado pela comissão especial e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com nova numeração, para permitir que a tramitação tenha início com abertura de prazos e apresentação de novas propostas. "Para algo que tramita aqui há mais de dez anos e nunca ninguém conseguiu aprovar, eu penso que três ou quatro meses é um tempo adequado", argumentou Chinaglia.

O presidente da Câmara disse que, com a nova discussão, os deputados de primeiro mandato poderão interferir no processo. "Não é justo que eles, inaugurando o mandato, querendo contribuir, tenham de votar aquilo que a Legislatura passada produziu", disse Chinaglia, completando que isso poderia ser entendido como cerceamento da Casa.

Na reunião dos líderes, deverá ficar definido se haverá uma nova comissão especial para discutir a reforma política ou se a proposta será analisada pelas comissões permanentes, informou Chinaglia.

O presidente da Câmara avaliou que a dificuldade em fazer a reforma política é que os parlamentares têm dificuldade em mudar as regras que os levaram a vencer as eleições. Segundo ele, as alterações geram inseguranças nos parlamentares que disputam o poder. "É público e notório que o Congresso tem dificuldade, aqui no Brasil e em qualquer parte do planeta, quando se trata de mudar regras que trouxeram a todos aqui para a representação popular. Todo mundo preza isso", disse.

Recall
Chinaglia recebeu pela manhã sugestões de reforma política da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entregues pelo presidente da entidade, Cezar Britto. Chinaglia, no entanto, já descartou um dos pontos: o dispositivo que permitiria que os eleitores retirassem o mandato do parlamentar, apelidado de recall.

"Alteração dessa magnitude implicaria mudanças radicais no sentido de uma sociedade bastante democrática. Portanto, do ponto de vista teórico, acho uma boa possibilidade. Porém, do ponto de vista da vida real da disputa de poder, da construção do próprio poder, acho que é uma medida que vai encontrar aqui, não resistência natural, mas vai exigir um debate infinitamente mais aprofundado", considerou Chinaglia.
COMENTANDO A POLÍTICA: Reforma política ? Aquilo que está se discutindo de modo algum se pode chamar de "reforma". Tratam-se de 3 medidas que, de um lado, aumenta o assalto aos cofres partidos pelos partidos, de outro, se oficialixzará os currais eleitorais e partidários através do voto de lista e que representará a perda total de identidade dos políticos com a sociedade e, uma terceira medida, esta sim, moralizadora que é a fidelidade partidária, que ainda acredito sofrerá alguma maquiada para permitir a putaria existente hoje. Portanto, "isto aí" realmente não se trata de reforma. Tem outro nome e cheira mal ainda por cima !

Chinaglia: reforma política vai começar do zero

Gabriela Guerreiro, da Folha Online
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A Câmara dos Deputados deve reiniciar do zero as discussões sobre a reforma política na Casa. Ou seja, o assunto será debatido sem colocar em votação a proposta que tramita no Congresso Nacional há mais de dez anos.
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O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta sexta-feira que vai defender a rediscussão da matéria para colocar o tema em votação até o final do primeiro semestre.
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"Para algo que tramita aqui há mais de dez anos e nunca ninguém conseguiu aprovar, eu penso que três, quatro meses é um tempo apropriado. Nós temos que incorporar os novos parlamentares. Não é justo, eles inaugurando o mandato, querendo contribuir, ter que votar o que a legislatura passada produziu", disse Chinaglia.
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A discussão sobre reiniciar a tramitação da reforma na Câmara será tema da reunião de líderes da próxima semana. Na defesa da proposta, Chinaglia disse que a sociedade não pode ser excluída da discussão.
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"Se formos votar [a proposta atual], estaremos fechando a Câmara e o Congresso a sugestões da sociedade que não foram incorporadas. Eu penso que a proposta está equilibrada: dá-se prazo curto, reabre a discussão, todos poderão participar, ao final, vamos votar", explicou.
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Chinaglia negou que a rediscussão da reforma atrase ainda mais a votação da matéria no Congresso. "Nós pretendemos aproveitar tudo aquilo que já foi produzido. Não vejo mal algum em abrir a possibilidade para o aperfeiçoamento. Pode até haver nova comissão especial ou haver o trâmite a partir das comissões permanentes", disse.
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O presidente da Câmara disse acreditar que os principais temas da reforma serão aprovados por consenso entre os deputados, como o financiamento público de campanha e a fidelidade partidária. "Não significa que a polêmica não vai existir", reconheceu.
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OAB
Apesar de se mostrar aberto às sugestões da sociedade civil e dos novos parlamentares para a reforma política, Chinaglia demonstrou resistência à proposta encaminhada à Câmara esta manhã pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Além de incorporar temas que já tramitam na Casa, como a fidelidade partidária e o financiamento público de campanhas, a proposta da OAB inclui temas polêmicos como a redução no mandato dos senadores, o fim da reeleição e o chamado "recall" (instrumento que permite que o eleitor casse o mandato do eleito que não seguir comportamento ético).
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Chinaglia sinalizou que vai engavetar a proposta da OAB. "Essa possibilidade, do ponto de vista teórico, é uma boa possibilidade. Porém, do ponto de vista da vida real, da disputa de poder, de construção do próprio poder, eu acho que é medida que vai encontrar aqui não uma resistência natural, mas vai exigir debate infinitamente mais aprofundado", disse.

