domingo, fevereiro 08, 2009

Um debate que não ajuda - e que atrapalha

J.R. Guzzo, Revista Exame

É falsa a mensagem de que estamos vivendo uma situação de calamidade igual à de 1946 ou à de 1929. Por uma simples razão: aquele mundo não existe mais


O Fundo Monetário Internacional anunciou na semana passada, com o ar de seriedade científica que costuma usar quando nos comunica suas grandes descobertas, que a economia do mundo terá, em 2009, seu pior desempenho desde o fim da última guerra mundial, em 1945. Tudo isso? Nenhuma dúvida, garante o FMI. O PIB global, neste ano, não cresce mais do que 1% ou, no máximo, 1,5%. Mas atenção: os números podem ser piores ainda, pois estamos só no comecinho do ano. Esperem pela nossa próxima previsão, recomendam os técnicos do Fundo, pois nos últimos quatro meses as estimativas já foram revistas três vezes, todas elas para baixo. Admitindo-se que essas contas não tenham nenhum erro, a questão que interessa é a seguinte: e daí? Para levar ao pé da letra o anúncio do FMI é preciso acreditar que o mundo de 2009, com o Brasil junto, estará numa situação pior que o mundo de 1946. É fácil dizer esse tipo de coisa, pois muito pouca gente que já tinha chegado à idade adulta em 1946 continua viva em 2009 para se lembrar de como era mesmo aquela época e fazer a comparação; seu número, além disso, fica a cada dia menor, e os que sobraram provavelmente têm preocupações mais urgentes do que julgar os méritos relativos da economia atual e da economia de 64 anos atrás. O que já não é tão fácil assim, pois não tem graça nenhuma e não rende espaço no noticiário, é pensar nesses números com um pouco mais de calma - vai se ver, aí, que o fato de o PIB mundial crescer hoje no mesmo ritmo de 1945 pode servir para testes do tipo "você sabia?", mas não quer dizer rigorosamente coisa alguma.

O que há de comum entre a economia daquela época e a economia de hoje? O mundo vivia na idade da pedra. China, Índia e dezenas de outros países não tinham existência econômica. O PIB global, hoje na casa de 60 trilhões de dólares, era de 3 trilhões - e metade disso estava nos Estados Unidos. O Brasil era a terra do Jeca Tatu. Em 1950, cinco anos após o fim da guerra, havia em circulação pouco mais de 400 000 veículos, ou menos da metade da frota atual de Curitiba. Cerca de 50% da população era analfabeta, e mais de 60% viviam na área rural. Só em 1946 o país começaria a produzir aço, só em 1951 o Rio de Janeiro e São Paulo seriam ligados por uma rodovia asfaltada e só em 1957 sairia da linha de montagem o primeiro carro fabricado no Brasil. De que adianta, para avaliar a situação de hoje, ficar tomando como referência um mundo que não existe mais? Do ponto de vista prático, não adianta nada: saber que em 1945 a economia mundial cresceu o mesmo 1% que deverá crescer em 2009 é uma informação que não pode ser utilizada para resolver nenhum problema real que as pessoas têm à sua frente neste momento. Trata-se, apenas, de mais um desses casos em que a discussão não ajuda e, ao mesmo tempo, atrapalha.

Atrapalha porque o sujeito oculto da frase é a mensagem de que estamos vivendo uma situação de calamidade equivalente à do fim da guerra, ou à de 1929 (outra data de grande popularidade no gênero), ou à de qualquer época de horror econômico. É falso, mas funciona muito bem para assustar quem toma decisões, para induzir ao erro e para criar um ambiente de fim do mundo. No noticiário econômico destes últimos dias, por exemplo, o fenômeno aparece com todas as suas turbinas ligadas na potência máxima. Era possível ler, no espaço de 72 horas, que as multinacionais já demitiram 170 000 pessoas em janeiro, que o suco de laranja é um produto em via de extinção e que a inadimplência promete chegar a níveis jamais atingidos. Não menos de 20 milhões de empregos vão desaparecer da face da Terra em 2009. O governo inventa uma exigência de licença prévia para a importação de 3 000 produtos - e volta atrás logo em seguida quando descobre que dezenas de fábricas teriam de parar, pois precisam de componentes importados para manter-se em atividade. Ninguém é demitido; também ficam no cargo os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Meio Ambiente, Carlos Minc, que brigam abertamente entre si. A Ford mundial teve o maior prejuízo de sua história (no caso, desde 1903), as exportações encolhem e em Minas Gerais nem o Rei Momo consegue emprego para o próximo Carnaval. As vendas não caem; "despencam". A produção não diminui; "desaba". As demissões não aumentam; "explodem". É o baile dos desesperados.

Nenhum desses fatos foi inventado. Mas é certo que vai acabar errando quem ficar olhando só para eles - e, principalmente, quem passar tempo demais pensando em 1903, 1929 ou 1945.

Bons companheiros

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Sarney, Renan e Collor mostraram que nenhuma aliança é impossível

No século passado, se o destino juntasse no mesmo saloon José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, sobraria chumbo até para o pianista. "O presidente Sarney é o maior corrupto do Brasil", recomeçavam o tiroteio Lula e Collor. "O deputado Lula é um primitivo", revidava Sarney – além de "analfabeto", mirava na testa Collor. "O governador de Alagoas é um canalha", puxava o gatilho Sarney, antes que a ascensão e a queda de Collor sugerissem a Lula o tiro de misericórdia: "Foi o mais safado dos presidentes" .

Nada como um século depois do outro. Em 2003, meia hora de conversa (animada por meia dúzia de nomeações) bastou para que Lula e Sarney virassem amigos de infância. Em 2007, na primeira visita do senador Collor ao chefe de governo, ambos foram assaltados pela sensação de que choraram no mesmo berçário. No começo da semana, Sarney e Collor descobriram que cresceram na mesma rua. E se lembraram de que, quando chovia, nadavam na mesma enxurrada frequentada por aquele parceiro pernambucano.

Encerrada a eleição para a presidência do Senado, Lula ficou feliz com a vitória de Sarney, que ficou feliz com o apoio militante de Collor, que ficou feliz por ganhar de presente o comando da Comissão de Relações Exteriores. E todos ficaram felizes com o bom trabalho do ex-amigo, ex-inimigo e novamente amigo dos três Renan Calheiros, que ficou feliz por ter-se vingado do candidato derrotado Tião Viana, o único que não ficou feliz. "Venceu a base aliada", consolou-o Lula, que diria a mesma frase caso o senador petista triunfasse. Há lugar para qualquer partido na "base aliada". E há carteirinhas de sócio sobrando na portaria do Clube dos Amigos do Presidente.

