Adelson Elias Vasconcellos
Não conheço o governador reeleito por Pernambuco. Parece ser bom moço, teve expressiva votação, o que indica ampla aprovação pelos pernambucanos de seu primeiro mandato como governador.
Eduardo Campos, PSB, pertence ao amplo arco de aliança do governo Lula e, nesta condição, há de apoiar as iniciativas de Lula e, mais ainda, alinhar-se aos aliados pela campanha de Dilma Rousseff.
Nesta semana, em Brasília, num outro ato que caracteriza crime eleitoral, (dele falo mais abaixo) Lula reuniu sua “turma” para discutir a relação e traçar as estratégias para o segundo turno.
Feito o “mea culpa” e escalados os agentes que irão a campo, com missões específicas e voltadas ao propósito maior do patrão, à saída do encontro, cada um deu sua opinião, e dentre estes, coube ao governador reeleito por Pernambuco fazer o ataque mais duro.
Campos chamou de "fascista" a campanha contra a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) veiculada pela Internet, afirmando que ela é favorável à legalização do aborto. A exploração do tema teria feito a candidata perder votos entre eleitores religiosos. "É uma campanha fascista que tomou conta do Brasil nos últimos dez dias".
Não sei se Eduardo Campos sabe qual o significado da expressão “fascista”, como acredito que o moço devia estar desligado dos noticiários, já que estava em plena campanha por sua reeleição. Talvez, por tal razão, estivesse desinformado. Mas não pode sair por aí passando em si mesmo atestado de ignorância. Ah, não pode mesmo!
A começar que Eduardo Campos parece que não assistiu ao vídeo que corre na internet. Se o tivesse assistido, por certo nele reconheceria que há uma Dilma Rousseff, concedendo uma entrevista à Folha de São Paulo, em 2007, e declarando-se solenemente, favorável ao aborto. E, até que o governador pernambucano nos prove que o vídeo se trata de uma farsa, devemos acreditar naquilo que lá está.
Mas não seria apenas na internet que o governador deveria se informar. Por exemplo, no mesmo dia em que sai pondo a boca no trombone para ofender e agredir a verdade, a Receita Federal confirmou o acesso imotivado aos dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, feito em Minas Gerais, por um servidor público, filiado ao PT. Da mesma forma, como também já havia confirmado a quebra ilegal de sigilo de outros tucanos, além da filha e genro de Serra, estes feitos através de procurações falsas. E que se diga: as informações do sigilo de Eduardo Jorge foram parar em mãos de integrantes do comitê de Dilma Rousseff, conforme informação comprovada pelo jornal Folha de São Paulo.
Ora, seu Eduardo Campos, quem está sendo fascista neste caso? Tanto a quebra de sigilo quanto a declaração favorável de Dilma Rousseff em relação ao aborto, vossa excelência tem como provar serem mentirosas? Então, primeiro faça-o, e até lá, não seja leviano tentando de forma estúpida e truculenta, apagar o incêndio provocado não pela oposição, mas pela própria Dilma que, apenas por conveniência eleitoreira, tentou mentir ao eleitorado negando uma afirmação feita por ela mesma e que, para seu azar, está devidamente gravada.
Por outro lado, tanto os católicos quanto os evangélicos e espíritas, todos contrários ao aborto, tem o direito de saber qual a real posição de dona Dilma. Afinal, 70% da população brasileira é contrária à descriminação do aborto. E, não apenas tem-se a gravação desta declaração à Folha, como também a de outra entrevista, concedida à Revista Marie Claire; e se tal ainda não bastasse, podemos trazer o tal Programa Nacional de Direitos Humanos – versão 3.0, além do próprio programa partidário em que o PT é claro na sua ideia de descriminalização do aborto. Convenhamos, são provas e evidências a comprovar, plenamente, que a posição da dona Dilma é sim a de ser favorável ao aborto.
Jurar de pés e mãos juntas, em plena campanha eleitoral, o contrário do que os fatos atestam, isto vai muito além de atitude fascista, senhor Eduardo Campos: é denotar uma fraqueza de caráter inadmissível para quem é pretendente ao cargo político mais importante do país e que, por quatro anos, se eleita, de suas decisões dependerão a vida de 190 milhões de brasileiros e, por ironia, a morte de alguns outros.
Portanto, conviria que o governador pernambucano antes de sair por aí, de forma ridícula e imbecil, acusando de forma gratuita e injusta um fictício movimento fascista contra dona Dilma, se informasse melhor sobre a procedência ou não do movimento de indignação contra sua aliada. Porque, garanto que, ao assistir aos vídeos das entrevistas, e ler o conteúdo programático do próprio partido de Dilma, a que se subordinam todos os filiados, o senhor Campos pensará duas vezes, no futuro, antes de fazer papel tão rasteiro e agredir de forma tão leviana a verdade dos fatos.
E para que não pairem dúvidas, colaboramos para deixar o senhor Eduardo Campos melhor informado, reapresentando a seguir o vídeo em que a dona Dilma Rousseff defende o aborto.
Dilma defende aborto em Sabatina da Folha
Durante sabatina realizada pela Folha de São Paulo em outubro de 2007, Dilma Rousseff defendeu a desciminalização do aborto.