Mantega: não está sobrando nada

Elaine Lina, Redação Terra

"Não está sobrando nada", essa foi a frase do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o CPMF, na chegada à reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os governadores, nesta manhã, na Granja do Torto. Na reunião, os governadores iriam pedir uma fatia maior dos repasses. Mantega disse que o governo federal já repassa o suficiente para os Estados e municípios.

O último a chegar foi o governador do Piauí, Wellington Dias. Na frente dele, no mesmo carro, chegaram os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o Minas Gerais, Aécio Neves.

Aécio, quando perguntado sobre as reivindicações para a divisão de tributos, disse que é preciso ter cautela. "Sabemos das dificuldades do Executivo em relação à necessidade de recuperar a federação do País e ter os Estados parceiros mais efetivos no processo de crescimento e desenvolvimento no País", afirmou.

De acordo com Aécio, não há expectativas de que sejam tomadas decisões hoje, nem sobre as questões prioritárias na visão do governo federal, nem tampouco sobre as demandas dos governadores. "Esta é uma oportunidade para o presidente dizer que está disposto a debater essas questões e estabelecer um cronograma para os próximos meses."

Já o governador do Rio afirmou que o tema segurança vai entrar na pauta. "Eu já apóio o programa do presidente (PAC) por acreditar ser um bom caminho para o crescimento e desenvolvimento do país", disse Cabral.

O governador de Rondônia, Ivo Cassol, disse que esta "não é uma reunião para foto". Para Cassol, a União "arrecada quase tudo e repassa quase nada" aos Estados. Ele ressaltou ainda que os recursos para segurança pública não podem ser contingenciados (bloqueados).

Uma das últimas a chegar, Ana Júlia Carepa, governadora do Pará, afirmou que os Estados têm ficado em segundo plano por estarem sendo responsabilizados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. "O PAC é fundamental, principalmente para a região Norte e Nordeste do Brasil", disse Ana Júlia. Ela também afirmou que espera discutir na reunião assuntos como segurança e educação, apesar de não estarem na pauta.

A governador do Rio Grande do Norte, Wilma Faria, reivindicou mais recursos do PAC nas ações de infra-estrutura nos Estados.
COMENTANDO A NOTICIA: Não dá para acreditar em Mantega. Existem sobras sim, porém este é um governo que transformou o talão de cheques em moeda de troca de favores. Se os governadores apertarem o governo federal, garanto-lhes que estas sobras aparecerão. É só o conjunto deles demonstrar um mínimo de coesão para com a medidas do PAC que o governo federal pretende aprovar no Congresso, e pronto, os favores logo se farão presentes. É a imoralidade da gestão pública a serviço dos interesses dos canalhas.

Mulher destrói posto de saúde em Belo Horizonte

O posto de saúde do bairro Maria Goretti, na região Nordeste de Belo Horizonte, foi destruído completamente por uma mulher que ficou revoltada com a demora no atendimento.

Segundo funcionárias do centro de saúde, ela começou a quebrar tudo que via pela frente quando foi informada que o primo, que faz acompanhamento de saúde no posto, teria de aguardar por cerca de uma hora uma ambulância para ser transferido.

"Foi horrível, ela parecia louca. Em 15 anos que estou aqui, nunca vi nada igual. A mulher chegou, perguntou pela ambulância e começou a gritar e a quebrar tudo", explicou uma enfermeira que pediu para não ser identificada.

Vacinas, medicamentos, computadores, telefones, quadro de aviso, tudo foi quebrado. As janelas e portas de vidro também foram apedrejadas. Os prontuários dos pacientes ficaram espalhados pelo chão.

A representante do Sindicato dos Servidores da Saúde de Belo Horizonte, Célia de Lélis Moreira, afirmou que esta não foi a primeira vez que funcionários foram agredidos no local. "Mas desta vez foi pior. Nunca vi tanta destruição. Aqui só trabalha mulher. Na hora, cada uma se protegeu como pôde", explicou.

Ainda de acordo com Célia, já foram feitos vários pedidos à Prefeitura de Belo Horizonte para que guardas municipais façam a segurança do posto, mas até agora não houve resposta. O atendimento do centro do bairro Maria Goretti foi suspenso.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que só vai se pronunciar no final da tarde. A mulher foi autuada em flagrante na Delegacia Seccional Leste por vandalismo.