Ali, Lula, Sarney e Collor trocam afagos na mesa principal, sob olhares aprovadores de centenas de associados que também protagonizam parcerias improváveis. A visão panorâmica da paisagem informa que os políticos brasileiros não enxergam diferenças entre o convívio dos contrários e a promiscuidade dos amnésicos de araque.

O Brasil democrático reduziu a anacronismos criminosos certos usos e costumes rotineiros nos grotões – cauterizar feridas morais com sangue, por exemplo, ou interromper com trabucos uma ofensiva retórica. Mas não foram abolidos o sentimento da honra, nem a capacidade de indignar-se, tampouco a regra já vigente no tempo das cavernas: há limites para tudo. Todos podem fixá-las como bem entenderem, mas segue obrigatória a demarcação da fronteira que separa o ataque duro do insulto imperdoável, ou da infâmia que exige rupturas definitivas.

Só quem primeiro perdeu a vergonha consegue encontrar depois dos 50 anos (ou dos 60, ou mesmo dos 70) amigos de infância com os quais nunca conviveu. Só a demissão da autoestima e a capitulação que desonra permitem a celebração de alianças tão chocantes quanto acasalamentos de clubes de swing. A praga das parcerias obscenas só serve para atestar que certas demonstrações de pusilanimidade exigem dos protagonistas muito mais coragem que qualquer ato de bravura.

Cursinho de direito para crianças
Concebido para enfiar noções jurídicas rudimentares na cabeça de bacharéis aos quais falta memória e sobra esperteza, o cursinho de direito para crianças pescou na discurseira do ministro Tarso Genro os temas explorados na aula inaugural da quarta-feira. Primeiro, Tarso aprendeu que "decisão soberana" pode rimar com "decisão desastrosa". Em seguida, soube o que é dupla cidadania e descobriu por que a Itália não devolveu Salvatore Cacciola ao Brasil. A lição de hoje vai explicar que Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Cesare Battisti, merece tanta atenção quanto um camelô acampado no Pelourinho quando berra que o bandido italiano "não teve direito a ampla defesa porque foi julgado à revelia".

Adotado no Brasil, rotineiro nas nações civilizadas, sem parentesco com o arbítrio, o julgamento à revelia quer dizer que o réu não estava no tribunal no momento da sentença. Battisti não esteve porque não quis ou por falta do que dizer. Se fosse mesmo inocente, Battisti teria aparecido com o advogado – se faltasse dinheiro, a Justiça escalaria alguém – pronto para garantir-lhe a absolvição. Em vez disso, fugiu para a França e escondeu-se "em lugar incerto e não sabido". Por ignorar o endereço do acusado, restou ao juiz encarregado do processo intimá-lo pela imprensa. Como Battisti não deu as caras nem mandou representante, foi julgado à revelia. Ele sabia que tinha direito a ampla defesa. Só não sabia o que dizer.

Livro luta para escapar da morte
Os cinco desembargadores que compõem a 18ª Câmara Cível do Rio de Janeiro vão decidir ainda neste verão o destino do livro Roberto Carlos em detalhes, a excelente biografia do Rei escrita pelo jornalista Paulo César Araújo. No ano passado, já transformada em sucesso de público e crítica poucas semanas depois do lançamento, foi condenada à morte por interdição judicial. Sem ter lido uma única página, Roberto Carlos conseguiu a captura dos volumes em liberdade e a prisão preventiva de eventuais edições. Um memorial do caso e um exemplar do livro foram entregues aos cinco eleitores. A votação também decidirá o destino da censura que não ousa dizer seu nome.

De onde menos se espera nunca sai nada
Pode um parlamentar de quinta ter uma ideia de primeira? Talvez, desconfiaram muitos brasileiros surpreendidos pela proposta do deputado Edmar Moreira, 2º vice-presidente e, por consequência, corregedor da Câmara. Aparentemente, queria transferir para o Judiciário os casos de polícia e os atentados ao decoro protagonizados por pais da pátria. Horas depois, ficou claro que a ideia apenas comprovava que certas demonstrações de covardia exigem de seus protagonistas muito mais coragem que qualquer ato de bravura. "Poderíamos, se tanto, votarmos a admissibilidade e encaminharmos para a Justiça, que é o foro competente", começou a desnudar-se. "Iríamos nos desobrigar de sermos acusados de parcialidade com relação a nossos colegas. Além disso, temos o vício insanável da amizade". Ao estagiar no Conselho de Ética, o autor da proposta absolveu todos os mensaleiros que encontrou pela proa. Quer continuar inocentando todo mundo, com o endosso da turma. O prontuário de Moreira informa que acha que não faltará jamais aos parlamentares a brandura do Judiciário. Um dos itens mais vistosos é o castelo de R$ 25 milhões que esqueceu de incluir nas declarações de bens. Depois de ter perdido de vez a vergonha, vai perder o cargo de corregedor. O substituto continuará inocentando delinquentes. A Justiça continuará tratando com misericórdia fortíssimos candidatos à cadeia. Mas os dois poderes ao menos não poderão culpar-se um ao outro pelo espetáculo da indulgência criminosa.

A verdade, agora com áudio

Expedito Filho, Revista VEJA

"Foi um colega de vocês", disse o general Felix, do Gabinete de Segurança Institucional, ao reconhecer que um espião da Abin foi o responsável pelo grampo no STF, denunciado por VEJA. Os fatos, como se sabe, são teimosos


SEGREDO

O general Jorge Felix disse em reunião reservada na Abin que a Polícia Federal também já saberia quem foi o autor do vazamento

O general Jorge Armando Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, é guardião de um segredo capital: a identidade do agente da Abin responsável pela revelação da existência de uma rede clandestina de espionagem contra autoridades da República patrocinada por agentes do governo. No fim do ano passado, em uma reunião fechada na sede da Abin, em Brasília, Felix admitiu na frente de centenas de testemunhas que o grampo telefônico ilegal contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, foi obra de um servidor da Abin – "um colega de vocês", nas palavras do general. Ele não revelou o nome do acusado, não esclareceu em que setor estava lotado, se era civil ou militar, aposentado ou da ativa. Disse apenas que o suspeito já estivera envolvido em outro caso semelhante e que a Polícia Federal também já conheceria sua identidade. Em público, o general sempre negou com veemência o envolvimento de seus subordinados no escândalo dos grampos clandestinos. Ao admitir que um de seus espiões foi o responsável, o ministro Felix confirma o que a Polícia Federal tenta há meses comprovar: a ação de espionagem da Abin contra o presidente do STF.

A reunião em que o ministro Jorge Felix reconheceu a participação de um de seus espiões no caso ocorreu na manhã de 13 de novembro, três meses após o escândalo que provocou a queda do diretor da Abin, o delegado Paulo Lacerda, e oito dias depois de agentes da PF terem apreendido computadores, documentos e equipamentos de espionagem nos escritórios da agência no Rio de Janeiro e em Brasília. O general queria tranquilizar seus subordinados sobre os últimos acontecimentos. Pediu sigilo sobre o que seria dito e passou a relatar suas impressões sobre o caso. A reunião, como é de praxe, estava sendo gravada. O ministro comentou a reportagem de VEJA que revelou o grampo ilegal contra Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres: "Infelizmente, tem ocorrido uma série muito grande de vazamentos, vazamentos ocasionados por colegas de vocês. Desde o vazamento que deu origem a toda essa celeuma, a essa reportagem. Foi vazada por um colega de vocês, está claramente na reportagem (...)", admitiu. Com o auditório em silêncio, o general Felix, sempre pedindo reserva sobre suas declarações, continuou: "De modo que a PF sabe quem vazou. Da mesma forma consta aqui que foi a mesma pessoa que vazou a outra reportagem que saiu na IstoÉ (apontando um agente aposentado da Abin como o autor de grampos ilegais). De modo que vocês são homens e mulheres de inteligência e podem procurar saber quem foi. Fica o registro. Eu lhes peço que não deixem vazar".

PARECE AMEAÇA
Wilson Trezza, o diretor interino da Abin, vê clima de animosidade entre a agência e a PF como um "suicídio institucional"

O ministro do GSI afirmou que "consta" que a Polícia Federal também saberia a identidade do espião e que teria conseguido tal informação a partir de um depoimento de um repórter de VEJA. (Nota da redação: a declaração do repórter de VEJA mencionada pelo general nunca ocorreu.) A PF informa oficialmente que o inquérito não foi concluído exatamente porque ainda não foi possível identificar o autor, ou autores, do grampo. O ministro Jorge Felix poderia ajudar a elucidar de vez o mistério com suas valiosas informações. Além do general, estava presente à reunião, que durou quarenta minutos, o diretor interino da Abin, Wilson Trezza. Ele pediu aos colegas que evitassem um clima de conflito com a Polícia Federal. "É um suicídio institucional para ambos se esse clima de animosidade acontecer", previu Trezza. Soou como ameaça, diante das investigações policiais que vêm devassando a ação clandestina da Abin. "É a primeira vez que uma autoridade admite que a informação sobre o grampo vazou da Abin. Vamos estudar com cuidado esse material, que já chegou à CPI dos Grampos, e, se for o caso, convocaremos o general para esclarecimentos", disse o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da comissão. O Gabinete de Segurança Institucional não quis comentar o assunto.

Áudio da reunião da Abin

Stédile, o intocável

Hugo Marques, Revista Istoé

Líder do MST escapa de dezenas de inquéritos, não é investigado pelo Incra e delegado que quis incriminá-lo perde cargo de chefia




O principal líder do MST, o economista João Pedro Stédile, é um homem de sorte. Ele parece ter prerrogativas de fazer inveja a qualquer brasileiro. Exemplos não faltam. Por sete anos, a Polícia Federal (PF) alegou que não conseguia encontrar Stédile para que prestasse depoimento num inquérito sobre a destruição de pedágios da rodovia Castelo Branco, em São Paulo. O ataque ocorreu em novembro de 1999. Um mês antes, Stédile havia incitado publicamente os militantes a quebrar os pedágios. O delegado Joel Zarpellon Mazo até que se esforçou para incriminá-lo. Mas, ao avisar à direção da PF que indiciaria Stédile, foi pressionado a deixar a chefi a da Delegacia de Ordem Política e Social, hoje Delinst. "O inquérito foi a causa da perda de meu cargo", afirma Mazo. "Fui deslocado para a Divisão de Direitos Humanos, sem cargo de comissão."

Mazo não é um caso isolado de autoridade que enfrentou o poder de Stédile. Ex-ministro da Reforma Agrária, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) disse à ISTOÉ que, no cargo, sofreu "pressões de todos os lados" quando o assunto era Stédile ou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), devido à retaliação da organização. "O Stédile é mais que intocável", diz Jungmann.

"Os governadores têm medo, o governo federal tem medo e nenhum presidente de tribunal de Justiça quer comprar briga com Stédile e o MST. Os governos são reféns do Stédile", afi rma o parlamentar. O ministro do STF Marco Aurélio Mello ficou perplexo diante da revelação de que um delegado perdeu a função ao tentar enquadrar o líder do MST. "Não concebo que uma autoridade que esteja incomodando seja afastada do cargo; isso contraria o interesse global da sociedade", diz.

O inquérito sobre os fatos de 1999 só foi remetido à Justiça Federal em 2006 e até hoje não foram ouvidas todas as testemunhas. No relatório, o delegado que assumiu a investigação, Sandro Torres Avelar, fez um "indiciamento indireto" de Stédile. A PF, no entanto, não con seguiu confi rmar o conteúdo de um depoimento anexado ao inquérito. O militante do MST Odair Moraes da Rosa, que foi preso por danifi car os pedágios e "subtrair quantidade indeterminada de dinheiro", disse à polícia de Porto Feliz (SP), logo após o ataque na rodovia, que estava em companhia de Walkimar Reis Fernandes, o Kima, "subordinado diretamente do senhor João Pedro Stédile". Mas, na Justiça, Rosa disse que não recebeu ordem de Stédile para destruir os pedágios.

Em outra investigação, desta vez no Rio Grande do Sul, o Ministério Público denunciou Stédile pela destruição das instalações da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, em 2006, que causou um prejuízo de R$ 880 mil à empresa. O promotor Daniel Soares Indrusiak acusa Stédile de rea lizar o planejamento da invasão. No governo Lula, ninguém admite que Stédile esteja acima da lei. O ministro da Justiça, Tarso Genro, diz desconhecer qualquer privilégio ao MST ou a Stédile. "Na minha gestão nunca houve nenhum tipo de atitude para travar inquérito, seja do MST, seja de altos fi gurões ou fora do governo", diz Tarso.