Redação Terra

A vulnerabilidade da América Latina

América Latina 'é região mais vulnerável a crise mundial'
BBC Brasil

O mundo está entrando em uma nova fase de turbulência, e a América Latina está particularmente vulnerável a elas, indica um relatório da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU).

"A grande necessidade de financiamento (externo), motivado pela necessidade de rolar dívidas externas substanciais, permanece uma preocupação."

"Em alguns países, o populismo e o nacionalismo são crescentes, e devem desacelerar o volume do investimento nos mercados afetados", diz a análise, sem contudo citar países específicos.

Para a consultoria, um exemplo dos novos tempos de instabilidade foi a reação das principais bolsas de valores do mundo aos eventos da China e nos Estados Unidos.

Os dois motores econômicos do planeta têm desequilíbrios econômicos capazes de ameaçar a economia global. Nos Estados Unidos, a economia em desaceleração terá impacto sobretudo na América Latina, dependente da economia americana.

Já uma crise na China, grande consumidora de diversas commodities, como soja e minério de ferro produzidos pelo Brasil, poderia rebaixar o preço internacional das matérias-primas e desferir um golpe às economias latino-americanas.

Mas a especialista em América Latina da consultoria, Justine Thody, disse que "não haverá uma crise nas proporções da asiática de 1997".

"Quanto a isso, podemos ficar tranqüilos. Muitos dos desequilíbrios que existiam no passado não existem mais", ela afirmou.

Correções
A economista se refere ao fato de, hoje em dia, muitos países latino-americanos registrarem fortes superávits comerciais, o que reduz a necessidade de financiamento externo.

Por outro lado, o crescimento tem sido modesto - no caso do Brasil, a previsão é de algo entre 3,2% e 3,8% ao ano nos próximos cinco anos - e as dívidas públicas, se caíram nos últimos anos, ainda permanecem altas: em torno de 50% do PIB no Brasil e 70% na Argentina.

Esse seria o calcanhar de Aquiles latino-americano no caso de uma crise gerada nas maiores economias.

Para a consultoria, as atuais projeções econômicas nos EUA não justificam os ganhos verificados até recentemente em Wall Street. Nos últimos meses, os mercados de ações americanos subiram apesar da desaceleração da economia e do mercado imobiliário.

Já as ações nos mercados emergentes, diz o documento, estão excessivamente valorizadas.

Qualquer "correção" de investidores a esta realidade poderia ocasionar a venda em massa de ações de mercados emergentes, como ocorreu em maio e junho do ano passado.

A política externa dos EUA e as lições da história

Willian Waack, G1
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Sinal claro de que alguma coisa está mudando em Washington é quando a Casa Branca tenta explicar o que o Departamento de Estado está fazendo. Aconteceu no meio desta semana ao se anunciar que representantes do governo americano participarão de uma conferência, em Bagdá, para discutir a situação no Iraque também com representantes do Irã e da Síria - dois países com os quais, oficialmente, os Estados Unidos não falam e muito menos os ouvem.A título de "esclarecimento", o porta voz do governo americano disse que as coisas continuam como sempre, isto é, não há possibilidade de contato direto com os iranianos enquanto eles prosseguirem em seu programa de enriquecimento de urânio. Não parece ser bem assim. O Departamento de Estado não exclui a possibilidade de conversas bilaterais, entre ministros das Relações Exteriores dos dois países, numa conferência sobre o Iraque marcada para o mês que vem, também por iniciativa do governo iraquiano.
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O que está acontecendo? Parte da imprensa americana - e da européia - fala de um "novo pragmatismo", marcado principalmente pela tentativa de Condoleezza Rice de falar de alguma maneira com os iranianos. Ela acha que as negociações multilaterais que levaram a um acordo de desarmamento com a Coréia do Norte (outro país com o qual Washington se recusava a falar) são exemplo que vale a pena a ser seguido.
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Para conseguir o acordo com a Coréia, dizem jornais americanos, Condoleezza telefonou direto para o presidente George W. Bush, ignorando alguns de seus assessores republicanos, especialmente a turma em volta do vice-presidente Dick Cheney e do ex-embaixador americano na ONU, John Bolton. E formou-se uma espécie de aliança informal entre os diplomatas profissionais do Departamento de Estado e "realpolitikers" de muita influência, como Henry Kissinger, John Negroponte (o vice de Condolezza) e James Baker III - todos eles partidários do que chamam "engajamento", isto é, de conversas mesmo com os declarados inimigos.
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Há sérias dúvidas, porém, sobre as reais intenções da Casa Branca. Parte dos comentaristas afirma que a possibilidade de conversas diretas com iranianos e sírios é apenas uma cortina de fumaça com a qual Bush pretende iludir seus opositores democratas no Congresso. O presidente precisa convencer vários deles de que realmente está dando uma chance para a diplomacia, no caso do Irã, se quiser a aprovação, no Congresso, de verbas suplementares para a guerra no Iraque.
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Evidentemente a disputa entre "isolacionistas" (só eles não se consideram derrotados no Iraque) e os "realpolitikers" (pragmáticos com uma visão de mundo bastante conservadora) tem importância para o resto do mundo - é sempre assim quando a megapotência está à beira de tomar decisões (como no caso do Irã) de conseqüências imprevisíveis. Entra nesse momento o papel da personalidade na história, um dos temas favoritos dos historiadores, especialmente de um dos mais destacados da atualidade, Arthur Schlesinger Jr., que morreu quarta-feira (28) em Nova York, aos 89 anos de idade. Seu último livro, "War and the American Presidency", publicado em 2004, terminava com um veredicto devastador sobre a capacidade do atual presidente de conduzir uma guerra.
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Sempre de gravata borboleta, capaz de escrever com o mesmo espírito crítico (e bom humor) sobre política externa, filmes ou culinária, Schlesinger Jr. era a personificação do intelectual liberal americano da Costa Leste, para quem Bush, o Texas e o fundamentalismo cristão que orienta boa parte da política americana eram sinônimos de atraso, perigo e obscurantismo.
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Schlesinger Jr. passou a vida escrevendo porque história é importante para se entender o presente. Mas em sua obra derradeira, a que trata da maneira como guerras influenciaram presidências americanas e como presidentes americanos influenciaram guerras, usou uma citação de Hegel para resumir o que pensava de Bush e sua guerra no Iraque: "políticos jamais aprenderam qualquer coisa de útil da história".