"Daqui não sai esse tipo de orientação." Porém, numa consulta que a PF fez ao sistema de informações de segurança do governo, o Infoseg, nenhum registro foi encontrado. Isso significa que, apesar de sua presença em manifestações sociais que descambaram para a baderna, Stédile tem fi cha limpa. Ele responde a apenas duas ações penais - a dos pedágios e a do caso Aracruz.
Diante da difi culdade de enquadrar o MST e seu líder, o Ministério Público tenta punir as autoridades que estariam prevaricando em favor do movimento. O procurador Pedro Nicolau Sacco impetrou ação de improbidade contra o presidente do Incra, Rolf Hackbart, por "engavetar" investigação sobre os 3% que o MST cobrava de taxa dos assentados; dinheiro, por sinal, repassado pelo governo. Estas taxas ilegais, por longo tempo, teriam financiado as ações arquitetadas por Stédile. Segundo Sacco, por quatro anos Hackbart não tomou providências para expulsar do Incra os servidores envolvidos nas irregularidades que beneficiaram o MST. "A presidência daquela autarquia aguardou o transcurso da prescrição das penalidades administrativas cabíveis", diz o procurador. "Demonstrou total desprezo pela ordem jurídica que rege a administração pública." Hackbart não se pronunciou.

Desde 2000, o Incra tenta condenar o MST e os líderes do movimento que participaram do quebra-quebra da sede da autarquia em Brasília, naquele ano. Stédile, à época, era um dos líderes que foram a Brasília para orientar o movimento. No ano passado, o juiz federal Antônio Corrêa, da 9ª Vara, advertiu que o MST não possui personalidade jurídica e pediu que o Incra se manifestasse a respeito. Após oito anos, o Incra anexou petição concordando, ou seja, o MST seria inimputável, e restringiu a culpa pelos delitos aos coordenadores do movimento em Brasília. Stédile novamente fi cou de fora. "O Stédile viaja mais do que o Lula e como tem que ser citado pessoalmente o ofi cial de Justiça não consegue", justifi ca Juvelino José Strozake, advogado do líder do MST. E rebate: "O Jungmann é o porta-voz do latifúndio.

O Stédile não é intocável em hipótese alguma, o que não podemos é aceitar que o direito penal seja usado como instrumento de repressão política."




Joel Zarpellon Mazo, delegado da Polícia Federal
"O inquérito foi a causa da perda de meu cargo"

Grampo da PF indica que Sarney usou jornal e TV para atacar grupo de Lago

Leonardo Souza e Felipe Seligman, Folha de São Paulo

Governador do MA também é acusado, por assessores de Sarney, de usar veículos de comunicação para ataques
Como as emissoras de TV são concessões públicas, a lei 4.117/62 proíbe seu uso para fins políticos; senador não comenta a escuta da PF

O senador José Sarney (PMDB-AP) e seu filho Fernando Sarney aparecem em uma escuta legal da Polícia Federal discutindo o uso de duas empresas do grupo de comunicação da família -a TV Mirante (afiliada da Rede Globo) e o jornal "O Estado do Maranhão"- para veicular denúncias contra seus rivais do grupo do governador Jackson Lago (PDT).

O Maranhão vive uma acirrada disputa política entre Sarney, eleito presidente do Senado na segunda-feira, e Lago -que também é acusado pelo grupo do senador de utilizar a mídia local para atacá-lo.

Em uma das conversas, a cujo áudio a Folha teve acesso, Sarney liga para seu filho pedindo que ele levasse à TV acusações contra Aderson Lago, primo e chefe da Casa Civil do governador Lago, que derrotou a filha de Sarney, Roseana, em 2006. Como as emissoras de TV operam por meio de concessão pública, a lei 4.117/62 veda seu uso para fins políticos.

O grampo foi feito pela PF nos telefones de Fernando, principal alvo da Operação Boi Barrica, que apura movimentações financeiras de empresas da família Sarney no período eleitoral de 2006. Fernando sacou R$ 2 milhões nos dias 25 e 26 de outubro daquele ano, três dias antes do segundo turno. O senador não é alvo do inquérito. Procurados pela Folha, Sarney e Fernando não quiseram se manifestar sobre o assunto.

Em um diálogo de 17 de abril de 2008, os dois tratam de uma denúncia publicada num blog do Maranhão contra Aderson e seu filho, Aderson Neto. Segundo o blog, Neto teria se envolvido em desvio de recursos públicos de convênios firmados entre a Prefeitura de Caxias (MA) e o governo estadual.
Na conversa, Sarney manda Fernando -que dirige o grupo de comunicação da família- levar ao ar na TV Mirante uma reportagem sobre o caso, ressaltando que Aderson sempre o atacou e que o insultou de "maneira brutal" num artigo. Fernando dá a entender que foi ele quem vazou a informação contra Aderson para o blog, e que já estava preparando reportagens sobre o tema tanto na TV quanto no jornal da família.

Sarney provavelmente se referia a um artigo publicado por Aderson no "Jornal Pequeno" e em "O Imparcial", no dia 15 de maio de 2007. No texto, Aderson chamou Sarney de "velho oligarca" e disse que luta contra o grupo do ex-presidente desde 1990, tendo feito "algumas das denúncias que mais incomodaram aquele que desejou ser o dono do Maranhão".

ReportagemNo dia seguinte ao diálogo entre Sarney e seu filho, "O Estado do Maranhão" publicou a reportagem "Empresa sediada no Rio recebeu verba pública destinada a Caxias", sobre a denúncia contra Aderson e seu filho. Houve ainda duas outras reportagens negativas a Lago na semana seguinte. Lago diz que a TV também fez matérias sobre as denúncias. Como o site da TV está fora do ar, não foi possível consultar os arquivos para verificar se isso ocorreu.Aliados de Sarney, por seu turno, acusam Lago da mesma prática, utilizando veículos locais capitaneados pelo "Jornal Pequeno". "Os veículos de comunicação a serviço do governador Jackson Lago, entre os quais o "Jornal Pequeno", atacam a família Sarney de forma irresponsável, criminosa e sistemática, mas nem por isso a família Sarney usa seus veículos de comunicação para responder a essas calúnias", disse a assessoria do senador, que não quis comentar o grampo.

O deputado estadual Ricardo Murad (PMDB), líder do bloco de oposição ao governo estadual, vai ainda mais longe. Murad afirmou que Jackson Lago, por meio da Secretaria de Comunicação do Estado, financia diversos veículos de comunicação para atacar a família Sarney: "Com a exceção do sistema Mirante, quase todos os veículos de comunicação do Estado estão a serviço do governador. Esses jornais, capitaneados pelo "Jornal Pequeno", são bancados pela Secom", disse Murad, sem exibir provas.

Lourival Bogéa, diretor-geral e sócio do "Jornal Pequeno", rebateu as acusações: ""O Jornal Pequeno" é um veículo de comunicação que tem uma causa no Maranhão, que é a causa da democracia política".

Aderson Lago também nega as acusações: "Desde o primeiro dia do governo, eles tentam nos atacar, seja pela televisão, rádio, jornal ou blog", disse ele.Segundo ele, aliados da família Sarney chegaram a pedir investigação ao Ministério Público Federal, sem sucesso. A Procuradoria da República no Maranhão confirmou que não há procedimento sobre o assunto. A Folha também não localizou processos contra Aderson e seu filho relacionadas ao caso.

Em 2001, Aderson ganhou uma causa no STJ por "danos morais" contra a Gráfica Escolar S/A, que edita "O Estado do Maranhão". Segundo Lago, seu filho foi tachado de "assassino" após um acidente de carro.

O nosso pilar mais sólido

Ângela Pimenta, Revista Exame

Os resultados conseguidos em dez anos de adoção do regime de metas da inflação mostram que a política monetária é um trunfo, e não um problema, para o país enfrentar o período de crise econômica

Há quase dez anos, um decreto publicado no Diário Oficial da União mudou radicalmente - para melhor - a vida do país. Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação. Testado durante várias crises, culminando com a atual, o sistema tem-se provado um instrumento decisivo - o mais sólido pilar macroeconômico brasileiro para garantir estabilidade e resistência a choques externos. A ironia é que o décimo aniversário do regime monetário se dá em meio a mais um festival de críticas em torno da ação do Banco Central. Virou moda bater no BC e em seu presidente, Henrique Meirelles - e tecer loas às áreas "gastadoras" do governo. Trata-se de um equívoco. É verdade que governos do mundo todo estão lançando pacotes fiscais para tentar estimular a economia, mas o caso brasileiro guarda peculiaridades. Como aqui o setor público já gasta cerca de 40% do PIB e, portanto, tem pouco espaço para aumentos significativos de despesa, é a política monetária que pode fazer diferença agora. "O Banco Central já surpreendeu o mercado com um corte agressivo de juros recentemente e pode repetir a dose nos próximos meses", diz o economista Salomão Quadros, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro.

Perseguindo o alvo
Uma década significa pouco tempo na história de um país. Mas já é suficiente para afirmar que o Brasil atingiu um novo patamar em termos de solidez de sua política econômica. "O sistema de metas de inflação é uma experiência extremamente bem-sucedida no Brasil", diz Meirelles. "Nesse período, a inflação consolidou-se em patamares civilizados, permitindo que o PIB crescesse à taxa média de 3,5% versus pouco mais de 2% nas décadas anteriores, e o país acumulou reservas de 200 bilhões de dólares." Ganhos semelhantes podem ser observados nos mais de 20 países que hoje adotam o regime. O princípio das metas de inflação está na administração das expectativas quanto ao comportamento dos preços pelo banco central, que age para a inflação não sair dos trilhos principalmente por meio da calibragem da taxa de juro básica da economia - no caso do Brasil, a Selic. Logo, um banco central com credibilidade é aquele que ao longo do tempo entrega uma mercadoria: a inflação dentro da meta, como tem sido no Brasil nos últimos cinco anos. Nas últimas semanas, Meirelles e, por extensão, o Comitê de Política Monetária (Copom) voltaram a ser alvo de fortes pressões de dentro e de fora do governo. Mas é justamente numa conjuntura como a atual que se deve ponderar a importância do sistema de metas para o país. "Os brasileiros deveriam reconhecer que o Brasil é um exemplo de sucesso. É um país que acaba de obter uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares do governo americano, algo impensável para um país como a Argentina", diz o economista americano Thomas Trebat, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Columbia.

Para preservar a moeda
O sistema de metas de inflação é, na verdade, parte de um arcabouço mais completo. Ele só funciona na companhia de dois outros elementos: câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, que são incompatíveis com ditaduras e governos populistas. O câmbio flutuante permite que o país reaja com eficiência à volatilidade externa. A responsabilidade fiscal garante o equilíbrio das contas públicas. Até hoje, o governo tem gerado superávits primários consistentes, dando ao BC o espaço necessário para administrar os juros sem aumentar os custos da rolagem da dívida pública a um nível insuportável para o país. E, como se sabe, a decisão sobre os juros é a principal ferramenta de um banco central para manter a moeda estável e preservar o poder de compra da população. É por isso que a adoção do regime de metas é muito mais do que uma decisão técnica. Para que ela seja bem-sucedida, toda uma cultura econômica precisa ser reciclada. "Durante muito tempo se acreditou que a política monetária poderia ditar o crescimento do país", diz o economista José Luiz Rossi Júnior, professor do Ibmec de São Paulo. "Isso é verdade apenas no curto prazo, em que as baixas taxas de juro estimulam um surto de atividade." De fato, quando os juros são mantidos artificialmente baixos, como foi o caso dos Estados Unidos no começo da década, o resultado é a criação de bolhas, como a do subprime. A julgar pelas pressões para a saída de Meirelles, fica claro que muita gente ainda não entendeu o real papel do Banco Central.