Comércio Brasil e EUA atinge recorde histórico

Fonte: Agência Brasil

Em 2006, o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos alcançou o recorde histórico de US$ 39,12 bilhões - 17,41% da balança comercial brasileira -, com saldo positivo de US$ 9,74 bilhões para o Brasil. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 8,72% no ano passado, totalizando US$ 24,43 bilhões. As importações aumentaram 15,99% e alcançaram US$ 14,69 bilhões. O Brasil será o primeiro destino da visita que o presidente norte-americano George W. Bush fará à América Latina.

Apesar do resultado recorde, a participação norte-americana no total de exportações e de importações brasileiras manteve a tendência de queda registrada desde 2003. Até então, a fatia dos Estados Unidos na balança comercial brasileira oscilava para cima e para baixo, embora sempre bem fosse superior a dos demais parceiros comerciais brasileiros. A Câmara Americana de Comércio (Amcham) avalia, entretanto, que a redução da importância dos EUA na balança comercial brasileira nos últimos anos não representa um problema.

Em 2006, os norte-americanos ficaram com 17,77% do total das exportações brasileiras, contra 25,44% em 2002. Já as compras feitas pelo Brasil nos Estados Unidos, que em 2002 representavam 21,77% de nosso total de importações, encolheram para 16,08%.

A exemplo de anos anteriores, em 2006 destacou-se a ampliação das vendas brasileiras para mercados não tradicionais e com pequena participação na pauta - o que, na avaliação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), tem sido um dos fatores do aumento das exportações brasileiras. Cresceram as vendas brasileiras para países do Oriente Médio, América Latina, África e Ásia. O Brasil foi um parceiro importante para Cuba, o país latino-americano cujo Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas produzidas pelo país - mais cresceu em 2006: 12,5%.

Os Estados Unidos se mantiveram como principal fornecedor brasileiro em 2003, mas as importações brasileiras daquele país caíram 7%, totalizando US$ 9,56 bilhões. Caíram as importações de sete dos dez produtos mais comprados pelo Brasil. Também caíram as importações brasileiras de mercadorias da vizinha Argentina - o segundo parceiro comercial do Brasil - em 1,48%. Em compensação, as compras de produtos chineses cresceram 38,20%.

A corrente bilateral de comércio com os EUA continuou em crescimento nos anos seguintes (sempre com saldo positivo pra o Brasil), mas em ritmo mais lento do que as trocas com outras regiões. Em 2004, cresceu a participação dos países sul-americanos como destino de produtos brasileiros. As vendas para a Argentina subiram 61,65%. Também cresceram as vendas para México (44%), Chile (35,40%), Venezuela (141,79%), Colômbia (38,64%), Paraguai (23,28%), Uruguai (65,30%), Peru (29,43%), Bolívia (48,80%) e Equador (38,71%).