Até para amenizar os efeitos daninhos da gritaria contra o BC, os economistas defendem a formalização da autonomia do Banco Central. Hoje, ela é garantida por um compromisso pessoal e, portanto, precário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Meirelles. "A aprovação da independência pelo Congresso seria muito positiva, porque sedimentaria o entendimento de que o Banco Central é um bem público que tem a missão de ser o guardião da moeda", diz Armínio Fraga, ex-presidente do BC. Difícil de ser obtida na situação atual, a medida significaria a definição de mandatos fixos para o presidente e os diretores do BC, a exemplo do que ocorre no Reino Unido e na Nova Zelândia. Essa independência é um fato inconteste nos Estados Unidos, cujo Federal Reserve, o Fed, é um órgão autônomo desde a década de 1930. Diante da crise, o presidente do Fed, Ben Bernanke, tem dito que, apesar de os Estados Unidos não adotarem formalmente o sistema de metas - já que o Fed tem a dupla missão de combater a inflação e manter o nível de emprego -, ele pretende passar a perseguir metas de inflação de forma explícita. No Brasil, os últimos cinco anos demonstram que, ao contrário do que se pensa, as pressões sobre o Copom acabam impedindo uma queda mais acentuada da Selic. "O tiroteio político dificulta o trabalho do Copom, forçando-o a subir ou a deixar de cortar os juros até conseguir acalmar os ânimos", diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Santander e ex-diretor do BC.

Nos últimos tempos, o governo brasileiro tem demonstrado certa ansiedade em tomar medidas anticrise que gerem resultados imediatos. O ativismo oficial produziu pelo menos uma barbeiragem, a exigência, já revogada, de licenças para importação. Outra medida controversa é o recente crédito de 100 bilhões de reais do Tesouro para o BNDES, sob a justificativa de que, com mais dinheiro para emprestar, o banco estimulará a atividade econômica. O problema, dizem os críticos, é que, mais à frente, esse crédito aumentará a dívida pública, elevando a despesa de juros pagos em função dela. Muitos economistas argumentam que, em vez de reforçar o BNDES, o governo deveria gastar menos e permitir assim que o BC reduza mais os juros. Diante da magnitude da crise e da frágil autonomia do Banco Central, é melhor pensar com cuidado no que fazer para não gerar mais problemas à frente.

TOQUEDEPRIMA...

***** O PMDB quer a cabeça dele
Lauro Jardim, Radar, Revista Veja

Agora que já tem a presidência da Câmara e do Senado, o PMDB quer ir à caça. O partido está descontente com dois ministros, José Temporão e Reinhold Stephanes. São ministros tidos como da cota do partido, mas os peemedebistas acham que o PMDB não manda de verdade na Saúde e na Agricultura. A ideia, no entanto, é pedir a Lula a substituição apenas de Stephanes. Consideram que seria um risco pedir a cabeça de Temporão e ver Lula nomear um petista para a Saúde. Quanto a Stephanes, acusado de não dar bola para os deputados do partido, não haverá refresco. Resta saber o que Lula acha de tudo isso...

***** Brasil recorre à OMC contra protecionismo de pacotes anticrise
Na próxima segunda-feira, o governo brasileiro acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC), solicitando o monitoramento dos impactos dos pacotes anticrise de países desenvolvidos. O temor é de que as medidas, como as que serão votadas pelo Senado americano nesta semana, representem o início de uma onda de protecionismo.

"Há uma escalada progressiva do protecionismo e esse cenário pode piorar, se nada for feito", diz o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo. A própria OMC já alerta para os riscos desses pacotes, que poderão "diminuir a perspectiva de uma recuperação rápida da economia mundial".

***** CGU: União gastou R$ 1,3 milhão por dia com diárias de viagem
Ao longo de 2008, os gastos do governo federal com diárias de viagens chegaram a R$ 467,5 milhões, uma média de R$ 1,3 milhão por dia, segundo dados consolidados pela Controladoria-Geral da União (CGU). O valor representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior, quando esse tipo de despesa somou R$ 436,8 milhões.

Nos seis anos de governo Lula, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2008, foram gastos R$ 2,45 bilhões com diárias de viagens. Trata-se de uma média anual de R$ 407 milhões, 10% acima do que foi verificado no segundo mandato do governo FHC: R$ 370 milhões anuais.

O Ministério do Planejamento minimizou o crescimento dos gastos com diárias, alegando que, descontada a inflação do período, a variação real foi de pouco mais de 2%.

***** Sarney quer outra presidência
Lauro Jardim, Radar, Revista Veja

Quem conhece a alma de José Sarney sabe que, aos 78 anos, a presidência do Senado não deve ser a última de sua coleção, se depender dele. Sarney ambiciona presidir a Academia Brasileira de Letras, quando largar o comando do Senado. Publicamente, no entanto, ele ainda não admite sua pretensão – o que, como se viu na disputa pelo Senado, não quer dizer muita coisa.

***** Brasil e Espanha fecham parceria
Depois de três meses de negociação, Brasil e Espanha fecharam parceria para a prestação de ajuda humanitária a Cuba, Haiti e Honduras, países devastados por três furações em 2008. A assistência conjunta do Brasil e da Espanha se resume à doação brasileira de 44,4 mil toneladas de arroz, de 1.105 toneladas de leite em pó e de 4,5 toneladas de sementes de frutas, verduras e legumes. Os custos de transporte marítimo e da distribuição das mercadorias aos três países beneficiados serão cobertos pelo governo espanhol.

***** Brasil e Paraguai discutem relações
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul vai se reunir na próxima terça (10), em Montevidéu, com integrantes do governo paraguaio onde discutirão questões surgidas nas relações Brasil-Paraguai. A reunião terá como principal objetivo a preparação do órgão legislativo do bloco, onde serão analisadas as negociações em torno da reivindicação do governo paraguaio de aumento do preço da energia elétrica produzida pela usina binacional de Itaipu e o critério de representatividade no Parlamento. O governo brasileiro reiterou que não pretende alterar o Tratado de Itaipu e apresentou três propostas. O Paraguai ficou de dar uma resposta ao que foi formulado pelo Brasil.

***** Juiz escreve em sentença que mulheres do Big Brother são "gostosas"
Revista IstoÉ

A sentença é do juiz Cláudio Ferreira Rodrigues, da cidade de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Estava em julgamento pedido de indenização (R$ 6 mil) para um comprador que adquiriu um televisor com defeito. Escreveu o magistrado: "(...) na vida moderna, não há como negar que um aparelho televisor (...) é considerado bem essencial. Sem ele, como o autor (o comprador) poderia assistir às gostosas do Big Brother?". O juiz explica que procura escrever em linguagem clara e direta para que o autor entenda por que ganhou ou perdeu, uma vez que é o cidadão comum, que entra na Justiça, quem mais deve ser respeitado: "É o cara que paga imposto."

***** Palocci, o preferido de Lula para governar São Paulo
Felipe Patury, Revista Veja

O candidato do PT ao governo de São Paulo deverá ser definido neste semestre. O preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o deputado Antonio Palocci, mas ele só assumirá essa condição se o Supremo Tribunal Federal o absolver da acusação de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

A corte fez chegar a Palocci que ele tem boas chances de ser inocentado e prometeu julgá-lo rapidamente. Caso contrário, Palocci apoiará o prefeito de Osasco, Emidio de Souza. Eles firmaram um pacto de apoio recíproco em janeiro.

O deputado Arlindo Chinaglia e o ministro da Educação, Fernando Haddad, também sonham com o Palácio dos Bandeirantes.

***** Ou se gosta de Chávez por bem ou se gosta de Chávez na marra
Revista IstoÉ

Hugo Chávez comemorou seus dez anos no poder coerente com sua vocação política de ditador. Na segunda-feira 2, ele decretou feriado nacional. Pega de surpresa, muita gente que já estava trabalhando quis continuar no batente. Chávez mandou militares da Guarda Nacional fecharem na marra os estabelecimentos, inclusive escolas, farmácias e clínicas médicas.

***** OAB estuda mudar legislação eleitoral
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, vai instalar nesta segunda (9) a Coordenação de Direito Eleitoral do Conselho Federal para estudar mudanças na legislação eleitoral. O grupo apresentará propostas de normas necessárias para adequação da legislação e do processo eleitoral à nova realidade do país. A coordenação será liderada pelo presidente da Comissão Nacional de Legislação da OAB, o conselheiro federal Marcus Vinicius Furtado Coelho.

Milhares vão às ruas na Venezuela contra reeleição ilimitada

Claudia Jardim, BBC Brasil

Opositores ao governo Chávez estão confiantes que vão derrubar proposta de fim de limite à reeleição.

Dezenas de milhares de opositores do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, saíram às ruas de Caracas neste sábado para protestar contra a proposta de emenda constitucional que será submetida a referendo no próximo domingo, que prevê o fim do limite à reeleição.

Convocada pelo movimento estudantil opositor, a manifestação reuniu os principais líderes dos partidos políticos que defendem a campanha do "Não" à emenda constitucional.

Os dirigentes opositores chamaram seus seguidores a votar "em massa" no próximo domingo e se declararam confiantes na vitória para "derrotar o comunismo".

"A reforma esconde o início de um Estado castro-comunista, eliminaria a propriedade privada ao povo da Venezuela. Aquele que tem uma bicicleta, uma casinha, saiam a defendê-las", afirmou o dirigente opositor e prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, em um discurso durante a manifestação.

Minutos depois, em um ato público de entrega de créditos em Petare, periferia de Caracas, Chávez desmentiu seu opositor. "Escutei por aí um dirigente da oposição dizendo que vamos tirar do povo as bicicletas e a propriedade privada. Isso é mentira", afirmou o mandatário.

Revolução bolivariana
O governo venezuelano argumenta que a emenda permitirá ao presidente venezuelano liderar o processo de "aprofundamento" da revolução bolivariana e afincar as bases para consolidar um modelo socialista no país.

Para a oposição, porém, a emenda, que permitiria a Chávez disputar um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2012, é "inconstitucional" porque o tema da reeleição foi incluído em uma reforma constitucional mais ampla, cujo projeto foi rejeitado nas urnas no referendo de 2007.

"Nós já votamos essa proposta e a maioria decidiu que não, não queremos que Chávez se perpetue no poder", afirmou à BBC Brasil a estudante Carolina Romero da Universidade Metropolitana.

O Supremo Tribunal da Venezuela, porém, deu seu aval ao referendo na semana passada ao considerar que a modificação de cinco artigos da Constituição de 1999 "não altera de forma alguma os valores democráticos do ordenamento jurídico constitucional".

Caso a emenda seja aprovada no referendo, o presidente, governadores, prefeitos e deputados poderão se apresentar à reeleição em seus cargos quantas vezes quiserem, sem limites de candidaturas.

Desinformação
Diversos manifestantes com quem a reportagem da BBC Brasil conversou neste sábado afirmaram acreditar que a emenda permitirá a permanência de Chávez no poder indefinidamente, sem disputar eleições.

"Essa emenda é uma armadilha, o que Chávez está tentando na verdade é a reeleição indefinida, ficar para sempre no poder e acabar com a democracia no país", afirmou o arquiteto Hector Millán.

A confusão é parte da estratégia de propaganda da oposição, que tem reiterado que a reeleição tornaria Chávez uma espécie de monarca venezuelano. "(Chávez) seria um presidente eleito perpetuamente", afirmou Manuel Rosales durante a manifestação.

A desinformação do eleitorado opositor também foi constatada por Oscar Schemel, diretor da empresa de pesquisas Hinterlaces, que afirmou durante entrevista coletiva em Caracas que a rejeição à emenda está associada "à percepção de uma Presidência vitalícia, sem eleições, associada à reeleição indefinida".

Tensão
A reta final da campanha pelo referendo tem sido marcada por enfrentamentos entre estudantes e policiais. De acordo com a imprensa local, na quarta-feira uma manifestação de estudantes opositores realizada na cidade de Maracay (a 110 km de Caracas) teria sido dispersada com bombas de gás lacrimogêneo. Na ocasião, quinze estudantes teriam sido presos e libertados horas depois.

O clima deve continuar tenso, de acordo com a manifestante Tamara Oropeza - que se protegia do sol com um lenço estampado com a bandeira dos Estados Unidos. Na sua opinião, a aprovação da emenda poderia desencadear manifestações violentas do lado opositor.

"Se o governo ganhar, as pessoas não vão tolerar, vão sair às ruas para protestar, inclusive poderia haver até pessoas mortas, tomara que não. Mas as pesquisas dizem que nós estamos ganhando", afirmou.

Na última semana, duas pesquisas de intenção de voto com tendências diferentes, mostram que o governo poderia sair vitorioso do pleito do próximo domingo. Em uma pesquisa divulgada pela empresa North American Opinion Research, Inc. (Naorinc), o referendo seria aprovado com 54% de votos a favor do "Sim" contra 38% dos votos pelo "Não".

No estudo da empresa Datanálisis, o cenário é um pouco mais apertado. De acordo com essa pesquisa, 51,5% dos venezuelanos apóiam o fim do limite a reeleição, enquanto 48,1% rejeitam a proposta.

O resultado da pesquisa do instituto Hinterlaces, no entanto, mostra a oposição com uma vantagem de cinco pontos, com 49% dos votos contra a emenda e 44% a favor da proposta.