COMENTANDO A NOTICIA: É impressionante como a ignorância transforma as pessoas em animais dementados. Há poucas horas da chegada de George Bush, pipocaram no país protestos e passeatas contra sua presença em solo brasileiro. Muito bem: quem no mundo tem condições de absorver quase 18% do total de nossas exportações, gerando emprego e renda em todo o país ? Quantos empregos e quanta riqueza devemos aos investimentos feitos pelos EUA, ao longo da história, em nosso país ? Qual a “grande” maldade cometida pelos americanos contra o Brasil, para que as bestas saiam às ruas vociferando tanto ódio e ressentimento? Ou não seria a explosão do ódio e ressentimento recalcados contra o governo do próprio país, mas que por razões econômicas e financeiras, está sendo descarregado contra um inocente útil ? Não que Bush seja santo, longe disso. A sua invasão ao Iraque é uma história que fará os EUA pagarem uma pesada conta de consciência, muito embora Saddam Hussein não passasse de um sanguinário pervertido. Porém, isto em nada justifica transferir nossa responsabilidade para os norte-americanos com tanta ferocidade. Eles sempre defenderam seus interesses.

Se nós, como brasileiros, não sabemos defender os nossos, se somos incompetentes em governar nossas riquezas e atender as necessidades do povo brasileiro, em nada devemos culpá-los. Fôssemos um pouco mais inteligentes e menos emocionais, bem que poderíamos aproveitar a visita do presidente americano para buscar atender os interesses brasileiros. E querem ver como agem os macaquitos em Brasília ? Por qual razão misteriosa Lula não exigiu a presença de Bush em Brasília, que é a capital do País ? Por que, em solo brasileiro, Lula é quem tem que correr atrás do ilustre visitante ? Então, não me venham com este papo furado de que não nos ajoelharemos mais, não somos mais submissos e subservientes, etc. Os fatos falam por si mesmo. Como bem disse o Reinaldo Azevedo em resposta aos petralhas sobre Bush:”Quem este cara pensa que é?” Resposta do Reinaldo: “Ele não pensa. Ele é!”. Está dito tudo! Precisamos dos Estados Unidos para comprarem nossos produtos, e eles são os que mais compram. Precisamos dos investimentos que eles fazem em nosso país. E eles fazem, geram emprego, renda e tributos para sustentar a corja canalha instalada no poder. Precisamos da tecnologia deles para aprimorar nossa capacidade de competição no comércio mundial e assim garantir o leitinho das nossas crianças. Portanto, se somos assim tão dependentes (e acreditem, eles não são culpados desta dependência, nós é que somos incompetentes), vamos por a hipocrisia de lado, e nos comportarmos como gente civilizada. Ao menos uma vez na vida garanto que não fará tanto mal assim. Até pelo contrário. Mas, depois das balbúrdias de ontem, quem está preocupado com civilização ?

TOQUEDEPRIMA...

Órgão oficial prevê fracasso do PAC em 2007
Revista Veja online

Um órgão ligado ao governo federal prevê o fracasso do principal projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro ano de seu segundo mandato. De acordo com estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, o crescimento econômico do país neste ano será de 3,7%. No início de 2007, Lula prometeu uma expansão do PIB na casa dos 4,5%.

A meta de crescimento estabelecida pelo presidente foi anunciada no lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O crescimento de 4,5% aparece como objetivo maior do governo no documento distribuído à imprensa na ocasião do lançamento do plano. Apesar de ter revisado sua previsão para cima - na projeção divulgada em dezembro, previa expansão de 3,6% do PIB -, o Ipea segue apostando num crescimento bem menor do que o prometido por Lula.

Conforme o instituto, o cenário é bem mais favorável para os anos seguintes. A previsão é de crescimento econômico de 5% em 2008, 2009 e 2010. Em relatórios anteriores do Ipea, afirmava-se que o porcentual só seria atingido na próxima década. Na última pesquisa do Banco Central junto a fontes do mercado financeiro, divulgada na segunda-feira, a previsão para o crescimento do PIB neste ano ficou em 3,5%.

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EUA negam visto a brasileira que falaria na ONU
Redação Terra

A brasileira Janaína Regina da Conceição, 30 anos, que iria dar um testemunho na ONU em Nova York na terça-feira sobre como adquiriu o HIV após ser vítima de violência, teve o visto negado pelo consulado dos EUA em Recife, segundo a Folha de S.Paulo

Janaína foi convidada por uma importante ONG internacional, a Action Aid, que cobriria todos os custos da viagem. Ela faria parte do lançamento de uma campanha para alertar sobre a relação entre violência e Aids. Janaína foi forçada a se prostituir por uma mulher que a adotou e foi vítima de estupro durante a adolescência.

"Mal me olharam, perguntaram se estudava e trabalhava, eu disse que não e apenas responderam que eu não tinha qualificação para viajar", relata Janaína sobre sua entrevista no consulado dos EUA em Recife.

Procurada pela Folha, a embaixada dos EUA no Brasil diz que Janaína não apresentou provas de vínculos no Brasil e que por isso o visto foi negado.
A ONU disse que não comentaria o caso.

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Brasileiros à mercê da sorte
Cláudio Humberto

Chega hoje a Brasília um dos brasileiros detidos no aeroporto de Madri, na Espanha, durante a Operação Amazon. Mesmo com toda a documentação exigida pelas autoridades espanholas, o rapaz foi barrado, e passou 36 horas trancado numa sala no aeroporto. Ele fora ao país conhecer formas de aplicação dos produtos que a empresa do pai pretendia importar. O Itamaraty resolveu pedir explicações sobre os brasileiros barrados na Europa. Tarde demais; a operação terminou.

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Coréia redige um código de ética para os robôs
Revista Veja online

O governo da Coréia do Sul lançará até o fim desde ano um código de ética para prevenir abusos de seres humanos contra robôs – e vice-versa. “O governo pretende estabelecer as normas éticas sobre o papel e as funções dos robôs porque eles deverão desenvolver uma poderosa inteligência no futuro”, explicou o Ministério do Comércio, Indústria e Energia sul-coreano, segundo a rede BBC.

O país é uma das nações que apresenta maior desenvolvimento tecnológico do planeta - o que incluiu versões avançadas de acesso à internet e telefonia celular. Recentemente, o governo de Seul divulgou prognóstico indicando que, em 2018, robôs já deverão realizar cirurgias – tal o desenvolvimento da robótica local. Previsões apontam ainda que, entre 2015 e 2020, cada casa deverá contar com os serviços de um robô.

O código de ética está sendo elaborado por uma equipe que inclui escritores de ficção científica. As regras podem refletir algumas leis expressas pelo escritor Isaac Asimov, em conto publicado em 1942. Entre elas, podem figurar o controle de seres humanos sobre as máquinas e a prevenção contra usos ilegais dos andróides.

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A top Naomi é condenada a esfregar chão em NY
Revista Veja online

Uma das modelos mais ricas e famosas do planeta vai passar cinco dias fazendo faxina em Nova York. A top britânica Naomi Campbell foi condenada na terça-feira a prestar serviços comunitários como punição por ter cometido uma agressão. O castigo parece bastante adequado - afinal, Naomi foi denunciada justamente por uma faxineira, que trabalhava na casa da modelo e foi alvo da fúria de Naomi.

A top admitiu ter arremessado um telefone celular contra a empregada, a quarta acusação desse tipo contra ela. Uma corte nova-iorquina decidiu que ela deve esfregar o chão de uma instalação sanitária municipal a partir do fim deste mês. Além disso, Naomi, de 36 anos, terá de participar de um seminário para conter seus ataques de fúria. Através de seus advogados, a modelo disse ter concordado em fazer o curso.

O porta-voz de Naomi informou ainda que a modelo está disposta a fazer qualquer serviço, em qualquer data. Ela não é a primeira celebridade condenada a fazer a limpeza de Nova York. No ano passado, o cantor Boy George, ex-vocalista do Culture Club, passou cinco dias varrendo calçadas na cidade depois de relatar um falso assalto à polícia. Depois de cumprir a punição, ele se disse satisfeito com o castigo: "Fui bem tratado, valeu a pena".

COMENTANDO A NOTICIA: Pois é, sabem aquele país que os esquerdopatas e os vagabundos de plantão adoram pichar, berrar “Bush go home”, queimar bonecos e bandeiras ? Eis aí um exemplo de civilização, onde todos, indistintamente, são iguais perante a lei. Como sabemos, no Brasil, nossos mensaleiros apenas para citar uma categoria de bandoleiros, têm tratamento vip, a lei para eles é para privilegiar seus crimes. Por isto é que entendo este histerismo todo contra os norte-americanos, este ódio e ressentimento como a reação natural da inveja. Invejamos ser o que eles conseguem ser, e nós, com toda a nossa lábia cultural quinta categoria e que só serve para lixo, não passamos de latinos atrasados. Eis a verdade.

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Cinco meses no escuro
Radar, Veja online

Familiares e representantes das 154 vítimas da queda do avião da Gol farão uma passeata amanhã, em Brasília, em direção ao Congresso Nacional. O grupo espera ser recebido pelos parlamentares. Passados cinco meses e oito dias do acidente, as famílias reclamam que continuam no escuro. O prazo final para o término das investigações foi postergado em mais sessenta dias e só deverá encerrar-se no fim de abril. Uma comissão de representantes dos parentes das vítimas tentou até uma audiência com o presidente Lula, mas receberam como resposta oficial do gabinete que Lula não tinha tempo para recebê-los.