Bispo diz que não vai retirar negação de Holocausto

Marcia Carmo, BBC Brasil

Richard Williamson disse que se encontrar provas vai se 'corrigir'.

O bispo britânico Richard Williamson, que integra uma ala conservadora e dissidente da Igreja Católica, disse que apesar do pedido do papa Bento 16 não pretende se retratar de sua negação sobre o Holocausto e uso de câmaras de gás que mataram milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Williamson é bispo da Fraternidade Sacerdotal Pio X - fundada em 1969 pelo bispo francês dissidente Marcel Lefebvre -, dirige um seminário e realiza missas na localidade de La Reja, na província de Buenos Aires desde 2003.

Em declarações à revista alemã Der Spiegel, que chega às bancas na semana que vem, ele afirmou que antes de se retratar, tem de rever as provas históricas. "Se encontro provas, me corrigirei, mas isso precisa de tempo", disse Williamson.

Suas declarações à publicação alemã foram reproduzidas neste sábado pelos principais jornais da Argentina - Clarin e La Nación - em suas edições online.

Williamson gerou polêmicas internacionais ao negar a existência do holocausto durante uma entrevista a uma emissora de televisão sueca.

Suas declarações foram feitas dias antes do anúncio no mês passado de que o Papa suspenderia sua excomunhão e de outros três bispos da mesma congregação.

Eles tinham sido excomungados em 1998 por terem sido nomeados bispos por Lefebvre sem a autorização do papa João Paulo 2º.

As afirmações de Williamson e a intenção do papa Bento 16 levaram o governo de Israel a divulgar um comunicado afirmando que a "reincorporação de um bispo que nega (o holocausto) é uma ofensa para todos os judeus, Israel e o mundo, e uma ofensa à memória das vítimas e sobreviventes do holocausto".

No comunicado, o governo de Israel diz que espera que o Vaticano se "separe" de todos os que negaram o Holocausto e de "Williamson em particular".

A iniciativa do papa também gerou críticas de diferentes rabinos e levou a chanceler alemã, Angela Merkel, a pedir publicamente que Bento 16 deixasse "claro" que "não tolera" a negação do Holocausto.

Pouco depois, na última quarta-feira, o Papa pediu que Williamson se "retratasse de maneira clara e pública" para ter o direito de exercer a função de sacerdote da Igreja Católica.

Desde então, havia a expectativa na Argentina, na Itália e na Alemanha, entre outros países, por declarações de Williamson.

De acordo com os sites argentinos, que reproduziram trechos da entrevista à revista alemã, Williamson também teria sido crítico sobre a ideia da validade universal dos direitos humanos.

"Onde os direitos humanos são vistos como objetivo que o Estado tem de impôr, acaba se chegando sempre a uma política anti-cristã", disse.

Correa expulsa funcionário da embaixada dos EUA

Claudia Jardim, BBC Brasil

O presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou neste sábado a expulsão "em 48 horas" de um funcionário da embaixada dos Estados Unidos ao acusá-lo de condicionar uma ajuda financeira para a polícia equatoriana ao direito para que o governo americano selecionasse os responsáveis pelo desenvolvimento de um projeto antidrogas.

De acordo com o mandatário equatoriano, Armando Astorga, um dos diplomatas da embaixada dos EUA no Equador teria enviado uma carta à direção da polícia informando o fim de um convênio de US$340 mil, que seriam destinados à luta contra o contrabando.

A decisão do governo dos Estados Unidos seria uma resposta à negativa do Equador em permitir que o governo norte-americano indicasse os responsáveis pela aplicação e desenvolvimento do convênio de cooperação.

Na avaliação do governo equatoriano a proposta era um atentado à soberania do Equador. "Se trata de uma descarada e malcriada intervenção de um funcionário da embaixada dos EUA em assuntos do nosso país".

Correa deu 48 horas para o diplomata americano deixar o país. "Aqui não vamos aceitar que ninguém nos trate como colônia", afirmou.

O presidente equatoriano disse que entregará uma carta na próxima segunda-feira à embaixada dos EUA dispensando também os US$ 160 mil anuais que os EUA outorgariam em apoio logístico e operativo para a construção de uma unidade contra o tráfico de pessoas.

"Senhor Astorga, fique com seu dinheiro sujo, não precisamos dele, aqui há dignidade. (...) O Equador não precisa da caridade de ninguém", disse Correa.

Segundo Correa, com o fechamento da base miliar americana em Manta (Equador) prevista para 2010, o governo dos EUA teria pedido autorização para aterrissar, em território equatoriano, aviões de controle antidrogas.

O presidente andino disse que também condicionará o pouso das aeronaves a que seu governo qualifique os pilotos dos aviões "para que não entre nenhum delinquente em nosso país".
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

É o que dá o cretino jogar para a torcida: cedo ou tarde, ele fará gol contra. Num primeiro momento, a “decisão soberana” de Correa, parece demonstrar que ele está sendo muito corajoso e extremamente patriótico. Depois, SS gente fica sabendo a verdade e conclui que o presidente do Equador não passa de um cretino. A notícia abaixo é da Agência EFE e ela informa que Rafael Corea expulsou alguém que já tinha ido embora muito antes. E, de acordo com o informe da EFE, fica claro a razão que moveu o presidente do Equador: irritação, pura e simples, pela suspensão do valor que entrava no caixa. Daí, a tentativa torpe de querer inverter a realidade dos fatos.

Americano expulso por Correa deixou Equador em janeiro
EFE - Agência EFE

O funcionário da Embaixada americana Armando Astorga, que recebeu neste sábado uma ordem de expulsão do presidente do Equador, Rafael Correa, deixou o país em janeiro, indicou à Agência Efe uma fonte dessa legação diplomática em Quito.

Astorga, que trabalha no departamento de Temas de Migração, Alfândega e Tratamento de Pessoas, deixou o Equador no começo de janeiro como parte de "um rodízio normal" de pessoal, disse Marta Youth, chefe de imprensa da Embaixada.

Correa tinha fixado hoje um prazo de 48 horas para que Astorga deixasse o país, após qualificar de "insolente" uma carta que o americano enviou ao Comando Geral da polícia local.

O governante leu a carta na qual Astorga informa a suspensão de uma ajuda anual de US$ 340 mil ao centro de operações contra o contrabando da Direção Nacional de Inteligência da Polícia Nacional.