Lula: um método

Reinaldo Azevedo

Petistas estão bravos porque manguei da expressão “massa encefálica dentro do cérebro”, mais uma contribuição do Apedeuta à inculta e bela. Acham que é preconceito. Não é. Se Lula é ignorante, é um bom motivo para não ser presidente da República. Mas sei que a maioria dos eleitores brasileiros pensou o contrário duas vezes. Ok. Nunca tentei cassar o direito de voto dessa brava gente. Vai ver somos assim por isso...
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A questão relevante é outra. Quando Lula se mete a falar difícil, nada mais faz do que vocalizar o discurso que é influente à sua volta. Vive cercado daqueles intelectuais meia-bomba do PT. É um homem inteligente, mas sabidamente preguiçoso. Aprende de tudo um pouco, o suficiente para se virar, mas nada tanto assim... Não vou aqui exibir as minhas credenciais de “povo” porque tenho horror à demagogia. Mas sei que o dito-cujo não sai por aí falando sobre “massa encefálica” ou “necessidades orgânicas do ser humano”. Isso é manifestação de jactância ignorante. É irrelevante?
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Não é. Lula governa o país usando esse mesmo método. Vai sendo emprenhado pelo ouvido. Fala com muita gente. De cada um, recolhe um retalho, um rebotalho, e assim vai compondo o seu discurso. Dos ditos “conservadores”, um pouquinho de seus “fundamentos macroeconômicos”; das esquerdas, um pedacinho de suas utopias distributivistas; do sindicalismo, a esperteza macunaímica. Tudo isso vai-se amalgamando naquela “massa encefálica do cérebro”. Direção? Nenhuma.
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Ah, sim... Existe uma boa chance, de que tratarei em outro post, de que tenha sido salvo da mediocridade pelo “satã” George W. Bush. Como paga, o PT promoveu a arruaça desta quinta. Não, não fiz pilhéria da tontice lulesca. Eu a considero, na verdade, sintoma de um grave mal.

Polícia violenta e aviltada

Editorial Jornal do Brasil

Mais um civil tomba na guerra entre policiais e traficantes no Rio. A notícia se repete com aterrorizante freqüência, trocando apenas o nome da vítima e a área do conflito - hoje espalhada de Norte a Sul da cidade.

Recente levantamento feito com base em reportagens de jornais revelou que, só no ano passado, 170 pessoas foram atingidas por balas perdidas na região metropolitana do Rio: 35 delas eram crianças com menos de 13 anos. Mais assustador é que os números são desconhecidos pela polícia. Nas delegacias, esse tipo de ocorrência é registrado como homicídio ou lesão corporal, se a vítima não morre.

O governo do Estado promete a criação de um banco de dados para contabilizar as vítimas de balas perdidas. A inciativa, bem-vinda, ajuda na tabulação estatística, mas não apascenta os corações de mães, parentes e amigos que, diariamente, perdem entes queridos na guerra urbana. Tampouco ataca o cerne da questão: a inabilidade da Polícia Militar em lidar com situações de conflito armado.

A culpa pelo despreparo da tropa não deve recair sobre o soldado. Todos os especialistas que examinam o estado do aparato policial do Rio são unânimes na conclusão de que nosso policial é muito mal treinado - excetuando-se as tropas de elite, como as do Batalhão de Operações Especiais, o Bope. Some-se a isso o soldo irrisório pago a esses homens e mulheres que arriscam a vida diariamente (o salário de um policial militar em início de carreira é de R$ 800, podendo chegar a R$ 1 mil caso seja casado ou tenha filhos).

Os brasileiros clamam por uma polícia mais justa, humana e adestrada, capaz de reagir com firmeza à bandidagem, sem expor a riscos pessoas de bem. Policiais não podem ser algozes do cidadão, tampouco vítimas do descaso.

COMENTANDO A NOTICIA: Na semana do brutal assassinato do garoto João Hélio, e na que se seguiu, diante do clamor popular exigindo e cobrando providências das autoridades, o que se ouviu e leu foi o seguinte: fosse da Ministra Ellen Grecie, Presidenta do Supremo Tribunal Federal, fosse do Ministro Thomaz Bastos da Justiça, e até do Presidente da República, foi de que não se poderia tomar decisões levados pela pressão, ou pelo emocionalismo. Eles até poderiam estar certos em suas desculpas esfarrapadas, se o caso do garoto carioca fosse um caso esporádico, eventual. Porém, e os números não deixam dúvidas, apenas em 2006, foram 35 crianças, abaixo da linha de 13 anos, que foram assassinadas em balas perdidas. Então é de se perguntar: o que falta mais para esta gente toda tomar decisões ? Impor medidas de basta à violência, à impunidade, à falta de segurança ? Ainda nesta semana, em boletim do TOQUEDEPRIMA, publicamos a noticia terrível dos investimentos em segurança pública feitos pelo governo federal, o que nos levou a questionar o que vale mais vale de tantos milhares de inocentes, diariamente roubados da existência, grande número ainda jovens, ou o raio do dinheiro preso nos cofres do tesouro para bancar as festinhas palacianas, as reformas milionárias de algumas mansões, ou as viagens e estadias de droga para porra nenhuma que diariamente o contribuinte acaba bancando para este monte de energúmenos que investidos de autoridade, não a exercem e deixam o cidadão à mingua ? Sinceramente, não há mais nenhuma razão que impeça uma ação imediata de parte do governo federal, a não ser a preguiçosa omissão e a incriminadora e irresponsável conivência com o crime.

O partido dos banqueiros

Editorial do Estadão
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O governo Lula é o governo do Partido dos Trabalhadores? Às vezes. De quando em quando, como acaba de ocorrer, está no governo o Partido dos Banqueiros. E, quando isso acontece, o governo do ex-líder sindical esquece suas origens. Entre os interesses específicos dos bancos e os interesses de milhões de trabalhadores, prevalecem os primeiros.
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Há meses, a Febraban pediu ao governo que adotasse providências para reduzir a rentabilidade das cadernetas de poupança. Com a queda da inflação e dos juros básicos, o rendimento da aplicação mais popular do País estava se aproximando da rentabilidade dos fundos administrados pelos bancos. E os bancos, é claro, não queriam reduzir os seus lucros. Esta semana, o Conselho Monetário Nacional - formado pelo presidente do Banco Central e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento - decidiu mudar o cálculo da TR, que compõe o rendimento da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Agora, quando a taxa Selic atingir os 12% anuais, a TR terá um redutor e com isso a rentabilidade da caderneta - TR mais 6% - cairá algo em torno de 10%, sendo reduzida a do FGTS - TR mais 3% - em cerca de 5%.
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O ministro Guido Mantega justifica a medida com a lógica implacável de sempre. Há dias, por exemplo, o ministro enriqueceu a ciência econômica ao afirmar que a carga tributária não aumentou; a arrecadação é que subiu. Agora ele declara que “está havendo redução de juros, e é natural que qualquer tipo de aplicação tenha rendimentos menores”. Muito justo. Só que, quando os juros estavam em 75% ao ano e a caderneta de poupança continuava pagando 6%, ninguém - muito menos o economista Guido Mantega - teorizou a respeito de tal conseqüência “natural”.
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O fato é que o redutor da TR será aplicado para garantir os fabulosos lucros dos bancos por mais algum tempo, sem que eles tenham de se adaptar às novas realidades do mercado. Como os bancos têm sobre o governo um poder de pressão infinitamente maior que o dos depositantes de cadernetas e os trabalhadores com conta no FGTS, estes últimos pagam a conta de “ajuste”.
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A rentabilidade da caderneta, de fato, está se aproximando da rentabilidade real dos fundos administrados pelos bancos. Mas isso ocorre principalmente porque os bancos continuam cobrando, hoje, as mesmas comissões e taxas de administração que cobravam há dois ou três anos. Há bancos que cobram 5% de taxa de administração. Isso as autoridades monetárias consideram normal. Nas raras ocasiões em que o assunto vem à tona, argumentam que a concorrência entre bancos se encarregará de ajustar o mercado. Mas foi exatamente o oposto que fizeram, agora. Em vez de deixar o mercado de fundos se ajustar, com a redução das taxas de administração, foram diretamente ao bolso dos depositantes de cadernetas e do FGTS. Não foi a mão invisível do mercado que agiu; foi a mão do gato.
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Como bem observou o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, houve “uma transferência de renda do trabalhador para o sistema financeiro, o setor que mais lucra neste país”. De fato. No mesmo dia em que foi anunciada a decisão do Conselho Monetário Nacional, uma empresa de rating divulgou estudo sobre os lucros dos bancos em 2006. Eles tiveram um lucro líquido de R$ 27,5 bilhões. Essa bagatela foi apenas 3,6% superior ao resultado de 2005 porque alguns grandes bancos decidiram amortizar de uma só vez aquisições que poderiam ser liquidadas em dez anos. Com as aquisições, reduziram o número de concorrentes no mercado - daí não ter sentido falar-se em mercado competitivo, no setor. E, com os lucros exuberantes que tiveram, anteciparam quitações e ainda distribuíram polpudos dividendos.
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O governo sempre poderá alegar que decidiu reduzir a TR para evitar que os fundos encolham, dificultando a futura colocação de títulos públicos no mercado. Mas esse argumento não esconde o fato de que o ajuste do mercado de fundos está sendo feito em benefício dos bancos e de ninguém mais. Perdem com isso os titulares de 75 milhões de contas de poupança e de 514 milhões de contas do FGTS. Imagine-se o que aconteceria se esse não fosse o governo do Partido dos Trabalhadores.